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Paulo Briguet

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“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Indicação ao STF

Sapatinhos na Esplanada: as vidas que Jorge Messias ajudou a interromper

O protesto lembrou que o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, contribuiu para derrubar a resolução do CFM que protegia a vida de bebês no útero. (Foto: Júlia Emerick/Divulgação)

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Sapatinhos. Espalhados pela grama em frente à catedral, ontem havia centenas de sapatinhos. Sapatinhos de todas as cores — azuis de céu, rosas de flor, verdes de folha, brancos de neve, amarelos de sol, vermelhos de sangue. Mas por que estariam eles ali? Qual é o significado dessa presença silenciosa, solene e frágil?

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Na simbologia clássica, os pés representam a alma. Os sapatinhos colocados ontem na grama da Esplanada representam as pequenas, mas nem por isso menos preciosas, vidas que se perderam para o aborto (o mais doloroso dos abortos, por assistolia fetal) desde a nefasta decisão de Alexandre de Moraes, que causou a morte de quase 2 mil crianças no ventre de suas mães desde 2024.

Tal decisão, como a esta altura todos sabem, foi respaldada por um sinistro parecer do advogado-geral da União, Jorge Messias. No texto de seu parecer, Messias, que prefiro tratar por Bessias, afirmava que “o direito ao aborto vai até os nove meses de gravidez, e faz parte INDISSOCIÁVEL do direito ao aborto a morte do bebê”.

Para cada par de sapatinhos colocado ontem no gramado de Brasília, há o nome de uma criança que jamais pôde ver a luz do Sol, nem sorrir para sua mãe, nem conhecer as maravilhas e os mistérios deste mundo criado por Deus.

Para cada par de sapatinhos colocado pelos defensores da vida, há uma alma imortal que vai durar mais do que a história do universo inteiro. Mas também há um crime, há uma cena de terror, há uma agulha que perfura e mata o corpo sagrado concebido por Deus desde a eternidade.

Essas vítimas hoje estão na Cidade de Deus, mas foram assassinadas porque um burocrata preferiu seguir a ordem da Cidade dos Homens.

Em algum lugar daquela mesma Esplanada, o homem responsável por permitir essa carnificina hoje poderá estar sendo escolhido para o mais alto cargo da Justiça de nosso país; a mão que assinou a sentença de morte para aquelas crianças inocentes vai assinar as decisões que moldarão os destinos do Brasil nos próximos 30 anos.

Dias atrás, entrevistei um dos homens que vão participar da sabatina de hoje, o ex-vice-presidente da República Hamilton Mourão. Na entrevista, o agora senador disse que não iria votar em Messias, mas o considerava “um funcionário público exemplar”. Perguntei a Mourão:

— O sr. acha que ele agiu como “funcionário público exemplar” ao permitir a morte de bebês por assistolia fetal?

Mourão desconversou. Disse apenas que Messias estava sendo fiel ao programa de seu partido, o PT.

A expressão “funcionário público exemplar” me fez lembrar Viacheslav Molotov, o ex-braço direito de Stálin, o superburocrata de modos afáveis que servia de apoio aos crimes de seu chefe. Da mesma forma que Messias assinou aquele parecer da morte, Molotov assinava ordens que enviavam milhares ao Gulag ou ao fuzilamento.

Molotov morreu com quase cem anos, em 1986, e, até o fim da vida, tinha sonhos com seu antigo chefe:

“As circunstâncias do sonho são muito incomuns. Estou numa cidade destruída e não consigo encontrar. De repente, encontro STÁLIN...”

Não tenho a menor dúvida de que, até o final da vida, caso não se arrependa diante de Deus e dos homens, Messias sonhará, não com Stálin, mas com aqueles sapatinhos vazios e as vidas destruídas que eles representam.

Colocar esse homem no STF é atrair mais uma maldição para nosso país. E das grandes.

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