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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/05/15 12:10:25 PM
(Ivonaldo Alexandre\ Gazeta do Povo)

(Foto: Ivonaldo Alexandre\ Gazeta do Povo)

Hoje vamos contar a história verídica de duas professoras de uma mesma escola pública na região de Curitiba. Vamos chamá-las de Professora Um e Professora Dois para que possamos garantir suas identidades, mas informamos que ambas autorizaram a publicação da história, portanto, acompanhe conosco essa jornada sobre o “polêmico” uso do Whatsapp entre professores e estudantes.

No dia primeiro de abril desse ano, uma postagem acerca de um curso para gerenciamento de grupos no Whatsapp foi amplamente comentada e curtida na rede social Facebook, você chegou a ver? Essa postagem caiu nas graças da Professora Um, a qual logo acessou para se inscrever no referido curso. Para sua tristeza, percebeu que era uma pegadinha do “dia da mentira”.  Passados alguns dias, estávamos na sala dos professores quando, compartilhando conosco essa experiência, ela demonstrou certa tristeza por não existir de fato o curso. Além disso, se sentia um pouco envergonhada por achar que precisava do mesmo, isso porque, segundo ela, não sabe como agir em grupos no Whatsapp  principalmente com os estudantes do Ensino Médio.

Nisso começamos a conversar sobre a experiência que uma de nossas colegas vem realizando na disciplina de espanhol, nesse caso a Professora Dois. No início do segundo semestre de 2014 ela disponibilizou seu número pessoal de telefone e criou um grupo para uma de suas turmas, por meio do qual fazia postagens de charges, tiras, vídeos, capas de revistas, pequenos trechos de textos e outros tudo no idioma espanhol. Esses eram discutidos no próprio aplicativo e também em sala de aula. Além disso, ela tomou a decisão de que a prova oral fosse realizada via gravação de um áudio com a duração de até um minuto no aplicativo.  Todas as interações com os estudantes, via whatsapp, foram registrados em uma planilha.

Logo que paramos de contar esse trecho da história a Professora Um nos interrompe e nos faz vários questionamentos. Dentre eles transcrevemos alguns para compartilhar com vocês, que agora nos lêem:

Puxa parece ser tão interessante isso que ela fez, onde ela aprendeu? Como eu devo lidar com as postagens? Como responder? Dar o meu próprio número de telefone ou comprar um chip específico para esse uso com os estudantes? Que horas vou gerenciar essas atividades, em casa, na hora atividade? A escola irá aceitar discussões, orientações ou mesmo avaliações feitas por meio dele? Será que não estarei arrumando mais uma tarefa para mim mesma?”

De fato, não temos um curso para gerenciamento de grupos no Whatsapp, e não há vergonha alguma no fato de a Professora Um desejar a existência desse curso, no entanto muitas das respostas que ela e a escola vem buscando acerca de tudo o que advém da cibercultura, não encontrará em cursos, mas sim nas discussões entre pares e na própria escola. Todos nós professores e professoras estamos cheios de questionamentos como a Professora Um, então o que fazer com eles?

Nossa experiência, tem nos mostrado que cada vez mais cada escola e sua comunidade, como espaço de experiências com tecnologias e com os saberes, necessita discutir acerca dessas questões entre pares, com os estudantes, com os familiares, com vistas a buscar alternativas que sejam consonantes a cada cultura de escola. Como tem se dado esse processo de discussão em sua escola? Como vocês tem respondido às questões da Professora Um? Entre em contato conosco para nos contar!

*Escrito por Glaucia da Silva Brito e Michele Simoniam. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Michele é pedagoga, professora de educação básica técnica e tecnológica do IFPR, mestre em Educação e doutoranda em Educação pela UFPR.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/05/15 11:13:28 AM
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

(Foto:Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

O uso das Tecnologias Educacionais (TE) como forma de aprimorar o trabalho em sala de aula, tanto para professores como para alunos, é inquestionável e o avanço tecnológico é uma realidade que não pode ser esquecida ou desconsiderada dentro do processo educacional.

No ensino médio (EM) convivemos com uma dicotomia: para quem preparamos os nossos alunos? Para o ensino superior, ou para o mercado de trabalho? Aliada a esta questão, dados do IBGE mostram que a evasão no ensino médio é de 50%, ou seja, apenas metade dos estudantes que ingressam no último ciclo de formação da educação básica o conclui. E é neste cenário de desafios, e na busca por soluções que tragam respostas aos alunos, que as TE nos ajudam a encontrar caminhos para dar melhor significado ao EM.

