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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/11/16 4:02:39 PM
(Foto: SESI)

(Foto: SESI)

O ensino híbrido é uma metodologia ativa e inovadora que surge em resposta às demandas dos adolescentes por uma educação que desafie sua capacidade de aprender de forma engajada. Como as tecnologias fazem parte do dia a dia desses jovens, que já nasceram num mundo onde a internet já era amplamente utilizada em microcomputadores, celulares e outros dispositivos, estudar fazendo uso dessas tecnologias torna-se mais do que natural para esse público, também chamado de nativos digitais. Eles são capazes de compreender, dispensando qualquer tutorial, ferramentas e plataformas on-line sem grandes dificuldades. Para ser interessante, a educação precisa estar contextualizada à realidade desses jovens.

Muitas dessas ferramentas e plataformas há muito não são novidade para os alunos do ensino a distância, geralmente adultos. O uso dessas ferramentas na educação presencial é que ainda tem se caracterizado como uma inovação e têm surtido um efeito muito interessante nas salas de aula que as aplicam. No ensino híbrido, os alunos fazem todo o processo de pesquisa e estudos à distância, em casa. O encontro presencial fica reservado para debates, contextualização do que foi pesquisado e trocas de informações. Isso torna o cotidiano escolar muito mais rico e com informações novas para todos. As experiências são mais valorizadas para alunos e professores que aprendem mais e conseguem interagir uns com os outros, nos fazendo ver que a distância hoje é relativa, podendo até mesmo aproximar mais ainda as pessoas.

Além disso, o ensino híbrido permite o uso de tecnologias que permitem aos estudantes ter acesso ao conteúdo a distância e personalizado, adaptado as necessidades de aprendizagem desse aluno, por meio de big data.

Mas o que é big data? Este é um termo que se refere a todas as informações armazenadas em um sistema de dados que, quando consultadas, aparecerão de forma facilitada nos mecanismos de busca de um software. No ensino híbrido é possível fazer uso de plataformas adaptativas e do big data assim: se o estudante vai fazer um trabalho sobre revolução industrial, quando pesquisar sobre o assunto, encontrará as referências já procuradas por ele. As plataformas educacionais com big data, por meio de testes, identificam os conteúdos em que os alunos não tiveram resultados de aprendizagem suficientes e podem criar planos de estudos, com materiais diversificados e inéditos para ele, que possam suprir essas lacunas de aprendizagem.

Ao mesclar as tecnologias e ferramentas educacionais do ensino a distância com o ensino presencial, o ensino híbrido se torna o melhor de dois mundos, trazendo para a escola a realidade que já temos: da tecnologia digital inserida e naturalizada em nossa vida como parte crucial da construção do conhecimento nosso de cada dia.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/11/16 10:12:26 AM
(Foto: Marcelo Andrade)

(Foto: Marcelo Andrade)

Mesmo sendo presença constante em todos os noticiários e alcançando grande repercussão, a Medida Provisória (MP 746/2016) – que propõe a mudança no Ensino Médio – e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 – que limita o valor investido pelo Governo Federal pelos próximos 20 anos – ainda são assuntos que não estão claros para a juventude brasileira.

Apesar de ser contraditório, uma vez que eles são a classe que mais tem se manifestado a respeito e uma das mais interessadas no assunto, uma pesquisa divulgada este mês pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com brasileiros de 13 a 18, revelou que apenas 53% dos estudantes afirma estar a par das mudanças que estão sendo propostas. Destes, quase 52% admitem estar pouco ou mal informados.

Sendo época auge nas ocupações de escolas e em meio às eleições municipais, os jovens tiveram à disposição inúmeros debates e fontes diferentes para formarem sua opinião a respeito do assunto, porém ainda se sentem desinformados.

As propostas não foram realmente esmiuçadas pela mídia, que realizou a cobertura dos desdobramentos e alguns pontos principais dos projetos. Mas, hoje temos muito acesso à informação e em vários sites é possível ter acesso ao conteúdo que será votado na íntegra, certo?

De acordo com dados do IBGE divulgados este ano, a maior parcela de pessoas que utiliza a internet, em 2014, foi registrada entre os jovens de 15 a 17 anos: 81,8% deles têm acesso. Outra pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet, em 2015, revelou que 82% dos jovens acessam a internet por telefones móveis, enquanto 56% navegam em dispositivos fixos. A pesquisa foi realizada com jovens de 9 a 17 anos.

Tirando aqueles que estão diretamente envolvidos nas ocupações e alguns estudantes de escolas particulares, fica claro que o restante da população jovem não tem conhecimentos aprofundados sobre alguns dos assuntos que podem influenciar, e muito, na vida deles. Outro ponto que também vale ressaltar é que essa geração tem, de longe, mais acesso à informação do que qualquer outra jamais teve em outros momentos históricos.

