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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 04/08/15 9:35:08 AM
(Imagem: Divulgação)

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A tecnologia, fruto da atividade humana, é desenvolvida e utilizada em diversos contextos sociais, ao mesmo tempo ela impacta na vida cotidiana possibilitando novos arranjos de “organização de vida”. Como afirma Kenski (2003), “[…] desde o início da civilização, o predomínio de um determinado tipo de tecnologia transforma o comportamento pessoal e social de todo o grupo. Não é por acaso que todas as eras foram, cada uma à sua maneira, ‘eras tecnológicas’. Assim tivemos a Idade da Pedra, do Bronze…até chegarmos ao momento tecnológico atual, da Sociedade da Informação ou Sociedade Digital”.

Para Kenski as mudanças ocorridas na sociedade Digital evidenciam novas demandas. Segundo ela “[…] a nova lógica das redes interfere nos modos de pensar, sentir, agir, de se relacionar socialmente e adquirir conhecimentos. Cria uma nova cultura e um novo modelo de sociedade”.

No tocante à educação, Lucia Santaella, renomada pesquisadora da área, afirma que as tecnologias de informação e comunicação deram origem a quatro processos de ensino e aprendizagem:

processos baseados na tecnologia do livro;

a educação à distância;

e-learning e aprendizagem em ambientes virtuais;

m-learning ou aprendizagem móvel.

Cada um desses processos origina um modelo educacional, por exemplo: das mídias impressas temos o modelo gutenberguiano, cujo processo educacional está baseado na transmissão de conteúdo; às mídias de massa (rádio, telecursos, vídeo) cabe o termo educação à distância, pois segundo Santaella (2013), nesses casos trata-se de uma educação que se processa realmente à distância, diferentemente de quando o diálogo humano-computador é estabelecido; o e-learning caracteriza-se pela aprendizagem em ambientes virtuais on-line, com a flexibilização do tempo e espaço e da aprendizagem assíncrona; já o m-learning chega como um novo paradigma a partir dos aparelhos móveis, cuja característica centra-se na educação on-line acrescida da mobilidade.

Uma nova tecnologia não elimina as anteriores, elas se complementam. No que se refere às tecnologias da linguagem e da comunicação, as características de diversificação e hibridação das mídias no campo educacional não determinam que novos modelos educacionais tenham que apagar as formas e modelos precedentes.

Podemos observar que cada uma das formas de aprendizagem apresenta potenciais e limites que lhe são próprios e, por isso, a educação a distância não substitui inteiramente a educação gutenberguiana, assim como a aprendizagem em ambientes virtuais não substitui ambas. Ao contrário, todas elas se complementam, o que torna o processo educativo muito mais rico.

No tocante às mídias computacionais, Santaella defende que elas permitem que os usuários tenham “controle sobre o fluxo de informações, lidem com informações em excesso e descontinuadas, façam parte de comunidades virtuais, articulem ideia de forma muito rápida e desenvolvam o pensamento crítico”.

Assim, o acesso a diferentes ambientes de aprendizagem pode favorecer o treinamento sensório, perceptivo e mental fazendo com que os sujeitos envolvidos aprendam de modo distinto daquele em que foram formadas as gerações anteriores.

Por isso professor e professora, neste século XXI – 2015 – é importamte que você reflita sobre como gosta de aprender e ensinar nesta sociedade digital, na qual só a transmissão de conteúdo não cabe mais.

*Escrito por Glaucia da Silva Brito e Fabricia Cristina Gomes. Glaucia é professora doutora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Fabrícia é doutoranda do Programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), professora e pedagoga da rede pública de ensino. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/07/15 9:39:40 AM
(Foto: Divulgação)

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Nosso país tem sido marcado por escândalos de corrupção em todas as esferas da sociedade. Ainda hoje, quase que diariamente, vemos prisões e processos que, inevitavelmente, trazem as palavras “ética” e “princípios” ao centro das discussões. Acredito que não haja uma idade específica a partir da qual se deveria começar a falar sobre este assunto com nossos filhos, na verdade, mais do que propriamente falar sobre, trata-se de “agir de acordo com”, isto é, a criança pequena aprende e apreende valores muito mais pelo exemplo, pelos modelos, do que pelo discurso. Assim, cada vez que a família passa valores e orienta a criança acerca de formas de agir e se comportar diante de determinadas situações ela estará, de alguma forma, falando de ética. Isso porque a família, não importando aqui qual é o arranjo desse núcleo, é a primeira célula de socialização e internalização de valores pela criança. E cabe à família a responsabilidade pela educação para ética da criança.

