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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/04/15 2:35:03 PM
(Foto: Divulgação)

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No último dia 13 de abril, a literatura perdeu mais um grande nome. Morreu o jornalista, escritor e pensador uruguaio, referência na Esquerda latino-americana, Eduardo Galeano. Muito conhecido por sua obra “Veias Abertas da América Latina”, na qual faz uma análise da história da América Latina, Galeano também conseguia com maestria aventurar-se pelas crônicas futebolísticas, como mostra “O futebol de sol à sombra”, que uniu sua paixão por futebol e o jornalismo. Para os “não iniciados” no autor, sempre gostei de recomendar “O Livro dos Abraços”, uma obra carregada de poesia em historietas e pequenas crônicas cotidianas presenteadas ao leitor por Galeano.

São histórias que passeiam pelos comportamentos cegos da ditadura, mas que rompem as barreiras do tempo e podem ser vistos até hoje, à singeleza de uma criança que pede ajuda ao pai para olhar o mar, assombrada diante de sua imensidão. Histórias de sonhos, encontros e desencontros, (des)humores, paisagens e personagens da vida cotidiana que passam por nós diariamente e nem nos damos conta. Falta de tempo? De saber olhar o mundo à nossa volta com olhos de ver (de verdade)?

Em “O Livro dos Abraços”, Galeano consegue nos transformar na pequena Lucia, uma leitora de livros escondidos, em “A função do leitor/1:

“Quando Lucia Pelaez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, ocultando o livro debaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos. Muito caminhou Lucia enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos do rio Antióquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas. Muito caminhou Lucia, e ao longo do seu caminhar ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com seus olhos, na infância. Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela.”

Para mim, esse talvez seja um dos grandes textos do livro. Porque mostra a todos a grandeza da leitura, palavra em latim que vem da mesma raiz do verbo colher (legere, colegere). Ou seja, a leitura não deixa de ser uma colheita também. Colhemos os melhores frutos, os melhores textos… colhemos os sinais do mundo por onde passamos. É a partir desses sinais que começamos a construir e a representar o mundo para nós. É a partir da leitura de um texto que começamos a criar em nós o nosso livro, com os nossos personagens, nossos cenários, nossos contextos. Mas isso requer tempo. Lentidão. Silêncio… uma certa degustação interior que nem sempre conseguimos ter nas escolas, nos ambientes de trabalho.

Trazer esse texto de Galeano para este espaço hoje foi um motivo para homenageá-lo e também um apelo para que reflitamos sobre o silêncio e sobre o tempo em um mundo onde o barulho, a velocidade, a superficialidade (inclusive nas relações) têm sido cada vez mais comuns. É preciso resgatar o tempo da delicadeza…

*Cristiane Parente de Sá Barreto é pesquisadora em Educação para a Mídia do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade – CECS, da Universidade do Minho e Sócia-fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação – ABPEducom. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/04/15 3:16:12 PM
(Foto: Nova Escola)

(Foto: Nova Escola)

Velocistas, dentro do atletismo, são os especialistas em corridas de velocidade de curta distância, a mais famosa de 100m rasos. Podemos exemplificar com nomes como do jamaicano UsainBolt, (28 anos; 1,98m de altura; 94 kg), ou do também jamaicano Asafa Powell (32 anos, 1,90m de altura; 87 kg), até mesmo o brasileiro Robson Caetano, hoje com 50 anos, mas na época de atividade tinha 82 kg e 1,89m.

Maratonistas, no mundo do atletismo, são atletas especializados em correr grandes distâncias (Maratona Olímpica: 42.195km). Nesse caso, podemos citar nomes como do ugandense Stephen Kiprotich (26 anos; 1,72m; 56 kg), a britânica Paula Jane Radcliffe (41 anos;1,73m, 54 kg) ou do nosso querido Vanderlei Cordeiro de Lima, hoje com 45 anos, mas quando em atividade tinha 54 kg distribuídos em 1,68m.

É evidente que essas características físicas, e por que não as psicológicas também, são definidas ao longo dos anos e de duros treinos. Entretanto, nos saltam aos olhos as medidas específicas bem como o porte atlético que cada modalidade exige. Simplificando, os atletas velocistas, pelas próprias necessidades de explosão muscular e de arranque, têm um porte mais avantajado, na outra ponta os atletas fundistas têm corpos adaptados às corridas de grandes distâncias.

Enfim, a questão aqui é refletir o que as escolas produzem frente ao o que a sociedade precisa e o que o mercado de trabalho exige. Precisamos nos questionar se a Escola não está entregando um velocista, que percorre o circuito de 100m em menos de 10 segundos, quando é necessário um fundista para percorrer 42 quilômetros em torno de duas horas, ou o contrário.

