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O crescimento dos centros urbanos e a segurança das infraestruturas críticas
| Foto: Cesar Brustolin/Prefeitura de Curitiba

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 70% da população mundial viverá em centros urbanos até 2050 e, à medida que isso acontece, aumentam também a demanda por infraestruturas e os desafios de segurança para mantê-las funcionando de maneira segura e contínua. Desde ações criminosas a catástrofes naturais, as chamadas “infraestruturas críticas” estão sujeitas a diversas ameaças que podem provocar a interrupção de suas operações, causando graves problemas no abastecimento, na mobilidade, nas comunicações e em diversos outros setores com um grande efeito dominó.

A interrupção no fornecimento de energia em uma cidade, por exemplo, desativará semáforos, causando acidentes e prejudicando o fluxo de veículos nas vias. A falta de iluminação tornará espaços públicos e privados mais vulneráveis a crimes, impactando diretamente os órgãos de segurança pública, como polícia, bombeiros, agências de trânsito e Samus, cuja capacidade de atendimento e agilidade de resposta a emergências será drasticamente reduzida.

Operando quase sempre em áreas com alta concentração de pessoas e de grande extensão territorial ou elevado risco, infraestruturas críticas exigem medidas especiais de proteção. Eventos climáticos como inundações e deslizamentos de terra costumam comprometer o fornecimento de água e eletricidade, ou afetar a mobilidade urbana, ao bloquearem pontes, estradas e ferrovias. Igualmente preocupante, o acesso de pessoas não autorizadas a uma sala de controle também pode levar à sabotagem ou ao desligamento de sistemas críticos, à destruição de dados vitais ou a furtos de equipamentos e componentes, interrompendo o fornecimento de serviços essenciais.

A exemplo disso, no Brasil, mais de 4 milhões de metros de cabos de telecomunicações foram furtados no ano de 2021, segundo dados da Conexis Brasil Digital. De acordo com a organização, ao menos 6 milhões de clientes ficaram sem acesso a serviços de comunicação. Nesse cenário, o prejuízo estimado de R$ 3 milhões aos cofres públicos e os custos para a reposição dos materiais poderiam ter sido minimizados ou evitados com a vigilância eficiente dos ativos.

Em casos como esse, no qual existe uma área muito grande a ser monitorada, os serviços de segurança patrimonial e ronda física acabam sendo ineficazes, e tornam-se financeiramente inviáveis. Em outros casos, nos quais existe uma infraestrutura de segurança em funcionamento, muitas vezes os sistemas e equipamentos não operam de maneira integrada. Isso acaba mantendo as informações em silos e demandando muitos profissionais para monitorá-las, o que torna a proteção e vigilância de infraestruturas críticas um processo manual, caro e impreciso.

Quando se trata de infraestruturas críticas, “segurança é sempre excessiva até que não seja suficiente”

A falta de automação e integração gera limitações e ineficiências que podem custar caro em situações de crise. Quando partes de uma infraestrutura de segurança atuam de maneira independente é mais difícil prever incidentes, identificar a origem de um problema ou mesmo obter informações que ajudem a esclarecer a sua dimensão real, os profissionais que devem ser envolvidos ou ações que devem ser tomadas para minimizar o risco, o impacto e o tempo de inatividade dos serviços.

Organizações que planejam integrar sua infraestrutura de segurança devem buscar tecnologias compatíveis com a infraestrutura pré-existente, que atendam às suas necessidades atuais e sejam frequentemente aprimoradas para combater as novas ameaças que surgem a cada dia. Afinal, quando se trata de infraestruturas críticas, “segurança é sempre excessiva até que não seja suficiente”, conforme já afirmou Robbie Sinclair, um dos maiores especialistas globais em gestão de risco e governança.

Sergio Nunes é vice-presidente sênior da divisão de Segurança, Infraestrutura e Geotecnologias da Hexagon na América Latina.

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