
O impacto das ações policiais nos morros do Rio de Janeiro levou as autoridades de segurança pública a voltarem os olhos para o outro extremo do país. A extensa faixa fronteiriça (16,8 mil km, dos quais 44% de fronteira seca e 56% de rios, lagos e canais) é vulnerável à entrada de drogas e armas para o crime organizado nos grandes centros urbanos. Principal articulador da retomada do Complexo do Alemão, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, diz que as fronteiras têm de ter um melhor policiamento, pois é por ali que entram as drogas e as armas que abastecem as facções criminosas do Brasil.
No caso do narcotráfico, o avanço se deu primeiro pela condição geográfica do Brasil, depois pelo importante mercado consumidor em que se converteu. Por um bom tempo o país não passava de corredor para que a cocaína da Colômbia, do Peru e da Bolívia chegasse à Europa. Quem trabalha na segurança pública sabe ou deveria saber que invariavelmente todo território que se torna rota do tráfico um dia acaba virando também mercado consumidor. Assim, não tardou e parte das drogas começou a ser vendida nas principais cidades brasileiras. Portanto, o maior desafio é estancar os canais de entrada.
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) está recolhendo assinaturas no Senado para criar a CPI das Fronteiras, com o objetivo de investigar a entrada de armas e drogas no país. O controle fronteiriço não é só um problema brasileiro, como revela a relação conflituosa entre Estados Unidos e México.
Autoridades americanas estimam que 90% da cocaína que entra nos Estados Unidos cruzam a fronteira terrestre com o México e 70% desse total sai da Colômbia pelo Pacífico, 20% pelo Atlântico e 10% pela Venezuela e Caribe. A fronteira entre os dois países têm 3.141 quilômetros de extensão, entrecortados por centros urbanos e áreas desérticas. Os fluxos ilegais são constantes. Dos Estados Unidos saem armas e dinheiro para o México, e na mão inversa, entram drogas e imigrante ilegais em território americano.