Ainda dentro da obviedade, precisamos pensar que se for para produzir “velocistas”, os professores devem entender muito sobre essa categoria e as instituições também. No outro caso, se for para produzir “maratonistas”, o mínimo desejável, é que os professores sejam especialistas nessa tipologia e que as escolas forneçam os meios necessários. E, também, que a política governamental para a Educação seja séria e comprometida.

Então, vejamos a questão de perto. As dessincronias entre as escolas, os professores, os alunos e o mercado, dentro de uma aproximação econômica, nos faz pensar de forma preocupante acerca da competividade, em diversos níveis de nosso país frente às demais nações influentes mundialmente.

É evidente que precisamos acertar os passos dos relógios para que possamos então caminhar no mesmo ritmo. Pois, como diz Castells, “a vida é fluxo”, portanto, precisamos seguir em frente e no mesmo caminhar.

*Artigo escrito por Guilherme Lemermeier Rodrigues, licenciado em Matemática, especialista em Ensino de Matemática e mestre em Educação. Também é professor na Universidade Positivo, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/04/15 5:06:29 PM
(Foto: SESC Paço da Liberdade)

(Foto: SESC Paço da Liberdade)

A mudança de um olhar pode ser decisiva para a transformação de uma vida. Estar disposto a observá-la por outros ângulos é fundamental para despertar novas leituras, diferentes pontos de vista e possibilidades de desenvolvimento enquanto sujeito integrante da sociedade e atuante culturalmente.

Mas quando os envolvidos são crianças e adolescentes é preciso mobilização e parceria entre instituições para proporcionar atividades que estimulem os alunos a enxergar o mundo como nunca viram antes. Ou seja, é necessária uma educação que atue como o caminho para a cidadania.

O projeto Educação Patrimonial, do SESC Paço da Liberdade, é um desses exemplos. Ele acontece desde 2009, atende alunos do 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio de escolas públicas ou de instituições de apoio (como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e recebe verba do Programa de Comprometimento e Gratuidade em Educação (PCG). O objetivo é exercitar o olhar dos participantes para o reconhecimento sobre o patrimônio cultural e despertar a visão crítica sobre a arte e a cultura. A previsão para seu início em 2015 é para as últimas semanas de maio, sendo que ele ocorre durante três dias consecutivos, no período do contraturno ou no horário regular da escola.

As ferramentas utilizadas – maquete tridimensional e fotografia – chamam a atenção durante a atividade. Mas o encantamento está no uso da máquina fotográfica. Com o equipamento em mãos, disponibilizado pelo projeto, a turma visita o prédio, observa detalhes da arquitetura e os fotografam. Os estudantes também recebem orientações e noções básicas sobre luz, ângulo, enquadramento e são apresentados ao contexto histórico do local. As fotografias registram e descrevem não apenas o olhar, mas o sentimento de cada participante. “A linguagem fotográfica consegue traduzir o entendimento do aluno e apresenta o resultado de todo o processo. É muito significativo, pois com as imagens conseguimos perceber a mudança”, destaca Giselle Piragis-Zogaib, técnica de atividades do SESC Paço da Liberdade.

Giselle pontua que, no primeiro dia, todos recebem a máquina fotográfica sem nenhum comentário e nem visita monitorada, podendo clicar no que chamar a atenção. “Ainda é um olhar sem preparo, com o repertório que eles têm naquele momento”, diz. No dia seguinte, a turma participa de uma aula mais teórica sobre fotografia, patrimônio, tombamento e como reconhecer esses conceitos na própria comunidade. No último encontro, voltam a fotografar. “Esse novo olhar já é transformado. Percebemos que existe uma atenção especial aos detalhes e um cuidado maior com o que estão expressando”, comenta Giselle.

A mudança do olhar do participante acontece, inclusive, para dentro dele mesmo, pois o projeto transforma ao despertar os sentimentos de pertencimento e de identidade. “Ele sente-se parte integrante de um todo e isso é levado para o seu dia a dia. É um processo educativo contínuo. Se a escola parceira souber aproveitar esse caminho, pode mudar as relações dos alunos dentro do ambiente escolar”, afirma a técnica do SESC.

“Gostei de tudo, do relógio, do sino, do telefone, da escada”; “Deitei no chão para pode tirar a foto bem retinha, sem tremer”; “Quando eu tiver meu filho vou aconselhá-lo a vir aqui”. Esses são apenas alguns depoimentos que mostram como o projeto transformou a vida dos alunos, seja na observação de objetos, no ângulo escolhido para registrar a imagem e até no pensamento sobre o futuro. Mas os reflexos positivos não terminam por aí. Na própria escola é preparada uma exposição com os trabalhos fotográficos – uma forma de envolver os demais alunos da instituição de ensino e a comunidade escolar.

