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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/03/15 2:55:16 PM
(Foto: Divulgação)

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Os recursos eletrônicos de comunicação têm um fascínio que supera de longe o encanto trazido pelo cinema e o telefone às gerações do início do século vinte. Sua arma, não tão secreta, é o imediatismo e a interatividade: qualquer criança opera celular ou tablet, às vezes melhor que um adulto. E são crianças e adolescentes os seus grandes consumidores, às vezes com certo exagero, dando mais atenção a redes sociais e amigos distantes do que a seus próprios familiares e próximos.

Vários pesquisadores afirmam que os meios tecnológicos não são neutros, num aparente paradoxo, afinal são apenas meios, intermédios, não poderiam ter atuação própria. Mas referem-se à facilidade e velocidade de acesso a infinitos conteúdos sem a indispensável reflexão e, isso sim, modifica o pensamento e a forma de pensar. Até mesmo professores de língua portuguesa relatam a diferença de linguagem e abordagens de tema quando escritos à mão ou em meio eletrônico.

São muitas as dessemelhanças de personalidade entre crianças com muito ou pouco acesso às mídias digitais; se tomarmos, por exemplo, a televisão, que tem sido avaliada em seu impacto educacional: o seu “discurso” específico parece fazê-las mais hábeis para a atuação multitarefas, comparativamente àquelas de gerações anteriores. Crianças acostumadas a várias horas televisivas diariamente têm demonstrado maior percepção das relações espaço-temporal, maior sensibilidade às relações entre o todo e as partes que o compõe, estão mais aptas para fazer provas tipo teste, apresentando também mais talento para representações, talvez auxiliadas pelo hábito de manipular seus “avatares” no ciberespaço, inserção rápida em outras culturas, trânsito mais frequente entre a realidade e o mundo virtual.

Porém, nada é perfeito, e a obesidade infantil tem sido associada à inatividade frente à TV ou preferência pelos jogos em computador, em relação aos que queimariam calorias ao vivo, e nas escolas estudantes parecem só entender mensagens mais curtas, não conseguindo manter a atenção em textos longos ou aprofundados, valorizando mais a presença virtual que a real.

Os considerados nativos digitais, “funcionam” de forma diferente de seus pais e professores, os estrangeiros digitais, educados sem tanto (ou até nenhum) recurso tecnológico, que podem até ter desenvolvido habilidades para usá-los com certo conforto, mas não tem a facilidade dos navegadores da interatividade desde a mais tenra infância. E não podemos negar que as novas mídias digitais trouxeram mudanças significativas nos relacionamentos, consumo e interações sociais, pois, de certa forma somos todos agentes da comunicação, geradores de conteúdos midiáticos, independente da geração a que pertençamos.

O que já foi privilégio de profissionais, divulgar suas opiniões, apreciações, julgamentos, está ao alcance de qualquer pessoa. Podemos fazer chegar ao mundo o que pensamos, porém o excesso de oferta compromete a demanda, são tantas as opiniões sobre tantos assuntos que o interesse resume-se a círculos de amigos e convertidos. As atenções gerais continuam concentradas nos profissionais e em geradores de escândalos.

A mídia tem sido apresentada em alguns casos como uma entidade que poderia criar ou destruir reputações e governos. Seria uma espécie de superestrutura independente, fechada em si. Tanto que, sempre que alguém é acusado de malfeitos, declara ser alvo de uma “conspiração da mídia”, geralmente sem especificar qual mídia e quais as perversas intenções que esta poderia ter para atacá-lo. A palavra vem do inglês media, derivada do latim medius, significando meio, intermédio; no caso, entre opiniões, fatos, notícias e o público, e inclui imprensa escrita, rádios, TVs, redes sociais (até mesmo os blogs “independentes e à margem do sistema”), e todos os recursos de comunicação. E os seus conteúdos é que podem agradar, ou desagradar, pessoas e instituições.

Sendo impossível que contente a todos, a mídia está em bombardeio constante, consequência também de uma inversão do modo de ver de McLuhan, autor que declarava que a “mensagem” de qualquer meio (ou tecnologia) é a mudança de escala, cadência ou padrão que ele introduz nas coisas humanas, parecendo haver hoje uma crença generalizada de que “a mensagem é que é o meio”; como se fatos relatados fossem criação de quem os relata e não de quem os produziu ou causou. Ressalvados os casos em que isso efetivamente ocorre, e que são em cada vez menor número, até pela grande diversidade de “mídias” concorrentes, que produzem um saudável controle sobre eventuais abusos umas das outras, num verdadeiro e democrático controle social.