Mas, com tantos recursos eles ainda se sentem sem informação? Isso mesmo, pois os jovens são muito conectados e articulados por meio das redes sociais, mas não pesquisam a fundo nenhum assunto nem discussão. Eles usam as redes sociais para se relacionar, para conseguir se articular, mas pecam por buscarem quantidade em vez de qualidade.

Essa falta de fundamentação preocupa, pois falta análise crítica das situações. Além disso, momentos de leitura, reflexão e observação, necessários para a formação de uma opinião bem embasada, não acontecem. É preocupante a ansiedade que essa juventude sente, a rapidez com que deseja fazer as coisas e ver resultados.

As ocupações são um retrato disso. Longe de julgar se são certas ou erradas, mas ocupar os colégios foi uma forma de ter resultados concretos de forma rápida e efetiva. Porém, não é apenas dessa forma que as mudanças são alcançadas. Apesar das ocupações, os estudantes não apresentaram de fato o que poderia ser alterado, estão apenas contra. Isso é um risco para toda a mobilização por deixar a impressão de que todos estão contra simplesmente por reação às mudanças.

Os jovens têm, por tradição, participações significativas nas recentes manifestações, exemplo disso foram caras pintadas em 1992 e este ano no processo de impeachment. Porém, no caso das ocupações, perdem forças dissipando energias por não terem um foco. Um reflexo claro da cultura digital que nos obriga a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e ser superficial em todas.

Na democracia, algumas decisões e mudanças necessitam de tempo para serem amadurecidas e desenvolvidas. Cabe a todos da sociedade mostrarem o caminho aos jovens utilizando as tecnologias e ferramentas tecnológicas disponíveis para que todos consigam desenvolver seu pensamento crítico de forma embasada e sólida. E aos jovens, cabe o interesse em absorver estes conhecimentos e a transformá-los em atitudes.

* Artigo escrito por Élcio Miguel Prus, coordenador geral do Ensino Médio Integrado do TECPUC, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/11/16 5:09:20 PM
(Na tarde de ontem (20/11)  foi realiza uma Marcha contra o Racismo, que protestou contra ataques racistas direcionados a várias pessoas que participaram da 1° Marcha do Orgulho Crespo de Curitiba)

Na tarde de ontem (20/11) foi realiza uma Marcha contra o Racismo no centro de Curitiba

A lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, alterando a lei de Diretrizes e Bases da Educação. A partir disso, escolas particulares e rede pública de ensino passariam a incorporar na grade curricular conteúdos relacionados a História da África e dos Africanos, bem como a contribuição dos negros no desenvolvimento social, cultural, político e econômico do Brasil. Mas nem tudo são flores, é preciso refletir sobre os desafios no desenvolvimento de uma educação em consciência negra.

O professor da Universidade de São Paulo, Dennis de Oliveira, responsável pela coordenação do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc), em artigo publicado pela revista Fórum, em 2013, fez um balanço dos dez anos da Lei 10.639. Na época, apontou três desafios para o cumprimento da legislação, são eles: a resistência de cursos superiores de licenciatura e pedagogia para implantar conteúdos de cultura e história afro-brasileira na formação dos futuros profissionais de educação; a necessidade de cobrança da aplicação da lei na agenda política dos movimentos sociais do campo da Educação e a não obrigatoriedade do poder público em destinar recursos e fazer ações para efetivar o ensino da história e cultura afro-brasileira.

Outro desafio (talvez o maior) é a educação absorver as discussões sobre a relação da desigualdade social com as questões étnico-raciais e superar o racismo no ambiente escolar. Pais de crianças negras ainda vivenciam o desafio de proporcionar a seus filhos uma educação que os permita formar uma imagem positiva sobre si. Na escola, em atividades de arte educação temos a referência de um único lápis “cor da pele” (aquele em tom rosado), o que afeta a forma como crianças negras se retratam. De forma inconsciente a criança é influenciada a estabelecer o “claro” como padrão de beleza.

Se a escola nega a existência de diferenças sociais de acordo com os segmentos étnicos, de certa forma, silencia a história e cultura da criança e do adolescente negro(a), ao mesmo tempo que retira dos estudantes a oportunidade de fazer uma leitura crítica da sociedade brasileira.

As diferenças nos dados estatísticos da população negra em comparação com a branca são preocupantes, seja nos índices de pobreza, acesso à educação, saneamento básico, mercado de trabalho, moradia, população carcerária ou morte de jovens, a população negra em nível nacional está em desvantagem. Porém, na escola o que se vê é um discurso homogeneizador, que não discute e não reconhece que há um problema racial que define quem sofre com as mazelas da pobreza.