Além disso, os educadores são orientados para que estimulem os estudantes a repensar sobre a relevância e o usufruto dos patrimônios. E foi o que fez a pedagoga Maria Carolina Lobo Oliveira. Ela esteve à frente das turmas do Colégio Estadual Manoel Ribas que participaram do projeto. E agora espera ansiosa para levar os alunos do Colégio Estadual Santos Dumont, onde trabalha atualmente. “Temos uma juventude com grande potencialidade, mas carente de programas que desenvolvam novos talentos. Este projeto pode e deve ser um ponto de partida”, diz. Para ela, além de conscientizar para questões sobre patrimônio, a atividade oportuniza uma série de novas perspectivas para os alunos. “A leitura de mundo de todos amplia significativamente”.

Maria Carolina ainda afirma que esta proposta mostra novos rumos para a educação. “A escola que temos é do século XIX, sendo assim, não consegue dar respostas aos anseios das novas gerações. Metodologias diferenciadas e temáticas socialmente relevantes são essenciais para que possamos fazer uma educação de qualidade e que dê respostas às questões do presente”.

Sobre o uso da fotografia, a pedagoga destaca que o significado é o despertar de um olhar sensível, consciente da sua representação e de quanto a imagem pode ser comunicativa sem usar uma única palavra. “A fotografia reúne elementos afinados de expressão e reflexão. Esse é o grande diferencial, ver o patrimônio através da lente, consciente do que quer se ver, captar e expressar. O olhar é único e num espaço histórico e belíssimo que é o Paço da Liberdade”, conclui.

O projeto Educação Patrimonial já foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) e premiado na etapa estadual do 24º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, organizado pelo IPHAN, em 2011. A premiação incentivou a continuidade do projeto e a adesão de novas escolas até hoje. Informações: http://www.sescpr.com.br/unidades/sesc-paco-da-liberdade/.

*Patricia Goedert Melo é jornalista e há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação desenvolvendo projetos para escolas, secretarias de educação e empresas ligadas ao segmento. Atualmente é mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/04/15 4:46:56 PM
(Foto: Evento de premiação das escolas e empresas parceiras do trabalho da ASID; AAMPARA recebeu menção honrosa)

(Foto: Evento de premiação das escolas e empresas parceiras do trabalho da ASID; AAMPARA recebeu menção honrosa)

No último dia 2 de Abril foi comemorado o Dia Internacional do Autismo, data criada pela ONU com objetivo de conscientizar a sociedade acerca de um tema tão importante e que a cada dia merece mais atenção. Prova disso, são os dados que a Organização Mundial de Saúde estimou em 2013: uma prevalência de 1:160 indivíduos com autismo, número muito superior ao verificado em épocas anteriores. Com base nestes dados, um ponto crucial vem à tona: quais os desafios na educação para crianças e adolescentes com autismo?

É consenso entre todos os especialistas da área que o diagnóstico precoce é fator fundamental para o sucesso no tratamento e evolução do ensino da pessoa com autismo. Segundo Juliana Paula Mendes, diretora da Escola Alternativa / Modalidade Especial, instituição filantrópica especializada nos Transtornos Globais do Desenvolvimento, o desafio do ensino para a pessoa com autismo é receber o diagnóstico desde cedo, e ter um currículo adaptado com os conteúdos formais e funcionais que uma criança autista precisa. Ou seja, além das disciplinas que normalmente são lecionadas em uma escola regular, é necessário o ensino adaptado com outros conteúdos funcionais, que muitas vezes são de grande dificuldade para uma pessoa autista, como, por exemplo, ir ao banheiro ou como se portar em uma refeição. A adaptação curricular para a especificidade de cada indivíduo, realizada nas Escolas Modalidade Especial, fazem toda a diferença na evolução desses educandos.

