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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/08/16 10:37:40 AM
(Foto: Jhully Brunhera dos Santos)

(Foto: Jhully Brunhera dos Santos)

Quando digo que trabalho com Educomunicação, inevitavelmente vem a pergunta “E o que é isso?”. As respostas variam, mas geralmente giram em torno do “usar a comunicação para ensinar e aprender sobre direitos humanos, participação social, cidadania…” e por aí vai.

Para os que gostam de um pouco de história, a Educomunicação começou a aparecer em textos e documentos na década de 1980. Na América Latina, teve seu surgimento associado principalmente a projetos de instituições religiosas, organizações não governamentais e movimentos sociais, além de ter sido objeto de estudo no campo acadêmico (como na pesquisa Perfil do Educomunicador, do Núcleo de Comunicação e Educação da USP, feita no fim dos anos 1990).

Em termos conceituais, a Educom visa o planejamento e a implementação do que o teórico Ismar Soares chama de “ecossistemas comunicativos abertos e criativos”, que possibilitem a expressão e troca de ideias entre diferentes membros da comunidade (seja ela a escola, a família, o bairro etc.). Em linhas gerais, toda a iniciativa em educomunicação busca incentivar o diálogo, a colaboração e se baseia no entendimento de que todos podem ensinar e ser ensinados, dentro e fora da escola. E a comunicação aparece como principal engrenagem para o aprendizado de todos, já que sem ela não há compartilhamento nem construção coletiva dos saberes.

Hoje reconhecida enquanto política pública na cidade de São Paulo (por meio da Lei municipal nº 13.941/2004), a Educom carrega diversas possibilidades de interação com temas como o direito humano à comunicação (noção que engloba o direito à liberdade de expressão, o direito de acesso à informação e, de maneira mais abrangente, a representatividade de grupos historicamente excluídos e discriminados na produção de comunicação), democracia participativa, meio ambiente e (de novo) por aí vai. Mas para não ficar só no mundo abstrato das ideias, que venham os exemplos práticos:

Educom é montar uma rádio comunitária na escola que seja pensada por estudantes e professores em conjunto. É sugerir que adolescentes saiam pelo bairro à procura de figuras conhecidas, as entrevistem e depois escrevam um relato dessa experiência (liberdade poética também é importante aqui). É fazer uma saída fotográfica para o centro histórico da cidade, ter uma aula de História lá e depois selecionar as melhores fotos e publicar no jornalzinho da escola. É trazer os vídeos e programas favoritos da gurizada para debater… qualquer tema e ainda de quebra instigar críticas ao modelo e linha argumentativa apresentados no produto audiovisual. É sair do modelo de educação verticalizado (no qual o professor é visto como único detentor da palavra, enquanto os demais se limitam a escutar e fazer anotações) para construir e (melhor ainda) desconstruir noções coletivas do que é socialmente aceitável ou não.

*Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 23/08/16 12:03:34 PM
(Foto: Daniel Caron)

(Foto: Daniel Caron)

É inegável que o advento da internet modificou substancialmente os fundamentos da sociedade contemporânea. A alta velocidade na transmissão de informações, a troca simultânea de mensagens e as redes pulverizadas de intercomunicação e de contatos circundados em todo Planeta transformaram-nos no que se costuma chamar de “sociedade da informação”. A sociedade cuja base está justamente na facilidade do acesso rápido e instantâneo à notícia.

A internet, nesse sentido, surge como uma plataforma de emancipação da própria cidadania das pessoas e do (re)conhecimento sobre a importância que a sociedade civil organizada tem em um sentido limitador do poder dominante, ao mesmo tempo em que permite igualar as fontes de obtenção de conhecimento, sem discriminação – aliás, é tanto por isso que alguns regimes políticos autoritários teimam em manter a sociedade afastada da rede.

Portanto, e o que isso tem de ruim? A geração que cresceu no ambiente da internet vive e se relaciona em uma velocidade em aceleração constante. A mesma rapidez que permite ampliar os rumos do intercâmbio de informações torna-as desatualizadas em um piscar de olhos. A notícia é velha e obsoleta do dia para a noite. As pessoas consomem a informação como um produto da sociedade e do espaço em que vivem, deixando de observar a necessidade de reflexão e de degustação da essência do produto para transformá-lo em conhecimento.

Para fazer frente ao processo de aceleração, a informação é ofertada em migalhas e de forma superficial porque, logo em seguida, outra virá a substituí-la. Não se consegue debater, refletir, pensar, compreender, decifrar o que está por trás. Se houver profundidade, perde-se a próxima; se houver leitura mais densa de conteúdo, o tempo passa apressado.

A facilidade de acesso e a instantaneidade da procura, juntamente com a rápida obsolescência das coisas que nos conformam e com a baixa densidade de observação das pessoas, torna a sociedade irreflexiva e transforma a informação em mero produto de consumo rápido e voraz – e o conhecimento em uma simples e superficial capa da verdade inatingível. A essência é irrelevante já que a sociedade prefere conhecer a casca. E as pessoas, que são criadoras e criaturas desse novo modelo, mostram na rede apenas o seu epitélio, a mera pelugem do que verdadeiramente são, porque não conhecem a si próprios ou têm medo de conhecer-se.

