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Educação e Mídia

Enviado por cilvias, 21/03/17 11:41:30 AM
Ilustração do Guia "Adolescentes, jovens e educação em sexualidade"

Ilustração do Guia “Adolescentes, jovens e educação em sexualidade”

No mês do Dia Internacional da Mulher, é inevitável (e desejável, inclusive) que sejam retomadas reflexões e diálogos sobre as desigualdades de gênero. Dentre os desafios que pipocaram em conversas e leituras nessa primeira quinzena está o de educar meninos para que eles não reproduzam violências simbólicas, verbais, psicológicas, sexuais e físicas contra meninas e mulheres.

A importância de discutir gênero com esse público é inegável: se meninos e homens são parte do problema, também têm um papel importante na solução. Uma primeira barreira que precisa ser quebrada é a interpretação de que a violência de gênero se restringe só à violência física ou ao desrespeito/confrontação direta de uma pessoa para com a outra (“Eu, reproduzindo violência contra a mulher? Imagina, eu jamais encostaria um dedo na minha namorada!”). Da mesma forma como as pessoas de pele branca, por exemplo, têm dificuldade em perceber o caráter institucional do racismo, achando-o reduzido ao preconceito racial.

As violências de gênero estão no que ensinamos aos meninos sobre como se relacionarem com as meninas e quais expectativas terem dessas relações (É normal querer que a namorada só saia para se divertir comigo, porque “tenho ciúmes”? É aceitável que eu interfira nas roupas que ela usa? E ter acesso à conta dela no Facebook, mensagens de Whatsapp…?). Está no que ensinamos sobre sexualidade (Que sinais devem ser entendidos como os de alguém que está interessada em mim? Antes de beijar uma garota, devo perguntar se posso? Falar que essa é a minha intenção?). E no uso que fazemos da tecnologia (Se um amigo me manda uma foto da ex-namorada sem roupa, o que eu faço? E se essa garota começar a ser assediada na escola porque a mesma foto foi enviada para outras pessoas também?).

Existem materiais disponíveis na web que sugerem formas de começar a trabalhar essas e outras questões, como o Plano de aula da iniciativa “O Valente não é Violento”, coordenada pela ONU Mulheres; o guia “Adolescentes, Jovens e Educação em Sexualidade” do Instituto Promundo; e a cartilha LIVERESPECT (“Viva o respeito”, ou “Viva, respeite”, em tradução livre), da organização norte-americana A Call to Men (“Um chamado para os homens”). Esta última está disponível somente em inglês, mas o cofundador da ACTM Tony Porter aparece em um vídeo do evento TED Women em 2010 que possui legendas em português no site do TED Talks.

Além de incitar a reflexão sobre comportamentos dos estudantes, é vital olhar também para o papel e as atitudes dos educadores no ambiente formal de ensino: Como a escola responde a situações de violência de gênero que acontecem dentro e fora de seus muros? Existe consenso entre o corpo docente sobre como agir nos casos de assédio dentro da escola? E quando o problema está dentro de casa e afeta o desempenho escolar do ou da estudante?

Fácil seria interpretar que a escola não tem nada a ver com o tema: sua missão é alfabetizar, ensinar matemática, física, geografia… e não interferir nas relações entre os educandos, isso é educação que vem de casa! Em Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire fala sobre a impossibilidade de a educação ser neutra diante daquilo que acontece no mundo e sobre o seu caráter técnico, do ponto de vista do ensino de conteúdos, mas também ético, que implica em fazer escolhas e intervir diariamente sobre a realidade. “Para que a educação fosse neutra era preciso que não houvesse discordância nenhuma entre as pessoas com relação aos modos de vida individual e social, com relação ao estilo político a ser posto em prática, aos valores a ser encarnados”, explica o educador.

Por essa mesma razão é que se faz necessário o processo de desconstrução daquilo que foi aprendido, mas nunca dialogado. Porque sem a consciência de como nossas atitudes nos afetam e afetam aos outros (e principalmente estes), tomaremos sempre decisões de maneira inconsciente, “automática”, já que nunca fomos incitados a cavar mais fundo para descobrir o que está debaixo da superfície.

* Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no Blog Educação e Mídia.

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Enviado por cilvias, 15/03/17 9:46:35 AM

Brunno Covello/Gazeta do Povo/Arquivo

O fluxo da vida é um processo dinâmico significativamente afetado pelas contingências da transformação social. Mas nem todo mundo quer seguir marchando ao ritmo da velha corneta do progresso. Há indícios de sobra pelos ares de que o progresso cansa, dá tosse e trará sede. Os movimentos sociais pela conservação da natureza correspondem, cada qual a seu modo, a um desejo de superação, algo que aponta para uma nova direção. A criança que o diga. A ciência que o teste. A educação que o sustente. E a arte que o impulsione.

Que venham as novas gerações a nos desafiar ecologicamente, porque essa a qual pertencemos zombou dos rios, dos mares, das matas e dos campos. E que venham logo, e nos desmatem por dentro, antes que soltemos os bois ou plantemos pinus e soja por cima de todos os seus sonhos. Que desordenem todas as nossas tradicionais expectativas de progredir irresponsavelmente, que solapem o típico egoísmo político e econômico que extingue na canetada centenas de espécies vegetais e animais. Que deflagrem um estado, um governador, uma câmara de deputados a zombar da vida em nome da fantasia do progresso. Será que ainda diremos a vocês, novas gerações, à revelia de todas as atrofias que já promovemos, que tudo foi importante, cada pinus plantado, cada grão de soja colhido, cada miligrama de agrotóxico engolido, cada deputado eleito?

Importante é aquilo que importa pois o que não importa não tem importância nenhuma. Corre nas mídias locais do Paraná, e em breve correrá nas nacionais e mundiais, a notícia de que nossos deputados votarão um projeto de lei que visa diminuir a área de preservação ambiental da Escarpa Devoniana paranaense, essa explosão de biodiversidade, esse encontro de distintos biomas, que é assim chamado porque as rochas que o sustentam possuem 400 milhões de anos. Já o mandato dos deputados que sustentamos possui apenas 4 anos. E os estragos de uma votação na assembleia legislativa podem comprometer a vida pelos próximos milhares.