Porém, essa necessidade esbarra em um problema crônico: a falta de vagas em instituições especializadas gratuitas. É o caso da própria Escola Alternativa / Modalidade Especial, onde existe uma fila de espera de inúmeras famílias por uma vaga. “Diariamente ligam três ou quatro mães querendo matricular o filho na instituição, porém não temos como atender essa demanda”, relata Juliana. Essa espera pode comprometer muito o desenvolvimento da pessoa autista. Foi o que vivenciou Rosimeri Benites, fundadora da AAMPARA (Associação de Atendimento e Apoio ao Autista), primeiro centro gratuito especializado em autismo de Curitiba. Após o nascimento de sua filha Beatriz, Rosimere iniciou uma incessante busca por diagnóstico, e quando finalmente obteve, viu as grandes dificuldades para a adaptação da criança no ensino regular. Somente quando Beatriz completou oito anos, depois de muito peregrinar em busca de tratamento e ensino especializado, Rosimere conseguiu uma vaga na Escola Alternativa / Modalidade Especial. Hoje, com 16 anos, a evolução de Beatriz é visível.

O trabalho realizado pelas Escolas na Modalidade Especial para a inclusão da pessoa com deficiência é de fundamental importância para a sociedade. Por outro lado, o apoio que estas instituições precisam para atender mais e melhor essas pessoas deve vir também de toda a sociedade. Que neste mês de Abril, do Dia Mundial do Autismo, nós possamos enxergar uma grande oportunidade de incluir ou ajudar essas pessoas tão especiais e as instituições que as atendem e fazem um trabalho fantástico.

*Artigo escrito por Diego Tutumi Moreira, formado em economia pela UFPR. É fundador da Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 02/04/15 4:39:39 PM
(Imagem: Shutterstock)

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Os MOOCs (sigla em inglês para cursos massivos abertos online) visam oferecer para um grande número de pessoas a oportunidade de ampliar seus conhecimentos. Trata-se de um desenvolvimento recente na área da Educação à Distância (EAD) e está embasado nos princípios dos Recursos Educacionais Abertos (REA), ou seja: materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, podendo ser utilizados ou adaptados por terceiros.

A ideia do MOOC surgiu em 2008, quando professores de uma universidade no Canadá ofereceram um curso aos estudantes da instituição e o estenderam também para mais de 2000 pessoas, as quais puderam cursá-lo gratuitamente pela internet.

A partir de 2012 novos investimentos associados a universidades bem conceituadas surgiram e hoje podemos assistir aulas de universidades americanas como Harvard ou Princeton gratuitamente pela internet em sites como edX, Coursera e Udacity.

No Brasil identificamos iniciativas como a plataforma Veduca, a qual disponibiliza uma série de cursos e ferramentas em parceria com diversas universidades (nacionais e internacionais). Outra opção é o site da Unesp, onde é possível encontrar diversos cursos online e uma infinidade de e-books gratuitos. A USP também tem iniciativas na mesma perspectiva.

Os MOOC normalmente não exigem pré-requisitos e não oferecem certificados de participação, mas requerem dedicação pois o ritmo das atividades é intenso. No entanto, a possibilidade de personalização do horário dedicado aos estudos se caracteriza como uma boa opção para quem se encaixa no perfil.

Com base nesses princípios, uma série de ações similares passaram a ser desenvolvidas. Exemplo disso é o canal do EduTecnologia no YouTube (youtube.com/channel/UCuiL4MuWjZpVXXH9Wdx5xWg), uma iniciativa da rede municipal de ensino que visa promover a formação do professor para o uso das tecnologias por meio de vídeos educacionais, ampliando dessa forma o alcance do processo formativo.

De acordo com a Secretaria Municipal da Educação, o projeto EduTecnologia tem por objetivo auxiliar o profissional na utilização de diversas tecnologias que podem facilitar o seu dia a dia – seja no trabalho, no lazer, no relacionamento familiar e social – refletindo também no seu trabalho em sala de aula.

Vivemos em tempo de conectividade, de mobilidade. Tempo de mudanças!

Que tal participar de um MOOC agora? Acesse e bons estudos.

*Escrito por Glaucia da Silva Brito e Fabrícia Cristina Gomes. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Fabrícia é doutoranda do Programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), professora e pedagoga da rede pública de ensino. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/03/15 2:55:16 PM
(Foto: Divulgação)

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Os recursos eletrônicos de comunicação têm um fascínio que supera de longe o encanto trazido pelo cinema e o telefone às gerações do início do século vinte. Sua arma, não tão secreta, é o imediatismo e a interatividade: qualquer criança opera celular ou tablet, às vezes melhor que um adulto. E são crianças e adolescentes os seus grandes consumidores, às vezes com certo exagero, dando mais atenção a redes sociais e amigos distantes do que a seus próprios familiares e próximos.

Vários pesquisadores afirmam que os meios tecnológicos não são neutros, num aparente paradoxo, afinal são apenas meios, intermédios, não poderiam ter atuação própria. Mas referem-se à facilidade e velocidade de acesso a infinitos conteúdos sem a indispensável reflexão e, isso sim, modifica o pensamento e a forma de pensar. Até mesmo professores de língua portuguesa relatam a diferença de linguagem e abordagens de tema quando escritos à mão ou em meio eletrônico.

