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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 30/06/16 11:57:31 AM
(Imagem: Divulgação)

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Mais do que ensinar matérias e preparar alunos para o vestibular, escolas tem buscado oferecer formação completa. Isso inclui incutir padrões morais, incentivar a criatividade, acolher e tratar as diferenças e oferecer um ambiente propício para formar um cidadão de bem. Mas formar cidadãos conscientes, completos, responsáveis e autônomos não é uma tarefa simples.

O primeiro olhar deve ser sempre para a criança, sua individualidade e suas características próprias. Respeitá-las e entendê-las como seres humanos únicos é essencial para o professor exercer seu papel no aprendizado de cada aluno. Mais do que oferecer um método, propomos uma maneira de olhar a criança de outra forma. Acreditamos que a criança é um ser humano complexo, com diversos aspectos integrados que necessitam de incentivo para se desenvolverem. Dentro desse contexto, a criança fica livre para explorar e motivada a fazer sozinha as suas descobertas. Oferecemos a liberdade para tentar, errar e aprender. O professor precisa deixar o aluno livre para realizar atividades no seu próprio tempo.  Isso é próprio da metodologia montessoriana, na qual a criança sabe que precisa cumprir determinadas tarefas distribuídas ao longo do ano. Aqui não é necessário sino, nem chamada porque todos sabem quais são suas responsabilidades, quais tarefas devem dar conta. E isso não pode ser confundido com libertinagem, pois há uma diretriz clara para o respeito e a ordem dentro da escola. Neste contexto o professor está ali para auxiliar no que for necessário, não para interferir no processo. Ele atua como um sinaleiro, ou seja, o verde, vermelho e amarelo para dizer se o aluno está cumprindo bem as tarefas e se vai dar conta. Ele é o orientador, alguém que fala pouco, mas caminha e orienta mais.

Ainda dentro da metodologia Montessori o professor precisa ter comprometimento e se portar da mesma maneira que se espera dos alunos: com responsabilidade. Para que eles sejam capacitados realizamos reuniões de formação semanais onde falamos sobre a filosofia de educação adotada pela instituição e sobre as formas de trabalhar com as crianças para incentivar a sua liberdade ao aprender. Nessas reuniões, nós explicamos a filosofia do método e o porquê o utilizamos. Dizemos para os professores que nossos alunos têm que agir para compreender. Não basta apenas transmitir o conteúdo. Os alunos devem ser incentivados a ter autonomia e a construir o seu próprio conhecimento. Vivemos numa sociedade imediatista, que exige avanços rápidos. Aqui no Sion vamos na contramão, e isso exige uma mudança de cultura. Mas vale a pena seguir este caminho, pois temos visto gerações sendo formadas de uma maneira diferente.

*Artigo escrito por Irmã Maria Cristina, diretora do Colégio Sion em Curitiba. O Sion colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 23/06/16 2:46:05 PM
(Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo.)

(Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo.)

Trabalho no setor da economia criativa e desenvolvo projetos culturais voltados para o universo educacional. Faço parte de um grupo multisetorial de empresários, um ambiente excelente para troca de informações. Apesar de reunir profissionais de diversos segmentos, a maioria dos assuntos tratados é de interesse comum a todos os participantes. Surgem discussões sobre oportunidades de mercado, gestão, indicação de fornecedores e funcionários, leis, impostos. Naturalmente, com a atual situação, a política é tema frequente. Recentemente surgiu um debate sobre o governo interino e as reformulações de ministérios, quando então fui questionado sobre o vai e vem do Ministério da Cultura (MinC).

Minha primeira colocação foi a de que seria um retrocesso em diversos aspectos torná-lo secretaria e que poderia aprofundar o assunto com mais tempo. Por se tratar de um grupo muito qualificado, diversas opiniões embasadas surgiram e com muitas delas eu estava concordando. Questões como redução de gastos, geração de empregos, aquecimento do mercado compunham a discussão, até que entramos especificamente na questão da importância do MinC. Foi quando surgiu o texto de uma autora declarando que, enquanto o povo estava mal e desempregado com a crise, a classe artística fazia escândalo para ter status de Ministério. Ela também apresentava números comparativos e a ideia de que a produção cultural prejudicava a economia nacional, evidenciando desconhecimento sobre o setor. Neste momento, tive que tomar a palavra novamente, afinal, eu era o único do grupo que atua com educação e cultura.

Comentei que a visão negativa sobre o MinC que correu as redes sociais nos últimos meses deturpa a sua real função. Se há problemas na execução de algumas atividades, será que isso é culpa do MinC como um todo? Será problema da gestão atual ou será também um reflexo das gestões anteriores, que implementaram parte significativa dos procedimentos e das políticas que até hoje são usuais? É o mesmo que culpar os carros pelas mortes no trânsito, como se não tivesse alguém por trás do volante.

