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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/08/15 4:49:37 PM
(Foto: Aniele Nascimento)

(Foto: Aniele Nascimento)

A Casa Kozák vai reabrir – estamos perto de um final feliz. Caso alguém não saiba do que se trate, aqui vai o resumo da ópera. No início dos anos 1990, a Vila São Paulo, no bairro do Uberaba, ganhou uma biblioteca de rua. Funcionava na casa onde viveu o indigenista tcheco Vladimir Kozák e sua irmã Carla. Durante quase 20 anos, a Kozák, como era chamada, gozou de excelente popularidade, de acordo com relatos. Até ser fechada, por força de relações delicadas entre o estado – que herdou o imóvel – e a prefeitura – mantenedora do espaço. O teto estava caindo e era preciso saber quem pagava a conta.

O povo da redondeza chiou, para surpresa de quem jura de pés juntos que brasileiro não é capaz de fazer protesto em prol de uma biblioteca. E eis que a Kozák virou um símbolo de descaso com a cultura. Lá se vão quatro anos de portas fechadas, lamentos na internet e fotos clandestinas do local abandonado, alimento para a revolta. A prefeitura rejeita o papel de vilã da história. Sustenta que havia um problema legal, resolvido apenas no final do ano passado, quando o governo do estado decidiu doar a casa para o município, liberando a temporada de obras no local. O dinheiro para reformá-la, algo na casa dos R$ 350 mil, sai no final de 2015, a contar pelo acordo do prefeito Gustavo Fruet com o vereador Helio Wirbiski (PPS), – morador do Uberaba e um dos que correram atrás para que a Kozák não ficasse na saudade.

Notícia velha? Não. O caso da Casa Kozák é uma boa desculpa para radiografar as políticas de leitura da prefeitura, desde, digamos… as bibliotecas de rua como as da Casa Kozák. Não foi ali que tudo começou, mas é um ponto de partida legítimo. A experiência é digna de figurar nos compêndios. Funcionavam em casas antigas, com muro baixo e relações de vizinhança. Digamos que eram pouco pretensiosas – ofereciam pequenas oficinas, conversa com escritores vez ou outra e apoio nos trabalhos escolares. Eram ponto de encontro. Lotavam e tudo corria muito bem.

Aos poucos, o modelo foi substituído pelos Faróis do Saber que, sem exagero, viraram uma paixão nacional. Os primeiros faróis inaugurados eram irmãos das bibliotecas de rua. Não rivalizavam. Os segundos, primos; e assim por diante, até se tornarem “uma coisa e outra coisa”, como se diz. Os faróis mantinham a proximidade com o asfalto e os bairros, com a particularidade de serem geridos pela secretaria de Educação e não pela secretaria de Cultura. Para quem pesquisa políticas de leitura, faz diferença, sim.

O cabo de força dos setores de educação puxa para a leitura escolarizada, hierarquizada e canônica; a cultura pende para a leitura no sentido mais liberal do tema. Enquanto casas como a Kozák funcionavam, as duas propostas coexistiam. Ponto. Mas o layout dos faróis venceu a parada. Soava perfeito, uma amarra entre a escola, os vizinhos e a cidade, até que deixaram de ser uma política de governo, sob a alegação de que são pequenos, onerosos e até inseguros. Eis o ponto. Uma das hipóteses sobre a mudança da cara das bibliotecas curitibanas é de que elas mudaram de porta. Nenhuma nova escola ganha farol, ganha biblioteca, com abertura para a comunidade, mas sempre com reservas. Nesse sentido, tem-se um retrocesso – ainda que não se possa deixar de reconhecer todas as qualidades do sistema de bibliotecas municipais.

Enquanto os faróis cederam passagem às bibliotecas internas, dentro do prédio da escola, as Kozáks e outras viraram Casas de Leitura. Foi melhor? A prefeitura mais uma vez se defende. Diz que não desistiu das bibliotecas de rua – reinventou-as. Em vez dos quatro endereços dos tempos da Kozák hoje são 13 espaços convertidos em Casas de Leitura. Funcionam onde funciona a cidade – na rua, mas também em terminais de ônibus e Ruas da Cidadania e no Parque Barigui. Não são mais geridos por líderes carismáticos, como Florência Rocha, tida como a alma da Casa Kozák, mas por profissionais terceirizados, obrigados a elaborar projetos de leitura.

Além do mais, resta a pergunta – até que ponto a sociedade do medo, da mobilidade difícil, das vizinhanças verticalizadas, comportam bibliotecas na escala da Kozák e suas similares – como a Franco Giglio, no Campo Comprido, ou a Miguel de Cervantes, no cruzamento do Bigorrilho com as Mercês? O primeiro impulso é dizer que “deveriam comportar”, afinal, biblioteca na rua – seja numa casa ou num farol – é resistência urbana, convite a circular na calçada. Diminui criminalidade, está provado. Mas é compreensível que essa proposta tenha de conviver com outras, mais atentas aos ditames da violência.

