Blogs

Fechar
PUBLICIDADE

Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 29/04/16 3:35:45 PM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Proponho aqui uma breve reflexão sobre como podemos ajudar nossos alunos a equilibrar melhor a instigante e intrigante relação que estabelecem com os produtos da indústria do entretenimento. Essa relação é robusta, pois os produtos massificados adentram com certa facilidade os meios educacionais, estampam capas de cadernos, adornam lápis e borrachas, soam nos aparelhos de som da escola, ou viram figurinos na apresentação de final de ano.

Gosto de definir a “Escola” como um conjunto de vias de acesso. Múltiplas vias somadas, interconectadas, caracterizam essa fundamental instituição moderna. Algumas de suas vias dão acesso imediato ao conhecimento selecionado e organizado na forma de currículo, por meio das disciplinas escolares. Outras vias geram acesso a formas diferenciadas de produção e gestão do conhecimento, porque toda escola se estrutura não apenas conforme as diretrizes governamentais, mas também pelo modo como sua comunidade se organiza. A Escola é via de acesso também a distintas metodologias de ensino e de organização do trabalho, porque quem ensina algo, não ensina apenas o conteúdo, mas também a forma como o conteúdo está sendo ensinado.

Como via de acesso à convivência social com distintos grupos, identidades, ideologias, culturas, a Escola é capaz de produzir questionamentos sobre o modo como a sociedade se organiza. Se bem dirigida e organizada, viabiliza acesso a diversificadas expressões estéticas, permite que se produza arte e conhecimento em seu interior e contribui significativamente com o desenvolvimento cultural de sua comunidade. Alunos, familiares e profissionais que trabalham na Escola encontram nesta somatória de vias de acesso a oportunidade de viver experiências culturais múltiplas, menos massificadas, com características locais ímpares e potencialmente mais profundas do que aquelas que se dão, por exemplo, diante de uma tela de computador, celular ou de televisão.

Mas antes de por aqui seguir, permitam-me fazer uma ressalva importante: não tenho intenção de desgraçar as produções massificadas da indústria do entretenimento. Aliás, eu assisto TV, gosto de alguns jogos eletrônicos, coleciono alguns brinquedos industrializados e reconheço nestes produtos muitos elementos que podem nos favorecer enquanto pais e educadores. Um deles, talvez o principal, é o êxito que estes produtos alcançam ao estabelecer diálogos prolongados com o público. No caso das crianças, por exemplo, um herói de desenho animado pode passar anos inspirando brincadeiras e reforçando parâmetros comportamentais e estéticos. Seu repertório de gestos, de expressões faciais, seu vestuário, seus clichês narrativos, seus poderes e sua personalidade são fontes de “beleza” ou “feiura”, do que pode e do que não pode, são referências potentes que influenciam escolhas em distintas áreas da convivência, sobretudo nos momentos em que as crianças brincam.

Esta precisão comunicativa esculpida pela indústria do entretenimento, e que tanto sucesso faz, pode ser fonte de inspiração para nossas práticas educativas. Como seria se pudéssemos criar, adaptar ou reproduzir narrativas capazes de gerar tanto interesse prolongado e, ao mesmo tempo, agregar sentido ao ensino curricular? Nossas aulas seriam mais vibrantes? Nossos causos com finalidade didática se reproduziriam nos recreios, inspirariam pega-pegas entre heróis e vilões? Seriam mais continuados e significativos os nossos diálogos com os alunos se, vez ou outra, acolhêssemos as especificidades de seu mundo simbólico como parte de um processo coletivo de produção do conhecimento?

Queiramos ou não, gostemos ou não, os produtos massificados rompem os muros da escola, instigam brincadeiras, inspiram as produções e “empoderam” temporariamente as crianças, que se transformam em heróis e saem pelo pátio escolar salvando o mundo, num exercício criativo de exploração dos valores sociais e das noções de convivência. Como diz o sociólogo português Manuel Sarmento, não podemos fazer entrar pela porta da escola apenas o aluno; a criança tem de vir junto.

A criança é este sujeito criativo que está no mundo, que traz para dentro da escola as forças e influências do mundo. Negar a criança em nome do aluno é perder de vista as potencialidades humanas que só desabrocham quando estamos conectados de algum modo aos nossos centros de interesse. Se a escola nega aquilo que é de conhecimento das crianças e que pertence ao seu domínio, automaticamente fecha uma de suas mais significativas vias de acesso, que é a de interlocução com as culturas de massa. E só é possível gerar alternativas às culturas de massa neste nosso mundo interconectado se reconhecemos e compreendemos as forças e influências que delas advém e que tanto geram interesse nas crianças.

Assim, uma vez acolhida, essa robusta relação das crianças com os produtos da indústria do entretenimento pode então ser questionada. Jogos eletrônicos e desenhos animados já são responsáveis por preencher a maior parte do tempo lúdico das crianças dentro de casa. São atraentes, repletos de desafios, mas restringem o movimento do corpo e limitam a circulação das crianças no espaço. Tendem a posicioná-las mais como espectadoras do que produtoras da ação. Em muitos jogos não é preciso levar em conta a opinião do outro, nem o estado de coisas à nossa volta, o que gera uma sensação totalitária de poder sem censura. Induzem ao consumo do supérfluo, por meio do fenômeno do licenciamento de produtos, condicionando a imagem e a função dos alimentos, da higiene e do vestuário à identificação afetiva da criança com os personagens.