Entendemos que as escolas precisam introduzir em todos os seus membros uma visão crítica em relação a qualquer fonte de conhecimento e, conjuntamente, pensar no atual modelo de Ensino Médio, sobretudo no sistema Integrado com o ensino técnico profissionalizante, como uma necessidade nos dias atuais, uma vez que, de modo geral, a etapa do ensino médio não responde mais a demanda atual exigida pelo mercado.

Mais do que mudanças, faz-se necessário reformular o atual modelo e criar uma nova cultura sobre o currículo escolar, de forma transversal e linear. Pensar em um currículo por áreas do conhecimento e integrá-lo com a parte profissionalizante.

Para isso, é necessário considerar a forma como os partícipes do processo educacional, escola, professores, alunos e família, veem o uso criativo das TE para atender às exigências necessárias de formação acadêmica e do mercado de trabalho, resultando na melhor inserção e adaptação dos alunos no processo de aprendizagem e nas relações sociais.

Acredito que o uso das TE deve ter por base a humanização, a inovação, a sustentabilidade e o empreendedorismo, isso porque não podemos acreditar que somente ela mudará a realidade que temos hoje dentro das salas de aula. A tecnologia não substitui o professor, mas potencializa o seu trabalho e, neste sentido, um dos objetivos do Ensino Médio Integrado está em desenvolver um currículo simultâneo onde conhecimentos do ensino médio e técnico estejam integrados e comprometidos com as tecnologias atuais.

Para isso, é necessário entender a Tecnologia para a Educação a partir de uma visão sistemática de elaborar, implementar e avaliar a facilitação do processo de ensino-aprendizagem. Neste sentido, é importante destacar que não é a Educação que sofre um tratamento tecnológico, mas a tecnologia que sofre um tratamento educacional, bem como o foco ao utilizarmos a TE não é na tecnologia em si, mas na docência.

Não se trata de mecanização, mas de humanização, respeitando os diversos estilos de aprendizagem e, nesta concepção, o docente é o centro do processo de mudança e implementação do uso das TE dentro da sala de aula.

Desde 2011, utilizando a ferramenta tecnológica tablet, o TECPUC Integrado tem explorado o uso das TE utilizando aplicativos, objetos educacionais e, agora, a metodologia flipped learning, com os professores pesquisando e buscando em suas disciplinas processos de aprendizagem invertida. As experiências desenvolvidas em sala de aula são divididas em apresentações para todos os docentes onde a aprendizagem coletiva é o objetivo principal. Sucessos e fracassos são compartilhados e ajudam no andamento e no amadurecimento do projeto do uso das TE para a educação.

O trajeto percorrido ao longo destes anos com a utilização das TE mostra que as instituições de ensino não podem mais ter um currículo fechado e cansativo. É urgente e necessária a implantação de temas transversais que agrupem disciplinas contextualizadas e aplicadas ao uso das Tecnologias Educacionais para, assim, aprimorar as práticas pedagógicas do corpo docente ao mesmo tempo em que possibilitam um real significado para os alunos em relação aos conteúdos abordados dentro e fora da sala de aula.

*Artigo escrito por Élcio Miguel Prus. Bacharel e Mestre na área de Informática e coordenador geral do Ensino Médio Integrado do TECPUC, centro de educação profissional do Grupo Marista. A PUCPR integra o Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 15/05/15 3:40:44 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

A expansão do ensino superior nos últimos anos no Brasil é um fenômeno inegável. Seja no setor privado ou no público, o crescimento nas últimas duas décadas representa a transição de um modelo relativamente elitizado e de pouca cobertura para outro, no qual alunos de um perfil até então raro nas salas de aula passaram a frequentá-las em todo o Brasil. Essa expansão, ainda que não nos aproxime dos índices dos países vizinhos, é um inegável avanço do ponto de vista estrutural.

Essa pode ser considerada a parte boa da história. Quando abandonamos as estatísticas gerais do sistema e buscamos as causas e consequências das ações governamentais para o ensino superior, algumas distorções saltam aos olhos e acendem um sinal amarelo. A trapalhada mais gritante neste cenário talvez tenha sido as mudanças promovidas no FIES em 2010 e cujas recentes tentativas de ajuste geraram a condenação consensual da mídia. As mudanças no programa de financiamento estudantil revelam a velha vocação dos governos brasileiros (até os supostamente “comunistas”) em incentivar os lucros de determinados setores da economia e socializar os prejuízos que esse mesmo setor produz quando a torneira seca ou a maré muda.