Somos hoje geradores e consumidores de muita informação, no entanto, nem sempre a transformamos em conhecimento; temos consciência de que todo o processo educativo necessita ser ressignificado, com maior aproximação entre os conteúdos e as novas formas tecnológicas de apresentá-los, mas poucos vencem este desafio.

*Artigo escrito por Wanda Camargo, professora do UniBrasil e associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/03/15 5:53:10 PM
(Foto: Divulgação)

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Em oportunidade anterior, destaquei neste espaço a importância que a aprovação do Plano Nacional de Educação representou para o planejamento e a melhoria da educação em nosso país. O estabelecimento de metas claras, ainda que não seja por si só um remédio para todos os males, pelo menos estabelece parâmetros claros para nos cobrarmos, enquanto sociedade, sobre que tipo de educação queremos para nossos filhos e para nós mesmos.

No entanto, as deficiências históricas de nosso sistema educacional, aliadas às peculiaridades do capitalismo tupiniquim – que defende a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos – tornaram possível a expansão brutal de um nível de ensino para o qual o PNE guarda um constrangido silêncio. Refiro-me à pós-graduação latu sensu, conhecida também por especialização ou ainda, seguindo uma verve mercadológica, por MBAs, MFAs, GBAs e congêneres. Para se ter uma ideia da expansão desse nível de ensino, no sistema e-MEC constam nada menos que 1.358 cursos de especialização presenciais ativos em Curitiba, o que daria uma média de mais de 20 cursos para cada uma das 65 instituições de ensino superior daqui. Obviamente, nem todos esses cursos estão realmente funcionando: grande parte deles fica com matrículas abertas permanentemente, esperando “fechar turma” – ou seja, atingir o número mínimo de matriculados para tornar o curso viável.

Essa expansão foi possível por dois motivos: primeiro, porque as instituições de ensino (incluindo aí as públicas) viram nos cursos de especialização uma fonte adicional de recursos; segundo, pela relativa ausência de regulação por parte de MEC ou CAPES sobre esses cursos, que permitem às instituições abrir, reformular ou fechá-los livremente, tornando sua oferta mais flexível e menos fiscalizada que as graduações, mestrados ou doutorados. Emparedadas entre a graduação e o strictu sensu, as especializações oferecem às instituições e mantenedores uma fonte adicional de receita sem precisar prestar grandes contas à sociedade.

Se, de um lado, observa-se a expansão elástica da oferta das especializações e, de outro, o silêncio do Plano Nacional sobre o papel desses cursos no desenvolvimento de nossa educação, algo de contraditório se revela. Qual seria, afinal, o papel das especializações na melhoria da formação de cada um e no aumento dos níveis de escolaridade de nosso país? Por que, afinal, um volume expressivo de recursos de graduados e instituições é direcionado para cursos dessa natureza, se esse conjunto expressivo de oferta não é considerado no estabelecimento do nosso futuro educacional?

Abandonada a visão macroscópica sobre o fenômeno e olhando as especializações de perto – do ponto de vista de um ex-professor, como é o meu caso – o que se vê causa novas dúvidas. É óbvio que, no volume de oferta citado acima, a quantidade de recursos necessários para fazer a roda girar é enorme. E, quando me refiro a recursos, atenho-me ao principal, que é o docente. Como é logicamente impossível ter todos esses cursos funcionando ao mesmo tempo, as instituições apresentam via de regra um extenso portfólio que é executado por demanda (o “fechar turma” citado acima), tornando a docência nesse nível um trabalho temporário – ou bico, para sermos mais diretos. Sendo um bico, o professor pouco se envolve com a instituição, com o programa do curso ou com seus alunos, pois ele os verá por cinco ou seis encontros, não terá outra participação na formação dos mesmos além da transmissão de conteúdos e, uma vez encerrado o módulo, seguirá para outra instituição, para ministrar outro módulo ou disciplina.

Nem é preciso dizer que, nesse modelo, não há vínculo empregatício, planejamento docente ou qualquer outro vínculo entre o docente e o curso no qual participa. Existem obviamente exceções – elas sempre existem, mas a regra do “mercado” é que poucos são efetivamente professores de pós: na maior parte das vezes, o docente está temporariamente nessa função. Enquanto isso, o Estado, por meio dos instrumentos de planejamento e fiscalização que foram sendo construídos nos últimos anos, ignora a dimensão do fenômeno e seus possíveis benefícios e fragilidades.