Atentos a esta problemática, pais e educadores podem questionar com profundidade os excessos desta relação que por vezes é viciante entre as crianças e os produtos massificados. Preocupados com a formação intelectual, emocional e corporal das crianças, pais e educadores podem buscar constantemente novas referências criativas e desenvolver uma capacidade de criar e promover situações lúdicas e artísticas capazes de competir em pé de igualdade com os produtos do entretenimento industrializado. Mas como?

Eis alguns exemplos: promover a circulação do grupos infantis, estimulando o contato entre crianças de distintos pertencimentos sociais; ocupar com as crianças os espaços públicos, combatendo a cultura do medo que impele as famílias a se esconderem dentro de casa, como se a rua fosse o lócus da criminalidade; ir a museus, parques, festivais e feiras; fechar ruas nos finais de semanas, impedindo a passagem de carros, para que as crianças possam brincar e circular em locais mais amplos e ao ar livre; promover o contato dos grupos infantis com personalidades locais, moradores antigos, figuras emblemáticas da região; desenvolver projetos de estímulo à prática de brincadeiras tradicionais.

Trata-se, pois, de posicionar a escola como um espaço em que os produtos largamente difundidos pela publicidade possam concorrer com atrativos locais, criados por agentes da região, artistas, contadores de histórias, artesões, atores, arte-educadores, pequenos comerciantes etc. A Escola detém condições simbólicas e institucionais para se posicionar nesta direção e criar espaços para que os produtos culturais locais possam ganhar impulso, seja porque ela consegue abrir espaço para que eles entrem, seja porque ela cria mecanismos para fomentar a sua produção, uma vez que dentro da própria escola há artistas capazes de criar para as crianças e criar com as crianças. Cabe aos gestores, professores e demais profissionais da instituição a identificação, o reconhecimento e a valorização desse campo de possibilidades ao qual a escola pode estar vinculada.

Quem estiver disposto a fazer este investimento político-pedagógico na Escola, buscando novidades em seu entorno e favorecendo a presença de outras formas de arte e entretenimento em seu interior, terá contribuído com um equilíbrio maior entre expressões autênticas e expressões massificadas. Com isso, ajudará os alunos, familiares e profissionais que nela atuam a desenvolver um olhar crítico para as diferenças entre o original e a cópia, entre o autoral e o estereotipado, entre o artístico e o industrializado. E promoverá a convivência de uma diversidade maior de formatos capazes de pluralizar a experiência cultural dos membros da comunidade escolar.

* Artigo escrito por Nélio Spréa, doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná, graduado em Música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná, palestrante e diretor da Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 28/04/16 9:36:09 AM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Atualmente estou como professor do Laboratório de Cálculo Aplicado (LACA) na Universidade Positivo para os cursos de Engenharia e nesse contexto confesso entusiasmado que estou tendo grandes surpresas nessa nova empreitada.

Nesse final de primeiro bimestre fizemos duas propostas de avaliação que serão somadas. Uma é um mini seminário, a ideia é bem simples, eles deveriam apresentar a resolução de um exercício para suas respectivas turmas. A outra é a gravação, pelo celular, de um vídeo curto de uma explicação de um exercício do livro texto.

Ao fazer as propostas a grande maioria deles comprou os desafios da apresentação e gravação na hora. E, como os deixei livres de um modelo formal, muitos inovaram nisso.

A criatividade correu solta, as trocas de experiências foram significativas, o companheirismo entre eles e eu surgiu naturalmente.

Nos vídeos muitos mostraram grande desenvoltura, muita clareza e didática. Nos mini seminários tivemos belíssimas apresentações com direito a muitas referências didáticas e informativas.

Mas, por que estou relatando isso para você?

Obviamente, para passar a mensagem de que é possível fazer dos estudos algo prazeroso e harmonioso. Sabemos que estudar em um mundo de múltiplas ofertas “mais atrativas” é muito complicado, mas ao vê-los empenhados, discutindo soluções e abordagens, dentro e fora da sala de aula, para as apresentações o espírito desse professor de meia-idade (é a primeira vez que escrevo isso) se encheu de esperança, passei a ver um bom futuro para nós.

Dias atrás, conversando com minha esposa Mariel Muraro (coordenadora e professora do curso de Direito na FAPI), soube que um professor solicitou como tarefa para os alunos a correção ou ampliação dos textos na Wikipedia das personalidades de relevância dos assuntos estudados na disciplina. Grande ideia! Isso é envolver os alunos de forma colaborativa em uma tarefa de relevância social.

Enfim, é ótimo ceder espaço a eles. Afirmo categoricamente que eles sabem preencher cada tantinho dado.

Nós, professores, precisamos aceitar que os tempos são outros, precisamos aceitar que o modelo colaborativo é muito mais funcional e atraente para todos.