São muitas as dessemelhanças de personalidade entre crianças com muito ou pouco acesso às mídias digitais; se tomarmos, por exemplo, a televisão, que tem sido avaliada em seu impacto educacional: o seu “discurso” específico parece fazê-las mais hábeis para a atuação multitarefas, comparativamente àquelas de gerações anteriores. Crianças acostumadas a várias horas televisivas diariamente têm demonstrado maior percepção das relações espaço-temporal, maior sensibilidade às relações entre o todo e as partes que o compõe, estão mais aptas para fazer provas tipo teste, apresentando também mais talento para representações, talvez auxiliadas pelo hábito de manipular seus “avatares” no ciberespaço, inserção rápida em outras culturas, trânsito mais frequente entre a realidade e o mundo virtual.

Porém, nada é perfeito, e a obesidade infantil tem sido associada à inatividade frente à TV ou preferência pelos jogos em computador, em relação aos que queimariam calorias ao vivo, e nas escolas estudantes parecem só entender mensagens mais curtas, não conseguindo manter a atenção em textos longos ou aprofundados, valorizando mais a presença virtual que a real.

Os considerados nativos digitais, “funcionam” de forma diferente de seus pais e professores, os estrangeiros digitais, educados sem tanto (ou até nenhum) recurso tecnológico, que podem até ter desenvolvido habilidades para usá-los com certo conforto, mas não tem a facilidade dos navegadores da interatividade desde a mais tenra infância. E não podemos negar que as novas mídias digitais trouxeram mudanças significativas nos relacionamentos, consumo e interações sociais, pois, de certa forma somos todos agentes da comunicação, geradores de conteúdos midiáticos, independente da geração a que pertençamos.

O que já foi privilégio de profissionais, divulgar suas opiniões, apreciações, julgamentos, está ao alcance de qualquer pessoa. Podemos fazer chegar ao mundo o que pensamos, porém o excesso de oferta compromete a demanda, são tantas as opiniões sobre tantos assuntos que o interesse resume-se a círculos de amigos e convertidos. As atenções gerais continuam concentradas nos profissionais e em geradores de escândalos.

A mídia tem sido apresentada em alguns casos como uma entidade que poderia criar ou destruir reputações e governos. Seria uma espécie de superestrutura independente, fechada em si. Tanto que, sempre que alguém é acusado de malfeitos, declara ser alvo de uma “conspiração da mídia”, geralmente sem especificar qual mídia e quais as perversas intenções que esta poderia ter para atacá-lo. A palavra vem do inglês media, derivada do latim medius, significando meio, intermédio; no caso, entre opiniões, fatos, notícias e o público, e inclui imprensa escrita, rádios, TVs, redes sociais (até mesmo os blogs “independentes e à margem do sistema”), e todos os recursos de comunicação. E os seus conteúdos é que podem agradar, ou desagradar, pessoas e instituições.

Sendo impossível que contente a todos, a mídia está em bombardeio constante, consequência também de uma inversão do modo de ver de McLuhan, autor que declarava que a “mensagem” de qualquer meio (ou tecnologia) é a mudança de escala, cadência ou padrão que ele introduz nas coisas humanas, parecendo haver hoje uma crença generalizada de que “a mensagem é que é o meio”; como se fatos relatados fossem criação de quem os relata e não de quem os produziu ou causou. Ressalvados os casos em que isso efetivamente ocorre, e que são em cada vez menor número, até pela grande diversidade de “mídias” concorrentes, que produzem um saudável controle sobre eventuais abusos umas das outras, num verdadeiro e democrático controle social.

Somos hoje geradores e consumidores de muita informação, no entanto, nem sempre a transformamos em conhecimento; temos consciência de que todo o processo educativo necessita ser ressignificado, com maior aproximação entre os conteúdos e as novas formas tecnológicas de apresentá-los, mas poucos vencem este desafio.

*Artigo escrito por Wanda Camargo, professora do UniBrasil e associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/03/15 5:53:10 PM
(Foto: Divulgação)

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Em oportunidade anterior, destaquei neste espaço a importância que a aprovação do Plano Nacional de Educação representou para o planejamento e a melhoria da educação em nosso país. O estabelecimento de metas claras, ainda que não seja por si só um remédio para todos os males, pelo menos estabelece parâmetros claros para nos cobrarmos, enquanto sociedade, sobre que tipo de educação queremos para nossos filhos e para nós mesmos.

