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O que se sabe sobre a presença da variante Delta no Paraná
| Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

Variante do coronavírus de maior preocupação atualmente no mundo, a cepa “B.1.617”, conhecida como delta ou indiana, já está presente no Paraná ao menos desde abril. Naquele mês, uma mulher com 71 anos, moradora da cidade de Apucarana, recebeu o diagnóstico para infecção pelo coronavírus – mais de um mês depois, em 2 de junho, ela soube que se tratava da variante delta. A identificação foi realizada através de sequenciamento genômico realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em amostras de casos aleatórios de infecção no Paraná enviados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). De lá para cá, o Paraná já tem 13 casos confirmados de infecção pela variante delta, registrados em nove cidades: Curitiba, Apucarana, Francisco Beltrão, Rolândia, Mandaguari, São José dos Pinhais, Piên, Piraquara e Araucária. Dos 13 infectados, seis morreram. Trata-se do segundo estado brasileiro com o maior número de casos, perdendo apenas para o Rio de Janeiro, que nesta terça-feira (20) anunciou 87 registros. São 122 casos em todo país, de acordo com o Ministério da Saúde.

Apesar disso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em passagem pela cidade de Foz do Iguaçu nesta terça-feira (20), voltou a dizer que não há transmissão comunitária da variante delta no Brasil. A mesma declaração foi repetida pelo secretário estadual da Saúde, Beto Preto. A possibilidade de transmissão comunitária, contudo, já foi reconhecida pela prefeitura de São Paulo, por exemplo, que em 14 de julho admitiu não ter conseguido identificar a origem da infecção de um homem de 45 anos sem histórico de viagem recente.

No Paraná, há uma investigação ampla em andamento desde 9 de julho com a participação de uma equipe do Ministério da Saúde – naquela data, o Paraná tinha sete casos e era o estado brasileiro com o maior número de registros da delta. A investigação ainda não tem prazo definido para ser concluída, mas a Sesa tem repetido que aguarda o encerramento dos trabalhos para se manifestar sobre a possibilidade da transmissão comunitária: “Após o término desta investigação será definido o tipo de transmissão. Neste momento os casos identificados, sejam importados ou detectados localmente, estão em investigação”, resumiu a pasta, em resposta à Gazeta do Povo, nesta terça-feira (20).

Quando houve a confirmação dos sete casos, a Sesa explicou que ainda não existia a caracterização de transmissão comunitária porque “os quatro primeiros pertencem ao mesmo grupo e de contatos próximos [Apucarana] e os três novos são de diferentes municípios, podendo ser isolados”.

Mas a chamada “vigilância genômica” é feita apenas pela Fiocruz no Rio de Janeiro e suas outras unidades, inclusive no Paraná (Instituto Carlos Chagas). De acordo com a Sesa, desde janeiro até agora, foram sequenciados pela Fiocruz 680 casos do Paraná. Para se ter uma ideia do que representa o volume, somente nesta terça-feira (20) o boletim da Sesa trazia mais 2.657 casos de infecção pelo coronavírus.

Mas, a Sesa reforça que o objetivo da vigilância genômica “não é quantificar o número de variantes circulantes”. “A Vigilância Genômica funciona porque permite saber qual variante está circulando e detectar a introdução de novas variantes”, respondeu a pasta.

Com o sequenciamento genético, foi possível perceber, por exemplo, a entrada mais forte no Paraná da variante P.1, conhecida como gama ou brasileira (amazônica), no início do ano. Em 30 de março, a Sesa informava que um estudo realizado a partir de 80 amostras coletadas na segunda semana de março no Paraná apontou que 46,2% delas correspondiam à linhagem P.1, e isso a tornava predominante entre um total de nove variantes identificadas no estado. “Embora o número de amostras seja pequeno, este recorte de testagem demonstra a efetiva circulação da variante brasileira P.1”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, na ocasião.

Além disso, a quantidade de sequenciamento genômico a partir de amostras do Paraná pode aumentar “dentro dos próximos meses”. A informação é do pesquisador da Fiocruz Paraná e Coordenador da Rede Genômica no Paraná Helisson Faoro, em resposta à Gazeta do Povo nesta terça-feira (20). “O Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) analisou, até o momento, 300 genomas de SARS-CoV-2, distribuídos entre os meses de abril, maio e junho (100 amostras por mês). Dentro dos próximos meses, após a implantação da Rede Genômica da Fiocruz, esse número subirá para 100 amostras por semana, totalizando 400 genomas por mês”, informou ele.

A forma de prevenção contra a variante delta, contudo, é a mesma, reforça a Sesa. “A variante delta é uma variante de preocupação porque altera o comportamento do coronavírus, parece ser mais transmissível do que as linhagens anteriores de forma a influenciar no curso da pandemia. Não se sabe se ela apresenta maior letalidade. A forma de prevenção é a mesma: usar máscara, manter o distanciamento social, higienização das mãos, evitar aglomeração, isolamento dos casos suspeitos e confirmados, rastreio de contatos dos infectados”, exemplificou.

A pasta, contudo, tem apostado especialmente no avanço da campanha de vacinação para conter a disseminação do vírus. A meta do governo do Paraná é vacinar toda a população adulta do Paraná até o final de setembro com ao menos uma dose – até o final do ano, todos os adultos estariam vacinados com as duas doses.