Ceder espaço não é perder espaço. Ceder é transferir, é dar de si, é se mover.

Na minha experiência, as expectativas foram superadas em muito, creio que assim é quando nossos alunos entendem a proposta de trabalho. No caso do colega que solicitou a tarefa do Wikipedia também seja a mesma.

Acredite que com essa nova geração teremos um belo caminho pela frente. Só precisamos caminhar simplesmente juntos, sem competição desnecessária pelo espaço da sala de aula.

* Artigo escrito por Guilherme Lemermeier Rodrigues, licenciado em Matemática, especialista em Ensino de Matemática e mestre em Educação. Professor do Ciclo Básico de Engenharia da Universidade Positivo, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/04/16 10:59:20 AM
(Foto: Henry Milléo)

(Foto: Henry Milléo)

Durante a vida escolar e especialmente no Ensino Médio, quando os estudantes estão se preparando para os vestibulares e ENEM, além de assistir às aulas e fazer os exercícios exigidos pelos professores, é muito importante que o aluno estude com regularidade para sistematizar e aprender os conteúdos trabalhados em sala de aula.

A prática de estudar sozinho merece a mesma dedicação e atenção dedicados ao ato de aprender em sala. Mas a falta de organização está entre as maiores dificuldades enfrentadas pelos alunos.

A dificuldade de se organizar atrapalha o bom desempenho dos estudantes, pois pode acarretar no acúmulo de conteúdos para estudar na véspera das provas. Além de não se apropriar do conteúdo da melhor maneira,  cria uma sensação de ansiedade.

Se organizar para estudar é também um ‘conteúdo’ para ser aprendido. No Colégio Marista de Brasília (Maristão), os alunos têm a oportunidade de aprender a se organizar nas ‘orientações de estudo’, que são encontros individuais realizados mediante agendamento, para conversar com a equipe da escola e receber informações sobre métodos e planejamento.

Neste atendimento individual e personalizado, os estudantes recebem orientações e elaboram uma grade horária, distribuindo suas atividades semanais de estudo, lazer e outras atividades. Também são orientados sobre os métodos mais adequados de estudo e tempo necessário. Esse atendimento proporciona a elevação do potencial do aluno.

Deve-se estudar sempre. A regularidade e a rotina favorecem o processo de aprendizagem. Também é recomendado diversificar os métodos: estudar em grupo, individualmente, pela internet, dando aulas, frequentando plantões, elaborando perguntas, entre outros.

A carga horária de estudo recomendada varia de acordo com a etapa de aprendizado e com o objetivo de cada aluno. No Ensino Médio, sugerimos cerca de 12 horas semanais para a 1ª série; 15 para a 2ª; e 18 para a 3ª série. Quem almeja passar nos cursos mais concorridos nos exames externos, provavelmente precisa estudar mais.

É importante realizar intervalos que favoreçam o hábito de estudos e preparem o aluno para a próxima disciplina a ser estudada. Porém, deve-se evitar atividades que tirem o foco. O período é para estudar, logo o intervalo não é para lazer.  As redes sociais, por exemplo, quando utilizadas para o estudo, ajudam bastante, mas têm um potencial grande de distração. A televisão, o computador, a cama também são elementos que podem dificultar o hábito saudável de estudo.

Não se preparar devidamente e aumentar as horas de estudo na véspera das provas geralmente não favorece a aprendizagem. A tendência é atrapalhar o processo. Na véspera da prova, o estudante bem preparado tem a possibilidade de reduzir a carga horária, pois a regularidade contribui significativamente para a tranquilidade e segurança acerca do conteúdo a ser cobrado.

Outro elemento que não pode ser negligenciado é a estabilidade emocional. O aluno que se prepara adequadamente geralmente não apresenta ansiedade, medo ou o “branco” na hora da avaliação. Estabelecer um método de estudo favorece a regularidade no processo de preparação, o sistematiza, diminui a ansiedade e potencializa a possibilidade de bons resultados.

*Artigo escrito por Matheus Kaiser, integrante do Núcleo Psicopedagógico do Colégio Marista de Brasília. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/04/16 3:19:27 PM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Frequentemente visitamos instituições de ensino que acreditam realizar programas de combate à violência sistemática. Entretanto, as formas que vivemos nossos valores são a expressão do meio ambiente. Portanto, está claro que até o presente momento, as medidas que foram tomadas pelas instituições de ensino são, no mínimo, inócuas. O crescente aumento de casos de violência presencial e virtual nos mostram a total ausência de conhecimento sobre o que se tem na palma da mão: smartphones, crime e poder.

Mal-usado, este pequeno pedaço de plástico, metal e tecnologia embutida em aplicativos nos permite violar, no mínimo, dez artigos do Código Penal. E a conta aumenta ao se acrescentar dispositivos previstos no Código Civil, na Lei de propriedade industrial, a Lei autoral, a Lei do Software e, agora, sobretudo, a Lei do Bullying.

Embora as medidas preventivas estejam claramente dispostas na lei nº 13.185/2015, temos constantemente lidado com um processo de negação dos administradores escolares. Uma parte deles acredita que cyberbullying é uma lenda. Para a outra, a lei “não vai pegar”.

