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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/07/16 4:57:35 PM
(Foto: Divulgação)

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A maior parte de nós tem necessidade de participar de grupos, desportivos, sociais, profissionais, de estudo; e atualmente as redes sociais tem exercido papel de relevo na inserção em coletividades específicas no ambiente virtual.

Mas é preciso lembrar que Pierre Lévy, filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação, professor de Hipermídia da Universidade de Paris, define “virtual” como o que não se opõe ao real ou material, para ele “ainda que não esteja fixo em nenhuma coordenada de tempo e espaço, o virtual existe, ele é real, mas está desterritorializado”, ou seja, ocupa um espaço físico, o computador, ferramenta de produção de textos, sons e imagens, constituindo-se, portanto, num “operador da virtualização”.

Este mesmo pesquisador declara que embora nenhum ser humano saiba tudo, a humanidade possui todo o saber, todos sabem alguma coisa, e é dentro desta perspectiva que muitos professores têm utilizado as redes sociais, e especificamente o Facebook, como ferramenta de ensino-aprendizagem, que permite criar novos espaços e comunicação independente de distância ou tempo de encontros presenciais. Entretanto, embora saibam que redes assumem aspectos positivos como estes, criando laços emocionais entre indivíduos distantes e aumentando sua tolerância, elas também podem facilitar comportamentos violentos ou pelo menos agressivos, que ferem abertamente as regras da etiqueta que procura disciplinar atitudes e linguagens dentro do ambiente virtual; e assim estruturam o uso de acordo com os interesses de suas respectivas disciplinas, sincronizado com o desejo de compartilhamento e comunicação colaborativa que tanto atraem os jovens.

Utilizado desde 2004 na Universidade Harvard, o Facebook tornou-se uma das redes mais populares a partir de 2006 nos meios corporativos e individuais, e pode representar um apoio significativo para o ensino presencial, exatamente por expandir a sala de aula, não apenas no aspecto material, pois o próprio quarto do estudante passa a ser um prolongamento dela; pode ser levada no bolso com o celular, é portátil no tablet, é apreciada como forma de interação com amigos e de grande familiaridade em suas potencialidades, o que facilita a participação.

Outra vantagem do Facebook é ser muito menos rígido que outras tecnologias básicas de aprendizagem; o tempo gasto para domínio de uma plataforma que o aluno usará exclusivamente no estudo termina por desmotivar o estudo em si, ou seja, aprender como estudar e só depois estudar parece excessivo para a geração do “tudo ao mesmo tempo aqui e agora”.

E é exatamente na aprendizagem colaborativa que o Facebook tem sua maior potencialidade pedagógica: ao interagir sobre um determinado tema, opinando, criticando, citando outras fontes, complementando informações mútuas, o sentimento de pertencimento é fortalecido de forma positiva, e a construção do conhecimento se efetiva por meio de uma abordagem inovadora da simples leitura de texto seguida de debate.

Ao lado destas qualidades, surge a necessidade premente de discussões acerca de novas relações trabalhistas, pois o docente é demandado pelos estudantes inclusive nos fins de semana: adictos ao Face, enviam perguntas, fazem comentários, exigem intermediações contínuas. Parece muitas vezes impossível a eles que o professor não possa estar eternamente disponível. Metodologicamente também é indispensável estudarmos um pouco melhor este espaço complementar de aprendizagem, como melhorar as condições de interação entre docentes e discentes sem comprometer fundamentações teóricas importantes apenas no seu aspecto lúdico. Compreender exatamente onde termina a simples brincadeira – importante e facilitadora da aprendizagem – e começa o verdadeiro conhecimento sobre o tema abordado é fundamental para um professor, a ferramenta não pode substituir o objetivo a ser alcançado com ela.

Outro tópico a ser aprofundado diz respeito às aprendizagens com o suporte da internet, baseadas na comunicação em rede, pois implicam em processos participativos, estabelecendo novas relações em termos de propriedade intelectual, pelo mútuo envolvimento, pelo compartilhamento do conhecimento e, eventualmente, gerando construção conjunta de protótipos ou produtos.

É um modelo de atividade que extrapola o individual, denota experiência e estruturação de representações, reflexões, e que amplia as capacidades cognitivas de cada participante, mas que ainda desafia seus usuários.

