O Gazeta Agora, jornal ao vivo da Gazeta do Povo, destaca que Moraes acusa Mendonça de “escolha seletiva” do caso Master e pede julgamento conjunto com ministro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, que seu caso seja julgado em conjunto com André Mendonça na próxima terça-feira (15) alegando parcialidade do colega por ter retirado apenas parcialmente o sigilo da investigação do Banco Master.
Isso, porque, parte dos documentos cita a relação de Moraes com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro e o contrato milionário entre sua esposa, Viviane Barci, e o Master, mas manteve de outras apurações, como o teor completo da investigação do filme "Dark Horse". Isso levou a uma grave crise interna com Mendonça e fez Fachin suspender decisões e levar ao plenário da Corte o julgamento de Moraes.
“O julgamento fracionado das petições, cuja relação de conexão e continência foi reconhecida em decisão de Vossa Excelência (Fachin), somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada petição deverão ser entregues aos ministros julgadores, com a supressão de 180 documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória”, escreveu Moraes no pedido a Fachin que a Gazeta do Povo teve acesso.
O que a queda do sigilo do Master revela sobre Moraes
A retirada do sigilo de parte dos documentos do caso Master determinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, e acatada pelo ministro relator André Mendonça, confirmou informações já divulgadas e trouxe novos detalhes sobre a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O ministro não é investigado.
O material reúne mensagens enviadas por Vorcaro a um contato identificado no celular do ex-banqueiro com o nome do ministro sob diversas identificações incluindo Brasília, STF e TSE, além de registros de encontros e informações sobre negócios envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes.
Segundo fontes que investigam o caso Master, os documentos, no entanto, não representam necessariamente o conjunto completo das informações reunidas pela Polícia Federal. Parte das investigações continua protegida por sigilo em razão de diligências ainda em andamento. Isso significa que novos documentos, depoimentos, perícias ou registros de comunicação entre Vorcaro e Moraes ainda podem acrescentar elementos à reconstrução dos contatos entre ambos.
A reportagem procurou o gabinete do magistrado e a defesa de Vorcaro, mas até o momento não obteve retorno.
Contrato de esposa de Moraes e Master previa “consultoria estratégica”
Polícia Federal identificou que o contrato firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o liquidado Banco Master previa serviços de “consultoria estratégica e jurídica” em investigações, procedimentos administrativos e processos judiciais, além de atividades de compliance. O documento, firmado em janeiro de 2024, estabelecia 36 pagamentos mensais de R$ 3,64 milhões.
O contrato foi tornado público pelo ministro André Mendonça no fim da noite de quinta-feira (10) após o presidente da Corte, Edson Fachin, determinar a retirada do sigilo dos documentos. O material integra a investigação sobre o Banco Master e também inclui um segundo contrato envolvendo outra empresa ligada ao controlador da instituição, o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. A parceria entre Viviane Barci e o empresário foi vazada inicialmente em dezembro do ano passado, quase um mês após sua primeira prisão.
“Para que realize, em defesa de seus interesses: (a) implantação, acompanhamento e aprimoramento constante e continuado de programa de integridade (compliance); (b) consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o Banco Central, a Receita Federal e CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica); (d) processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário”, diz trecho do primeiro contrato firmado.
Toffoli usou notícias para contrariar PF e puxar caso Master ao STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli usou notícias da "mídia formal" para contrariar uma análise da Polícia Federal (PF) que não via razão para a tramitação do caso na Corte, por ausência de autoridades com foro privilegiado no foco das apurações. A decisão que retirou o caso da Justiça Federal ocorreu no dia 3 de dezembro de 2025, um dia após a delegada Janaína Palazzo afirmar que a corporação fez um "filtro minucioso" e não encontrou autoridades com prerrogativa de foro nas apurações iniciais.
Em sua decisão Toffoli afirmou que a investigação era “supostamente dirigida contra pessoas com foro por prerrogativa de função”. A justificativa mencionada pelo ministro foi a existência de notícias da “mídia formal” sobre o tema, apesar de a PF ter informado no dia anterior que não encontrara autoridades com foro no foco das apurações.
Os processos do caso Master tiveram seus sigilos levantados na noite desta quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, que sucedeu Toffoli na relatoria após a imprensa encontrar indícios de uma relação de proximidade com Vorcaro. A liberação atende a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
O Gazeta Agora vai ao ar ao vivo, às 16h30, no YouTube, com apresentação de Carla Lima, comentários de Paulo Polzonoff Jr e participações de Aline Brito direto de Brasília.