É importante esclarecer que ainda existem responsáveis por gestões das escolas empenhados na prevenção e combate à violência sistemática. Acreditam que precisam aprender mais. Estudar mais. Ouvir mais. E agir de forma assertiva e contundente, dentro dos ditames da lei. Quando o diretor ou coordenador pedagógico assume que desconhece o tema, os paradigmas e valores podem ser acrescidos dentro do currículo escolar, e a transformação do ambiente escolar é notória e fantástica, a partir da mudança de uma única pessoa.

O programa de prevenção e combate ao bullying em uma escola, necessariamente, deverá conter de forma expressa e taxativa todos os objetivos impostos pela lei 13.185/05, sendo eles: Prevenir e combater a prática do bullying  em toda a sociedade; capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema; implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; fornecer assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores; integrar os meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo; promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua.

E não basta apenas implementar o programa na instituição de ensino. Todos os atos realizados pelos professores e coordenadores necessitam estar provados e registrados nos órgãos competentes. Quando a lei nomeou os requisitos dos programas de prevenção ao bullying, optou pela inclusão de numerus clausus (elencadas em número reduzido, constituem figuras de tipo fixo, predeterminados por lei). Portanto, não cabe ao administrador escolar inovar ou tentar “adaptar” o texto da lei. Os nove requisitos deverão ser cumpridos e a negligencia do cumprimento acarretará a responsabilidade civil e administrativa das instituições de ensino.

A transformação do ambiente escolar parte da figura do gestor escolar – ele é o responsável pela implantação do Programa de combate à violência sistemática. Gestor não é aquele que possui o título, o cargo, o nome dentro de uma estrutura corporativa. Gestor escolar é a pessoa apta a promover a implementação de valores com a mudança da sua própria conduta. Uma única pessoa pode mudar o curso da Humanidade – tanto para o mal (Adolf Hitler, Joseph Stalin, Gênghis Khan por exemplo), como para o bem (Sidarta Gautama, Jesus Cristo, Maomé, Moisés – por exemplo). É preciso entender o tempo em que vivemos, o local onde estamos e a legislação da qual estamos (ou queremos ser) submetidos. Caso único onde uma andorinha é capaz de fazer o verão.

* Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita é advogada socia do SLM Advogados, e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/04/16 3:50:02 PM
(Foto: Evaristo SA / AFP)

(Foto: Evaristo SA / AFP)

A população do Brasil e especialmente de Brasília levou um susto quando no último final de semana começaram a circular pelas redes sociais e veículos de comunicação online a foto daquilo que já está sendo chamado “Muro do Impeachment”, uma divisória de tapumes metálicos de 2 metros de altura que ficará erguida até o dia 17 de abril – quando termina a votação do impeachment na Câmara -, separando os manifestantes contra e a favor da destituição da presidente Dilma Roussef.

O “Muro do Impeachment” teve ainda a “curiosidade” ou ironia de ter sido erguido por presidiários e se estende do Congresso Nacional à Rodoviária de Brasília, numa extensão média de 1km. À direita do Congresso ficam os manifestantes pró-impeachment e, do lado esquerdo, aqueles contra.

É fácil cair na armadilha de pensar que o muro reflete apenas o que já está acontecendo atualmente na sociedade brasileira com a polarização extrema entre os (aparentemente) dois lados mais óbvios dessa história: “coxinhas” e “petralhas”.

Mas se aprofundarmos um pouquinho nossas reflexões podemos dizer que esse foi apenas um muro que se tornou aparente, que tomou forma e, por ter saído da invisibilidade, chocou. Porém, quantos muros existem ao nosso redor, e que são invisíveis porque assim conseguimos conviver melhor com nossa hipocrisia? Quantos muros e paredes não levantamos nós próprios para evitar o confronto com o “outro – sujeito” diferente de nós? Quantas muralhas de metros e metros de altura cegam algumas pessoas que não enxergam – nem querem enxergar – a realidade de outras tantas sem qualquer tipo de garantia de direitos? Quantos muros não erguemos nós para não sairmos de nossa posição confortável e aprender a respeitar outros pontos de vista, outras classes sociais, outros credos, outras sexualidades?

Os muros, muralhas, paredes que já construímos e estão aí, invisíveis, fazem parte da nossa sociedade desde que o mundo é mundo. Mas enquanto estão invisíveis estamos todos “protegidos” pelo anonimato, afinal, quem é preconceituoso, racista, xenófobo, misógino, intolerante com as minorias? Não, não somos nós. São sempre os outros.

Quando um desses muros sai da invisibilidade e nos esfrega na cara a incapacidade que temos de dialogar, de respeitarmos as diferenças entre nós, de compreendermos o que é uma Democracia e nos revela o quão bárbaro ainda somos, a ponto de precisar de uma parede que nos separe, vale a pena refletir profundamente sobre quem somos e como podemos evoluir. Vale a pena pensar nos outros muros ainda invisíveis que temos ao nosso redor e como quebrá-los de vez.