Resta pouco do que havia de campos naturais, cerrado e floresta na região, que já foi amplamente devastada ao longo da história, sobretudo nos últimos 20 anos, com a expansão desordenada e, em alguns casos, ilegal do agronegócio. O patrimônio natural que ainda resiste precisa ser preservado: os rios nos lajeados, as grandes cachoeiras, os cânions, as furnas, os capões cobertos de araucária, os campos, a rica diversidade de espécies vegetais e animais, os tamanduás, lobos-guarás e suçuaranas que por lá padecem.

Espie por detrás desta equivocada iniciativa do governo do estado e de seus deputados. Aviste a sorrateira tentativa de favorecer o setor madeireiro e os produtores de soja em detrimento de um conjunto muito mais amplo de garantias e salvaguardas. O projeto de lei prevê a diminuição de dois terços da área de preservação. Dos 392 mil hectares pertencentes a APA, restarão apenas 126 mil hectares protegidos. Pelas vielas da política, fala-se também na estratégia velada de anistiar os crimes ambientais cometidos mais recentemente pela expansão do agronegócio no interior da unidade de conservação. Vastas áreas úmidas foram drenadas para a produção de soja, o que reduz significativamente o fluxo de água das encostas na direção dos rios, movimento essencial nos períodos de estiagem. A disponibilidade de água se reduz também com a drenagem para a pecuária e com o reflorestamento de pinus, pois o consumo de água de uma árvore grande é muito maior do que das vegetações naturais dos campos, o que seca o solo, impedindo que ele acumule água e redistribua, fenômeno essencial à conclusão de um ciclo vital que favorece diretamente as nossas vidas.

Estamos falando da água. A mesma que está em nós. Nós, que abrimos as torneiras de casa dezenas de vezes ao dia e recebemos nas mãos a água que agora está em vias de secar. Nós que, em razão de progressos como os do agronegócio, obrigaremos nossos netos e bisnetos a conviver com a escassez desse bem tão essencial. Frear a velha marcha do progresso e, ainda assim, seguir inovando, é o sentimento geral que nos afeta e que agora terá de nos por em movimento. Pense o que será dos que estão por vir nas próximas décadas se, por exemplo, não inovarmos na gestão dos recursos naturais e na conservação do que ainda resta de biodiversidade a nossa volta? Teremos de revolucionar as formas de consumo e de produção industrial nos próximos 30 anos para ao menos tentar minimizar os danos do colapso ambiental à vista, esse drama existencial que se tornou consenso entre cientistas que estudam o aquecimento global. Não dá para continuar fazendo o que sempre fizemos. Daqui para frente, inovaremos menos pelo fato de que queremos mais, e mais pela incontestável revelação de que precisamos de menos.

O projeto que será votado nos próximos meses na assembleia legislativa do Paraná é uma afronta à sociedade paranaense, um golpe na biodiversidade brasileira. Além disso, não leva em conta a redução de ICMS ecológico que afetará os municípios integrantes da APA, esvazia a discussão sobre o seu potencial turístico, desconsidera os trabalhos técnicos já divulgados por órgãos oficiais como a UFPR, a UEPG, a Embrapa, o IAP, o ITCG e o próprio conselho gestor da APA. Por essas razões, o projeto revela a visão atrofiada dos deputados quanto ao significado de uma unidade de conservação e confirma mais uma vez a quem estes senhores estão a serviço. É preciso pressionar estes homens, despertá-los do sono profundo do retrocesso, fazê-los perceber o tamanho da tragédia ambiental na qual estão se envolvendo. Eles terão de perceber que, neste caso, ao atender os interesses localizados do agronegócio, estão passando o rodo em cima dos interesses gerais do conjunto da sociedade.

Às vezes chego a fantasiar se o choque de um banho gelado de cachoeira, num desses grotões de estupenda beleza da Escarpa Devoniana, não seria magicamente suficiente para fazê-los acordar. Ou talvez levá-los à sala de aula de uma escola, sentá-los em meio à roda de alunos e fazê-los ouvir uma criança falar sobre conservação da natureza, esse tema que não só é parte do conteúdo escolar, como também integra as bases de uma formação ética e os fundamentos de nosso caráter. Ingenuamente, às vezes, chego a pensar que estes sérios senhores mudariam de opinião, tocados pela novidade, convertidos pela afetividade de uma criança ou rendidos de amor pelos Véus da Noiva e suas estupendas e cristalinas quedas por entre os grotões da Escarpa.

Um contato mais físico com as belezas naturais da região ou uma aproximação mais íntima com a sensibilidade infantil poderiam até ajudar a amolecer nossos corações já enrijecidos pelas marcas de um desenvolvimentismo desmedido. Mas, para além disso, é urgente reunir forças sociais e gerar uma pressão do tamanho do mundo na assembleia legislativa do Paraná, de modo a impedir a aprovação dessa lei. Muitos setores já se organizam e uma batalha de ideias está posta. Precisamos sensibilizar a totalidade dos paranaenses, em especial os educadores, que presam pela educação ambiental e podem contribuir com este debate.

Antes de finalizar, quero compartilhar uma experiência. Alguns anos atrás, em meio a um projeto de educação ambiental em uma escola de Curitiba (Trilhas), fui extraordinariamente tocado pela visão que as crianças desenvolveram sobre a conservação ambiental da Escarpa Devoniana paranaense. A influência delas resultou numa música que reúne uma parte de suas opiniões e desejos de preservação. Aqui pela Parabolé, já circulamos o Estado do Paraná cantando esta e outras canções que integram nossos projetos. Como inspiração à luta que terá de ser travada em defesa da Escarpa Devoniana, deixo aqui os versos da canção que fiz com as crianças da escola em meio a sonhos de um Paraná melhor:

Tal qual estouro de tropa
Dos velhos tempos tropeiros
O meu coração galopa
Procurando outros roteiros

Vai parar em Itaiacoca
Desce o Buraco do Padre
Vila Velha é sempre nova
Eu quero que nunca acabe

Seriemas e bugios
Pacas e Tamanduás
Araucárias, marmeleiros
Cactos e Jerivás

Muito antes dos tropeiros
Índios Tupi-guarani
Habitavam o grande cânion
Entre Castro e Tibagi

Nos campos gerais eu vou,
Vou te encontrar
Indo pro Guartelá
Eu vou (2x)

