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Sem controle

Poder do crime expõe fragilidade das fronteiras

Brasil não produz armas nem drogas, por isso as atenções se voltam para os locais por onde entram os instrumentos do tráfico

 | Christian Rizzi/ Gazeta do Povo
(Foto: Christian Rizzi/ Gazeta do Povo)
Veja quais são os crimes mais comuns na fronteira brasileira |

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Veja quais são os crimes mais comuns na fronteira brasileira

O impacto das ações policiais nos morros do Rio de Janeiro levou as autoridades de segurança pública a voltarem os olhos para o outro extremo do país. A extensa faixa fronteiriça (16,8 mil km, dos quais 44% de fronteira seca e 56% de rios, lagos e canais) é vulnerável à entrada de drogas e armas para o crime organizado nos grandes centros urbanos. Principal articulador da retomada do Complexo do Alemão, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, diz que as fronteiras têm de ter um melhor policiamento, pois é por ali que entram as drogas e as armas que abastecem as facções criminosas do Brasil.

No caso do narcotráfico, o avanço se deu primeiro pela condição geográfica do Brasil, depois pelo importante mercado consumidor em que se converteu. Por um bom tempo o país não passava de corredor para que a cocaína da Colômbia, do Peru e da Bolívia chegasse à Europa. Quem trabalha na segurança pública sabe – ou deveria saber – que invariavelmente todo território que se torna rota do tráfico um dia acaba virando também mercado consumidor. Assim, não tardou e parte das drogas começou a ser vendida nas principais cidades brasileiras. Portanto, o maior desafio é estancar os canais de entrada.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) está recolhendo assinaturas no Senado para criar a CPI das Fronteiras, com o objetivo de investigar a entrada de armas e drogas no país. O controle fronteiriço não é só um problema brasileiro, como revela a relação conflituosa entre Estados Unidos e México.

Autoridades americanas estimam que 90% da cocaína que entra nos Estados Unidos cruzam a fronteira terrestre com o México e 70% desse total sai da Colômbia pelo Pacífico, 20% pelo Atlântico e 10% pela Venezuela e Caribe. A fronteira entre os dois países têm 3.141 quilômetros de extensão, entrecortados por centros urbanos e áreas desérticas. Os fluxos ilegais são constantes. Dos Estados Unidos saem armas e dinheiro para o México, e na mão inversa, entram drogas e imigrante ilegais em território americano.

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