Cultura não é só produção de show e não é só Lei Rouanet, que virou o foco de diversas críticas. Cultura não é só incentivo beneficiando artistas globais, cantores consolidados ou artistas ligados ao partido A, B e C. Cultura são as Artes em geral, o folclore, os museus, o patrimônio histórico, arqueológico, artístico e cultural do país. Cultura é audiovisual, teatro, circo, música, dança, literatura. Cultura é a representação dos grupos étnicos e minorias do país. Cultura é indústria criativa, arquitetura, design, moda, comunicação, games, aplicativos. Cultura são pesquisadores, animadores, autores, ilustradores, cinegrafistas. Cultura é acesso ao conhecimento, é preservação do passado e criação do futuro.

As críticas irresponsáveis feitas à Lei Rouanet não levam em consideração os mecanismos por ela criados. Falhas existem, afinal é uma Lei de 1991 que precisa ser modernizada. Aliás, este mecanismo é contestado em vários pontos pelos próprios agentes culturais que se beneficiam do recurso. Vale ressaltar que está no Senado para aprovação o Procultura que, entre as várias mudanças propostas, atualiza as diretrizes, limita e democratiza o acesso aos recursos. Então, para quem quer o fim da Lei Rouanet e faz abaixo assinado, mal informado está, já que o próprio MinC está providenciando isso.

Na Parabolé, empresa que dirijo, temos um projeto viabilizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, que se chama Tempo de Temperar Arte (TETEAR) e atende 400 crianças em Campo Largo-PR com oficinas semanais gratuitas no contraturno das escolas. Para a maioria dessas crianças, o projeto é a única oportunidade de vivência continuada das linguagens artísticas. O TETEAR começou há cinco anos e já beneficiou mais de 2.000 crianças em situação de vulnerabilidade social. Esse é o nosso projeto, mas como ele, existem milhares de iniciativas culturais sérias e de relevância que dependem dos incentivos para se tornarem viáveis e que estão bem longe da mídia ou do olhar do público questionador.

Os temas debatidos durante a reunião do grupo de empresários tinha de fato muita relevância. As reduções de gastos são necessárias em tempos de crise, mas reduzir a representatividade do MinC não resolve o problema. Pelo contrário, pode piorá-lo. A economia criativa movimenta uma grande cadeia de recursos, empresas e pessoas que vivem disto, aquecendo o mercado. Qual a razão de se olhar para o setor industrial para se referir a desemprego e desenvolvimento, e se olhar para o setor cultural apenas para falar de recurso público direcionado? Direcionamento ou redução de imposto de qualquer natureza é recurso público favorecendo um setor. Se for redução de IPI na produção de carros ou eletros tudo bem, mas se for direcionamento de parte do IR para um trabalho cultural, aí não pode? O incentivo beneficia muito mais do que o artista individualmente. O mercado cultural é amplo e diversificado, além de retornar muito recurso para a economia.

Segundo dados do Sistema FIRJAN, a indústria criativa brasileira gerou em 2013 um Produto Interno Bruto de R$ 126 bilhões, o equivalente a 2,6% do total produzido no país. De 2004 a 2013 o segmento registrou um salto de 148 mil empresas para mais de 250 mil. O mercado formal de trabalho apresentou um crescimento de 90%, muito acima do avanço de 56% do mercado de trabalho brasileiro no mesmo período, uma crescente em números absolutos e relativos. Estes dados ainda não levam em consideração o desenvolvimento de games, que está também no guarda-chuva da cultura, um mercado bilionário que nos EUA o orçamento já superou o do cinema e do qual o Brasil é o quarto maior mercado do mundo.

A defesa de um ponto de vista é uma atitude que pode ser sempre saudável. Mas o discurso de ódio e as visões estritamente parciais empobrecem as reflexões e obscurecem a visão sobre a realidade. Sou completamente a favor de reformas, transformações e melhorias constantes. Sou a favor da troca de informações, do diálogo e do pensar diferente. Eu não tenho a cultura como uma pedra fundamental por trabalhar nesta área, eu trabalho nesta área por considerar a cultura uma pedra fundamental.

Um texto esclarecedor sobre a Lei Rouanet: http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2016/05/19/nem-satanica-nem-comunista-8-fatos-sobre-a-lei-rouanet.htm

Para saber mais sobre o Procultura: http://www.cultura.gov.br/procultura

Para saber mais sobre o TETEAR: http://parabole.com.br/Projetos-em-execucao/tetear2.html

*Artigo escrito por Rafael Galvão, publicitário, especialista em Gestão de Negócios e sócio-diretor da Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/06/16 2:45:26 PM
(Foto: Antônio More)

(Foto: Antônio More)

Estamos vivendo uma das maiores ondas de transformação na forma de ver e interpretar o mundo. As tecnologias digitais estão alterando significativamente o horizonte das relações sociais e, consequentemente, modificando o que sabemos dos processos de ensino e aprendizagem e metodologias de ensino. Obviamente, esse fenômeno não é novidade alguma em nossa história; já vivemos vários momentos como esse, como nas Grandes Navegações e nas Guerras Mundiais, por exemplo.