Rio Jaguariaíva corre
Eu também quero correr
Ele vai de encontro à queda
Eu de encontro a você

Campo cerrado e floresta
Já não dá para arriscar
É preciso cuidar bem
Do que resta no Paraná

Nos campos gerais eu vou,
Vou te encontrar
Indo pro Guartelá
Eu vou (2x)

*Artigo escrito por Nélio Spréa. Doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná. Graduado em música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná. Palestrante, escritor e diretor da Parabolé Educação e Cultura. A Parabolé colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por cilvias, 09/03/17 10:13:25 AM

Ontem a noite minhas filhas me chamaram para assistir a um filme que estava prestes a começar. Era o documentário da história de Malala Yousafzai, a menina paquistanesa que desafiou a violência dos Talibãs para simplesmente ter o direito de ir a escola e estudar. Como já conhecíamos um pouco da história pelas conversas em casa, ambas queriam muito saber mais. Ótima oportunidade pra um filme em família, como sempre fazemos, mas dessa vez era especial. Afinal tratava-se de uma história marcante. Sabíamos que ali estava um momento único para conhecerem a fundo uma menina que muda o mundo todos os dias. A coragem, força e espírito grandioso de Malala que levantou a voz, não apenas por ela, mas pelo direito de todas as meninas do mundo pela educação, são avassaladores. Durante quase uma hora e meia de filme, as duas ficaram hipnotizadas e emocionadas, assim como nós, pela trajetória e luta de Malala e sua causa. Pequenos grandes exemplos de mulheres, como de uma menina, que se coloca com grandeza e propósito diante de um mundo machista, violento e preconceituoso, são extremamente valiosos para se expor e discutir em família. Afinal onde estão hoje os líderes altruístas que inspiravam gerações inteiras no passado?

Eles sem dúvida ainda estão por aí, mas com pouco espaço na mídia, na escola e no dia a dia de muitas pessoas. Acredito ser vital expor nossos jovens à história humana de mudança e coragem. São fontes de exemplos reais que nos mostram valores simples e ao mesmo tempo grandiosos. Mas muitas vezes negligenciados por família, escolas e veículos de comunicação. De que é preciso olhar ao redor e pensar no outro, além de nós mesmos. E de que grandes desafios e mudanças acontecem com pequenas atitudes todos os dias. A história de Malala cativa por sua simplicidade, humildade e força. E ao final constata-se que, apesar de provavelmente essa menina ter nascido já destinada a mudar a história do mundo de maneira quase messiânica, percebemos que toda força, coragem e confiança que ela possui, não vêm de religião ou força divina como ela mesma dá a entender. Mas sim de sua própria casa, de sua família. Desde o avô de Malala, um homem eloquente segundo própria descrição do pai, que falava às multidões sobre direitos e importância da sabedoria, do alto de uma pedra. Até seu pai, um homem que abriu uma pequena escola com as próprias mãos quando Malala era muito pequenina, por simplesmente não aceitar submissão, poder e segregação impostas pela velha escola de seu país que não permitia liberdade de pensamento e a presença de meninas.

Ao longo do filme fica claro pelas palavras da própria Malala que sua família lhe deu toda confiança para ser o que é. Segundo ela mesma, uma menina normal, com medos e dúvidas, mas com vontade de ajudar pessoas e mudar o mundo. E acima de tudo, apesar da hostilidade de um ambiente que em nada favorecia a sua luta pelo direito de ir a escola, sua família lhe deu a maior das liberdades: a de escolher fazer o que sabia e sentia ser o correto. Não apenas para ela, mas também à todas as meninas do mundo que lutam por direitos e oportunidades. Pais presentes, que conversam, educam, e estão por perto, apoiando, incentivando, corrigindo e ao mesmo tempo dando asas podem transformar realidades e futuros. “Os maiores exemplos vêm mesmo de casa, de nossa própria família”, diz o pai de Malala. Ditado conhecido, mas talvez pouco praticado hoje em dia em muitos lares. Sempre acreditei nisso e tentamos cultivar esses momentos em casa, com muita conversa, histórias e relação pele com pele. É o caminho que acreditamos para ensiná-las e ao mesmo tempo libertá-las. Terão suas próprias asas para decidirem o que querem. Ao ouvir a história de Malala e sua família, percebemos o quão simples deveria ser essa relação de família e ao mesmo tempo o quão complexa e crucial pode ter na educação ao longo da vida. Nascida no Vale do Swat, Paquistão, em um ambiente de violência, autoritarismo e segregação, principalmente contra a mulher, Malala ainda fala com muito carinho e saudosismo das ruas de pedras, das suas amigas, dos banhos de rio e de sua casa na cidade natal. E apesar de hoje morar na Inglaterra e viajar o mundo pela sua causa, diz que tem um grande sonho ainda. De pelo menos um dia poder entrar em sua casa novamente. Um único dia e estaria muito feliz. Já seu pai sonha reencontrar aqueles alunos da pequena escola, que ele ensinou a subir na cadeira para dizerem o que pensavam. A não se calarem ou aceitarem submissão e imposições. Ao final, após ter ganho o prêmio Nobel da Paz — 2014 — com seus 16 anos, Malala diz que ficou lisonjeada com o prêmio e muito feliz, mas completou: “O prêmio não é o que me deixa mais feliz, o que me move é saber que estou ajudando tantas meninas e pessoas em todo o mundo, do meu jeito.” E seu velho pai, quando perguntado sobre o que realmente importava com o prêmio que Malala havia recebido, responde: “O que realmente importa? Mudança. Mudança importa”. A história de Malala é uma avalanche de inspiração, vida e de valores essenciais de família, educação e propósito que valem a crença na humanidade.

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por cilvias, 07/03/17 3:45:10 PM

Imagem: Gazeta do Povo

Mais uma vez, o legislador brasileiro trata os crimes digitais de forma equivocada, tolerante e inepta. O projeto de lei 5555/13 finalmente foi aprovado na Câmara dos Deputados, para a criminalização da conduta de publicação e divulgação de imagens de conteúdo íntimo em aplicativos de celulares e redes sociais. O acusado da divulgação, após o devido processo legal, além da detenção, será obrigado a indenizar a vítima por todas as despesas decorrentes de mudança de domicílio, de instituição de ensino, tratamentos médicos e psicológicos e perda de emprego. Essas são apenas algumas das consequências de quem tem a vida devastada pela divulgação da intimidade. As penas previstas ao agressor ainda são efêmeras, mas é um começo de tentativa de proteção ao direito à privicidade e à intimidade.