E o que isso tem a ver com o ato de plagiar? Muito, a nosso ver. O plágio é uma espécie de externalidade negativa do advento da internet; é o efeito lateral indesejado oriundo de um sistema em rede criado para impulsionar a comunicação e a troca instantânea de conteúdo, mas que muitas vezes é utilizado como mecanismo de indevida cópia e colagem de dados, textos e informações das mais variadas, sem a efetiva preocupação com a citação da fonte ou com a certificação de validade do conteúdo. Essa agilidade no acesso à informação célere e superficial acaba retirando das pessoas o sabor da pesquisa porque pesquisar é complicado e dá trabalho.

A pesquisa necessita investigar a essência. A pesquisa demanda um caminho extenso e às vezes cansativo, um processo constante de imersão de conteúdo a partir da retirada da redoma que protege o núcleo do conhecimento. O plágio é justamente o desapego pelo caminho e a obsessão pela linha de chegada.

Esquece-se, porém, que quando o percurso é difícil e intrincado o alcance do resultado esperado o torna mais saboroso. Por outro lado, quando o caminho é facilitado por inúmeros instrumentos de obtenção do resultado, o ato de percorrê-lo parece que se esvazia. E a pesquisa nada mais é do que o caminho, árduo, difícil e complexo para realização do proveito final almejado e se sobrepõe à ideia de apenas cumprir uma formalidade (para não dizer um obstáculo – como a veem alguns alunos) necessária à obtenção do resultado verdadeiramente desejado: o grau de bacharel, especialista ou seja lá o que for.

Nesse sentido, a vida acadêmica deve ser transformada. A universidade deve ser observada como uma janela para ampliação de horizontes, evitando que se a enxergue como um simples e necessário passo para a vida profissional e a entrada no mercado de trabalho. O espaço universitário é, assim, local de reflexão científica no qual o trabalho acadêmico de conclusão de curso deve revelar-se como um verdadeiro fechamento de ciclo, elevado a ser importante por si mesmo e pelos benefícios que a pesquisa nele condensada pode gerar, para si e para outros – e não como um espinhoso obstáculo à obtenção do diploma.

É preciso ter em mente que a sociedade somente se desenvolve positivamente a partir da construção conjunta e compartilhada do conhecimento – o conhecimento como fim em si mesmo e não como mero instrumento para persecução de outras vantagens (diploma, ascensão social, aumento de salário ou qualquer outra forma de ganho material direto ou indireto). O conhecimento, portanto, não é mera ferramenta de trabalho ou de obtenção de melhoria de vida social; aliás, o conhecimento só é verdadeiramente um instrumento (meio) quando utilizado para a construção de mais e novas competências hábeis a implicar o desenvolvimento de todos os cidadãos; de resto, do ponto de vista individual, é um fim em si mesmo, uma forma de ascensão interna e pessoal.

* Artigo escrito por Antonio Augusto Cruz Porto, mestre em Direito Econômico e Socioambiental/PUCPR, advogado e professor da Universidade Tuiuti do Paraná-UTP, e Cibele Merlin Torres, mestre em Direitos Fundamentais e Democracia/Unibrasil, advogada e gerente do Núcleo de Concursos da PUCPR, associados do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/08/16 3:39:05 PM
(Foto: Brunno Covello)

(Foto: Brunno Covello)

Fechar os olhos para a tecnologia que permeia o cotidiano de um colégio é bobagem. E falo isso olhando não só para os alunos, cada vez mais ávidos pelas novidades que surgem, mas também para professores, diretores e pais. Uma ferramenta que, se bem usada, aproxima famílias na ampliação do conhecimento e na oferta de informação. Trazer para a sala de aula tantas quantas forem as mídias possíveis, renova a energia e possibilita a interação entre os alunos mesmo fora do período de aula. Mas nem sempre o que vemos são os bons exemplos da conectividade. E é aí que mora o perigo.

Não é novidade que os pais sempre devem estar atentos ao que os filhos acessam na internet. No entanto, o alcance e consequências do que é produzido e compartilhado é relativamente novo. É por isso que nunca se falou tanto da seriedade do cyberbullying (assédio virtual) para os jovens. Ainda em processo de formação, muitos adolescentes são alvo de publicações e comentários depreciativos, que podem causar traumas profundos. Depressão, interrupção de atividades e mudança de colégio e até mesmo de cidade não são incomuns quando essa realidade atinge alguns jovens.

Felizmente, há inúmeros casos de como a internet e as redes sociais utilizadas por adolescentes podem estar atreladas à disseminação da informação. O britânico Jackson Harries, por exemplo, é um vlogueiro que desde os 18 anos posta vídeos de suas viagens ao redor do mundo com destaque para os desafios enfrentados por pessoas que vivem na pobreza em países como Índia e Sri Lanka. O canal dele, e do irmão gêmeo, já tem mais de quatro milhões de assinantes. Outro exemplo é o aluno americano recém-saído do Ensino Médio, Matt Severson, que em viagem pela Tanzânia percebeu que quase nenhum dos adolescentes que conheceu estudava. Ele, então, criou o Fundo da Escola, uma plataforma digital que permite pessoas financiarem diretamente a educação de alunos e alunas de vários países em situação de pobreza. Já são mais de mil crianças e adolescentes beneficiados.