Além do modelo positivo, os pais podem chamar a atenção dos pequenos para as necessidades do outro. É muito importante trabalhar a questão da empatia com a criança; propor a ela que sempre se coloque no lugar do outro e veja se ela gostaria/acharia correto agir de determinada maneira que, por ventura, esteja prejudicando alguém apenas para atender aos seus interesses. É claro que na fase egocêntrica, ela terá dificuldade de entender isso, mas com certeza estará internalizando os valores passados. Isso faz com que, aos poucos, desenvolvam seu espírito crítico e construam sua cidadania, se tornem indivíduos que venham a contribuir para as transformações que a sociedade exige, especialmente no que se refere ao resgate de valores éticos.

O dia a dia se encarrega de trazer oportunidades para tratar com nossos filhos, como quando a criança leva para casa alguma coisa/algum objeto que não lhe pertence, ainda que diga (e que realmente tenha sido assim) que o coleguinha lhe deu. É importante que os pais deixem claro para ela que não se pode ficar com o que não nos pertence. Já no caso das notícias que aparecem na imprensa sobre corrupção, por exemplo, os pais podem explicar o que é isso e destacar que é uma via de mão dupla, isto é, alguém propõe e outro aceita a corrupção. Outra questão séria é a mentira. Eu não quero que a criança minta, mas peço que ela diga ao telefone que eu não estou quando não quero atender a uma ligação.

Mesmo sabendo que de casa vem a construção de valores, a escola deve reforçar o que é passado em casa. O ideal é que haja um alinhamento desses valores e cabe, assim, escolher uma escola que esteja de acordo com o que a família pensa e age.

* Solange Demeterco é doutora e mestre em História pela UFPR e graduada em Ciências Sociais também pela UFPR. É professora de história e sociologia do Colégio Sion em Curitiba. O SION colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 28/07/15 4:40:12 PM
(Foto: Mauro Frasson)

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“Cidadania é uma palavra que eu pessoalmente amo. A gente chama tanto por ela, mas não basta somente cobrar dos outros. ‘Precisamos melhorar a educação, o mundo, as pessoas’, mas de que adianta só falar? Palavras apenas movimentam o ar e não as mãos”. Essa é uma das afirmações de Nathan Messias Reis Polidoro, um jovem de 19 anos que já tem muita história pra contar. Conquistas, experiências e desafios fazem parte do seu dia-a-dia. Para ele, muito disso vem da oportunidade de ter estudado, durante o Ensino Médio, em uma instituição que lhe proporcionou espaço para que desenvolvesse e colocasse em prática autonomia, responsabilidade, cidadania e criatividade.

De 2011 a 2013, Nathan foi estudante do Colégio Sesi, que em março deste ano comemorou uma década de fundação, totalizando 14 mil alunos em 53 unidades em todo o Paraná. A proposta pedagógica,  reconhecida pela sua metodologia, é aplicada por meio de Oficinas de Aprendizagem. O objetivo é engajar os adolescentes em uma formação integral e prepará-los para o mundo profissional, tendo como foco o trabalho em equipe, a liderança, o empreendedorismo e a inovação. “As oficinas eram os melhores momentos, pois não faltava assunto para debatermos em sala de aula. O legal era que todo mundo participava, por mais que não tivesse domínio sobre o assunto, e isso criava um respeito sem igual”, lembra o ex-aluno.

Uma das oficinas que ele destaca chamava-se ‘E Agora José?’, baseada no poema de Carlos Drummond de Andrade e que finalizou o 3º bimestre em 2013. “Criamos um café literário, com duração de quase uma hora, com direito a música ao vivo, efeitos visuais, trajes de época e, é claro, café. Enquanto os convidados entravam no auditório, fizemos um coral de vozes masculinas com a música ‘Roda Viva’, de Chico Buarque. Não medimos esforços para montar o cenário, a iluminação, treinar e alinhar todo o roteiro. Essa experiência chamou a minha atenção porque naquele instante percebi que a união de fatores como respeito, responsabilidade e descontração gera o melhor trabalho”.

Mas foi em 2012 que este jovem vivenciou algo muito especial e que o impulsionou para oportunidades que a vida lhe oferece atualmente. Ele e seu colega, Rafael Poletto, idealizaram o projeto ‘Oralidade em Ação’. “Como já estudávamos no colégio há um ano, percebíamos uma diferença entre as apresentações das turmas do 1º ano (por nunca terem falado em público) e as do 2° ano (cuja oratória já estava mais desenvolvida principalmente pelo estímulo da metodologia). Vamos ficar de braços cruzados? Não! Vamos ajudar”, recorda. A partir disso, apresentaram a ideia para a coordenação do colégio e mais 14 alunos entraram para o projeto. A iniciativa foi um sucesso. Começou com 70 adolescentes e em 2014 alcançou quase mil estudantes em 24 unidades.

