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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/05/16 4:53:34 PM
(Foto: Acervo)

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Faça um pequeno teste: imagine um adolescente de 2016, com todo acesso a tecnologias de ponta à disposição, uma comunicação cada vez mais veloz, inserido no ambiente escolar da década de 80.  Ele com certeza teria dificuldades para absorver o conteúdo das disciplinas no modelo expositivo com os quais as escolas trabalhavam. A geração Y hoje é quem frequenta as salas de aula; e esses jovens não querem ser apenas receptores de conteúdo, eles necessitam ser parte do processo criativo e de forma colaborativa. É dessa forma que eles enxergam o mundo em vários aspectos sociais, por isso com a educação não pode ser diferente.  O que eles esperam é que não existam mais barreiras que separem o processo de aprendizado.

Mas como tornar conteúdos por vezes maçantes, mas da maior importância, em prazerosas ferramentas de conhecimento? A solução está no envolvimento. Quando a educação se propõe a se inserir na realidade do aluno, o caminho fica mais fácil. Se o que esses jovens querem é envolvimento naquilo que aprendem, se eles esperam fazer parte da realidade de estudo, é nisso que se deve apostar. Um exemplo que tem excelente retorno é uma iniciativa do Sindicato da Indústria Moveleira do Paraná: há três anos eles realizam um concurso em que alunos do estado podem elaborar um projeto de um móvel inédito. Parece complexo à primeira vista, mas não é. Tampouco essa atividade limita os estudantes a apenas uma disciplina.

Os alunos que se desafiam a criar esse novo móvel ampliam seu conhecimento em diversas áreas de estudos alinhadas com as disciplinas escolares. Aprende-se sobre tendência do design associado à arte, proporções e medidas, que contemplam a física e a matemática, os tipos de materiais utilizados, que englobam a química e a biologia, ergonomia, com os cuidados que a educação física nos ensina, além de entender, até mesmo, do pensamento na promoção desse produto criado, o que envolve a língua portuguesa e a língua inglesa.

Veja que, com esse projeto, ensina-se sobre conteúdos pertinentes à grade curricular e aos exames vestibulares de forma que os alunos se envolvem na realização de uma atividade prática feita por eles. Uma forma intersseriada de aprender, sem separar em apenas uma disciplina. Soma-se a todo o processo as consultas pela web, o uso de aplicativos e a troca de informações online com profissionais do meio; situações que estão no cotidiano desses jovens que devem inserir no meio educacional também.

Com esse modelo de trabalho, os adultos de hoje, que foram adolescentes dos anos 80, iriam querer regredir no tempo para poder ter a oportunidade de aprender nesse modelo mais participativo e próximo da realidade de quem, muito em breve, vai estar no mercado de trabalho.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/05/16 4:35:37 PM
(Foto: Acervo)

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Maria Montessori tem como uma das pedras angulares de seu método a proposta do trabalho de vida prática. A criança, desde sua tenra idade é estimulada a agir sobre o meio, a atuar como protagonista de sua vida, a partir da interação com materiais concretos que oportunizam o desenvolvimento de movimentos por meio de atividades cotidianas.

Passando de relações efêmeras para vínculos duradouros

Nesta reflexão, gostaria de destacar um aspecto subliminar que o trabalho com a vida prática tem a possibilidade de desenvolver. Como afirma Zigmunt Baumann, vivemos um tempo de relações efêmeras, rápidas, descartáveis, onde cada pessoa tem como fim último a satisfação de seu desejo individual. O trabalho de vida prática, por meio de exercícios de gentileza e cortesia, por exemplo, desenvolve na criança a capacidade de olhar o próximo, de criar vínculos, de ser gentil e cordial, de sensibilizar-se. Esse exercício, ao longo do tempo, cria laços afetivos, constrói relações duradouras, resgata o divino no humano. Portanto, desenvolve na criança o senso de permanência, de certa estabilidade, em um mundo no qual vigoram as relações efêmeras e passageiras. O trabalho de vida prática cria a oportunidade de desenvolver relações duradouras. O ser humano, um ser social. Além disso, é importante lembrar que o ser humano é um ser gregário. Do início ao fim de sua vida, vive em comunidade, em relação com seus pares. Como afirma Leonardo Boff, “no princípio estava a comunhão dos Três e não a solidão do Uno”. Portanto, desenvolver nas crianças a possibilidade de estabelecer relações sociais pautadas na gentileza, no respeito mútuo, possibilita o resgate do que temos de mais humano: o cuidado, a amorosidade e a generosidade.