Por enquanto, o Paraná não vai reduzir o intervalo entre as duas doses. A medida já foi tomada por alguns estados brasileiros na esteira de estudos que indicam uma proteção baixa contra a delta após a primeira aplicação (a proteção é considerada alta somente com duas doses), mas, o Ministério da Saúde não recomenda a alteração, por enquanto. Duas vacinas administradas no país têm intervalos de aproximadamente 3 meses entre as duas doses – a da Astrazeneca e a da Pfizer.

“A Sesa destaca a importância da vacinação como forma de prevenção e controle. E reforça a orientação para que a população busque pelo imunizante, ao chegar a sua faixa etária de vacinação, e que receba a vacina que estiver disponível no posto de saúde para proteção individual e coletiva, para que, associado a manutenção das medidas não farmacológicas, possa controlar a pandemia no Paraná”, afirmou a pasta.

  • Veja abaixo o que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) já divulgou sobre os casos de infecção pela variante delta no Paraná:
  • 2 de junho
  • Sesa divulga o primeiro registro de infecção pela variante delta no Paraná. Uma mulher de 71 anos, moradora de Apucarana, apresentou os sintomas da doença no dia 19 de abril após contato com casos confirmados. Ela realizou coleta de exame RT-PCR no dia 26 de abril. Chegou a ficar hospitalizada, mas teve alta.
  • 25 de junho
  • Um segundo caso de variante delta foi divulgado pela Sesa. Trata-se de uma mulher de 42 anos, gestante, residente do Japão, que chegou ao Brasil no dia 5 de abril. Ela realizou a coleta de exame RT-PCR antes de embarcar, tendo resultado negativo para a doença. Dois dias após sua chegada, em 7 de abril, ela teve sintomas respiratórios, fez um novo exame, sendo positivo. A paciente precisou ser internada no dia 15 de abril e, devido ao agravamento dos sintomas, em 18 de abril passou por uma cesariana de emergência e foi a óbito no mesmo dia. O recém-nascido, prematuro de 28 semanas, ficou internado até o dia 18 de junho e teve o resultado do exame negativo para a infecção da Covid-19. Atualmente, o bebê está saudável e segue em acompanhamento pelo município.
  • 7 de julho
  • Sesa confirma o terceiro caso da variante delta. Trata-se de um homem de 74 anos que mora no município de Apucarana. Ele é casado com a mulher do primeiro caso positivo divulgado da nova cepa, no início de junho. O início dos sintomas da Covid-19 foi no dia 21 de abril. Ele fez o teste rápido de antígeno com resultado positivo e foi internado no dia 28 do mesmo mês, depois de uma coleta de RT-PCR. O paciente recebeu alta hospitalar em 20 de maio e permaneceu em cuidados domiciliares.
  • Na mesma data, 7 de julho, a Sesa já confirmou o quarto caso da variante delta. Trata-se de um homem de 58 anos, também de Apucarana. Ele teve sintomas em 19 de abril, positivou para Covid-19 no dia 26 do mesmo mês, foi internado em uma enfermaria, transferido para UTI, e não resistiu, morrendo em 14 de maio. Ele era filho da mulher que é o primeiro caso positivo da variante no Paraná, divulgado no início de junho.
  • 9 de julho
  • Mais três casos da variante delta foram confirmados pela Sesa. Os três novos casos são de Francisco Beltrão, Mandaguari e Rolândia. O caso de Francisco Beltrão é um homem de 60 anos que começou a ter sintomas do dia 10 de junho, coletou exame de RT-PCR, precisou de internamento com suporte ventilatório e teve alta em 18 de junho. Ele segue o monitoramento clínico em casa. O caso de Mandaguari é um homem de 28 anos. Ele teve sintomas e foi internado no início de abril. Chegou a ter alta, mas retornou ao hospital em junho, teve o quadro agravado com intubação e foi a óbito em 29 de junho. O caso confirmado em Rolândia é de uma mulher de 59 anos. Ela foi internada, necessitou de oxigênio, mas já teve alta e desde 12 de junho segue monitorada.
  • 14 de julho
  • Sesa divulga o oitavo caso da variante delta. Trata-se de uma mulher, de 46 anos, moradora de São José dos Pinhais. Ela apresentou sintomas de Covid-19 em 15 de junho, realizou RT-PCR no dia 16 de junho, foi internada, mas, não resistiu, e morreu no dia 18 de junho.
  • 17 de julho
  • Sesa confirma o nono caso da variante delta. Trata-se de um homem, de 46 anos, também de São José dos Pinhais. A data da coleta do RT-PCR foi 11 de junho, no início dos sintomas. Ele não precisou de internamento. O quadro evoluiu para recuperação e o homem está bem.
  • 19 de julho
  • Sesa divulga mais quatro casos da variante delta, todos na região metropolitana de Curitiba. Os casos confirmados são em Curitiba, Araucária, Piên e Piraquara. São eles: um homem de 78 anos, de Araucária, que foi a óbito em 30 de junho; um homem de 64 anos, de Piên, que morreu em 11 de julho; uma mulher gestante de 24 anos, de Curitiba, que está bem, e se recuperou da doença; e um adolescente de 13 anos, de Piraquara, que também evoluiu satisfatoriamente.

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