Ainda que tenhamos criado uma lei para condicionar o sistema educacional a falar e representar a cultura e a história da população negra para além da escravidão, o impacto real e desejado (o racismo desnaturalizado pela sociedade e todos na luta em pró da vida da população negra) só será possível com ações que transcendam os livros didáticos e a produção de conteúdos com estudantes. Não somente no dia 20 de novembro, data de comemoração da Consciência Negra.

*Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/11/16 10:34:24 AM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

O bullying não é algo recente, muito embora nas últimas décadas tenha se tornado mais visível para a sociedade e em especial nos últimos anos como pauta frequente nos debates sobre Educação. É válido ressaltar que o bullying é um fenômeno mundial que atinge crianças, adolescentes e jovens de diferentes faixas etárias e classes sociais.

A LBD – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira aponta em seu artigo 2º que: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Este artigo nos permite refletir, em especial, sobre como estamos atuando com nossos educandos diante dos princípios da solidariedade humana e preparo para o exercício da cidadania. Percebe-se que é função da escola discutir, assumir e mediar as situações de bullying que ocorrem com os (as) educandos (as) nos espaços físico e/ou virtual, este último denominado Cyberbullying. A omissão que ocorre em alguns espaços educativos, divulgadas na mídia ou em redes sociais pelos próprios educandos tem evidenciado a fragilidade de educadores e gestores para lidar com o fenômeno. Diante destas afirmações, torna-se necessária a capacitação e a sensibilização para tais enfrentamentos cotidianos.

O bullying torna-se sintoma de uma sociedade violenta, egocêntrica, individualista, classista, que compreende as relações de convívio pelo prisma do poder e da força. Além de discutir o fenômeno em si, é fundamental discutir como a organização do currículo escolar pode atuar para superá-lo. Como o corpo técnico e educadores interpretam e atuam frente as situações ocorridas nestes espaços. A Política Pública de Educação tem papel fundamental para superação deste fenômeno, pois a escola e demais espaços educativos podem contribuir com a formação de sujeitos mais críticos e respeitosos, justos e solidários, expandindo tais reflexões para o território no qual está inserida a unidade educacional.

No mês em que se comemora o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola vale ressaltar o papel fundamental da escola para superação do bullying promovendo formações, ações e debates que envolvam toda a comunidade educativa.

É imprescindível, portanto, discutir suas causas, consequências, mas, acima de tudo promover o diálogo nestes espaços. Superar o bullying via Educação para paz, significa criar relações efetivamente dialógicas, fomentar espaços educativos nos quais exista lugar para o afeto, criatividade, sensibilidade e humanidade. Educar para a paz não implica em docilizar pessoas, anulando conflitos, mas sim utilizar o diálogo como forma de mediação de conflitos. Significa ser esta uma opção não apenas curricular, mas uma forma de conceber as relações e a própria vida.

*Artigo escrito por Ana Cristina da Silva, assessora social da Rede Marista de Solidariedade, do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/11/16 10:08:51 AM
(Ilustração: Acervo)

(Ilustração: Acervo)

A relação com a privacidade e o direito de imagem é bem menos rígida para as gerações mais jovens, nascidas e imersas na cultura de superexposição. O exibicionismo é a regra; ser discreto é a exceção. Quando o assunto é direito de imagem e privacidade de crianças, o consenso geral entre educadores, psicólogos e juristas diz que não é saudável, seguro ou lícito publicar indiscriminadamente vídeos e fotos de menores na Internet.

Entretanto, pais que filmam seus filhos e publicam nas redes sociais não é novidade; agora são as crianças que estão com o smartphone na mão fazendo vídeos e selfies  —  cresce uma nova geração de YouTubers mirins, que querem fazer parte da produção do conteúdo que consomem.

Com o aumento do conteúdo produzido por crianças e para crianças na plataforma YouTube, este passou a ser um nicho desejado pelos anunciantes. De forma sincera, informal e autentica, os YouTubers mirins estabelecem um diálogo direto com o público alvo, sem a interferência da linguagem ou do pensamento adulto.

A maioria dos canais mirins é parceiro do YouTube, o que significa que eles podem monetizar as imagens com anúncios antes, durante ou depois da exibição dos vídeos. Segundo o termo de uso do YouTube, os canais infantis parceiros da plataforma são supervisionados pelos pais das crianças e que todo o contato é feito somente com os responsáveis legais.

A força e tamanho dos canais produzidos por crianças ainda não foi percebida pela maioria das pessoas, mas já é alvo de investigação do Ministério Público. A Procuradoria da República em São Paulo instaurou inquérito civil para investigar denúncia sobre possível publicidade abusiva realizada por meio do envio de produtos a YouTubers mirins.

O CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) – órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – publicou, no Diário Oficial da União, a Resolução nº 163/14, objetivando evitar a publicidade abusiva voltada a crianças e adolescentes. A resolução está intimamente ligada ao art. 17 do ECA, que assegura o direito ao respeito e consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente.

Mas… o que é publicidade abusiva?

É o direcionamento da comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuasão ao consumo de determinado produto ou serviço, com linguagem e trilhas sonoras infantis, desenhos animados, promoção de distribuição de prêmios ou brindes colecionáveis com apelo ao público infantil, entre outros fatores. O artigo 37, parágrafo segundo, do Código de Defesa do Consumidor considera abusiva a publicidade que “se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança”.

Temos que lidar, de forma inédita na História, com o fenômeno de produção de conteúdo por crianças em larga escala. É certo que os hábitos de consumo de mídia mudaram e também é preocupante pensar no impacto deste fenômeno a curto e médio prazo na geração 100% digital.

A questão não é a proibição pura e simples da publicidade. Acreditamos que agora é o momento de assumir a responsabilidade pela educação digital, movimento que englobará o Ministério Público, OAB, Ministérios da Educação, Saúde e Tecnologia, empresas, veículos de comunicação, escolas e pais.

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 07/11/16 9:27:36 AM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Uma simples pergunta. Uma importante reflexão para alguns ou uma provocação para outros? Não importa. Mas que se faz necessária diante de uma nova era de transformação. Em um mundo instável e ultra conectado que exige protagonismo e inovação, com mudanças cada vez mais velozes e complexas e onde a automatização de tudo é exponencial, a chamada “quarta revolução” extinguirá empresas, negócios, profissões e escolas que não se adaptarem ou apostarem em criatividade, novos processos, conteúdos, comunicação e diversidade. Mas obviamente trará novas possibilidades, novos empregos, realidades e necessidades. Uma nova era que prefiro chamar de revolução do conhecimento, das relações, da colaboração e da criatividade.

O último relatório do Fórum Econômico Mundial, chamado “O Futuro dos Empregos” prevê que aproximadamente 7 milhões de empregos serão dizimados nos próximos cinco anos, apenas por conta do desenvolvimento da robótica, da inteligência artificial e da biotecnologia. Porém outros tantos novos aparecerão, já que até 2020 estima-se que 75% das 500 maiores empresas pela S&P serão empresas que nós nem conhecemos hoje. Um tanto quanto assustador, confesso, e até difícil de acreditar. Mas é fato que profissões até então estáveis por décadas se tornarão obsoletas nos próximos anos e serão substituídas por tecnologias modernas que cumprem funções rotineiras, técnicas, administrativas em praticamente todas as áreas. E todos nós seremos impactados. Do setor industrial altamente robotizado, à área da saúde, pela telemedicina, aos setores de transportes pelos veículos inteligentes, à energia, construção civil e serviços financeiros com novos processos.

Inovações de impacto surgem a cada dia para beneficiar aqueles que se adaptam, se aprimoram e investem em conhecimento. Mas castigam aqueles que resistem a mudança e preferem a negação do óbvio e o conforto da ilusão de que “em time que está ganhando não se mexe”. Uma revolução que demandará profissionais mais qualificados, versáteis, criativos e que produzam ideias novas e não apenas repitam as velhas. Domenico De Masi já dizia que, países de primeiro mundo seriam aqueles criadores e produtores de ideias, conteúdo, tecnologia e conhecimento, e não somente aqueles vendedores de matéria prima ou bens de consumo.

Mas o que tudo isso tem a ver com a educação, nossos filhos e professores?

Tudo. Afinal são eles, crianças e jovens, os filhos dessa revolução que acontece nesse exato instante. E seus pais e professores, os principais mentores. Em uma recente entrevista sobre profissões do futuro pela Folha de São Paulo, o pesquisador Silvio Meira comentou: “A profissão do futuro é escrever software. Veja a figura do professor criativo, que cria o material, o método. O que repete o material na sala de aula não está no futuro. O que cria, está. Simples assim.”  Entendamos por “software” não apenas o sentido tecnológico da palavra como estamos acostumados, mas sim, e essencialmente, pela nossa necessidade e capacidade de criar e produzir ideias, gerar e adquirir novos conhecimentos, nos adaptarmos e produzirmos o novo. Pouco adiantará um hardware novo, uma escola ultra moderna e estruturada, com um software velho, métodos e professores desatualizados. O discurso, sem a essência. E para isso velhos padrões, comportamentos e processos precisam ser quebrados na escola e até em casa, afinal somos todos educadores. E toda mudança gera desconforto, desconfiança, medo e até preguiça a muitos. David Kelley (fundador da IDEO e professor em Stanford) me disse algo que nunca esqueci: “inovação para acontecer precisa ser aceita pelas pessoas, do contrário ela não acontece e todos se iludem de que não há mudanças ou problemas a resolver e assim permanecem repetindo o mesmo.” Só não vê quem não quer.