Mais perto da realidade brasileira, está a First Lego League, um programa internacional voltado para crianças de 9 a 16 anos, criado para despertar, com o uso da robótica, o interesse dos alunos em temas como ciência e tecnologia no ambiente escolar. Com o uso das redes sociais, esses alunos criam perfis de suas equipes, interagem com os fãs e também com outros times do mundo todo, já que o evento acontece em mais de 100 países. O grupo de jovens usa todo o conhecimento para criar soluções com robôs para problemas do cotidiano. Na temporada 2015-16 o torneio teve como tema a reciclagem (Trash trek).

Essas boas ideias mostram que o uso consciente e responsável da internet e das mídias sociais também serve para fazer o bem, estimular o conhecimento e criar um mundo com mais oportunidades e igualdade. O nosso papel como educadores é direcionar os alunos para atitudes inteligentes, para produzir e disseminar boas ideias.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/08/16 9:54:44 AM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O papel do pai na sociedade atual tem sofrido alterações, sobretudo, nas últimas décadas. Notamos que a “condição” de pai evoluiu e, diga-se de passagem, a palavra “evoluiu” é bem apropriada, pois, felizmente, observamos que os pais estão muito mais próximos dos filhos e conhecedores de suas necessidades e vivências.

As transformações culturais, sociais e familiares, são responsáveis por essas mudanças. As famílias precisaram se adaptar para “dar conta” de seus filhos, visto que a figura materna assumiu um papel social para além da casa.

O pai, na maioria dos lares brasileiros, não é mais o único responsável pelo sustento da família e tal realidade implicou na necessidade de o homem assumir afazeres domésticos que antes eram reservados à mãe. É cada vez mais comum vermos o pai como responsável pelo jantar, enquanto a mãe acompanha o banho dos filhos, no final do dia. A orientação da “lição de casa” também já não é mais uma exclusividade feminina. E que bom que essas mudanças vêm ocorrendo!

Historicamente, até pouco tempo atrás, o pai exercia fundamentalmente uma atitude educadora e disciplinadora, de acordo com indicadores basicamente rígidos e repressivos. Assim, a interação entre pai e filhos era reduzida, em especial nos primeiros anos de vida, já que a mãe assumia todo o cuidado frente às necessidades do bebê. Esta situação foi mudando, lenta e progressivamente, porém, a mudança de hábitos nem sempre tem acompanhado o ritmo da transformação dos valores, o que acaba por ocasionar conflitos e incertezas na rede de relações afetivas familiares.

Estudos indicam que a participação efetiva do pai no desenvolvimento da criança e a interação entre pai e filhos são fatores determinantes para o desenvolvimento cognitivo e social, influenciando na aprendizagem e na conexão da criança com a comunidade na qual está inserida.

O contato corporal entre o bebê e o pai, no cotidiano, é referência na organização psíquica da criança, devido à sua função estruturante para a percepção de que não somente a mãe é o seu universo. A presença paterna, que em geral traduz força e segurança, também pode trazer aconchego e tranquilidade, o que levará a criança a crescer mais segura, resiliente e acolhedora.

Já a ausência paterna é associada também aos índices de distúrbios do comportamento em adolescentes. Pesquisas mostram que tal ausência geralmente tem impacto negativo em crianças e jovens, sendo que estes estariam em maior risco para desenvolver problemas de comportamento. O vazio deixado pela ausência do pai, gera nas crianças o sentimento de não serem amadas e uma grande desvalorização de si mesmas, em consequência disso. Além dessa autodesvalorização, sobressai o sentimento de culpa por a criança se achar má. Inconscientemente, ela acredita que se o pai não está com ela, é porque ela não é merecedora de sua atenção.

A presença constante e fortalecedora do pai provê uma base segura a partir da qual uma criança ou um adolescente sente-se apto para explorar o mundo exterior, entretanto, se necessário for, sabem que podem retornar ao núcleo familiar, certos de que serão bem-vindos, nutridos física e emocionalmente, confortados se houver algum tipo de sofrimento e encorajados se estiverem ameaçados. A consequência dessa relação de apego é a construção de um sentimento de confiança e segurança da criança em relação a si mesma e, principalmente, em relação àqueles que a rodeiam, sejam estas suas figuras parentais ou outros integrantes de seu círculo de relações sociais.

*Artigo escrito por Josiane Miara, coordenadora do período ampliado do Colégio Marista Santa Maria, da Rede de Colégios do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 15/08/16 11:59:42 AM
(Imagem: Divulgação)

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O bicho-papão é uma figura fictícia mundialmente conhecida. É uma das maneiras mais tradicionais que os pais se utilizam para colocar medo filhos, no sentido de associar o monstro lendário à contradição ou desobediência da criança em relação à ordem ou conselho do adulto. Segundo o mito popular, o bicho-papão se esconde no quarto das crianças desobedientes ou mentirosas, para assustá-las no meio da noite. Quando uma criança faz algo errado, ela deve pedir desculpas, caso contrário, segundo a lenda, receberá a visita do monstro.

E quando uma criança faz algo de errado na Internet, será que o bicho-papão aparece?

Aparece sim, com a ficção se transformando na dura realidade das agressões virtuais à criança e de sofrimento aos pais.  O artigo 229 da Constituição Federal retrata que “os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos”. O mesmo ocorre nos artigos 22 e 55 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que retratam claramente a responsabilidade dos pais em acompanhar e educar as crianças e adolescentes.

