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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 22/12/16 9:33:45 AM
(Foto: Roberto Custódio)

(Foto: Roberto Custódio)

O Ensino Médio não pode esperar mais. Justificada a MP, determinante para a reforma que abre uma agenda afirmativa em torno da discussão sobre um novo modelo, necessário e urgente, para essa etapa de ensino.  Não fosse a Medida Provisória, o Projeto de Lei n.º 6840/2013 que também propõe a jornada em tempo integral; a organização do currículo em áreas do conhecimento; mil e quatrocentas horas e na última série do ensino médio a organização a partir de opções formativas, a critério dos alunos, inclusive a formação profissional, entre outras providências, ainda estaria tramitando na Câmara dos Deputados sabe-se lá por quanto tempo mais. À época do PL foram realizadas dezenas de Audiências Públicas, Seminários Estaduais e um Seminário Nacional quando foram debatidas as razões para a falta de interesse dos jovens no ensino médio e os resultados nada animadores nesse nível de ensino.

Em 2014 o País convivia com 1,6 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola. Esse número já pulou para mais de 1,7 milhão. Os números são alarmantes. E, as últimas edições do IDEB demonstraram o que todos já sabiam. A reforma é estrutural e esperar é excluir cada vez mais aqueles que já são excluídos. Não haverá tempo para eles, uma vez que esses adolescentes de 15 a 17 anos em 2025 serão adultos que não concluíram nem uma educação profissional nem o ensino médio.

Em um estudo, publicado pela UNICEF no ano de 2014 – “10 Desafios do Ensino Médio no Brasil para garantir o direito de aprender de adolescentes de 15 a 17 anos”, as pesquisas traduzem através de análises, levantamentos estatísticos e entrevistas, o perfil dos jovens e o cenário desse nível de ensino. Fica evidenciado um fosso quase que intransponível entre a expectativa dos adolescentes sobre a escola e a realidade dessa escola completamente descompassada com a expectativa desses jovens, além de outros fatores que motivam a evasão escolar. Os estudantes relatam não ver utilidade prática no conteúdo das aulas. O currículo é inchado, “que nem abre perspectivas profissionais nem prepara para o vestibular”. A organização do Ensino Médio é complexa e extremamente burocratizada: 12 disciplinas distribuídas em aulas de 60min ou 50min com conteúdos historicamente acumulados e outros que vão sendo agregados aos livros didáticos; avaliações, provas, notas para promoção ou retenção compõem esse universo. Tudo é tão fora do contexto dos estudantes que provoca um sentimento de desânimo ao se depararem com o cotidiano da sala de aula. Como consequência a escola convive a todo o momento com a indisciplina. Excesso de disciplinas aliado ao excesso de conteúdos.      A educação técnica profissional é, geralmente, oferecida de forma separada da formação geral. O Ensino Médio integrado ainda é uma realidade tímida e permite aos adolescentes desenvolver, além de sua formação na base nacional comum, uma habilitação profissional técnica na mesma instituição de ensino, abrindo um leque de possibilidades e de oportunidades para a inserção no mercado de trabalho de forma mais qualificada.

Nesse mesmo estudo publicado pela UNICEF, fica evidente em alguns depoimentos dos jovens o interesse em ficar na escola por mais “1 hora e meia extra tendo um curso técnico na escola. ” Também propõe a educação integral como forma de criar uma nova escola que promova uma aprendizagem mais sintonizada com os interesses dos adolescentes favorecendo o desenvolvimento desses jovens, principalmente em regiões de vulnerabilidade social.

O Ensino Médio vem de um histórico de acertos e erros desde 1998 com a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais. Grupos de Trabalho estão sempre envolvidos na discussão da Reforma do Ensino Médio. E atender a meta 3.1 e meta 6 do PNE deve ser encarada como prioridade.

Afirmar que 1400 horas é um parâmetro apenas para escolas de ponta e que essa ampliação é inviável por problema de custos é continuar nivelando para menos.

Esse é um dos grandes desafios do Brasil para avançar no desenvolvimento social e econômico: a educação e a universalização do Ensino Médio com investimento em um Ensino de qualidade.

Legítima ou não a reforma do Ensino Médio, através de MP, acendeu os ânimos dos diversos atores sociais envolvidos na Educação Nacional. E esse contingente de 1,7 milhão jovens que estão fora da escola exige uma resposta imediata.

* Artigo escrito por Fátima Chueire Hollanda, diretora da Teaching Consult e assessora pedagógica do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/12/16 9:14:04 AM
VI Educom – Encontro Brasileiro de Educomunicação, Porto Alegre (RS)

VI Educom – Encontro Brasileiro de Educomunicação, Porto Alegre (RS)

Se não sobrou, algo de errado está acontecendo. Afinal, educomunicação pressupõe constante avaliação, desconstrução do que não vai bem e reconstrução sobre o que pode melhorar. A boa notícia é que, se não vai dar tempo pra fazer isso agora, você pode buscar fazê-lo antes de planejar as ações futuras. Sem atropelar essa importante etapa.

