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Para entender

Flávio Dino suspende julgamento sobre investigação contra Alexandre de Moraes

Possível abertura de uma investigação contra um ministro do STF é inédita nos 135 anos de história da Corte. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

O STF interrompeu nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, a análise sobre a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento foi travado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, após um placar provisório de 4 a 3 rejeitar a união do caso com as acusações contra André Mendonça. O embate expõe uma crise inédita e profunda entre os integrantes da Corte.

Qual é a origem da crise atual entre os ministros do Supremo?

O conflito começou quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório policial que mostrava mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em reação, Moraes acusou Mendonça de usar o cargo para fins políticos e pediu que o colega também fosse investigado por supostas falhas na condução de processos ligados ao mesmo banco e ao INSS. Essa troca de acusações mútua gerou uma tensão institucional sem precedentes nos 135 anos de história do tribunal, forçando a presidência da Casa a intervir para tentar organizar o rito das apurações e evitar novas decisões individuais conflitantes.

O que os ministros decidiram sobre julgar os dois casos juntos?

Houve uma divergência sobre a forma do julgamento. Gilmar Mendes propôs que os casos de Moraes e Mendonça fossem unidos e analisados ao mesmo tempo, argumentando que as situações possuem as mesmas bases de fatos. O relator e presidente da Corte, Edson Fachin, votou contra essa união, sendo seguido por outros três ministros. O placar estava em 4 a 3 para manter os processos separados quando Flávio Dino pediu mais tempo para análise. Com esse pedido de 'vista', o julgamento fica parado por até 90 dias, e o tribunal segue sem definir se as condutas dos dois magistrados serão tratadas em um rito único ou isoladamente.

Quais ministros se afastaram da votação e por quais motivos?

Os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos e não votaram. Nunes Marques justificou sua ausência para evitar conflitos, já que ocupa a presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, surgiram informações sobre pagamentos do Banco Master a um familiar do ministro, o que ele nega ter relação com seus votos. Já Dias Toffoli alegou motivos de 'foro íntimo', termo jurídico usado quando um juiz prefere não julgar por razões pessoais. Investigações citaram que ele teve sociedade com irmãos em um resort que negociou com fundos ligados a operadores do Banco Master, o que motivou seu recuo estratégico.

Como a Procuradoria-Geral da República se posicionou no plenário?

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou qualquer proximidade com o empresário Daniel Vorcaro, após seu nome surgir nas investigações. Gonet defendeu a extinção do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, alegando que não existem elementos jurídicos válidos ou um pedido formal da própria PGR para abrir tal inquérito. Durante a sessão, o clima pesou quando Gilmar Mendes criticou duramente a postura de André Mendonça, chamando-a de leviana. O debate evidenciou que a cúpula do Judiciário está dividida entre os que defendem o rito tradicional e os que veem necessidade de apurar a rede de influência de Vorcaro.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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