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Educação e Mídia

Enviado por cilvias, 17/02/17 6:03:28 PM

Nossa sociedade mudou e a forma das famílias educarem as crianças também. Se por milhares de anos esses cuidados eram delegados quase integralmente às mães, hoje a tarefa comumente está dividida com mais pessoas, sejam familiares ou profissionais, como educadores e babás. A qualidade dos cuidados desse time será decisiva para o desenvolvimento dos potenciais do indivíduo, assim como suas falhas poderão deixar marcas nessa pessoa em desenvolvimento.

Há poucas décadas as mulheres ampliaram seus horizontes e passaram, seja por desejo ou por necessidade, a buscar espaços além de cuidar do lar e da família, como predominantemente fizeram por milênios. Junto com os novos desafios do mundo do trabalho, muitas continuaram como a principal responsável pelo cuidado da casa e das crianças, gerando um acumulo de papéis.

Para a maioria dos homens ainda levará um tempo para atingir seu pleno potencial nesse desafio de dividir os cuidados, que por gerações não lhe foram atribuídos. Há uma significativa alienação dos pais que, mesmo estando por perto, muitas vezes não assumem suas responsabilidades. Não é raro que pais tenham pouco ou nenhum contato com os seus próprios filhos.

Diante desse contexto, novos arranjos são necessários para cuidar das necessidades das crianças, que independente de toda reestruturação da sociedade, continuam precisando de adultos para sua sobrevivência e desenvolvimento saudável. Avós, tios, irmãos mais velhos e outros parentes são chamados para apoiar nessa missão, que também precisa de profissionais, sejam os centros de educação infantil, escolas, atividades complementares ou, nas classes mais favorecidas, as babás.

Como será o desenvolvimento da criança com esses arranjos dependerá da qualidade com que esse grupo atuará. Como em toda crise, oportunidades e ameaças surgem.

Se a orquestra que tocar a música do cuidado dessas crianças não estiver comprometida, atrasarem suas participações, confundirem a criança tocando canções antagônicas e ruidosas, ou preferirem mudar de plateia e delegarem sua missão para as cantigas da Galinha Pintadinha, acontecerão riscos nesse desenvolvimento humano.

Se os músicos estiverem afinados, com objetivos claros e alinhados, com amor e competência, com talentos para tocar diferentes instrumentos, com um ou mais maestros que assumam a liderança quando preciso, pode se criar uma canção com a riqueza de variados sons, elevando o potencial de desenvolvimento desse indivíduo.

*Artigo escrito por Luciano Diniz, Coordenador da Pós-graduação em Educação Integral Transformadora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve programas de educação integral transformadora para adolescentes, professores e famílias. O profissional é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por cilvias, 16/02/17 4:18:21 PM
Gazeta do Povo

(Imagem: Gazeta do Povo)

Certamente um dos momentos do ano mais esperados, por todos nós, é o período de férias. É nesse momento que relaxamos, passeamos, viajamos e esquecemos (ou quase) um ano difícil que passou. Mas, enquanto a maioria dos funcionários, professores e alunos de uma escola curtem as férias, na maioria desses estabelecimentos o ritmo é muito diferente, principalmente no que se refere a obras e à manutenção das instalações prediais.

É no período de férias que as escolas aproveitam para realizar reformas de grande porte como: pintura, ampliação, reparos, demolições, limpeza geral, etc. Pode não parecer, mas em determinadas ocasiões as mudanças ocorrem em pouquíssimos dias envolvendo dezenas de pessoas (a maior parte terceirizadas) trabalhando de forma intensa. A pergunta que fica é: isso pode afetar o bem estar dos alunos e dos demais membros da comunidade escolar no retorno às aulas?

Algumas obras podem não ter sido concluídas até o início das aulas. Isso acontece. Significa então que poderá haver peças, equipamentos, materiais e trânsito de pessoas que não conhecem o ambiente escolar e suas particularidades. Portanto, há a necessidade de sempre verificar minuciosamente o espaço utilizado por alunos antes do retorno às aulas, buscando a existência de objetos que podem oferecer risco: pregos, vidros, tintas, ferramentas, produtos de limpeza, etc., deixados para trás, esquecidos na correria de entregar o espaço. Certa vez, presenciei uma “montanha” de areia resultante de determinada obra, sendo utilizada pelos alunos para brincadeiras. Nela havia pregos! Outra observação a ser feita, é o estado dos brinquedos dos playgrounds. Muitos podem ter sido reformados e instalados durante o recesso. É importante saber se foram montados corretamente. Muita atenção às salas de aula dos pequenos, que devem possuir também protetores de tomada. Por vezes, esses itens são retirados para a utilização de equipamentos e não colocados novamente no lugar, por esquecimento. Nesse período de férias, ainda, as escolas aproveitam para a realização das limpezas da caixa de água, que devem ser realizadas (por força de lei) a cada seis meses.

Outro cuidado importante é com relação aos alimentos fornecidos pelas cantinas e refeitórios. Muitos locais permanecem fechados durante o período de férias e, portanto, deve haver uma atenção especial à validade dos produtos, principalmente nos primeiros dias de aula.

Como em qualquer escola, no início do ano sempre há alunos novos, que não conhecem o espaço que vão compartilhar com os “veteranos” por um bom tempo. É nesse momento que é importante, dependendo da faixa etária, mostrar-lhes o espaço físico e as suas regras. Também é oportuna a realização de capacitações, principalmente para os alunos e funcionários novos, sobre o plano de abandono da edificação, popularmente conhecido, como plano de evacuação, lembrando que os simulados devem ser realizados a cada seis meses, no mínimo, por força de legislação estadual.