O artigo 21 da Lei 8069/90 retrata que o poder pátrio pode ser exercido em igualdade de condições pelo pai e pela mãe, da forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer um deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 116, afirma que a autoridade poderá obrigar o adolescente (menor entre 12 e 18 anos de idade) a restituir a coisa, promover o ressarcimento do dano ou compensar o prejuízo da vítima, nos casos de atos infracionais que resultem em prejuízos materiais.

Por sua vez, o Código Civil dispõe que os pais têm obrigação de dirigir a educação e exercer uma espécie de poder de vigilância sobre seus filhos menores de 18(dezoito) anos. Esta é uma forma de limitar taxativamente a responsabilidade dos pais que se tornam responsáveis pelo motivo de seus filhos não terem capacidade de discernimento. Como exceção, a responsabilidade se tornará solidária (pais respondem juntamente com o filho pelo dano causado por este) quando o adolescente, mesmo sendo menor, é emancipado (na doutrina existem, porém, manifestações frontalmente contrárias a esse entendimento).

Atualmente, o bicho-papão tem formas bem definidas: ação criminal para os agressores e indenizatória contra pais e escolas em virtude de divulgação não autorizada de imagens, insultos, agressões e crimes cometidos virtualmente, em virtude da omissão daqueles que deveriam orientar crianças e adolescentes a não fazer justiça (ou injustiça) com o próprio celular.

A função da lei é a proteção dos bens jurídicos fundamentais, como a vida, honra, patrimônio, integridade física, liberdade e a privacidade, sendo que as punições previstas na lei fatalmente atingirão aos que praticarem delitos e desrespeitarem o complexo de princípios – jurídicos e sociais – que tutelam e protegem a vida humana em todos os aspectos.

A legislação brasileira voltada para a criança e o adolescente não é suficiente para a proteção se não houver as devidas informações de ataques virtuais para as autoridades públicas.  A segurança e bem-estar da família e da escola não ocorrerá por um processo judicial ou com elaboração de novas leis. Necessita-se de atitudes preventivas e combativas, objetivando a instrução, educação e cobrança dos órgãos públicos para que a perspectiva de paz social digital não seja apenas um sonho.

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 08/08/16 3:12:27 PM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Em uma caminhada de aproximadamente meia hora com uma criança de 5 anos muito curiosa, imaginativa e observadora, é possível perceber claramente como o mundo delas está imerso nas perguntas e não nas respostas.

Passeando com a minha filha caçula Giovanna – Nana, fomos até a praça com o Jack – nosso cão – e tanto na ida, quanto na volta ela me surpreendia com perguntas e comentários dos mais curiosos e estimulantes.

Pai, você viu que tem bambus novos nascendo ali naquele mato, e com certeza deve ter sacizinhos junto? Sabia que eles nascem ali? Pai, Por quê o rabo do Jack flutua na grama? (observando o Jack descansado na grama alta). Flutua filha? Sim, olhe lá como o rabo não entra na grama como a pata dele, porque eu acho que ele é bem leve, pois os pelos são leves, né?! Puxa é verdade filha, tem razão. Mas pai, será que os nossos pelos flutuam na grama também? (e lá foi ela testar seus cabelos). Pai, venha ver essa abelha em perigo com as formigas. Onde? Aqui, tem um monte de formigas vermelhas atacando a abelha. Mas como que elas conseguem se a abelha é maior e tem ferrão? Pois é filha, o que você acha? Hummm, eu acho que é porque elas estavam com ciúme da abelha e se juntaram pra atacar ela. E aí a abelha perdeu porque as formiguinhas se juntaram. Pai, olha que flor curiosa essa. Veja lá, parece peninha de pássaro. Como será que se planta uma dessa lá em casa? Acho que vou ter que falar com o Vovô Silvio, porque ele é especialista em plantas.

Em apenas alguns minutos, uma criança é capaz de disparar perguntas que nos tiram do chão. Sem medo, sem preocupação com o erro, com a exposição ou com o julgamento. Dessa maneira exercitam sua curiosidade e aprendem naturalmente. Não se colocam acima de ninguém e testam possiblidades. E a medida que crescemos somos condicionados a limitar nossas possibilidades. Nos tornamos mais céticos, calculistas e deixamos de explorar. E o pior, deixamos de transmitir aos nossos filhos, e professores aos seus estudantes, que perguntar faz bem e que sim é possível irmos muito além das respostas óbvias e expandirmos conhecimento através das perguntas. Aliás, nosso potencial criativo se desenvolve muito mais em cima de perguntas do que necessariamente respostas prontas. Por que? Por que não? Será que não seria melhor se…? E se fizéssemos de outro jeito? E se por acaso fosse o contrário? Simples perguntas, mas que podem desvendar várias respostas criativas para resolver um único problema. Assim muitos inventores e inovadores já o fizeram. Já dizia meu amigo, Eloi Zanetti, com quem fundei a Escola de Criatividade: “Para sermos mais criativos precisamos inclusive nos permitir a fazer perguntas fora de contexto, idiotas ou impertinentes, pois muitas delas quando nos arriscamos a fazer, são justamente aquelas que destravam processos e encontram novos caminhos, além de não serem nada idiotas e se revelarem ousadas no final”.