A Transcendência na imanência

Ainda nesse sentido, relacionado ao aspecto humano e Transcendente, J. B. Libanio nos aponta, metaforicamente, o ser humano é similar a uma casa de três andares. Em cada andar temos algumas janelas que precisam ser desenvolvidas. No primeiro andar estão os cinco sentidos, presentes não só nos humanos, mas também nos animais. Os sentidos percebem e absorvem as informações do mundo que nos cerca. É o que Montessori chama de “mente absorvente”. Nesse nível a criança age utilizando os sentidos que já têm disponíveis, com predomínio dos aspectos fisiológicos.

Porém, cabe ao processo de educação, fazer com que a criança evolua, desenvolvendo o segundo andar da casa, onde estão os aspectos exclusivamente humanos, aprendidos. Aqui se desenvolve a ética (o bem), a filosofia (a verdade), a estética (a beleza), a religião (o sentido), aspectos específicos da imanência. Por fim, é o terceiro andar, com a janela do amor, responsável por fazer a ligação da Transcendência com nossa imanência. Todo ato que vem permeado pelo amor, nos lembra a presença do Divino em nosso ser e o nosso elo de ligação com o Criador e com o próximo.

Método Montessori, possibilidade de formar cidadãos conscientes

Portanto, trabalhar com exercícios de vida prática, que vão desde o aparentemente simples exercício de versar líquidos até o desenvolvimento de atitudes de graça e cortesia, cria a possibilidade de a criança imergir plenamente na atividade, desenvolvendo a concentração, o silêncio interior e o controle motor. O que é premente no mundo atual, tão cheio de conflitos, intolerância e violência? Certamente o planeta pede a presença de pessoas conscientes, capazes de perceber o próximo como uma alteridade, que merece ser respeitada, a partir de suas características específicas e singulares. O que os exercícios de vida prática e a proposta montessoriana propõem senão o desenvolvimento de pessoas conscientes, responsáveis e, acima de tudo, seres de cuidado consigo, com o próximo e com o ambiente? Sim, é nessa perspectiva que Montessori percebe cada criança como uma verdadeira alteridade e seu método como um meio para desenvolver pessoas que transformam o tempo cronológico (crónos) em um tempo vivido na sua plenitude (kairós).

*Artigo escrito por Juliana Boff Aramayo Cruz, coordenadora pedagógica do Colégio Sion em Curitiba. O Sion colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/05/16 9:20:56 AM
(Foto: Acervo)

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O processo de escolha por uma profissão não é pontual; há um percurso a ser percorrido pelo jovem, envolvendo reflexão e, consequentemente, conscientização sobre as suas características de personalidade, suas habilidades, competências e ainda seus reais interesses. Este caminhar demanda tempo e amadurecimento.

Tal escolha diz respeito ao seu modo de ser, a seus talentos e habilidades desenvolvidas ao longo de sua vida e do processo de escolarização. Além, obviamente, da influência do meio social: em especial, pais e familiares.

Neste sentido, discorrer sobre o Enem ou mesmo sobre os vestibulares pode auxiliá-los a terem consciência dos desafios que irão enfrentar ao final da 3ª Série do Ensino Médio.

O ENEM, implantado em 1988, é um instrumento de avaliação do desempenho dos alunos ao final da educação básica e tem como objetivo principal possibilitar a melhoria do ensino brasileiro, especificamente do Ensino Médio. Desde o ano de 2009, começou também a ser utilizado como mecanismo de acesso às Instituições Federais de nível superior. Mais recentemente, algumas outras universidades de renome (como a USP) também optaram por este instrumento como forma de seleção para alguns de seus cursos superiores. Além disso, auxilia no processo de concessão de bolsas de estudos (FIES e PROUNI), a conseguir estágios em empresas e/ou organizações bem como o acesso ao Ciências sem Fronteiras.

Mais recentemente, as Universidades de Portugal como a de Aveiro, do Porto e de Madeira também firmaram convenio com o INEP para acesso de estudantes brasileiros aos cursos oferecidos por essas instituições.

