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O Padre Júlio Lancellotti venceu uma ação na Justiça de São Paulo contra o humorista Danilo Gentili. A indenização foi fixada em R$ 10 mil, mas o apresentador ainda pode recorrer da decisão.
Segundo informações do processo, cuja última decisão foi proferida no dia 6 de agosto, o religioso ingressou com uma ação por danos morais alegando que "reiteradas" postagens com piadas sobre ele, que utilizariam imagens manipuladas com inteligência artificial, seriam “caluniosas e difamatórias”, além de terem natureza "homofóbica".
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A ação fazia menção específica a um texto em que o religioso é chamado de "padre da Linguiça" no espaço "Não é Imprensa!", mantido pelo humorista na plataforma Substack. O texto não está mais no ar depois da decisão.
A ação mirou apenas o colaborador, não o veículo. A publicação repercutia a decisão judicial referente a um primeiro processo movido pelo padre, sobre o mesmo tema, no qual ele não obteve sucesso contra Gentili. O processo atual, vencido pelo religioso, tramita em segredo de Justiça.
Efeito pedagógico
A reportagem procurou o Padre Júlio para comentar o caso, mas não obteve retorno. Em entrevista ao portal UOL nesta quarta-feira, o padre defendeu o "efeito pedagógico" da ação movida e afirmou que esteve com o humorista em uma audiência de conciliação no Fórum em que foi ajuizado o processo.
No ato, teria sido oferecido um acordo de R$ 8 mil para encerrar o litígio, mas Gentili optou por dar prosseguimento. O padre Júlio, que promete doar o lucro da ação para suas ações sociais com a Pastoral do Povo da Rua, também relacionou o argumento da disputa à doutrina teológica do Padre José Comblin, que pregava manter o silêncio em nome do entendimento.
“Não posso dizer coisas que magoem. Não podemos dizer coisas que magoem uma pessoa velha, não podemos dizer uma coisa homofóbica. A gente pode perdoar, e perdoar é não fazer igual. Mas quem destrói os outros de maneira sistemática tem que receber uma limitação”, afirmou Lancellotti.
A reportagem tentou contato com Danilo Gentili por meio da assessoria de imprensa do SBT e pela empresa que agenda suas palestras, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto caso ele deseje se manifestar.
Padre polêmico
Padre Júlio é conhecido há décadas por causar polêmicas e pelo envolvimento com movimentos de esquerda como o dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele coordena a Pastoral do Povo da Rua, que ajuda a população que não tem onde morar no centro de São Paulo.
No fim de 2023, foi instalada na Câmara Municipal de São Paulo uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ONGs por sua atuação na Cracolândia. A Pastoral do Povo da Rua era acusada de perpetuar o problema dos dependentes químicos, mas as investigações não avançaram e nem produziram qualquer efeito prático.
Proposta pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), a CPI perdeu rapidamente apoio dos colegas vereadores, que retiraram suas assinaturas. Segundo a Folha de S. Paulo, a CPI deixou de lado as ONGs e passou a focar apenas no Padre Júlio.
Mais recentemente, Padre Júlio fez a narração de um filme sobre uma “santa trans” e denunciou, em uma série de postagens, ser alvo de ataques de ódio.