Além das vivências no ambiente escolar, Nathan também reforça os momentos singelos e inesquecíveis que ultrapassavam os muros da escola, como os dias em que encontrava seu professor de matemática voltando para casa. “Era muito legal, pois conversávamos como dois amigos, falávamos sobre a vida, o colégio em si, os colegas etc. Eu gostava disso, pois a instituição já quebrava tantos paradigmas na forma de ensinar, por que então não quebrar também na relação professor-aluno?”.

Esses passos da caminhada de Nathan contribuíram para outra conquista: desde abril do ano passado, ele trabalha na Gerência de Operações Inovadoras do Colégio Sesi (GOI). O convite veio em um evento promovido pelo Sindicato das Indústrias de Panificação (SIPCEP), quando atuou, pela primeira vez, como mestre de cerimônias. “Ao final, a gerente da GOI, Lilian Luitz, perguntou o que eu faria futuramente, pois eu já cursava o 3º ano do Ensino Médio. Disse que a minha vontade era ingressar no Ensino Superior. Aí ela indagou: ‘Vamos trabalhar na GOI?’. Aquela pergunta era a que eu mais queria ouvir e que jamais esperava escutar, pois esta área é onde todo o fluxo do Colégio Sesi passa e é ali que tudo é criado. Então eu disse um firme sim”.

Essas experiências e desafios vividos por esse jovem o ajudaram a ver que além de todo o conhecimento é preciso ser prático. “O mundo só será melhor com palavras e conhecimentos que façam todos moverem as mãos”, finaliza.

Link do Projeto Oralidade em Ação – www.oralidadeemacao.com.br

*Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há dez anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação desenvolvendo projetos para escolas, secretarias de educação e empresas ligadas ao segmento. Atualmente é mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) na linha “Comunicação, Educação e Formações Socioculturais”. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/07/15 4:08:28 PM
(Foto: Divulgação)

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Concordo, pero no mucho. Vamos à encrenca. Acaba de sair mais uma pesquisa sobre práticas (risque “hábito” da expressão – pois é chata e inadequada pra burro) de leitura no Brasil. Vem da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e indica que 70% dos brasileiros não leram nem sequer um livro em 2014. O dado replica índices semelhantes, apurados em outras pesquisas, das quais a mais relevante é – com méritos – a Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. A última edição é de 2012 e vem outra a caminho.

Os tais 70% – como não – geraram uma grita sem tamanho. Não faltam impropérios contra o sistema educacional, análises históricas sobre nossa miséria letrada, pedras jogadas na política editorial, ou na falta dela. Por aí vai. Difícil não fazer coro com os descontentes. Quanto a discordar um cadinho, digamos que é preciso. Não é difícil concluir que os mais indignados se veem como bons leitores, o que lhes credencia para, no mínimo, sapatear em cima do caixão. Mas já declamamos esse script um sem número de vezes. Virou murro em ponta de faca. Penso que seria mais produtivo desossar essas porcentagens escabrosas, de modo a fazer alguma coisa com elas que não seja só chorar.

Em primeiro lugar, as pessoas estão lendo mais do que liam. Pode apostar. As informações a respeito são preliminares, pois há muitas variantes a serem cruzadas, como os dados de inclusão digital, por exemplo. Eles mudam a cada mês. Aquela senhorinha com internet no telefone que ganhou de um filho, oras, está lendo mais do que lia. Há mais aspectos a considerar. Não o fazemos porque temos um discurso viciado, que leva a relacionar a leitura ao livro, como se leitura não significasse uma bacia de atividades e algo mais.

O motivo de relacionar o livro e a leitura é puramente técnico e, claro, faz um baita sentido. Quem chegou ao livro – e é capaz de lê-lo inteiro – teria, em tese, habilidades para outras camadas de leitura. O raciocínio é o mesmo aplicado à cadeia alimentar: quem lê rótulo de produtos no supermercado tem mais cultura nutricional, logo come melhor. O problema é que ao martelar esse raciocínio, reforçamos a derrota, deixando de ver os avanços. Ou mais do que disso – deixamos de perceber que temos uma natureza de leitura própria, diferente da dos franceses ou da dos americanos. Poxa, ser diferente nem sempre significa que seja pior, se me permitem.

Proponho um exercício para azeitar essa tese. A última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que a população que lê – míseros 50% da população, o que é um dado no mínimo duvidoso – o faz, quase que maciçamente, de maneira fragmentada. Não “traça” um livro inteiro, mas parte dele. De imediato, pensamos que o sujeito avançou, sei lá, 20 páginas, e largou o volume de lado. Digamos que essa é uma das possibilidades.