O que se percebe na atualidade é que, graças ao avanço das tecnologias digitais, em destaque a internet, esta transformação está mais ampla e rápida. Temos vários autores discutindo o tema com grande profundidade e dentro dos diversos campos sociais, portanto, o que nos cabe nesse texto é fomentar o pensamento, de forma conjunta, sobre esse fenômeno na educação.

Pensando na educação, a simples adoção das tecnologias digitais não garante melhor desempenho dos personagens envolvidos no processo de ensino e aprendizagem (aluno e professor). Pois seu uso sem reflexão corre o sério risco de configurar somente uma mudança de ferramenta e não de metodologia –  muda-se o meio, mas não a essência.

O conceito de mudança é outro ponto a ser refletido. Muitas vezes, o termo mudança é compreendido como rompimento com o que está posto. Contudo, neste caso, usar o termo no sentido de adaptação parece ser mais condizente com o contexto da sala de aula e o processo de aprendizagem.

Longe de ser um conceito fechado, o uso das tecnologias digitais já provou ter um grande potencial. Entretanto, para deixar de ser potencial para se tornar algo concreto é fundamental ir além da utilização dessas ferramentas para a simples exposição do conteúdo.

É importante preparar o professor para o uso das tecnologias digitais além do ferramental. Quando se fala em preparação, não se fala somente da instrução do uso, mas da vivência e pesquisa das tecnologias digitais, no desenvolvimento de metodologias adequadas a cada momento, dentro e fora da sala de aula.

Antes de sairmos por aí usando as tecnologias digitais, precisamos fazer alguns exercícios de reflexão, respondendo para nós mesmos algumas questões simples, tais como: “o momento é adequado ou é melhor reservar o uso para outra oportunidade?”, “Qual aparato usar e por quanto tempo?”, “O que será usado tem impacto positivo ou é somente outro meio para o mesmo fim?”, “Qual a relevância de se usar a tecnologia digital nesse momento?”.

Enfim, essas são apenas algumas questões inicias a serem levadas à análise antes e depois do uso das tecnologias digitais. Atribuir às tecnologias digitais a responsabilidade de trazer avanços no desempenho dos alunos e dos professores é muito arriscado e simplista. É fato certo que elas têm grande potencial, mas refletir sobre seu uso adequado e oportuno é fundamental.

Sendo assim, o principal questionamento quanto ao seu uso é bem simples: “Está na hora de usar?”. Está na hora de usar, mas usar conscientemente.

* Artigo escrito por Guilherme Lemermeier Rodrigues, licenciado em matemática, especialista em ensino de matemática, mestre em educação e professor do ciclo básico de engenharia da Universidade Positivo, instituição associada Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/06/16 11:15:33 AM
(Foto: Acervo SESI)

(Foto: Acervo SESI)

É interessante pensar na relatividade do tempo em cada época de nossas vidas. Para os adultos, os filhos crescem super rápido. Às vezes, quando menos se espera, eles já estão na fase de escolher uma profissão. Esse momento é importante não apenas para a família, mas também para as empresas. Elas estarem por perto quando os jovens talentos estão aflorando pode ser determinante para construir um quadro com capital intelectual relevante num futuro próximo. Por isso, é fundamental costurar bem a relação entre profissionais e empresas quando os jovens ainda estão em idade escolar. Um grande profissional existe antes mesmo dele acontecer na prática.

Quando uma empresa percebe o talento em um ambiente qualquer, dentro de um nicho específico, ela precisa se mostrar presente, como forma de querer ser parte na vida daquele profissional no futuro. No Vale do Silício, onde estão as maiores empresas de tecnologia do mundo, adota-se o conceito de mentoring – os jovens talentos que lá chegam sempre têm mentores para aconselhá-los e guiá-los na carreira. O compartilhamento de informação também é bem forte por lá. Ninguém retém a informação porque sabe-se que a diferença está em colocá-la em prática. Podemos pensar em exemplos mais próximos de nossa realidade. Uma empresa que fabrica materiais de construção certamente vai querer que os futuros engenheiros a vejam com confiança e qualidade para comprar seus produtos. Mais do que isso, que esses profissionais se identifiquem com seu processo de produção a ponto de quererem pertencer à realidade da marca.  Não estamos falando apenas de uma forma de angariar futuros consumidores, mas sim da descoberta e da retenção de talentos que possam ser mantidos nessas empresas.