Em outro episódio, a pequena Giovanna começou a cuidar de um tatu bolinha que havia encontrado no gramado. Levava seu pequeno amigo pra cima e pra baixo, pra escola e pra casa. Fazia anotações, desenhos e numa caminhada para a escola em uma rua em declive, carregando seu tatu-bola, ela parou, olhou bem a rua e perguntou: – Pai, Como será que esse tatu bolinha pode atravessar essa rua? Ao invés de dar uma resposta qualquer para ela, simplesmente devolvi a pergunta: Por que filha? O que você acha? E ela disse: – Bem eu acho que se ele virar bolinha vai ser mais fácil de atravessar essa rua. Por que filha? Porque como bolinha ele fica mais liso e pode escorregar mais rápido pra atravessar sem ser atropelado e ainda agora está ventando muito. – Legal filha, interessante. – Algo mais? – Sim pai, nessa rua assim em descida ele terá que atravessar em diagonal pra ir mais rápido né?

Essa série de perguntas em cima de como eventualmente um tatu-bolinha poderia atravessar uma rua, nos mostra grandes lições. Se nesse caso, como adultos, pais ou professores, nos precipitamos em apenas responder prontamente a indagação de uma criança, limitamos seu próprio potencial de explorar e descobrir por conta própria. Ao estendermos perguntas e ampliarmos as possibilidades, damos a elas autonomia. E quando damos autonomia, sentem-se desafiadas a pensar e a criar mais. Damos liberdade, mas também responsabilidade do pensar. Ao pensar o problema do tatu-bolinha, a Nana não apenas se colocou no lugar do outro, como também exercitou algo essencial para o aprendizado e para a criatividade, seu poder de intuição. Pela intuição é possível até afirmar que ela chegou a intuir sobre atrito por dizer que ao virar bolinha, ele ficaria mais liso e atravessaria mais rápido. E que para atravessar uma rua em declive talvez em diagonal poderia ser mais fácil. Mesmo estando longe de aprender qualquer coisa da física em sua forma acadêmica, a pequena curiosa utilizou-se de sua imaginação e intuição.

Precisamos, portanto, como pais e educadores, reaprender com as crianças, a perguntar mais e a deixar-se perguntar. Perguntar de forma curiosa, sem nos preocuparmos tanto com o simples, o óbvio ou com o que os outros vão pensar. Por que será que nos apegamos tanto a poucas perguntas apenas, quando sabemos que há várias possíveis para solucionar um problema ou criar algo novo? E a ouvir apenas uma única resposta, como se fosse a única verdade, sem deixar espaço para outras que podem abrir portas para novos mundos? Acontece em casa, na escola e acontece também no trabalho. Nos conformamos com respostas confortáveis, que nos colocam no menor risco possível.

Deveríamos gastar mais tempo questionando e perguntando para obtermos mais repertório, mais criatividade e essencialmente mais possibilidades. Crianças não restringem possibilidades, se alimentam delas. Acho que, talvez, deveríamos seguir dois caminhos inspirados nos pequeninos: gastar mais tempo perguntando para chegar a melhores respostas e ampliar nossas oportunidades, e também permitir e estimular que outros perguntem.  E porque não se lembrar no momento em que uma criança nos fizer perguntas, de ter a paciência e a sabedoria para ouvir e estimulá-la a continuar perguntando? Quem sabe assim, no futuro, tenhamos adultos menos sisudos, mais curiosos, criativos e com muito mais possibilidades que nós. Por que não?

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 03/08/16 10:41:00 AM
(Foto: Aniele Nascimento)

(Foto: Aniele Nascimento)

As concepções pedagógicas modernas consideram que, no espaço escolar, ensinar e aprender envolve toda a comunidade – alunos, professores, funcionários, pais/mães, e é uma via de duas mãos: todos aprendem e ensinam uns aos outros. Esse processo educativo, que está para além da sala de aula, deve ter como norte principal o convívio e valorização da diversidade, eixos centrais no processo de aprendizagem. Assim, é fundamental desenvolver mecanismos – legais, pedagógicos, práticos – para trabalhar em todos os espaços da escola a ideia de que as diferenças são positivas. Conviver, compreender, aceitar, ver beleza no “outro” são os grandes desafios!

Tendo em vista essa diretiva, muito se tem discutido atualmente sobre um aspecto particular: a chamada inclusão escolar. São crescentes as preocupações mundiais com o tema, especialmente no que diz respeito à inserção das crianças (e jovens) autistas ou, como também se costuma chamar, com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Até pouco tempo esses alunos estavam praticamente restritos ao ensino especial, em instituições especializadas. Ou seja, eram alijados do convívio com os “outros”. No Brasil, a lei nº 12.764/12 estabeleceu recentemente a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, consolidando as responsabilidades de diretores, professores e pais/mães na tarefa de incluir crianças com esse quadro na educação regular.

É preciso atentar para o acelerado crescimento dos casos de autismo, que é mundial. Para termos uma ideia, basta verificar os números comparativos das crianças com o transtorno nos Estados Unidos, onde entre 2012 e 2014 aumentaram em 30%, chegando a um para cada 68. Tendo em vista esse quadro, é fundamental que as escolas e todos os seus entes desenvolvam maior conhecimento sobre como atuar na direção de compreender esse “outro” cada vez mais presente, cada vez menos “outro”. Aqui, cabe pensar que o desafio da diversidade se tornou algumas vezes maior: como compreender e incluir alunos cujas dificuldades e limitações estão na socialização, linguagem e comportamento – pilares fundamentais do processo educativo e do convívio social?

