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Mário Bortolotto comentou em seu blog o episódio em que foi ferido por três tiros durante a ação de quatro bandidos na Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo, na madrugada do dia 5 de dezembro. "Não consigo cultivar sentimentos de ódio ou vingança. Não consigo nem pensar nisso. E não é bom mocismo não. É natural. Eu só quero me recuperar logo", escreveu o dramaturgo.

Bortolotto teve alta hospitalar no dia 28 de dezembro "após o tratamento das lesões decorrentes dos ferimentos por projéteis de arma de fogo", segundo boletim médico.

Em sua página na internet, intitulada "Atire no dramaturgo" (o blog já tinha esse nome antes do incidente), ele agradeceu o apoio dos amigos e familiares. "Jamais imaginei ter tantos amigos fiéis. Tô aqui com um dos braços inutilizado, escrevendo catando milho, mas eu precisava escrever. Muito obrigado. Mesmo. Jamais vou esquecer."

Os disparos atingiram as regiões do tórax, ombro e pescoço do dramaturgo que, segundo relato de testemunhas, reagiu à ação da quadrilha que invadiu o bar do Espaço Parlapatões no dia 5 de dezembro.

O ilustrador Carlos Carcarah também foi ferido de raspão na perna, mas passa bem.

Nascido em Londrina, no Paraná, Bortolotto, de 47 anos, é ator, diretor e autor prestigiado na cena teatral. Suas montagens modernas, que misturam referências dos quadrinhos, do rock e do cinema, já receberam grandes prêmios da categoria, como o Shell e o da Associação Paulista dos Críticos de Arte.

O crime mobilizou a classe teatral paulistana, que tem promovido eventos em homenagem ao dramaturgo na Praça Roosevelt.

Quadrinistas como Lourenço Mutarelli, Laerte, Gabriel Bá e Fábio Moon fizeram um desenho coletivo ao vivo em "manifesto artístico pela melhora de Mário Bortolotto e paz na Praça Roosevelt" enquanto atores como Gero Camilo, Fernanda D'Umbra e Chris Couto fizeram leituras de peças do autor abertas aos público.

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