O mundo pós-moderno/ hiper moderno tem muito a ver com isso que temos vivenciado nas sociedades ocidentais em tempos de internet 4G e banda larga fixa se espalhando: um caótico fluxo de produção e circulação de informações, precarização das relações de trabalho (seja nos campos da comunicação, educação e em vários outros), permanência das lutas pela diminuição das desigualdades socioeconômicas… E não podemos esquecer a cerejinha desse bolo que, aqui no Brasil, vem com uns confeitos a mais: a instabilidade/ crise política e um mar de incertezas sobre garantia de direitos humanos e das inúmeras interpretações dos assuntos jurídicos e legislativos.

Espero que não esteja se perguntando ‘o que isso tem a ver com avaliação de práticas em educomunicação?’, pois tem tudo a ver, ser humano! Final de ano, muitas organizações e escolas estão encerrando projetos e outras atividades administrativas. É entrega de notas na secretaria, produção de boletins com as notas da gurizada, provas de recuperação, avaliações de segunda chamada, correção de últimos trabalhos… Nas entidades, os últimos ajustes nos relatórios de impacto social, levantamento das métricas de alcance do público na web, prestação de contas financeira aos parceiros, confraternização de fim de ano… E no meio disso tudo: deu tempo pra avaliar se os projetos ou programas educomunicativos tiveram bons resultados? Deu pra avaliar de verdade? Tipo, sentar, conversar e registrar tudo no papel ou digitalmente?

Avaliação é oportunidade de construir coletivamente um mapa sobre as impressões de todo mundo que se envolveu. Cada um tem a sua visão particular sobre as ações, mas esse rico material precisa ser jogado na roda! Nada de guardar pra si o que está pensando! É preciso que sejam criados momentos de reflexão conjunta. E mais: esses momentos precisam ser criativos, produtivos e transformadores. Até porque ninguém aguenta reunião chata, programação burocrática e horas de blá blá blá com quem fica monopolizando o tempo de fala, sem ouvir o que os(as) demais tem a dizer.

As avaliações e retornos que os adolescentes e jovens vão dando ao longo do processo educomunicativo também precisam ser levados em conta. Ninguém melhor do que eles(as) pra apontarem suas perspectivas sobre as atividades de educom. E eu espero muito que avaliações periódicas tenham sido feitas ao longo de todas as atividades, né?!  Educom é democratização dos processos, é ecossistema comunicativo em equilíbrio. Do contrário vira atividade mecanizada, um enfiar de conteúdos goela abaixo que não leva em consideração o que a meninada está sentindo e apreendendo daquilo tudo.

Certamente, as horas-atividade que o professor tem direito fora da sala de aula (para pesquisar conteúdos, se qualificar, preparar aulas, articular projetos com professores de outras disciplinas etc.) nem sempre são suficientes pra dar conta das demandas que vão surgindo na escola (Semana Cultural, Festa Junina, Campeonato interclasse, apresentação de dia das mães, dia dos pais etc.). Em muitos estados, os mecanismos pra impedir atividades que precisem de horas extras acabam inviabilizando uma dedicação maior do professor nas escolas… Nas ONGs/ OSCs, o cenário, às vezes, é mais complicado devido ao acúmulo de funções que os(as) profissionais precisam se submeter para garantir o bom andamento das ações, que vão desde contribuir com os serviços gerais até pegar para si atividades de gestão que deveriam ser feitas por consultores ou profissionais especializados. Tudo isso toma um tempo valioso!

O cenário político e econômico do país, também não vai nada bem, dados os constantes escândalos de corrupção com os quais a capacidade de se indignar vai virando rotina. Chegamos ao ponto de nem dar tempo de ficar escandalizado com a notícia da manhã, já que à tarde, surge uma outra ainda mais perturbadora. E essas incertezas políticas misturadas a uma economia que vai mal das pernas, gera mal estar ou ao menos uma sensação de desânimo para qualquer educomunicador(a) comprometido(a) socioambientalmente com as causas populares.

A dica é não deixar a engrenagem que a vida insiste impor, dominar e estragar a qualidade dos projetos educomunicativos. A escola é pra ser escola e não uma fábrica que produz estudantes acríticos e remolda educadores para que caibam todos numa fôrma só. Escola é pra formar gente, e cada um precisa ser único, diverso, plural. Nas organizações sociais, grupos e coletivos, os desafios também são similares quando o assunto é formar cidadãos participativos.

Não se recomenda, contudo, planejar suas oficinas, aulas, workshops, encontros de educomunicação que estejam por vir sem, antes disso, sistematizar os pontos fortes e fracos do que já rolou até aqui. Deixar de avaliar pode ser um sinal de que não se está muito preocupado com o que aconteceu. É acreditar que está tudo perfeito e que discutir erros e acertos não é tão importante assim.  Uma lástima! Não é passando a patrola por cima do que aconteceu que vamos garantir avanços e melhores condições dos processos educomunicativos que possam vir. Bora usar a criatividade e meios alternativos pra conseguir fazer as coisas bem feitinhas, gente! Dá um trabalho danado, mas te salva de repetir ações ineficientes/ ineficazes do passado.