A outra é que estava lendo a Bíblia – que não se presta a ser lida como um romance – e uma esmagadora maioria de brasileiros leitores, oras, lê a Sagrada Escritura. É obra complexa, reflexiva, “intensiva”, como se diz nos estudos de leitura, quando a prática de ler tende a um alto grau de assimilação. Menos importante? Ponha-se na conta que Ágape, do padre Marcelo Rossi, se tornou o maior fenômeno editorial brasileiro. Foi adquirido por mais de 9 milhões de pessoas que, sou capaz de apostar, havia muito não iam da primeira à última página. Não conta?

Não estou usando exemplos religiosos por ideologia, juro. Gente bamba, como Felipe Lindoso, autor do delicioso O Brasil pode se tornar um país de leitores?, alertou, em ocasião, que são horas de estudar a influência do livro religioso na alavancada de leitores no Brasil. Observar a leitura a partir das escolhas dos menos letrados é uma boa maneira de remapear nossa tragédia e encontrar saídas.

Não é a única estratégia. Coloquemos na conta que os 13% de brasileiros que chegaram à universidade também leem de maneira fragmentada. Os professores – e não é de hoje – trabalham com capítulos de livros importantes, e não com livros inteiros. Se temos a mesma prática de leitura – aos pedaços – entre os menos e os mais escolarizados, diz algo sobre a maneira que lemos. Nos jornais, os sintomas se repetem – pesquisas indicam que de ponta a ponta, lê-se apenas a crônica, uma historinha curta, de leitura rápida, que pode ser recontada imediatamente por quem a leu.

Não acho que essas e outras escolhas da variada palheta das “leituras” à brasileira devam nos inferiorizar. Melhor partir delas para discutir o assunto e traçar políticas. Sim – 70% não leram um livro em 2014, mas leram. É o que deve nos interessar: o que escolheram e por quê. No mais, melhor considerar a loucura da vida nas cidades – cada vez menos convidativas –, a falta de compromisso com o assunto de outras instituições que não a escola – sobre a qual recai toda a responsabilidade; e sobretudo a falta de exemplos. Parece conversa da Candinha, mas exemplos arrastam, sim.

Observem os índices de leitura na Índia, país que passou pela ascensão de uma nova classe média, como no Brasil. Para o indiano que se firma no mercado de consumo, melhorar de vida é ter carro e isso e aquilo, mas é também ler jornais, por exemplo. Os emergentes brasileiros, ao contrário, tendem a se afirmar no novo posto fazendo plástica, viajando em cruzeiros, adquirindo celulares e – como não – chegando à faculdade, o que é um grande avanço. O livro e o jornal, contudo, aparecem magrinhos na lista de compras. Os novos membros da classe média tendem a se parecer com quem já estava na classe média. Como não veem nenhum deles com o livro na mão, julgam que não tem importância.

Minhas desculpas, mas digo isso para lembrar que a culpa também é nossa, dos leitores escolados. Podemos mudar um pouco essa história lendo em público, dando livros de presente, integrando projetos de leitura, visitando a biblioteca da escola pública do nosso bairro e, sobretudo, perguntando ao porteiro do prédio ou à zeladora do condomínio qual o livro de suas vidas. Haveremos de nos surpreender com a resposta. Pode escrever – eles um dia leram, gostaram, mas se apartaram dessa experiência. Com um empurrãozinho a gente consegue ajudá-los a repetir a dose, dessa vez para sempre.

*José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/07/15 10:50:16 AM
(Foto: Na Lata)

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O terceiro setor tem hoje relevante papel no cenário econômico e social brasileiro. A mobilização da sociedade perante os graves problemas sociais impulsionou o nascimento de diversas organizações sem fins lucrativos, constituídas para melhorar a qualidade de vida de parcela da população, para qual sua atuação é orientada. Muitas dessas organizações nascem do compromisso assumido por lideranças sociais engajadas e possuem como característica a adoção de estratégias informais pautadas na prestação de serviço diário à comunidade. Entretanto, esse trabalho comumente é realizado sem clareza de missão, visão ou valores, do mesmo modo que desconsideram a expectativa dos diversos públicos de interesse da organização, incluindo aqui as escolas e outras instituições que atendem pessoas com deficiência.

Para assumirem definitivamente o papel de promotoras do desenvolvimento da pessoa com deficiência de uma forma sustentável, a profissionalização dos serviços por meio de práticas de gestão e planejamento de longo prazo se torna tarefa inevitável às organizações. No entanto, essas práticas serão ineficazes se não forem pautadas na leitura do ambiente e na compreensão do grau de influência dos grupos de interesse da organização, conhecidos como stakeholders.