Aqui, é importante lembrar que há diversidade nas características de cada pessoa com TEA. Assim, alguns se expressam com facilidade, enquanto outros têm baixa comunicação verbal. Há casos de crianças mais sensíveis à aproximação social, enquanto outras não se relacionam. A despeito desses níveis variarem, havendo outras individualidades que compõem esse quadro de características, pesam sobre todos as dificuldades de seguirem padrões sociais, cognitivos e comportamentais considerados normais.

Vejamos um exemplo: crianças com TEA podem ficar muito incomodadas com quebras de rotina. Assim, se uma atividade que acontece num dia específico da semana não acontecer, isso pode causar um efeito adverso, que pode se expressar de forma intensa, seja na forma de gritos ou reações físicas agressivas. Isso afeta de forma direta os padrões desejáveis de comportamento dentro de sala de aula. Ao romper com a “normalidade” do ponto de vista do autista, estaremos causando um impacto maior do que em crianças que não tem o transtorno. Agredir ou gritar também são formas de expressão que devem ser compreendidas como parte das formas de expressão dentro do espectro do autismo, e, da mesma forma, tratada adequadamente. Esse é um dos motivos pelo qual é importante, em boa parte dos casos, o acompanhamento de um tutor, professor auxiliar que estará não só dando suporte pedagógico aos aspectos do ensino aprendizagem, mas tentando contornar de forma adequada esses momentos. É desejável, como prevê a lei, que esse profissional seja especialista em educação especial e conheça o TEA.

O gosto infantil pela verbalização, pelo frenesi físico e por momentos ruidosos como o recreio, com intensidade de falas, movimentos e barulho podem, para as crianças com autismo, ser muito incômodas e indesejáveis. Mais uma vez, o mundo da escola pode não se coadunar com o mundo das crianças TEA. Saber que essas atividades consideradas positivas pela maioria das crianças e compreender que venham a causar impacto negativo sobre os autistas é muito importante.

Incluir efetiva e afetivamente as crianças e jovens com o transtorno no cotidiano escolar, exercitando suas potencialidades e respeitando suas diferenças é uma necessidade premente da educação contemporânea. A Declaração de Salamanca, documento de referência mundial sobre políticas e práticas inclusivas, escrito em 1994, propõe que o ensino deve ajustar-se às necessidades de cada criança, em vez de cada criança se adaptar aos supostos princípios quanto ao ritmo e à natureza do processo educativo e as escolas integradoras devem partir do princípio de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter.

Estamos ainda, a meu ver, longe de conseguir tal feito. Há instituições particulares que dificultam o acesso das crianças autistas ao ensino regular, pois é direito dos pais que o ônus financeiro do tutor seja da escola. De outra parte, a rede pública, ainda que contemple maior diversidade geral, também não está ainda preparada para receber – nem compreender – esse mundo particular dos TEA. Aprender de acordo com seu ritmo, fazer amigos – ainda que poucos –  e ser feliz no convívio escolar são as tarefas que se colocam para mães, pais, alunos, professores e direção das instituições de ensino.

Deve haver uma sensibilização pública sobre essa causa, com a afirmação de toda comunidade pelo compromisso de uma escola integradora, que promova atitudes positivas entre as crianças, professores e o público em geral. E isso deve se dar por meio de ações cooperativas, colaborativas, coletivas com foco no fomento de pensamentos e atitudes inclusivas.

* Artigo escrito por Otavio Zucon, professor, historiador, videodocumentarista, pai da Aurora (criança com TEA), de 8 anos, e produtor da Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/07/16 4:57:35 PM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

A maior parte de nós tem necessidade de participar de grupos, desportivos, sociais, profissionais, de estudo; e atualmente as redes sociais tem exercido papel de relevo na inserção em coletividades específicas no ambiente virtual.

Mas é preciso lembrar que Pierre Lévy, filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação, professor de Hipermídia da Universidade de Paris, define “virtual” como o que não se opõe ao real ou material, para ele “ainda que não esteja fixo em nenhuma coordenada de tempo e espaço, o virtual existe, ele é real, mas está desterritorializado”, ou seja, ocupa um espaço físico, o computador, ferramenta de produção de textos, sons e imagens, constituindo-se, portanto, num “operador da virtualização”.

Este mesmo pesquisador declara que embora nenhum ser humano saiba tudo, a humanidade possui todo o saber, todos sabem alguma coisa, e é dentro desta perspectiva que muitos professores têm utilizado as redes sociais, e especificamente o Facebook, como ferramenta de ensino-aprendizagem, que permite criar novos espaços e comunicação independente de distância ou tempo de encontros presenciais. Entretanto, embora saibam que redes assumem aspectos positivos como estes, criando laços emocionais entre indivíduos distantes e aumentando sua tolerância, elas também podem facilitar comportamentos violentos ou pelo menos agressivos, que ferem abertamente as regras da etiqueta que procura disciplinar atitudes e linguagens dentro do ambiente virtual; e assim estruturam o uso de acordo com os interesses de suas respectivas disciplinas, sincronizado com o desejo de compartilhamento e comunicação colaborativa que tanto atraem os jovens.