Como resultado, vemos artistas e galãs propagandeando diariamente as virtudes do MBA X ou da pós-graduação Y. Os alunos, com suas motivações pessoais, procuram tais cursos e acreditam estar dando um passo a mais na sua formação profissional e intelectual. Não conheço evidências de que tal expansão tenha ajudado o sistema educacional brasileiro e a mão-de-obra nacional a alcançar ganhos de qualidade e produtividade, apesar de ainda ser um grande negócio para as instituições. Será que, no próximo PNE (em 2024), estaremos mais atentos a isso?

>>Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/03/15 10:45:54 AM
(Foto: NaLata)

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A educação no Brasil, sobretudo o ensino público, passa por uma crise de gestão. O país ocupa a penúltima posição em um ranking da educação mantido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 36 países, à frente somente do México. Os reflexos desta condição podem ser observados em professores desmotivados, alunos desqualificados para o mercado de trabalho e, em última instância, resultarão em um país igual ou pior economicamente e socialmente em relação ao padrão atual.

Muita gente se questiona: qual é o problema da educação em nosso país, uma vez que uma parcela considerável do PIB (Produto Interno Bruto) é revertida para o seu desenvolvimento? O investimento por aluno cresceu duas vezes e meia entre 2000 e 2011, passando de R$ 1.962 para R$ 4.916 (Agência Brasil), porém não sentimos, pelo menos por enquanto, o resultado efetivo na ponta, ou seja, mais pessoas qualificadas se formando no ensino médio. Outro aspecto que contribui para este quadro é a corrupção – talvez o maior problema, mas também pode ser citada a cultura incutida no sistema educacional do aluno desafiar o professor, que acaba respingando nos bons alunos.

Dentro deste contexto vamos incluir uma nova variável: a inclusão da pessoa com deficiência (PcD) em escolas regulares. Como podemos realizar este processo em instituições que em sua grande maioria sofrem com os problemas citados acima? E, mais do que isso, qual é o panorama da educação para a PcD?

Em Curitiba, por exemplo, cidade onde a educação é liderada por 49 instituições não governamentais, há uma fila de espera de aproximadamente 6 mil famílias, de acordo com levantamento feito pela ASID (Ação Social para a Igualde de Diferenças). Estas instituições surgem pela falta de vagas em escolas públicas e a impossibilidade financeira de milhares de famílias arcarem com a mensalidade de escolas privadas. No Brasil, estima-se a existência de 3.500 instituições filantrópicas de atendimento a pessoas com deficiência e uma fila de espera de dezenas de milhares de pessoas.

As instituições educacionais – sejam privadas, públicas ou sem fins lucrativos – regulares, inclusivas ou especializadas em alguma deficiência, necessitam, em sua essência, de uma gestão profissionalizada. Em meu trabalho na ASID Brasil, instituição que visa profissionalizar a gestão de instituições filantrópicas para a pessoa com deficiência, consigo visualizar os benefícios da boa gestão.

Uma gestão qualificada representa uma instituição que sabe onde está e aonde quer chegar, que oferece a melhor estrutura para seus alunos, que vigia e pune desvios de comportamento e corrupção, com um staff motivado e alunos, dentro de suas limitações, dispostos a assimilar o conhecimento. Apenas assim, com uma gestão qualificada, a educação em nosso país poderá se estruturar a ponto de atender toda a demanda, com qualidade.

>> Artigo escrito por Luiz Hamilton Ribas, formado em Ciências Econômicas pela UFPR, é diretor de Marketing e Administrativo e um dos fundadores da Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/03/15 3:51:36 PM
(Imagem: Divulgação)

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Informar não é comunicar (Editora Sulina, 2010), de autoria do sociólogo francês Domenique Wolton, faz um convite à reflexão sobre a comunicação na sociedade em que vivemos. Neste livro, Wolton afirma que o verdadeiro desafio deste século está em “repensar a comunicação no momento do triunfo da informação e das tecnologias que a acompanham”.

Para muita gente, é inviável pensar a comunicação sem a tecnologia, o que significa subordinar o progresso da comunicação humana e social ao progresso tecnológico. Segundo o autor, a tecnologia facilita, indiscutivelmente, a comunicação. Mas isso já não é suficiente. A velocidade e o volume da informação não são sinônimos de qualidade nem de pluralismo, bem como não bastam para que as pessoas possam se comunicar. Pelo contrário, isso torna a comunicação mais complexa, pois os sujeitos estão, cada vez mais, conectados e podem falar o que quiserem na hora que desejarem.