Discorrer sobre este exame no início do ano para os alunos do Ensino Médio é importante para que, ainda adolescentes, compreendam a relevância desse tipo de avaliação e saibam da concorrência que enfrentarão por uma vaga em uma universidade conceituada.

A Universidade de São Paulo continua sendo referência em seus cursos superiores, assim como a Unicamp e as Instituições Federais, o que implica diretamente na absorção, no mercado de trabalho, do profissional por elas formado. Os selecionadores das empresas e indústrias costumam dar importância, e muita, às instituições formadoras para a contratação de profissionais.

Ter um bom resultado no Enem significa poder escolher as melhores universidades do país para estudar e, consequentemente, concorrer aos melhores benefícios profissionais como a futura empregabilidade e a construção de uma carreira.

Mesmo assim, com a divulgação dos resultados e do ranking das escolas, alguns adolescentes parecem entender que participar do ENEM somente interessa à escola, o que não é verdade.

Isso ocorre porque os adolescentes, de modo geral, por serem imaturos psíquica e neurologicamente, não conseguem ter a dimensão do que este instrumento os auxiliaria. Para muitos, a entrada no mercado de trabalho ainda está muito distante e a vida adulta, que pressupõe a capacidade de arcar com responsabilidades, é percebida como desestimulante.

Assim, a participação do aluno no ENEM pode ser analisada como meio dele vir a estudar em universidades conceituadas, reconhecidas e a garantir um futuro mais tranquilo.

*Artigo escrito por Maria Luiza Garitano de Castro, orientadora educacional no Colégio Marista Glória. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/05/16 3:00:05 PM
(Imagem: Divulgação)

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Estudos como o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) e a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar informam sobre o crescimento da prática de bullying e cyberbullying (sua vertente no mundo digital) nas escolas de todo o país. No entanto, é evidente que as escolas as quais aplicam o programa de combate a violência sistemática na grade curricular têm redução no nível de violência presencial e virtual. Isto porque existe maior respeito mútuo entre alunos, professores e até mesmo com os pais, mesmo com os famigerados grupos de conversa em aplicativos de celulares. A visão resulta da experiência adquirida ao longo do programa Proteja-se dos Prejuízos do Cyberbullying, desenvolvido pelo escritório em cerca de quarenta escolas particulares de São Paulo. Verifica-se igualmente que os discentes e docentes podem fortalecer a autoestima e a resiliência, quando algum incidente digital, o cyberbullying, ocorre no ambiente escolar. Com a autoestima fortalecida, eles ficam menos suscetíveis ao bullying escolar e, por essa razão, a Lei 13.185/2015 exige que as medidas preventivas tragam de forma eficaz para dentro do ambiente escolar profissionais para a atuação na área social, psíquica e jurídica. A educação jurídica-emocional precisa ser matéria obrigatória dentro da sala de aula. O respeito, a tolerância e a convivência pacífica prezam o bem-estar social e evitam conflitos judiciais na área cível e criminal.

Também se constata que, na maioria das escolas, as ações mais intensas são realizadas no ensino fundamental 2 (6º ao 9º ano), quando os alunos entram na adolescência. Entretanto, o trabalho com afinco destinado aos estudantes do ensino médio é imprescindível. Isto porque estes alunos constituem um público próximo ou já inserido no mercado de trabalho, e ainda podem ser conscientizados para não cometerem violência moral ou física no ambiente laboral, evitando-se que o problema se alastre na fase adulta.

A criança ou o adolescente que sofre ou presencia o bullying deve buscar orientação com seus pais e educadores, os quais, por sua vez, devem agir promovendo auxílio psicológico, jurídico e social aos envolvidos no conflito, acolhendo e orientando vítima e agressor, para cessar, o quanto antes, a prática hostil e coibir os danos.

O acolhimento do agressor não poderá ser tratado pela instituição de ensino e pelo Poder Judiciário como um “aconchego”, passando a mão na cabeça coma afirmação: “Que feio! Não repita mais isso! ” É certo que essa não é a medida sócio-pedagógica exigida pela lei ou esperada pela vítima e seus familiares, que tanto sofreram com as repetidas agressões.

Crianças e adolescentes podem até ser imaturos, mas não são burros! Sabem a diferença do certo e do errado e por vezes é importante lembra-los – mediante trabalhos extracurriculares – de alguns dispositivos legais, como os abaixo citados: “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. ” (Constituição Federal, Art. 5°, Inciso X).

“Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”. (Código Civil, Art. 20°).

A alienação da “vida real” gera a inconsequência de comportamento nas relações sociais. Não existe causa sem efeito, nem ação sem reação. Crianças e adolescentes não possuem maturidade psíquica para lidar com as suas emoções no ambiente virtual e por essa razão o aplicativo WhatsApp recomenda que menores de 16 anos não utilizem o seu serviço, sob pena de desativação. O ensino sobre a responsabilidade pessoal e intransferível dos próprios atos trará à infância e juventude não apenas informação, mas formação digital ética e coerente com as ações realizadas.

* Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita é advogada socia do SLM Advogados, e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/05/16 5:05:47 PM
(Foto: Acervo)

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Na semana das mães, é imprescindível que todas as mulheres – sendo mães ou não – façam uma reflexão ampla e verdadeira sobre este papel. O que significa ser mãe? Qual a importância da mãe na vida do filho? Qual a força que uma mãe exerce em relação as atitudes que tomamos e a tudo que vivemos? O que vem acontecendo com as mães brasileiras?

Ser mãe não é tarefa fácil. É a única “profissão” que não pode ser reavaliada ou mudada: é para a vida inteira e não tem nem aposentadoria. Além disso, não há curso ou bibliografia que forme ou prepare uma mãe. Mãe é intuição, sentimento, momento. Cada mãe segue seu caminho, percebendo sua imensidão e o quanto sua responsabilidade é imensurável.

Ser mãe é algo além do explicável. E é uma profissão que está ficando cada vez mais complexa. Quantas famílias não estão optando por ter um filho apenas? Isso porque a vida feminina mudou completamente. A entrada no mercado do trabalho e as possibilidades de empoderamento profissional têm deixado as mulheres com uma série de questionamentos na hora da decisão de ser mãe. Após ter um filho, a mulher se transforma e assume diversos papéis: mãe, esposa, amante, profissional, cuidadora do lar, apaziguadora de conflitos, consultora, gestora, conselheira…ela se torna um outro ser humano.

Como educadora há 30 anos, pude comprovar como o papel da mãe é fundamental para a criação de indivíduos felizes, saudáveis e bem resolvidos. É ela que imprime na criança o verdadeiro significado da vida. É a mãe que projeta tudo de melhor para seu filho. É a mãe que se realiza na realização do filho, que deixa de viver em função da sua prole. Somos o que somos pela mãe que tivemos.

Por isso, nesta semana especial, vale olhar em torno de nós, aplaudir e agradecer as mulheres que se tornaram mães. Afinal, são elas que, com seu poder, fazem a vida continuar existindo. Meu louvor a estes seres iluminados, que fazem da profissão de mãe a mais completa e eterna maneira de viver. Parabéns mães!

* Artigo escrito por Esther Cristina Pereira, mãe e  vice-presidente Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 29/04/16 3:35:45 PM
(Foto: Divulgação)

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Proponho aqui uma breve reflexão sobre como podemos ajudar nossos alunos a equilibrar melhor a instigante e intrigante relação que estabelecem com os produtos da indústria do entretenimento. Essa relação é robusta, pois os produtos massificados adentram com certa facilidade os meios educacionais, estampam capas de cadernos, adornam lápis e borrachas, soam nos aparelhos de som da escola, ou viram figurinos na apresentação de final de ano.

Gosto de definir a “Escola” como um conjunto de vias de acesso. Múltiplas vias somadas, interconectadas, caracterizam essa fundamental instituição moderna. Algumas de suas vias dão acesso imediato ao conhecimento selecionado e organizado na forma de currículo, por meio das disciplinas escolares. Outras vias geram acesso a formas diferenciadas de produção e gestão do conhecimento, porque toda escola se estrutura não apenas conforme as diretrizes governamentais, mas também pelo modo como sua comunidade se organiza. A Escola é via de acesso também a distintas metodologias de ensino e de organização do trabalho, porque quem ensina algo, não ensina apenas o conteúdo, mas também a forma como o conteúdo está sendo ensinado.