No entanto, as deficiências históricas de nosso sistema educacional, aliadas às peculiaridades do capitalismo tupiniquim – que defende a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos – tornaram possível a expansão brutal de um nível de ensino para o qual o PNE guarda um constrangido silêncio. Refiro-me à pós-graduação latu sensu, conhecida também por especialização ou ainda, seguindo uma verve mercadológica, por MBAs, MFAs, GBAs e congêneres. Para se ter uma ideia da expansão desse nível de ensino, no sistema e-MEC constam nada menos que 1.358 cursos de especialização presenciais ativos em Curitiba, o que daria uma média de mais de 20 cursos para cada uma das 65 instituições de ensino superior daqui. Obviamente, nem todos esses cursos estão realmente funcionando: grande parte deles fica com matrículas abertas permanentemente, esperando “fechar turma” – ou seja, atingir o número mínimo de matriculados para tornar o curso viável.

Essa expansão foi possível por dois motivos: primeiro, porque as instituições de ensino (incluindo aí as públicas) viram nos cursos de especialização uma fonte adicional de recursos; segundo, pela relativa ausência de regulação por parte de MEC ou CAPES sobre esses cursos, que permitem às instituições abrir, reformular ou fechá-los livremente, tornando sua oferta mais flexível e menos fiscalizada que as graduações, mestrados ou doutorados. Emparedadas entre a graduação e o strictu sensu, as especializações oferecem às instituições e mantenedores uma fonte adicional de receita sem precisar prestar grandes contas à sociedade.

Se, de um lado, observa-se a expansão elástica da oferta das especializações e, de outro, o silêncio do Plano Nacional sobre o papel desses cursos no desenvolvimento de nossa educação, algo de contraditório se revela. Qual seria, afinal, o papel das especializações na melhoria da formação de cada um e no aumento dos níveis de escolaridade de nosso país? Por que, afinal, um volume expressivo de recursos de graduados e instituições é direcionado para cursos dessa natureza, se esse conjunto expressivo de oferta não é considerado no estabelecimento do nosso futuro educacional?

Abandonada a visão macroscópica sobre o fenômeno e olhando as especializações de perto – do ponto de vista de um ex-professor, como é o meu caso – o que se vê causa novas dúvidas. É óbvio que, no volume de oferta citado acima, a quantidade de recursos necessários para fazer a roda girar é enorme. E, quando me refiro a recursos, atenho-me ao principal, que é o docente. Como é logicamente impossível ter todos esses cursos funcionando ao mesmo tempo, as instituições apresentam via de regra um extenso portfólio que é executado por demanda (o “fechar turma” citado acima), tornando a docência nesse nível um trabalho temporário – ou bico, para sermos mais diretos. Sendo um bico, o professor pouco se envolve com a instituição, com o programa do curso ou com seus alunos, pois ele os verá por cinco ou seis encontros, não terá outra participação na formação dos mesmos além da transmissão de conteúdos e, uma vez encerrado o módulo, seguirá para outra instituição, para ministrar outro módulo ou disciplina.

Nem é preciso dizer que, nesse modelo, não há vínculo empregatício, planejamento docente ou qualquer outro vínculo entre o docente e o curso no qual participa. Existem obviamente exceções – elas sempre existem, mas a regra do “mercado” é que poucos são efetivamente professores de pós: na maior parte das vezes, o docente está temporariamente nessa função. Enquanto isso, o Estado, por meio dos instrumentos de planejamento e fiscalização que foram sendo construídos nos últimos anos, ignora a dimensão do fenômeno e seus possíveis benefícios e fragilidades.

Como resultado, vemos artistas e galãs propagandeando diariamente as virtudes do MBA X ou da pós-graduação Y. Os alunos, com suas motivações pessoais, procuram tais cursos e acreditam estar dando um passo a mais na sua formação profissional e intelectual. Não conheço evidências de que tal expansão tenha ajudado o sistema educacional brasileiro e a mão-de-obra nacional a alcançar ganhos de qualidade e produtividade, apesar de ainda ser um grande negócio para as instituições. Será que, no próximo PNE (em 2024), estaremos mais atentos a isso?

>>Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/03/15 10:45:54 AM
(Foto: NaLata)

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A educação no Brasil, sobretudo o ensino público, passa por uma crise de gestão. O país ocupa a penúltima posição em um ranking da educação mantido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 36 países, à frente somente do México. Os reflexos desta condição podem ser observados em professores desmotivados, alunos desqualificados para o mercado de trabalho e, em última instância, resultarão em um país igual ou pior economicamente e socialmente em relação ao padrão atual.

