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Memória

Há 20 anos, Coxa sofria com a “canetada”

No dia 22/10/89, clube perde por WO para o Santos e sofre com a mão pesada de Ricardo Teixeira. Rebaixamento sem o aval da Justiça até hoje é lamentado

  • Carlos Eduardo Vicelli
 
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O Coritiba tem motivo de sobra para riscar o dia 22 de outubro do calendário. Há 20 anos, uma passagem confusa mudou radicalmente a trajetória do clube. Um dos me­­­­­­lhores times da história coxa, com chances de bordar a segunda estrela amarela sobre o escudo al­­viverde, terminou marginalizado, sem poder entrar em campo e con­­denado ao rebaixamento. Víti­­ma de uma estratégia de defesa que mais tarde se mostrou errada, do tapetão e da poderosa caneta de Ricardo Teixeira, o então novato presidente da Confederação Brasi­­leira de Futebol (CBF).

O enredo, com direito a reu­niões secretas, advogados, procuradores e liminares, começou na noi­­te de 4 de outubro de 1989. Curio­­­­samente, com a participação de um antigo ídolo coritibano, o ex-goleiro Rafael Cam­­ma­­rota, campeão nacional em 1985.

Um torcedor se aproveitou da re­­forma do Couto Pereira (os fossos estavam sendo construídos) para invadir o gramado e tirar satisfação com o camisa 1 do Sport, que havia discutido com o zagueiro coxa-branca Berg. O Coritiba venceu o jogo (2 a 1), seguiu bem posicionado no campeonato, mas foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça Des­­portiva (STJD) a perder um mando de campo.

O clube não reclamou da sentença, que passava o confronto com o Santos para Juiz de Fora (MG). Pediu apenas que o jogo, inicialmente previsto para ocorrer em 22/10, um domingo, fosse em­­purrado para a mesma data de Sport x Vasco, dia 25/10, quarta-feira – Coxa e Vasco disputavam um lugar na segunda fase. "Uma questão de isonomia", diz Mau­­rício Cardoso, supervisor de futebol à época.

A CBF, porém, ignorou o pedido. O descaso serviu de senha para a diretoria alviverde agir nos bastidores. Apesar de suspenso por ter invadido o campo contra o Apu­carana, pelo Paranaense, o presidente Bayard Osna coordenava as ações. A primeira medida foi contratar o advogado Michel Assef para representar o Coritiba no Rio. "Obtive­­mos uma liminar", diz Mau­­ro Ma­­ranhão, braço direito de Bay­­ard. A decisão provisória, concedida pelo auditor do STJD, Paulo Cé­­sar Cos­­teira, na antevéspera da partida, permitia ao Coxa não entrar em campo.

Na manhã de sábado, enquanto jogadores e comissão técnica che­­­­gavam ao Couto Pereira para viajar, a diretoria discutia o que fa­­zer. Bayard, Maranhão e João Car­­los Vialle (diretor de futebol) optaram por não entrar em campo. "Fui o único que votei contra", ressalta Vialle. O Santos foi proclamado vencedor por W.O.

Os cartolas só não esperavam a reação da CBF. A entidade cassou a liminar, eliminando o clube do Bra­­­­­­sileiro. A "caneta" ainda rendeu a suspensão de competições por um ano. O Coxa teria de voltar, em 1991, pela Terceira Di­­­­visão.

De férias antecipadas, o clube usava dinheiro de bingos pro­­mocionais para quitar a folha salarial. "Ganhei a causa, mas a CBF dis­­solveu o tribunal", afirma Assef. "Faz tanto tempo. Não lembro de mais nada", emenda Cos­­teira.

Contudo, prevaleceu um acordo, costurado por João Jacob Mehl, sucessor de Bayard, e Teixeira. O Coritiba abria mão de seguir com a ação na Justiça Comum. Já a CBF abrandaria o castigo, autorizando a equipe a disputar a Série B na temporada seguinte – só voltaria à elite em 1996.

Fim melancólico de quem so­­nhava com o título brasileiro, que, por ironia, ficou com o rival carioca. "Para nós foi algo terrível, sacanagem mesmo. Pelo baile que de­­mos no Vasco no Rio (1 a 1), tí­­nha­­mos time para ser campeão", re­­volta-se Tostão, o craque do time.

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