*Artigo escrito por Diego Henrique da Silva, jornalista, educomunicadora e cofundador do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 15/12/16 11:51:14 AM
(Foto: Felipe Rosa)

(Foto: Felipe Rosa)

Faltando pouco para o fim do ano letivo, durante as provas finais, se torna mais difícil os estudantes recuperarem todos os conteúdos, principalmente se o rendimento está comprometido desde o início do ano. Porém, ainda há tempo para aqueles que precisam aumentar seus resultados nas avaliações.

A orientação é focar nos conteúdos mais recentes e nas disciplinas que apresentam notas mais baixas, com o objetivo de alcançar os resultados suficientes para uma aprovação. O tempo de estudo também deve ser maior, visando o aprofundamento dos conhecimentos e, consequentemente, uma aprendizagem efetiva, não se preocupando somente com a nota para passar de ano.

Os alunos devem manter um hábito de estudo diário, fazendo uma manutenção dos conteúdos e não estudar somente na véspera de provas, além de realizar todas as tarefas e trabalhos, pois desta forma irão verificar o que compreenderam a partir da mediação dos professores, internalizando os conhecimentos. As atividades em que apresentarem dificuldades são importantes para retomar com o professor, fazendo o tratamento do erro e esclarecendo as dúvidas para superá-las.

Os professores precisam estar em plena comunicação com os alunos, além de uma observação e escuta atenta em relação às dificuldades apresentadas pela turma. Tirar dúvidas específicas de um grupo ou aluno também é necessário para intervir no processo de ensino e de aprendizagem de forma efetiva, respeitando o modo de aprender e o tempo de cada um. Nesta perspectiva, variar a metodologia e os recursos utilizados para mediar os conhecimentos é importante para a aprendizagem plena e significativa.

Eles também devem orientar os alunos sobre a melhor forma de estudar para a sua disciplina, destacando os conteúdos primordiais para recuperação nesse momento, principalmente aqueles que são pré-requisitos para o próximo ano letivo.

A recuperação ocorre num tempo menor do que o período regular, portanto, é necessário retomar os conteúdos primordiais à aprendizagem dos alunos, que, caso não sejam compreendidos e internalizados, prejudicarão o próximo bimestre/trimestre ou ano letivo, causando uma defasagem que pode se tornar difícil de superar. É importante que seja realizada uma aula para revisar estes conteúdos e orientar o estudo dos alunos para a prova de recuperação.

No Colégio Marista Cascavel a recuperação é realizada periodicamente, ao término de cada trimestre. Todas as disciplinas têm aulas de revisão no contraturno, nas quais os professores retomam os conteúdos necessários. Os alunos recebem um roteiro de estudo com exercícios, que servem de preparação para a prova, aplicada fora do período regular. A nota da recuperação é substitutiva, caso seja superior à alcançada no período normal.

Já para os pais, sugerimos que não pressionem negativamente os filhos, ao contrário, é incentivando de forma motivadora que eles se sentirão mais seguros para realizarem as avaliações e concluírem o ano mais preparados para as próximas etapas.

*Artigo escrito por Luciana Faria, coordenadora psicopedagógica do Colégio Marista Cascavel. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 13/12/16 2:53:22 PM
(Imagem: Reprodução)

(Imagem: Reprodução)

O direito à imagem está ligado ao objetivo de proteção à intimidade do ser humano (right of privacy do direito anglo-americano ou del diritto alla riservatezza da doutrina italiana), consagrado na Constituição Federal, em seu artigo 5º, incisos X e XXIII, alínea ‘a’, inserido no rol dos direitos e garantias fundamentais. O direito à imagem, de acordo com os citados dispositivos, é irrenunciável, inalienável, intransmissível, porém disponível. Isto significa que a imagem, a voz ou sua personalidade física de uma pessoa jamais poderá ser vendida, renunciada ou cedida em definitivo, porém, poderá ser licenciada por seu titular à terceiros. E é justamente essa disponibilidade que permite ao titular a obtenção de proveito econômico, firmando contratos de licenciamento ou concessão de uso de imagem, os quais, todavia, não podem importar em lesão à honra, reputação e intimidade.

A maioria dos juristas brasileiros classificam as violações ao direito de imagem da seguinte forma:

a) quanto ao consentimento;
b) quanto ao uso;
c) quanto à ausência de finalidades que justifiquem a exceção.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n. 8.069/90, ao proteger a imagem da criança e do adolescente, em seu artigo 17, afirma que: “o direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”.

