Rua XV, perto da Monsenhor Celso – o leito da rua era ainda de barro. 1896 |
Rua XV, perto da Monsenhor Celso – o leito da rua era ainda de barro. 1896| Foto:
  • A Rua XV entre Dr. Muricy e Marechal Floriano,
  • Rua XV entre Dr. Muricy e Marechal Floriano, em 1940
  • Rua XV, vista da esquina da Rua Barão do R. Branco. Em 1904
  • Rua XV, primeira quadra na esquina da Travessa Oliveira Belo. 1939
  • Alargamento e retirada dos trilhos dos bondes. Rua XV, esquina com a Murici – em 1926
  • Rua XV, esquina com a Marechal Floriano: o Senadinho, em 1930
  • Detalhes das luminárias de 1972 – por ineficiência, foram retiradas

Nessa semana que passou, foi lembrado o fechamento para o trânsito de veículos da Rua XV de Novembro, acontecimento ocorrido em maio de 1972. Tal interferência é comemorada como sendo a primeira rua a ser destinada ao uso exclusivo dos pedestres em Curitiba. Fato que não chega a ser verdade, haja vista que sete anos antes, em 1965, o contorno da Praça Zacarias foi eliminado e incorporado ao logradouro; assim como a Travessa Oliveira Belo foi juntada ao que seria o primeiro calçadão curitibano.

A própria Rua XV não sofreu interferência completa, como se encontra hoje incorporando a Avenida Luiz Xavier e as demais quadras até a Rua Presidente Faria. Como a intervenção feita foi cautelosa, o trabalho foi realizado por etapas, meio assim como: será que vai dar certo, será que não vai? Da Praça Osório até a Rua Dr. Muricy, levou algum tempo ainda com tráfego de automóveis; já da Muricy até a Marechal Floriano, foi a primeira quadra a ser fechada, juntamente com a quadra entre a Monsenhor Celso e a Rua Barão do Rio Branco. Já desta até a Presidente Faria, levou um bom tempo para ser exclusiva aos pedestres.

Surgiram na época prós e contras a novidade. O comércio tradicional que existia na velha Rua XV foi o que mais ficou contrariado, sentindo que sofreria prejuízos a curto prazo. Não estava enganado. Em curto espaço de tempo as clássicas lojas foram desaparecendo, fechando as portas ou se mudando para outros locais mais afastados. A rua agora estava como os sonhadores queriam, foram buscar no passado o velho nome: Das Flores.

Adornaram o ambiente com floreiras, novas luminárias e quiosques de acrílico. O comércio foi alterado e os grandes e tradicionais magazines foram substituídos por pequenos cubículos, onde as ofertas de mercadorias ficaram na base do um e noventa e nove. Com o ambiente, anteriormente ocupado pelas grandes lojas e agora subdividido, desapareceu a maior parte da memória da velha XV de Novembro.

Várias campanhas foram encetadas com intenção de reavivar o charme daquela vastidão, hoje coberta por uma capa de traiçoeiros petit-pavés. Infelizmente, a Rua XV não é mais aquela. Não é mais aquela para nós, saudosistas, que estamos na casa dos entas, ou seja dos quarenta, cinquenta e mais anos de vida. A geração que nasceu na época da transformação, após 1972, não estará nada preocupada em como era viver nos tempos da velha Rua XV, pois todos já estarão beirando os quarenta anos de idade. Vale aí o velho adágio: o tempo apaga tudo!

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