O artigo 11 do Pacto de San José da Costa Rica, recepcionado no Brasil pelo Decreto 678 de 1992, assegura a proteção da honra e da dignidade. Embora tenhamos diversos comandos legais e constitucionais sobre o tema, o projeto de lei é inovador pelo caráter criminal na abordagem do tema. É certo que algumas pessoas não possuem empatia e resiliência, e por vezes apenas não cometem crimes por medo da pena.

Por essa razão, o projeto de lei merece crítica. Se mantida a pena de três meses a um ano de reclusão, não teremos uma inovação na lei, mas a aplicação processual da injustiça materializada.

A pornografia de vingança ou, na língua inglesa “revenge porn’’ é uma das formas mais devastadoras para denegrir a imagem, principalmente da mulher. Sabemos que o Brasil ainda é um pais machista, onde é natural aplaudir o homem e repudiar a mulher que estão na mesma imagem.

Não devemos esquecer que a heroína Maria da Penha Maia Fernandes, sofreu dupla tentativa de homicídio por parte de seu então marido, que atirou contra suas costas enquanto ela dormia, causando-lhe paraplegia irreversível. Em razão da morosidade judicial, leis brandas e da ausência de proteção da sua integridade física e psíquica, o caso foi enviado à CIDH/OEA (Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos) após 15 anos de inercia do Estado Brasileiro. Em 2001, o Brasil foi responsabilizado pela CIDH por omissão, negligência e tolerância.

Quantas mulheres – de todas as idades – já sofreram em razão da divulgação indevida de imagens? Como disse o Deputado Federal João Arruda: “esse crime é muitas vezes muito pior que qualquer violência física contra a mulher porque ela vai morrendo aos poucos. Ela tem a sua intimidade violada, ela acaba se expondo para todos, perde emprego, perde família…”Para aquela que “vai morrendo aos poucos”, entende a obtusa Câmara dos Deputados que a pena de 3 meses a 1 ano é suficiente!

Como mulher, cidadã e atuante na área de Direito Digital, as penas previstas no projeto de lei são uma ofensa à inteligência de uma pessoa mediana. Ela será o salvo conduto de maus-caráteres e criminosos para que continuem a abusar, constranger, humilhar e chantagear mulheres com a intimidade e a confiança que lhes foram concedidas indevidamente.

Precisamos pressionar o Senado Federal para que as penas não sejam tão brandas, para que as vítimas possam voltar a ter confiança no sistema e para que o Estado Brasileiro não se auto condene, mais uma vez, por omissão, negligência e tolerância às agressões virtuais.

 

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada e sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por cilvias, 03/03/17 3:06:05 PM

A alimentação saudável é um dos pilares para a promoção de saúde, pois contribui para o adequado crescimento e desenvolvimento da criança. Seja em casa ou na escola, é importante que a alimentação seja variada e de boa qualidade nutricional. Neste enfoque, a escola deve inserir em seu conteúdo pedagógico temas sobre alimentação para orientar os alunos sobre o consumo de alimentos saudáveis, além de promover reuniões com os pais acerca do tema, uma vez que muitos deles têm dúvidas na hora de montar a lancheira das crianças.

Os pais devem sempre lembrar que o lanche escolar é um complemento, isto é, deve suprir cerca de 20% das necessidades nutricionais das crianças, e por isso, não devem encher a lancheira de comida. É importante que a criança leve para a escola uma porção do grupo dos cereais; uma do grupo das frutas ou hortaliças e uma porção do grupo do leite ou das carnes.

O grupo dos cereais, por exemplo, oferece principalmente o carboidrato, que tem como principal função fornecer energia. Para o lanche da escola, uma opção é o consumo de cereais integrais como pães, biscoitos, bolos, pois são boas fontes de fibras, ajudando no bom funcionamento do organismo.

As frutas que estão no grupo das boas fontes de vitaminas, minerais e fibras e o ideal são as frutas da estação, pois são mais baratas, mais gostosas e mais saudáveis. Portanto, os pais podem optar pela fruta in natura ou pelas frutas secas como ameixa, damasco, uva, assim como as frutas oleaginosas.

O grupo do leite e das carnes podem ser oferecidos em dias alternados, para melhor balancear alimentos fontes de cálcio e ferro. Em alguns dias da semana, os pais podem mandar leite ou iogurte, ou queijo, e, em outros dias, uma opção de carne.

Algumas opções para montar uma lancheira saudável para as crianças são: barra de cereais com suco natural ou iogurte e fruta; sanduiche natural, de preferência com pão integral (peite de peru, queijo branco ou frango desfiado) com suco de frutas; salada de frutas ou fruta com biscoito sem recheio e iogurte; salada de frutas ou fruta com pão integral e requeijão ou queijo branco; suco de fruta natural com biscoito sem recheio e requeijão; fruta com bolo de maçã ou de cenoura, ou de laranja e iogurte ou leite; tapioca de queijo branco com geleia de frutas e suco natural; biscoitos integrais com fruta e água de coco; fruta com granola e iogurte; pão de queijo com uma fruta e água de coco.

Os pais também devem ficar atentos com o acondicionamento adequado e com a manipulação destes alimentos, uma vez que por serem a maioria naturais, são altamente perecíveis e devem ser guardados em lancheiras térmicas para conservá-los na temperatura de segurança. O ideal é preparar sucos naturais mais próximo da hora de ser consumido. Embora o suco de caixinha pareça ser uma boa opção, ele contém quantidades de açúcar semelhante à de um refrigerante, portanto deve ser evitado.

Uma alternativa para os pais na hora de montar a lancheira é pedir ajuda para os filhos, uma vez que eles irão aliar o conteúdo sobre alimentação saudável que aprenderam na escola ao consumo consciente de alimentos. Além disso, eventualmente os alunos podem fazer a troca de lanches entre eles, para que conheçam também as opções dos colegas, experimentando novos sabores tornando o recreio mais divertido e saudável.

*Artigo escrito por Emanuele Valentim, nutricionista do Colégio Marista Santa Maria e mestre em Segurança Alimentar e Nutricional. A profissional é colaboradora voluntária do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.   