Nesse sentido, o romantismo da Casa Kozák mora no passado – um tempo em que crianças e adolescentes podiam sair de casa sem a tutela dos pais. E que precisavam da Enciclopédia Barsa para fazer um trabalho escolar. Agora não mais. Digamos que a melhor medida seja não se render aos imperativos do medo. Nem tampouco deixar de atender à nova realidade. Já está anunciado que a Casa Kozák voltará como Casa da Leitura – misto de biblioteca e espaço cultural. Nesse dia, convenhamos, encontrará uma Vila São Paulo diferente da que encontrou nos anos 1990. A vila tem mais sobrados, está mais rica e conta com outra vizinhança. Tomara essa segunda dentição, essa nova pele da Kozák, seja tão incrível quanto a primeira, ainda que diferente. É a vida.

http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/vila-sao-paulo-quer-de-volta-a-biblioteca-bv5o7kbfuyh8xvtzf7229w3za

*José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/08/15 11:52:19 AM
(foto: Paulo Guaripuna)

(foto: Paulo Guaripuna)

De 7 a 15 de setembro, Ponta Grossa (PR) sediará a 3ª edição do Congresso de Educação. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SME), o evento é o momento de celebração de todas as práticas que visam à formação do leitor, desenvolvidas pela rede municipal de ensino. Oficinas, contações de histórias, espetáculos artísticos, feira do livro, mostra pedagógica, ônibus da leitura e palestras fazem parte da programação e atraem não só alunos e professores, mas toda a comunidade.

Todas essas ações que fomentam a leitura também acontecem durante todo o ano – transformando as instituições de ensino em escolas leitoras, pois os livros estão em todos os espaços e em todos os momentos da vida escolar dos alunos. E foi a diversidade, a variedade, a intensidade e, especialmente, a articulação entre essas práticas que resultaram na conquista do prêmio “Reconhecimento TRILHAS Município Leitor”. A iniciativa, que está na 2ª edição, é promovida pelo Instituto Natura, por meio do Projeto TRILHAS, e reconhece as boas práticas de apoio e de incentivo à leitura e as ações de mobilização da leitura pela comunidade.

Ponta Grossa concorreu com 112 municípios de todo o Brasil. O comprometimento com a melhoria da qualidade da educação e a aposta em ações inovadoras, bem planejadas e que podem servir de inspiração a outras redes de ensino foram base para destacar a cidade entre as demais. O Congresso de Educação, a feira do livro, o ônibus da leitura, a formação de professores, o curso de especialização em Contação de Histórias, a revitalização das bibliotecas escolares e o investimento no acervo bibliográfico atuam como dinamizadores da leitura e são ações que, de forma integrada, beneficiam toda a comunidade ponta-grossense. “O prêmio é um incentivo para continuarmos trilhando esse caminho. Além disso, investimos na formação dos nossos professores com contação de histórias, o que contribui muito para o aprendizado de nossas crianças”, ressalta Esméria Saveli, secretária municipal de Educação de Ponta Grossa.

O município também realiza iniciativas que engajam a sociedade em situações de leitura em espaços públicos, bem como firma parcerias com a sociedade civil para a realização de projetos de leitura e de circulação de livros. “Buscamos identificar ações conduzidas por escolas públicas para aumentar os índices de leitura das crianças, além das propostas de mobilização da comunidade e de outras instituições para a criação de redes institucionais dedicadas aos livros”, ressalta Maria Slemenson, gerente do Projeto TRILHAS. Segundo ela, o objetivo da premiação é destacar práticas de políticas públicas que, de fato, envolvam professores, pais e alunos, dando visibilidade às ações que fomentem a leitura nas escolas, envolvam as famílias e formem uma grande rede de leitores. “Esses municípios são referências e inspiram mais práticas como essas”, diz Maria.

Além de Ponta Grossa, Belém (PA) e Rio de Janeiro (RJ) também foram reconhecidos como municípios leitores em 2015 pelo Projeto TRILHAS. Cada cidade recebeu como prêmio um acervo de mais de 600 livros com foco na literatura infanto-juvenil. São novos títulos que estimularão e encantarão as crianças, servindo como o início de um caminho para os novos leitores. Assista ao vídeo publicado na página do YouTube do Projeto TRILHAS sobre as ações realizadas por Ponta Grossa que visam à formação de leitores: https://www.youtube.com/watch?v=Cu8vwQjPePg

Projeto TRILHAS

É uma iniciativa do Instituto Natura que ocorre desde 2009 nas escolas brasileiras e que apoia o trabalho dos professores no alcance da meta de alfabetização até os 8 anos. Trata-se de um conjunto de materiais elaborado para instrumentalizar e apoiar a atuação dos professores no campo da leitura, da escrita e da oralidade com o objetivo de inserir as crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental em um universo letrado. Atualmente, o projeto está em 72 mil escolas de 3.300 municípios brasileiros, beneficiando cerca de 3 milhões de crianças. Mais informações: www.portaltrilhas.org.br

Patricia Goedert Melo é jornalista e há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação desenvolvendo projetos para escolas, secretarias de educação e empresas ligadas ao segmento. Atualmente é mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/08/15 10:59:23 AM
(Imagem: Divulgação)

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Educar atualmente se tornou uma tarefa árdua para professores, coordenadores, diretores, pais, enfim, para todos os envolvidos na gestão educacional. Como educar de forma coerente, eficaz e assertiva nossas crianças, adolescentes e jovens? Numa sociedade tecnológica, competitiva e globalizada, muitos desafios são postos à escola, e precisamos buscar soluções rápidas, assim como é a velocidade com que a tecnologia se transforma.