Mas, como nós, pais, podemos verificar se essas medidas estão sendo ou foram tomadas? Primeiramente conhecendo bem a escola, observando a rotina da instituição, olhando as condições quando for apanhar a criança e, sempre que possível, conversando com os responsáveis pela instituição, questionando os itens de segurança. A escola certamente contribuirá para isso, pois assim os pais ficarão mais tranquilos e confiantes na escolha que fizeram.

Nos primeiros dias, é muito normal a ansiedade tanto das crianças como dos pais pelo retorno, sendo que esse fator não pode servir de desculpas para uma outra situação que, infelizmente, ainda vemos no nosso trânsito, apesar da enorme quantidade de informação disponível nos canais de comunicação: a não utilização da cadeirinha para criança no carro.  Como mencionado, estão disponíveis fartas informações, de fonte segura, sobre as faixas etárias, tipos, montagens etc., desse equipamento de segurança que, comprovadamente, já salvou milhares de crianças. Pais, observem as regras existentes, policiando-se e educando seus filhos a respeito da importância da utilização das cadeirinhas. Desculpas como: “… o trecho é curto…”, “… é logo ali….”, “… ela não gosta de utilizar…” não colam mais. Devemos evitar o contrassenso de exigir que a escola ofereça uma educação (incluindo a segurança) de qualidade aos nossos filhos, se nós não incorporamos práticas seguras na família.

Como profissional de segurança sempre converso com meus alunos, colegas de trabalho, profissionais a quem visito em empresas, e demais interessados, alertando que a prevenção de acidentes não deve estar apenas nas atividades fora de nossas residências, mas também em casa, desde que nos levantamos e principalmente quando agimos junto aos nossos filhos. Portanto, um bom início de ano para todos, com muita segurança.

*Luiz Mauricio Wendel Prado, Técnico de Segurança do Trabalho. Autor de trabalhos apresentados sobre o tema no Brasil e no exterior. Mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente. Professor de Segurança do Trabalho da UNINTER – Instituição associada ao Sinepe/PR. O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por cilvias, 14/02/17 2:39:45 PM

Arquivo

Muitas crianças estão viciadas em celulares e tablets. A farta e encantadora oferta de jogos e vídeos online cai como uma luva na rotina de algumas famílias. É que, além de gerar entretenimento, esses atrativos mantém os filhos quietos por longos períodos, sem bagunçar a casa, ou protegidos dos perigos de se machucar brincando. Junta-se aí a fome com a vontade de comer. A internet, os vídeos e os games são uma espécie de “sossega leão”. Assim, os produtos da indústria do entretenimento virtual infantil não servem apenas às crianças. Servem também aos pais que, de acordo com suas conveniências, deixam as novidades tecnológicas ocuparem um espaço fundamental na formação de seus filhos.

O preço dessa solução é em geral desmedido. Os prejuízos são herdados pelas crianças. Problemas posturais como cifose, escoliose e outras perturbações de ordem física são uma das faces negativas dessa relação. Pouca gente está atenta a isso, afinal é muito difícil identificar o avanço dessas doenças a curto prazo. Pesquisas no campo da ortopedia nos alertam que estamos diante de uma pandemia mundial de doenças cervicais na infância causadas pelo excesso de uso de smartphones. Essa dura realidade faz parte do pacote oculto oferecido por esse novo modelo de entretenimento, que é capaz de concentrar em uma única tela uma gama infinita de possibilidades de diversão. Um mundo encantador, de desafios, lutas, disputas e conquistas, está ao alcance dos dedos das crianças. Não é preciso mais levantar do sofá, dar voltas na casa, subir no muro, construir castelos e quartéis generais para conquistar ou salvar o mundo.

Mas há algo ainda mais complicado aí. Ficar no computador, tablet ou celular por horas a fio pode significar uma redução drástica das possibilidades de interação social. Ainda que existam propostas de jogos em rede, ou plataformas que permitem interação virtual, como os sites em que as crianças criam seus perfis, formam clãs e se comunicam frequentemente, ainda assim o convívio social e a experiência cultural estarão sempre restritos às condições e limites de cada dispositivo ou aplicativo. Não haveria mal nenhum nisso não fosse a quantidade de horas que essas atividades ocupam. Os jogos eletrônicos e vídeos são produtos culturais fabulosos e é inegável que há neles contribuições importantes para o desenvolvimento das crianças. Mas há que se ter equilíbrio. Há que se mover. É preciso cair e se levantar. É fundamental machucar-se e aprender a lidar com a dor.

A pergunta que podemos fazer em nossa relação com filhos, ou com alunos, é a seguinte: que oportunidades a criança está tendo de criar sua própria atividade, de frustrar-se com seus erros e tentar novamente, de empreender fantasias brincando, de explorar materiais diversos e de estabelecer novos vínculos sociais e amizades?

O brincar à moda antiga é um contraponto interessante que pode ajudar a equilibrar essa equação. Brincadeiras tradicionais carregam referências culturais importantes e também são fonte de conhecimento para as crianças. Refiro-me às variações de pega-pega, esconde-esconde, jogo com bola, corda e elástico, quebra-cabeça, jogo de mãos, bater cartinhas, subir em árvore, brincar de casinha e carrinho, envolver-se na representação de papéis etc. Esse brincar à moda antiga pode ser orientado por adultos em alguns momentos, mas é fundamental que a criança encontre tempo e espaço para descobrir o que fazer durante a brincadeira. É preciso sentir tédio para que algo novo venha à mente e a criatividade aflore. Fornecer entretenimento o tempo todo à criança é decretar morte à criatividade. Além disso, ao empreender por conta própria a sua atividade, a criança acessa referenciais importantes da vida em sociedade.