Administrar a diversidade entre os modos de ver o mundo torna a relação, a convivência e a tolerância algo mais difícil. Compartilhar pontos de vista é fácil – acompanhamos isso diariamente, especialmente nas mídias sociais com um alto número de postagens, onde cada um faz questão de tornar público seus posicionamentos, sejam políticos, sociais, culturais, religiosos etc., ‘doa a quem doer’ – o complexo é aprender a conviver com essas diferenças. Em sociedade, de acordo com Wolton, é preciso reunir não apenas aqueles que compartilham valores e interesses comuns, mas também os diferentes. A partir disso, o autor destaca que comunicação é convivência, laço social, relação e negociação. No entanto, acompanhamos uma inversão de sentidos, pois a informação passou a ser o que estabelece vínculos.

O sociólogo também alerta que os novos meios são decisivos para o isolamento das pessoas em mundos particulares, uma espécie de solidão interativa. Liberdade, mobilidade, flexibilidade, velocidade, interatividade, iniciativa, participação, inovação, juventude, confiança, emancipação e globalização são elementos de sedução e que resultam em ameaças à comunicação: o individualismo e o comunitarismo. O primeiro é a redução da comunicação à expressão e à interatividade, já o segundo é a marginalização da alteridade.

Neste ponto, o autor traz para a discussão o papel dos receptores, cada vez mais ativos, numerosos, heterogêneos, reticentes e que se fecham em guetos e em comunitarismos. Uma vez não sintonizados ou com posicionamentos discordantes das mensagens que os incomodam e, ao mesmo tempo desejando expor seus pontos de vista, os receptores acabam por provocar a incomunicação.

Por tudo isso, é essencial que os atores sociais envolvidos com o processo educativo construam um diálogo com os alunos que vá além da informação, buscando a comunicação humana e social. Em seu livro, Wolton afirma que professores e escolas sabem que as tecnologias abrem novas pistas para a pedagogia e para o ensino, mas também sabem que por mais interativa e sedutora que ela seja não possui a “eficácia da imperfeita e perturbadora comunicação humana”, sem a qual não há educação.

>>Patricia Goedert Melo é jornalista desde 2001 e mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. Há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/03/15 10:17:13 AM
(Foto: Arquivo/Gazeta do Povo)

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A questão da formação docente está inserida num quadro de múltiplas variáveis. O Brasil, o governo e a sociedade vieram, ao longo dos anos, fazendo escolhas que resultaram na situação que nos encontramos hoje. A decorrência da má educação não é de responsabilidade somente dos políticos que elegemos. Temos parcela de responsabilidade nisso.

A educação desses tempos precisa atender as transformações velozes pelas quais passa a nossa cultura. Estamos vivendo uma revolução nas tecnologias, na comunicação, nos descobrimentos científicos, nas relações humanas, na produção de alimentos, nas mudanças climáticas. Muito do que conhecemos hoje terá de ser desaprendido, pois ficará obsoleto. Hoje, o conhecimento tem maior valor do que o produto em si. Um automóvel vale mais pela tecnologia (conhecimento) presente nele que pelo material usado para construí-lo.

Será que a aprendizagem que oferecemos aos nossos estudantes atende a esses desafios? É fácil perceber que aquilo que ensinamos e o modo como ensinamos não atendem mais as demandas dessa época. O desafio da Escola é ensinar o estudante a pensar e, para isso, os professores precisam ser bem formados; é um wwwer de casa que não estamos fazendo bem.

Sendo assim, o que uma formação docente wwweria conter para atender o chamado desse novo tempo? Sem a pretensão de propor a solução, mas trazendo um pouco de luz a essa discussão, destaco alguns saberes necessários à prática docente que merecem muita atenção, mas não são tratados nas formações. São saberes importantes porque favorecem a qualidade educacional mesmo que, muitas vezes, não se tenha as melhores condições para exercer o trabalho.

O docente precisa saber como as pessoas aprendem. Aprender não é repetir mecanicamente conteúdos, mas atribuir um significado pessoal, tomando o que aprendeu como ferramenta de pensamento, capaz de mobilizar essas aprendizagens na solução de problemas, na invenção, no aprimoramento, para viver melhor e fazer melhor a vida dos outros.