Como via de acesso à convivência social com distintos grupos, identidades, ideologias, culturas, a Escola é capaz de produzir questionamentos sobre o modo como a sociedade se organiza. Se bem dirigida e organizada, viabiliza acesso a diversificadas expressões estéticas, permite que se produza arte e conhecimento em seu interior e contribui significativamente com o desenvolvimento cultural de sua comunidade. Alunos, familiares e profissionais que trabalham na Escola encontram nesta somatória de vias de acesso a oportunidade de viver experiências culturais múltiplas, menos massificadas, com características locais ímpares e potencialmente mais profundas do que aquelas que se dão, por exemplo, diante de uma tela de computador, celular ou de televisão.

Mas antes de por aqui seguir, permitam-me fazer uma ressalva importante: não tenho intenção de desgraçar as produções massificadas da indústria do entretenimento. Aliás, eu assisto TV, gosto de alguns jogos eletrônicos, coleciono alguns brinquedos industrializados e reconheço nestes produtos muitos elementos que podem nos favorecer enquanto pais e educadores. Um deles, talvez o principal, é o êxito que estes produtos alcançam ao estabelecer diálogos prolongados com o público. No caso das crianças, por exemplo, um herói de desenho animado pode passar anos inspirando brincadeiras e reforçando parâmetros comportamentais e estéticos. Seu repertório de gestos, de expressões faciais, seu vestuário, seus clichês narrativos, seus poderes e sua personalidade são fontes de “beleza” ou “feiura”, do que pode e do que não pode, são referências potentes que influenciam escolhas em distintas áreas da convivência, sobretudo nos momentos em que as crianças brincam.

Esta precisão comunicativa esculpida pela indústria do entretenimento, e que tanto sucesso faz, pode ser fonte de inspiração para nossas práticas educativas. Como seria se pudéssemos criar, adaptar ou reproduzir narrativas capazes de gerar tanto interesse prolongado e, ao mesmo tempo, agregar sentido ao ensino curricular? Nossas aulas seriam mais vibrantes? Nossos causos com finalidade didática se reproduziriam nos recreios, inspirariam pega-pegas entre heróis e vilões? Seriam mais continuados e significativos os nossos diálogos com os alunos se, vez ou outra, acolhêssemos as especificidades de seu mundo simbólico como parte de um processo coletivo de produção do conhecimento?

Queiramos ou não, gostemos ou não, os produtos massificados rompem os muros da escola, instigam brincadeiras, inspiram as produções e “empoderam” temporariamente as crianças, que se transformam em heróis e saem pelo pátio escolar salvando o mundo, num exercício criativo de exploração dos valores sociais e das noções de convivência. Como diz o sociólogo português Manuel Sarmento, não podemos fazer entrar pela porta da escola apenas o aluno; a criança tem de vir junto.

A criança é este sujeito criativo que está no mundo, que traz para dentro da escola as forças e influências do mundo. Negar a criança em nome do aluno é perder de vista as potencialidades humanas que só desabrocham quando estamos conectados de algum modo aos nossos centros de interesse. Se a escola nega aquilo que é de conhecimento das crianças e que pertence ao seu domínio, automaticamente fecha uma de suas mais significativas vias de acesso, que é a de interlocução com as culturas de massa. E só é possível gerar alternativas às culturas de massa neste nosso mundo interconectado se reconhecemos e compreendemos as forças e influências que delas advém e que tanto geram interesse nas crianças.

Assim, uma vez acolhida, essa robusta relação das crianças com os produtos da indústria do entretenimento pode então ser questionada. Jogos eletrônicos e desenhos animados já são responsáveis por preencher a maior parte do tempo lúdico das crianças dentro de casa. São atraentes, repletos de desafios, mas restringem o movimento do corpo e limitam a circulação das crianças no espaço. Tendem a posicioná-las mais como espectadoras do que produtoras da ação. Em muitos jogos não é preciso levar em conta a opinião do outro, nem o estado de coisas à nossa volta, o que gera uma sensação totalitária de poder sem censura. Induzem ao consumo do supérfluo, por meio do fenômeno do licenciamento de produtos, condicionando a imagem e a função dos alimentos, da higiene e do vestuário à identificação afetiva da criança com os personagens.

Atentos a esta problemática, pais e educadores podem questionar com profundidade os excessos desta relação que por vezes é viciante entre as crianças e os produtos massificados. Preocupados com a formação intelectual, emocional e corporal das crianças, pais e educadores podem buscar constantemente novas referências criativas e desenvolver uma capacidade de criar e promover situações lúdicas e artísticas capazes de competir em pé de igualdade com os produtos do entretenimento industrializado. Mas como?

