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Para entender

Luiz Fux derruba liminar de Flávio Dino e aponta incoerência do STF

Decisão de Fux sobre caso de Nossa Senhora Aparecida expõe seletividade do STF em ações sobre liberdade de expressão. (Foto: Luiz Silveira/STF)

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu nesta terça-feira (29) uma decisão individual do colega Flávio Dino que permitia a circulação de publicações falsas sobre Flávio Bolsonaro. Fux criticou o tratamento desigual dado à liberdade de expressão, comparando a permissão para mentir neste caso com o rigor autoritário aplicado em investigações anteriores contra a direita.

Qual foi o motivo central para a decisão do ministro Luiz Fux?

O ministro Luiz Fux interveio para restabelecer uma ordem do Tribunal Superior Eleitoral que mandava remover postagens com informações comprovadamente falsas. Essas publicações diziam que o senador Flávio Bolsonaro queria retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Para Fux, a decisão anterior de Flávio Dino, que liberava os posts, protegia uma mentira e utilizava manobras processuais que impediam o direito de defesa. O ministro enfatizou que o Judiciário não deve trabalhar para viabilizar a circulação de notícias que não condizem com a realidade dos fatos.

Como o ministro Luiz Fux avaliou a conduta do STF em casos semelhantes?

A resposta de Fux traz um tom crítico sobre o que ele chama de 'seletividade' da Corte. Ele lembrou que, no inquérito das fake news, o STF adotou medidas muito duras, como prisões e bloqueios de bens, sob a justificativa de combater a desinformação. O ministro questionou por que, em situações parecidas, o tribunal ora proíbe até verdades, ora permite mentiras. Sem citar nomes, ele usou as frases de efeito do ministro Alexandre de Moraes para apontar que a liberdade de expressão não pode ser usada de forma conveniente para beneficiar apenas determinados grupos ou ideologias políticas.

O que significa o termo técnico juiz natural citado no processo?

O princípio do juiz natural é uma regra fundamental da democracia que garante que ninguém escolha quem vai julgar seu caso. Luiz Fux acusou o ministro Dino de desrespeitar essa regra ao aceitar uma ação que não tinha relação direta com o fato, o que no meio jurídico é chamado de 'forum shopping' — quando alguém tenta 'comprar' ou escolher um juiz que tenha ideias mais favoráveis à sua causa. Segundo Fux, Dino criou um caminho extraordinário para julgar o tema, ignorando o sorteio automático de processos e o rito normal que garante a impessoalidade e a justiça da decisão judicial.

Qual a análise dos especialistas sobre as manobras processuais nesse caso?

Juristas ouvidos apontam que a decisão de Dino gerou efeitos imediatos e graves sem dar chance de revisão rápida, o que justificou a medida urgente de Fux. Embora Fux também tenha decidido sozinho, especialistas explicam que ele o fez para submeter o tema imediatamente ao plenário, onde todos os ministros votam. A crítica principal é que o sistema judiciário estaria aplicando 'pesos e medidas' diferentes: punindo rigorosamente críticos do tribunal em certos inquéritos, mas sendo tolerante com mentiras espalhadas contra adversários políticos, o que evidenciaria uma parcialidade ideológica.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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