Utilizado desde 2004 na Universidade Harvard, o Facebook tornou-se uma das redes mais populares a partir de 2006 nos meios corporativos e individuais, e pode representar um apoio significativo para o ensino presencial, exatamente por expandir a sala de aula, não apenas no aspecto material, pois o próprio quarto do estudante passa a ser um prolongamento dela; pode ser levada no bolso com o celular, é portátil no tablet, é apreciada como forma de interação com amigos e de grande familiaridade em suas potencialidades, o que facilita a participação.

Outra vantagem do Facebook é ser muito menos rígido que outras tecnologias básicas de aprendizagem; o tempo gasto para domínio de uma plataforma que o aluno usará exclusivamente no estudo termina por desmotivar o estudo em si, ou seja, aprender como estudar e só depois estudar parece excessivo para a geração do “tudo ao mesmo tempo aqui e agora”.

E é exatamente na aprendizagem colaborativa que o Facebook tem sua maior potencialidade pedagógica: ao interagir sobre um determinado tema, opinando, criticando, citando outras fontes, complementando informações mútuas, o sentimento de pertencimento é fortalecido de forma positiva, e a construção do conhecimento se efetiva por meio de uma abordagem inovadora da simples leitura de texto seguida de debate.

Ao lado destas qualidades, surge a necessidade premente de discussões acerca de novas relações trabalhistas, pois o docente é demandado pelos estudantes inclusive nos fins de semana: adictos ao Face, enviam perguntas, fazem comentários, exigem intermediações contínuas. Parece muitas vezes impossível a eles que o professor não possa estar eternamente disponível. Metodologicamente também é indispensável estudarmos um pouco melhor este espaço complementar de aprendizagem, como melhorar as condições de interação entre docentes e discentes sem comprometer fundamentações teóricas importantes apenas no seu aspecto lúdico. Compreender exatamente onde termina a simples brincadeira – importante e facilitadora da aprendizagem – e começa o verdadeiro conhecimento sobre o tema abordado é fundamental para um professor, a ferramenta não pode substituir o objetivo a ser alcançado com ela.

Outro tópico a ser aprofundado diz respeito às aprendizagens com o suporte da internet, baseadas na comunicação em rede, pois implicam em processos participativos, estabelecendo novas relações em termos de propriedade intelectual, pelo mútuo envolvimento, pelo compartilhamento do conhecimento e, eventualmente, gerando construção conjunta de protótipos ou produtos.

É um modelo de atividade que extrapola o individual, denota experiência e estruturação de representações, reflexões, e que amplia as capacidades cognitivas de cada participante, mas que ainda desafia seus usuários.

* Artigo escrito por Wanda Camargo, professora do UniBrasil Centro universitário e associada do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/07/16 4:52:24 PM
(Imagem: Divulgação)

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A imprensa fiscaliza o governo. A imprensa fiscaliza os juízes. A imprensa fiscaliza os artistas. A imprensa fiscaliza os empresários. A imprensa fiscaliza os políticos. A imprensa fiscaliza os jogadores de futebol. A imprensa fiscaliza os guardas de trânsito. A imprensa fiscaliza os padres e os bispos. A imprensa fiscaliza os funcionários públicos. A imprensa fiscaliza o cinema e o teatro. A imprensa fiscaliza os professores… A imprensa só não fiscaliza a imprensa. Quem fiscaliza a imprensa?” Este texto, publicado no site do Instituto Gutenberg (igutenberg.net/apresent.html), representa muito bem a discussão a respeito do accountability midiático, de fundamental importância quando nos vemos diante de uma profunda crise política que tem a mídia como um de seus protagonistas.

O termo accountability, frequentemente traduzido para o português como responsabilização ou prestação de contas, faz referência à obrigação de órgãos administrativos ou representativos de prestar contas sobre o cumprimento de suas obrigações a entidades controladoras ou ao público. O princípio da accountability está profundamente relacionado com a democracia moderna, uma vez que se refere a mecanismos que visam e possibilitam a responsabilização dos representantes políticos pelos seus atos. A accountability prevê a cobrança, interpelação ou questionamento público por parte de atores sociais que identifiquem nas instituições políticas ou nas organizações empresariais comportamentos inadequados às expectativas geradas pelas suas reconhecidas normas e funções. A mídia, principalmente através do jornalismo, é um desses mecanismos, pois, em sua função de “cão de guarda” realiza o monitoramento das autoridades. Todavia, a mídia pode ser alçada de promotor de accountability para objeto accountable, ou seja, se torna sujeito de um accountability midiático.

O professor francês Claude-Jean Bertrand chama os sistemas de responsabilização da mídia de Media Accountability Sistems (MAS). São mecanismos cooperativos, internos ou externos às instituições de comunicação, que visam arbitrar a atividade profissional do jornalismo através da prestação de contas do conteúdo. Estes mecanismos se direcionam para a medição da parcialidade e da utilidade pública das instituições de comunicação, através da participação da sociedade civil, visando a melhoria dos conteúdos midiáticos. Possuem um propósito triplo: ajudar os jornalistas a servirem o público, ajudá-los a formar e legitimar a profissão e ajudá-los a recuperar a confiança do público, dando-lhes suporte para resistir às pressões políticas e econômicas.     Os MAS são diversos – Códigos de Ética, cartas ao editor, a figura do ombudsman, conselhos de imprensa, agências regulatórias, observatórios de imprensa, ferramentas de crítica de mídia, a formação profissional e a alfabetização midiática – mas se agrupam na mesma nomenclatura por possuírem o mesmo objetivo: a melhoria dos serviços midiáticos, através da avaliação e monitoramento da mídia, e a formação e educação do público para o consumo midiático.