O muro mais famoso do mundo, Muro de Berlim, caiu em 1989, mas ainda existem pelo menos cinco muros que escancaram para o mundo nossa pouca evolução enquanto espécie humana. São muros que dividem, segregam, incitam à vergonha, ao ódio, ao medo: Muro da Cisjordânia, que teve sua construção iniciada em 2002, e separa Israel do território palestino da Cisjordânia. É conhecido pelos críticos da ocupação israelense como “Muro da Vergonha”; Muro que separa os territórios espanhóis de Celta e Melilla do Marrocos e foi construído quando da entrada da Espanha na União Europeia; Muro que separa os Estados Unidos do México e localiza-se entre as cidades de El Paso e Ciudad Juarez e San Diego e Tijuana, revelando a política anti-imigração norte-americana; Muro de Evros, que separa a Grécia da Turquia e foi construído em 2012 nas margens do rio Evros; Muro que divide a Coréia do Norte da Coréia do Sul, com 250 quilômetros de extensão.

Que muro você ainda tem dentro de você? Não está na hora de começar a quebrar essa parede?

*Cristiane Parente de Sá Barreto é Jornalista, Educomunicadora, Sócia-Fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), Doutoranda em Comunicação e Pesquisadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade – CECS da Universidade do Minho, Bolsista da CAPES, Mestre em Educação pela UnB e em Mídia e Educação pela Universidad Autónoma de Barcelona. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 08/04/16 12:22:47 PM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Mais do que uma ferramenta de ensino, a tarefa de casa atua no desenvolvimento da responsabilidade da criança e cria o hábito do estudo. Isso porque, ao realizar a tarefa, o aluno se depara com diversos exercícios, leitura de textos, resumos, sínteses, opiniões embasadas no que foi aprendido sobre os mais variados conteúdos. Neste momento, sem a presença do professor, ele deverá usar todos os seus esquemas mentais já construídos e os que ainda estão em construção para avançar no conhecimento e quando a dúvida surge é importante que ele procure caminhos para resolvê-la.

A ideia é que a tarefa seja incentivada e valorizada desde cedo. É um compromisso do aluno com a escola e com os estudos e deve ser encarada como tal, uma ferramenta para o desenvolvimento da autonomia da criança e deve fazer parte de outras responsabilidades no dia a dia em casa. Os alunos que têm responsabilidades em casa enxergam a lição como mais uma tarefa da vida o que facilita a relação com essa atividade.

O papel da família

Para que não haja perda neste processo, é bom lembrar que a lição de casa deve ser para o aluno e não para os pais: assim, ela deve ser uma atividade que o aluno seja capaz de desenvolver e não algo que os pais façam por ele. Os pais já ajudam se orientarem o/a filho/a reservar um horário para fazer diariamente leitura e a lição, num espaço adequado, longe dos apelos, como TV, celular, jogos virtuais, música etc. Assim a criança terá uma organização e uma tranquilidade interior para poder realizar a lição.

Nos anos iniciais, muitas vezes a criança precisa da presença atenta dos familiares, mesmo que seja para auxiliar a organização do pensamento e do tempo dedicado. Num mundo de tantos estímulos, é importante que o adulto direcione este momento e esteja presente para auxiliar no desenvolvimento da segurança. Mas, aos poucos, a criança vai internalizando estas condições (segurança, confiança, autonomia) e é necessário afastamento.

Vale ressaltar que os pais nunca devem oferecer prêmios ou castigos em troca da lição, mas sim conversar sobre o valor do trabalho em si. A parceria com a escola é sempre necessária, principalmente no cumprimento das responsabilidades do aluno e na resolução das dúvidas. Valorizar o estudo também é fundamental para promover o ambiente necessário para desenvolver a responsabilidade da tarefa. De um modo geral, a família colabora oportunizando o tempo necessário e incentivando a criança a superar resistências.

Lição de casa na ótica montessoriana do Sion

A metodologia montessoriana prevê a aprendizagem por meio da interiorização dos conteúdos, construção de novos esquemas cognitivos, resolução de problemas, desenvolvimento de juízo crítico, entre outros.

 A tarefa no Sion é enviada a partir do 2º ano do Ensino Fundamental, momento que os alunos já são capazes de desenvolver sozinhos. Cada lição é curta, com objetivos claros e articulados ao conteúdo visto em sala, mas não uma repetição. Ao elaborar a lição, a/o professor/a considera o desenvolvimento e o grau de autonomia que a turma possui, porque o objetivo da lição de casa é que o aluno possa fazê-la sozinho, com independência. É o momento de o aluno ler, refletir, relacionar e reconstruir conhecimentos e fazer descobertas – atitudes de uma pessoa cada vez mais autônoma. No fim de semana, as crianças levam também a Vivência Religiosa, para que tenham a oportunidade de refletir e dialogar com a família sobre espiritualidade e valores.

A partir do Ensino Fundamental 2 ela vem em forma de um Guia de Estudos – O Guia é recebido nas sextas feiras e contempla as tarefas da semana seguinte, o que permite que o aluno faça sua organização pessoal e escolha o melhor horário e dia para cada atividade.