Esses grupos são formados por pessoas que influenciam e são influenciados pela organização. No caso das escolas de educação especial, podemos citar empresas, governo, sociedade e os próprios colaboradores. Todos têm impacto no dia a dia das instituições e no crescimento e fortalecimento de cada uma. Um empresário pode, por exemplo, apadrinhar um projeto de reforma ou de capacitação, como acontece nas ações da ASID Brasil. Já a sociedade, pode contribuir acolhendo essas pessoas, ajudando no bom desenvolvimento delas, por exemplo. Portanto, é inviável às organizações construir uma estratégia sustentável sem considerar seu posicionamento perante seus grupos de interesse.

Por isso, a capacidade de a organização identificar quais são seus grupos de interesse e suas expectativas apoiará o desenvolvimento de uma estratégia otimizada para a busca de seus objetivos e alcance de resultados, seja na captação de recursos, na comunicação com a sociedade, no gerenciamento das pessoas e voluntários e, ainda, na prestação dos serviços para a pessoa com deficiência.

*Artigo escrito por Marina Rozin, trabalha no departamento de Captação de Recursos da  Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. É formada
em Administração pela UFPR. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/07/15 4:22:22 PM
(Imagem: Brunno Covello)

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Em recente visita ao Brasil, Manuel Castells, um dos maiores pesquisadores mundiais em sociedade, cultura, economia e educação, um homem com pelo menos, setenta anos de existência, nos contou que:

“Quando a minha geração desaparecer, o acesso à INTERNET será universal. O problema é a capacidade de atuar através da internet, que depende, principalmente, do nível educativo e cultural das pessoas. É nisso que está o problema do Brasil: no sistema educativo. Um país educado com internet progride. Um país sem educação utiliza a internet para fazer ‘estupidez’.” CASTELLS (2015)

Como professores, não acreditamos na educação e na tecnologia como instrumento de proliferação da “estupidez”…por isso venho em defesa de uma educação humanista que, desde 1968, no Brasil, já tinha um precursor que defendia, usava e desenvolveu um método de alfabetização revolucionário embasado nas articulações pedagógicas possíveis entre a tecnologia da televisão e de gravações cinematográficas para difundi-lo. Em seu Ação Cultural e Revolução Cultural (1968), Freire nos apontava que a sociedade massificada surge nas sociedades altamente tecnologizadas, absorvidas pelo mito do consumo.

Professores e professoras, que sociedade habitamos?

Será uma sociedade da informação? Do conhecimento? Tecnologizada ou tecnológica? Líquida ou digital?

A única consciência histórica que possuímos é que vivemos em uma era denominada “contemporânea” e que com toda esta “contemporaneidade” vieram evoluções, conhecimentos e formas de comunicação as quais não estávamos habituados. Perceba, a imensa maioria dos brasileiros tem acesso à INTERNET. O que eles não têm, é internet instalada em sua casa, mas têm seus smartphones conectados, seja no metrô, nos cafés, nas lan houses, restaurantes, ônibus. Isso significa que em nosso país a maior parte dos adultos economicamente ativos e com menos de 30 anos tem conexão à REDE, mesmo que sejam socialmente excluídos, pois a conexão com a comunicação social passou a ser prioridade de consumo de todo povo.  Segundo Castells, existe um dado confiável em nível global que diz que 50% da população adulta do mundo tem um smartphone atualmente e a projeção para 2020 é de que a porcentagem seja de 80%. Portanto, a difusão de smartphone no Brasil tem também um foco de, no mínimo, 50% da população adulta. As estatísticas tradicionais de uso de internet são absolutamente antiquadas, porque contam a internet na casa das pessoas e a realidade não é assim. A maior parte delas não usa a internet em casa, mas sim no smartphone, acessando no trabalho, na rua, em ambientes comerciais, instituições públicas e é claro, na escola.

Percebemos que a chamada brecha digital está praticamente superada, ela é principalmente uma brecha de idade. “Quando a minha geração desaparecer” nos diz Castells, “o acesso à rede será universal”.

O que nós, profissionais da educação, faremos?

Faremos o que nos ensinou um velho amigo, quando declarou que “Faço uma questão enorme de ser um homem de meu tempo e não um homem exilado dele” (FREIRE, 1984). Para Paulo Freire, a tecnologia deve ser entendida como uma das “grandes expressões da criatividade humana” e também como “a expressão natural do processo criador em que os seres humanos se engajam no momento em que forjam o seu primeiro instrumento, com que de melhor possuem e que então, a partir daí, transformam o mundo”.

Para nosso educador histórico, “a tecnologia faz parte do natural desenvolvimento dos seres humanos”, e é elemento para a afirmação de uma sociedade (1993).