No contexto atual, parece que vivemos um colapso: violência no trânsito, assaltos e brigas; corrupção política;  guerras envolvendo conflitos religiosos. Esta situação reflete questões que degeneram o ser humano.  Por isso, a escola precisa ter um currículo adaptado e flexível para atender às demandas da atualidade, abrindo ao debate e à pesquisa tais questões, de modo a preparar os estudantes para a vida em todas as dimensões: física, psicológica, social e acadêmica, ou seja, propiciar a eles formação integral que é direito de todos, conforme prescreve a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Somente desenvolvendo tais dimensões, aliadas também à tecnologia, teremos uma formação viável e emancipadora aos sujeitos da geração atual, possibilitando a eles conseguir dar conta dos desafios contemporâneos e daqueles que estão por vir e, desta maneira, serem sujeitos autônomos, críticos e capazes de transformar a sociedade em que vivem.

Portanto, a educação deve ser holística e constituída por valores que promovam a reflexão crítica no ensino-aprendizagem, de forma totalizante e não fragmentada; assim, esta fará a diferença na formação de nossos estudantes. É preciso que ocorra uma educação básica para a vida a qual os ajudarão a ser sujeitos com caráter e discernimento, sujeitos reflexivos, éticos e solidários, contribuindo, de forma eficaz, para a sociedade na qual essas crianças e jovens estão inseridos, ou seja, por meio de uma educação transformadora.

Não basta apenas uma educação determinada por lei, é preciso algo a mais, que seja significativo na formação das crianças, como enfatizou, em 1817 o Pe. Marcelino Champagnat, fundador do Instituto Marista: “Será necessário formar bons cristãos e virtuosos cidadãos”.

Essa frase de Champagnat exemplifica bem do que precisamos na atualidade, diante dos desafios nacionais e mundiais. Se as escolas conseguirem formar virtuosos cidadãos, teremos, com certeza, uma sociedade mais justa e fraterna e sujeitos transformadores que solucionem ou minimizem as mazelas sociais.

Para esse cidadão virtuoso, destaco o espaço e tempo necessários nas escolas para o desenvolvimento do esporte, do brincar, da socialização, do divertimento, da autonomia, da pesquisa e do debate. A educação vai além de um currículo tradicional e que fuja da grade curricular padronizada; aponta para uma educação possível, se acreditarmos e a construirmos com base em valores humanos. Somente desta maneira ela será transformadora e emancipadora dos sujeitos contemporâneos.

*Artigo escrito por Aldivina Américo de Lima. Diretora Educacional do Colégio Marista de Goiânia, da Rede de Colégios do Grupo Marista, pedagoga, psicopedagoga e mestre em educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) – PR. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 13/08/15 10:00:08 AM
(Foto: Bruno Covello)

(Foto: Bruno Covello)

Quando aprendemos a registrar e transmitir o que pensamos e sabemos, estendemos de modo extraordinário a capacidade de sobrevivência de nossa espécie; desenvolvemos ciência e tecnologia para esta finalidade, refinando-as até o supérfluo e o perigoso. Simultaneamente, a observação da natureza e dos semelhantes, o princípio do autoconhecimento e a consciência da morte deram origem à cultura humana, levaram à ruptura do conforto emocional, e desde então a necessidade e a expectativa de transcendência, manifesta em alguma espécie de sentimento religioso, tem restabelecido o equilíbrio necessário entre matéria e espírito. Ciência e religião formaram assim a base de nosso processo cognitivo, e demoraram bastante para serem separadas e seguirem caminhos distintos.

A palavra Religião procede do latim “religare”, que significa religar, restituir unidade, e mesmo muitos ateus reconhecem os benefícios que a prática de uma boa religião traz às pessoas; entendendo-se por boa religião toda aquela que não pregue a seus fiéis o extermínio dos não fiéis, que não os explore ou use recursos circenses para enganá-los. Normalmente, aqueles que acreditam em princípios religiosos têm alguma paz interior, disciplina e solidariedade, porque é isso que a maioria das religiões procura proporcionar a seus seguidores.

Cristianismo, Budismo, Judaísmo, Islamismo, outras grandes religiões e muitas de suas derivações, têm muito do melhor que a humanidade já pensou ou procurou, apesar de infelizmente algumas delas terem seus desvios fundamentalistas com, não raramente, um passado ou presente de violência e intolerância.

Os currículos escolares privilegiam as disciplinas “sancionadas” pelo saber formal, aquelas que fazem parte de um cânone valorizado até em processos seletivos: matemáticas, linguagens, ciências físicas e biológicas, história e geografia. As matérias de conteúdo humanista, mais sujeitas à subjetividade, tais como filosofia, sociologia e até mesmo religião, costumam enfrentar diferenças de interpretação e alguma oposição na comunidade acadêmica.

Mas embora o estudo das ciências e tecnologia seja objeto de consenso, resulta por vezes em utilização excessiva dos equipamentos digitais, envolvendo modalidades de vícios inéditos na trajetória humana, como o de estar permanentemente conectado, com tablets, celulares, jogos eletrônicos, redes sociais, nos quais a estrutura viciosa é a mesma de outrora, ou seja, nada satisfaz, nada é suficiente. Isso frequentemente tem estimulado a adesão a alguma crença religiosa como alternativa de cura, a busca espiritual preenchendo por vezes o espaço da dependência material.

