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Disputa eleitoral

Crescimento de Flávio muda o humor da eleição e preocupa Lula

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Flávio aparece numericamente à frente do petista em levantamentos recentes e amplia vantagem em estados estratégicos (Foto: Vittor Sales/Campanha do PL)

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A sequência de pesquisas divulgadas nos últimos dias impactou diretamente o equilíbrio da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e começou a produzir reações nas duas campanhas presidenciais. Enquanto o candidato do PL aparece numericamente à frente do presidente em diferentes cenários de segundo turno, o PT discute como reagir ao momento desfavorável do petista.

Na pesquisa Gerp divulgada na quarta-feira (9), Flávio aparece com 47% contra 40% de Lula em um eventual segundo turno. No PoderData/Aya divulgado nesta quinta-feira (10), o candidato do PL tem 47% contra 45% do petista, diferença dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. Já pela sondagem eleitoral da BTG/Nexus, são 46% para Flávio e 45% para Lula, também dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Os recentes resultados impactaram diretamente o ambiente dentro da campanha de Flávio. No ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, na segunda-feira (7), aliados que vinham demonstrando desânimo nos últimos meses passaram a falar em uma disputa mais favorável ao candidato do PL.

Em grupos de WhatsApp ligados à campanha bolsonarista, o clima descrito foi de festa, com alguns aliados chegando a cogitar uma vitória no primeiro turno. O próprio Flávio passou a explorar essa possibilidade com mais frequência. Em uma live na terça-feira (8), afirmou: “Em nome de Jesus, vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”.

No ato do dia anterior, em São Paulo, o candidato havia feito um apelo semelhante aos apoiadores: “Eu quero contar com cada um de vocês pra vencer essas eleições no primeiro turno. Pra no dia 4 de outubro, nós podermos dar um grito de liberdade pro nosso Brasil. Quero ser o libertador da pátria”, disse.

A avaliação entre integrantes do PL é de que, além das pesquisas, a entrada de temas no discurso eleitoral pode ampliar a mobilização da militância em apoio a Flávio. No ato de São Paulo, a campanha passou a dar destaque à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.

O episódio envolvendo o relatório público de André Mendonça e conversas entre Vorcaro e um telefone atribuído a Moraes foi incorporado pelos aliados ao discurso de oposição ao STF. A mudança chegou ao próprio slogan do ato, que deixou de ser “É agora ou nunca” para adotar “Fora Lula e fora Moraes”.

Flávio amplia espaço em estados decisivos para a eleição

O desempenho de Flávio nas pesquisas encontra reflexo em alguns dos principais colégios eleitorais do país. Os estados de São Paulo, com 34,1 milhões de eleitores; Minas Gerais, com 16,3 milhões; e Rio de Janeiro, com 12,8 milhões, formam os três maiores eleitorados brasileiros e concentram uma parcela relevante dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar neste ano.

Nos três estados, Flávio aparece numericamente à frente de Lula nas simulações de segundo turno da Quaest. De acordo com as pesquisas divulgadas nesta primeira semana de setembro, a maior diferença está em São Paulo, onde o candidato do PL registra 41% das intenções de voto contra 33% do petista.

No Rio de Janeiro, a distância é de seis pontos percentuais. Flávio aparece com 43%, enquanto Lula registra 37%. Em Minas Gerais, o candidato do PL aparece com 40% contra 37% do petista em um eventual segundo turno. Como a margem de erro do levantamento nesses casos é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

Apesar do empate em Minas, o resultado representa, ainda assim, uma mudança em relação às rodadas anteriores do instituto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 38% contra 35% de Flávio. Em agosto de 2025, a distância era ainda maior: o petista mantinha nove pontos percentuais de vantagem sobre o adversário.

Desde então, Lula registrou 42%, 38%, 39%, 38% e, agora, 37% nas diferentes rodadas, até chegar ao atual empate técnico com Flávio numericamente à frente pela primeira vez. Como mostrou a Gazeta do Povo, o equilíbrio em Minas Gerais ganha relevância porque o estado historicamente reproduz parte das divisões políticas, econômicas e regionais do país.

O desempenho de Lula no estado vem sendo acompanhado de perto pelo PT, que passou a considerar necessário ampliar a presença do presidente por lá na reta final da campanha. A presidente do diretório estadual, deputada estadual Leninha, defende que Lula retorne ao estado pelo menos mais duas vezes e que a campanha esteja presente em todas as regiões para alcançar principalmente os eleitores indecisos e aqueles que não pretendem votar.