* Artigo escrito por Wanda Camargo, professora do UniBrasil Centro universitário e associada do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/07/16 4:52:24 PM
(Imagem: Divulgação)

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A imprensa fiscaliza o governo. A imprensa fiscaliza os juízes. A imprensa fiscaliza os artistas. A imprensa fiscaliza os empresários. A imprensa fiscaliza os políticos. A imprensa fiscaliza os jogadores de futebol. A imprensa fiscaliza os guardas de trânsito. A imprensa fiscaliza os padres e os bispos. A imprensa fiscaliza os funcionários públicos. A imprensa fiscaliza o cinema e o teatro. A imprensa fiscaliza os professores… A imprensa só não fiscaliza a imprensa. Quem fiscaliza a imprensa?” Este texto, publicado no site do Instituto Gutenberg (igutenberg.net/apresent.html), representa muito bem a discussão a respeito do accountability midiático, de fundamental importância quando nos vemos diante de uma profunda crise política que tem a mídia como um de seus protagonistas.

O termo accountability, frequentemente traduzido para o português como responsabilização ou prestação de contas, faz referência à obrigação de órgãos administrativos ou representativos de prestar contas sobre o cumprimento de suas obrigações a entidades controladoras ou ao público. O princípio da accountability está profundamente relacionado com a democracia moderna, uma vez que se refere a mecanismos que visam e possibilitam a responsabilização dos representantes políticos pelos seus atos. A accountability prevê a cobrança, interpelação ou questionamento público por parte de atores sociais que identifiquem nas instituições políticas ou nas organizações empresariais comportamentos inadequados às expectativas geradas pelas suas reconhecidas normas e funções. A mídia, principalmente através do jornalismo, é um desses mecanismos, pois, em sua função de “cão de guarda” realiza o monitoramento das autoridades. Todavia, a mídia pode ser alçada de promotor de accountability para objeto accountable, ou seja, se torna sujeito de um accountability midiático.

O professor francês Claude-Jean Bertrand chama os sistemas de responsabilização da mídia de Media Accountability Sistems (MAS). São mecanismos cooperativos, internos ou externos às instituições de comunicação, que visam arbitrar a atividade profissional do jornalismo através da prestação de contas do conteúdo. Estes mecanismos se direcionam para a medição da parcialidade e da utilidade pública das instituições de comunicação, através da participação da sociedade civil, visando a melhoria dos conteúdos midiáticos. Possuem um propósito triplo: ajudar os jornalistas a servirem o público, ajudá-los a formar e legitimar a profissão e ajudá-los a recuperar a confiança do público, dando-lhes suporte para resistir às pressões políticas e econômicas.     Os MAS são diversos – Códigos de Ética, cartas ao editor, a figura do ombudsman, conselhos de imprensa, agências regulatórias, observatórios de imprensa, ferramentas de crítica de mídia, a formação profissional e a alfabetização midiática – mas se agrupam na mesma nomenclatura por possuírem o mesmo objetivo: a melhoria dos serviços midiáticos, através da avaliação e monitoramento da mídia, e a formação e educação do público para o consumo midiático.

A crítica de mídia e a alfabetização midiática são assuntos que urgem uma discussão acadêmica. As escolas e as universidades precisam discutir a formação dos profissionais de mídia, o papel da mídia como formador social, e, principalmente, precisam promover a alfabetização midiática da população. A alfabetização, comumente tratada como capacidade de ler e escrever, precisa ser extendida à leitura de diferentes tipos de mídia, habilidade fundamental para cidadãos que adquirem a maior parte de suas informações através do sistema midiático e tecnológico. Jovens e adultos midiaticamente alfabetizados são capazes de estabelecer novas relações com os meios de comunicação, que os permitem não somente compreender melhor suas mensagens, mas também sua estrutura e suas formas de controle.

A fim de promover essas tão importantes discussões, o Encontro de Pesquisa em Comunicação – Enpecom – promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná, em sua oitava edição, traz a Curitiba, entre os dias 28 de setembro e 01 de outubro, os professores José Luis Braga (Unisinos), Rogério Christofoletti (UFSC) e Sylvia Moretzsohn (UFF), três importantes especialistas no tema. Braga é autor do livro “A Sociedade enfrenta sua mídia” e um dos mais respeitados quando o tema é Crítica de Mídia; Christofoletti é um dos líderes do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e Moretzsohn concentra-se nas relações entre a ética e as transformações do jornalismo no contexto da internet. O congresso recebe artigos científicos até 05 de agosto, mas toda a comunidade pode participar das discussões e oficinas como ouvinte. Interessados no tema podem se inscrever no site do evento. (www.enpecom.ufpr.br/inscricao)

*Artigo escrito por Carla Rizzoto, Doutora em Comunicação, Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPR e Coordenadora do ENPECOM. A profissional é colaboradora voluntária do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/07/16 9:49:21 AM
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A formação inicial é apenas o primeiro degrau de qualquer profissional, e com o professor não é diferente. O que aprendemos há alguns anos, acaba por se tornar obsoleto. No contexto de uma sociedade do conhecimento, a educação exige uma abordagem em que a tecnologia não pode ser desconsiderada.