A crítica de mídia e a alfabetização midiática são assuntos que urgem uma discussão acadêmica. As escolas e as universidades precisam discutir a formação dos profissionais de mídia, o papel da mídia como formador social, e, principalmente, precisam promover a alfabetização midiática da população. A alfabetização, comumente tratada como capacidade de ler e escrever, precisa ser extendida à leitura de diferentes tipos de mídia, habilidade fundamental para cidadãos que adquirem a maior parte de suas informações através do sistema midiático e tecnológico. Jovens e adultos midiaticamente alfabetizados são capazes de estabelecer novas relações com os meios de comunicação, que os permitem não somente compreender melhor suas mensagens, mas também sua estrutura e suas formas de controle.

A fim de promover essas tão importantes discussões, o Encontro de Pesquisa em Comunicação – Enpecom – promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Paraná, em sua oitava edição, traz a Curitiba, entre os dias 28 de setembro e 01 de outubro, os professores José Luis Braga (Unisinos), Rogério Christofoletti (UFSC) e Sylvia Moretzsohn (UFF), três importantes especialistas no tema. Braga é autor do livro “A Sociedade enfrenta sua mídia” e um dos mais respeitados quando o tema é Crítica de Mídia; Christofoletti é um dos líderes do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) e Moretzsohn concentra-se nas relações entre a ética e as transformações do jornalismo no contexto da internet. O congresso recebe artigos científicos até 05 de agosto, mas toda a comunidade pode participar das discussões e oficinas como ouvinte. Interessados no tema podem se inscrever no site do evento. (www.enpecom.ufpr.br/inscricao)

*Artigo escrito por Carla Rizzoto, Doutora em Comunicação, Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPR e Coordenadora do ENPECOM. A profissional é colaboradora voluntária do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/07/16 9:49:21 AM
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A formação inicial é apenas o primeiro degrau de qualquer profissional, e com o professor não é diferente. O que aprendemos há alguns anos, acaba por se tornar obsoleto. No contexto de uma sociedade do conhecimento, a educação exige uma abordagem em que a tecnologia não pode ser desconsiderada.

O uso de ferramentas tecnológicas tem sido cada vez mais comum em nossa vida. Lidamos com diversos instrumentos em tarefas do cotidiano e para a superação de necessidades. Assim, o professor também deve buscar novas formas de aprender e ensinar. Para tal, é preciso que considere sua formação contínua no desenvolvimento de habilidades e competências para lidar com as tecnologias, atentando-se para seus objetivos pedagógicos e curriculares.

Manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino, tecnologias como ferramentas de aprendizagem e práticas pedagógicas mais eficientes são algumas sugestões para a formação do professor, que também deve considerar seu crescimento pessoal, ou seja, ajudá-lo a perceber-se como agente de seu próprio desenvolvimento, e a escola como lugar de crescimento profissional permanente.

O uso das novas tecnologias de forma integrada ao projeto pedagógico é uma maneira de se aproximar da atual geração de estudantes. As tecnologias digitais já fazem parte do cotidiano dos alunos e cabe à escola utilizá-la como meio para intencionar a aprendizagem. Há várias formas de utilizar a tecnologia na sala de aula, ou fora dela, como ferramenta de aprendizagem, mas é necessário que o professor compreenda em quais situações ela efetivamente ajuda; a tecnologia não é um fim em si mesma.

Com a internet, os alunos conseguem ter acesso a muito mais informação que antigamente. O lugar do professor muda, assim, para uma nova configuração, em que ele problematiza e aproxima seus estudantes dos saberes científicos e das relações da natureza humana.  Para tal, precisa desafiar, instigar, dialogar, prover condições favoráveis à interatividade, induzir os estudantes à investigação e elaboração próprias, os desafiando a propor soluções para os problemas apresentados.

O uso de novas tecnologias da comunicação em sala de aula apresenta-se aos professores como uma grande possibilidade de ganho no processo de ensino-aprendizagem, mas está a exigir-lhes uma mudança de estratégia pedagógica, forçando-os a uma reflexão permanente e um debate constante acerca de certos paradigmas da aprendizagem; uma disponibilidade maior para elaboração de situações inteligentes; a criação de novos formatos de avaliação, com integração que se inicie nos projetos interdisciplinares e culmine em ações conjuntas; uma comunicação constante entre os docentes sobre a rotina da turma.

Os novos tempos em educação exigirão novos professores, preparados para novas ideias e para criação de conhecimento, de forma a serem transformadores. Com o apoio das TIC em suas aulas, a possibilidade de traçar metas e atingir marcos educacionais torna-se cada vez mais realista. Mudar o paradigma de aula tradicional a que os professores estão acostumados não parece tarefa fácil, mas necessária e gratificante.

*Artigo escrito por Andréa Studart Correa Galvão, diretora educacional do Colégio Marista de Brasília. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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