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Jogo político

Dilma admite que sistema não está livre de blecautes

Depois de montar operação para blindar a ministra, governo tenta passar imagem de que não há crise

O tucano José Serra atacou o governo: não se pode depender da natureza | Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
O tucano José Serra atacou o governo: não se pode depender da natureza (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)
O ministro da Energia, Edison Lobão:

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O ministro da Energia, Edison Lobão:

A ex-ministra Marina Silva foi cautelosa: é preciso aguardar investigação |

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A ex-ministra Marina Silva foi cautelosa: é preciso aguardar investigação

Depois de passar a quarta-feira longe dos holofotes, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reapareceu ontem e falou pela primeira vez sobre o apagão. Ela admitiu que o sistema elétrico nacional não está livre de novos blecautes, mas garantiu que o país não sofrerá mais racionamentos de energia como em 2001. Assim como disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, Dilma declarou que "para o governo, este episódio está encerrado."A questão se transformou numa arma cobiçada na arena política nacional. O governador de São Paulo e pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, criticou o argumento dado pelo governo, de que o apagão teria sido motivo por condições meteorológicas. "O abastecimento de energia de um país não pode depender de que a natureza evite raios e ventania", afirmou.No último grande apagão do país, em 1999, o colega de partido de Serra, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, justificou o blecaute da mesma forma que Luiz Inácio Lula da Silva. Culpou um raio pelo incidente que deixou dez estados sem energia por mais de cinco horas. Questionado sobre a comparação, Serra pensou por alguns segundos e respondeu com reticência: "Mas já passaram mais de dez anos..."A senadora Marina Silva (PV), ex-ministra do Meio Ambiente do atual governo e também pré-candidata à Presidência, foi mais cautelosa. Ela disse que primeiro é preciso ter o diagnóstico correto da situação para que não se fique apenas no "achismo". "A questão tem que ser vista com críticas e com preocupações", afirmou.Governistas

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT-PR), pediu, em discurso na abertura de um seminário sobre empresas estatais, uma "explicação cabal" sobre as causas da interrupção de energia. "Isso coloca em discussão a necessidade de fazermos grandes investimentos, não só na área de energia", afirmou. Segundo Bernardo, as empresas estatais têm um grande papel no aumento dos investimentos e, por isso, é preciso melhorar sua gestão para que possam cumprir essa tarefa.

Após reunião com o presidente Lula e autoridades do governo do setor elétrico, agendada antes do problema na terça-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o apagão não foi sequer discutido no encontro. "Não tratamos do blecaute. O assunto está encerrado. Conseguimos restaurar o serviço em pouco tempo e já identificamos as causas", disse o ministro. Ele afirmou, entretanto, que o governo analisa providências para "melhorar mais ainda" o sistema que "já é bom e confiável".

Especialistas

Para analistas, o forte envolvimento político no setor pode ter sido responsável pelo blecaute. "É inegável que houve um aparelhamento político dos órgãos reguladores do sistema elétrico no governo Lula e isso pode ter prejudicado tanto a manutenção técnica quanto a fiscalização dos sistemas de segurança", criticou Otavio Santoro, sócio-diretor da Indeco, empresa especializada em soluções em energia. Ele destacou que o sistema elétrico brasileiro vem, ao longo dos anos, servindo de referência mundial em eficiência e qualidade. Porém, teme que a manutenção dos equipamentos não esteja sendo realizada devidamente.

Para Claudio Salles, diretor do Acende Brasil, há dificuldade geral em aceitar o diagnóstico apresentado pelo governo porque, dentro dos sistemas de segurança instalados, caberia uma queda de energia provocada por tempestades, mas seria uma queda de menor proporção e não do tamanho ocorrido. Ele destacou como principal gargalo do sistema hoje a excessiva concentração na expansão do sistema interligado. "Tem sido colocado pelo governo que esta é a única alternativa viável para a expansão e isso está longe de ser verdade".

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