O uso de ferramentas tecnológicas tem sido cada vez mais comum em nossa vida. Lidamos com diversos instrumentos em tarefas do cotidiano e para a superação de necessidades. Assim, o professor também deve buscar novas formas de aprender e ensinar. Para tal, é preciso que considere sua formação contínua no desenvolvimento de habilidades e competências para lidar com as tecnologias, atentando-se para seus objetivos pedagógicos e curriculares.

Manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino, tecnologias como ferramentas de aprendizagem e práticas pedagógicas mais eficientes são algumas sugestões para a formação do professor, que também deve considerar seu crescimento pessoal, ou seja, ajudá-lo a perceber-se como agente de seu próprio desenvolvimento, e a escola como lugar de crescimento profissional permanente.

O uso das novas tecnologias de forma integrada ao projeto pedagógico é uma maneira de se aproximar da atual geração de estudantes. As tecnologias digitais já fazem parte do cotidiano dos alunos e cabe à escola utilizá-la como meio para intencionar a aprendizagem. Há várias formas de utilizar a tecnologia na sala de aula, ou fora dela, como ferramenta de aprendizagem, mas é necessário que o professor compreenda em quais situações ela efetivamente ajuda; a tecnologia não é um fim em si mesma.

Com a internet, os alunos conseguem ter acesso a muito mais informação que antigamente. O lugar do professor muda, assim, para uma nova configuração, em que ele problematiza e aproxima seus estudantes dos saberes científicos e das relações da natureza humana.  Para tal, precisa desafiar, instigar, dialogar, prover condições favoráveis à interatividade, induzir os estudantes à investigação e elaboração próprias, os desafiando a propor soluções para os problemas apresentados.

O uso de novas tecnologias da comunicação em sala de aula apresenta-se aos professores como uma grande possibilidade de ganho no processo de ensino-aprendizagem, mas está a exigir-lhes uma mudança de estratégia pedagógica, forçando-os a uma reflexão permanente e um debate constante acerca de certos paradigmas da aprendizagem; uma disponibilidade maior para elaboração de situações inteligentes; a criação de novos formatos de avaliação, com integração que se inicie nos projetos interdisciplinares e culmine em ações conjuntas; uma comunicação constante entre os docentes sobre a rotina da turma.

Os novos tempos em educação exigirão novos professores, preparados para novas ideias e para criação de conhecimento, de forma a serem transformadores. Com o apoio das TIC em suas aulas, a possibilidade de traçar metas e atingir marcos educacionais torna-se cada vez mais realista. Mudar o paradigma de aula tradicional a que os professores estão acostumados não parece tarefa fácil, mas necessária e gratificante.

*Artigo escrito por Andréa Studart Correa Galvão, diretora educacional do Colégio Marista de Brasília. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 18/07/16 2:15:46 PM
(Imagem: Acervo SESI)

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Nos últimos meses o número do desemprego no Brasil cresceu de forma alarmante. Se há cerca de dois anos era difícil encontrar trabalhadores para todas as vagas disponíveis, hoje profissionais capacitados reconsideram suas colocações para garantir um emprego num mercado em crise. Diante deste cenário, mais do que nunca, concluir a educação básica tornou-se fundamental – segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a taxa de desemprego entre as pessoas que não concluíram o ensino médio é quase o dobro da taxa entre pessoas que terminaram esse nível de ensino (segundo dados de 2014, essa diferença varia de 7,7% para 12,8%).

De um outro lado, as instituições de ensino se abrem para alcançar um público cada vez maior, focando em um nicho que necessita de instrução, no entanto não tem tempo para investir. Nesse contexto, a educação à distância (EAD) tem se mostrado a solução ideal, permitindo que muitos jovens e adultos concluam o ensino fundamental e o ensino médio de forma rápida, eficiente e com o reconhecimento técnico necessário para se manterem ou entrarem no mercado de trabalho.