Muita gente se questiona: qual é o problema da educação em nosso país, uma vez que uma parcela considerável do PIB (Produto Interno Bruto) é revertida para o seu desenvolvimento? O investimento por aluno cresceu duas vezes e meia entre 2000 e 2011, passando de R$ 1.962 para R$ 4.916 (Agência Brasil), porém não sentimos, pelo menos por enquanto, o resultado efetivo na ponta, ou seja, mais pessoas qualificadas se formando no ensino médio. Outro aspecto que contribui para este quadro é a corrupção – talvez o maior problema, mas também pode ser citada a cultura incutida no sistema educacional do aluno desafiar o professor, que acaba respingando nos bons alunos.

Dentro deste contexto vamos incluir uma nova variável: a inclusão da pessoa com deficiência (PcD) em escolas regulares. Como podemos realizar este processo em instituições que em sua grande maioria sofrem com os problemas citados acima? E, mais do que isso, qual é o panorama da educação para a PcD?

Em Curitiba, por exemplo, cidade onde a educação é liderada por 49 instituições não governamentais, há uma fila de espera de aproximadamente 6 mil famílias, de acordo com levantamento feito pela ASID (Ação Social para a Igualde de Diferenças). Estas instituições surgem pela falta de vagas em escolas públicas e a impossibilidade financeira de milhares de famílias arcarem com a mensalidade de escolas privadas. No Brasil, estima-se a existência de 3.500 instituições filantrópicas de atendimento a pessoas com deficiência e uma fila de espera de dezenas de milhares de pessoas.

As instituições educacionais – sejam privadas, públicas ou sem fins lucrativos – regulares, inclusivas ou especializadas em alguma deficiência, necessitam, em sua essência, de uma gestão profissionalizada. Em meu trabalho na ASID Brasil, instituição que visa profissionalizar a gestão de instituições filantrópicas para a pessoa com deficiência, consigo visualizar os benefícios da boa gestão.

Uma gestão qualificada representa uma instituição que sabe onde está e aonde quer chegar, que oferece a melhor estrutura para seus alunos, que vigia e pune desvios de comportamento e corrupção, com um staff motivado e alunos, dentro de suas limitações, dispostos a assimilar o conhecimento. Apenas assim, com uma gestão qualificada, a educação em nosso país poderá se estruturar a ponto de atender toda a demanda, com qualidade.

>> Artigo escrito por Luiz Hamilton Ribas, formado em Ciências Econômicas pela UFPR, é diretor de Marketing e Administrativo e um dos fundadores da Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/03/15 3:51:36 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Informar não é comunicar (Editora Sulina, 2010), de autoria do sociólogo francês Domenique Wolton, faz um convite à reflexão sobre a comunicação na sociedade em que vivemos. Neste livro, Wolton afirma que o verdadeiro desafio deste século está em “repensar a comunicação no momento do triunfo da informação e das tecnologias que a acompanham”.

Para muita gente, é inviável pensar a comunicação sem a tecnologia, o que significa subordinar o progresso da comunicação humana e social ao progresso tecnológico. Segundo o autor, a tecnologia facilita, indiscutivelmente, a comunicação. Mas isso já não é suficiente. A velocidade e o volume da informação não são sinônimos de qualidade nem de pluralismo, bem como não bastam para que as pessoas possam se comunicar. Pelo contrário, isso torna a comunicação mais complexa, pois os sujeitos estão, cada vez mais, conectados e podem falar o que quiserem na hora que desejarem.

Administrar a diversidade entre os modos de ver o mundo torna a relação, a convivência e a tolerância algo mais difícil. Compartilhar pontos de vista é fácil – acompanhamos isso diariamente, especialmente nas mídias sociais com um alto número de postagens, onde cada um faz questão de tornar público seus posicionamentos, sejam políticos, sociais, culturais, religiosos etc., ‘doa a quem doer’ – o complexo é aprender a conviver com essas diferenças. Em sociedade, de acordo com Wolton, é preciso reunir não apenas aqueles que compartilham valores e interesses comuns, mas também os diferentes. A partir disso, o autor destaca que comunicação é convivência, laço social, relação e negociação. No entanto, acompanhamos uma inversão de sentidos, pois a informação passou a ser o que estabelece vínculos.

O sociólogo também alerta que os novos meios são decisivos para o isolamento das pessoas em mundos particulares, uma espécie de solidão interativa. Liberdade, mobilidade, flexibilidade, velocidade, interatividade, iniciativa, participação, inovação, juventude, confiança, emancipação e globalização são elementos de sedução e que resultam em ameaças à comunicação: o individualismo e o comunitarismo. O primeiro é a redução da comunicação à expressão e à interatividade, já o segundo é a marginalização da alteridade.