Por exemplo, ao brincar de ser mãe ou pai com seus colegas, cuidando de bonecos e bonecas, arrumando a casa, a criança apreende e exercita regras dos comportamentos maternal e paternal. É que essas regras sociais, com as quais ela própria interage em seu cotidiano, migram para a brincadeira e são de algum modo redistribuídas pela criança de acordo com suas necessidades. Questões da ordem do dia, da memória afetiva, aparecem na “cena” que a criança inventa, são selecionadas e misturadas de acordo com os seus interesses, compondo uma nova realidade. Na hora de montar a brincadeira, a criança precisa pensar nas escolhas que fará. Pensando em ser pai ou mãe, ela se depara com os significados e atribuições destes papéis e opera interpretações sobre eles. A “cena” criada pela criança é fruto de sua imaginação. Mas o que ela vive na brincadeira é real, pois seus sentimentos e suas ideias estão sujeitos à coerção e ao constrangimento alheio que surge da experiência com os outros.

Pais e educadores podem estimular a prática de brincadeiras tradicionais, brincando junto com as crianças e definindo limites de tempo para a criança estar diante de uma tela. Há que se ter alguns dias sem tela. Em minha casa instituímos, como costume, uma semana sem tela por mês. Funciona muito bem. É uma semana inteira na qual, nem as crianças, nem o casal, liga telas. Isso tem gerado descobertas incríveis. Quando a semana sem tela sem aproxima, já vem aquela expectativa de que faremos coisas diferentes. A gente volta a conversar com mais intensidade. Cantamos. Saímos para pequenos passeios pelo bairro no início da noite. Jantamos ouvindo música. Jogamos xadrez e lemos. Uma semana sem tela por mês em casa é suficiente para nos lembrar o quão maravilhoso é estar sem a internet ao nosso dispor o tempo todo.

Tenho acompanhado, nos cursos que realizo pela Parabolé Educação e Cultura, que há um desejo crescente, entre pais e educadores, de conter o avanço desta dependência lúdica que está se formando diante das telas. Muitas escolas e Secretarias Municipais de Educação nos procuram solicitando assessoramento nessa área, pois identificam que o vício nas telas está comprometendo os processos de aprendizagem convencionais e afetando as dinâmicas de convívio de crianças entre si.  Há pais que nos escrevem para falar sobre isso. Eles reconhecem a dificuldade de estabelecer limites para o uso dos tablets e celulares. Alguns de nossos livros e DVD’s são por eles utilizados como fonte de pesquisas de brincadeiras tradicionais, porque o brincar à moda antiga está atrelado à sua memória afetiva e ganha um significado especial se revivido pela nova geração.

Não se trata, portanto, de demonizar as novidades tecnológicas. Pelo contrário, o que está em jogo é compreendê-las em todas as suas dimensões para que, dentro de limites razoáveis, possam ser cada vez melhor aproveitadas. Acredito que as novas formas de entretenimento podem conviver com as velhas. O fato de termos brincado de esconde-esconde ou de pega-pega durante milênios sem cessar, faz crer que algo de substancial há nestas antigas práticas. Pular, cair, levantar, balançar, montar, quebrar, correr, fugir e pegar foram, ainda são e sempre serão práticas com as quais teremos que conviver para o bem de nossas articulações ósseas e sociais!

 *Artigo escrito por Nélio Spréa. Doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná. Graduado em música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná. Palestrante, escritor e diretor da Parabolé Educação e Cultura.

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Enviado por cilvias, 09/02/17 3:21:55 PM

Há muito mais na vida a se aprender, a ensinar e a se deixar como legado do que notas perfeitas nos boletins.

No final do ano passado fui a duas formaturas de ensino fundamental. E hoje elas acontecem em algumas escolas particulares com toda pompa, antes comum apenas em colação de grau universitário. Enfim, novos tempos em que assistimos adolescentes de 13, 14 anos vestidos de gala para receber seu certificado de conclusão do nono ano. Mas a intenção deste artigo não é me aprofundar nesse assunto, afinal se estamos em uma era em que muitos aniversários de criança custam o mesmo que um casamento de 20 anos atrás, talvez seja essa a maneira encontrada por escolas para encantar os pais e garantir matrículas para o ensino médio.

Bem, o que quero mesmo é trazer à luz uma reflexão sobre as premiações que essas mesmas escolas atualmente concedem a seus alunos ao final de cada ciclo ou ao longo da vida do fundamental. Nas duas formaturas que tive a oportunidade de testemunhar, as diretorias das escolas premiaram alunos que conquistaram notas muito altas e também destacaram algumas equipes esportivas, como um time de basquete ou uma equipe de ginástica, que venceram algum torneio local ou estadual, as quais foram nomeadas durante o evento com certificado e felicitações. Justo. Mas premiados mesmo foram apenas seis alunos (três de cada escola) que, imagino, provavelmente obtiveram notas entre 9,75 e 10,0, pois foram os únicos em um total de aproximadamente 300 “formandos” que receberam prêmios e bolsas de estudo para o ensino médio no próximo ano. Bolsa integral foi concedida a um único aluno, que obteve as medias mais altas em todos os anos. Fiquei imaginando qual teria sido a media dele. 10,2?