Já o ensino religioso sempre representou um ponto nevrálgico fora das instituições confessionais, com as particularidades de cada credo provocando intensa discussão entre pesquisadores, com dúvidas sobre sua exequibilidade em países como o Brasil, fortemente multicultural. O Estado brasileiro é laico, (“independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa”, Dicionário Houaiss), respeitando todas as formas de cultos sem adotar explicitamente nenhum, e assim, ao mesmo tempo em que se libera do controle religioso, libera também cada igreja para manifestar sua especificidade esotérica, deslocando, portanto, o místico da esfera estatal para a particular de cada indivíduo.

Talvez em função disso, as instituições escolares laicas prevejam uma disciplina sobre religião como uma forma de transmitir os fundamentos básicos de diversas vertentes religiosas, com o objetivo explícito de, aumentando o conhecimento do aluno sobre as demais religiões que não apenas a exercida por sua família, tentar incrementar o respeito aos demais, aqueles que não professam a mesma fé e não obedecem aos mesmos ritos.

A intenção é louvável, e precisaremos de alguns anos para saber se este magistério atingirá o objetivo, ou seja, se a sociedade como um todo tenderá efetivamente a ser menos preconceituosa e mais cidadã com o auxílio desta providência pedagógica. Aliás, para isso o material preparado para estas aulas apela a filmes, vídeos, youtube e diversos aparatos digitais como complemento metodológico, tentando atrair a atenção do jovem e colocar a discussão de forma moderna e atraente.

Conhecer o outro na maior parte das vezes exige conhecer primeiro a si mesmo, e esta aprendizagem é complexa, demanda longos períodos de tempo. Formar docentes que convivam bem com a necessária neutralidade para apresentar adequadamente todas as religiões, e não apenas a sua, ou a falta dela, é moroso e necessita extenso programa de formação continuada; a educação brasileira precisa melhorar sua qualidade e efetivar-se rapidamente, a esperança é de que a atual proposta venha a colaborar para este objetivo.

*Artigo escrito por Wanda Camargo, professora da UniBrasil Centro Universitário e associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 11/08/15 9:48:36 AM
(Imagem: Divulgação)

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O processo de aprendizagem humana é um fenômeno complexo, constituído de vários subsídios: cognitivos, emocionais, sociais, econômicos, culturais, entre outros. Tal processo, se conduzido com sabedoria, possibilita desenvolver a capacidade de agir de forma produtiva e de pensar reflexivamente, desenvolver habilidades e produzir conhecimentos, em condições de agregar valor humano e social.

O uso de recursos tecnológicos de informação e comunicação, em especial da internet, no processo de aprendizagem, se bem orientado, pode contribuir facilitando a realização de pesquisas, otimizando os artifícios de comunicação e de interação com finalidade pedagógica, tanto nos espaços escolares, como em outros locais de acesso.

Há muito tempo, os professores e livros didáticos já não são as únicas fontes de informações disponíveis para municiar e motivar os estudantes que estão cada vez mais ligados na rede internet, como principal fonte de acesso online a dados e informações na atualidade.

É comum encontrar, na escola e na família, crianças e adolescentes com déficit de atenção, de percepção, de concentração e de outros aspectos relacionados à aprendizagem. Cada vez mais, encontram-se desmotivados a ‘ler’ e a ‘escrever’, e despreparados para estudar e investigar em profundidade sobre os fenômenos científicos mais complexos. Prioritariamente, buscam utilizar os recursos tecnológicos para atividades lúdicas e esta qualidade de atividade pode perfeitamente estar atrelada ao processo de ensino e de aprendizagem, caso estes recursos sejam utilizados com equilíbrio e sabedoria.

Segundo o pesquisador norte americano Nicholas Carr, os usuários que utilizam a internet de forma desmedida têm a capacidade de concentração, reflexão e contemplação profundas diminuídas porque, “quando uma pessoa está constantemente a ser distraída e interrompida, como acontece quando está online, o cérebro não é capaz de forjar as conexões neurais fortes e expansivas que dão profundidade e especificidade ao pensamento. O indivíduo passa a ser mera unidade de processamento de sinais, transferindo rapidamente pedaços desconexos de informação para dentro e para fora da memória de curto prazo”. O que o torna ‘superficial’ nas tomadas de decisão, abrindo inúmeras ‘janelas’ sem se aprofundar em nada, produzindo evidentes prejuízos para o processo de aprendizagem, evoluindo em distração e sobrecarga mental.

Por isso, auxiliar as crianças e os adolescentes a usarem a internet é desafiador. Essa tarefa é atributo dos professores no espaço educacional, que, aliada ao compromisso dos pais, no espaço familiar, devem criar situações nas quais as crianças e os adolescentes possam apreender mecanismos efetivos de seletividade em conteúdo do que é pertinente na rede internet e no tempo de acesso que deve ser equilibrado frente às demais atividades cognitivas a cada dia, tornando assim o acesso motivador e enriquecedor para a formação humana.

Porém, mais desafiador ainda está em preparar os professores e os pais para desempenharem a função de orientadores do uso equilibrado e sábio da internet por crianças e adolescentes, para que este uso possa realmente contribuir com o processo de aprendizagem. Também desafiador é prepara-los para dar exemplo do uso equilibrado e sábio da internet, porque, o que comumente temos visto são adultos deslumbrados frente às telas, desprovidos de equilíbrio entre o dito e o feito, sem condições, portanto, de bem orientar qualquer uso que possa agregar valor ao ensino das crianças e dos adolescentes, quanto menos de cobrá-lo.