Entre as principais vantagens do modelo EAD está a flexibilidade de horários. Com o conteúdo disponibilizado via internet, o aluno escolhe o momento do dia em que a aprendizagem será inserida em sua rotina – 20% das aulas são presenciais, o que equivale a 4 horas por semana. A EAD pode ter ganhos ainda maiores quando as disciplinas forem ministradas uma a uma pois, desta forma, é comprovado maior rendimento pedagógico e imersão no conteúdo.

Ao contrário do que se possa pensar, optar pela modalidade EAD exige tanto empenho do aluno quanto qualquer outra modalidade. Portanto, disciplina e comprometimento são fundamentais para a aprendizagem e para o avanço nos estudos em menor tempo – no caso dos cursos de EJA oferecidos pelo Sesi no Paraná, se o cronograma de estudos for seguido, o estudante termina o Ensino Médio em um ano e meio e o Ensino Fundamental em dois anos.

Além de tudo isso, a Educação de Jovens e Adultos à distância possui um caráter social imensurável por contribuir com a melhora da autoimagem das pessoas, dando subsídios para que se tornem cidadãs mais críticas. Muitas pessoas que se diziam constrangidas ou até mesmo temerosas em retornar à sala de aula, hoje testemunham que têm confiança para continuar os estudos depois que retomaram o aprendizado via internet.

Assim, a Educação à Distância, com uso da tecnologia, tem proporcionado às pessoas mais acesso aos estudos e maiores chances de conseguirem uma vaga de trabalho. De quebra, as empresas tem à disposição colaboradores mais instruídos que viram parceiros, capazes de trazer progresso com melhor desenvolvimento de suas operações.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/07/16 9:39:18 AM
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Que as redes sociais ganharam volumosos espaços na vida dos usuários não é novidade. O que se iniciou como forma alternativa de comunicação, virou diversão nas horas livres e uma eficiente forma de manter contato com pessoas que estão perto e longe. Assim, a viralização do uso de smartphones trouxe como consequência valorização sem precedentes da imagem tecnológica, que se tornou tão importante para a comunicação quanto a escrita.

Antigamente, para que a comunicação fosse efetiva, era necessário o encontro de pessoas, pelas quais os cinco sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato) eram usados nas relações humanas. A Internet tomou conta de toda globalização mundial e o grande tabu da atualidade é retirar as pessoas da própria casa e encontrar, dialogar ou até mesmo discutir os problemas pessoalmente com o destinatário final. A praticidade nos torna mais frios e insensíveis; por vezes, o que é escrito nos comunicadores instantâneos e nas redes sociais não seria dito pessoalmente, fato que nos leva aos ressentimentos, à tristeza e ao conflito.

Essa não é uma ode contra a tecnologia, muito pelo contrário. Ela pode e deve ser usada, mas com a racionalidade de distinguir que, em determinados momentos, nada substitui o contato pessoal. De acordo com os princípios filosóficos de Rousseau, o homem só pode ser bom numa sociedade racional. E a mesma racionalidade se aplica ao processo educacional: é válido e importante que as instituições de ensino utilizem plataformas virtuais, mas o contato com o professor e a socialização que existe dentro do ambiente escolar não pode ser substituída por nenhuma tecnologia.

A educação da criança e do adolescente não é apenas um processo institucional e instrucional. É o mais valioso investimento formativo do ser humano, seja na particularidade da relação pedagógica pessoal, seja no âmbito da relação social coletiva. Por isso, a interação docente presencial é considerada como a mediação universal de transferência de experiências e insubstituível na formação discente, sendo necessária e fundamental a interação da família no processo de aprendizagem.

Acreditamos que a proposta possível de educação moderna é aquela que permite, verdadeiramente, a integração cultural e social entre os envolvidos, utilizando a tecnologia em conjunto com a valorização, respeito e contato pessoal. Para os curiosos de plantão, Sawabona é um cumprimento utilizado no sul da África que significa: “eu te respeito e valorizo, portanto você é importante para mim. Em resposta, o destinatário do cumprimento responde Shikoba, que é: “então eu existo para você.”

#ficaadica

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/07/16 4:29:27 PM
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“É só um jogo, embora eu entenda como você se sente”. Foi com essas palavras que Mathis, um garotinho português consolou um torcedor francês que chorava após a derrota da França para Portugal na final do Campeonato Europeu, em Paris, no último dia 10/07. A cena foi gravada e o vídeo tornou-se viral.

http://www.bbc.com/portuguese/geral-36764032

Em entrevista a um canal francês, Mathis disse que entende que as pessoas chorem por uma derrota e que apenas tentou consolar um pouco o francês com um abraço e algumas palavras, dizendo que o segundo lugar não é tão ruim assim.