Vamos falar de um exemplo prático que permeia o universo estudantil. Já comentamos aqui nesta coluna que os estudantes de hoje não são os mesmos de anos atrás porque possuem uma velocidade tecnológica e de informação que lhes permite estudar de diversas maneiras. A Microsoft, gigante do ramo de tecnologia, quer se mostrar presente na vida desses estudantes, por isso elege algumas escolas como Showcase School, isto é, instituições que possuem excelência no uso de tecnologia. Essa tecnologia deve estar atrelada à aprendizagem em uma grade curricular inovadora, em tempo integral, com disciplinas regulares e optativas, na qual o aluno tenha formação em diversas áreas. Apenas 400 escolas têm essa chancela em todo o mundo; no Brasil, são exclusivamente quatro.

A Microsoft vai além do reconhecimento e convida os estudantes dessas instituições a participarem da realidade da empresa, como uma forma de integrá-los e motivá-los a serem parceiros e colaboradores da marca. As escolas premiadas recebem benefícios como parte do programa da Microsoft, entre eles, a colaboração com um grupo internacional de líderes educacionais, elegibilidade para ter pelo menos dois estudantes de ensino médio como embaixadores, educadores especialistas para ajudar a promover a inovação e apoiar o uso da tecnologia em sala de aula, além de acesso a conteúdo para desenvolvimento profissional de educadores e credencial complementar de membro do Microsoft IT Academy. Fica claro que a empresa permeia a vida escolar de uma forma que os alunos não esquecerão tão cedo – até porque, pode ser lá que alguns desses jovens venham a trabalhar no futuro.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/06/16 10:43:55 AM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Um levantamento feito pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), no ano passado, mostrou que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso no Brasil. Considerando a faixa etária entre 5 e 9 anos, esse índice sobe para 33,5%. O excesso de peso traz consigo uma série de repercussões à saúde de qualquer pessoa, mais ainda daqueles que estão em formação.

O aumento do tempo despendido com jogos eletrônicos através de games, celulares e tablets, que comprovadamente por vários autores reconhecidos da neurociência mostra-se cada vez mais prejudicial ao desenvolvimento emocional e intelectual de nossas crianças, certamente é uma das causas que contribuem para estas estatísticas.

O que temos visto é um desinteresse cada vez maior das crianças por brincadeiras que movimentem o corpo, promovam a interação, e lhes apresentem desafios corporais.  Mas como despertar nos pequenos o gosto pela atividade física?

A chave pode estar no estímulo às brincadeiras. Se bem planejadas, e respeitando a faixa etária das crianças, as atividades físicas podem ser apresentadas às crianças de forma lúdica. Para isso, o professor de Educação Física pode lançar mãos de brincadeiras antigas, como o famoso “Pega-Pega”, “Mãe Cola Americana”, “Polícia e Ladrão”, “Morto Vivo”, entre outras.

O brincar é o berço do processo do desenvolvimento humano. É por meio da brincadeira que a criança cria, simboliza, sinaliza, explora e amplia sua consciência psicomotora, preparando-se para os desafios do dia-a-dia.

Conforme a criança vai crescendo, vão se somando mais regras às brincadeiras, aumentando os desafios propostos. Exercitar o corpo e impor-se desafios ensina à criança sobre sua capacidade de superar limites. Também lhe apresenta o bem-estar proporcionado ao movimentar o corpo, com a liberação de endorfinas, enzimas que proporcionam bem-estar e diminuem a ansiedade e o estresse.

Outro ensinamento importante que o brincar traz é o contato com situações de conflito, que geram uma diversidade de sentimentos e sensações, oferecendo às crianças a oportunidade de aprendizagem e controle emocional. Futuramente, esses aprendizados servirão de repertório para enfrentar situações semelhantes de forma mais equilibrada, sensata e responsável.

Na prática esportiva, seja ela realizada ainda como brincadeira ou já mais elaborada, como num jogo de Handebol ou Voleibol, por exemplo, também se aprendem valores importantes para a vida. A cooperação, a solidariedade, a ética, o cumprimento das regras e o respeito ao outro completam o aprendizado proporcionado pela prática esportiva.

Cabe às famílias estimular seus filhos sem cobranças por um resultado. Afinal, não estamos falando em atletas de alta performance. O que está em jogo e deve sobressair-se é a construção de um hábito de vida saudável, que garanta às nossas crianças o desenvolvimento pleno de suas potencialidades, com saúde física e emocional.

*Artigo escrito por Helio Ricardo Werniski Wolff, professor especialista de Educação Física do Colégio Marista Santa Maria. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/06/16 10:26:06 AM
(Foto: Divulgação)

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A indignação sobre o ultra noticiado caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro motivou reações claramente ilegais nas redes sociais. Há usuários que compartilham prints do vídeo e outros que vão além ao realizar buscas e fazer a divulgação de perfis e dados pessoais dos acusados pela autoria dos crimes. Tal fato nos reporta novamente aos primórdios da humanidade, onde se buscava a justiça vingativa, hoje punida pelo artigo 345 do Código Penal (Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite, detenção de quinze dias, multa mais pena correspondente aos efeitos da violência).