As trapalhadas dificilmente acontecem por decisões isoladas. No caso do Fies, a combinação de três fatores produziu a distorção: primeiro, na concepção do programa, que prevê repasse de títulos públicos para as faculdades particulares, títulos esses que podem ser usados não apenas para pagar dívidas com impostos, mas que também são recomprados pelo governo periodicamente. Segundo e terceiro, nas decisões de diminuir a taxa de juros dos financiamentos para 3,4% ao ano e na elevação do teto de renda familiar dos beneficiados para 20 salários-mínimos.

Esse coquetel de bondades foi dado num cenário de inflação média de 6% ao ano e com o governo refinanciando sua dívida, via títulos públicos, a mais ou menos 12% ao ano. O resultado foi uma expansão brutal do número de contratos, gerados não necessariamente por novos alunos, mas também por matriculados que pagavam suas mensalidades sacrificando parte das finanças pessoais e que, de repente, poderiam financiar a perder de vista e com juros subsidiados o boleto de todo mês.

Ou seja, o governo estimulou um empréstimo a juro subsidiado e com alto risco de calote e não deu devida atenção às contrapartidas que alunos e instituições deveriam oferecer frente a uma dragagem de recursos públicos, e haja recursos: a dívida total dos quase dois milhões de contratos é estimada hoje em quase R$ 60 bilhões. Como comparação, o orçamento das três maiores universidades paulistas (USP, Unicamp e Unesp), que juntas são responsáveis por 40% da produção científica brasileira, tem juntas um orçamento de aproximadamente R$ 11 bilhões de reais/ano.

É claro que parte desse dinheiro voltará com o pagamento das parcelas por parte dos alunos, mas se não voltar o problema será de todo mundo, menos de um personagem: o dono da faculdade. Se o aluno não pagar ficará inadimplente, o governo aumentará o rombo e a sociedade precisará financiar esse rombo via impostos. Já o empresário e os acionistas dos grandes grupos educacionais não terão nada a ver com isso, pois foram remunerados à vista, eliminaram o risco e fizeram caixa. Essa mágica fez os gatos gordos do mercado tais como Kroton-Anhanguera, Estácio e Unip drenarem para seus cofres R$3 bilhões apenas no ano passado.

Ninguém nega a importância de estimular a expansão do ensino superior, pois nosso atraso é secular nessa área. Tampouco pode-se pensar que os investimentos do governo em educação devam ser baseados apenas em critérios econômicos, deixando de lado as questões técnicas, sociais e políticas da área. O problema começa quando os recursos e sua notória escassez são direcionados para a iniciativa privada sem critério, sem objetivo e sem contrapartida.

A gritaria vista na mídia nos últimos dias contra as restrições e ajustes realizados pelo ministro Janine Ribeiro talvez revele mais a insatisfação de um setor que, como poucos no mundo, cresceu a taxas chinesas e demonstrou, em grande medida, qualidade idem, do que propriamente o “fim de um sonho” por parte dos jovens. Do ponto de vista de política social, o FIES mostra ainda falhas persistentes, custa caro e dá um retorno muito pequeno à sociedade.

*Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/05/15 5:03:40 PM
(Foto: ASID)

(Foto: ASID)

A gestão jurídica de qualquer estabelecimento é assunto a ser levado com grande consideração em qualquer administração. Quando se trata do setor de educação, então, a gama de legislações e diretrizes é enorme e deve ser observada com cuidado.

Deve-se observar, em primeiro lugar, a Constituição Federal, que prevê em diversos capítulos a educação como direito social, em todos os níveis de ensino. Além disso, há, ainda, as Leis de Diretrizes e Bases da Educação, os estatutos estaduais e municipais, Estatuto da Criança e do Adolescente, o Plano de Desenvolvimento da Educação, entre vários outros. Na educação especial temos mais ordenamentos e necessidades, como por exemplo, a Lei 10845/2004, que institui o programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às pessoas com deficiência.

Regra geral, todas essas determinações visam garantir o direito básico de educação e desenvolvimento de todo cidadão, independente de suas características, sexo, raça ou classe social. Apesar de complexas, um bom entendimento de todas as leis que regem esse ramo permite uma maior adequação das instituições e facilitam sua existência.

Conhecer a fundo as regras tributárias, trabalhistas e educacionais pode trazer diversas oportunidades às instituições que buscam se adequar às exigências legais, além de impedir que imprevistos aconteçam. Por exemplo, caso não haja respeito a alguma (ou algumas) norma (s) trabalhista (s), o prejuízo em uma futura ação judicial proposta por ex-funcionário pode ser enorme, e, em alguns casos, levar até ao encerramento da instituição para pagamento de dívidas judiciais. Em outra situação, conhecer e respeitar as normas tributárias pode trazer algumas imunidades e isenções no pagamento de tributos, facilitando a vida econômica da instituição.