Com esta reflexão, lembramos o que Paulo Freire traz com a Pedagogia da Indignação de que, “se somos progressistas, realmente abertos ao outro e à outra, devemos nos esforçar, com humildade, para diminuir ao máximo, a distância do que dizemos e do que fazemos.”

Assim, se queremos que as crianças e os adolescentes, nossos filhos e alunos tenham experiências exitosas na área da aprendizagem a partir do uso da internet, temos que nós, adultos, professores e pais, sabermos como fazer isto, e assim, fazermos, para dar exemplo, na perspectiva do ‘neurônio espelho’ como anuncia a neurociência. E bem orientá-los permanentemente, utilizando métodos criteriosos e eficientes de ensino.

*Cineiva Tono é Doutora em Tecnologia e Mestre em Educação, Membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB/PR, Presidente do Instituto Tecnologia e Dignidade Humana. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 06/08/15 10:45:31 AM
(Foto: Na Lata)

(Foto: Na Lata)

A capacidade de criar, inovar e aperfeiçoar processos para alcançar melhores resultados é algo imprescindível à nossa rotina, em qualquer ambiente, em qualquer setor ou trabalho realizado. Na área da educação para pessoas com deficiência, arrisco dizer que esta habilidade necessita estar ainda mais fortalecida porque as instituições, especialmente as filantrópicas, têm inúmeros desafios, mas os recursos são limitados e, muitas vezes, as possibilidades de escolhas parecem ser escassas, o que exige dos profissionais, portanto, desenvolver sua capacidade de criar e inovar. E tudo começa no compartilhamento do conhecimento.

É muito comum as equipes das escolas para pessoa com deficiência, sejam elas formadas por diretores, pedagogos, professores, clínicos, administradores ou qualquer outra profissão ou função, descobrirem formas diferentes para atingir melhores resultados, e elas obtém sucesso. No entanto, guardam para si essas boas ideias, que poderiam ser a solução para uma instituição que está logo ali ao lado. Por isso não é raro vermos que as dificuldades superadas em um local ainda são enormes desafios para outro. Falta compartilhar o conhecimento, seja por meio de uma pesquisa, um artigo, uma publicação em uma rede social ou o envio da ideia para o Guia de Boas Práticas – que foi elaborado pela ASID Brasil e distribuído gratuitamente às escolas filantrópicas de educação especial, permitindo a troca de experiências. Apenas assim será possível que outras pessoas tenham acesso e apliquem esse conhecimento nas suas instituições, as quais poderão sanar problemas, fortalecer-se e, então, dar oportunidade para que mais pessoas com deficiência possam se desenvolver.

Além disso, há um outro fator que incide sobre a capacidade de criar: a pesquisa por inovações. No caso da educação especial, ela ainda é baixa. É importante que as equipes das escolas busquem conhecimento. Os professores, por exemplo, podem usar a hora-atividade para buscar novas práticas e ideias, no Brasil ou no exterior, adaptá-las para a realidade da sua instituição e abrir caminhos para o bom desenvolvimento da educação especial, com técnicas modernas, advindas de estudos recentes na área.

Inovar é muito importante, mas buscar e compartilhar esse conhecimento é tão importante quanto. É preciso manter-se atualizado no sentido de adquirir novos conhecimentos que possam ser utilizados no desenvolvimento de ações e projetos que permitam às pessoas com deficiência aplicar ao máximo o seu potencial, tendo assim uma vida de qualidade para ela e para todos ao seu redor.

*Artigo escrito por Alexandre Schmidt de Amorim. Formado em administração pela UFPR, é diretor de Projetos e fundador da  Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 04/08/15 9:35:08 AM
(Imagem: Divulgação)

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A tecnologia, fruto da atividade humana, é desenvolvida e utilizada em diversos contextos sociais, ao mesmo tempo ela impacta na vida cotidiana possibilitando novos arranjos de “organização de vida”. Como afirma Kenski (2003), “[…] desde o início da civilização, o predomínio de um determinado tipo de tecnologia transforma o comportamento pessoal e social de todo o grupo. Não é por acaso que todas as eras foram, cada uma à sua maneira, ‘eras tecnológicas’. Assim tivemos a Idade da Pedra, do Bronze…até chegarmos ao momento tecnológico atual, da Sociedade da Informação ou Sociedade Digital”.

Para Kenski as mudanças ocorridas na sociedade Digital evidenciam novas demandas. Segundo ela “[…] a nova lógica das redes interfere nos modos de pensar, sentir, agir, de se relacionar socialmente e adquirir conhecimentos. Cria uma nova cultura e um novo modelo de sociedade”.

No tocante à educação, Lucia Santaella, renomada pesquisadora da área, afirma que as tecnologias de informação e comunicação deram origem a quatro processos de ensino e aprendizagem:

processos baseados na tecnologia do livro;

a educação a distância;

e-learning e aprendizagem em ambientes virtuais;

m-learning ou aprendizagem móvel.

