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Semana passada, o repórter fotográfico Brenno Carvalho, do jornal O Globo, fez um registro tão tão tão emblemático que deveria estar pendurado num museu e não duvido que um dia esteja. Era o início da noite de quarta-feira (2) quando, por meio de uma fresta na cortina, ele flagrou os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Edson Fachin rindo, às gargalhadas, enquanto esperavam pelo elevador.
O fato de Alexandre de Moraes estar no centro da imagem, abrindo a bocarra numa gargalhada vulgar e caricatural no mesmo dia em que o país se escandalizou com as mensagens que ele trocava com o patrão dele, o banqueiro Daniel Vorcaro, dá ainda mais peso à foto histórica. Um Gilmar Mendes ladeando o cupincha master e um Zanin sorrindo amarelo (será que entendeu a piada?) ajudam a compor a cena farsesca. Por fim, temos Edson Fachin curvado para trás, rindo gostoso e relaxadamente. Um bufão. Parece até que eles são homens felizes. Insuportavelmente felizes.
O Brasil acabou
Essa é a interpretação mais comum do flagrante: a de que os ministros do STF (até tu, Fux?) são felizes, apesar de tudo. E, na ocasião, riam da nossa cara. À nossa custa. Gargalhavam da nossa cara. Escarneciam. Nós que usamos termos hiperbólicos para nos referirmos à Maior Crise Institucional da Nova República. Nós que, mais uma vez, sentenciamos: o Brasil acabou. Nós que não acreditamos no que nossos olhos veem, porque não é mesmo possível tanta pusilanimidade, e por isso nos perguntamos se a foto não é coisa de IA. Não é. A obra-prima é fruto do olhar arguto do Brenno Carvalho. Merece todos os prêmios do mundo.
Mas você sabe: sou do contra. Digo, num primeiro momento também me revoltei com a imagem. Senti daqui o bafo sulfúreo da escumalha. Num primeiro momento também me rendi ao cinismo e pessimismo. Não vai dar em nada. Até que olhei, olhei com cuidado, olhei mil vezes, olhei de perto e de longe, até cansar os olhos. E o que vi foi não o registro da suprema arrogância. Não. O que vi foi desespero. Um sofrimento impenetrável, de assustadores contornos barrocos. Foi o retrato de um inferno interior. Individual e compartilhado. Em todo caso, um inferno. Um tormento intraduzível que as gargalhadas tentam inutilmente disfarçar. Tenho raiva, mas também pena desses homens que, entre a Vida ou o mundo, fizeram a pior escolha. E pagarão por isso.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