Eis alguns exemplos: promover a circulação do grupos infantis, estimulando o contato entre crianças de distintos pertencimentos sociais; ocupar com as crianças os espaços públicos, combatendo a cultura do medo que impele as famílias a se esconderem dentro de casa, como se a rua fosse o lócus da criminalidade; ir a museus, parques, festivais e feiras; fechar ruas nos finais de semanas, impedindo a passagem de carros, para que as crianças possam brincar e circular em locais mais amplos e ao ar livre; promover o contato dos grupos infantis com personalidades locais, moradores antigos, figuras emblemáticas da região; desenvolver projetos de estímulo à prática de brincadeiras tradicionais.

Trata-se, pois, de posicionar a escola como um espaço em que os produtos largamente difundidos pela publicidade possam concorrer com atrativos locais, criados por agentes da região, artistas, contadores de histórias, artesões, atores, arte-educadores, pequenos comerciantes etc. A Escola detém condições simbólicas e institucionais para se posicionar nesta direção e criar espaços para que os produtos culturais locais possam ganhar impulso, seja porque ela consegue abrir espaço para que eles entrem, seja porque ela cria mecanismos para fomentar a sua produção, uma vez que dentro da própria escola há artistas capazes de criar para as crianças e criar com as crianças. Cabe aos gestores, professores e demais profissionais da instituição a identificação, o reconhecimento e a valorização desse campo de possibilidades ao qual a escola pode estar vinculada.

Quem estiver disposto a fazer este investimento político-pedagógico na Escola, buscando novidades em seu entorno e favorecendo a presença de outras formas de arte e entretenimento em seu interior, terá contribuído com um equilíbrio maior entre expressões autênticas e expressões massificadas. Com isso, ajudará os alunos, familiares e profissionais que nela atuam a desenvolver um olhar crítico para as diferenças entre o original e a cópia, entre o autoral e o estereotipado, entre o artístico e o industrializado. E promoverá a convivência de uma diversidade maior de formatos capazes de pluralizar a experiência cultural dos membros da comunidade escolar.

* Artigo escrito por Nélio Spréa, doutorando e Mestre em Educação pela UFPR – Universidade Federal do Paraná, graduado em Música pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná, palestrante e diretor da Parabolé Educação e Cultura, que desenvolve projetos culturais de interesse social e educacional. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 28/04/16 9:36:09 AM
(Imagem: Divulgação)

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Atualmente estou como professor do Laboratório de Cálculo Aplicado (LACA) na Universidade Positivo para os cursos de Engenharia e nesse contexto confesso entusiasmado que estou tendo grandes surpresas nessa nova empreitada.

Nesse final de primeiro bimestre fizemos duas propostas de avaliação que serão somadas. Uma é um mini seminário, a ideia é bem simples, eles deveriam apresentar a resolução de um exercício para suas respectivas turmas. A outra é a gravação, pelo celular, de um vídeo curto de uma explicação de um exercício do livro texto.

Ao fazer as propostas a grande maioria deles comprou os desafios da apresentação e gravação na hora. E, como os deixei livres de um modelo formal, muitos inovaram nisso.

A criatividade correu solta, as trocas de experiências foram significativas, o companheirismo entre eles e eu surgiu naturalmente.

Nos vídeos muitos mostraram grande desenvoltura, muita clareza e didática. Nos mini seminários tivemos belíssimas apresentações com direito a muitas referências didáticas e informativas.

Mas, por que estou relatando isso para você?

Obviamente, para passar a mensagem de que é possível fazer dos estudos algo prazeroso e harmonioso. Sabemos que estudar em um mundo de múltiplas ofertas “mais atrativas” é muito complicado, mas ao vê-los empenhados, discutindo soluções e abordagens, dentro e fora da sala de aula, para as apresentações o espírito desse professor de meia-idade (é a primeira vez que escrevo isso) se encheu de esperança, passei a ver um bom futuro para nós.