Por isso minha preocupação diante desse novo cenário está para as novas gerações, das minhas filhas e dos seus. Certezas, profissões, conteúdos e estabilidades de hoje desaparecerão num futuro breve para todos eles. E por isso a figura do professor nesse novo mundo torna-se cada vez mais crucial na vida e no futuro dessas crianças e jovens. Esse profissional permanecerá na essência dessa transformação da escola de hoje e do futuro, e não o vejo entre os que desaparecerão em função da tecnologia e da inovação. Desaparecerá por não se adaptar, por resistir, não reavaliar posições, viver no passado e não ser capaz de pensar também com a cabeça de cada aluno, não apenas com sua própria.  O ambiente de uma escola inovadora, atenta aos desafios contemporâneos, necessitará desse novo professor. Tão humano como sempre foi, porém com novos softwares. Afinal num mundo em que a criatividade, a inteligência social e emocional e a capacidade de se adaptar são tão raros e valorizados, se exige do novo professor muita capacidade de se relacionar verdadeiramente com cada aluno e acessar o seu melhor. Entender e respeitar suas individualidades e talentos, e incendiar sua curiosidade e inteligência.

Vejo que a família e a escola estão em meio a um ponto de ruptura e transformação sem volta. No qual valores, princípios e tradições podem e devem ser mantidos e perpetuados em casa, nas relações sociais e na escola. Entretanto, o diverso, as ideias e o novo devem ser exaltados. Não se trata de negar o tradicional, mas negligenciar o contemporâneo pode significar a condenação de nossos filhos, que enfrentarão um mundo muito mais exigente de flexibilidade, versatilidade, capacidade empreendedora, ousadia e criatividade. Será que nossas velhas escolas e professores que pouco inovam, também desaparecerão do mapa entre esses quase 7 milhões de empregos? Ou se pouco mudou de um século para o outro, velhas práticas, métodos e conteúdos do passado continuarão a ensinar os filhos do futuro?

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 01/11/16 11:36:28 AM
Registro de oficina do projeto "Educomunica! Curitiba". Foto de Juliana Cordeiro

Registro de oficina do projeto “Educomunica! Curitiba”. Foto de Juliana Cordeiro

Comunicar também é um direito, mas que deve ser exercido em consonância com os demais direitos humanos. Por isso é que sites e páginas na internet que incitam a violência contra pessoas LGBT, mulheres e outros grupos são passíveis de serem denunciados e tirados do ar. Eles estão exercendo seu direito à liberdade de expressão? Teoricamente, sim, mas estão se baseando na incitação ao ódio e à violência (estes, sim!) violadores de outros direitos fundamentais desses grupos.

Porém, mais próximo da realidade da maioria das pessoas (porque nem todo mundo que reproduz a cultura machista vai cometer um estupro ou espancar uma mulher), está a evidência de que as relações de poder e as desigualdades sociais se refletem na linguagem que usamos no dia a dia.

Exemplo disso é o vocabulário empregado para noticiar situações de adolescentes que cometem ato infracional. Eles se tornam “menores infratores”. Digo “se tornam” porque a palavra “menor” aparece geralmente restrita à cobertura policial. Não me recordo de ter ouvido, lido ou assistido a alguma reportagem falando sobre “os menores que estão se preparando para o vestibular”, por exemplo.

É como se, automaticamente, ao pensarmos em adolescentes que fazem coisas consideradas ruins, a palavra “menor” brota como um adicional que faz parte de um “Pacote Criminalidade” baixado e instalado no nosso “sistema operacional” (com o perdão da comparação). Chamar um adolescente de “menor” reforça os aspectos negativos do ato cometido por ele, mas também carrega o estigma do antigo Código de Menores (de 1927), que enxergava o público adolescente como, de fato, um componente “menor” da sociedade quando comparado ao adulto (este visto como “maior”, “superior”).

É interessante observar também que o mesmo Código de Menores possuía foco principal em crianças e adolescentes envolvidos em situação de violência, criminalidade ou abandono. Adotar essa abordagem é como estabelecer que essas pessoas só mereciam a atenção da legislação e do Estado quando faziam alguma coisa errada ou eram abandonados por suas famílias e não tinham a quem mais recorrer.

