
Rio de Janeiro - A visita do presidente Barack Obama ao Brasil é a 14.ª passagem de um chefe de Estado americano pelo território nacional. Algumas dessas viagens ficaram famosas por gafes e quebras de protocolo por parte dos presidentes americanos. A maior parte delas, no entanto, foi marcada por declarações dos presidentes de que as relações comerciais e políticas entre os dois países entrariam em nova fase. Algo que, na prática, nem sempre se confirmou.
Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB) David Fleischer, americano naturalizado brasileiro, a relação deve se estreitar a partir do encontro deste fim de semana entre Obama e Dilma Rousseff. "Há pressões do setor privado de ambos os países para um acordo que diminua o subsídio agrícola americano. O status do Brasil mudou e os americanos sabem disso", avalia Fleischer.
A relação comercial entre os países está na pauta desde a primeira visita feita por um presidente americano, em 1928, quando Herbert C. Hoover escolheu o Brasil para sua primeira viagem internacional. Na pauta da reunião com o presidente brasileiro Washington Luís, estava o acordo para a exportação de café para os Estados Unidos.
Oito anos depois, o presidente Franklin Rossevelt veio ao Brasil pela primeira vez. Em discurso no Congresso Nacional, o americano surpreendeu ao fazer elogios rasgados a Getúlio Vargas que na época flertava com o nacional socialismo. Roosevelt chegou a dizer que Vargas teria lhe ajudado a criar as bases do "New Deal", o programa de recuperação da economia americana que tinha sido devastada pela depressão deflagrada pela quebra da bolsa de Nova York, em 1929.
Guerra
Já durante a Segunda Guerra Mundial, ocorreu a visita com maior impacto nas relações entre os dois países. Em meio à tensão provocada pelo ataque por submarinos alemães a navios brasileiros no Atlântico-Sul, Roosevelt cobrou a entrada do Brasil na guerra, ao lado dos Aliados, o que ocorreu meses depois. Os EUA assinaram acordos de ajuda militar, o que resultou na criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e, em contrapartida, o Brasil enviou tropas à Europa, em apoio às forças americanas, especialmente na Itália.
Outra contrapartida brasileira foi permitir a instalação da base militar americana em Natal (RN). Como retribuição, o governo dos EUA financiou a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das realizações mais importantes da "era Vargas" no processo de industrialização da economia nacional.
Logo após o fim da guerra, o presidente Harry S. Truman veio ao Rio de Janeiro participar da Conferência Interamericana de Defesa do Continente. Ele foi recebido pelo presidente Eurico Gaspar Dutra e por uma comitiva de deputados federais que incluía Bento Munhoz da Rocha Neto, futuro governador do Paraná.
Em 1960, o então presidente Dwight Eisenhower veio ao Brasil em uma viagem de três dias. Ele passou pela então recém-construída Brasília, por São Paulo e pelo Rio de Janeiro.
Samba e futebol
Nos últimos 35 anos, cinco presidentes norte-americanos estiveram no Brasil Jimmy Carter, Ronaldo Reagan, George Bush, Bill Clinton e George W. Bush. "A relação entre os países azedou quando Carter denunciou a tortura da ditadura militar brasileira, cujo golpe foi apoiado pelo governo americano. Com a eleição de Reagan, a relação se afinou. Depois dele, o processo baseou-se mais na empatia pessoal entre os governantes do que em políticas efetivas", diz Fleischer.
A passagem mais marcante e festiva foi a do presidente democrata Bill Clinton, em outubro de 1997. Com protestos da CUT e de estudantes contra a criação da Alca (Área Livre de Comércio das Américas), ele foi recebido por Fernando Henrique Cardoso em Brasília. Com FHC assinou acordos de combate às drogas e referentes a questões ambientais.
Mais à vontade no Rio de Janeiro, Clinton quebrou protocolos diplomáticos durante visita à Vila Olímpica instalada no Morro da Mangueira, na zona norte da cidade. O presidente americano bateu bola com Pelé, então ministro dos Esportes, e tocou tamborim com a bateria- mirim da escola de samba do morro. O falecido sambista Jamelão disse que, na Mangueira, Clinton ficou "feliz como um pinto no lixo".
Outra visita marcante foi a do presidente republicano Ronald Reagan em 1982. Nos últimos anos da ditadura brasileira, o ex-galã do cinema americano passeou a cavalo na Granja do Torto, em Brasília, com o presidente Figueiredo. Mais tarde, no banquete oferecido pelo Itamaraty, Reagan cometeu uma gafe ao propor um brinde ao "povo da Bolívia".











