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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Cristofobia

Deus inconstitucional: quando o cristianismo vira crime

Sob o pretexto da laicidade, manifestações cristãs são reprimidas. E, a cada dia, a interferência estatal avança sobre a liberdade religiosa. (Foto: Imagem criada utilizando OpenAI/Gazeta do Povo)

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No início dos anos 2000, eu tinha um programa de crônicas radiofônicas numa emissora universitária local. Certo dia, o diretor da rádio, um velho amigo, chamou-me para conversar.

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Um pouco constrangido, ele disse que estava muito satisfeito com a qualidade das crônicas, mas havia um problema. Alguns professores dos departamentos de História e Ciências Sociais estavam entrando com processos administrativos contra a rádio sempre que o nome de Deus era mencionado.

Nesse momento, perguntei ao diretor:

— Isso quer dizer que eu não posso mais citar o nome de Deus nas minhas crônicas?

Diante da resposta afirmativa, encerramos aquela conversa e a história do meu programa de crônicas. Pedir que eu deixe de mencionar Deus em meu trabalho é como obrigar um matemático a não fazer contas, um centroavante a não fazer gols ou um salva-vidas a jamais entrar na água. Simplesmente impossível.

Lembrei-me desse episódio da rádio universitária — e dos professores que queriam censurar o nome de Deus — quando li a notícia sobre a promotora de Justiça que repreendeu a fala de um instrutor de crianças durante um evento em Duque de Caxias (RJ). A doutora afirmou que a manifestação da fé em um evento público é “inconstitucional” e fere a liberdade religiosa. “No início do evento, eu fui assolapada por uma oração evangélica”, declarou, em tom indignado.

Os dois episódios, embora distantes no tempo, fazem parte do mesmo fenômeno: o movimento revolucionário, dominante nas instituições da sociedade, busca proibir qualquer tipo de manifestação pública da fé cristã, utilizando como pretexto a “laicidade” do Estado. Em 1958, Nelson Rodrigues falou sobre o complexo de vira-lata. Hoje, nós temos o complexo de vira-laico.

O mais grave, no entanto, é que não basta aos militantes anticristãos censurar o nome de Deus.

Além de remover Deus da esfera pública, o movimento revolucionário procura interferir nas decisões privadas dos cidadãos

A recente condenação do casal por praticar homeschooling é um exemplo disso. Deus só pode existir na esfera privada, mas a esfera privada é criminalizada pelo Estado.

O cristianismo é atacado por toda parte. Um colégio católico no Ceará corre o risco de fechar as portas por não atender às exigências de “laicidade” na educação. Estudantes cristãos são proibidos de ler a Bíblia e pregar a palavra de Deus nos intervalos das aulas. O Liceu Sagrado Coração de Jesus, em São Paulo, está sendo processado pelo PSOL. Uma senadora de mandato único acusou Frei Gilson de discurso de ódio e misoginia. A cantora Claudia Leitte pode ser obrigada a pagar uma multa milionária por dizer o nome de Jesus numa canção de sua autoria!

A promotora disse que falar sobre Deus é inconstitucional. Considero bastante curiosa a escolha do termo, porque a perseguição moderna aos cristãos começa justamente sob a mesma alegação. Em 1790, os revolucionários franceses promulgaram a famigerada Constituição Civil do Clero, que impunha aos padres e às freiras um juramento público de fidelidade ao Estado revolucionário, colocando-o acima da fidelidade à Igreja. Nos anos seguintes, milhares de cristãos foram perseguidos e guilhotinados por se recusarem a esse juramento infame. Até hoje, cristãos chineses estão sendo obrigados a demonstrar igual fidelidade ao Partido Comunista.

A história ensina: se Deus é inconstitucional, tudo é permitido.

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