Procurar entender como o outro se sente, tentar colocar-se no lugar do outro, buscar compreender uma situação sob outra perspectiva que não seja apenas a sua, abre portas para o entendimento, o diálogo, a conversa, o encontro em direção ao outro, a paz. Aprende-se sobre solidariedade, respeito. Reduz-se os níveis de agressividade, preconceito, intolerância, ignorância. Constróem-se pontes, refazem-se e solidificam-se relacionamentos.

Isso chama-se empatia! A palavra tem origem grega Empátheia (sentimento, padecimento), mas com o tempo tomou outro significado como a participação e o envolvimento de um indivíduo nos sentimentos e ideias de outro, compreensão profunda da situação de outra pessoa, identificação com o outro sujeito e suas emoções. Enquanto a simpatia é algo subjetivo, espontâneo, a empatia é objetiva, reflexiva. É uma escolha. Quem sofre com o outro e é capaz de compreender e mergulhar na situação e no contexto que esse alguém está vivendo, está tendo empatia por essa pessoa, não está sendo simpático.

Há simpatia no mundo, mas falta muita empatia! Se assim fosse, o vídeo em questão talvez não tivesse se tornado viral, porque já seria uma situação comum.

E empatia é algo tão importante que já existe em Londres o primeiro Museu da Empatia do mundo, baseado nas ideias do pensador cultural Roman Krznari. O objetivo é fazer uma espécie de revolução nas relações humanas a partir da empatia, fazendo com que as pessoas percebam o que é andar com o sapato dos outros ou enxergar através do olhar de outras pessoas. Para saber mais e experimentar em sua rotina um mundo menos individualista, veja: https://www.youtube.com/watch?v=2Ga1LnQ0U8s

“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele” (Carl Rogers)

*Cristiane Parente de Sá Barreto é Jornalista, Educomunicadora, Sócia-Fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), Doutoranda em Comunicação e Pesquisadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade – CECS da Universidade do Minho, Bolsista da CAPES, Mestre em Educação pela UnB e em Mídia e Educação pela Universidad Autónoma de Barcelona. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 11/07/16 10:18:41 AM
(Foto: Acervo)

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O movimento “maker” se tornou parte das discussões no mundo profissional e também educacional. Um termo “cool” e bonito, em inglês, que significa talvez feitura, ser um fazedor, ou capacidade de fazer por conta própria o que vier a cabeça. Tudo muito bacana e sem dúvida é um movimento que já está revolucionando a maneira como as organizações serão pensadas e geridas. É também o papel dos novos educadores e pais como estimuladores de crianças que nasceram na era digital e agora também serão “makers”. As novas tecnologias substituirão seres humanos em várias áreas e expertises. É inevitável, como sempre aconteceu na história. Mas daqui por diante acontecerá de forma exponencial. É preciso estarmos preparados e nos adaptarmos rapidamente. Mas as impressoras 3D, a nanotecnologia, as tecnologias de ponta, a inteligência artificial e outras tantas máquinas e computadores, são apenas o complemento para algo que o ser humano nasceu para fazer e o que nos torna únicos: a capacidade de criar. Somos exploradores por natureza, nascemos inventores e criativos, mas a medida que crescemos restringimos nossa capacidade de criação, pois somos estrangulados para pensar apenas de maneira linear o que nos impede de olhar ao nosso redor.

A partir daí, perdemos a habilidade de exploração para criar e fazer coisas novas. Partimos para o cômodo e confortável, de repetir o que nos foi imposto, ou simplesmente manter o óbvio. Deixamos de criar para apenas copiar ou repetir. E aí como uma bomba, jovens explodem na vida adulta e no trabalho, onde precisam criar e fazer diferente de maneira cada vez mais rápida e única. A vida, cheia de contradições, diferenças, vitórias e fracassos, os obriga a resgatar suas capacidades de exploração e de fazedores de coisas, para que possam viver e sobreviver.