Desta forma, não existe nenhuma dúvida que a utilização indevida da imagem de terceiros de forma que atinja a sua honra, o convívio social, a respeitabilidade, ou se a intenção da publicação é meramente lucrativa, por se tratar de direito personalíssimo, o seu titular tem o direito à indenização. Esse entendimento foi confirmado inúmeras vezes por vários tribunais pátrios e foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça que editou a súmula nº. 403 com a seguinte redação: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais”.

As três exceções em que a utilização da imagem de terceiros não dependeria do consentimento do retratado, de acordo com os grandes juristas Kohle e Walter Moraes, são as seguintes: a do indivíduo incluído numa vista geral, no apanhado de um cenário, de uma paisagem, uma multidão etc; a do uso da figura para estudo artístico; e a da representação humorística (caricatura). O discurso de Walter Moraes reporta outras limitações como o tratamento de personalidade pública e o interesse de ordem pública (de justiça, de segurança, de cultura).

O uso jornalístico da imagem que ilustra notícia, de interesse público, não necessita de autorização prévia do fotografado e nem sequer implica em qualquer remuneração, justamente porque tal divulgação não possuirá finalidade lucrativa.

Os danos patrimoniais sofridos pela vítima da exposição indevida obedecem às disposições contidas no artigo 402, do Código Civil, ou seja, como danos emergentes o valor que o titular cobraria caso tivesse sido consultado, e como lucros cessantes os contratos que foram frustrados em razão do desgaste de imagem.

Antes de qualquer publicação em redes sociais, conforme acima expusemos, é fundamental pedir autorização à pessoa ligada ao tema do seu post.  A exposição indevida e “brincadeiras” de mau gosto podem e geram consequências jurídicas que vão inevitavelmente afetar o seu bolso.

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/12/16 9:54:29 AM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Com 2017 se aproximando ainda é necessário discutir a importância de um ambiente plural na escola. Mais atual do que nunca, o respeito às diferenças é um passo obrigatório a ser dado e incentivado. Se a escola é, para muitos, onde ocorre o primeiro contato social fora do âmbito familiar, é nela que se deve extrair as vantagens de um espaço democrático. Afinal, o mundo está cada vez mais diversificado e com as fronteiras menos limitadas. Ou você entende e aceita ou seu desenvolvimento social e profissional estará comprometido.

Ainda em formação, muitas vezes inseguros e incertos do futuro que lhes espera, os adolescentes têm a necessidade de se sentirem aceitos. No entanto, a adequação forçada da convivência por pressões externas pode ser bastante prejudicial, tanto para o desenvolvimento pessoal dos jovens, quanto para o desempenho escolar. É papel da escola, portanto, junto com a família, criar um ambiente no qual cada um, com a sua diferença, possa se desenvolver plenamente, consequentemente trazendo à tona o quanto a diversidade é enriquecedora.

Para isso, não há fórmula pronta. Mas existem algumas ideias já em vigor, como as turmas interseriadas, com estudantes de 15, 16 e 17 anos estudando juntos. A diferença de idade, que em um primeiro momento pode parecer enorme, vira colaboração. De quebra, os alunos conhecem e aprendem a respeitar pessoas com as quais dificilmente conviveriam diariamente, tornando toda a vivência em sala de aula mais engrandecedora. Nessa mesma lógica está a priorização do trabalho em equipe, que incentiva a exposição dos diferentes pontos de vista e a argumentação entre os estudantes.

É claro que a criação desse ambiente plural não depende apenas dos alunos. O papel do professor é crucial neste contexto. É importante que ele deixe a posição de protagonismo no processo de aprendizado que ocupa nas metodologias tradicionais para atuar como mediador do conhecimento, permitindo que esse espaço de troca realmente se concretize.

Também, ou ainda mais importante, é que as famílias fomentem o respeito às diferenças dentro de casa, pois muitas vezes é ali que nascem os preconceitos e a intolerância. Propor atividades com os pais dentro da escola para que possam ver como é a convivência entre os alunos mostra-se um dos caminhos para a construção do respeito e da empatia.

A convivência diária com pessoas de visões diferentes só traz benefícios. Estimula o pensamento crítico, amplia o aprendizado e, principalmente, ensina sobre respeito e tolerância. Educar os jovens para a diversidade é prepara-los para o mercado de trabalho – onde provavelmente não escolherão com quem trabalhar – e para o mundo que está lá fora.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, Pedagoga/Psicopedagoga/Especialista em Desenvolvimento pessoal e Familiar/Formação em Biologia Cultural/Especialista em Planejamento Estratégico. Gerente de Educação Básica e Continuada do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/12/16 3:50:16 PM
(Citação de Edmund Phelps, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2006)

(Citação de Edmund Phelps, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2006)

“Todas as crianças são artistas. O problema é como permanecer um artista quando crescemos”. Quando Pablo Picasso fez esse comentário muitos talvez não tenham compreendido, na época, o real valor do que o mestre queria dizer, e sem dúvida muitos hoje ainda não dão a devida importância. Com as recentes discussões a respeito da criatividade e importância para o futuro profissional e das organizações, é preciso entender o porquê nos tornamos ao longo da vida tão eficientes em realizar tarefas mecânicas, burocráticas e analíticas e ao mesmo tempo medíocres quando somos desafiados a gerar novas ideias. Tão produtivos, mas tão pouco inovadores. Em uma pesquisa do Instituto IBM de 2010 – 1.500 CEOS de 60 países e 33 setores da economia elegeram a criatividade como a principal habilidade para líderes e profissionais atuais. Atributos como liderança, assertividade e produtividade ficaram em segundo plano e a criatividade no mundo profissional não é apenas mais um bônus, mas sim sobrevivência e elemento essencial para uma nova cultura.