É claro que essa prática não é exclusividade dessas duas escolas. O que relatei nada mais é do que uma prática muito antiga da chamada instituição escola, que permanece nos dias atuais e que, habitualmente, premia apenas alunos que atingem pontuação próxima da perfeição. É a supervalorização da nota pelo sistema de ensino e pela sociedade, por meio de PROVAS e EXAMES que, ao final do processo, pouco influenciarão o desenvolvimento humano, emocional e comportamental de crianças e jovens. Que fique claro que não sou contra premiar crianças e jovens por suas notas altas, seu esforço e sua capacidade para “tirar de letra” provas e exames curriculares. Aliás, acredito na meritocracia e sem dúvida alguma ela deve ser estimulada na escola e no trabalho. Mas a tal nota à qual nos acostumamos na escola, pode revelar que esses felizardos têm facilidade, talento ou capacidade acima da média em algumas áreas de conhecimento, mas também pode significar que são apenas excelentes em passar nos exames. Nada mais.

Sou a favor das premiações, mas sou contra premiações a apenas um caminho, uma habilidade, uma criança. Sou a favor das premiações por mérito, por esforço, por tentativa, por experiência, por ousadia, que valorizem a diversidade dos seres humanos que ali estão. Que valorizarem as muitas inteligências e capacidades. Da matemática nota 10 à capacidade de comunicação nota 10. Da ciência ao teatro. Da língua às artes.

Acho injusto e pequeno um sistema de ensino, que abriga tamanha diversidade humana, premiar apenas um aluno talentoso por passar em exames, enquanto tantos outros talentos são preteridos e não podem sequer almejar prêmios, pois suas inteligências e habilidades não estão entre aquelas que são dignas de premiações e bolsas de estudo. Um desperdício imperdoável de talentos, no qual a escola perde a oportunidade de identificar e valorizar cada jovem que ali está, para que encontrem seus canais de expressão, talentos, forças e oportunidades. E de permitir que todos eles possam sonhar com premiações, bolsas de estudo e reconhecimento, de acordo com suas próprias capacidades. Podemos premiar crianças e jovens por seus esforços e conquistas. Mas valorizemos primeiramente o ser humano, e não a nota.

Os alunos que criam algo novo não deveriam receber um prêmio? E os alunos que empreendem em projetos inusitados? Os que  gostam de política e se engajam em trabalhos comunitários fora da escola, não deveriam concorrer a bolsas de estudo? Aqueles que têm na generosidade e espírito de colaboração suas maiores virtudes, não deveriam ser valorizados? E os inventores? Os que organizam clubes de ciência. Os que se destacam em tecnologia. E aqueles que se esforçam e se apresentam com brilhantismo no palco, e no teatro? Nada? O aluno curioso, que se envolve em causas sociais e ambientais. E o estudante artista que se destaca nas feiras de arte? O músico que se expõe ao se apresentar nos festivais estudantis. E o aluno questionador, que inova? Valorizar de forma exagerada a nota como o elemento único para garantir sucesso profissional e pessoal de crianças e jovens é arriscado, perigoso e também irresponsável por parte da escola. Pois podem criar ilusão de que para enfrentar o mundo lá fora basta continuar a tirar suas notas 10, e pouco estimulam a maioria das crianças e jovens que também possui talentos, competências e capacidades, porém diferentes daquelas valorizadas nas formaturas.

Dias atrás troquei mensagens com uma amiga que atualmente está vivendo na Austrália, com marido e filhos pequenos. Em um dos meus posts sobre educação ela fez comentários e trocamos ideias a respeito desse tema. O seu relato me encheu de esperança, de que há realmente uma revolução acontecendo na educação mundial. Ela comenta que na escola de seus filhos, as crianças são valorizadas essencialmente pelo esforço, o tempo todo. Porém, o esforço amplo que pode vir de qualquer um, qualquer lugar, qualquer área de conhecimento ou até mesmo de projetos pessoais. A Sabrina, sua filha, no primeiro mês de aula ganhou um certificado de “Coragem” na natação, por ter superado o medo e se destacado. No final de todo semestre escolar, os estudantes são parabenizados em uma cerimônia muito simples, sem a pompa exagerada e desnecessária das escolas brasileiras, com entrega de outro certificado o “Student of Good Standing” por terem cumprido seus deveres, chegado no horário, colaborado com os colegas, com professores e participado da aula com entusiasmo em aprender. Crianças valorizadas pelo esforço, pela coragem e pela tentativa já é uma grande evolução em relação ao que costumamos ver na velha escola. Se estamos em uma era que exige mais colaboração do que competição, mais versatilidade do que especialização, e mais inovação do que convicção, é preciso que a valorização seja diversa e democrática. Afinal, há muito mais na vida a se aprender, a se ensinar e a se deixar como legado, do que notas perfeitas em boletins.

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por cilvias, 07/02/17 4:21:02 PM

 Pesquisas apontam que 87% do tamanho definitivo do  cérebro é constituído até os três anos de idade. Estima-  se que, até os quatro anos, a criança desenvolva mais  da metade do potencial mental do adulto. Esses dois  dados já chamam a atenção sobre a importância dos  estímulos recebidos pelas crianças na chamada  primeira infância (dos 0 aos 5 anos).  Mas, outro  levantamento que merece destaque aponta que, para  cada 1 dólar investido em educação, há uma economia de 16,4 dólares com doenças, pobreza e criminalidade. Tudo isso, além frisar a importância do investimento público em educação, serve para que os pais redobrem a atenção na hora de procurar uma escola de educação infantil para seus filhos pequenos.

