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Após oito meses presa na Colônia Penal de Ezeiza, na Argentina, a psicóloga Sirlene Souza Zanotti, de 54 anos, vai para prisão domiciliar. A decisão foi determinada pela Justiça argentina na noite desta quarta-feira (26), após a brasileira escrever uma carta pedindo “misericórdia” devido à sua condição de saúde.
“Peço, por misericórdia, a gentileza de me autorizar um check-up de saúde fora do Penal 7 de Ezeiza”, escreveu Sirlene em carta publicada no último sábado (22) pelo site Bureau de Comunicação, portal que acompanha os presos do 8 de janeiro desde 2023.
No texto, a mulher informou ainda ter sofrido desidratação severa no presídio argentino em fevereiro, com desmaio na lavanderia da unidade prisional sem atendimento médico, e quadro de delírios, confusão mental e perda de coordenação motora.
Sirlene descreve também que sente dores, perda de coordenação, falhas motoras, crises digestivas e crise emocional severa. “Meu corpo me diz que já não tenho mais emoções, sejam elas positivas ou negativas”, escreve.

Psicóloga deve deixar prisão argentina até segunda-feira (31)
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Sirlene é a última dos seis brasileiros envolvidos no 8/1 que seguiam no sistema prisional argentino. Segundo o advogado Hélio Junior, que a representa no Brasil, ela deve deixar o presídio até a próxima segunda-feira (31) devido a procedimentos burocráticos para a saída.
Atualmente, outros quatro envolvidos no 8/1 seguem em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica em território argentino: Joelton Gusmão de Oliveira, Rodrigo de Freitas Moro Ramalho, Wellington Luiz Firmino e Ana Paula de Souza.
O caminhoneiro Joel Borges Correa também permaneceu em domiciliar até o início deste ano, mas retirou o equipamento eletrônico após obter refúgio definitivo no país. Ele é o único que conseguiu asilo político oficial no país.
Quem é Sirlene Souza Zanotti?
Sirlene é psicóloga pós-graduada, mãe de dois filhos e avó de quatro netos. Segundo familiares e pessoas próximas, ela morava em Andradina, São Paulo, e participava de projetos sociais e atividades comunitárias antes de deixar o Brasil. Sua atuação profissional era voltada a pacientes com câncer e a mães e mulheres em situação de vulnerabilidade.
A psicóloga passou sete meses presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e nove meses com tornozeleira eletrônica, até ser condenada. “Resolvi, então, que não era justo ser presa, porque se manifestar pacificamente não é crime”, disse ao site Bureau de Comunicação.
A mulher ingressou legalmente na Argentina, obteve Documento Nacional de Identidade (DNI) do país e formulou pedido de asilo. Mesmo assim, foi detida em dezembro de 2025 em Posadas, capital da província de Misiones, quando se dirigia ao Paraguai.
Segundo informações divulgadas à época, ela apresentou seu DNI durante o procedimento migratório, mas foi presa devido à condenação no Brasil.
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