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O Ministério Público do Paraná (MP-PR) anunciou, nesta quinta-feira (1º), que vai oferecer denúncia à Justiça contra 18 policiais e um ex-policial militar, envolvidos nas investigações da morte da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. Dois "presos de confiança" também serão denunciados pela promotoria.

Todos, de alguma forma, teriam participado da tortura de quatro rapazes que haviam sido presos acusados da morte da menina, ou teriam se omitido diante dos excessos. As apurações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Entre os denunciados está o delegado Silvan Rodney Pereira, que já está preso. Ele era titular da delegacia do Alto Maracanã e comandou o início das investigações do assassinato da jovem. Outros 12 policiais civis, uma escrivã, um policial militar, um ex-policial militar, dois guardas municipais, um auxiliar de carceragem e os dois "presos de confiança" completam a lista das pessoas que serão denunciadas à Justiça.

Segundo o Gaeco, 19 serão denunciados por participação na tortura dos quatro rapazes - que inicialmente eram suspeitos de terem matado e estuprado Tayná. Dois destes denunciados por tortura também devem responder por estupro (por terem obrigado os presos a manterem relações sexuais entre si). Um dos policiais será denunciado por abuso de autoridade e lesão corporal grave. Já a escrivã, será denunciada por falso testemunho.

Indícios

As investigações por parte do Gaeco foram encerradas na última sexta-feira (26). Foram ouvidas, no total, 61 testemunhas. Entre elas estão os quatro suspeitos inicias do crime, que teriam sido vítimas da tortura. O quarteto, que está fora do estado sob a guarda do Programa de Proteção a Testemunhas, foi interrogado a pedido do Gaeco em três ocasiões diferentes, segundo o coordenador do órgão, Leonir Batisti.

Além dos testemunhos, o Gaeco confirmou ter obtido indícios materiais de que teria havido tortura. Foram apreendidos, em especial, três objetos: o primeiro é um cassetete recolhido na Delegacia de Campo Largo, que seria compatível com a agressão sofrida por um dos presos, que relatou ter danos causados ao ouvido após a tortura. Na Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, foram encontrados sacos plásticos, que segundo o Gaeco teriam sido usados para sufocar os presos durante as agressões e correspondem às descrições que os rapazes deram sobre o caso.

O último objeto que serviu de base às denúncias foi uma máquina de choques elétricos, que teria sido utilizada na coação. O aparelho foi encontrado na residência do investigador Rudi Elói, que trabalhava na Delegacia do Alto Maracanã, a partir de mandado de busca e apreensão cumprido no último dia 18. Na mesma operação, o Gaeco já havia recolhido R$ 50 mil em espécie e duas armas de fogo.

Outro lado

A reportagem tentou contato, no final da tarde desta quinta-feira (1), com dois advogados que defendem policiais acusados. Cláudio Dalledone e André Romero, no entanto, eles não foram localizados para se pronunciar até às 18h50.

Entenda o caso

A adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, desapareceu no dia 25 de junho quando voltava da casa de uma amiga, nas proximidades de um parque de diversões, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo da menina foi encontrado no dia 28 de junho. Três dos quatro suspeitos, presos no dia anterior, confessaram ter estuprado e matado a jovem, mas um deles não teria participado diretamente do crime. No mesmo dia, o parque de diversões foi depredado e incendiado por moradores da região.

No dia 2 de julho, a perita do Instituto de Criminalística, Jussara Joeckel, afirmou que a adolescente poderia não ter sido violentada, contrariando a tese inicial das investigações. Mesmo com as contradições, a Polícia Civil finalizou o inquérito no dia 5 de julho com a conclusão de que os quatro suspeitos estupraram e estrangularam a adolescente. Porém, no dia 9 de julho o resultado de exame de DNA indicou que o sêmen encontrado na calcinha da garota não é compatível com o material genético de nenhum dos quatro acusados.

O exame gerou uma mudança no comando da investigação policial do crime, que já contava, desde a conclusão do inquérito pela delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, com a participação do Ministério Público. O laudo também motivou uma visita da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR aos suspeitos, que relatavam que foram torturados pela polícia para confessar os crimes.

No dia 12 de julho, o MP afirmou que os indícios coletados relacionam os suspeitos presos ao crime. Mas, no dia 14 de julho, o promotor Paulo de Lima se manifestou em sentido contrário, afirmando que as provas presentes no inquérito não sustentam uma denúncia e pedindo a soltura dos suspeitos pelo crime. Nesse meio tempo, o até então advogado de defesa dos suspeitos presos, Roberto Rolim de Moura Junior, foi destituído, sendo substituído por Andrey Salmazo Poubel.

No dia 15 de julho, o ex-defensor afirmou que foi hostilizado durante o depoimento de seus então clientes na Sesp. No mesmo dia, durante a tarde, os quatro presos foram soltos e levados a um pouso provisório pelo Gaeco. Também no dia 15, foi feito o pedido de prisão preventiva de 15 policiais denunciados por supostas torturas ocorridas nas apurações da morte da adolescente.

Em 15 de julho, os quatro suspeitos foram incluídos no programa de proteção a testemunhas. No mesmo dia, 12, dos 14 que tiveram prisão decretada no suposto caso de tortura, foram detidos (a maior parte deles se entregou espontaneamente. O delegado Silvan Pereira, considerado foragido, foi detido no dia 19 de julho.

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