A ideia de que a “escolinha” é um lugar apenas para deixar os filhos enquanto os pais estão trabalhando deve ser extinta. A educação infantil, na verdade, deve ser um espaço de convivência, brincadeiras, participação, exploração e de ferramentas para que a criança encontre a melhor forma de se expressar e de se conhecer.

Assim, ao procurar uma escola para as crianças, os pais devem observar se ela estimula os pequenos a desenvolver a autonomia, a criatividade e o trabalho em equipe, bem como se ela oferece atividades fora da sala de aula – principalmente quando se trata de uma instituição de ensino integral. Nesses casos, o acompanhamento nutricional das refeições oferecidas à criança na escola também é imprescindível.

Atentos à importância da qualidade da educação infantil, algumas empresas estão investindo em escolas para que seus funcionários possam trabalhar tranquilos, acompanhando de perto o desenvolvimento das crianças, com a certeza da qualidade do ensino que estão recebendo – a empresa Bosch, em Curitiba, é um exemplo: desde o início de 2016, oferece um centro de educação infantil com a metodologia do Colégio Sesi que atende cem crianças de suas colaboradoras e colaboradores, de seis meses a cinco anos, dentro da empresa.

A ciência e as pesquisas já mostraram que o futuro depende de mais investimentos na primeira infância. Os passos seguintes da escolaridade, desde o ensino fundamental até a universidade, dependem, e muito, dos estímulos dados na fase inicial da vida. Por isso, no momento de fazer a matrícula, é crucial os pais estarem atentos à metodologia empregada no centro de educação infantil. Afinal, o desempenho das nossas crianças também está diretamente ligado a taxas de produtividade, renda, violência e outros indicativos de desenvolvimento econômico e de qualidade de vida no país.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, Pedagoga/Psicopedagoga/Especialista em Desenvolvimento pessoal e Familiar/Formação em Biologia Cultural/Especialista em Planejamento Estratégico. Gerente de Educação Básica e Continuada do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 02/02/17 11:02:11 AM
(Foto: Divulgação)

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Desejos podem ser materializados? Qual a sua real expectativa para 2017?  Bastante comum é ver pessoas desejando resultados, sonhando com conquistas sem determinar o que deve ser feito para que o objetivo seja alcançado e a razão da meta almejada.

O ser humano tem a tendência natural em lutar contra o que não gosta, ao invés de focar os esforços naquilo que proporciona paz e felicidade a si e aos outros.

Temos condições de materializar todo e qualquer sonho, e apenas e tão somente deixamos de fazê-los em razão do desgaste desnecessário de energia que aplicamos diariamente nas coisas e fatos que desgostamos. Desta forma, o rancor, o desprezo, a intolerância e o ódio se manifestam em nossa vida de forma presencial e virtual.

Em 2017, a minha proposta pessoal é a aplicação da teoria educacional de reformulação de pensamentos, sentimentos e fundamentos que agreguem valor e felicidade não apenas para mim, mas para todos que estão ao meu redor.

Estudar, dialogar, adquirir e transmitir conhecimentos, experiências e a esperança da mudança são as propostas que faço a você, querido leitor. Vamos focar nossas energias em tudo que queremos, adicionando valor em cada ato ou acontecimento de nossas vidas, sejam eles bons ou ruins.

Pouco importa a sua idade, o coração e a mente devem se manter jovens. Jovem é aquele que desafia toda e qualquer circunstância, que luta contra a inércia e a estagnação, expandindo sua condição de vida por meio de redes de solidariedade e humanismo.

O verdadeiro jovem busca o aprendizado para romper os grilhões do destino, buscando a integração e a coexistência harmoniosa não apenas com os seus pares, mas com todo o planeta, comportando-se como um verdadeiro cidadão global, expandindo os vínculos de amizade, empatia e confiança.

Estamos na era do protagonismo, das grandes conquistas rotineiras, das vitórias cotidianas. A evolução contínua e gradativa de cada indivíduo, por menor que seja, mostrará que a atitude resiliente é transformar o comportamento em conduta de valor; é a aprendizagem de não se deixar levar impulsivamente pela experiência de uma emoção positiva ou negativa sem antes analisar o tempo, o lugar e as circunstâncias dos fatos.

Para você, que abraça a educação como a verdadeira forma de promulgação da paz, da cultura e da convivência harmoniosa, faço votos que 2017 seja tão jovem, feliz e revigorante quanto o seu próprio coração!

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/01/17 11:37:28 AM
(Foto: Divulgação)

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Não houve avanços na qualidade da educação básica brasileira, segundo o resultado da avaliação realizada com 70 países, que posicionou o Brasil na constrangedora 65ª posição. Estamos à frente apenas da Argélia, Tunísia, República Dominicana e de duas ex-repúblicas da antiga Iugoslávia, Macedônia e Kosovo.

Os dados são do Pisa, realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avalia, a cada três anos, o que sabem os adolescentes entre 15 e 16 anos, no que diz respeito à leitura, matemática e às ciências.

Essa revelação envergonha e preocupa. Mais de 70% dos estudantes brasileiros não atingiram o nível 2 de ensino, numa escala que vai de 0 a 6. A pesquisa mostra mais uma vez como o país não está fazendo o dever de casa, ao deixar de priorizar a educação, maior alavanca do desenvolvimento humano e, por conseguinte, econômico e social.

Os números negativos, se devidamente mapeados, podem ajudar a lançar luzes sobre como podemos virar o jogo e ainda servir como bússola orientadora do caminho a ser percorrido. Simples? Nem um pouco, dada a nossa dimensão geográfica de proporções continentais, retalhada por toda a sorte de desigualdades. Mas, não há dúvidas que podemos fazer melhor.