Quando pergunto para um grupo de cem pessoas, adultas, quem se considera criativo, no máximo duas ou três levantam a mão. Enquanto isso em um grupo de crianças, quase todas levantam, não apenas a mão mas o corpo todo da cadeira. Eu, eu, eu, gritam elas. Nós adultos, não nos consideramos criativos. Por quê? Se nascemos seres pensantes e criativos, por que nos consideramos apenas pensadores e não criadores? De certa forma fomos literalmente educados e treinados para não sermos criativos. Bloqueios criativos começam em casa. Sim, com os pais, os primeiros e mais importantes educadores. Imagine a cena. A filha chega correndo e diz: “Pai, mãe, olhem o meu carneiro voador!”. Os pais olham aquela invenção maluca e no auge de sua dita sapiência dizem: “Filha, carneiro voador? Carneirinhos não voam, eles fazem mééé e pastam.” Certamente já presenciou ou até mesmo vivenciou essa cena você mesmo. Pois bem, a família é o primeiro grande cerceador do potencial criativo de crianças simplesmente pelo fato de que fomos demasiadamente treinados a pensar logicamente. Quase sem querer, já temos a resposta adulta, pronta e racional para as cabecinhas imaginativas e que gostam mesmo é de voar. Portanto, pais, eduquem sim, mas cuidado para não limitarem tão precocemente a capacidade criativa de seus filhos. Deixe-os brincar, imaginar e criar. Como diria o poeta Wally Salomão, “gosto de ter os pés no chão, mas a cabeça eu gosto que avoe”.

E aí vem a Escola. Ah, a escola. Hoje felizmente há em alguns países um amplo debate que repensa e questiona o velho sistema educacional que há 200 anos mantém crianças e jovens direcionados apenas para disciplinas, exames e a pensar racionalmente. Sistema que muito pouco estimula as diferentes formas de pensar, imaginar, criticar e criar, e, portanto, pouco contribui para o desenvolvimento de talentos. Na velha escola, apenas aqueles alunos que se encaixam num sistema previamente formatado, são os inteligentes e nota dez, enquanto os demais se esforçam para colocar suas diferenças no padrão para passarem por média. Sei o que estou falando, pois fui um desses na escola. Por isso sei o que muitas crianças e jovens sentem. É como colocarmos os nossos pés em um sapato apertado e sermos obrigados a usá-lo. Damos um jeito, mas incomoda o dia inteiro e não conseguimos ser o que somos. Já dizia Shakespeare – “Sabemos o que somos, mas não o que podemos ser”. Penso que a escola e as universidades devem sim ser capazes de entender as individualidades e diferenças que possuem dentro da sala de aula para justamente incendiarem a mente dos alunos e contribuírem para que eles mesmos descubram o que podem ser e fazer pelo mundo. Somos ensinados a apenas pensar de forma analítica, onde tudo é um sistema e o pensar linear é o meio para atingir sucesso profissional. Nada contra o pensamento linear, entretanto, a negligência com que escolas e universidades de um modo geral tratam a imaginação, a intuição, a crítica e o pensamento criativo, nos leva à reflexão preocupante de que estamos educando nossos filhos para serem tudo menos criativos, originais e inovadores. As consequências disso em um mundo cada vez mais competitivo, complexo e carente de novas possibilidades e soluções para questões econômicas, políticas, ambientais e sociais, tendem a ser devastadoras.

Finalmente, depois da família e a escola, vem o trabalho. O discurso da inovação aparece e hoje empresas e organizações de vários setores dizem: Precisamos inovar!” O que podemos fazer? Quem tem uma ideia nova? Pronto, silêncio. E agora? Onde estão os inovadores? Aqueles que arriscam? Que empreendem? Que geram ideias? Jovens optam por profissões consideradas lucrativas e deixam de lado seus sonhos e ideais pelo simples medo de errar e por não sentirem-se criativos o suficiente para fazer algo que gostem. “É preciso predispor os jovens à inovação, ajudá-los a reduzir suas resistências às mudanças. A família e a escola encarregam-se de acompanhar progressivamente as crianças da fase da brincadeira alegre à fase do trabalho triste. Muitas escolas de hoje são a repressão da alegria e da criatividade, que limitam e matam o potencial criativo das crianças pouco a pouco”, argumenta.