O gestor de educação escolar deve ter as normas jurídicas como o caminho para o exercício do seu trabalho, pois elas que estabelecem os parâmetros, dão os princípios e articulam as políticas públicas de educação. Elas são direito de todos e pretendem a melhoria da qualidade de ensino. Ter o conhecimento de toda a legislação e conseguir segui-la faz com que os direitos por ela garantidos possam ser exigidos, não apenas pela instituição, mas por todos os envolvidos na relação, desde os alunos, até os pais e funcionários.

*Artigo escrito por Mariana Simões Valles Pellegrini, que é advogada e colaboradora da Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 08/05/15 3:34:47 PM
(Foto: Mel Gabardo/ Gazeta do Povo)

(Foto: Mel Gabardo/ Gazeta do Povo)

Celebrar datas que relembram fatos ou situações vividas coletivamente une as pessoas em torno de conceitos e valores que são considerados como pilares para uma vida em sociedade. Desta forma, o questionamento “por que e como comemoramos o dia das mães” apresenta-se pertinente, pois a resposta indica como estamos educando nossas crianças para a vivência da função materna.

Encontramos diferentes representações de ser mulher e de ser mãe de acordo com os fatores ideológicos, culturais e econômicos de um determinado período histórico. Conhecer estas representações nos ajuda a compreender a maternidade hoje e os sentimentos decorrentes de vivê-la na contemporaneidade.

Em várias lendas e mitos nos deparamos com o conceito de que existe um grande organismo feminino regendo a vida na Terra. Representando esse conceito que regula todos os processos vitais do planeta podemos citar Gaia ou Mãe Terra, que, na mitologia grega, representa uma potencialidade geradora da vida de todos os seres. Reia, sua filha, mãe de todos deuses do Olimpo, é uma deusa relacionada à fertilidade. Na mitologia romana Reia era conhecida como Cibele, uma das manifestações da Deusa mãe. Porém quando o cristianismo passou a ser a religião oficial do império romano, o dia de Cibele passou a ser o dia de Maria, que até hoje é amada pelos católicos por ter sido escolhida por Deus para ser a Mãe de seu Filho, Jesus. Maria passa representar o modelo ideal de mãe e de mulher.

Sentimentos e representações históricas sobre maternidade se unem ao ideal veiculado pela mídia na contemporaneidade que, em filmes e reportagens idealizam uma supermãe, supermulher.

A mulher não nasce pronta para ser mãe. A passagem da mulher-filha para a mulher-mãe, exige uma redefinição de sua identidade pessoal. O amor entre mãe e filho é construído na relação entre eles não dependendo de laços de sangue, mas principalmente de fatores psíquicos despertados neste encontro. Jacques Lacan, psicanalista francês, define a função materna como a exercida por um adulto que seja capaz de promover os cuidados físicos e afetivos que o bebê necessita. É o olhar deste cuidador que vai fazê-lo perceber-se como um ser que existe.

Desta forma, respostas dadas às perguntas lançadas nas revistas semanais tais como “É possível ser mãe e trabalhar ao mesmo tempo” ou listas com “Dicas para organizar a rotina de mães que trabalham”, ou ainda, “ Jornada tripla sem stress” podem até dar pistas às mulheres contemporâneas, porém esvaziam-se à medida em que dissociam a demanda de afeto destinado a cada uma das atribuições vividas no dia a dia, gerando frustração com a pressão de ser boa esposa, boa mãe e boa profissional.

Em meio a tantas reflexões e dúvidas, a escola tem um papel fundamental de celebrar o dia das mães como uma oportunidade de discutir os conceitos construídos socialmente sobre o que é ser mãe, os sentimentos despertados pela maternidade e os aspectos que elegemos como sociedade para celebrar este dia. As mulheres precisam encontrar espaços para discussão destas e tantas outras questões para que se sintam valorizadas  no exercício da função materna, função que representa a primeira e mais importante relação do bebê, pois é a partir desta que sua vida psíquica será constituída.

*Artigo escrito por Antoniella Polinari Cavassin, psicopedagógica do Ensino Fundamental I do Colégio Marista Santa Maria, da Rede de Colégios do Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 07/05/15 5:52:04 PM
(Foto: Daniel Castellano)

(Foto: Daniel Castellano)

Quem trabalha com reportagem – e reportagem de “cidades”, como se diz no jargão – se depara volta e meia com um milagre: o da educação. Sei que esse não é um bom começo para um texto. Não se deve manipular, assim, de cara, as emoções do leitor. Não pelo menos do ponto de vista jornalístico, que recomenda o banimento dos bordões, dos apelos emocionais, dos clichês. E afirmar as maravilhas operadas pelo professorado é um dos cumes do lugar comum. Mesmo assim, permitam-me, “é um milagre”. O momento pede. Explico por quê.