*Artigo escrito por Aura Valente, Luciana Gonçalves, Maria Cristina Montingelli e Rita Ling, equipe de coordenação e supervisão do Colégio Sion. O Sion colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/04/16 9:47:51 AM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Pense comigo: o que motiva as pessoas à causa social e ao trabalho voluntário e de interesse público? O que faz com que as pessoas decidam investir parte de seu tempo para ajudar outras pessoas? O que está envolvido e em jogo nisso tudo? Não querendo ser exaustivo, a despeito das diversas respostas que poderiam ser dadas para essas perguntas, penso que algo deve ser lembrado: a correlação entre a diversidade social e o trabalho de utilidade pública.

No pouco contato que tive com o universo da educação em modalidade especial na cidade de Curitiba, fui tremendamente confrontado com um mundo e realidade completamente diferentes do meu. São perspectivas, contextos, rotinas, barreiras e possibilidades distintas. Mas mais do que isso: são pessoas muito diferentes, em diversos sentidos, que não somente o da deficiência. À luz dessa cintilante realidade, me peguei questionando: o que potencializa esse relacionamento com o diferente e o torna saudável e sinérgico?

A priori, não querendo ser dogmático demais, uma das prerrogativas é o reconhecimento de que a diversidade, de fato, existe. Pelo nosso Princípio Constitucional de Igualdade, “dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades”. Isso, para mim, significa dizer que nem todo mundo possui as capacidades e habilidades que possuo, que cada indivíduo possui sua legítima história de vida, educação e formação, e que cada pessoa enfrenta suas lutas, barreiras e limites pessoais.

Nesse ínterim, destituindo-nos de uma visão demasiadamente umbilical, devemos ver o diferente como algo positivo, ainda que nem melhor, nem pior, mas somente diferente! E nessa relação, enxergarmos a potencialidade de sinergia, de ganho para ambas as partes envolvidas, a partir da promoção de seu co-relacionamento. Eu não sei se você já se deparou com uma sala de aula e chegou ao final do expediente se perguntando: “será que, de fato, não fui eu o aluno dessa história toda? ”.

Ao invés de vermos na diversidade social uma barreira, ou enxergá-la de maneira pejorativa, proponho que essa possiblidade de intercâmbio com aquele que é diferente possa ser, para nós, uma alavanca que nos impulsione para um maior envolvimento com a educação especial e com o voluntariado. Portanto, eu te convido: se permita envolver e aprender com o próximo e com o diferente. Inegavelmente, podemos dizer que a troca de saberes, o processo de ensino-aprendizagem acontece no cenário da diversidade social.

*Artigo escrito por Anderson Vieira. Formado em Administração de Empresas pela UFPR e bacharelando em Teologia pela Faculdade Presbiteriana Fatesul. Foi voluntário em Escolas Especiais de Curitiba e hoje é colaborador da ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças), ONG que trabalha para aprimorar a gestão das escolas gratuitas de educação especial, resultando na abertura de vagas e melhoria da qualidade de ensino. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 01/04/16 3:01:31 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Educar a nova geração em um mundo com alta velocidade de transformação é um desafio que requer reflexões e atitudes diárias de pais e educadores. Diante da nossa sociedade contemporânea mutante, uma das poucas certezas é que aquilo que funcionou no passado não será o suficiente para lidar com os desafios futuros.

Vivemos em uma época de mudanças profundas e velozes, impulsionadas por fatores complexos como a globalização, crises econômicas, revolução tecnológica, crise socioambiental e novas exigências do mundo do trabalho. Diante desse contexto, para educar as crianças e adolescentes de hoje é necessário ter atitudes diferentes das que tiveram as gerações anteriores.

Educar não se limita a uma tarefa para o presente, mas é um importante investimento para que no futuro o indivíduo possa estar mais competente para lidar com os desafios que a vida irá lhe propor. Refletir sobre os possíveis cenários desse novo mundo e quais serão as competências necessárias para viver nele, é tarefa prévia para contribuirmos com a preparação da nova geração.

Mesmo diante desse cenário de incertezas, podemos afirmar que o novo mundo irá exigir competências que vão além de conhecimentos prontos e decorados, como há décadas se repete na maioria das escolas e que já não atendem as necessidades de hoje, muito menos as do amanhã. É necessário desenvolver o potencial do indivíduo como um ser humano inteiro, com suas múltiplas inteligências. Isso amplia as probabilidades dele em ser bem-sucedido em seus propósitos e com os desafios da vida.

Uma das dificuldades da atual geração que está educando nossas crianças e adolescentes é que ela vê o mundo com o seu modelo mental, formatado há décadas, e assim preparamos hoje uma pessoa que precisará no futuro lidar com esse novo mundo. Atuando nessa missão, seja na família, na escola ou em qualquer ambiente educativo, torna-se necessário a abertura para questionar e atualizar a todo o momento sua visão de mundo. Como disse Paulo Freire, “Como professor não me é possível ajudar o educando a superar sua ignorância se não supero permanentemente a minha”.