Agora proponho uma regressão. Se esforce e lembre-se de você na infância, o que fazia e como brincava. Aquela criança fazia o que gostava, se divertia e o resultado era algo inusitado e criativo. Aprendia, errava, tentava novamente, e dessa forma estava pronta para uma nova habilidade. Aprendia a aprender. Algo que perdemos pouco a pouco ao longo da vida e nós, adultos, matamos a originalidade e o criativo. Portanto, o velho equilíbrio se faz necessário, como talvez tudo na vida. Por isso ouso aqui a fazer um resumo do que acho essencial para repensarmos a educação como pais e educadores: Valorize os estudos, mas também seus próprios talentos. A escola, mas também o mundo ao redor dela. Mantenha a tradição, mas aceite a novidade. Tenha equilíbrio, mas permita o desequilíbrio. Valorize os números, mas também as artes. Fortaleça a linguagem, mas também a auto-expressão. Valorize o indivíduo, como também a colaboração. Faça ciência, mas também experimentação. Parabenize o acerto, como também o erro por tentar algo novo. Valorize o saber, mas também o criticar. Treine a lógica, mas também a imaginação. Aprenda a teoria, mas também a prática. Valorize a forma, como também a estética. Saiba a técnica, mas pratique o improviso. Entenda as fórmulas, mas também enalteça a curiosidade e a intuição. Faça o que é certo, mas também arrisque. Valorize o professor, mas também a família. A tabuada, e a poesia. Se envolva com a escola, mas também com o bairro. Parabenize o resultado, mas também o esforço e as diferentes formas de avaliar. Coopere e colabore. Reconheça o trabalho, mas também as diferentes maneiras de fazê-lo. Fortaleça a didática, mas também o jogo, o brincar e o adaptar. Use tecnologia, mas também construa. Valorize as respostas, mas também as perguntas. Não há fórmula mágica, mas há caminhos novos, sempre.

A inventividade humana sempre renasce e se mostra. Mas é preciso estar disposto a mudar. Prova disso é o que o economista Edmund Phelps, prêmio nobel em 2006, disse: “É preciso inovar para ser mais feliz. É vital expor os jovens à história humana de exploração e inovação. Crie seus filhos para apreciar a aventura, a experimentação e a correr doses saudáveis de risco. Não os proteja demais.” Puxa, se um economista se permite falar de inovação para a felicidade e o risco, creio que há sim esperança e mudança em curso e devemos todos estar nela.

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/11/16 4:02:39 PM
(Foto: SESI)

(Foto: SESI)

O ensino híbrido é uma metodologia ativa e inovadora que surge em resposta às demandas dos adolescentes por uma educação que desafie sua capacidade de aprender de forma engajada. Como as tecnologias fazem parte do dia a dia desses jovens, que já nasceram num mundo onde a internet já era amplamente utilizada em microcomputadores, celulares e outros dispositivos, estudar fazendo uso dessas tecnologias torna-se mais do que natural para esse público, também chamado de nativos digitais. Eles são capazes de compreender, dispensando qualquer tutorial, ferramentas e plataformas on-line sem grandes dificuldades. Para ser interessante, a educação precisa estar contextualizada à realidade desses jovens.

Muitas dessas ferramentas e plataformas há muito não são novidade para os alunos do ensino a distância, geralmente adultos. O uso dessas ferramentas na educação presencial é que ainda tem se caracterizado como uma inovação e têm surtido um efeito muito interessante nas salas de aula que as aplicam. No ensino híbrido, os alunos fazem todo o processo de pesquisa e estudos à distância, em casa. O encontro presencial fica reservado para debates, contextualização do que foi pesquisado e trocas de informações. Isso torna o cotidiano escolar muito mais rico e com informações novas para todos. As experiências são mais valorizadas para alunos e professores que aprendem mais e conseguem interagir uns com os outros, nos fazendo ver que a distância hoje é relativa, podendo até mesmo aproximar mais ainda as pessoas.

Além disso, o ensino híbrido permite o uso de tecnologias que permitem aos estudantes ter acesso ao conteúdo a distância e personalizado, adaptado as necessidades de aprendizagem desse aluno, por meio de big data.

Mas o que é big data? Este é um termo que se refere a todas as informações armazenadas em um sistema de dados que, quando consultadas, aparecerão de forma facilitada nos mecanismos de busca de um software. No ensino híbrido é possível fazer uso de plataformas adaptativas e do big data assim: se o estudante vai fazer um trabalho sobre revolução industrial, quando pesquisar sobre o assunto, encontrará as referências já procuradas por ele. As plataformas educacionais com big data, por meio de testes, identificam os conteúdos em que os alunos não tiveram resultados de aprendizagem suficientes e podem criar planos de estudos, com materiais diversificados e inéditos para ele, que possam suprir essas lacunas de aprendizagem.