Cada um desses processos origina um modelo educacional, por exemplo: das mídias impressas temos o modelo gutenberguiano, cujo processo educacional está baseado na transmissão de conteúdo; às mídias de massa (rádio, telecursos, vídeo) cabe o termo educação a distância, pois segundo Santaella (2013), nesses casos trata-se de uma educação que se processa realmente a distância, diferentemente de quando o diálogo humano-computador é estabelecido; o e-learning caracteriza-se pela aprendizagem em ambientes virtuais on-line, com a flexibilização do tempo e espaço e da aprendizagem assíncrona; já o m-learning chega como um novo paradigma a partir dos aparelhos móveis, cuja característica centra-se na educação on-line acrescida da mobilidade.

Uma nova tecnologia não elimina as anteriores, elas se complementam. No que se refere às tecnologias da linguagem e da comunicação, as características de diversificação e hibridação das mídias no campo educacional não determinam que novos modelos educacionais tenham que apagar as formas e modelos precedentes.

Podemos observar que cada uma das formas de aprendizagem apresenta potenciais e limites que lhe são próprios e, por isso, a educação a distância não substitui inteiramente a educação gutenberguiana, assim como a aprendizagem em ambientes virtuais não substitui ambas. Ao contrário, todas elas se complementam, o que torna o processo educativo muito mais rico.

No tocante às mídias computacionais, Santaella defende que elas permitem que os usuários tenham “controle sobre o fluxo de informações, lidem com informações em excesso e descontinuadas, façam parte de comunidades virtuais, articulem ideia de forma muito rápida e desenvolvam o pensamento crítico”.

Assim, o acesso a diferentes ambientes de aprendizagem pode favorecer o treinamento sensório, perceptivo e mental fazendo com que os sujeitos envolvidos aprendam de modo distinto daquele em que foram formadas as gerações anteriores.

Por isso professor e professora, neste século XXI – 2015 – é importamte que você reflita sobre como gosta de aprender e ensinar nesta sociedade digital, na qual só a transmissão de conteúdo não cabe mais.

*Escrito por Glaucia da Silva Brito e Fabricia Cristina Gomes. Glaucia é professora doutora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Fabrícia é doutoranda do Programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), professora e pedagoga da rede pública de ensino. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/07/15 9:39:40 AM
(Foto: Divulgação)

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Nosso país tem sido marcado por escândalos de corrupção em todas as esferas da sociedade. Ainda hoje, quase que diariamente, vemos prisões e processos que, inevitavelmente, trazem as palavras “ética” e “princípios” ao centro das discussões. Acredito que não haja uma idade específica a partir da qual se deveria começar a falar sobre este assunto com nossos filhos, na verdade, mais do que propriamente falar sobre, trata-se de “agir de acordo com”, isto é, a criança pequena aprende e apreende valores muito mais pelo exemplo, pelos modelos, do que pelo discurso. Assim, cada vez que a família passa valores e orienta a criança acerca de formas de agir e se comportar diante de determinadas situações ela estará, de alguma forma, falando de ética. Isso porque a família, não importando aqui qual é o arranjo desse núcleo, é a primeira célula de socialização e internalização de valores pela criança. E cabe à família a responsabilidade pela educação para ética da criança.

Além do modelo positivo, os pais podem chamar a atenção dos pequenos para as necessidades do outro. É muito importante trabalhar a questão da empatia com a criança; propor a ela que sempre se coloque no lugar do outro e veja se ela gostaria/acharia correto agir de determinada maneira que, por ventura, esteja prejudicando alguém apenas para atender aos seus interesses. É claro que na fase egocêntrica, ela terá dificuldade de entender isso, mas com certeza estará internalizando os valores passados. Isso faz com que, aos poucos, desenvolvam seu espírito crítico e construam sua cidadania, se tornem indivíduos que venham a contribuir para as transformações que a sociedade exige, especialmente no que se refere ao resgate de valores éticos.

O dia a dia se encarrega de trazer oportunidades para tratar com nossos filhos, como quando a criança leva para casa alguma coisa/algum objeto que não lhe pertence, ainda que diga (e que realmente tenha sido assim) que o coleguinha lhe deu. É importante que os pais deixem claro para ela que não se pode ficar com o que não nos pertence. Já no caso das notícias que aparecem na imprensa sobre corrupção, por exemplo, os pais podem explicar o que é isso e destacar que é uma via de mão dupla, isto é, alguém propõe e outro aceita a corrupção. Outra questão séria é a mentira. Eu não quero que a criança minta, mas peço que ela diga ao telefone que eu não estou quando não quero atender a uma ligação.

Mesmo sabendo que de casa vem a construção de valores, a escola deve reforçar o que é passado em casa. O ideal é que haja um alinhamento desses valores e cabe, assim, escolher uma escola que esteja de acordo com o que a família pensa e age.

* Solange Demeterco é doutora e mestre em História pela UFPR e graduada em Ciências Sociais também pela UFPR. É professora de história e sociologia do Colégio Sion em Curitiba. O SION colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 28/07/15 4:40:12 PM
(Foto: Mauro Frasson)

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“Cidadania é uma palavra que eu pessoalmente amo. A gente chama tanto por ela, mas não basta somente cobrar dos outros. ‘Precisamos melhorar a educação, o mundo, as pessoas’, mas de que adianta só falar? Palavras apenas movimentam o ar e não as mãos”. Essa é uma das afirmações de Nathan Messias Reis Polidoro, um jovem de 19 anos que já tem muita história pra contar. Conquistas, experiências e desafios fazem parte do seu dia-a-dia. Para ele, muito disso vem da oportunidade de ter estudado, durante o Ensino Médio, em uma instituição que lhe proporcionou espaço para que desenvolvesse e colocasse em prática autonomia, responsabilidade, cidadania e criatividade.