Professor, que ESPAÇO TEMPO você habita? E a escola que você atua, forma cidadãos para qual SOCIEDADE?

*Escrito por Glaucia da Silva Brito e Ariana Chagas Gerzson Knoll. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Ariana é pedagoga e doutoranda do PPGE – UFPR. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/07/15 12:05:24 PM
(Foto: Henry Miléo)

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Uma das características da literatura é a sua capacidade de fugir do ramerrão a que muitas vezes acabamos condenando nossa existência. A rotina tem suas vantagens, alguns automatismos também, mas quando tudo vira normal, quando nada mais é capaz de tirar o fôlego, de fazer descobrir sentidos antes insuspeitados, quando a vida cai, contraditoriamente, no ponto-morto, talvez fique chato arrastar o saco pesado dos dias, à espera de que no fim de semana ou nas férias ou na aposentadoria ou na cova a coisa melhore.

Então, se a literatura (e só quem lê sabe) é capaz de ampliar o jeito de ver o mundo, de renovar as rotinas, de espanar a poeira do cotidiano, a escola não deveria pensar com mais carinho na leitura? Se é importante saber as fases da divisão celular, também não seria importante saber mais sobre ansiedade, angústia, amor, ódio, paixão, compaixão, egoísmo?

Caímos, de novo, num dos dilemas mais velhos da cultura escolar: como fazer o aluno ler? Respondo, já me desculpando pela falta de originalidade: o professor precisa ser leitor.

Depois, vem a questão que me colocam: deve-se insistir na leitura obrigatória ou cativar o aluno pelo prazer da livre-escolha?

Vamos lá, de novo: mais do que trazer uma resposta inédita, busco apenas manter aceso o debate. Se o professor lê e sabe do que está falando, temos três quartos do caminho andado. O outro quarto eu investiria no método. E, aqui também, nenhuma novidade: equilíbrio entre o obrigatório e a livre-escolha.

Causando um pouco de horror nos não-leitores, eu diria que o objetivo maior de toda a escola (não só da disciplina de Língua Portuguesa) deveria ser a formação do leitor, e que a Literatura deveria ter papel muito importante. Nada a ver com reserva de mercado, entendam-me bem. O discurso literário, tanto por seu valor intrínseco como extrínseco, liga outros discursos, amarra-os de modo a se apropriar de outras linguagens para colocá-las na arena de conflitos do mundo e da vida.

Dito isso, o professor poderia, a partir de uma leitura coletiva obrigatória, ler junto com o aluno, ensinando-o a ir além da decodificação linguística e da identificação primária de elementos da narrativa. Trazer situações que a obra propõe, buscá-las em textos de outros gêneros, cotejar com a vida de cada um, devolver a experiência pessoal para enriquecer a leitura do texto em si, retirar e colocar sentidos possíveis, promover alimentações mútuas. Se temos universos simbólicos instituídos, que a leitura orientada sirva para criar fissuras nesse simbólico, tornando-o mais poroso e aberto a novas formas de pensar e sentir. Feito isso, hora da leitura de livre-escolha, buscando fazer o aluno identificar no livro que ele próprio escolheu o que lhe parece relevante para o seu momento de vida e o que ele acrescentaria à interpretação da obra. Isso poderia servir também para que o aluno identificasse livros de entretenimento, livros mais densos, essas coisas. E o processo recomeçaria com outra obra de leitura coletiva e obrigatória. Os gêneros devem ser variados, poesia, romance, conto, crônica, peça de teatro. Em outras disciplinas, por que não alguns livros de divulgação científica, algo tão pouco comum no Brasil?

A média de leitura no país é uma das coisas mais desoladoras que existem. Do jeito que escrevo, parece que estou criando regras in vitro, dentro de um laboratório, mas que levadas à vida real encontrarão uma série de obstáculos. Reconheço as dificuldades diárias e sei que é meio antipático e arrogante ditar regras. Que não chamemos de regras, então, mas de caminhos possíveis, pontos de partida que ganham outras cores conforme a vida real vai desenhando seus contornos tão peculiares.