Ao mesclar as tecnologias e ferramentas educacionais do ensino a distância com o ensino presencial, o ensino híbrido se torna o melhor de dois mundos, trazendo para a escola a realidade que já temos: da tecnologia digital inserida e naturalizada em nossa vida como parte crucial da construção do conhecimento nosso de cada dia.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/11/16 10:12:26 AM
(Foto: Marcelo Andrade)

(Foto: Marcelo Andrade)

Mesmo sendo presença constante em todos os noticiários e alcançando grande repercussão, a Medida Provisória (MP 746/2016) – que propõe a mudança no Ensino Médio – e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 – que limita o valor investido pelo Governo Federal pelos próximos 20 anos – ainda são assuntos que não estão claros para a juventude brasileira.

Apesar de ser contraditório, uma vez que eles são a classe que mais tem se manifestado a respeito e uma das mais interessadas no assunto, uma pesquisa divulgada este mês pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com brasileiros de 13 a 18, revelou que apenas 53% dos estudantes afirma estar a par das mudanças que estão sendo propostas. Destes, quase 52% admitem estar pouco ou mal informados.

Sendo época auge nas ocupações de escolas e em meio às eleições municipais, os jovens tiveram à disposição inúmeros debates e fontes diferentes para formarem sua opinião a respeito do assunto, porém ainda se sentem desinformados.

As propostas não foram realmente esmiuçadas pela mídia, que realizou a cobertura dos desdobramentos e alguns pontos principais dos projetos. Mas, hoje temos muito acesso à informação e em vários sites é possível ter acesso ao conteúdo que será votado na íntegra, certo?

De acordo com dados do IBGE divulgados este ano, a maior parcela de pessoas que utiliza a internet, em 2014, foi registrada entre os jovens de 15 a 17 anos: 81,8% deles têm acesso. Outra pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet, em 2015, revelou que 82% dos jovens acessam a internet por telefones móveis, enquanto 56% navegam em dispositivos fixos. A pesquisa foi realizada com jovens de 9 a 17 anos.

Tirando aqueles que estão diretamente envolvidos nas ocupações e alguns estudantes de escolas particulares, fica claro que o restante da população jovem não tem conhecimentos aprofundados sobre alguns dos assuntos que podem influenciar, e muito, na vida deles. Outro ponto que também vale ressaltar é que essa geração tem, de longe, mais acesso à informação do que qualquer outra jamais teve em outros momentos históricos.

Mas, com tantos recursos eles ainda se sentem sem informação? Isso mesmo, pois os jovens são muito conectados e articulados por meio das redes sociais, mas não pesquisam a fundo nenhum assunto nem discussão. Eles usam as redes sociais para se relacionar, para conseguir se articular, mas pecam por buscarem quantidade em vez de qualidade.

Essa falta de fundamentação preocupa, pois falta análise crítica das situações. Além disso, momentos de leitura, reflexão e observação, necessários para a formação de uma opinião bem embasada, não acontecem. É preocupante a ansiedade que essa juventude sente, a rapidez com que deseja fazer as coisas e ver resultados.

As ocupações são um retrato disso. Longe de julgar se são certas ou erradas, mas ocupar os colégios foi uma forma de ter resultados concretos de forma rápida e efetiva. Porém, não é apenas dessa forma que as mudanças são alcançadas. Apesar das ocupações, os estudantes não apresentaram de fato o que poderia ser alterado, estão apenas contra. Isso é um risco para toda a mobilização por deixar a impressão de que todos estão contra simplesmente por reação às mudanças.

Os jovens têm, por tradição, participações significativas nas recentes manifestações, exemplo disso foram caras pintadas em 1992 e este ano no processo de impeachment. Porém, no caso das ocupações, perdem forças dissipando energias por não terem um foco. Um reflexo claro da cultura digital que nos obriga a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e ser superficial em todas.

Na democracia, algumas decisões e mudanças necessitam de tempo para serem amadurecidas e desenvolvidas. Cabe a todos da sociedade mostrarem o caminho aos jovens utilizando as tecnologias e ferramentas tecnológicas disponíveis para que todos consigam desenvolver seu pensamento crítico de forma embasada e sólida. E aos jovens, cabe o interesse em absorver estes conhecimentos e a transformá-los em atitudes.

* Artigo escrito por Élcio Miguel Prus, coordenador geral do Ensino Médio Integrado do TECPUC, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/11/16 5:09:20 PM
(Na tarde de ontem (20/11)  foi realiza uma Marcha contra o Racismo, que protestou contra ataques racistas direcionados a várias pessoas que participaram da 1° Marcha do Orgulho Crespo de Curitiba)

Na tarde de ontem (20/11) foi realiza uma Marcha contra o Racismo no centro de Curitiba

A lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, alterando a lei de Diretrizes e Bases da Educação. A partir disso, escolas particulares e rede pública de ensino passariam a incorporar na grade curricular conteúdos relacionados a História da África e dos Africanos, bem como a contribuição dos negros no desenvolvimento social, cultural, político e econômico do Brasil. Mas nem tudo são flores, é preciso refletir sobre os desafios no desenvolvimento de uma educação em consciência negra.