De 2011 a 2013, Nathan foi estudante do Colégio Sesi, que em março deste ano comemorou uma década de fundação, totalizando 14 mil alunos em 53 unidades em todo o Paraná. A proposta pedagógica,  reconhecida pela sua metodologia, é aplicada por meio de Oficinas de Aprendizagem. O objetivo é engajar os adolescentes em uma formação integral e prepará-los para o mundo profissional, tendo como foco o trabalho em equipe, a liderança, o empreendedorismo e a inovação. “As oficinas eram os melhores momentos, pois não faltava assunto para debatermos em sala de aula. O legal era que todo mundo participava, por mais que não tivesse domínio sobre o assunto, e isso criava um respeito sem igual”, lembra o ex-aluno.

Uma das oficinas que ele destaca chamava-se ‘E Agora José?’, baseada no poema de Carlos Drummond de Andrade e que finalizou o 3º bimestre em 2013. “Criamos um café literário, com duração de quase uma hora, com direito a música ao vivo, efeitos visuais, trajes de época e, é claro, café. Enquanto os convidados entravam no auditório, fizemos um coral de vozes masculinas com a música ‘Roda Viva’, de Chico Buarque. Não medimos esforços para montar o cenário, a iluminação, treinar e alinhar todo o roteiro. Essa experiência chamou a minha atenção porque naquele instante percebi que a união de fatores como respeito, responsabilidade e descontração gera o melhor trabalho”.

Mas foi em 2012 que este jovem vivenciou algo muito especial e que o impulsionou para oportunidades que a vida lhe oferece atualmente. Ele e seu colega, Rafael Poletto, idealizaram o projeto ‘Oralidade em Ação’. “Como já estudávamos no colégio há um ano, percebíamos uma diferença entre as apresentações das turmas do 1º ano (por nunca terem falado em público) e as do 2° ano (cuja oratória já estava mais desenvolvida principalmente pelo estímulo da metodologia). Vamos ficar de braços cruzados? Não! Vamos ajudar”, recorda. A partir disso, apresentaram a ideia para a coordenação do colégio e mais 14 alunos entraram para o projeto. A iniciativa foi um sucesso. Começou com 70 adolescentes e em 2014 alcançou quase mil estudantes em 24 unidades.

Além das vivências no ambiente escolar, Nathan também reforça os momentos singelos e inesquecíveis que ultrapassavam os muros da escola, como os dias em que encontrava seu professor de matemática voltando para casa. “Era muito legal, pois conversávamos como dois amigos, falávamos sobre a vida, o colégio em si, os colegas etc. Eu gostava disso, pois a instituição já quebrava tantos paradigmas na forma de ensinar, por que então não quebrar também na relação professor-aluno?”.

Esses passos da caminhada de Nathan contribuíram para outra conquista: desde abril do ano passado, ele trabalha na Gerência de Operações Inovadoras do Colégio Sesi (GOI). O convite veio em um evento promovido pelo Sindicato das Indústrias de Panificação (SIPCEP), quando atuou, pela primeira vez, como mestre de cerimônias. “Ao final, a gerente da GOI, Lilian Luitz, perguntou o que eu faria futuramente, pois eu já cursava o 3º ano do Ensino Médio. Disse que a minha vontade era ingressar no Ensino Superior. Aí ela indagou: ‘Vamos trabalhar na GOI?’. Aquela pergunta era a que eu mais queria ouvir e que jamais esperava escutar, pois esta área é onde todo o fluxo do Colégio Sesi passa e é ali que tudo é criado. Então eu disse um firme sim”.

Essas experiências e desafios vividos por esse jovem o ajudaram a ver que além de todo o conhecimento é preciso ser prático. “O mundo só será melhor com palavras e conhecimentos que façam todos moverem as mãos”, finaliza.

Link do Projeto Oralidade em Ação – www.oralidadeemacao.com.br

*Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação desenvolvendo projetos para escolas, secretarias de educação e empresas ligadas ao segmento. Atualmente é mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/07/15 4:08:28 PM
(Foto: Divulgação)

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Concordo, pero no mucho. Vamos à encrenca. Acaba de sair mais uma pesquisa sobre práticas (risque “hábito” da expressão – pois é chata e inadequada pra burro) de leitura no Brasil. Vem da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e indica que 70% dos brasileiros não leram nem sequer um livro em 2014. O dado replica índices semelhantes, apurados em outras pesquisas, das quais a mais relevante é – com méritos – a Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. A última edição é de 2012 e vem outra a caminho.

Os tais 70% – como não – geraram uma grita sem tamanho. Não faltam impropérios contra o sistema educacional, análises históricas sobre nossa miséria letrada, pedras jogadas na política editorial, ou na falta dela. Por aí vai. Difícil não fazer coro com os descontentes. Quanto a discordar um cadinho, digamos que é preciso. Não é difícil concluir que os mais indignados se veem como bons leitores, o que lhes credencia para, no mínimo, sapatear em cima do caixão. Mas já declamamos esse script um sem número de vezes. Virou murro em ponta de faca. Penso que seria mais produtivo desossar essas porcentagens escabrosas, de modo a fazer alguma coisa com elas que não seja só chorar.