O estupro, a intriga e a miséria comportamental dos seres humanos, afirmam todos, é tema a ser tratado pelo Estado Democrático de Direito. Temos o direito (e dever) de expor as nossas indignações, reflexões e opiniões, mas não é licito ao cidadão comum usurpar o papel da polícia e do Ministério Público na apuração dos dados da fatalidade que se deu com uma jovem (vítima de histórico de violências), sob pena de prejudicar as investigações e atribuir culpa à inocentes. Nada, absolutamente nada justifica a violência sexual, mas a sociedade pode e deve canalizar a ira para movimentos de pacificação de conduta e alteração de comportamento dentro da sua casa, do seu trabalho da sua vizinhança.

Quando o Código Civil determina a responsabilidade dos pais em razão dos atos cometidos por seus filhos, a previsão legal tem um respaldo sociológico. Um belíssimo artigo publicado na Gazeta do Povo, redigido por João Natal Bertotti (leia aqui) demonstra os reflexos positivos de uma família presente, atenta ao cotidiano juvenil. Por óbvio, não existem fórmulas precisas de boa formação do indivíduo, mas a educação e o exemplo positivo, dentro de casa, são entes catalizadores. A delinquência e o crime podem ser reduzidos se as famílias compreenderem o nexo de causalidade entre as condutas domesticas e cotidianas com o comportamento dos jovens. Não é fácil admitir a própria responsabilidade, nem os próprios erros.

A situação remete ao fato de que precisamos nos importar verdadeiramente em formar cidadãos. A percepção de crescimento da intolerância no ambiente escolar, na falta de zelo para com a educação dentro de casa, a despreocupação em se estabelecer limites nos comportamentos das crianças por uma parcela relevante de pais, têm tornado um martírio a vida de educadores.

Os elogios que poderiam ser feitos às iniciativas de mobilização de estudantes por melhorias no ensino são nublados pelo padrão de hostilidade nas negociações, ao se impedir o direito de frequentar aulas daqueles que discordam dos métodos de ocupação e, portanto, no desrespeito à lei quando se apodera de prédios públicos, ofende-se e até agride pessoas, independente de motivos.

A mesma Internet que é veículo para o cyberbullying, pode ser porta para conhecer a lei, boas maneiras, exemplos edificantes de que como podemos lidar com inúmeras questões do mundo moderno e do antigo. Basta se importar com isso.

Enquanto não nos importamos ao ponto de fazer as medidas de proteção à infância e juventude serem, de fato, aplicadas, continuaremos a tomar conhecimento de crianças sendo vítimas de crimes nas ruas e em suas casas, mesmo quando elas mesmas são os autores dos delitos.

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita é advogada socia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/05/16 3:54:13 PM
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Dias atrás um colega professor que muito admiro desabafou comigo. Talento intelectual desses de tirar a boina, gênio criativo incansável na arte de lecionar, esse brasileiro de boa cepa, que nasceu debaixo do assoalho, mas foi desmamado com garapa, contou-me que não aguenta mais. Cansou de falar de política. Quer antes reatar os laços afetivos rompidos em meio às discussões intermináveis que travou com os seus nas redes sociais digitais, dessas que na mesma rajada nos unem pelos dedos e nos separam pelas palavras.

Pois ele digitava engatilhado. E por sua proficiência em humanas, e pela sua perspicácia na escrita, poderia ter ido bem mais longe, não fosse o fato de que no campo de batalha, diante dele, estavam os seus, os que com ele trabalham, os vizinhos, os familiares.

Meu colega professor escrevia como se tivesse de megafone em punho, enumerando em alta voz as evidências do engodo em que os seus se meteram, lembrando-lhes do país em que vivem, apontando-lhes as possíveis origens de suas ilusões diante da farta e continuada propaganda enganosa, diante da onda conservadora e da duvidosa solução dada ao caso da crise que se principiou entre nós de uns tempos pra cá.

Desiludido com a ineficácia de suas exposições conceituais nas redes e com a quantidade de manifestações contrárias aos seus argumentos, foi conversar pessoalmente com um dos seus. Chegou a reunir coleções de dados que listavam as mais contundentes evidências do engodo jurídico e midiático que se instalou no país. Mas a ofensiva não surtiu nenhum efeito positivo. O parente levantou pra seis antes mesmo dele esboçar alguma tentativa de análise mais aprofundada. E o professor adoeceu.