Já o sucessor do antigo Código, o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), parte do princípio de que o público infanto-juvenil é sujeito de direitos, ou seja, merece proteção e atenção contínua das políticas públicas, que devem atender às necessidades de desenvolvimento dessas pessoas como um todo. O que significa investir não só na construção de casas de passagem para abrigar mais meninos e meninas que cometem ato infracional, mas reforçar políticas voltadas ao esporte, à cultura e ao lazer como medida de prevenção à essa mesma criminalidade, por exemplo.

Então, mais do que seguir um manual do “politicamente correto”, repensar a linguagem ao se comunicar é abrir espaço para discutir nossos próprios preconceitos, reconhecer as relações de poder historicamente construídas e também utilizar as ferramentas da comunicação com responsabilidade.

*Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/10/16 1:08:32 PM
(Foto: Hugo Harada)

(Foto: Hugo Harada)

Dias atrás, estávamos eu e outro professor conversando sobre metodologias e táticas para melhorar o desempenho de nossos alunos em nossas disciplinas (eu no Cálculo, ele na Física), no meio da conversa ele me disse que o que fazemos hoje é uma matança.

Entendi de imediato a metáfora. A matança que ele se referiu não tem nada haver com a ideia do meio acadêmico de fazer corpo mole, muito pelo contrário. Somos rígidos, inflexíveis, vocabulares, previsíveis e cansativos para todos os envolvidos. O que ele quis dizer é uma matança real no sentido estrito da palavra. Porque na sala de aula, e porque não pensar na escola, de forma geral, há apenas uma política, a da matança.

Fazendo uma analogia entre as guerras de ocupação (guerras convencionais), àquelas que há interesse em tomar conta do território donente e a guerra de incursão, àquela ondes as tropas tomam de assalto certo local e depois de focalmente dominado, simplesmente partem.

No primeiro caso as terras são ocupadas e a cultura invasora é imposta. No segundo caso é só matança pela matança (nosso caso!), pois após o combate a tropa invasora se retira perdendo ou ganhando o assalto. Belos exemplos do primeiro modelo foram as Guerras Romanas, e no segundo modelo temos o Vietnã.

O propósito dessa comparação é trazer a reflexão de como é a sala de aula hoje e como os professores (nós) agimos. Fazemos uma ocupação ou uma incursão?

Dito isso esclareço, não gosto da ideia de “travar guerras em sala de aula” e muito menos ser “um herói celibatário”. Contudo, devemos pensar que o que fazemos em sala de aula são “guerras” no sentido de luta contra si mesmo, contra o conteúdo a ser cumprido, contra tudo e a todos.

Hoje o professor entra em sala despeja tudo e vai embora, muitas vezes sem ter tido a menor chance de refletir e causar reflexões sobre o que foi dito. Ele se retira da sala de aula para ir à outra fazendo incursões tal aos moldes descritos acima, isto é, apenas matança.

Pensando na forma de como vemos na maioria das instituiçoes de ensino, a sala de aula é dos estudantes e o professor é o “invasor” que deve ser rechaçado a todo custo. Isso é errado, na educação colaborativa não há conflitos territoriais. Por isso que sou defensor radical das salas temáticas. Vejo que nesse modelo o pensar, o vivenciar a disciplina torna-se inevitável.

É obvio que para isso precisamos de mudanças de hábitos, de metodologias e de uma reforma curricular, com ampla discussão com a sociedade, buscar gente que realmente viva e entenda de educação, sem achismos e devaneios.

Enfim, o caminho para sair da “matança” não é curto, muito pelo contrário é longo, trabalhoso e como em toda mudança teremos que fazer ajustes. Lembre-se que a educação é um processo contínuo. Contudo, convenhamos, a paisagem desse caminho é belíssima.

Tenho certeza que feito um bom trabalho, com competência e empenho veremos nossa sociedade mudar dia a dia com respeito, igualdade e com os resultados surpreendentes.

* Artigo escrito por Guilherme Lemermeier Rodrigues, licenciado em Matemática, especialista em Ensino de Matemática e mestre em Educação. Professor do Ciclo Básico de Engenharia da Universidade Positivo, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/10/16 2:31:31 PM
(Ilustração: Felipe Lima)

(Ilustração: Felipe Lima)

Movimento impulsionado por um entusiasmado discurso de neutralidade política, o Escola Sem Partido nos seduz logo de início, pois traz no título da proposta uma excelente provocação. Quem poderá ser contra essa denúncia que o nome do movimento anuncia? Ninguém há de querer partidos políticos agindo na escola.

Escola Sem Partido surgiu em 2004 como reação à suposta influência ideológica de esquerda que estaria por tomar conta da educação brasileira. Impulsionado pela crescente polarização que tomou conta do debate político nos últimos anos, o movimento alcançou repercussão nacional quando em 2014, a pedido do deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro (PSC), a proposta foi apresentada como anteprojeto de lei. Atualmente, tramitam variações do anteprojeto na câmara federal e em diversas outras casas legislativas, estaduais e municipais.