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Enviado por cilvias, 01/03/17 1:57:26 PM

Banco de imagens SESI PR

A For Inspiration and Recognition of Science and Technology (First) foi criada em 1989 em Manchester, Estados Unidos, para inspirar o interesse de jovens pela ciência e tecnologia. Desde 1998, em parceria com o grupo dinamarquês Lego Education, promove a First Lego League ou FLL, um torneio internacional voltado a estudantes de 9 a 16 anos.

A cada ano equipes de até 10 alunos, guiadas por um mentor, aplicam conceitos de ciências, engenharia, matemática e física, além de muita imaginação e criatividade, para desenvolver soluções para desafios do mundo real de acordo com um tema. Eles também projetam, constroem e programam robôs com a linha Lego Mindstorms, que é voltada para a educação tecnológica, para realizar missões.

Desde 2002 o torneio acontece no Brasil e desde 2013 o Sesi Departamento Regional é o operador do evento no Paraná e Região Sul do Brasil. O tema deste ano foi Animal Allies (aliados dos animais) e provocou os alunos a proporem soluções tecnológicas de cooperação entre homens e animais. A equipe vencedora do evento nesta regional, que aconteceu nos dias 17 e 18 de fevereiro, em Curitiba, criou um aparelho que emite uma frequência sonora audível somente por animais, evitando assim seu atropelamento nas rodovias (de acordo com o Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas – CBEE, cerca de 15 animais silvestres morrem atropelados nas estradas brasileiras a cada segundo, muitos deles ameaçados de extinção). Em março, as sete equipes classificadas no Sul seguem para o torneio nacional em Brasília. Em abril, os campeões de cada país avançam para a etapa mundial do torneio.

O clima nos dois dias de evento em Curitiba foi contagiante. Neste ano, quarenta equipes de São Paulo, Mato Grosso Sul e Paraná (as equipes podem escolher em que estado participar) apresentaram seus projetos e cumpriram os desafios. Mas tão interessante quanto a competição em si e todo o despertar pelo instigante mundo da ciência e tecnologia, é que a FLL propositalmente estimula valores muito importantes, não só para a vida acadêmica e profissional, como para o convívio em sociedade.

Além do projeto de pesquisa e do design e desafio do robô, os core values são levados em consideração na classificação (há um vencedor geral e outro para cada uma dessas categorias). Esses “valores fundamentais” dizem respeito ao trabalho em equipe; ao aprendizado colaborativo; ao espírito de competição amigável; a cooperar com os outros times e a dar mais valor ao que se aprende do que à vitória.

Tudo isso serve para ensinar aos estudantes, seja por meio da pesquisa, engenharia, matemática ou física, que não se faz ciência ou tecnologia sozinho. Trocando conhecimento e informação, vai-se mais longe e as conquistas são ainda melhores. E é claro que aqueles que já praticam esses princípios no dia a dia escolar chegam mais preparados não apenas em um torneio como este, mas ao mercado de trabalho.

O trabalho em equipe firma-se cada vez mais como essencial para o desenvolvimento profissional dos indivíduos, pois está diretamente ligado à capacidade de comunicação, de argumentação e flexibilidade. Por isso é de extrema importância que os pais estejam atentos sobre como esses aspectos são trabalhados nas escolas de seus filhos. O aprendizado ativo, no qual o professor atua como mediador do conhecimento; a interdisciplinaridade; as turmas intersseriadas; a valorização de talentos individuais; o desenvolvimento do pensamento crítico e de habilidades de apresentação; sem falar do incentivo à participação de torneios mostram-se como fundamentais para formar jovens em adultos preparados para o mundo.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, Pedagoga/Psicopedagoga/Especialista em Desenvolvimento pessoal e Familiar/Formação em Biologia Cultural/Especialista em Planejamento Estratégico. Gerente de Educação Básica e Continuada do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por cilvias, 17/02/17 6:03:28 PM

Nossa sociedade mudou e a forma das famílias educarem as crianças também. Se por milhares de anos esses cuidados eram delegados quase integralmente às mães, hoje a tarefa comumente está dividida com mais pessoas, sejam familiares ou profissionais, como educadores e babás. A qualidade dos cuidados desse time será decisiva para o desenvolvimento dos potenciais do indivíduo, assim como suas falhas poderão deixar marcas nessa pessoa em desenvolvimento.

Há poucas décadas as mulheres ampliaram seus horizontes e passaram, seja por desejo ou por necessidade, a buscar espaços além de cuidar do lar e da família, como predominantemente fizeram por milênios. Junto com os novos desafios do mundo do trabalho, muitas continuaram como a principal responsável pelo cuidado da casa e das crianças, gerando um acumulo de papéis.

Para a maioria dos homens ainda levará um tempo para atingir seu pleno potencial nesse desafio de dividir os cuidados, que por gerações não lhe foram atribuídos. Há uma significativa alienação dos pais que, mesmo estando por perto, muitas vezes não assumem suas responsabilidades. Não é raro que pais tenham pouco ou nenhum contato com os seus próprios filhos.

Diante desse contexto, novos arranjos são necessários para cuidar das necessidades das crianças, que independente de toda reestruturação da sociedade, continuam precisando de adultos para sua sobrevivência e desenvolvimento saudável. Avós, tios, irmãos mais velhos e outros parentes são chamados para apoiar nessa missão, que também precisa de profissionais, sejam os centros de educação infantil, escolas, atividades complementares ou, nas classes mais favorecidas, as babás.

Como será o desenvolvimento da criança com esses arranjos dependerá da qualidade com que esse grupo atuará. Como em toda crise, oportunidades e ameaças surgem.

Se a orquestra que tocar a música do cuidado dessas crianças não estiver comprometida, atrasarem suas participações, confundirem a criança tocando canções antagônicas e ruidosas, ou preferirem mudar de plateia e delegarem sua missão para as cantigas da Galinha Pintadinha, acontecerão riscos nesse desenvolvimento humano.

Se os músicos estiverem afinados, com objetivos claros e alinhados, com amor e competência, com talentos para tocar diferentes instrumentos, com um ou mais maestros que assumam a liderança quando preciso, pode se criar uma canção com a riqueza de variados sons, elevando o potencial de desenvolvimento desse indivíduo.