Nas tais reportagens de “cidades” o repórter acaba pisando em lugares onde a negligência do Estado é flagrante. Quase ou nenhum asfalto. O ônibus que passa de hora em hora. Iluminação pior que luz de velas. Policiamento falho – e a periferia, muitos ignoram, sofre mais com a violência do que o Batel ou as Mercês, ao contrário do que dá a entender a grita das classes médias. Mas onde falta tudo, a escola está lá, com seus professores a postos, feita uma embaixada do poder público em terras distantes.

É certo que a escola não está sozinha no deserto dos arrabaldes. Chama atenção, igualmente, a ação dos conselheiros tutelares. À revelia de viverem às turras com as escolas, ou vice-versa, quem diria, são os conselheiros que entram nas casas mais modestas e se encaram os maiores dramas sociais. Ponha-se na lista os agentes de saúde, cuja contribuição silenciosa ainda pede justiça, o médico do postinho, o guarda municipal, o líder comunitário… Não se trata, é claro, de mundo perfeito habitado por figuras ideais. Mas diria que a chance de encontrar um cidadão heroico nos bairros distantes é de 5 em 10. Impossível que entre eles não haja pelo menos um professor.

Aquele que ensina – ensine bem ou mal, certo ou errado – tem uma percepção extraordinária de sua missão, ingrediente que ameniza umas tantas falhas. Some-se a essa espécie de consciência aguda do próprio lugar no mundo, o fato de que os mestres lidam com o conhecimento, e com o conhecimento repassado, de forma acessível. A cada dia, somam, agregam, aprendem porque estão falando daquilo que ensinam. Fazem sinapses, traduzem o complexo em pílulas de simplicidade, um barato. Tão estimulante quanto é a experiência de a cada jornada trocar impressões com outros que professam a mesma fé, que padecem das mesmas penúrias e incertezas.

Essa esteira de intercâmbios diários dá uma química toda especial às escolas – em especial as escolas que se encontram em zona de risco. Difícil que um professor não se veja imbuído de algum profetismo, desejo de entrega e grandeza diante das bombas armadas que lhe atiram ao colo todos os dias. É muito corriqueiro, por exemplo, que os educadores sejam ombros amigos dos desvalidos – a exemplo do que me contou, dia desses, a diretora Maria Cristina Andrade, da Escola Municipal Germano Paciornik, no Boqueirão. A instituição atende preferencialmente crianças que moram nas favelas às margens do Rio Belém. Mas os pais da piazada vivem lá, pedindo conselhos, chorando as pitangas. Os professores, claro, acolhem.

Digo todas essas coisas em alusão do disparate do “29 de abril”, o dia que ficou para a história. O massacre da Praça Nossa Senhora de Salete não sairá da memória, jamais, e essa é a certeza. Além da lista de impropérios que se pode apontar sobre o que aconteceu ali, o que mais pesa é o caráter simbólico de um ataque a professores. Os manifestantes eram profissionais que dividem seu saber com alunos da escola pública – não raro em lugares onde são, senão a única, a melhor representação do Estado. “Temos as mãos sujas de giz”, gritaram vários deles aos policiais, aos repórteres, lembrando o que não podemos esquecer. A sensação de que um espelho foi quebrado é flagrante. Sabe aquela piadinha de que o cara é tão ruim que bate na mãe na noite de Natal? Pois é – foi parecido.

Dentre as muitas perguntas que ficaram do episódio, uma se impõe. Os políticos sabem de onde vêm os votos. Em tese, senão pelo respeito a quem ensina, deveriam poupar os professores pelo peso que a categoria tem sobre a opinião pública. A influência dos educadores sobre o eleitorado da periferia, inclusive, chegou a deixar o Ministério Público em pé, tempos atrás. Não é mais assim?

Pelo visto, os cálculos que os institutos de pesquisa despejaram na mesa de deputados e do governador apontam que são em número maior os que defendem uma polícia autoritária, truculenta. Seriam mais numerosos do que pensamos os que não reconhecem o trabalho de um professor. Daí o pouco caso estatal, amparado pela conivência de uma massa acéfala, que vota pautada unicamente pelos desejos de consumo, pelo hedonismo e pelo individualismo. Será? Ou é isso ou a turma que comandou o massacre é muito curtinha das ideias do que poderíamos imaginar. Nem o pragmatismo político funciona mais. Fica a questão.