“Tem que jogar sério, tem que ter estratégia, pois cada minuto conta. Na política, isso não é diferente. Nosso time do Lula está mobilizado e vamos fazer com que nossos materiais de campanha cheguem a todas as regiões de Minas. Vamos marcar presenças em todos os municípios mineiros”, disse.

Além dos três maiores colégios eleitorais, Flávio aparece numericamente à frente de Lula no Distrito Federal. A última pesquisa Quaest registrou 45% para o candidato do PL e 38% para o petista, enquanto 13% declaram voto branco, nulo ou intenção de não comparecer e 4% permanecem indecisos.

PT discute mudança de estratégia diante do avanço de Flávio

A reação do PT ao novo cenário das pesquisas começou a ganhar forma ainda nesta quinta, quando a Executiva Nacional do partido se reuniu para discutir os rumos da campanha de Lula. O encontro, convocado pelo presidente da legenda, Edinho Silva, ocorreu em meio à preocupação interna com a aproximação de Flávio e também foi marcado por cobranças sobre a condução da campanha e a participação do próprio partido na eleição.

Entre os dirigentes, a avaliação foi de que é necessário mudar o tom e ampliar a mobilização. Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães defendeu que a campanha adote uma postura de mais enfrentamento.

“Essa reunião é decisiva para realinhar e apresentar a campanha a partir de agora numa linha de radicalismo que a conjuntura exige. É ir para o enfrentamento. Nas ruas e mudança no programa de TV”, afirmou.

Também presente no encontro, que rolou durante todo o dia em Brasília, a líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), defendeu uma intensificação da campanha, mas fez uma ressalva sobre o tom a ser adotado. Segundo ela, a orientação é “dar um gás na campanha”, com mais mobilização e confronto político, sem transformar a disputa em agressão.

“Vamos mostrar quem é Flavio Bolsonaro e qual o risco que o Brasil corre com a volta desse povo para o poder”, afirmou. A estratégia discutida pelo PT não deve ficar restrita à estrutura partidária.

O partido marcou uma reunião com centrais sindicais e movimentos sociais em São Paulo, em uma tentativa de ampliar a mobilização nas bases. Diante dos números recentes e do movimento feito pelas campanhas, o analista político Beto Vasques, coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, vê três grupos de eleitores como decisivos:

  • os que se abstêm ou votam branco e nulo,
  • os que migram de candidatos menores e
  • o eleitor pendular, que oscila entre Lula e Flávio.

Segundo ele, são eleitores com menos vínculo ideológico e mais sensíveis à agenda da campanha. “Como esses públicos são altamente sensíveis à agenda factual, as notícias veiculadas nas semanas decisivas, tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno, podem beneficiar ou prejudicar um candidato, definindo o favoritismo”, afirma Vasques.

Metodologia das pesquisas citadas na reportagem

  • Gerp: foram entrevistadas 2.400 pessoas entre 3 e 8 de setembro de 2026. O levantamento foi realizado com recursos próprios, tem nível de confiança de 95,55% e margem de erro de 2 pontos percentuais. Registro no TSE: BR-00251/2026.
  • PoderData/Aya: foram realizadas 3 mil entrevistas entre 6 e 9 de setembro de 2026, em 623 municípios das 27 unidades da Federação, por meio de ligações para telefones celulares e fixos. A pesquisa foi feita com recursos próprios, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 1,8 ponto percentual. Registro no TSE: BR-04914/2026.
  • BTG/Nexus: foram entrevistadas 2.002 pessoas entre 4 e 7 de setembro de 2026. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento foi pago pelo BTG Pactual. Registro no TSE: BR-06790/2026.
  • Quaest – São Paulo: foram entrevistadas 1.800 pessoas com 16 anos ou mais entre 4 e 7 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais. Registro no TSE: BR-04705/2026.
  • Quaest – Rio de Janeiro: foram entrevistadas 1.302 pessoas com 16 anos ou mais entre 4 e 7 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3 pontos percentuais. Registro no TSE: BR-09705/2026.
  • Quaest – Minas Gerais: foram entrevistadas 1.506 pessoas entre 4 e 7 de setembro de 2026. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3 pontos percentuais. O levantamento foi encomendado pelo Grupo Globo. Registro no TSE: MG-04716/2026.
  • Quaest – Distrito Federal: foram entrevistadas 1.104 pessoas com 16 anos ou mais entre 4 e 7 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3 pontos percentuais. Registro no TSE: BR-04442/2026.

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