Como consequência de como as pessoas aprendem, inevitavelmente será necessário rever o modo como se ensina e como se avalia. O que os estudantes fazem não é o que eles são, mas o que os nossos métodos de ensino e avaliação determinam que façam. Para saber que professor eu sou, basta olhar para o que os estudantes estão fazendo.

Outro aspecto é saber qual a finalidade dos conteúdos Escolares. Os conteúdos não são bons por si mesmos, mas porque, por meio deles, problematizamos o nosso ser e estar no mundo, compreendemos melhor a nossa cultura, entendemos melhor o mundo em que vivemos.

Também é preciso considerar (parece óbvio, mas não acontece!) que o professor bem formado conhece os conteúdos específicos de sua área de formação e técnicas de ensino. Só podemos ensinar bem aquilo que conhecemos. Uma criança tem o direito de ser bem alfabetizada tanto na língua materna quanto em Matemática. Aprender com qualidade é um direito!

Por último, é importante dizer que a aprendizagem passa pela vontade do professor. Por mais cursos de que participemos, se a nossa atitude não for acolhedora, nada muda, porque nada se pode fazer.

Temos a responsabilidade prazerosa de fazer as nossas crianças olharem para o presente com perspectiva de ver um futuro de possibilidades e não de determinismo. Se há um segredo para a educação de qualidade, este é alunos aprendendo com professores bem formados.

>>Artigo escrito por Flavio Antonio Sandi. Matemático, mestre em Engenharia de Produção pela UFSC e diretor educacional da Rede de Colégios do Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/03/15 2:24:06 PM
(Imagem: Stockvault)

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Desde a chegada do advento da Internet na educação, nós professores precisamos aprender a desvendar siglas, codinomes, abreviaturas e nomenclaturas com as quais não estávamos habituados.

Bem vindos a “CIBERCULTURA”!

Em um breve “mini flashback” vamos recordar alguns destes termos:  primeiro veio a “www.”, e até que entendêssemos que a sigla representava a própria existência da Internet, com seu sistema de documentos em hipermídia interligados possibilitando que “naveguemos” na Rede, e junto com ela vieram termos como “e-mail”, “websites”, “links”, “hiperlinks, “blogs”, “TIC’s” (Tecnologias de Informação e Comunicação) ou seriam “ICT’s” (Information and communication technologies)?

O fato é que, com o aumento das possibilidades de acesso a Rede e ampliação da mobilidade, vieram estímulos para o implemento de novas propostas na EaD (Educação a Distância), e então, tivemos além de rever o conceito desta modalidade educacional, aprender como acessar AVA’s (Ambientes Virtuais de Aprendizagem) e a conviver com programas de formação de professores para o uso do U.C.A. (Um computador por Aluno). Depois vieram os “O.V.A’s” (Objetos virtuais de Aprendizagem) e assim sucessivamente, e hoje vivemos em meio as descobertas dos milhares de “Apps” (Aplicativos) que surgiram nos últimos anos e, desde 2010 temos ouvido falar de uma nova sigla: R.E.A.

E o que é R.E.A? A sigla não é tão nova assim, nasce em 2002 e, mais tarde, surge em um debate nas Nações Unidas sobre educação aberta e as possibilidades de recursos pedagógicos na construção da proposta. Para definir, usaremos o conceito que parte de um documento desenvolvido pela UNESCO, o Commonwealth of Learning nos diz que: “Recursos Educacionais Abertos(REA) são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso potencial dos recursos publicados digitalmente. Recursos Educacionais Abertos podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa apoiar o acesso ao conhecimento.” (2011)

O Projeto Brasileiro sobre Recursos Educacionais Abertos: Desafios e Perspectivas (Projeto REA.br) teve início em 2008 com a visita de uma delegação internacional organizada pela UNESCO ao Ministério da Educação e com a realização de uma série de eventos de sensibilização em São Paulo e Brasília. O REA.br foi fundado por Carolina Rossini em 2008 e é um dos primeiros projetos no Brasil que tenta apropriar à realidade e às perspectivas brasileiras a discussão internacional acerca dos Recursos Educacionais Abertos e da Educação Aberta. Mas isso não seria possível sem o apoio de uma entusiasmada comunidade: a Comunidade REA-Brasil é formada por educadores, cientistas, engenheiros, profissionais de TIC’s, jornalistas, advogados e todos aqueles que acreditam em educação aberta e recursos educacionais abertos. Os defensores da proposta acreditam que os REA podem gerar na educação um ciclo virtuoso e cooperativo de construção de conhecimento interativo e coletivo.