*Artigo escrito por Luciano Diniz, Coordenador da Pós-graduação em Educação Integral Transformadora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve programas de educação integral transformadora para adolescentes, professores e famílias. O profissional é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por cilvias, 16/02/17 4:18:21 PM
Gazeta do Povo

(Imagem: Gazeta do Povo)

Certamente um dos momentos do ano mais esperados, por todos nós, é o período de férias. É nesse momento que relaxamos, passeamos, viajamos e esquecemos (ou quase) um ano difícil que passou. Mas, enquanto a maioria dos funcionários, professores e alunos de uma escola curtem as férias, na maioria desses estabelecimentos o ritmo é muito diferente, principalmente no que se refere a obras e à manutenção das instalações prediais.

É no período de férias que as escolas aproveitam para realizar reformas de grande porte como: pintura, ampliação, reparos, demolições, limpeza geral, etc. Pode não parecer, mas em determinadas ocasiões as mudanças ocorrem em pouquíssimos dias envolvendo dezenas de pessoas (a maior parte terceirizadas) trabalhando de forma intensa. A pergunta que fica é: isso pode afetar o bem estar dos alunos e dos demais membros da comunidade escolar no retorno às aulas?

Algumas obras podem não ter sido concluídas até o início das aulas. Isso acontece. Significa então que poderá haver peças, equipamentos, materiais e trânsito de pessoas que não conhecem o ambiente escolar e suas particularidades. Portanto, há a necessidade de sempre verificar minuciosamente o espaço utilizado por alunos antes do retorno às aulas, buscando a existência de objetos que podem oferecer risco: pregos, vidros, tintas, ferramentas, produtos de limpeza, etc., deixados para trás, esquecidos na correria de entregar o espaço. Certa vez, presenciei uma “montanha” de areia resultante de determinada obra, sendo utilizada pelos alunos para brincadeiras. Nela havia pregos! Outra observação a ser feita, é o estado dos brinquedos dos playgrounds. Muitos podem ter sido reformados e instalados durante o recesso. É importante saber se foram montados corretamente. Muita atenção às salas de aula dos pequenos, que devem possuir também protetores de tomada. Por vezes, esses itens são retirados para a utilização de equipamentos e não colocados novamente no lugar, por esquecimento. Nesse período de férias, ainda, as escolas aproveitam para a realização das limpezas da caixa de água, que devem ser realizadas (por força de lei) a cada seis meses.

Outro cuidado importante é com relação aos alimentos fornecidos pelas cantinas e refeitórios. Muitos locais permanecem fechados durante o período de férias e, portanto, deve haver uma atenção especial à validade dos produtos, principalmente nos primeiros dias de aula.

Como em qualquer escola, no início do ano sempre há alunos novos, que não conhecem o espaço que vão compartilhar com os “veteranos” por um bom tempo. É nesse momento que é importante, dependendo da faixa etária, mostrar-lhes o espaço físico e as suas regras. Também é oportuna a realização de capacitações, principalmente para os alunos e funcionários novos, sobre o plano de abandono da edificação, popularmente conhecido, como plano de evacuação, lembrando que os simulados devem ser realizados a cada seis meses, no mínimo, por força de legislação estadual.

Mas, como nós, pais, podemos verificar se essas medidas estão sendo ou foram tomadas? Primeiramente conhecendo bem a escola, observando a rotina da instituição, olhando as condições quando for apanhar a criança e, sempre que possível, conversando com os responsáveis pela instituição, questionando os itens de segurança. A escola certamente contribuirá para isso, pois assim os pais ficarão mais tranquilos e confiantes na escolha que fizeram.

Nos primeiros dias, é muito normal a ansiedade tanto das crianças como dos pais pelo retorno, sendo que esse fator não pode servir de desculpas para uma outra situação que, infelizmente, ainda vemos no nosso trânsito, apesar da enorme quantidade de informação disponível nos canais de comunicação: a não utilização da cadeirinha para criança no carro.  Como mencionado, estão disponíveis fartas informações, de fonte segura, sobre as faixas etárias, tipos, montagens etc., desse equipamento de segurança que, comprovadamente, já salvou milhares de crianças. Pais, observem as regras existentes, policiando-se e educando seus filhos a respeito da importância da utilização das cadeirinhas. Desculpas como: “… o trecho é curto…”, “… é logo ali….”, “… ela não gosta de utilizar…” não colam mais. Devemos evitar o contrassenso de exigir que a escola ofereça uma educação (incluindo a segurança) de qualidade aos nossos filhos, se nós não incorporamos práticas seguras na família.

Como profissional de segurança sempre converso com meus alunos, colegas de trabalho, profissionais a quem visito em empresas, e demais interessados, alertando que a prevenção de acidentes não deve estar apenas nas atividades fora de nossas residências, mas também em casa, desde que nos levantamos e principalmente quando agimos junto aos nossos filhos. Portanto, um bom início de ano para todos, com muita segurança.

*Luiz Mauricio Wendel Prado, Técnico de Segurança do Trabalho. Autor de trabalhos apresentados sobre o tema no Brasil e no exterior. Mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente. Professor de Segurança do Trabalho da UNINTER – Instituição associada ao Sinepe/PR. O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por cilvias, 14/02/17 2:39:45 PM

Arquivo

Muitas crianças estão viciadas em celulares e tablets. A farta e encantadora oferta de jogos e vídeos online cai como uma luva na rotina de algumas famílias. É que, além de gerar entretenimento, esses atrativos mantém os filhos quietos por longos períodos, sem bagunçar a casa, ou protegidos dos perigos de se machucar brincando. Junta-se aí a fome com a vontade de comer. A internet, os vídeos e os games são uma espécie de “sossega leão”. Assim, os produtos da indústria do entretenimento virtual infantil não servem apenas às crianças. Servem também aos pais que, de acordo com suas conveniências, deixam as novidades tecnológicas ocuparem um espaço fundamental na formação de seus filhos.