Por isso, apesar de toda essa tecnologia e ferramentas a nossa disposição, é preciso entender que no final das contas, ainda, dependerá de nós seres humanos a arte da realização. Para os adultos e profissionais maduros, aconselho não apenas ficar de olho nesse movimento, como também se tornar parte dele de alguma maneira. Afinal, todo e qualquer profissional e organização devem ser capazes de se reinventar, mudar rapidamente e acima de tudo de realizar e fazer. Makers. Há meios de se resgatar habilidades e se adaptar, independente da idade e perfil. Porém gostaria de tratar esse assunto hoje com foco apenas nas novíssimas gerações, para sugerir uma nova forma de estimularmos essa capacidade de “criadores e fazedores de coisas” às crianças e jovens.

Quando construímos nossa casa já tínhamos nossas filhas, pequeninas ainda, e imaginamos uma casa que permitisse a exploração e a criação. Com restos de madeira construímos uma casa na árvore ao redor de um pinheiro onde as meninas e amigos brincam e fantasiam. Também fizemos um sótão não apenas como mais um cômodo para receber os amigos forasteiros que nos visitam, mas também um espaço para criar. Sim, criar. Desde que nos mudamos pra casa nova, o sótão se tornou o local onde a Giulia e Giovanna, os amiguinhos e nós criamos possibilidades livremente. Lá pode. Pode pintar, desenhar na parede, recortar, bagunçar (e arrumar minimamente depois, claro), explorar o lixo que não é lixo, colar, rasgar, conectar, construir, testar e experimentar, acima de tudo. Lá, não há TV, computador, Ipad, DVD, ou telefone. No máximo um som velho com CD. Pois há muito o que fazer.

O estímulo acontece como passe de mágica. Muitas possibilidades de criação. Um espaço onde o criar é de graça, o material é de graça e a imaginação é livre. Horas são gastas, quer dizer, investidas ali naquele espaço onde ideias, brinquedos, brincadeiras, teatros e jogos são construídos e representados. Com e a partir do simples. Só o essencial: um espaço livre na casa, muitas caixas de papelão, rolinhos de papel, isopor, elásticos, embalagens, caixas de ovos, plásticos, restos de tudo que sobra no dia a dia, uma caixa pra lixo, e o básico: cola, canetinhas, lápis de cor, giz de cera, arames, fios, fitas adesivas, carvão e que vier. E claro, tempo livre e imaginação. É preciso que tenhamos ambientes de confiança para a criação, para o erro, para a tentativa e para a novidade. Uma simples sala ou um cantinho no quarto, longe de estímulos prontos e onde a criança é desafiada a inventar moda e a experimentar já são suficientes para gerar confiança. Porém é preciso dar tempo a isso tudo. Da mesma forma que damos tempo, as vezes demasiado, para a tecnologia, tempo para a leitura, para o esporte, é preciso dar tempo ao brincar e à criação livre. Porém, também é preciso esforço de pais e educadores para que alimentem esse tempo. Tragam caixas, peçam sucatas para o vovô, recicláveis de casa, e novos desafios.

Crianças são movidas pela curiosidade e desafios. Verão quanta coisa será criada e quanta história contada. Muito movimento maker já saiu daquele nosso sótão de ideias e invenções. Robôs, máquinas do tempo, carros, óculos com raios laser, casinhas de Playmobil, castelo de fadas, tirolezas para miniaturas, camas de gato e até vulcões. Pais, educadores e escolas devem sim se adaptar para proporcionar às crianças e adolescentes ambientes que gerem confiança e estimulem seu poder criativo. Aliás é nosso dever que isso aconteça.

Penso que da mesma forma que a criança tem o direito constitucional a educação formal, deveria ter o direito a exercer seu poder de criação natural. Quando expostos a tanta possibilidade e liberdade ao redor delas, crianças sempre surpreendem. Se serão realizadas profissionalmente no futuro, não sei ao certo e isso dependerá de vários fatores ao longo do caminho e suas experiências. Mas certamente crescerão confiantes para mudar quando for preciso, sem medo do erro, afinal serão fazedores de coisas, e não apenas repetidores do mesmo. E para os adultos, pais e educadores, pequenas dicas que podem ajuda-los nesse novo movimento: invistam algumas horas na semana para estimular e observar os projetos pessoais e que geram propósito e prazer às crianças e jovens. Invistam em um sótão de ideias, ou uma pequena sala de desconstrução criativa na escola. E apostem na inventividade delas pois rapidamente entenderão como serão capazes de se adaptar a esse novo mundo que surge, em casa, na escola e nas organizações. O mundo dos fazedores e criadores – os makers.