Essa guinada necessita de um movimento da nação que promova um diálogo sério e comprometido com a implementação de mudanças, no menor espaço de tempo possível, envolvendo profissionais da educação e instâncias governamentais de todas as esferas.

Está cada vez mais claro que o professor em sala de aula precisa aperfeiçoar metodologias de ensino para assegurar o direto de aprender. Deve ser capaz de fazer qualquer aluno aprender, potencializando os conhecimentos anteriores e paralelos em favor da construção de sentido e significado para o que se pretende ensinar de novo. Mas, como identificar os espaços de melhoria da atuação docente?

O Programa Descoberta, inspirado em uma iniciativa da Fundação Bill & Melinda Gates que contou com a participação direta de pesquisadores das mais renomadas universidades norte-americanas, como Harvard, Chicago, Stanford, no Brasil capitaneado pelo Grupo Positivo, é uma das inciativas desenhadas para esse fim.

Os professores são avaliados em plena sala de aula por outros professores e pelos próprios alunos. O programa mostra uma relação direta entre a performance dos professores e o rendimento dos estudantes acerca do que se pretende que os alunos aprendam com a intervenção pedagógica.

Os alunos também precisam fazer a sua parte. Precisam se assumir na profissão de estudante. No Brasil, quando se pergunta para dona de casa e estudante, qual a sua profissão, normalmente a resposta é: eu não trabalho! Essa mentalidade atrapalha o empenho e a seriedade que essas funções desempenham na sociedade. As políticas públicas também têm papel fundamental nesse salto qualitativo que precisamos empreender. Revisar a base curricular nacional, sua coerência e coesão com nosso tempo, aproximando o que se pretende ensinar ao dia a dia desse estudante, a fim de que se amplie os horizontes de atuação desses jovens no mundo.

O gosto pela investigação, a curiosidade, são características humanas que devem fertilizar as estratégias para aprender, além de serem cultivadas pelo professor pelo fato de ser a base do pensamento criativo, tão exigido no mundo do trabalho. Não faltam meios para isso, desde o olhar atento do professor à participação de cada um em sala de aula até o incremento de linguagens contemporâneas oferecidas pela tecnologia que aproxima o mundo do estudante ao mundo da escola, fazendo com que ele se sinta considerado no planejamento das aulas.

Para aprender é necessário querer. Mais do que isso, é necessário ter coragem! O que move o corpo, antes aquece o coração. O professor, precisa, portanto, tocar esse aluno, entendendo que seu trabalho está a serviço da formação de cidadãos críticos e inovadores. Gente humanizada que pensa e age, integrando conhecimentos em favor de soluções sustentáveis para um mundo melhor.

Sem levar em conta essas premissas, o Pisa parece indicar um cenário desolador, de poucas perspectivas. Mas ainda bem que não é só isso. Como ressaltamos, já existem ações testadas que podem ajudar a mudar o panorama. É um equívoco descartar todas as contribuições que os diferentes tempos da educação nos proporcionaram. Mas, os tempos são outros e exige de todos velocidade, direção e objetivos claros, a partir de diagnósticos como esse.

O desafio começa acreditando que não se pode continuar ensinando da forma como os professores aprenderam. O novo mundo suscita novas formas de interação humana. Isso envolve o engajamento da sala de aula com a era tecnológica, mudanças no cenário educacional, por meio da revisão da base curricular e novas posturas de atuação de professores e estudantes.

É preciso trabalhar sob a seguinte constatação: é preciso reinventar a forma de ensinar para que não se perca o desejo de aprender, sempre mais e melhor sobre o mundo que nos cerca. E, certamente, o ensino tradicional com foco na exposição verbal, lista de exercícios, repetição e memorização, não dará conta de garantir a relevância da escola no cenário atual.

*Acedriana Vicente é diretora pedagógica da Editora Positivo. O Positivo é associado ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR), colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/01/17 5:07:10 PM
(Imagem: Divulgação)

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Temos percebido uma crescente preocupação acerca do papel social da escola e da educação que acontece neste espaço-tempo.

Numa perspectiva de sociedade apassivada pelos grandes meios de comunicação social, seria mais fácil imaginar a escolarização como processo de adaptação ou preparação a um modelo de convivência sem autorias, sem decisões, sem questionamentos…

Usa-se, até, a pretensa possibilidade de neutralidade para o conhecimento científico como ideal a ser buscado por todos os que atuam com as novas gerações, ao longo da Educação Básica.

Contudo, além de todo conhecimento humano ser marcado pelos tempos, culturas, crenças e possibilidades reais, – por exemplo, o geocentrismo baseado nas empíricas observações da humanidade durante a maior parte da história – reconhece-se, explicitamente, este conhecimento como precário, sujeito a revisões, relativo às condições de determinado momento científico, cultural e, inclusive, ideológico.

No que toca tão intimamente a vida das pessoas como as suas crenças religiosas – significados últimos de seu existir, seus valores mais profundos, suas convicções e sentido do viver – lidamos com um cenário ainda mais complexo.  Seria mais fácil vincular a escola e sua função pública com uma obrigação de não se tratar ali assuntos relacionados às convicções pessoais e familiares. Aos que advogam uma interpretação restrita à ideia da laicidade da escola, especialmente a escola mantida diretamente pelos órgãos federativos, parece fácil justificar a ausência das discussões sobre religião, sobre as tradições religiosas e o necessário diálogo entre elas.

O discurso de muitos reduz a questão das religiões ao foro íntimo das pessoas, defendendo que as construções culturais que chamamos de tradições religiosas não tivessem nenhum papel na sociedade e na real possibilidade/urgência de vivermos em paz.