O que nos alivia é que o milagre vai continuar a acontecer, agora como o outro provado no fogo. Se você não viu ainda, pegue o ônibus, seu carro, e vá para o ponto mais distante do mapa da cidade. Lá vai encontrar uma escola, um professor. A cara de quem ensina é de canseira. Pois cansa. O prédio raramente é uma beleza de tirar selfie. Mas lá dentro sempre está um homem e uma mulher capaz de falar das razões que o levam todos os dias a se levantar da cama. É um crível encontrar alguém que sabe dizer porque está em pé e postos. Quanto aos tolos, a eles está reservado o esquecimento. Que continuem no faz-de-conta, sentindo-se heróis. Heróis de balas de borracha.

*José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/05/15 5:05:38 PM
(Imagem: Reprodução)

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Com o objetivo de divulgar e reconhecer as boas experiências das instituições de ensino que estão interessadas em transformar a educação, o Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe/PR) acaba de lançar o Prêmio Sinepe/PR de Práticas Inovadoras em Educação 2015. O Prêmio é inédito no estado. As instituições de ensino particular poderão participar com projetos cuja proposta contemple um dos três subtemas: Inovação em Sustentabilidade, Inovação em Inclusão Social ou Inovação Pedagógica.

As inscrições já estão abertas e seguem até o dia 24 de julho de 2015. Podem participar os projetos que foram iniciados a partir de janeiro de 2012 e que comprovem resultados até o ano de 2014, pelo menos. O projeto também precisa descrever um ciclo de implantação de, no mínimo, um ano letivo. Todos as informações sobre o prêmio estão disponíveis no endereço www.sinepepr.org.br, assim como a forma de participação.

O Prêmio também pensou em contemplar todos os níveis da Educação. Por isso, podem concorrer as instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio Regular e Ensino Técnico Profissionalizante, Educação Superior e Cursos Livres (escolas de idiomas, dança, música, de artes e academias). Em cada uma das categorias haverá a premiação para 1.º, 2.º e 3.º lugar, totalizando 12 premiações.

Para se ter uma ideia da amplitude desse Prêmio é só lembrar que hoje temos no Paraná 1.790 instituições privadas de ensino regular que atendem 690 mil alunos da Educação Infantil ao Ensino Superior. Se forem somados mais os números de academias, cursos livres e escolas de idiomas, teremos cerca de 2,5 mil instituições no Estado.

Sabemos que estão acontecendo muitas práticas de Inovação em Sustentabilidade, Inclusão Social e Pedagógica dentro das instituições paranaenses. E o que esse Prêmio propõe é divulgar essas boas e inovadoras práticas. Nós precisamos acreditar no trabalho da escola, do professor, e que a educação é o único caminho para uma nação se tornar verdadeiramente melhor.

No dia 13 de novembro deste ano serão anunciados os vencedores durante a cerimônia de premiação, que acontecerá no Espaço Torres. Anote a data na agenda!

*Artigo escrito por Esther Cristina Pereira, diretora da Escola Atuação e vice-diretora do Ensino Fundamental do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 30/04/15 4:51:42 PM
(Imagem: Reprodução)

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O atual governador do Estado elegeu-se baseado num discurso que previa um “choque de gestão” na máquina pública paranaense, a qual seria administrada por ele e seu secretariado como se fosse uma empresa privada. A frase “fechar as torneirinhas do desperdício”, acompanhada de gesticulação cuidadosamente ensaiada, foi uma constante na primeira campanha eleitoral e o resultado todos sabemos: dois mandatos conquistados sem muito esforço.

Uma ideia óbvia e muito cara a qualquer um que trabalhe com gestão é a da medição de resultados. O pressuposto básico é o seguinte: se não há uma medida clara para avaliar o sucesso ou o insucesso de determinada iniciativa ou política, não há como saber se os recursos, sempre escassos, estão sendo bem aplicados. Essa ideia, hoje disseminada nos setores público e privado, dão uma base sólida na avaliação de governos, programas e projetos.

Essas noções aliaram-se a outra, bastante forte e perigosa, que é a da deslegitimação da política. Embrenhado no discurso da gestão eficaz, há o pressuposto de que o setor público deve ser “técnico” e não “político”, ainda que as fronteiras entre um conceito e outro jamais sejam explicitadas formalmente pelos representantes eleitos. Uma gestão “técnica” da educação, dessa forma, deveria ser pautada na busca da eficiência e eficácia, na boa alocação dos recursos e na indicação de pessoas capacitadas para postos-chave. Os resultados do choque de gestão no Paraná são reconhecidos até pelos pobres pitbulls que, em algum momento do ano passado, ficaram sem ração nos canis da PM. Mas deixemos isso de lado e façamos uma análise “técnica” da gestão Beto Richa na educação.

