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Flavio Morgenstern

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Espetáculo deplorável

Alexandre de Moraes julgar Alexandre de Moraes é um golpe contra a democracia

O ministro Alexandre de Moraes durante a sessão de 15 de setembro no STF. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

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Alexandre de Moraes votou contra o STF investigar Alexandre de Moraes pelo nó de víboras que são suas ligações (literais, sentimentais, financeiras e de injustiças) com o Banco Master. Alexandre de Moraes, que citou Alexandre de Moraes (na terceira pessoa) para defender que não se deve investigar Alexandre de Moraes, foi defendido por Flávio Dino, que, segundo consta das frinchas do poder, foi sugerido ao STF por Alexandre de Moraes.

Alexandre de Moraes também tem remetido diversas vezes a Paulo Gonet, o Procurador-Geral da República, ex-sócio de Gilmar Mendes, que também votou contra investigar Alexandre de Moraes. Paulo Gonet, apesar de procurador – e, portanto, vez ou outra, ter a obrigação de conter o poder dos próprios juízes do STF –, foi sabatinado junto a Flávio Dino. Paulo Gonet tem decidido em consonância quase absoluta com Alexandre de Moraes.

Paulo Gonet, por alguma carga d’água de visualização única, foi convidado a participar da sessão do STF que avaliaria se investigariam Alexandre de Moraes. Nas mensagens de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, que Alexandre de Moraes nega que tenha participação, Paulo Gonet também aparece – em comentários, foto e videochamada. Paulo Gonet pediu ao STF para abolir as investigações ao Banco Master que citaram o próprio Paulo Gonet. A situação só não foi mais avacalhada porque não caiu ao próprio Alexandre de Moraes julgar o pedido do PGR.

Paulo Gonet, ao que tudo consta, também foi uma sugestão do próprio Alexandre de Moraes. Paulo Gonet é ex-sócio de Gilmar Mendes no IDP, o Instituto Brasiliense de Direito Público. Paulo Gonet constantemente avalia se decisões de Moraes e Mendes devem ser levadas a cabo ou não. Por coincidência, Paulo Gonet determina o que Moraes e Mendes querem em praticamente todas as vezes. Paulo Gonet também pediu que a investigação sobre o Master que envolvia o próprio Paulo Gonet fosse arquivada.

Paulo Gonet vendeu sua parte no IDP por R$ 12 milhões ao filho de Gilmar Mendes, Francisco Schertel Mendes. Gonet detinha 43,44% das cotas da instituição. A transação ocorreu no mesmo dia em que o IDP contraiu um empréstimo de R$ 26 milhões do Bradesco, com juros considerados vantajosos, o que levantou suspeitas sobre a natureza da operação. Paulo Gonet ainda é professor do IDP.

A ex-diretora do IDP é Dalide Corrêa. A PF identificou, a partir de documentos internos do BRB, o Banco Regional de Brasília, que o Banco Master pagou R$ 33 milhões ao escritório de advocacia de Dalide Corrêa em 2024. Em conversas interceptadas pela PF, Dalide Corrêa era considerada um “canal direto com o STF”.

Diretores do Banco Master, como Ângelo Ribeiro, justificaram a proximidade de Dalide Corrêa com o STF com base na alegada proximidade de Dalide Corrêa com o STF. A mesma alegação usada para ter um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes editado a partir do computador do próprio juiz Alexandre de Moraes (também há outro contrato de R$ 50 milhões). Graças à proximidade com Alexandre de Moraes, o próprio Vorcaro afirmava que não podia atrasar de maneira nenhuma os pagamentos para Viviane Barci de Moraes.

Dalide Corrêa foi chamada de “A mulher bomba” em reportagem de Rodrigo Rangel de 2018. Dalide Corrêa foi descrita na capa da revista Crusoé como “ex-faz tudo de Gilmar Mendes, foi acusada de usar o instituto do ministro para pedir 200 milhões à JBS. Ele, mais do que depressa, tratou de isolá-la”.

Daniel Vorcaro também contratou em 2024 o ex-senador Chiquinho Feitosa, na época cunhado de Gilmar Mendes, envolvendo dois processos no STF. Chiquinho Feitosa primeiro negou o trabalho, mas, confrontado com a informação da prestação de serviços, alegou que foi por “durante um curto período”. A empresa que contratou Feitosa foi acusada pela Polícia Federal de lavagem de dinheiro. Gilmar Mendes foi relator em um dos processos.

Gilmar Mendes, durante o julgamento da ação para investigar as ligações entre Alexandre de Moraes e o Banco Master, criticou duramente André Mendonça por investigar Daniel Vorcaro e querer saber quem era seu interlocutor – que o planeta Terra inteiro sabia que era Alexandre de Moraes. Gilmar Mendes vociferou: “Não se deve expor um colega, mesmo que ele esteja eventualmente envolvido” (sic). E concluiu: “Até a máfia tem ética”. A ética da máfia é chamada omertà, implicando que quem denuncia as tramoias internas deve ser morto. Dead men tell no tales.

Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, braço direito de Daniel Vorcaro que recebia R$ 1 milhão por mês para fazer trabalhos sujos e que havia sido escalado para causar um “acidente” com a jornalista Malu Gaspar e para “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, alegadamente se suicidou assim que foi preso em Belo Horizonte.

Alexandre de Moraes votou no próprio julgamento contra investigar Alexandre de Moraes. Antes disso, quis incluir André Mendonça no inquérito das fake news, até ser, pela primeira vez em sete anos, impedido pelo presidente do STF, Edson Fachin. Alexandre de Moraes cita o “grupo político” (sic) de Mendonça como quem quer dar um golpe de Estado, citando André Mendonça 52 vezes em sua defesa.

André Mendonça reforçou a sua segurança pessoal.

Alegadamente, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e boa parte da mídia e do establishment brasileiro acreditam piamente que Jair Bolsonaro tentou dar um “golpe de Estado”, e que qualquer crítica a Alexandre de Moraes e seus confrades é um atentado violento contra a democracia e, claro, ao Estado de Direito.

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