Resultado Eleições Rio de Janeiro| Foto:
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Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos) vão disputar o segundo turno para decidir quem comandará a Prefeitura do Rio de Janeiro pelos próximos quatro anos.

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Com 100% das urnas apuradas na capital fluminense, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paes teve 974.804 votos (37,01% dos votos válidos), enquanto Crivella somou 576.825 votos (21,9%).

Em sua primeira manifestação com mais de 90% das urnas apuradas, Paes disse que irá "buscar o apoio de todos os cariocas" na tentativa de chegar ao seu terceiro mandato como prefeito do Rio. E, numa provável estratégia de evitar a rejeição de eleitores que ficam mais ao extremo dos espectros políticos, em especial da esquerda, insistiu que a discussão no segundo turno não pode ser ideológica. "Essa discussão é sobre o Rio. Não é uma discussão sobre direita esquerda ou um debate ideológico nacional. Eu quero o apoio do povo carioca, conversar com todos os cariocas. Não importa se é direita ou esquerda."

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O atual prefeito Marcelo Crivella não se manifestou após o fim da apuração. "Estamos todos cansados após um dia de muito trabalho", concluiu. Pouco antes, Crivella afirmou que vai reverter a alta rejeição que tem entre os eleitores. "Tenho certeza de que os números que temos vão mudar. Minha rejeição é de gestão, não é pessoal. Quando os eleitores souberem tudo o que fizemos, isso pode ser revertido", afirmou.

Veja os números finais da apuração:

Paes esteve na frente durante toda a campanha

O ex-prefeito, que liderou a cidade por dois mandatos entre 2009 e 2016, iniciou a corrida já na frente dos adversários, segundo pesquisas, e cresceu ao longo da campanha. Entretanto, não conseguiu avançar o suficiente para evitar o segundo turno.

Paes usou o capital político que construiu no período como prefeito da cidade e também durante a campanha para governador do Rio em 2018, quando somou mais de 3 milhões de votos no segundo turno contra WIlson Witzel — na capital fluminense, Paes conseguiu 1.627.367 votos.

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Apesar de rivalizar diretamente com Crivella, a campanha de Paes apontou para a Delegada Martha Rocha (PDT), já que ambos transitam por segmentos parecidos — eleitores mais escolarizados, católicos e com renda acima de cinco salários mínimos. O tom, inclusive, chegou a subir na última semana de campanha, com representações dos dois lados apresentadas à Justiça Eleitoral.

O alvo Martha Rocha tinha explicação em uma eventual disputa de segundo turno. De acordo com pesquisas, ela seria a adversária mais competitiva contra Paes. No um contra um, a chance dele contra Crivella, a princípio, é maior.

Crivella resistiu ao crescimento de Martha Rocha

Já o atual prefeito Marcelo Crivella teve uma campanha longe de tranquila. Na semana limite para o registro de candidaturas, ele foi condenado por 7 votos a 0 no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) por abuso de poder político, o que o tornou inelegível até 2026.

Para os desembargadores do TRE-RJ, ele teria usado a máquina pública da prefeitura na convocação de servidores da Comlurb a participarem de ato político em 2018. No evento, fazia campanha o filho do prefeito, Marcelo Hodge Crivella, que concorria a deputado federal.

Apesar disso, a candidatura seguiu normalmente e foi deferida pela Justiça Eleitoral. A defesa de Crivella foi ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão da condenação. O ministro Mauro Campbell acatou o pedido, mas o Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com recurso, que foi colocado na pauta do TSE na última sexta-feira (13) — os juízes têm até quinta-feira (19) para proferirem os votos.

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Além de questões judiciais, Crivella precisou lidar com o crescimento da candidatura de Martha Rocha, que desde o início da campanha se colocou como uma terceira via entre ele e Paes. No entanto, a força entre os eleitores evangélicos e com menos escolaridade garantiu votos suficientes para levar a disputa para o segundo turno.

Ele ainda contou com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que pediu votos para Crivella dias antes do primeiro turno, mesmo que discretamente. O presidente chegou a classificar como “polêmica” o movimento dele a favor do prefeito do Rio.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]