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 07/07/16 4:03:14 PM
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A afirmação de que nenhum direito fundamental é absoluto se tornou lugar comum na doutrina brasileira, sobretudo após a extensa lista de garantias elencadas na Constituição Federal de 1988, mas está manifestamente equivocada. Se é verdade que alguns dos direitos essenciais afirmados em nível constitucional e em documentos internacionais podem ser relativizados pelo balanceamento com outros direitos com os quais se choquem em dadas situações, não se pode esquecer que um direito fundamental, pelo menos, deve ser sempre visto e tratado como absoluto.

E não é qualquer direito. Não se trata de algo que restou afirmado por questões ideológicas ou casuísticas. O direito fundamental absoluto é aquele fundante da sociedade livre e, consequentemente, da democracia: a liberdade de pensamento.

Ao longo da história da humanidade, os detentores do poder já buscaram e alcançaram a compressão ou o aniquilamento dos mais variados bens fundamentais. A vida e a liberdade, por exemplo, dois dos mais preciosos bens, foram (e são) objeto de inúmeros mandos e desmandos. Mas, o desejo secreto de todo tirano sempre foi controlar o pensamento daqueles que ousam pensar de forma diferente da sua. Surge, com esse desiderato, a doutrinação, que pode ser entendida como a manipulação do pensamento, buscando-se suprimir a liberdade de escolha, condicionando-se os juízos de valor do indivíduo a premissas estabelecidas por quem atua sobre ele em uma relação de poder.

Os juízos que levam o indivíduo às tomadas de decisões em sua existência são estabelecidos com base nos valores e conceitos absorvidos por ele durante a vida. É certo, também, que sempre pesou sobre o pensamento, a influência da família, da escola, do grupo social, da religião, dos meios de comunicação à sua disposição, etc.

Mas, mesmo nesse cenário, pode-se entender assegurada a liberdade de pensamento à medida que é dessa fragmentação de ideias, valores, conceitos, conhecimentos, opiniões, que poderá cada ser humano formar sua individualidade e manifestar seus juízos de valor e pensamentos críticos.

O que é inadmissível é submeter uma pessoa a um procedimento deliberado, sem seu consentimento válido, com o fim de moldar seu pensamento, tolhendo esse direito fundamental.

Por essa razão, a recente discussão sobre a doutrinação ideológica nas escolas padece de uma enorme confusão conceitual. De um lado, tentar coibir que um professor manifeste em sala de aula suas convicções ideológicas é um evidente atentado contra a liberdade de expressão (da qual a liberdade de cátedra é uma espécie), pois externar os valores e as ideias que estão impregnadas na forma de cada um pensar, nada tem a ver com doutrinação. Por outro, admitir que se estabeleça em sala de aula uma militância política ou partidária parece um desvio de finalidade da proposta educacional. Mas, definitivamente, o problema não se resolve por uma simplista e ilegítima norma proibitiva.

A solução está na reafirmação da liberdade de pensamento e de sua filha mais querida: a liberdade de expressão.

A sociedade que aprender a aceitá-la e protegê-la terá que desenvolver a tolerância e ganhará o maior dos prêmios: pessoas livres, capazes de pensar e formular seus próprios pensamentos de forma civilizada, gostem ou não os detentores do poder.

*Artigo escrito por Guilherme Alfredo de Moraes Nostre, doutor em Direito Penal pelas Faculdades de Direito das Universidades de São Paulo (USP) e Coimbra (Portugal), sócio do Moraes Pitombo Advogados. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 01/07/16 11:37:23 AM
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Para cuidarmos do futuro e do bem-estar de nossas crianças precisamos considerar as pessoas com quem elas passam várias horas por dia, seus educadores. Toda a criança tem o direito a uma educação de boa qualidade, conforme enfatiza o International Covenant on Economics, Social and Cultural Right (Pacto Internacional sobre Direito Econômico, Social e Cultural) (art. 13, 2). Para garantir isso é vital que se tenha educadores qualificados, motivados e, o mais importante, bem preparados.

No meu país de origem, a Finlândia, os candidatos a professores são escolhidos por meio de concorridos processos seletivos, nos quais as universidades preferem os mais motivados e dedicados, do que os mais academicamente qualificados. Todos os professores graduados têm Mestrado, que incluem aprofundamento em estudos pedagógicos, de planejamento, formação prática e outras atividades relacionadas a prática docente.

A história da cultura e das políticas educacionais da Finlândia não foram sempre tão bem-sucedidas, como hoje indicam as avaliações internacionais, como o PISA. Nos anos 1970 houve uma mudança na legislação e uma reforma da visão da educação, cujos resultados podem ser vistos hoje. Nesse período, considerou-se que investir na educação do professor seria investir no país, e os resultados e benefícios estão sendo aproveitados até hoje.