O professor da Universidade de São Paulo, Dennis de Oliveira, responsável pela coordenação do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc), em artigo publicado pela revista Fórum, em 2013, fez um balanço dos dez anos da Lei 10.639. Na época, apontou três desafios para o cumprimento da legislação, são eles: a resistência de cursos superiores de licenciatura e pedagogia para implantar conteúdos de cultura e história afro-brasileira na formação dos futuros profissionais de educação; a necessidade de cobrança da aplicação da lei na agenda política dos movimentos sociais do campo da Educação e a não obrigatoriedade do poder público em destinar recursos e fazer ações para efetivar o ensino da história e cultura afro-brasileira.

Outro desafio (talvez o maior) é a educação absorver as discussões sobre a relação da desigualdade social com as questões étnico-raciais e superar o racismo no ambiente escolar. Pais de crianças negras ainda vivenciam o desafio de proporcionar a seus filhos uma educação que os permita formar uma imagem positiva sobre si. Na escola, em atividades de arte educação temos a referência de um único lápis “cor da pele” (aquele em tom rosado), o que afeta a forma como crianças negras se retratam. De forma inconsciente a criança é influenciada a estabelecer o “claro” como padrão de beleza.

Se a escola nega a existência de diferenças sociais de acordo com os segmentos étnicos, de certa forma, silencia a história e cultura da criança e do adolescente negro(a), ao mesmo tempo que retira dos estudantes a oportunidade de fazer uma leitura crítica da sociedade brasileira.

As diferenças nos dados estatísticos da população negra em comparação com a branca são preocupantes, seja nos índices de pobreza, acesso à educação, saneamento básico, mercado de trabalho, moradia, população carcerária ou morte de jovens, a população negra em nível nacional está em desvantagem. Porém, na escola o que se vê é um discurso homogeneizador, que não discute e não reconhece que há um problema racial que define quem sofre com as mazelas da pobreza.

Ainda que tenhamos criado uma lei para condicionar o sistema educacional a falar e representar a cultura e a história da população negra para além da escravidão, o impacto real e desejado (o racismo desnaturalizado pela sociedade e todos na luta em pró da vida da população negra) só será possível com ações que transcendam os livros didáticos e a produção de conteúdos com estudantes. Não somente no dia 20 de novembro, data de comemoração da Consciência Negra.

*Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/11/16 10:34:24 AM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

O bullying não é algo recente, muito embora nas últimas décadas tenha se tornado mais visível para a sociedade e em especial nos últimos anos como pauta frequente nos debates sobre Educação. É válido ressaltar que o bullying é um fenômeno mundial que atinge crianças, adolescentes e jovens de diferentes faixas etárias e classes sociais.

A LBD – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira aponta em seu artigo 2º que: “A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Este artigo nos permite refletir, em especial, sobre como estamos atuando com nossos educandos diante dos princípios da solidariedade humana e preparo para o exercício da cidadania. Percebe-se que é função da escola discutir, assumir e mediar as situações de bullying que ocorrem com os (as) educandos (as) nos espaços físico e/ou virtual, este último denominado Cyberbullying. A omissão que ocorre em alguns espaços educativos, divulgadas na mídia ou em redes sociais pelos próprios educandos tem evidenciado a fragilidade de educadores e gestores para lidar com o fenômeno. Diante destas afirmações, torna-se necessária a capacitação e a sensibilização para tais enfrentamentos cotidianos.

O bullying torna-se sintoma de uma sociedade violenta, egocêntrica, individualista, classista, que compreende as relações de convívio pelo prisma do poder e da força. Além de discutir o fenômeno em si, é fundamental discutir como a organização do currículo escolar pode atuar para superá-lo. Como o corpo técnico e educadores interpretam e atuam frente as situações ocorridas nestes espaços. A Política Pública de Educação tem papel fundamental para superação deste fenômeno, pois a escola e demais espaços educativos podem contribuir com a formação de sujeitos mais críticos e respeitosos, justos e solidários, expandindo tais reflexões para o território no qual está inserida a unidade educacional.

No mês em que se comemora o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola vale ressaltar o papel fundamental da escola para superação do bullying promovendo formações, ações e debates que envolvam toda a comunidade educativa.

É imprescindível, portanto, discutir suas causas, consequências, mas, acima de tudo promover o diálogo nestes espaços. Superar o bullying via Educação para paz, significa criar relações efetivamente dialógicas, fomentar espaços educativos nos quais exista lugar para o afeto, criatividade, sensibilidade e humanidade. Educar para a paz não implica em docilizar pessoas, anulando conflitos, mas sim utilizar o diálogo como forma de mediação de conflitos. Significa ser esta uma opção não apenas curricular, mas uma forma de conceber as relações e a própria vida.

*Artigo escrito por Ana Cristina da Silva, assessora social da Rede Marista de Solidariedade, do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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