O preço dessa solução é em geral desmedido. Os prejuízos são herdados pelas crianças. Problemas posturais como cifose, escoliose e outras perturbações de ordem física são uma das faces negativas dessa relação. Pouca gente está atenta a isso, afinal é muito difícil identificar o avanço dessas doenças a curto prazo. Pesquisas no campo da ortopedia nos alertam que estamos diante de uma pandemia mundial de doenças cervicais na infância causadas pelo excesso de uso de smartphones. Essa dura realidade faz parte do pacote oculto oferecido por esse novo modelo de entretenimento, que é capaz de concentrar em uma única tela uma gama infinita de possibilidades de diversão. Um mundo encantador, de desafios, lutas, disputas e conquistas, está ao alcance dos dedos das crianças. Não é preciso mais levantar do sofá, dar voltas na casa, subir no muro, construir castelos e quartéis generais para conquistar ou salvar o mundo.

Mas há algo ainda mais complicado aí. Ficar no computador, tablet ou celular por horas a fio pode significar uma redução drástica das possibilidades de interação social. Ainda que existam propostas de jogos em rede, ou plataformas que permitem interação virtual, como os sites em que as crianças criam seus perfis, formam clãs e se comunicam frequentemente, ainda assim o convívio social e a experiência cultural estarão sempre restritos às condições e limites de cada dispositivo ou aplicativo. Não haveria mal nenhum nisso não fosse a quantidade de horas que essas atividades ocupam. Os jogos eletrônicos e vídeos são produtos culturais fabulosos e é inegável que há neles contribuições importantes para o desenvolvimento das crianças. Mas há que se ter equilíbrio. Há que se mover. É preciso cair e se levantar. É fundamental machucar-se e aprender a lidar com a dor.

A pergunta que podemos fazer em nossa relação com filhos, ou com alunos, é a seguinte: que oportunidades a criança está tendo de criar sua própria atividade, de frustrar-se com seus erros e tentar novamente, de empreender fantasias brincando, de explorar materiais diversos e de estabelecer novos vínculos sociais e amizades?

O brincar à moda antiga é um contraponto interessante que pode ajudar a equilibrar essa equação. Brincadeiras tradicionais carregam referências culturais importantes e também são fonte de conhecimento para as crianças. Refiro-me às variações de pega-pega, esconde-esconde, jogo com bola, corda e elástico, quebra-cabeça, jogo de mãos, bater cartinhas, subir em árvore, brincar de casinha e carrinho, envolver-se na representação de papéis etc. Esse brincar à moda antiga pode ser orientado por adultos em alguns momentos, mas é fundamental que a criança encontre tempo e espaço para descobrir o que fazer durante a brincadeira. É preciso sentir tédio para que algo novo venha à mente e a criatividade aflore. Fornecer entretenimento o tempo todo à criança é decretar morte à criatividade. Além disso, ao empreender por conta própria a sua atividade, a criança acessa referenciais importantes da vida em sociedade.

Por exemplo, ao brincar de ser mãe ou pai com seus colegas, cuidando de bonecos e bonecas, arrumando a casa, a criança apreende e exercita regras dos comportamentos maternal e paternal. É que essas regras sociais, com as quais ela própria interage em seu cotidiano, migram para a brincadeira e são de algum modo redistribuídas pela criança de acordo com suas necessidades. Questões da ordem do dia, da memória afetiva, aparecem na “cena” que a criança inventa, são selecionadas e misturadas de acordo com os seus interesses, compondo uma nova realidade. Na hora de montar a brincadeira, a criança precisa pensar nas escolhas que fará. Pensando em ser pai ou mãe, ela se depara com os significados e atribuições destes papéis e opera interpretações sobre eles. A “cena” criada pela criança é fruto de sua imaginação. Mas o que ela vive na brincadeira é real, pois seus sentimentos e suas ideias estão sujeitos à coerção e ao constrangimento alheio que surge da experiência com os outros.

Pais e educadores podem estimular a prática de brincadeiras tradicionais, brincando junto com as crianças e definindo limites de tempo para a criança estar diante de uma tela. Há que se ter alguns dias sem tela. Em minha casa instituímos, como costume, uma semana sem tela por mês. Funciona muito bem. É uma semana inteira na qual, nem as crianças, nem o casal, liga telas. Isso tem gerado descobertas incríveis. Quando a semana sem tela sem aproxima, já vem aquela expectativa de que faremos coisas diferentes. A gente volta a conversar com mais intensidade. Cantamos. Saímos para pequenos passeios pelo bairro no início da noite. Jantamos ouvindo música. Jogamos xadrez e lemos. Uma semana sem tela por mês em casa é suficiente para nos lembrar o quão maravilhoso é estar sem a internet ao nosso dispor o tempo todo.

Tenho acompanhado, nos cursos que realizo pela Parabolé Educação e Cultura, que há um desejo crescente, entre pais e educadores, de conter o avanço desta dependência lúdica que está se formando diante das telas. Muitas escolas e Secretarias Municipais de Educação nos procuram solicitando assessoramento nessa área, pois identificam que o vício nas telas está comprometendo os processos de aprendizagem convencionais e afetando as dinâmicas de convívio de crianças entre si.  Há pais que nos escrevem para falar sobre isso. Eles reconhecem a dificuldade de estabelecer limites para o uso dos tablets e celulares. Alguns de nossos livros e DVD’s são por eles utilizados como fonte de pesquisas de brincadeiras tradicionais, porque o brincar à moda antiga está atrelado à sua memória afetiva e ganha um significado especial se revivido pela nova geração.

Não se trata, portanto, de demonizar as novidades tecnológicas. Pelo contrário, o que está em jogo é compreendê-las em todas as suas dimensões para que, dentro de limites razoáveis, possam ser cada vez melhor aproveitadas. Acredito que as novas formas de entretenimento podem conviver com as velhas. O fato de termos brincado de esconde-esconde ou de pega-pega durante milênios sem cessar, faz crer que algo de substancial há nestas antigas práticas. Pular, cair, levantar, balançar, montar, quebrar, correr, fugir e pegar foram, ainda são e sempre serão práticas com as quais teremos que conviver para o bem de nossas articulações ósseas e sociais!

 *Artigo escrito por Nélio Spréa. Doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná. Graduado em música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná. Palestrante, escritor e diretor da Parabolé Educação e Cultura.

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Enviado por cilvias, 09/02/17 3:21:55 PM

Há muito mais na vida a se aprender, a ensinar e a se deixar como legado do que notas perfeitas nos boletins.