Investir na formação dos educadores é igual a investir em crianças e adolescentes, no futuro delas e da sociedade. Esse investimento já foi indicado por vários estudos científicos como benéficos para aumentar a produtividade do trabalho e a qualidade de vida. É um investimento certo, com alta rentabilidade no futuro.

É essencial considerar que a formação dos professores não finaliza quando ele sai da universidade. Para garantir a qualidade da educação é necessário a formação continuada desses profissionais, auxiliando-os a se manterem motivados e preparados para lidarem com os constantes e diversos desafios de suas carreiras.

As competências pedagógicas precisam estar no centro dessa formação dos educadores, pois eles não são apenas peritos e suas áreas, mas sim profissionais do ensino de crianças e adolescentes em certos estágios de desenvolvimento.

Em todo o mundo muitos professores enfrentam problemas psíquicos, como a depressão e o estresse, por consequência do seu trabalho. Isso prejudica diretamente suas atividades e também é resultado da falta de preparo e apoio para lidarem com as diversidades que vivem no seu dia a dia.

Quando os professores são bem-cuidados, preparados e apoiados, é mais provável que fiquem motivados para exercer seu chamado mais sincero, suas vocações.

* Artigo escrito por Annukka Lyttinen, professora finlandesa, mestre em Educação e colaboradora da equipe de coordenação da Pós-graduação em Educação Transformadora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve programas de educação integral transformadora para adolescentes, professores e famílias. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 30/06/16 11:57:31 AM
(Imagem: Divulgação)

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Mais do que ensinar matérias e preparar alunos para o vestibular, escolas tem buscado oferecer formação completa. Isso inclui incutir padrões morais, incentivar a criatividade, acolher e tratar as diferenças e oferecer um ambiente propício para formar um cidadão de bem. Mas formar cidadãos conscientes, completos, responsáveis e autônomos não é uma tarefa simples.

O primeiro olhar deve ser sempre para a criança, sua individualidade e suas características próprias. Respeitá-las e entendê-las como seres humanos únicos é essencial para o professor exercer seu papel no aprendizado de cada aluno. Mais do que oferecer um método, propomos uma maneira de olhar a criança de outra forma. Acreditamos que a criança é um ser humano complexo, com diversos aspectos integrados que necessitam de incentivo para se desenvolverem. Dentro desse contexto, a criança fica livre para explorar e motivada a fazer sozinha as suas descobertas. Oferecemos a liberdade para tentar, errar e aprender. O professor precisa deixar o aluno livre para realizar atividades no seu próprio tempo.  Isso é próprio da metodologia montessoriana, na qual a criança sabe que precisa cumprir determinadas tarefas distribuídas ao longo do ano. Aqui não é necessário sino, nem chamada porque todos sabem quais são suas responsabilidades, quais tarefas devem dar conta. E isso não pode ser confundido com libertinagem, pois há uma diretriz clara para o respeito e a ordem dentro da escola. Neste contexto o professor está ali para auxiliar no que for necessário, não para interferir no processo. Ele atua como um sinaleiro, ou seja, o verde, vermelho e amarelo para dizer se o aluno está cumprindo bem as tarefas e se vai dar conta. Ele é o orientador, alguém que fala pouco, mas caminha e orienta mais.

Ainda dentro da metodologia Montessori o professor precisa ter comprometimento e se portar da mesma maneira que se espera dos alunos: com responsabilidade. Para que eles sejam capacitados realizamos reuniões de formação semanais onde falamos sobre a filosofia de educação adotada pela instituição e sobre as formas de trabalhar com as crianças para incentivar a sua liberdade ao aprender. Nessas reuniões, nós explicamos a filosofia do método e o porquê o utilizamos. Dizemos para os professores que nossos alunos têm que agir para compreender. Não basta apenas transmitir o conteúdo. Os alunos devem ser incentivados a ter autonomia e a construir o seu próprio conhecimento. Vivemos numa sociedade imediatista, que exige avanços rápidos. Aqui no Sion vamos na contramão, e isso exige uma mudança de cultura. Mas vale a pena seguir este caminho, pois temos visto gerações sendo formadas de uma maneira diferente.

*Artigo escrito por Irmã Maria Cristina, diretora do Colégio Sion em Curitiba. O Sion colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

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