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Decisão

Moraes recua e autoriza prisão domiciliar a condenado do 8/1 que gravou vídeo em desespero

Após repercussão do vídeo gravado por Marco Alexandre ao ser recolhido ao presídio na última sexta-feira (17), Moraes ordenou prisão domiciliar.
Após repercussão do vídeo gravado por Marco Alexandre ao ser recolhido ao presídio na última sexta-feira (17), Moraes ordenou prisão domiciliar. (Foto: Arquivo pessoal/Iara Célia Machado)

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Depois de ser levado novamente ao presídio e gravar um vídeo em desespero, o ex-policial militar Marco Alexandre Machado de Araújo — condenado à pena de 14 anos pelo 8 de janeiro — deve retornar para casa nesta terça-feira (21). “O alvará saiu!”, comemorou a mãe do mineiro, Iara Célia Machado, de 82 anos, em entrevista à Gazeta do Povo. “Ele está para vir agora de tardinha ou amanhã cedo, graças a Deus.”

A decisão foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde de segunda-feira (20), após repercussão das imagens do recolhimento de Marco Alexandre. O homem seguia em prisão domiciliar desde abril de 2025, mas voltou ao cárcere na última sexta-feira (17) para iniciar o cumprimento da pena definitiva em regime fechado.

A defesa do réu, no entanto, solicitou imediatamente à Justiça que o homem retornasse para prisão domiciliar. Segundo o pedido dos advogados, “não houve reabilitação de sua saúde”, e o mineiro tem sido submetido a tratamento psiquiátrico semanal, “conforme recentes movimentações dos autos”. A defesa solicitou, então, “urgente manifestação” do STF em relação ao caso, e Moraes aceitou.

“Diante do exposto, em virtude do trânsito em julgado desta ação penal, restabeleço a prisão domiciliar para o cumprimento da pena de reclusão imposta a Marco Alexandre Machado de Araújo”, informou o ministro na decisão emitida nesta segunda-feira (20).

Ainda segundo a decisão, Marco já soma quase três anos de custódia cautelar e, durante esse tempo, "o sentenciado cumpriu todas as medidas cautelares”, que voltam a ser exigidas a partir de agora.

Entre as exigências impostas está uso de tornozeleira eletrônica, e as proibições de utilizar redes sociais, conversar com outros envolvidos no 8 de janeiro ou conceder entrevista a qualquer veículo de comunicação sem “expressão autorização” do STF.

Marco Alexandre foi recolhido à prisão na última sexta-feira (17)

Aos gritos de “meu Deus, o que eu fiz para me levarem para o presídio agora?” e “eu não dou conta mais”, Marco, de 56 anos, foi recolhido ao presídio na última sexta-feira (17).

Morador de Uberlândia, em Minas Gerais, o ex-policial militar foi condenado à pena de 14 anos e já havia permanecido dois anos preso — sem denúncia, como apontou reportagem da Gazeta do Povo. O homem não viu a filha caçula nascer, e enfrentou graves problemas de saúde mental no presídio. “Perdi tudo. Vocês me tiraram tudo”, revelou em vídeo gravado por ele enquanto policiais federais entravam no local.

Imagens de Marco sendo recolhido de sua residência e levado à prisão viralizaram nas redes sociais devido ao desespero do homem. “Não vou suportar lá dentro. Por que estão fazendo isso conosco?”, questionava, ao pedir a derrubada do veto de Lula à dosimetria e aprovação da anistia aos presos do 8 de janeiro.

Marcos foi preso durante a 10ª fase da Operação Lesa Pátria, em abril de 2023, após apresentar-se voluntariamente à PF de Brasília na tentativa de provar sua inocência. Ele obteve prisão domiciliar dois anos depois, em abril de 2025, para tratamento médico.

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