Meu posicionamento como educador, tanto na questão geral da falaciosa neutralidade do conhecimento quanto na pretendida ausência das questões religiosas, é claro e transparente: a escola, mantida diretamente pelo Estado ou por outras entidades da sociedade, deve ser espaço-tempo de troca, de diálogo, de construção de conhecimentos, de abertura ao diverso, de discussão, de debate, de ampliação de horizontes. Será sempre, por seus professores, alunos, especialistas em educação, pessoal de apoio, famílias e comunidade do território, instância social apropriada para a discussão, para a respeitosa convivência da diferença, para a desafiadora tarefa de aprender e dialogar com o novo.

*Artigo escrito por Ascânio João Sedrez (Chico), Diretor do Colégio Marista Glória, da Rede de Colégios do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 22/12/16 9:33:45 AM
(Foto: Roberto Custódio)

(Foto: Roberto Custódio)

O Ensino Médio não pode esperar mais. Justificada a MP, determinante para a reforma que abre uma agenda afirmativa em torno da discussão sobre um novo modelo, necessário e urgente, para essa etapa de ensino.  Não fosse a Medida Provisória, o Projeto de Lei n.º 6840/2013 que também propõe a jornada em tempo integral; a organização do currículo em áreas do conhecimento; mil e quatrocentas horas e na última série do ensino médio a organização a partir de opções formativas, a critério dos alunos, inclusive a formação profissional, entre outras providências, ainda estaria tramitando na Câmara dos Deputados sabe-se lá por quanto tempo mais. À época do PL foram realizadas dezenas de Audiências Públicas, Seminários Estaduais e um Seminário Nacional quando foram debatidas as razões para a falta de interesse dos jovens no ensino médio e os resultados nada animadores nesse nível de ensino.

Em 2014 o País convivia com 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola. Esse número já pulou para mais de 1,7 milhão. Os números são alarmantes. E, as últimas edições do IDEB demonstraram o que todos já sabiam. A reforma é estrutural e esperar é excluir cada vez mais aqueles que já são excluídos. Não haverá tempo para eles, uma vez que esses adolescentes de 15 a 17 anos em 2025 serão adultos que não concluíram nem uma educação profissional nem o ensino médio.

Em um estudo, publicado pela UNICEF no ano de 2014 – “10 Desafios do Ensino Médio no Brasil para garantir o direito de aprender de adolescentes de 15 a 17 anos”, as pesquisas traduzem através de análises, levantamentos estatísticos e entrevistas, o perfil dos jovens e o cenário desse nível de ensino. Fica evidenciado um fosso quase que intransponível entre a expectativa dos adolescentes sobre a escola e a realidade dessa escola completamente descompassada com a expectativa desses jovens, além de outros fatores que motivam a evasão escolar. Os estudantes relatam não ver utilidade prática no conteúdo das aulas. O currículo é inchado, “que nem abre perspectivas profissionais nem prepara para o vestibular”. A organização do Ensino Médio é complexa e extremamente burocratizada: 12 disciplinas distribuídas em aulas de 60min ou 50min com conteúdos historicamente acumulados e outros que vão sendo agregados aos livros didáticos; avaliações, provas, notas para promoção ou retenção compõem esse universo. Tudo é tão fora do contexto dos estudantes que provoca um sentimento de desânimo ao se depararem com o cotidiano da sala de aula. Como consequência a escola convive a todo o momento com a indisciplina. Excesso de disciplinas aliado ao excesso de conteúdos.      A educação técnica profissional é, geralmente, oferecida de forma separada da formação geral. O Ensino Médio integrado ainda é uma realidade tímida e permite aos adolescentes desenvolver, além de sua formação na base nacional comum, uma habilitação profissional técnica na mesma instituição de ensino, abrindo um leque de possibilidades e de oportunidades para a inserção no mercado de trabalho de forma mais qualificada.

Nesse mesmo estudo publicado pela UNICEF, fica evidente em alguns depoimentos dos jovens o interesse em ficar na escola por mais “1 hora e meia extra tendo um curso técnico na escola. ” Também propõe a educação integral como forma de criar uma nova escola que promova uma aprendizagem mais sintonizada com os interesses dos adolescentes favorecendo o desenvolvimento desses jovens, principalmente em regiões de vulnerabilidade social.

O Ensino Médio vem de um histórico de acertos e erros desde 1998 com a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais. Grupos de Trabalho estão sempre envolvidos na discussão da Reforma do Ensino Médio. E atender a meta 3.1 e meta 6 do PNE deve ser encarada como prioridade.

Afirmar que 1400 horas é um parâmetro apenas para escolas de ponta e que essa ampliação é inviável por problema de custos é continuar nivelando para menos.

Esse é um dos grandes desafios do Brasil para avançar no desenvolvimento social e econômico: a educação e a universalização do Ensino Médio com investimento em um Ensino de qualidade.

Legítima ou não a reforma do Ensino Médio, através de MP, acendeu os ânimos dos diversos atores sociais envolvidos na Educação Nacional. E esse contingente de 1,7 milhão jovens que estão fora da escola exige uma resposta imediata.

* Artigo escrito por Fátima Chueire Hollanda, diretora da Teaching Consult e assessora pedagógica do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/12/16 9:14:04 AM
VI Educom – Encontro Brasileiro de Educomunicação, Porto Alegre (RS)

VI Educom – Encontro Brasileiro de Educomunicação, Porto Alegre (RS)

Se não sobrou, algo de errado está acontecendo. Afinal, educomunicação pressupõe constante avaliação, desconstrução do que não vai bem e reconstrução sobre o que pode melhorar. A boa notícia é que, se não vai dar tempo pra fazer isso agora, você pode buscar fazê-lo antes de planejar as ações futuras. Sem atropelar essa importante etapa.