Neste ponto, o autor traz para a discussão o papel dos receptores, cada vez mais ativos, numerosos, heterogêneos, reticentes e que se fecham em guetos e em comunitarismos. Uma vez não sintonizados ou com posicionamentos discordantes das mensagens que os incomodam e, ao mesmo tempo desejando expor seus pontos de vista, os receptores acabam por provocar a incomunicação.

Por tudo isso, é essencial que os atores sociais envolvidos com o processo educativo construam um diálogo com os alunos que vá além da informação, buscando a comunicação humana e social. Em seu livro, Wolton afirma que professores e escolas sabem que as tecnologias abrem novas pistas para a pedagogia e para o ensino, mas também sabem que por mais interativa e sedutora que ela seja não possui a “eficácia da imperfeita e perturbadora comunicação humana”, sem a qual não há educação.

>>Patricia Goedert Melo é jornalista desde 2001 e mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. Há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/03/15 10:17:13 AM
(Foto: Arquivo/Gazeta do Povo)

(Foto: Arquivo/Gazeta do Povo)

A questão da formação docente está inserida num quadro de múltiplas variáveis. O Brasil, o governo e a sociedade vieram, ao longo dos anos, fazendo escolhas que resultaram na situação que nos encontramos hoje. A decorrência da má educação não é de responsabilidade somente dos políticos que elegemos. Temos parcela de responsabilidade nisso.

A educação desses tempos precisa atender as transformações velozes pelas quais passa a nossa cultura. Estamos vivendo uma revolução nas tecnologias, na comunicação, nos descobrimentos científicos, nas relações humanas, na produção de alimentos, nas mudanças climáticas. Muito do que conhecemos hoje terá de ser desaprendido, pois ficará obsoleto. Hoje, o conhecimento tem maior valor do que o produto em si. Um automóvel vale mais pela tecnologia (conhecimento) presente nele que pelo material usado para construí-lo.

Será que a aprendizagem que oferecemos aos nossos estudantes atende a esses desafios? É fácil perceber que aquilo que ensinamos e o modo como ensinamos não atendem mais as demandas dessa época. O desafio da Escola é ensinar o estudante a pensar e, para isso, os professores precisam ser bem formados; é um wwwer de casa que não estamos fazendo bem.

Sendo assim, o que uma formação docente wwweria conter para atender o chamado desse novo tempo? Sem a pretensão de propor a solução, mas trazendo um pouco de luz a essa discussão, destaco alguns saberes necessários à prática docente que merecem muita atenção, mas não são tratados nas formações. São saberes importantes porque favorecem a qualidade educacional mesmo que, muitas vezes, não se tenha as melhores condições para exercer o trabalho.

O docente precisa saber como as pessoas aprendem. Aprender não é repetir mecanicamente conteúdos, mas atribuir um significado pessoal, tomando o que aprendeu como ferramenta de pensamento, capaz de mobilizar essas aprendizagens na solução de problemas, na invenção, no aprimoramento, para viver melhor e fazer melhor a vida dos outros.

Como consequência de como as pessoas aprendem, inevitavelmente será necessário rever o modo como se ensina e como se avalia. O que os estudantes fazem não é o que eles são, mas o que os nossos métodos de ensino e avaliação determinam que façam. Para saber que professor eu sou, basta olhar para o que os estudantes estão fazendo.

Outro aspecto é saber qual a finalidade dos conteúdos Escolares. Os conteúdos não são bons por si mesmos, mas porque, por meio deles, problematizamos o nosso ser e estar no mundo, compreendemos melhor a nossa cultura, entendemos melhor o mundo em que vivemos.

Também é preciso considerar (parece óbvio, mas não acontece!) que o professor bem formado conhece os conteúdos específicos de sua área de formação e técnicas de ensino. Só podemos ensinar bem aquilo que conhecemos. Uma criança tem o direito de ser bem alfabetizada tanto na língua materna quanto em Matemática. Aprender com qualidade é um direito!

Por último, é importante dizer que a aprendizagem passa pela vontade do professor. Por mais cursos de que participemos, se a nossa atitude não for acolhedora, nada muda, porque nada se pode fazer.

Temos a responsabilidade prazerosa de fazer as nossas crianças olharem para o presente com perspectiva de ver um futuro de possibilidades e não de determinismo. Se há um segredo para a educação de qualidade, este é alunos aprendendo com professores bem formados.

>>Artigo escrito por Flavio Antonio Sandi. Matemático, mestre em Engenharia de Produção pela UFSC e diretor educacional da Rede de Colégios do Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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