Tudo aquilo que o governo estadual compromete-se a realizar fica registrado no PPA – Plano Plurianual. Lá estão explicitados os indicadores de desempenho para cada um dos programas que deveriam causar algum efeito na educação paranaense. São eles: Inova Educação, Educação para Todos e Excelência no Ensino Superior. Para cada um, há medidas e metas, as quais seriam alcançadas por meio da gestão modernizadora, técnica e apolítica do atual mandatário estadual.

Um dos programas, o Inova Educação, tem como objetivos a melhoria da qualidade da educação básica e a valorização do magistério. Neste programa estão elencados seis indicadores: Taxa de Aprovação, média de resultados na Prova Brasil e nota no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), cada qual desdobrado para o Ensino Médio e os anos finais do Ensino Fundamental. Os resultados são lamentáveis, a despeito dos aumentos de receita, do vasto apoio parlamentar e da conivência surda da intelligentsia local.

A taxa de aprovação aferida em 2010 e usada como base foi de 79,4% para o ensino médio e 82,4% nos anos finais, com a meta de chegar a 2015 com índices de 87% e 90%, respectivamente. Na apuração desses índices em 2014, o primeiro estava em 78,6% e o segundo em 83,2%, ou seja, menores ou praticamente estagnados em relação a 2010. Nos resultados da Prova Brasil constata-se que, a exemplo dos rabos da Cavalaria, o crescimento foi para baixo, pois no ensino médio estávamos com 4,76 de média e no fundamental com 4,95, e em 2014 regredimos para 4,19 e 4,88. Por fim, o Ideb do Ensino Médio era de 3,9 e ano passado estava em 3,4, enquanto que o Fundamental ficou nos mesmos 4,1 pontos de quatro anos atrás.

Antes que as assessorias de imprensa oficiais ou os blogueiros oficiosos apontem dedos de black blocs nesses números, é bom frisar: isto está em documentos produzidos e disponibilizados pelo próprio governo do Estado, no site da Secretaria de Planejamento.

Ou seja: a gestão modernizadora e limpinha, que prometeu fechar as torneiras do desperdício e trazer o melhor dos mundos para a educação paranaense, conseguiu o prodígio de piorar o que já era ruim. A percepção generalizada entre alunos, professores e diretores sobre a degradação do ambiente escolar e a falta de condições mínimas para o fornecimento de ensino de qualidade é comprovada com números contestáveis apenas por um laborioso exercício de fantasia e imaginação – o que não é raro por estas plagas, frise-se.

Talvez o indicador que o atual governo deixará gravado nas páginas da história seja outro: 28,5. Essa é a proporção de professores feridos (200) para cada detido (7) no massacre perpetrado pela Polícia Militar em frente à Assembleia Legislativa nos episódios de 29 de abril. Nas páginas futuras da história do Paraná, os números da gestão modernizante serão uma nota de rodapé quando comparados ao circo de horrores que se presencia na educação estadual.

*Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/04/15 3:23:47 PM
(Foto: Getty Images)

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Respostas diferentes, às vezes antagônicas, viriam de pais, educadores e alunos, se assim fossem questionados. Para alguns, Educação seria uma forma de qualificação profissional e consequente aumento de renda. Para outros, o ensino de valores e princípios éticos.

Considerando um conceito de educação ampliado, que aqui denominamos de Educação Integral Transformadora, pedimos que 39 educadores cocriassem essa definição, o que resultou no texto abaixo:

Educação

É um processo de desenvolvimento integral de todas as potencialidades do indivíduo. Requer atuação conjunta de todos os sujeitos envolvidos no ato de educar (pais, professores, comunidade etc.) e pressupõe um olhar sistêmico para o processo de aprendizagem, de maneira a propiciar a autotransformação do ser.

Para bem educar é necessário amar, ouvir, respeitar e acolher as diferenças. Juntamente ao comprometimento e responsabilidade por parte de quem educa e pelo educando. Esses aspectos permitirão que o educando possa superar suas dificuldades e a educação possa se constituir em uma ponte capaz de gerar a verdadeira liberdade.

A educação é também um processo cultural, é formar opinião, é desejo e vontade de aprender. Quando consegue gerar vínculos torna-se uma experiência capaz de nutrir. Quando, na condição de educadores, nos permitimos perceber e sentir a subjetividade que é inerente à educação e guiar os educandos pelo exemplo positivo de nosso ser e agir coerentes.