No auge de seu tormento pensou em recorrer ao padre. Sim, o padre que a todos acolhe, o mesmo que batizou e casou muitos dos seus, que percorreu os bairros pobres da periferia, que no ano passado acolheu na casa paroquial dezenas de vítimas da chuva de pedras que nos destelhou dois terços da cidade. Com o padre ensinando junto, apontaria caso a caso as distrações que levaram os seus a se esquivarem de notar o vácuo entre o real e o imaginário, entre o ocorrido e o forjado. Assim aqueles familiares e amigos, que por razão ainda desconhecida não arredavam o pé da certeza, poderiam enfim compreender as razões das desigualdades socioeconômicas que assolam o país e que fazem as vantagens de poucos parecerem direitos, e os direitos de muitos sucumbirem ao dolo.

Mas essa ideia de recorrer ao santíssimo foi só mais um brado entre tantos outros delírios que culminaram com os pesadelos daquela noite, a véspera do dia em que nos encontramos. Sonhou que tinha se metido numa greve de fome, acorrentando-se junto a uma daquelas árvores da pracinha em frente ao colégio, num ato improvável de pura doação à causa, fazendo a opinião pública chocar-se com tamanha perseverança. Sonhou que os seus, sensivelmente tocados pelo sofrimento alheio, rendidos pelo gesto de resiliência extrema do docente, uns por dó, outros por incômodo, uns por identificação, outros por acreditarem que todo sacrifício vale quanto pesa, tomavam consciência da profundidade de seus argumentos e, arrependidos, pediam-lhe desculpas.

Despertou do pesadelo lavado em suor, trêmulo e com o olhar fixado em um velho quadro que mantinha na parede do quarto. Na pintura, uma lavoura e alguns roceiros. Sonolento, viu seus familiares no quadro em meio a lavoura, a trabalhar. Viu mesmo. É que, como todo delírio, o seu também trazia nas profundezas um lapso de realidade. Meu colega professor, e os seus, possuem raízes nas colônias camponesas aqui do Sul. São descendentes de casais de sem-terra europeus que por aqui aportaram em busca de chão. São bisnetos de gente que não tinha posses, tal e qual os milhões daqui, mas com a diferença de que lhes foi prometido e concedido terra, ainda que em condições adversas e em radical detrimento dos que por aqui já viviam e de terra careciam.

Para o professor, essa diferença entre acolher os de fora e rejeitar os de dentro era um dado fundamental para o entendimento da formação da sociedade brasileira. Eu, que o segui por um tempo em seus comentários, vi que enumerava com muito cuidado os mais emblemáticos casos de conflitos de terra que puseram a correr camponeses ao longo de mais de um século de grilagem sistemática de terras nos interiores do Brasil profundo. Ele mencionava empresas estrangeiras e políticos da mais refinada estirpe, que hoje dão nome a praças e ruas, e que estiveram envolvidos nos clássicos e vindouros esquemas de títulos falsos que acabaram com a morte de tantos e tantos trabalhadores em nome do tal irrefutável direito à propriedade privada.

Seu desabafo rendeu reflexões. Se aqui escrevo é porque ele me inspirou pra isso. O professor fizera da arte de educar um modus operandi, um estado de espírito pedagógico e humanístico continuado, um gesto missionário, sem o qual desabariam as suas razões do viver. Sua arte extrapolava a sala de aula. Transbordava a ponto de invadir espaços intrincados, densos, entrelaçados, como o dos afetos familiares, nos quais agora se via encurralado.

Feliz de mim se pudesse aqui transcrever as justas palavras com as quais concluiu o desabafo naquele dia, esmiuçando com uma poética de umedecer os olhos aquela máxima de que “às vezes é necessário dar um passo atrás para dar dois à frente”. Ah se eu pudesse aqui reproduzir a entonação exata com a qual me disse em mansa voz que a função do professor não é convencer, mas convidar a pensar, é criar estratégias de aproximação e promover encontros, é estar atento às condições de escuta dos que lhe ouvem.

Despediu-se de mim em tom mais aliviado. Sei que vai reatar laços com os seus sem deixar de ser o que sempre foi. Se bem o conheço, vai redesenhar a forma sem esvaziar o conteúdo, vai alterar o método sem maquiar o tema. Vai manter-se vívido de esperança. Guardarei comigo mais esta lição de meu amigo, esse mestre do educar, para quem a maior das artes sempre foi a do diálogo.

*Artigo escrito por Nélio Spréa, doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná, graduado em Música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná, palestrante e diretor da Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/05/16 4:53:34 PM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Faça um pequeno teste: imagine um adolescente de 2016, com todo acesso a tecnologias de ponta à disposição, uma comunicação cada vez mais veloz, inserido no ambiente escolar da década de 80.  Ele com certeza teria dificuldades para absorver o conteúdo das disciplinas no modelo expositivo com os quais as escolas trabalhavam. A geração Y hoje é quem frequenta as salas de aula; e esses jovens não querem ser apenas receptores de conteúdo, eles necessitam ser parte do processo criativo e de forma colaborativa. É dessa forma que eles enxergam o mundo em vários aspectos sociais, por isso com a educação não pode ser diferente.  O que eles esperam é que não existam mais barreiras que separem o processo de aprendizado.