Encampado principalmente pelas bancadas religiosas nas câmaras e por parlamentares da chamada extrema direita, o projeto é alvo de muitas críticas de especialistas e profissionais do setor educacional, pois afeta diretamente a liberdade de expressão dos professores em sala de aula, constrange a reflexão histórica e sociológica e praticamente impede que sejam feitos estudos sobre sexualidade na escola, tema caro à Educação contemporânea, essencial no combate à violência de gênero. Por estas razões, não há consenso sobre sua legitimidade jurídica. O ministério público já emitiu nota técnica em que aponta sua inconstitucionalidade. Um dos pontos mais polêmicos é a colocação de um cartaz em todas as salas de aula do Brasil que visa orientar o comportamento dos professores. Outro é a implantação de um disk denúncia, por meio do qual alunos e pais poderão acionar o ministério público e denunciar professores que manifestem uma determina preferência política ou que discutam valores morais distintos daqueles que o estudante encontra em casa.

Antes de mais nada, é preciso dizer que, como expressão de inquietações de parte da sociedade civil, este movimento deve ser respeitado. Minimante, ele provoca um debate que precisa ser constantemente resgatado, que versa sobre os excessos que porventura possam ocorrer no que se refere à “catequização política” dentro dos ambientes de ensino. Ocorre, no entanto, que os chamados Sem Partido observam e destacam apenas a “catequização de esquerda”, como se apenas essa vertente pudesse ser revelada, como se a escola não fosse, tradicionalmente, um espaço onde coexistem práticas conservadoras e progressistas, onde também se descobre, com frequência, a “catequização de direita”.

A ação pedagógica tende a refletir os pressupostos culturais que prevalecem em determinada sociedade. A escola, de modo geral, não subverte os princípios prevalecentes na sociedade, mas reproduz o seu movimento. Se a sociedade passa por transformações, a escola assimila, mas lentamente. Há um descompasso entre estes dois ritmos de mudança e as instituições de ensino expressam, via de regra, um certo atraso em relação às dinâmicas da sociedade. Em um país como o Brasil, com uma população predominantemente conservadora, teremos também uma Educação em que a visão conservadora domina. Por outro lado, é preciso reconhecer que uma das funções da ação pedagógica é produzir ampliação de referenciais científicos, éticos e estéticos. E isso reconduz a escola ao centro de alguns processos de transformação social e mudança cultural, o que provoca incomodo nos setores mais conservadores da sociedade, que sempre compreenderam a Educação como um mecanismo de reprodução dos pressupostos culturais prevalecentes.

Nada impedirá que o debate proposto pelo movimento Escola Sem Partido seja levado adiante. As indagações lançadas são pertinentes e provocam debates interessantes. Como convite à reflexão, a proposta é válida e pode agregar conhecimentos. Como lei, é um retrocesso aos tempos de perseguição ideológica e um duro ataque à liberdade de expressão. É no campo do debate de ideias e não da atividade policialesca que suas ideias ecoarão. Se esse movimento obtém grande repercussão e apoio, isso se deve ao fato de que suas pautas correspondem às inquietações de um número significativo de pessoas. O debate educacional em nosso país, sempre muito producente e inclusivo, terá de acolher agora esta nova dimensão reflexiva provocada pelo Escola Sem Partido. Esse é o grande poder da Educação, incluir ao invés de rechaçar. Um esforço quilométrico terá de ser feito, de ambos os lados, para que este diálogo se aprofunde e sua razão política não se perca na intolerância acerca das diferenças que o sustentam.

Um dos problemas que mais impedem a construção de um diálogo eficiente é que boa parte dos representantes dos discursos de “A” ou de “B”, sejam eles conservadores ou progressistas, não se reconhecem como portadores de ideologia. Quem produz doutrinação ideológica é sempre o outro. Uns se intitulam donos de uma visão mais crítica e histórica da realidade. Outros argumentam que é assim que as coisas são, pois assim foram criadas para ser. Mas ambos tendem a naturalizar a sua própria opinião, como se ela fosse necessariamente a mais coerente ou a mais justa. Uns cultuam a Certeza, porque seus conceitos são científicos. Outros acreditam piamente na Verdade, porque suas ideias estão de acordo com a Bíblia. E, assim, o diálogo se esvai, restando apenas adjetivações, julgamentos, condenações de uns para com os outros.

