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Protestos nacionais

Manifestação em Curitiba termina com sete detidos

Protesto reuniu cerca de dez mil pessoas e transcorreu de forma tranquila. Ao fim, um pequeno grupo tentou invadir o Palácio Iguaçu e entrou em confronto com a Polícia Militar

  • Antonio Senkovski, Amanda Audi, Diego Ribeiro, Thomas Rieger, especial para a Gazeta do Povo e Agência Estado
  • Atualizado em às
Manifestantes no Palácio Iguaçu em meio à fumaça das bombas lançadas pelos policiais |
Manifestantes no Palácio Iguaçu em meio à fumaça das bombas lançadas pelos policiais
 
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A manifestação desta segunda-feira (17) em Curitiba terminou com quatro pessoas presas em flagrante por dano ao patrimônio público. A prisão ocorreu porque os jovens teriam quebrado um portão no Palácio Iguaçu, durante uma tentativa de invasão da sede do governo estadual. O grupo foi levado ao 1º Distrito Policial (DP), que estabeleceu fiança de um salário mínimo aos presos nesta terça-feira (18), e por volta das 11 horas eles foram liberados após pagarem o valor.

Além dos presos, outras três pessoas foram detidas e incluídas em um termo circunstanciado por desacato a autoridade. Eles teriam jogado pedras e garrafas na polícia. O trio foi liberado ainda durante a madrugada. Ainda no protesto, mais duas pessoas foram contidas por policiais, mas liberadas em seguida sem haver registro. No total, nove manifestantes foram abordados por policiais durante o protesto.

Caroline Morais de Lima, advogada de Ricardo Lacerda Franzer – detido por dano ao patrimônio público – relatou que após o pagamento da fiança os quatro foram liberados e que agora uma investigação será feita para concluir o inquérito. “O delegado fotografou eles para comparar com as imagens que tem do momento do tumulto, e até o momento em que eu saí da delegacia, ele [Ricardo Franzer] não aparecia nas imagens. Agora será investigado se eles realmente participaram do delito, [caso isso seja verdade] o Ministério Público pode fazer uma denúncia à Justiça”, relatou.

O advogado Márcio Hofmeister representa dois dos rapazes detidos no 1º DP: Yuri Sfair e Alexandre Henrique Tostes Santana. O defensor relatou que ambos não cometeram o ato de vandalismo e que foram selecionados pelos policiais no meio da confusão aleatoriamente. “Eles estão inclusive com roupas diferentes das usadas pelos que provocaram os danos, conforme mostram as imagens veiculadas pela imprensa. Como foi um flagrante, não teria nem como eles trocarem de roupa [no intervalo entre a gravação e a prisão]”, disse.

O estudante Yuri Sfair é enteado do deputado Ângelo Vanhoni, do PT paranaense. Vanhoni protestou contra a prisão e disse que o rapaz fez parte do ato com os demais manifestantes. Segundo o advogado de Sfair, o rapaz levou um golpe na cabeça durante a manifestação e foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) após sair da delegacia para fazer um exame de corpo de delito. A lesão, de pouca gravidade, teria sido provocada por PMs, segundo ele, mas o grupo teria sido tratado na carceragem da delegacia. O advogado contou que os policiais do 1º DP colocaram os manifestantes em uma sala separada dos demais detentos e prestou as informações necessárias aos defensores dos presos na manifestação.

O governador Beto Richa (PSDB) evitou comentar o caso específico de Yuri, mas disse não ter dúvidas de que uma pequena parte dos manifestantes é formada por "infiltrados com motivação política, para causar desgaste para os governantes". O governador disse ter ficado surpreso com as manifestações em todo o país. "É uma mobilização surpreendente, um grande alerta para a classe política entender o recado", afirmou.

O advogado do quarto manifestante preso não foi localizado pela reportagem.

VÍDEO: veja o momento em que o grupo de manifestantes tenta invadir o Palácio Iguaçu

Assista ao vídeo com a manifestação em Curitiba

Veja fotos do protesto em Curitiba

Veja a repercussão dos protestos nas redes sociais

Na página da Frente de Luta pelo Transporte Coletivo no Facebook, uma das organizadoras lamentou a confusão e disse que um pequeno grupo de 15 pessoas foi responsável pela tentativa de invasão do Palácio Iguaçu. A organizadora postou que a orientação era para que a marcha terminasse na Praça Santos Andrade, mas que alguns manifestantes seguiram para o Centro Cívico.

Por meio do Twitter, o governador Beto Richa (PSDB) defendeu a ação da polícia. "Apenas evitamos invasão do Palácio Iguaçu, patrimônio de todos os paranaenses", publicou ele. Em outra mensagem, Richa atribuiu a tentativa de invasão a uma minoria. "Ação de 30 em meio a uma multidão que protestava pacificamente. Não podemos permitir depredação do patrimônio público".

O ato na capital paranaense fez parte de uma série de manifestações pelo Brasil, que incluíram algumas das maiores cidades do país, como o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

No Paraná, pelo menos outras 17 cidades realizaram manifestações durante a noite de segunda. Páginas no Facebook indicavam protestos em Apucarana, Arapongas, Cambé, Campo Mourão, Cascavel, Cornélio Procópio, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Irati, Londrina, Maringá, Palotina, Paranaguá, Pato Branco, Ponta Grossa, Rolândia e São José dos Pinhais.

GM registrou vandalismo na Prefeitura

De acordo com o inspetor da Guarda Municipal Carlos Celso dos Santos Junior, houve registro de quebra de vidraças da prefeitura. “A guarda só fez o acompanhamento dos manifestantes e do trabalho da Polícia Militar. Basicamente, além desse tumulto, não registramos nenhuma ocorrência relacionada. Podemos dizer que o movimento foi 99% pacífico”, disse.