* Artigo escrito por Luciano Diniz, coordenador da Pós-graduação em Educação Transformadora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve programas de educação integral transformadora para adolescentes, professores e famílias. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 22/03/16 9:46:45 AM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

A Educação, o aprendizado e os métodos didáticos desafiam algumas das melhores mentes da humanidade desde Aristóteles e sua divergência famosa com a Academia Platônica, quando, com a morte de Platão, esta priorizou a matemática à filosofia.

Atualmente, em universidades norte-americanas e europeias há grupos de pesquisa estudando um novo paradigma para o projeto educacional. Fundam-se em elementos de uma corrente da psicologia cognitiva que enfoca o processamento da informação envolvendo as memórias sensorial, operacional e permanente; considerando, conforme Jean Piaget, que a aprendizagem ocorre somente quando a assimilação do conhecimento passa pela acomodação, a estrutura cognitiva é reconfigurada e estabelecidos novos traçados para a cognição.

Não se trata de um novo Construtivismo, mas de novas ideias que incluem alguns princípios construtivistas. Entendendo-se que o educando não “aprenderá” o que não lhe interessa e não o desafia, o aprendizado será erigido pelo aprendiz.

O foco é então deslocado do ensino para a aprendizagem, o estudante sujeito do processo, não mais receptor passivo daquilo que Paulo Freire chamava de educação bancária, porque o professor simplesmente “depositava” conhecimentos no aluno, mera doação que tinha entre suas consequências o extermínio da curiosidade e da criatividade, quando o objetivo da educação é inquietar a mente, não acalmá-la.

Enfatiza-se o desenvolvimento de habilidades cognitivas e estratégias que as potencializem, valorizando-se o conhecimento procedimental (como fazer? Como saber?) E sua contextualização (por que, onde e quando), em substituição ao, ainda valorizado, conhecimento confessional (saber que…).

No entanto, cabe vez mais fica claro que isso implica numa profunda transformação na prática docente, não apenas conduzindo o processo de aprendizagem num caminho do despertar da curiosidade, mantendo o fundamento nos conteúdos mínimos já dominados pelos estudantes, mas incorporando mais tecnologia ao fazer pedagógico.

Pesquisadores da área educativa falam hoje em objetos de aprendizagem, definidos como entidades digitais ou não digitais que podem ser utilizadas no ensino com suportes tecnológicos, para organizá-lo e estruturá-lo. Embora mais utilizado em sistemas de treinamento com a utilização do computador e no ensino à distância, toda a metodologia que se utiliza de imagens, vídeos, ou qualquer outro recurso educacional digital, necessita planejamento de forma integrada, desde a produção até a utilização, para atingir os objetivos propostos.

A experiência educativa tem na tecnologia um importante agente de transformação, e a forma como o material instrucional tem sido projetado e implementado tem impacto significativo na forma como aprendemos e fixamos conteúdos, incorporando-os aos conhecimentos prévios.

Um bom objeto de aprendizagem demanda tempo e habilidade para ser construído, desde o domínio sobre a temática a ser trabalhada, a escolha da melhor abordagem do ponto de vista pedagógico, um adequado manejo da ferramenta escolhida para auxiliar o projeto e, principalmente, coerência durante a execução do projeto como um todo.

Embora hoje tenhamos à disposição um bom número de softwares, vídeos pré-gravados, textos digitalizados e inúmeros recursos multimídias, o planejamento do professor e o interesse dos alunos são essenciais, para agregar conteúdos e ao mesmo tempo conseguir a adesão à proposta educativa, já que ensino e aprendizagem exigem participação ativa de todos.

Se ao professor cabe o esforço de diversificar as maneiras pelas quais disponibiliza a informação, tornando-as dinâmicas e significativas ao mundo do alunado, a este caberá envolvimento efetivo, que só pode acontecer se houver autonomia e vontade de produzir e criar, de descobrir o novo.

Como pontuou o professor Pedro Demo, não há escola ou aprendizado sem professor, motivado e respeitado: “Para mudar qualquer coisa em educação, é imprescindível mudar o professor, em duas dimensões conjugadas: valorização socioeconômica profissional e valorização da formação e formação continuada. Não considero que o professor resolve tudo, porque toda proposta monótona não corresponde à complexidade da realidade, mas ele é peça-chave”.

O caminho é conhecido: professores interessados tornam-se professores interessantes, professores interessantes ajudam a despertar o interesse do aluno; e aí começa o processo de aprendizagem.

* Artigo escrito por Wanda Camargo, professora do UniBrasil Centro Universitário e associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

**Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/03/16 11:29:43 AM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Que tal fechar os olhos e buscar na memória as principais brincadeiras e jogos usufruídos na época de sua infância? Possivelmente, nesse exercício, dada a realidade e contexto de cada um, especialmente para aqueles que não precisaram adentrar ao mundo do trabalho precocemente, as principais lembranças permearão situações vividas na rua ou no campo, em casa ou no apartamento, acompanhados ou não por amigos e familiares, com brinquedos adaptados a partir da criatividade e imaginação, outros industrializados, ou ainda, simplesmente sem objetos. Certamente, momentos que não voltarão, mas que fazem parte de nossa história.