Toda comunicação e todo ato educativo carrega um pano de fundo ideológico que revela o tipo de interação social de determinado grupo. Esta interação inevitavelmente impacta a consciência dos indivíduos. Não há como escapar de algum tipo de configuração de cunho ideológico, pois a substância das ideias, a sua própria razão de ser, está na sua significação e no seu sentido. E este sentido, que pode ser transformado, é anterior ao indivíduo que o internaliza, pertence a uma conjuntura coletiva anterior, na qual o indivíduo imerge sem necessariamente notar o quão profundo foi o mergulho. Vivemos, pois, imersos em ideologia. Como diz Bakhtin, “se privarmos a consciência de seu conteúdo semiótico e ideológico, não sobra nada”. Ao contrário do que versa o movimento Escola Sem Partido, não são apenas as pessoas alinhadas mais “à esquerda” que possuem ideologia. Aliás, uma leitura atenta do seu programa, ou uma breve busca sobre a performance política dos seus proponentes é capaz de revelar, de imediato, que o próprio Escola Sem Partido é também expressão de pressões partidárias e de tendências ideológicas tão intensas e ativas quanto aquelas que propõe combater.

Não há lugar no mundo para uma Educação sem intencionalidades. O ato de educar pressupõe um ideal de sociedade, uma concepção de ser humano, um propósito qualquer que aponte para algo sempre em andamento, sempre por vias de melhorar. A Educação é um espaço de disputas, de tensões. Contribuições progressistas e conservadoras sempre fizeram parte da construção do conhecimento escolar. Não existe Educação fácil, sem conflitos, que não tome partido diante das circunstâncias sociais que a constrangem. Uma Educação que opta por não interferir no mundo a sua volta, e que não compreende a si mesma como resultado das forças ideológicas que a pressionam, é aquela que nega a presença do fogo à sua volta, sem se dar conta do quanto cheira à fumaça.

* Artigo escrito por Nélio Spréa. Doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná, Graduado em Música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná, Palestrante e Diretor da Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 18/10/16 9:37:05 AM
(Foto: Marcelo Andrade)

(Foto: Marcelo Andrade)

As discussões sobre política e sua relação com as práticas escolares caminham de maneira confusa no contexto das escolas brasileiras. Ao falarmos de política, se compreende ser esta só uma ciência que abrange a governança de um Estado ou Nação, sendo um espaço para negociação e compartilhamento dos interesses públicos. Desse modo, estão envolvidas discussões de temas sociais e econômicos conectados às áreas da educação, saúde, meio ambiente, entre outros.

A democracia no país ainda é um processo recente, tendo como marco a Constituição de 1988, e durante esse período, observamos momentos sutis de participação da sociedade em decisões públicas. Este modelo se reflete também na escola, na qual os debates políticos não acontecem de maneira orientada e fundamentada, e mostram-se distantes da realidade dos estudantes, fato observado, por exemplo, nas aulas de Educação Cívica das gerações anteriores, que ocorriam de maneira imposta e indesejada, causando pouca discussão da política no cotidiano.

O desalinhamento acontece quando se tenta impor o assunto e reduzi-lo ao ensino do funcionamento do Estado, administração pública e divisões partidárias. A competência política deve ser vista como a capacidade do indivíduo de se apropriar, construir e mobilizar saberes em prol de atitudes e valores em negociações com diferentes sujeitos e contextos, com o objetivo de ampliar a visão sobre governança, participação coletiva em processos decisórios, promoção do bem comum, tendo como aspecto a perspectiva de direitos e deveres.

O cunho central da discussão é levar o estudante a pensar sobre a comunidade, promovendo o convívio e o respeito como pontos em comum dentro dos componentes curriculares existentes. Assim, a educação política se faz necessária desde a Educação Infantil, incentivando o olhar atento ao seu entorno, nos cuidados com as relações e ambientes, permitindo o desenvolvimento de noções de partilha e respeito mútuo.

Proporcionar o envolvimento e garantir a participação política de crianças e adolescentes nos cenários públicos é respeitar os seus direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no Capítulo II, artigos 15 e 16, no qual prevê que “a criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis”, bem como possui o direito de “ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; à opinião e expressão e participação da vida política, na forma da lei”.

Atuar em educação política é lidar com formação e informação, trabalhar com o conhecimento fundamentado no campo científico, mas também estético, ético e afetivo. Assim, a política reforça o exercício da cidadania, utilizando ferramentas como a promoção de debates críticos, para a formação de sujeitos que olham os arredores, o bem comum, comprometidos e engajados de forma ética. A política pode acender o sentido social da educação, acolhendo a voz dos estudantes a fim de serem compreendidos. Desse modo, o conhecimento se torna um instrumento de liberdade com poder de convivência entre as pessoas e também de transformação social.

*Artigo escrito por Ana Carolina Marchetti Rodrigues e Marina Sabaine Cippola, professoras do Colégio Marista Champagnat de Ribeirão Preto, do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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