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História

Comércio é pauta desde 1928

A exportação de café para os EUA foi o tema da viagem de Herbert C. Hoover ao Brasil, há 83 anos. Visita de Obama é a 14.ª de um líder americano ao país

George W. Bush participou de apresentação da ONG Meninos do Morumbi, em São Paulo, durante visita feita ao Brasil em 2007 | Jason Red/Reuters
George W. Bush participou de apresentação da ONG Meninos do Morumbi, em São Paulo, durante visita feita ao Brasil em 2007 (Foto: Jason Red/Reuters)
Em 1997, o presidente Bill Clinton jogou bola com Pelé, ministro dos Esportes na época |

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Em 1997, o presidente Bill Clinton jogou bola com Pelé, ministro dos Esportes na época

Truman no Rio de Janeiro, em 1947, ao lado do paranaense Bento Munhoz |

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Truman no Rio de Janeiro, em 1947, ao lado do paranaense Bento Munhoz

Ronald Reagan, em 1982 |

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Ronald Reagan, em 1982

Confira como foram outras viagens de chefes de Estado americanos ao Brasil |

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Confira como foram outras viagens de chefes de Estado americanos ao Brasil

Rio de Janeiro - A visita do presidente Barack Obama ao Brasil é a 14.ª passagem de um chefe de Estado americano pelo território nacional. Algumas dessas viagens ficaram famosas por gafes e quebras de protocolo por parte dos presidentes americanos. A maior parte delas, no entanto, foi marcada por declarações dos presidentes de que as relações comerciais e políticas entre os dois países en­­trariam em nova fase. Algo que, na prática, nem sempre se confirmou.

Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB) David Fleischer, americano naturalizado brasileiro, a relação deve se estreitar a partir do encontro deste fim de semana entre Obama e Dilma Rousseff. "Há pressões do setor privado de ambos os países para um acordo que diminua o subsídio agrícola americano. O status do Brasil mudou e os americanos sabem disso", avalia Fleischer.

A relação comercial entre os países está na pauta desde a primeira visita feita por um presidente americano, em 1928, quando Herbert C. Hoover escolheu o Brasil para sua primeira viagem internacional. Na pauta da reunião com o presidente brasileiro Washington Luís, estava o acordo para a exportação de café para os Estados Unidos.

Oito anos depois, o presidente Franklin Rossevelt veio ao Brasil pela primeira vez. Em discurso no Congresso Nacional, o americano surpreendeu ao fazer elogios rasgados a Getúlio Vargas – que na época flertava com o nacional socialismo. Roosevelt chegou a dizer que Vargas teria lhe ajudado a criar as bases do "New Deal", o programa de recuperação da economia americana que tinha sido devastada pela depressão deflagrada pela quebra da bolsa de Nova York, em 1929.

Guerra

Já durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu a visita com maior impacto nas relações entre os dois países. Em meio à tensão provocada pelo ataque por submarinos alemães a navios brasileiros no Atlântico-Sul, Roosevelt cobrou a entrada do Brasil na guerra, ao lado dos Aliados, o que ocorreu meses depois. Os EUA assinaram acordos de ajuda militar, o que resultou na criação da Força Ex­­­pedicionária Brasileira (FEB) e, em contrapartida, o Brasil en­­­­viou tropas à Europa, em apoio às forças americanas, especialmente na Itália.

Outra contrapartida brasileira foi permitir a instalação da base militar americana em Natal (RN). Como retribuição, o governo dos EUA financiou a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das realizações mais importantes da "era Vargas" no processo de industrialização da economia nacional.

Logo após o fim da guerra, o presidente Harry S. Truman veio ao Rio de Janeiro participar da Conferência Interamericana de Defesa do Continente. Ele foi recebido pelo presidente Eurico Gaspar Dutra e por uma comitiva de deputados federais que incluía Bento Munhoz da Rocha Neto, futuro governador do Paraná.

Em 1960, o então presidente Dwight Eisenhower veio ao Brasil em uma viagem de três dias. Ele passou pela então recém-construída Brasília, por São Paulo e pelo Rio de Janeiro.

Samba e futebol

Nos últimos 35 anos, cinco presidentes norte-americanos estiveram no Brasil – Jimmy Carter, Ronaldo Reagan, George Bush, Bill Clinton e George W. Bush. "A relação entre os países azedou quando Carter denunciou a tortura da ditadura militar brasileira, cujo golpe foi apoiado pelo governo americano. Com a eleição de Reagan, a relação se afinou. Depois dele, o processo baseou-se mais na empatia pessoal entre os governantes do que em políticas efetivas", diz Fleischer.

A passagem mais marcante – e festiva – foi a do presidente democrata Bill Clinton, em outubro de 1997. Com protestos da CUT e de estudantes contra a criação da Alca (Área Livre de Comércio das Américas), ele foi recebido por Fernando Henrique Cardoso em Brasília. Com FHC assinou acordos de combate às drogas e referentes a questões ambientais.

Mais à vontade no Rio de Janeiro, Clinton quebrou protocolos diplomáticos durante visita à Vila Olímpica instalada no Morro da Mangueira, na zona norte da cidade. O presidente americano bateu bola com Pelé, então ministro dos Esportes, e tocou tamborim com a bateria- mirim da escola de samba do morro. O falecido sambista Ja­­­me­­lão disse que, na Mangueira, Clinton ficou "feliz como um pinto no lixo".

Outra visita marcante foi a do presidente republicano Ronald Reagan em 1982. Nos últimos anos da ditadura brasileira, o ex-galã do cinema americano passeou a cavalo na Granja do Torto, em Brasília, com o presidente Figueiredo. Mais tarde, no banquete oferecido pelo Itamaraty, Reagan cometeu uma gafe ao propor um brinde ao "povo da Bolívia".

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