Hoje, na cidade de São Paulo existe uma Lei Municipal regulamentando o fato de que tudo que for produzido com dinheiro público na área da educação wwwerá ser considerado Recurso Educacional Aberto. No estado do Paraná temos o REA Paraná, que já desenvolveu propostas consideradas exemplos de cooperação na construção de materiais didáticos com os professores da rede pública estadual.

Mas para finalizar, fica então a pergunta: “tudo” que eu posso trazer da REDE para usar na minha prática pedagógica pode ser considerado R.E.A? Não é bem assim….até por que “tudo” que está na REDE não é aberto ou gratuito. Mas é sempre bom lembrar, que seja qual a sigla, qual o recurso utilizado, qual a tecnologia escolhida para apoiar sua pratica pedagógica, o papel do professor é fundamental, e principalmente a concepção de educação deste profissional e o ser humano que ele deseja formar. Sem esta concepção definida, corremos o risco sim, de nos perdemos em meio a tantas novas palavras, siglas e abreviaturas.

>> Escrito por Glaucia da Silva Brito e Ariana Chagas Gerzson Knoll. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Ariana é pedagoga e doutoranda do em Educação. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 03/03/15 2:11:26 PM
(Foto: Angel Salgado/ Gazeta do Povo)

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O foco do debate sobre a adoção das novas tecnologias no ambiente educacional durante o BETT Show 2015 não poderia ser outro: o professor. “Estou consciente que a evolução constante da tecnologia aumenta a pressão para os professores e escolas, que temem não ter as habilidades necessárias para entregar uma educação de qualidade […] por isso, é tão importante que aproveitem qualquer oportunidade para estar à frente desta mudança”, afirmou a secretária de Estado para Educação da Inglaterra, Nicky Morgan, ainda no primeiro dia do evento.

Indo ao encontro do que defenderam muitos dos desenvolvedores de soluções presentes na feira, Nicky estabeleceu o uso da tecnologia para diminuir a carga de trabalho do professor como uma das prioridades do processo consolidação da inovação na sala de aula. Na ocasião, a secretária anunciou ainda o investimento que o país fará para que as escolas desenvolvam um novo currículo, baseado em soluções tecnológicas e capacitação docente.

A cada edição do evento é possível observar a evolução na experiência dos fabricantes, instituições de ensino e profissionais da educação. A ideia de que os profissionais seriam substituídos por conta da adoção de novas tecnologias já foi superada. Chegou-se à conclusão de que cabe ao professor se apropriar da tecnologia, amparado pela capacitação adequada, para facilitar o processo de coleta de evidências de aprendizagem e engajar os estudantes.

Foram apresentadas soluções tecnológicas de diferentes níveis – desde as mais simples, como repositórios de objetos educacionais e conteúdos digitais, até sistemas imersivos de simulação, em mundos e laboratórios virtuais. Mostrou também abordagens pedagógicas a serem exploradas, como o uso de web conferência para mediação, até estratégias baseadas exclusivamente na resolução de problemas complexos, em que o estudante é gerenciador de sua aprendizagem, e os sistemas computacionais analisam sua performance de consumo e recomendam grupos de prática e conteúdo para superar dificuldades.

No contexto da Educação 3.0, os professores ganham destaque como oportunizadores do pensamento criativo e mediadores responsáveis por tornar o momento de escola uma atividade significativa. Para que isso ocorra de forma exitosa, no entanto, é necessário que os educadores estejam preparados e confortáveis com o uso de tecnologia. Ou seja, ao se apropriarem da inovação na sala de aula, poderão perceber e orientar a genialidade e a criatividade que o ambiente educacional pode criar.

>>Artigo escrito por Vilson Martins Filho, coordenador executivo em Educação na Teltec Solutions. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 26/02/15 4:09:24 PM
(Foto: Arquivo Gazeta do Povo)

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Para alguns posts que escrevo ao blog gosto de trazer situações que acontecem na relação que tenho com meu filho. Acredito que, assim, posso contribuir de alguma forma, despertando ou fortalecendo o interesse dos pais e/ou professores para que também provoquem diálogos e estimulem a prática de ações por parte das crianças.