Cerca de dez mil protestam em Curitiba

A manifestação em Curitiba começou por volta das 18 horas e transcorreu de maneira pacífica pelo centro da cidade. Os manifestantes chegaram à Praça Nossa Senhora da Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, por volta das 21h50. Um grupo teria pichado uma das paredes do prédio, mas outros manifestantes se organizaram para limpar. A maioria das pessoas presentes no local pedia para não haver vandalismo e criticava a ação desse grupo. Uma grande parte dos manifestantes ficou na Praça Santos Andrade, último ponto da passeata, e não seguiu ao Centro Cívico.

No fim da tarde, cerca de 10 mil manifestantes, segundo estimativa da PM, participaram do protesto, o terceiro contra o aumento das tarifas do transporte público na cidade. A manifestação, que começou por volta das 18 horas na Boca Maldita, percorreu várias ruas do Centro e deixou complicado o trânsito na região.

No total, 30,2 mil pessoas confirmaram apoio ao evento, via Facebook, até as 20h30 de segunda-feira. A PM não divulgou o número de policiais que acompanhou a manifestação. Havia oficiais à paisana entre os manifestantes. Policiais fardados acompanharam o grupo à distância e a ordem é agir somente se necessário.

Percurso

O grupo passou pelas ruas XV de Novembro, Dr. Muricy (fechando o cruzamento com a Marechal Deodoro), Emiliano Perneta, Desembargador Westphalen, Tibagi, Mariano Torres (fechando cruzamento com Avenida Sete de Setembro), voltaram à Rua XV de Novembro e às 20h50 chegaram à Praça Santos Andrade. Depois, uma parte dos manifestantes se dirigiu ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, e outra permaneceu na praça.

Os manifestantes chegaram às proximidades da Rodoviária por volta das 20h20. Havia a expectativa de que eles se dirigissem à Urbs, que fica dentro do terminal de ônibus intermunicipal, mas eles seguiram pela Rua Mariano Torres e voltaram a entrar na Rua XV de Novembro, onde a manifestação havia começado, até chegar à Praça Santos Andrade.

Ônibus

Segundo a Urbs, as rotas de ônibus foram alteradas para desviar dos bloqueios criados pela passeata. As equipes de fiscalização estiveram nas ruas informando os motoristas dos ônibus sobre as alterações nas rotas, mas não houve trajeto pré-definido.

Por volta das 18h30, os manifestantes lotaram a Praça Rui Barbosa e impediram o trânsito dos coletivos. Impossibilitados pelo local, alguns ônibus abriram as portas para liberar os passageiros. "Acho complicado ter que descer do ônibus, mas acho que esse protesto vai ajudar o país", comentou Isabela de Lima, que estava na Linha Pinheirinho/Rui Barbosa.

Às 19 horas, os manifestantes começaram a sair da Praça Rui Barbosa em direção à Rua André de Barros. Por conta do grande número de pessoas que estava no local, o trânsito na praça demorou para ser normalizado.

Equipes da Setran acompanhavam o movimento. Na Rua Desembargador Westphalen, no Centro, comerciantes fecharam as lojas com medo da manifestação.

Advogados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) acompanharam a marcha. O órgão divulgou em nota que se preocupa "especialmente com a garantia da liberdade de manifestação do pensamento e do direito de reunião".

Objetivos

De acordo com a página do movimento no Facebook, o protesto em Curitiba levantou as seguintes bandeiras: redução da tarifa de ônibus a R$ 2,60 em dias úteis e a R$ 1 aos domingos; contra a repressão e à criminalização de movimentos sociais; passe livre para estudantes; abertura da "caixa-preta" da Urbs e transparências nos subsídios; constituição de frota pública; contra os "crimes de Estado da Copa do Mundo", entre outros.

Concentração

Por volta das 17 horas, cerca de 100 pessoas já se reuniam na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da UFPR, para pintar cartazes que seriam usados na manifestação. Além da redução no preço da passagem, o movimento levantou outras bandeiras. Os cartazes levaram dizeres como "Verás que um filho teu não foge à luta", "Partidos não nos representam" e "PEC 37: não passará".

A fotógrafa Bruna Moraes registrava o protesto. "Acho que alguma coisa vai mudar depois dessa manifestação", acredita. O estudante Lucas Schmoller participava também da marcha. "Estou aqui para lutar por uma melhoria no país", afirmou.

Manifestações anteriores

Na sexta (14), cerca de 700 pessoas protestaram contra o reajuste na passagem de ônibus e contra a repressão policial aos manifestantes em São Paulo e no Rio de Janeiro. A primeira manifestação foi na quinta (13), quando cerca de 150 promoveram um ato na Boca Maldita. Em ambos os protestos não houve registro de tumultos.

Apoio

O movimento reúne grupos como a Organização das Farofadas, Marcha da Maconha, Marcha das Vadias e integrantes de partidos políticos. A manifestação também pretende divulgar a “Farofada pelo Transporte Público”, marcada para o próximo dia 21 de junho. Deste último evento, mais de 30,7 mil confirmaram presença pelo Facebook até as 17 horas desta segunda (17). De acordo com informações da página, a mobilização tem como principal queixa a situação do transporte público na capital paranaense.

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Grupo tenta invadir Palácio Iguaçu após manifestação

Alguns manifestantes tentaram invadir o Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, na noite desta segunda-feira (17). A Polícia Militar usou bombas de efeito moral para dispersar o grupo.

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Protesto contra aumento da tarifa reúne 10 mil em Curitiba

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