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O jornalista Glenn Greenwald, responsável pelas reportagens da Vaza Jato, comparou a investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) que levou à identificação da fonte de um jornalista no Maranhão ao episódio que revelou mensagens da Operação Lava Jato em 2019.
Para Greenwald, mesmo diante das críticas e acusações de abusos contra o então juiz Sergio Moro e integrantes da força-tarefa, os jornalistas que divulgaram as informações nunca foram alvo de investigação com o objetivo de descobrir suas fontes.
“Apesar de tudo o que se disse sobre os abusos de Sergio Moro e Bolsonaro durante a #VazaJato, ninguém jamais tentou investigar os jornalistas para descobrir nossas fontes”, afirmou Greenwald em uma publicação nas redes sociais.
Ele se referiu à investigação conduzida pelo STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que levou à identificação de Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, como fonte do jornalista Luís Pablo. As reportagens de Luís Pablo tratavam suposto uso irregular de veículos oficiais pelo ministro Flávio Dino, que também integrou o governo do Maranhão.
A apuração passou a ser questionada por entidades ligadas à imprensa e por especialistas, que apontam possível violação do princípio constitucional que assegura o sigilo da fonte jornalística.
Greenwald afirmou que, no caso da Vaza Jato, embora aliados de Moro no Ministério Público Federal (MPF) tenham posteriormente tentado processá-lo, sem sucesso, o sigilo constitucional de suas fontes não foi violado.
“Os aliados de Moro no MPF tentaram me processar posteriormente, sem sucesso, mas nunca violaram o sigilo constitucional da fonte jornalística”, escreveu.
Na avaliação do jornalista, a diferença entre os dois episódios evidencia uma mudança de postura de setores da esquerda brasileira em relação à liberdade de imprensa. Segundo ele, grupos que organizaram manifestações em defesa do jornalismo durante a Vaza Jato agora apoiam as decisões de Moraes.
“Agora, a esquerda (que na época organizou marchas e manifestações em defesa da nossa liberdade de imprensa) aplaude, praticamente em uníssono, enquanto Moraes viola e ataca diretamente esse direito sagrado do jornalismo”, afirmou. Ele destacou que a "esquerda brasileira, com poucas exceções, é composta por autoritários sem quaisquer princípios fixos".