Meu filho, de quase 13 anos, é aluno do 8º ano do Ensino Fundamental. Ele estuda em uma instituição de ensino privada, o que não é motivo para ficar distante ou por fora do que acontece no âmbito da rede pública de ensino. Por isso, ao conversarmos sobre uma de suas tarefas de casa, a questão sobre a greve e as reinvindicações dos educadores e de todos os servidores do Paraná logo foi cogitada como um assunto importante a ser dito nesta demanda da escola. A lição era de Filosofia e uma das perguntas era: “qual é o papel do conhecimento em nossas vidas”?

Sua ideia foi citar situações que viveu na prática e que se transformaram em conhecimento no seu dia a dia. Temas como viagens, cenas de desigualdade social, diferentes paisagens geográficas vieram à tona. No entanto, um fato que o inquietava, e ainda o inquieta, é a greve dos professores – acompanhada do acampamento em frente ao Palácio Iguaçu, da lista das reinvindicações, postura do governo, papel dos parlamentares etc. E foi sobre isto que ele escolheu escrever para responder à questão da tarefa de casa.

O exemplo que ele citou e a forma como este foi relacionado com a lição de Filosofia mostraram o quanto é importante incentivar as crianças pela busca da inquietação, pela crítica, por novas informações e reflexões. E isso só foi possível porque fomos até o local ver a História acontecer bem em frente aos nossos olhos – momentos estes que instigaram meu filho ao pensamento, à criticidade e a vários questionamentos (muitos respondidos, outros lançados como novas perguntas e alguns ainda sem respostas…).

>>Patricia Goedert Melo é jornalista desde 2001 e mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. Há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação, desenvolvendo projetos para escolas, secretarias de educação e empresas ligadas ao segmento. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/02/15 11:58:12 AM
(Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo)

(Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo)

Pensar a criança enquanto aluno nessa era do conhecimento é pensar em dinamismo, onde wwwem ser consideradas as múltiplas formas de aprender. As crianças de hoje não são iguais às do século passado, nem serão idênticas às que virão nos próximos. Cada geração tem a sua particularidade e a escola precisa se adequar frente a essa realidade de reinvenções.

As recentes discussões sobre cultura escolar trazem elementos importantes para compreendermos e problematizarmos as inúmeras práticas pedagógicas no cotidiano da escola. O grande desafio dos professores hoje é a transposição de suas próprias práticas, reinventando sua maneira de ensinar.

Se queremos resultados diferentes, precisamos inovar. Isto não significa abrir mão de resultados positivos obtidos por meio de metodologias utilizadas anteriormente, mas sim, a necessidade de coerência e bom senso ao agregar novas práticas. Um exemplo é o uso das linguagens midiáticas, que exigem o desenvolvimento de diferentes habilidades e facilidades que permitem aos sujeitos serem autores, produtores e disseminadores de conhecimento.

As práticas pedagógicas de um educador não são resultantes apenas de uma formação formal, obtida na graduação. Essas práticas são constituídas durante a trajetória profissional e abarcam dois enfoques: a intenção de ensinar e a efetivação de seu propósito. O professor, hoje, wwwe ter uma pedagogia baseada na escuta, no interesse do aluno, na acolhida e no diálogo. Estamos diante de um novo cenário socioeducacional, que apresenta um contexto rodeado de dinâmicas mudanças em diversos aspectos.

Esses diferentes saberes, de diferentes vertentes e origens, são convidados ao diálogo para que juntos, alunos, professores, pais, enfim, a comunidade escolar, possam oferecer novos e variados elementos para ajudar na formação integral do aluno: critico e ético, ouvinte e comunicador, solidário, pesquisador, protagonista, autônomo e responsável, flexível e consciente dos seus direitos e wwweres.

Portanto, ser educador na escola contemporânea é lidar diretamente com as mudanças que ocorreram na prática profissional, como consequência das mudanças do ser humano e do mundo, ao mesmo tempo. O mundo mudou. E você, mudou com relação ao que pensa sobre a educação escolar?

>>Artigo escrito por Andreane Tecchio Motta, professora no Colégio Marista Criciúma. O Colégio faz parte do Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/02/15 3:42:19 PM
(Foto: Arquivo/Gazeta do Povo)

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No discurso de nossos representantes políticos a palavra “educação” ocupa um considerável espaço. Junto com a saúde e, mais recentemente, a segurança, essas três palavrinhas mágicas surgem com inabalável frequência na propaganda eleitoral e nos parlatórios de vários níveis. Acesso à educação, por ser fruto de um processo histórico de lutas por direitos, é o mínimo que um cidadão em uma sociedade relativamente desenvolvida wwwe almejar.