Em primeiro lugar, as pessoas estão lendo mais do que liam. Pode apostar. As informações a respeito são preliminares, pois há muitas variantes a serem cruzadas, como os dados de inclusão digital, por exemplo. Eles mudam a cada mês. Aquela senhorinha com internet no telefone que ganhou de um filho, oras, está lendo mais do que lia. Há mais aspectos a considerar. Não o fazemos porque temos um discurso viciado, que leva a relacionar a leitura ao livro, como se leitura não significasse uma bacia de atividades e algo mais.

O motivo de relacionar o livro e a leitura é puramente técnico e, claro, faz um baita sentido. Quem chegou ao livro – e é capaz de lê-lo inteiro – teria, em tese, habilidades para outras camadas de leitura. O raciocínio é o mesmo aplicado à cadeia alimentar: quem lê rótulo de produtos no supermercado tem mais cultura nutricional, logo come melhor. O problema é que ao martelar esse raciocínio, reforçamos a derrota, deixando de ver os avanços. Ou mais do que disso – deixamos de perceber que temos uma natureza de leitura própria, diferente da dos franceses ou da dos americanos. Poxa, ser diferente nem sempre significa que seja pior, se me permitem.

Proponho um exercício para azeitar essa tese. A última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que a população que lê – míseros 50% da população, o que é um dado no mínimo duvidoso – o faz, quase que maciçamente, de maneira fragmentada. Não “traça” um livro inteiro, mas parte dele. De imediato, pensamos que o sujeito avançou, sei lá, 20 páginas, e largou o volume de lado. Digamos que essa é uma das possibilidades.

A outra é que estava lendo a Bíblia – que não se presta a ser lida como um romance – e uma esmagadora maioria de brasileiros leitores, oras, lê a Sagrada Escritura. É obra complexa, reflexiva, “intensiva”, como se diz nos estudos de leitura, quando a prática de ler tende a um alto grau de assimilação. Menos importante? Ponha-se na conta que Ágape, do padre Marcelo Rossi, se tornou o maior fenômeno editorial brasileiro. Foi adquirido por mais de 9 milhões de pessoas que, sou capaz de apostar, havia muito não iam da primeira à última página. Não conta?

Não estou usando exemplos religiosos por ideologia, juro. Gente bamba, como Felipe Lindoso, autor do delicioso O Brasil pode se tornar um país de leitores?, alertou, em ocasião, que são horas de estudar a influência do livro religioso na alavancada de leitores no Brasil. Observar a leitura a partir das escolhas dos menos letrados é uma boa maneira de remapear nossa tragédia e encontrar saídas.

Não é a única estratégia. Coloquemos na conta que os 13% de brasileiros que chegaram à universidade também leem de maneira fragmentada. Os professores – e não é de hoje – trabalham com capítulos de livros importantes, e não com livros inteiros. Se temos a mesma prática de leitura – aos pedaços – entre os menos e os mais escolarizados, diz algo sobre a maneira que lemos. Nos jornais, os sintomas se repetem – pesquisas indicam que de ponta a ponta, lê-se apenas a crônica, uma historinha curta, de leitura rápida, que pode ser recontada imediatamente por quem a leu.

Não acho que essas e outras escolhas da variada palheta das “leituras” à brasileira devam nos inferiorizar. Melhor partir delas para discutir o assunto e traçar políticas. Sim – 70% não leram um livro em 2014, mas leram. É o que deve nos interessar: o que escolheram e por quê. No mais, melhor considerar a loucura da vida nas cidades – cada vez menos convidativas –, a falta de compromisso com o assunto de outras instituições que não a escola – sobre a qual recai toda a responsabilidade; e sobretudo a falta de exemplos. Parece conversa da Candinha, mas exemplos arrastam, sim.

Observem os índices de leitura na Índia, país que passou pela ascensão de uma nova classe média, como no Brasil. Para o indiano que se firma no mercado de consumo, melhorar de vida é ter carro e isso e aquilo, mas é também ler jornais, por exemplo. Os emergentes brasileiros, ao contrário, tendem a se afirmar no novo posto fazendo plástica, viajando em cruzeiros, adquirindo celulares e – como não – chegando à faculdade, o que é um grande avanço. O livro e o jornal, contudo, aparecem magrinhos na lista de compras. Os novos membros da classe média tendem a se parecer com quem já estava na classe média. Como não veem nenhum deles com o livro na mão, julgam que não tem importância.

Minhas desculpas, mas digo isso para lembrar que a culpa também é nossa, dos leitores escolados. Podemos mudar um pouco essa história lendo em público, dando livros de presente, integrando projetos de leitura, visitando a biblioteca da escola pública do nosso bairro e, sobretudo, perguntando ao porteiro do prédio ou à zeladora do condomínio qual o livro de suas vidas. Haveremos de nos surpreender com a resposta. Pode escrever – eles um dia leram, gostaram, mas se apartaram dessa experiência. Com um empurrãozinho a gente consegue ajudá-los a repetir a dose, dessa vez para sempre.

*José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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