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Fachin mantém suspeição de Toffoli sob sigilo após cobrar transparência de Mendonça

Presidente é relator de processo com detalhes sobre relação entre ministro e dono do Banco Master.
Presidente é relator de processo com detalhes sobre relação entre ministro e dono do Banco Master. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

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Mesmo após determinar que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) retire o sigilo dos documentos envolvendo o caso Master, o presidente da Corte, Edson Fachin, mantém sob sigilo um processo sob sua relatoria com informações sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli.

A determinação pelo fim do sigilo ocorreu nesta quinta-feira (10). Após uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Fachin deu 24 horas para que o relator da operação Compliance Zero torne públicos outros documentos que seguem sigilosos, exceto os que poderiam prejudicar investigações em curso caso circulem.

As duas determinações, no entanto, atingem apenas Mendonça. A ação sob o controle de Fachin é uma arguição de suspeição da Polícia Federal (PF) contra Toffoli. O pedido foi arquivado, mas motivou a substituição da relatoria do caso Master. Nele, há os indícios que motivaram a PF a argumentar que Toffoli não poderia julgar o banqueiro.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o Supremo para saber se o sigilo da Arguição de Suspeição (AS) nº 244 será levantado. O espaço segue aberto para manifestação.

O que pesa contra Toffoli

Toffoli foi o primeiro a ser alvo de questionamentos após a deflagração do caso Master. O relatório enviado a Fachin teria reunido menções ao magistrado, registros de contatos e informações sobre negócios ligados ao entorno de Toffoli.

A controvérsia ganhou corpo no debate público acompanhada do Tayayá, um resort em Ribeirão Claro (PR) fundado pela família de Toffoli. O ministro confirmou que é sócio da Maridt, empresa que já esteve entre as proprietárias do resort. Entre 2021 e 2025, o fundo Arleen, ligado à rede de negócios do Banco Master, dividiu com familiares de Toffoli a participação no empreendimento. Uma reportagem do portal Metrópoles foi até o local e constatou que cidadãos ainda chamam o local de "resort do Toffoli".

A PF identificou ainda mensagens entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que indicariam pagamentos de pelo menos R$ 20 milhões do fundo Arleen à Maridt após um contrato firmado em 2024. Em relatório mais recente, a corporação passou a trabalhar com a hipótese de que Toffoli pudesse ser o beneficiário final ou proprietário de fato do próprio Arleen.

Após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt, a empresa foi ao Supremo, mas não recorreu a Mendonça, relator dos procedimentos relacionados ao colegiado. Em vez disso, protocolou o pedido em uma ação arquivada há três anos sobre a quebra de sigilos da produtora Brasil Paralelo na CPI da Pandemia.

O decano suspendeu a quebra dos sigilos após determinar que o processo fosse reautuado como habeas corpus e distribuído por prevenção àquele mesmo mandado de segurança, ou seja, voltar a ele. Depois disso, Fachin advertiu os ministros para que sigam o rito de processamento e validação pela secretaria judiciária nas petições em processos arquivados, para prevenir a criação de mais estopins para novos blocos de prevenção.

Veja a linha do tempo do novo capítulo da crise no STF

  • 1º de setembro de 2026: Mendonça retira o sigilo de uma petição e expõe um relatório da PF com detalhes sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes;
  • 1º de setembro de 2026: Moraes determina que PF envie relatórios de inteligência que citam ministros do STF;
  • 1º de setembro de 2026: procurador-geral da República, Paulo Gonet, diz a Mendonça que a decisão é nula por invadir competência do plenário.
  • 2 de setembro de 2026: o presidente do STF, Edson Fachin, divulga uma nota prometendo providências;
  • 3 de setembro de 2026: Moraes divulga decisão no inquérito das fake news com relatório crítico a Mendonça, aponta abusos e envia caso à Presidência;
  • 3 de setembro de 2026: Fachin abre prazo para manifestações de Mendonça, Moraes, PF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet;
  • 4 de setembro de 2026: Fachin complementa decisão após ofensiva de Moraes, retirando o episódio do inquérito das fake news e abrindo prazo em paralelo;
  • 4 de setembro de 2026: Ao lado de Lula, Fachin defende o fim do inquérito das fake news;
  • 5 de setembro de 2026: Gilmar Mendes apresenta proposta de emenda ao Regimento Interno para proibir a atuação de delegados, policiais e militares em gabinetes, exceto para segurança dos ministros;
  • 7 de setembro de 2026: Flávio Dino questiona se um julgador pode prometer fim de inquéritos "como se fosse um candidato ou para receber aplausos".
  • 8 de setembro de 2026: 13 ex-ministros enviam carta a Edson Fachin defendendo julgamento público da controvérsia;
  • 8 de setembro de 2026, 8h30: Mendonça afasta Andrei Rodrigues e Leandro Almada e marca sessão-relâmpago na Segunda Turma;
  • 8 de setembro de 2026, 09h59: Termina o prazo para que os advogados apresentem suas sustentações orais;
  • 8 de setembro de 2026, 10h00: inicia a sessão virtual e Gilmar Mendes pede vista;
  • 8 de setembro de 2026, 10h04: Fux antecipa voto, acompanhando Mendonça;
  • 8 de setembro de 2026, 10h06: Nunes Marques antecipa voto, acompanhando Mendonça e formando maioria;
  • 8 de setembro de 2026: Fux cancela sessão da Segunda Turma;
  • 8 de setembro de 2026: Gilmar Mendes justifica pedido de vista alegando incompetência da Segunda Turma, pouco tempo para análise dos autos e suposta vedação a esse tipo de pedido por partidos políticos.
  • 9 de setembro de 2026: Dino reverte decisão de Mendonça e reintegra Andrei Rodrigues;
  • 9 de setembro de 2026: Fachin assume inquérito das fake news e derruba liminares de Dino e Mendonça, mantendo Andrei no cargo.
  • 10 de setembro de 2026: STF anuncia pronunciamento de Moraes com transmissão ao vivo. Depois, diz que imagens serão cedidas posteriormente e, por fim, cancela o evento;
  • 10 de setembro de 2026: Fachin solicita e Mendonça derruba o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master;
  • 11 de setembro de 2026: Moraes e PGR defendem que a derrubada do sigilo alcance todos os documentos; Ministro também pede que guerra de decisões seja julgada conjuntamente;
  • 11 de setembro de 2026: Fachin dá 24 horas para Mendonça liberar os documentos restantes;
  • 15 de setembro de 2026: data prevista para julgamento de Moraes por ter pedido investigação de Mendonça.

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