No final do ano passado fui a duas formaturas de ensino fundamental. E hoje elas acontecem em algumas escolas particulares com toda pompa, antes comum apenas em colação de grau universitário. Enfim, novos tempos em que assistimos adolescentes de 13, 14 anos vestidos de gala para receber seu certificado de conclusão do nono ano. Mas a intenção deste artigo não é me aprofundar nesse assunto, afinal se estamos em uma era em que muitos aniversários de criança custam o mesmo que um casamento de 20 anos atrás, talvez seja essa a maneira encontrada por escolas para encantar os pais e garantir matrículas para o ensino médio.

Bem, o que quero mesmo é trazer à luz uma reflexão sobre as premiações que essas mesmas escolas atualmente concedem a seus alunos ao final de cada ciclo ou ao longo da vida do fundamental. Nas duas formaturas que tive a oportunidade de testemunhar, as diretorias das escolas premiaram alunos que conquistaram notas muito altas e também destacaram algumas equipes esportivas, como um time de basquete ou uma equipe de ginástica, que venceram algum torneio local ou estadual, as quais foram nomeadas durante o evento com certificado e felicitações. Justo. Mas premiados mesmo foram apenas seis alunos (três de cada escola) que, imagino, provavelmente obtiveram notas entre 9,75 e 10,0, pois foram os únicos em um total de aproximadamente 300 “formandos” que receberam prêmios e bolsas de estudo para o ensino médio no próximo ano. Bolsa integral foi concedida a um único aluno, que obteve as medias mais altas em todos os anos. Fiquei imaginando qual teria sido a media dele. 10,2?

É claro que essa prática não é exclusividade dessas duas escolas. O que relatei nada mais é do que uma prática muito antiga da chamada instituição escola, que permanece nos dias atuais e que, habitualmente, premia apenas alunos que atingem pontuação próxima da perfeição. É a supervalorização da nota pelo sistema de ensino e pela sociedade, por meio de PROVAS e EXAMES que, ao final do processo, pouco influenciarão o desenvolvimento humano, emocional e comportamental de crianças e jovens. Que fique claro que não sou contra premiar crianças e jovens por suas notas altas, seu esforço e sua capacidade para “tirar de letra” provas e exames curriculares. Aliás, acredito na meritocracia e sem dúvida alguma ela deve ser estimulada na escola e no trabalho. Mas a tal nota à qual nos acostumamos na escola, pode revelar que esses felizardos têm facilidade, talento ou capacidade acima da média em algumas áreas de conhecimento, mas também pode significar que são apenas excelentes em passar nos exames. Nada mais.

Sou a favor das premiações, mas sou contra premiações a apenas um caminho, uma habilidade, uma criança. Sou a favor das premiações por mérito, por esforço, por tentativa, por experiência, por ousadia, que valorizem a diversidade dos seres humanos que ali estão. Que valorizarem as muitas inteligências e capacidades. Da matemática nota 10 à capacidade de comunicação nota 10. Da ciência ao teatro. Da língua às artes.

Acho injusto e pequeno um sistema de ensino, que abriga tamanha diversidade humana, premiar apenas um aluno talentoso por passar em exames, enquanto tantos outros talentos são preteridos e não podem sequer almejar prêmios, pois suas inteligências e habilidades não estão entre aquelas que são dignas de premiações e bolsas de estudo. Um desperdício imperdoável de talentos, no qual a escola perde a oportunidade de identificar e valorizar cada jovem que ali está, para que encontrem seus canais de expressão, talentos, forças e oportunidades. E de permitir que todos eles possam sonhar com premiações, bolsas de estudo e reconhecimento, de acordo com suas próprias capacidades. Podemos premiar crianças e jovens por seus esforços e conquistas. Mas valorizemos primeiramente o ser humano, e não a nota.

Os alunos que criam algo novo não deveriam receber um prêmio? E os alunos que empreendem em projetos inusitados? Os que  gostam de política e se engajam em trabalhos comunitários fora da escola, não deveriam concorrer a bolsas de estudo? Aqueles que têm na generosidade e espírito de colaboração suas maiores virtudes, não deveriam ser valorizados? E os inventores? Os que organizam clubes de ciência. Os que se destacam em tecnologia. E aqueles que se esforçam e se apresentam com brilhantismo no palco, e no teatro? Nada? O aluno curioso, que se envolve em causas sociais e ambientais. E o estudante artista que se destaca nas feiras de arte? O músico que se expõe ao se apresentar nos festivais estudantis. E o aluno questionador, que inova? Valorizar de forma exagerada a nota como o elemento único para garantir sucesso profissional e pessoal de crianças e jovens é arriscado, perigoso e também irresponsável por parte da escola. Pois podem criar ilusão de que para enfrentar o mundo lá fora basta continuar a tirar suas notas 10, e pouco estimulam a maioria das crianças e jovens que também possui talentos, competências e capacidades, porém diferentes daquelas valorizadas nas formaturas.

Dias atrás troquei mensagens com uma amiga que atualmente está vivendo na Austrália, com marido e filhos pequenos. Em um dos meus posts sobre educação ela fez comentários e trocamos ideias a respeito desse tema. O seu relato me encheu de esperança, de que há realmente uma revolução acontecendo na educação mundial. Ela comenta que na escola de seus filhos, as crianças são valorizadas essencialmente pelo esforço, o tempo todo. Porém, o esforço amplo que pode vir de qualquer um, qualquer lugar, qualquer área de conhecimento ou até mesmo de projetos pessoais. A Sabrina, sua filha, no primeiro mês de aula ganhou um certificado de “Coragem” na natação, por ter superado o medo e se destacado. No final de todo semestre escolar, os estudantes são parabenizados em uma cerimônia muito simples, sem a pompa exagerada e desnecessária das escolas brasileiras, com entrega de outro certificado o “Student of Good Standing” por terem cumprido seus deveres, chegado no horário, colaborado com os colegas, com professores e participado da aula com entusiasmo em aprender. Crianças valorizadas pelo esforço, pela coragem e pela tentativa já é uma grande evolução em relação ao que costumamos ver na velha escola. Se estamos em uma era que exige mais colaboração do que competição, mais versatilidade do que especialização, e mais inovação do que convicção, é preciso que a valorização seja diversa e democrática. Afinal, há muito mais na vida a se aprender, a se ensinar e a se deixar como legado, do que notas perfeitas em boletins.

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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