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O corpo do adolescente Bruno Ramon Pereira, de 15 anos, foi enterrado na manhã desta terça-feira (31), no Cemitério Frei Mathias, em Castro, na região dos Campos Gerais. O coração de Pereira parou na segunda-feira (30), após sofrer de uma parada cardíaca. Os médicos já haviam constatado a morte cerebral dele na tarde de sábado (28).
O adolescente teve traumatismo craniano e estava em coma induzido na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa. Ele estava no brinquedo "kamikaze", no parque de diversões de Castro que partiu ao meio em movimento no último dia 22.
O corpo foi velado desde o fim da tarde de segunda-feira na capela Ávila, no Centro de Castro. Parentes evitaram dar entrevistas e não autorizaram o hospital a dar informações sobre o caso. Um tio de Bruno disse apenas que todos estão abalados e que a família optou por não doar os órgãos. Sobre as responsabilidades do acidente, os parentes ainda não tinham discutido o assunto.
Responsabilidades
O brinquedo Kamikaze foi construído de forma artesanal em maio de 2007 por Claudinei Aparecido de Moura, de Curitiba. Ele foi convidado por Reinaldo Rodrigues dos Santos a montar o Kamikaze e o carrinho de choque no parque de diversões como parte da programação de 305 anos de Castro. Moura ficou preso por uma noite na delegacia de Castro, mas foi liberado. Santos prestou depoimento na última sexta-feira e disse que foi contratado informalmente pela prefeitura.
O parque não tinha alvará de funcionamento nem vistoria do Corpo de Bombeiros. A prefeitura afirmou ter mandado ofício a todos os órgãos de segurança sobre o evento, mas não foi encaminhado nenhum pedido de vistoria. Uma sindicância interna foi aberta pela Procuradoria Geral do Município, com prazo de conclusão de 30 dias.
O delegado que assumiu o caso na última quinta-feira, Eduardo Mady Barbosa, não adiantou quem serão os indiciados. Nesta quinta-feira (2), ele ouvirá um funcionário da prefeitura responsável pela contratação do organizador do parque. Por enquanto, segundo Barbosa, o caso está sendo investigado como homicídio culposo (sem intenção de matar), mas lembra que a tipificação do crime vai depender da avaliação do Ministério Público e do Judiciário. O inquérito será concluído até o próximo dia 22 com os depoimentos de testemunhas e os laudos periciais.