Mas sobre as brincadeiras “na” e “da” escola, como eram e como são, atualmente? Será que conferem aos sujeitos opções de escolha? Para esclarecer, por ora, tratamos as vivências lúdicas “na” escola como sendo as criações infantis no próprio espaço, a partir da herança cultural, ressignificação das práticas ou produção das crianças. Um exemplo pode ser o “chocopito”, presente no documentário “Brincantes” (disponível no link https://youtu.be/3Q5QX-TDUW8), uma brincadeira que envolve oralidade, ritmo e movimento. Já o aspecto determinado como “da” escola, compreende ações desenvolvidas didática e metodologicamente para alcançar determinados fins pedagógicos, geralmente pensadas pelos docentes das instituições ou órgãos de direção geral.

Mencionamos “opções de escolha”, pois embasamos esse debate nos distintos interesses culturais apresentados pelas crianças no tempo/espaço de lazer presente no cotidiano escolar. Ou seja, o universo lúdico e suas variadas manifestações durante o recreio: as brincadeiras que envolvem a dança e expressividade, o momento de assistir um filme na sala de projeção, as atividades de correr ou partidas de futebol, rodas de conversa, leituras de gibi ou livros, a brincadeira de cinco marias e tantas outras que compõem a realidade dos estudantes.

Do mesmo modo, estudos no campo do lazer evidenciam a existência e classificação de diferentes interesses culturais nesse tempo e espaço. Para Nelson Carvalho Marcellino, autor que debate o tema, o lazer possui diferentes conteúdos, organizados em seis áreas de concentração. Uma delas corresponde ao interesse artístico, que compreende o estímulo do imaginário, das emoções e sentimentos. Um segundo aspecto é o interesse intelectual, que evidencia informações objetivas ou explicações racionais, como o caso de pessoas que gostam de leitura, por exemplo. Outro interesse diz respeito ao aspecto manual, voltado para ações de transformação de objetos em materiais (artesanato) ou de contato com a natureza, como a jardinagem. O quarto interesse corresponde ao elemento social, ou seja, a valorização dos pontos de encontro para troca de experiências ou diálogos. O penúltimo interesse é o turístico, voltado a romper a rotina do tempo e do espaço, em que são englobados os passeios e viagens. Finalmente, o interesse físico/esportivo, em que são consideradas as atividades de perseguir, subir e escalar, pular, jogar com ou sem bola, enfim, uma infinidade de ações em que prevalece o movimento.

Um cuidado, no entanto, é a necessidade de investigação sobre tais interesses. Ao observarmos as vivências realizadas pelas crianças durante o recreio, com exceções, perceberemos que a maioria delas está concentrada no aspecto físico/esportivo. Vários fatores interferem na constituição dessas práticas e um deles pode ser a falta de estimulo aos outros interesses. Muitas vezes, na organização das brincadeiras “da” escola, parte-se do princípio de que maior parte das crianças gosta do mesmo aspecto, desconsiderando suas diferenças. É o caso tradicional do empréstimo de bolas para os meninos e cordas para as meninas. Além disso, o que mais pode ser vivenciado?

A resposta pode e deve partir da consideração das crianças, afinal, são contínuas produtoras de cultura e precisam pensar e viver o próprio espaço. Um caminho interessante nesse percurso passa pela observação do recreio, reconhecimento das vivências desenvolvidas e aproximação da equipe pedagógica para, posteriormente, intervir junto às crianças em relação à organização e compartilhamento de brincadeiras e jogos. Algumas sugestões são válidas, como a criação do espaço da leitura, combinado com o local da troca de livros e/ou brinquedos, ou ainda, a dança coletiva, vivenciada a partir de determinados jogos de videogame, o que contempla o interesse virtual, definido por Gisele Maria Schwartz, pesquisadora do campo. Podemos considerar, também, o remanejamento de bancos ou inserção de materiais acolchoados para sentar e conversar, de modo que seu layout possibilite a interação entre os sujeitos. Outra possibilidade são as oficinas de brinquedos feitos com sucatas, o que atende grupos de interesse manual.

Entre o “na” e o “da” escola, muitas vezes fora de sintonia, não podemos deixar as crianças submissas à lógica do “nada” que vá ao encontro de seus interesses, ou pouco do que é ofertado. Da mesma maneira, a diversificação da oferta envolve, necessariamente, a participação e mediação do adulto, em prol de outra organização do espaço e das práticas usufruídas. É preciso estabelecer um plano de ação contínuo pautado no diálogo permanente com as crianças.

Fica o desafio: organizar, propor e manter, em parceria com os estudantes, diferentes vivências lúdicas no espaço escolar, de maneira a potencializar o aspecto criativo condizente a cada um, a partir de seus desejos e escolhas. Pensar em diversidade cultural também inclui vivenciar a pluralidade de sentidos e significados dados às brincadeiras e jogos no tempo/espaço de permanência na escola.

* Artigo escrito por Thiago Domingues, professor, mestre em Educação Física pela UFPR, palestrante e formador pela Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Páginas12345... 43»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Buscar no blog
Acompanhe a Gazeta do Povo nas redes sociais