O mundo pós-moderno/ hiper moderno tem muito a ver com isso que temos vivenciado nas sociedades ocidentais em tempos de internet 4G e banda larga fixa se espalhando: um caótico fluxo de produção e circulação de informações, precarização das relações de trabalho (seja nos campos da comunicação, educação e em vários outros), permanência das lutas pela diminuição das desigualdades socioeconômicas… E não podemos esquecer a cerejinha desse bolo que, aqui no Brasil, vem com uns confeitos a mais: a instabilidade/ crise política e um mar de incertezas sobre garantia de direitos humanos e das inúmeras interpretações dos assuntos jurídicos e legislativos.

Espero que não esteja se perguntando ‘o que isso tem a ver com avaliação de práticas em educomunicação?’, pois tem tudo a ver, ser humano! Final de ano, muitas organizações e escolas estão encerrando projetos e outras atividades administrativas. É entrega de notas na secretaria, produção de boletins com as notas da gurizada, provas de recuperação, avaliações de segunda chamada, correção de últimos trabalhos… Nas entidades, os últimos ajustes nos relatórios de impacto social, levantamento das métricas de alcance do público na web, prestação de contas financeira aos parceiros, confraternização de fim de ano… E no meio disso tudo: deu tempo pra avaliar se os projetos ou programas educomunicativos tiveram bons resultados? Deu pra avaliar de verdade? Tipo, sentar, conversar e registrar tudo no papel ou digitalmente?

Avaliação é oportunidade de construir coletivamente um mapa sobre as impressões de todo mundo que se envolveu. Cada um tem a sua visão particular sobre as ações, mas esse rico material precisa ser jogado na roda! Nada de guardar pra si o que está pensando! É preciso que sejam criados momentos de reflexão conjunta. E mais: esses momentos precisam ser criativos, produtivos e transformadores. Até porque ninguém aguenta reunião chata, programação burocrática e horas de blá blá blá com quem fica monopolizando o tempo de fala, sem ouvir o que os(as) demais tem a dizer.

As avaliações e retornos que os adolescentes e jovens vão dando ao longo do processo educomunicativo também precisam ser levados em conta. Ninguém melhor do que eles(as) pra apontarem suas perspectivas sobre as atividades de educom. E eu espero muito que avaliações periódicas tenham sido feitas ao longo de todas as atividades, né?!  Educom é democratização dos processos, é ecossistema comunicativo em equilíbrio. Do contrário vira atividade mecanizada, um enfiar de conteúdos goela abaixo que não leva em consideração o que a meninada está sentindo e apreendendo daquilo tudo.

Certamente, as horas-atividade que o professor tem direito fora da sala de aula (para pesquisar conteúdos, se qualificar, preparar aulas, articular projetos com professores de outras disciplinas etc.) nem sempre são suficientes pra dar conta das demandas que vão surgindo na escola (Semana Cultural, Festa Junina, Campeonato interclasse, apresentação de dia das mães, dia dos pais etc.). Em muitos estados, os mecanismos pra impedir atividades que precisem de horas extras acabam inviabilizando uma dedicação maior do professor nas escolas… Nas ONGs/ OSCs, o cenário, às vezes, é mais complicado devido ao acúmulo de funções que os(as) profissionais precisam se submeter para garantir o bom andamento das ações, que vão desde contribuir com os serviços gerais até pegar para si atividades de gestão que deveriam ser feitas por consultores ou profissionais especializados. Tudo isso toma um tempo valioso!

O cenário político e econômico do país, também não vai nada bem, dados os constantes escândalos de corrupção com os quais a capacidade de se indignar vai virando rotina. Chegamos ao ponto de nem dar tempo de ficar escandalizado com a notícia da manhã, já que à tarde, surge uma outra ainda mais perturbadora. E essas incertezas políticas misturadas a uma economia que vai mal das pernas, gera mal estar ou ao menos uma sensação de desânimo para qualquer educomunicador(a) comprometido(a) socioambientalmente com as causas populares.

A dica é não deixar a engrenagem que a vida insiste impor, dominar e estragar a qualidade dos projetos educomunicativos. A escola é pra ser escola e não uma fábrica que produz estudantes acríticos e remolda educadores para que caibam todos numa fôrma só. Escola é pra formar gente, e cada um precisa ser único, diverso, plural. Nas organizações sociais, grupos e coletivos, os desafios também são similares quando o assunto é formar cidadãos participativos.

Não se recomenda, contudo, planejar suas oficinas, aulas, workshops, encontros de educomunicação que estejam por vir sem, antes disso, sistematizar os pontos fortes e fracos do que já rolou até aqui. Deixar de avaliar pode ser um sinal de que não se está muito preocupado com o que aconteceu. É acreditar que está tudo perfeito e que discutir erros e acertos não é tão importante assim.  Uma lástima! Não é passando a patrola por cima do que aconteceu que vamos garantir avanços e melhores condições dos processos educomunicativos que possam vir. Bora usar a criatividade e meios alternativos pra conseguir fazer as coisas bem feitinhas, gente! Dá um trabalho danado, mas te salva de repetir ações ineficientes/ ineficazes do passado.

*Artigo escrito por Diego Henrique da Silva, jornalista, educomunicadora e cofundador do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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