Outra conquista histórica de enorme impacto nas relações sociais foi a participação política e, mais recentemente, a representação por voto direto, com três poderes independentes entre si e com funções constitucionalmente estabelecidas. Nesse arranjo, caberia aos nossos deputados e senadores, transfigurados no Parlamento, representar os interesses e anseios da sociedade para transformá-los em leis, submetidas ao necessário e salutar debate.

A bela fábula acima, quando observada ao nível do chão, mostra faces bem menos idílicas. Os episódios recentes envolvendo o legislativo do Paraná são um indício do domínio de facto dos governos, sejam eles quais forem, sobre os parlamentares e a pauta legislativa, chegando às raias do nonsense e do pastelão, tal como vimos aqui. Os mesmos episódios demonstraram que, quando o monstro chamado opinião pública mostra seus dentes, o legislativo se mexe e até mesmo xerifes saem correndo de medo.

Considerado esse quadro, cabe a pergunta: se a educação é tão importante nas propagandas e no discurso dos parlamentares, a produção legislativa estaria à altura do discurso? Ou então, colocado de outra forma: os deputados federais, estaduais e vereadores, ao apresentar propostas para a educação, respondem aos anseios de transformação do Brasil na “pátria educadora”? Suas iniciativas estão à altura do caráter prioritário que a educação assume nos discursos e nos quinze segundos de propaganda eleitoral?

Tomemos o caso da Câmara dos Deputados. Uma pesquisa nos projetos de lei apresentados no legislativo federal revela preocupações e justificativas cujo louvor não discuto, deixando isso a cargo dos leitores. No entanto, cabem algumas constatações objetivas. Em 2014 os deputados federais apresentaram 119 projetos de lei relacionados à educação. Tais projetos podem ser divididos grosseiramente nas seguintes categorias: a) o rol da “pedagogia do evento”, destinada a comemorar, relembrar ou louvar algum aspecto óbvio da realidade por meio de “dias nacionais” ou “semanas nacionais”; b) o rol das obrigatoriedades, que vão desde a instalação de aparelhos de raio-X na entrada das escolas até o fornecimento, por parte destas, de material de higiene pessoal para os alunos; e, por fim, c) as alterações nos currículos escolares, por meio da inclusão obrigatória de conteúdos e disciplinas.

Faça-se uma ressalva: há também propostas consistentes, que buscam aprimorar a legislação já existente e os mecanismos de planejamento, gestão e fiscalização educacionais. A própria aprovação do Plano Nacional de Educação, ainda que com atraso de praticamente 4 anos em relação ao inicialmente imaginado, mostra que há esforço legislativo para melhoria da educação brasileira. O problema é quando o legislador, motivado talvez por um enorme desejo de aparecer e baseado em elementos pouco mais consistentes que suas impressões sobre o ambiente escolar, resolve dizer o que as crianças e jovens wwwem aprender, gerando o terceiro bloco acima citado.

Exemplos? Temos vários. Propostas como a volta da disciplina de Educação Moral e Cívica, inserção dos temas de educação para o trânsito, direito constitucional e prevenção do uso de drogas nos currículos do fundamental e médio, chegando a sandices como a obrigatoriedade do ensino do criacionismo na educação básica. Não discuto aqui, por ser óbvio, a relevância de parte desses temas para a vida social, a formação do cidadão, a moral e os bons costumes. No entanto, quando um deputado considera que um aspecto de sua formação pessoal wwwa ser a régua pela qual todas as crianças serão educadas e o Parlamento, seguindo seus trâmites normais, gasta energia e tempo analisando sandices dessa ordem, outras questões de fundo, realmente relevantes para a melhoria da educação brasileira, são deixadas de lado.

A escola brasileira não vai melhorar com mais disciplinas, mais conteúdos obrigatórios ou ao assumir funções não precípuas ao ambiente escolar. As iniciativas legislativas que vão nesse sentido têm como resultados alguns pontinhos com o eleitor não familiarizado com o setor, geram algumas linhas nos jornais e abrem espaço para que os proponentes arvorem-se de defensores do Bem. Do ponto de vista prático, embaralham o debate, dispersam energias fundamentais e deixam a educação brasileira exatamente onde está: no fundo do poço.

>>Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

 

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