Integral

Dentro das especialidades, a Educação abrange o máximo possível as outras áreas. Envolve a diversidade, plenitude, ligações, conexões, inter-relação, consistência, totalidade, inteireza, completude, diversidade e flexibilidade, funcionamento orgânico e em rede com foco na vida. Requer presença real e significativa do educador. Contempla aspectos de ordem micro e macro dentro de um todo complexo.

Transformadora

Educação que é capaz de desabrochar o potencial da semente latente em cada educando, por meio de ciclos contínuos de transmutação, aspecto típico de seres que hospedam a Vida. É a educação que consegue produzir mudanças em atitudes, que não mudam a essência do ser, mas conseguem torná-lo melhor, alterar seu estado de consciência. Que constrói pontes que permitem o crescimento contínuo.

Educação que é libertadora, que consegue afetar o desabrochar do querer do educando para sua autotransformação. Que provoca a inquietude interna e externa do educando para o aprendizado. Que é capaz de trazer o educando junto ao processo de aprendizagem e inspira ao querer crescer e transformar-se.

*Este artigo foi cocriado por 39 educadores, no primeiro dia da pós-graduação em Educação Integral Transformadora da Associação Gente de Bem (www.gentedebem.org), realizada em parceria com a Embaixada da Finlândia (http://www.finlandia.org.br), país que têm um dos sistemas educacionais mais admirados do mundo. A Associação Gente de Bem colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 23/04/15 10:37:10 AM
(Foto: Colégio Marista Santa Maria)

(Foto: Colégio Marista Santa Maria)

No Brasil, desde 1897, nós educadores Maristas sempre entendemos que a educação se faz pela e para a solidariedade. Trata-se de uma dimensão essencial da educação que só é alcançada quando transformamos a solidariedade em caminho e meta, pois não é possível aprender a solidariedade como um valor, “em tese”.

O Papa Francisco, que se tem colocado a serviço da humanidade, é exemplo de como a solidariedade ganha contornos mais reais. Recentemente, o Pontífice permitiu que um indigente fosse enterrado no cemitério do Vaticano. Da mesma forma, a própria Campanha da Fraternidade deste ano, tem como lema “Eu vim para servir”, aprofundando o diálogo entre a Igreja e a sociedade.

Tais medidas são imprescindíveis no contexto contemporâneo. É fato, há  uma urgência ética que não se restrinja ao cenário religioso.  Como sociedade, vivemos a necessidade de um “resgate do humano”. O próprio relatório da UNESCO para a Educação do século XXI aponta, no eixo “aprender a conviver”, o quão crucial é o cultivo da espiritualidade. Nesse caso, uma renovação da sensibilidade através do conhecimento do outro, de sua história e de seus costumes. Temos que fugir do cinismo e da resignação e reconhecer a crescente interdependência existencial e prática das nossas vidas pessoais e coletivas.

Resgatar o que sentimos, clarear o que percebemos e agir a partir dessas percepções é o que movimenta o nosso jeito de fazer educação. E tem dado resultado. Observamos nossos adolescentes batalhando por espaços e por alternativas nas quais sejam reconhecidos como articuladores, sujeitos de processos que gerem mais vida para si e para seus interlocutores. É o chamado protagonismo juvenil.

Para destacar um movimento consistente dessas lideranças, a Missão Solidária Marista (MSM), ação que ocorre há anos, envolve os jovens dos Centros Sociais e dos Colégios do Grupo Marista e tem incidência simultânea em várias realidades socialmente vulneráveis. A proposta de atuação tem três ênfases: gesto concreto, oficinas socioeducativas e visitas domiciliares.

As visitas domiciliares permitem uma análise acurada da vida concreta da comunidade escolhida para o projeto. Os jovens missionários são chamados a ver, ouvir e perceber todos os aspectos de famílias que convivem com os limites daquele grupo social. As oficinas socioeducativas canalizam a vertente mais educacional com os adolescentes e crianças. E por fim, o gesto concreto, escolhido pela comunidade que recebe os missionários, é o que mais empolga os jovens, pois propicia a melhoria concreta de espaços comunitários.

São ações como essas que nos inspiram a perseguir, como sociedade, o almejado resgate humano, aprendendo a conviver e a desenvolver o conhecimento sobre o outro e contribuindo, dessa forma, para a transformação das realidades que geram violência, dor e exclusão.

*Artigo escrito por Ascânio João (Chico) Sedrez, diretor geral do Colégio Marista Arquidiocesano, da rede de colégios do Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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