Mas como tornar conteúdos por vezes maçantes, mas da maior importância, em prazerosas ferramentas de conhecimento? A solução está no envolvimento. Quando a educação se propõe a se inserir na realidade do aluno, o caminho fica mais fácil. Se o que esses jovens querem é envolvimento naquilo que aprendem, se eles esperam fazer parte da realidade de estudo, é nisso que se deve apostar. Um exemplo que tem excelente retorno é uma iniciativa do Sindicato da Indústria Moveleira do Paraná: há três anos eles realizam um concurso em que alunos do estado podem elaborar um projeto de um móvel inédito. Parece complexo à primeira vista, mas não é. Tampouco essa atividade limita os estudantes a apenas uma disciplina.

Os alunos que se desafiam a criar esse novo móvel ampliam seu conhecimento em diversas áreas de estudos alinhadas com as disciplinas escolares. Aprende-se sobre tendência do design associado à arte, proporções e medidas, que contemplam a física e a matemática, os tipos de materiais utilizados, que englobam a química e a biologia, ergonomia, com os cuidados que a educação física nos ensina, além de entender, até mesmo, do pensamento na promoção desse produto criado, o que envolve a língua portuguesa e a língua inglesa.

Veja que, com esse projeto, ensina-se sobre conteúdos pertinentes à grade curricular e aos exames vestibulares de forma que os alunos se envolvem na realização de uma atividade prática feita por eles. Uma forma intersseriada de aprender, sem separar em apenas uma disciplina. Soma-se a todo o processo as consultas pela web, o uso de aplicativos e a troca de informações online com profissionais do meio; situações que estão no cotidiano desses jovens que devem inserir no meio educacional também.

Com esse modelo de trabalho, os adultos de hoje, que foram adolescentes dos anos 80, iriam querer regredir no tempo para poder ter a oportunidade de aprender nesse modelo mais participativo e próximo da realidade de quem, muito em breve, vai estar no mercado de trabalho.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/05/16 4:35:37 PM
(Foto: Acervo)

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Maria Montessori tem como uma das pedras angulares de seu método a proposta do trabalho de vida prática. A criança, desde sua tenra idade é estimulada a agir sobre o meio, a atuar como protagonista de sua vida, a partir da interação com materiais concretos que oportunizam o desenvolvimento de movimentos por meio de atividades cotidianas.

Passando de relações efêmeras para vínculos duradouros

Nesta reflexão, gostaria de destacar um aspecto subliminar que o trabalho com a vida prática tem a possibilidade de desenvolver. Como afirma Zigmunt Baumann, vivemos um tempo de relações efêmeras, rápidas, descartáveis, onde cada pessoa tem como fim último a satisfação de seu desejo individual. O trabalho de vida prática, por meio de exercícios de gentileza e cortesia, por exemplo, desenvolve na criança a capacidade de olhar o próximo, de criar vínculos, de ser gentil e cordial, de sensibilizar-se. Esse exercício, ao longo do tempo, cria laços afetivos, constrói relações duradouras, resgata o divino no humano. Portanto, desenvolve na criança o senso de permanência, de certa estabilidade, em um mundo no qual vigoram as relações efêmeras e passageiras. O trabalho de vida prática cria a oportunidade de desenvolver relações duradouras. O ser humano, um ser social. Além disso, é importante lembrar que o ser humano é um ser gregário. Do início ao fim de sua vida, vive em comunidade, em relação com seus pares. Como afirma Leonardo Boff, “no princípio estava a comunhão dos Três e não a solidão do Uno”. Portanto, desenvolver nas crianças a possibilidade de estabelecer relações sociais pautadas na gentileza, no respeito mútuo, possibilita o resgate do que temos de mais humano: o cuidado, a amorosidade e a generosidade.

A Transcendência na imanência

Ainda nesse sentido, relacionado ao aspecto humano e Transcendente, J. B. Libanio nos aponta, metaforicamente, o ser humano é similar a uma casa de três andares. Em cada andar temos algumas janelas que precisam ser desenvolvidas. No primeiro andar estão os cinco sentidos, presentes não só nos humanos, mas também nos animais. Os sentidos percebem e absorvem as informações do mundo que nos cerca. É o que Montessori chama de “mente absorvente”. Nesse nível a criança age utilizando os sentidos que já têm disponíveis, com predomínio dos aspectos fisiológicos.