 

*Artigo escrito por Cezar Tridapalli, coordenador de Midiaeducação no Colégio Medianeira, uma das escolas associadas ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). Formado em Letras (UFPR), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR) e mestre em Estudos literários, é também escritor, autor dos romances “Pequena biografia de desejos” e “O beijo de Schiller”. www.cezartridapalli.com.br. O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/07/15 12:18:56 PM
(Imagem: Divulgação)

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Quem cuida e educa as crianças deste mundo também deve cuidar e educar a si mesmo. Resolver suas dúvidas, inseguranças, questionar suas crenças e rever seus valores é sem dúvida um trabalho árduo, mas necessário a quem escolhe educar outro ser. É nesse caminhar, acompanhando o desenvolvimento do outro e se colocando também como um aprendiz, que o caminho faz sentido e torna-se muito mais gratificante, isso permite deixar-se surpreender, conhecer e aprender…

Em tempos de angústia, somos exigidos na busca da transformação. Se pensarmos no quanto de dor e sofrimento é necessário para nos transformarmos, podemos entender que esse é um processo constante em nossas vidas. Vamos pensar no nascimento? A natureza, sábia, prepara o corpo da mulher para receber um novo ser, na hora do nascimento há dor, tensão, angústia, ansiedade, e todo esse processo é preparatório para a morte de uma mulher e o nascimento de outra, agora mãe.

A sensação de morte é presente no processo de transformação, mas quando a mulher confia em si mesma e nos que estão a sua volta, consegue se entregar a essa dor, aceitá-la e se abrir para o novo, para esse desconhecido que lhe transforma em alguém mais forte, mais paciente, mais crente em si e nos outros, e com muito mais amor. Essa transformação também ocorre com os homens, que se dispõem a enfrentar seus medos e angústias, tornando-se pais.

Vivemos uma sociedade em que a dor não é aceita, temos que estar constantemente anestesiados (remédios para alívio da dor, entretenimento em todos os lugares para estarmos sempre “felizes”, conversas superficiais onde “tudo está bem”, pois não há espaço para ouvir o que não está bem, todos devem ser “perfeitos” e terem uma vida “perfeita”) e nossas dores vão sendo “escondidas”. Por outro lado, nunca tivemos tanta gente infeliz, cansada, estressada, com problemas de saúde, sozinhas e com tanta solidão. Algo muito paradoxal!

Toda essa consciência da necessidade de transformar-se constantemente, enfrentando as dores e desconfortos, sem viver de forma anestesiada por uma cultura hedonista é, sem dúvida, um processo de aprendizagem. No conceito de educação (que vem do latim educere: trazer de dentro para fora), já está implícito um processo constante de despertar algo que é próprio do ser humano, mas que só se constrói diariamente nas relações estabelecidas com o outro.

E o amor, que vem com a força da renovação e da vida, como se constrói? Ele nasce em cada gesto da mãe com o bebê, cheiro, toque etc. Esse amor, afeto, é que transforma e ele só ocorre presencialmente. Grávidas idealizam seu bebê, mas quando começam a sentir ele mexendo, ou ouvem seu coração, elas constroem com esses estímulos uma relação amorosa.

Mesmo as mães não biológicas constroem esse amor com uma relação presencial e, assim, constroem suas famílias, com ou sem pai, com duas mães, dois pais etc. O importante é o afeto, alimento fundamental para a sobrevivência do bebê, da criança, do adolescente e do ser humano. Esse é o papel fundamental daqueles que educam. Auxiliar no desenvolvimento de um novo ser, construindo afetos que se dão nas relações com a criança. Mas para amar é preciso amar a si mesmo.

Quantas vezes nós paramos para olhar para nós mesmos? O quanto estamos cuidando de nós? Por vezes, no cuidado com quem a gente ama, esquecemos de nós mesmos. Então, o convido para essa reflexão: quais são seus sonhos? Suas intenções? O que te mobiliza? O que te inspira? O que faz sentido para você em sua vida?

*Artigo escrito por Adriana A. Bini, psicóloga e colaboradora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve formações para adolescentes, educadores e familiares baseadas nas concepções de educação integral transformadora. A Associação Gente de Bem colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/07/15 10:16:41 AM
(Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

(Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Habilidades não cognitivas, ou socioemocionais, não só podem como são efetivamente desenvolvidas desde a educação infantil. A escola, como está compreendida na pós-modernidade, vem mudando seu paradigma. O que se espera da escola hoje é o acolhimento à diversidade, a construção da aprendizagem por meio de múltiplas linguagens, a integração entre as pessoas, o olhar atento ao outro na perspectiva da solidariedade, a troca de saberes, a cooperação.

Essa concepção de educação aliada à entrada cada vez mais precoce das crianças na escola em função das demandas sociais geradas para as famílias (necessidade de mais horas de trabalho, mudança no papel social da mulher) trouxeram para a escola a ampliação do currículo, um novo olhar. Hoje (implícita ou explicitamente), cabe à escola a formação integral do indivíduo. Sendo assim, as habilidades não cognitivas, ou socioemocionais, compõem os currículos escolares desde a educação infantil.

A primeira infância é um período de crescimento em que os canais de aprendizagem estão todos abertos, por ser o primeiro espaço com o qual convivem fora do âmbito familiar, a escola é um ambiente privilegiado não só para as aprendizagens formais, como também para o desenvolvimento das habilidades não cognitivas. Da mesma maneira que os alunos são receptivos ao letramento por meio de múltiplas linguagens, também o são para aprender a ser solidário, respeitoso, a negociar interesses e vontades, a argumentar, a esperar, a ter autocontrole, a perseverar, a tornar-se autônomo, reflexivo, curioso, a resolver problemas.

As crianças são essencialmente plásticas e, na escola, têm a oportunidade de experienciar situações que, em algumas gerações anteriores, eram vivenciadas apenas por intermédio das relações familiares.

As habilidades não cognitivas são estimuladas e vão sendo construídas, pelas crianças, na relação que fazem entre os seus saberes e o objeto de conhecimento e nas relações interpessoais próprias do ambiente escolar. Passam, assim, a se refletirem no modo de agir e de ver o mundo.

A educação infantil que compreende a educação de maneira interacionista atua em favor do desenvolvimento das habilidades não cognitivas de maneira constante, já intrínseca ao planejamento e à maneira de compreender como se processa a construção do conhecimento, seja em qual esfera for. Não há mais a dicotomia na ação educativa. O aluno é percebido de maneira integral – física, intelectual, pessoal e social.

Por isso, a informação é o melhor instrumento e ela se apresenta em múltiplas oportunidades: desde a apresentação inicial que se faz às famílias sobre a filosofia da instituição, passando pelas reuniões com pais e pela partilha de textos que validam essa perspectiva educativa, até a socialização de produções das crianças por meio de exposições, tarefas, campanhas solidárias e a mudança de comportamento percebida nos filhos. Essas últimas, talvez, sejam as de maior relevância porque são o demonstrativo da evolução, do crescimento de cada um deles como seres humanos preocupados com os outros e com o mundo em que vivem.

*Artigo escrito por Claudia Ayres. Pedagoga e coordenadora da educação infantil do Colégio Marista Nossa Senhora da Glória, da Rede de Colégios do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 03/07/15 4:39:15 PM
(Imagem: divulgação)

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Intolerância, brigas violentas, crimes. Em tempos de muitas adversidades, ser resiliente –conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas (choque, estresse etc.) – se tornou uma característica importante pessoal e profissionalmente. Muitos não sabem que a resiliência pode ser ensinada, inclusive para crianças. Superar frustrações, entender que pode estar em risco, perceber seus comportamentos e reações são coisas que as crianças podem fazer, se orientadas pelos responsáveis e aceitas no meio em que vivem.

Alguns pontos favorecem o desenvolvimento da resiliência e o papel dos pais neste processo é muito importante. É fundamental que a criança seja bem-vinda e desejada na família, outros pontos são o entusiasmo, a forma otimista de encarar os fatos, e passar por frustrações. O adulto resiliente com certeza foi exposto a frustrações na infância, os pais precisam entender que tirar todas as pedras do caminho do filho é um desserviço, deixar que o filho se frustre e mostrar como ele conseguiu vencer essa etapa é o que fará a diferença em sua formação, o reforço positivo é outra ferramenta importante na formação da auto-estima.

Engana-se quem acha que resiliência é algo que se adquire e faz com que a pessoa haja da mesma forma em todas as situações, isso não é verdade, pois crianças e adultos podem ser resilientes em casa, mas não tolerarem nenhuma situação adversa na escola ou no trabalho, por exemplo.

A chegada da adolescência faz com que atitudes resilientes se tornem ainda mais importantes, pois o resiliente, em geral, não se coloca em situações perigosas ou vulneráveis. O adolescente que possui esta característica avalia as situações sem se alienar, além disso, ele se conhece, percebe a si mesmo e os outros e se torna capaz de analisar antes de agir. Isso vale para ofertas de drogas, má influência de amigos e comportamento na internet.

Algumas ações para ajudar seu filho a se tornar resiliente:

– Desejar o filho é o ponto de partida;

– Oferecer amor e presença. Pessoas resilientes foram muito amadas na infância;

– Participar ativamente da vida de seu filho;

Colocar-se a serviço da criança, disponível para as necessidades que ela tem;

– A escola oferece o estímulo à parte cognitiva. Escolha uma boa escola, que estimule adequadamente seu filho;

– Seja você uma pessoa resiliente. Para desenvolver o autoconhecimento e a estruturação a criança busca nos modelos que ela possui.

*Águeda Thormann é mestre em Mídia e Conhecimento e professora do Curso de Pedagogia do ISE SION (Instituto Superior de Educação Nossa Senhora de Sion). A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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