Porém, cabe ao processo de educação, fazer com que a criança evolua, desenvolvendo o segundo andar da casa, onde estão os aspectos exclusivamente humanos, aprendidos. Aqui se desenvolve a ética (o bem), a filosofia (a verdade), a estética (a beleza), a religião (o sentido), aspectos específicos da imanência. Por fim, é o terceiro andar, com a janela do amor, responsável por fazer a ligação da Transcendência com nossa imanência. Todo ato que vem permeado pelo amor, nos lembra a presença do Divino em nosso ser e o nosso elo de ligação com o Criador e com o próximo.

Método Montessori, possibilidade de formar cidadãos conscientes

Portanto, trabalhar com exercícios de vida prática, que vão desde o aparentemente simples exercício de versar líquidos até o desenvolvimento de atitudes de graça e cortesia, cria a possibilidade de a criança imergir plenamente na atividade, desenvolvendo a concentração, o silêncio interior e o controle motor. O que é premente no mundo atual, tão cheio de conflitos, intolerância e violência? Certamente o planeta pede a presença de pessoas conscientes, capazes de perceber o próximo como uma alteridade, que merece ser respeitada, a partir de suas características específicas e singulares. O que os exercícios de vida prática e a proposta montessoriana propõem senão o desenvolvimento de pessoas conscientes, responsáveis e, acima de tudo, seres de cuidado consigo, com o próximo e com o ambiente? Sim, é nessa perspectiva que Montessori percebe cada criança como uma verdadeira alteridade e seu método como um meio para desenvolver pessoas que transformam o tempo cronológico (crónos) em um tempo vivido na sua plenitude (kairós).

*Artigo escrito por Juliana Boff Aramayo Cruz, coordenadora pedagógica do Colégio Sion em Curitiba. O Sion colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/05/16 9:20:56 AM
(Foto: Acervo)

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O processo de escolha por uma profissão não é pontual; há um percurso a ser percorrido pelo jovem, envolvendo reflexão e, consequentemente, conscientização sobre as suas características de personalidade, suas habilidades, competências e ainda seus reais interesses. Este caminhar demanda tempo e amadurecimento.

Tal escolha diz respeito ao seu modo de ser, a seus talentos e habilidades desenvolvidas ao longo de sua vida e do processo de escolarização. Além, obviamente, da influência do meio social: em especial, pais e familiares.

Neste sentido, discorrer sobre o Enem ou mesmo sobre os vestibulares pode auxiliá-los a terem consciência dos desafios que irão enfrentar ao final da 3ª Série do Ensino Médio.

O ENEM, implantado em 1988, é um instrumento de avaliação do desempenho dos alunos ao final da educação básica e tem como objetivo principal possibilitar a melhoria do ensino brasileiro, especificamente do Ensino Médio. Desde o ano de 2009, começou também a ser utilizado como mecanismo de acesso às Instituições Federais de nível superior. Mais recentemente, algumas outras universidades de renome (como a USP) também optaram por este instrumento como forma de seleção para alguns de seus cursos superiores. Além disso, auxilia no processo de concessão de bolsas de estudos (FIES e PROUNI), a conseguir estágios em empresas e/ou organizações bem como o acesso ao Ciências sem Fronteiras.

Mais recentemente, as Universidades de Portugal como a de Aveiro, do Porto e de Madeira também firmaram convenio com o INEP para acesso de estudantes brasileiros aos cursos oferecidos por essas instituições.

Discorrer sobre este exame no início do ano para os alunos do Ensino Médio é importante para que, ainda adolescentes, compreendam a relevância desse tipo de avaliação e saibam da concorrência que enfrentarão por uma vaga em uma universidade conceituada.

A Universidade de São Paulo continua sendo referência em seus cursos superiores, assim como a Unicamp e as Instituições Federais, o que implica diretamente na absorção, no mercado de trabalho, do profissional por elas formado. Os selecionadores das empresas e indústrias costumam dar importância, e muita, às instituições formadoras para a contratação de profissionais.

Ter um bom resultado no Enem significa poder escolher as melhores universidades do país para estudar e, consequentemente, concorrer aos melhores benefícios profissionais como a futura empregabilidade e a construção de uma carreira.

Mesmo assim, com a divulgação dos resultados e do ranking das escolas, alguns adolescentes parecem entender que participar do ENEM somente interessa à escola, o que não é verdade.

Isso ocorre porque os adolescentes, de modo geral, por serem imaturos psíquica e neurologicamente, não conseguem ter a dimensão do que este instrumento os auxiliaria. Para muitos, a entrada no mercado de trabalho ainda está muito distante e a vida adulta, que pressupõe a capacidade de arcar com responsabilidades, é percebida como desestimulante.

Assim, a participação do aluno no ENEM pode ser analisada como meio dele vir a estudar em universidades conceituadas, reconhecidas e a garantir um futuro mais tranquilo.

*Artigo escrito por Maria Luiza Garitano de Castro, orientadora educacional no Colégio Marista Glória. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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