Dias atrás, conversando com minha esposa Mariel Muraro (coordenadora e professora do curso de Direito na FAPI), soube que um professor solicitou como tarefa para os alunos a correção ou ampliação dos textos na Wikipedia das personalidades de relevância dos assuntos estudados na disciplina. Grande ideia! Isso é envolver os alunos de forma colaborativa em uma tarefa de relevância social.

Enfim, é ótimo ceder espaço a eles. Afirmo categoricamente que eles sabem preencher cada tantinho dado.

Nós, professores, precisamos aceitar que os tempos são outros, precisamos aceitar que o modelo colaborativo é muito mais funcional e atraente para todos.

Ceder espaço não é perder espaço. Ceder é transferir, é dar de si, é se mover.

Na minha experiência, as expectativas foram superadas em muito, creio que assim é quando nossos alunos entendem a proposta de trabalho. No caso do colega que solicitou a tarefa do Wikipedia também seja a mesma.

Acredite que com essa nova geração teremos um belo caminho pela frente. Só precisamos caminhar simplesmente juntos, sem competição desnecessária pelo espaço da sala de aula.

* Artigo escrito por Guilherme Lemermeier Rodrigues, licenciado em Matemática, especialista em Ensino de Matemática e mestre em Educação. Professor do Ciclo Básico de Engenharia da Universidade Positivo, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/04/16 10:59:20 AM
(Foto: Henry Milléo)

(Foto: Henry Milléo)

Durante a vida escolar e especialmente no Ensino Médio, quando os estudantes estão se preparando para os vestibulares e ENEM, além de assistir às aulas e fazer os exercícios exigidos pelos professores, é muito importante que o aluno estude com regularidade para sistematizar e aprender os conteúdos trabalhados em sala de aula.

A prática de estudar sozinho merece a mesma dedicação e atenção dedicados ao ato de aprender em sala. Mas a falta de organização está entre as maiores dificuldades enfrentadas pelos alunos.

A dificuldade de se organizar atrapalha o bom desempenho dos estudantes, pois pode acarretar no acúmulo de conteúdos para estudar na véspera das provas. Além de não se apropriar do conteúdo da melhor maneira,  cria uma sensação de ansiedade.

Se organizar para estudar é também um ‘conteúdo’ para ser aprendido. No Colégio Marista de Brasília (Maristão), os alunos têm a oportunidade de aprender a se organizar nas ‘orientações de estudo’, que são encontros individuais realizados mediante agendamento, para conversar com a equipe da escola e receber informações sobre métodos e planejamento.

Neste atendimento individual e personalizado, os estudantes recebem orientações e elaboram uma grade horária, distribuindo suas atividades semanais de estudo, lazer e outras atividades. Também são orientados sobre os métodos mais adequados de estudo e tempo necessário. Esse atendimento proporciona a elevação do potencial do aluno.

Deve-se estudar sempre. A regularidade e a rotina favorecem o processo de aprendizagem. Também é recomendado diversificar os métodos: estudar em grupo, individualmente, pela internet, dando aulas, frequentando plantões, elaborando perguntas, entre outros.

A carga horária de estudo recomendada varia de acordo com a etapa de aprendizado e com o objetivo de cada aluno. No Ensino Médio, sugerimos cerca de 12 horas semanais para a 1ª série; 15 para a 2ª; e 18 para a 3ª série. Quem almeja passar nos cursos mais concorridos nos exames externos, provavelmente precisa estudar mais.

É importante realizar intervalos que favoreçam o hábito de estudos e preparem o aluno para a próxima disciplina a ser estudada. Porém, deve-se evitar atividades que tirem o foco. O período é para estudar, logo o intervalo não é para lazer.  As redes sociais, por exemplo, quando utilizadas para o estudo, ajudam bastante, mas têm um potencial grande de distração. A televisão, o computador, a cama também são elementos que podem dificultar o hábito saudável de estudo.

Não se preparar devidamente e aumentar as horas de estudo na véspera das provas geralmente não favorece a aprendizagem. A tendência é atrapalhar o processo. Na véspera da prova, o estudante bem preparado tem a possibilidade de reduzir a carga horária, pois a regularidade contribui significativamente para a tranquilidade e segurança acerca do conteúdo a ser cobrado.

Outro elemento que não pode ser negligenciado é a estabilidade emocional. O aluno que se prepara adequadamente geralmente não apresenta ansiedade, medo ou o “branco” na hora da avaliação. Estabelecer um método de estudo favorece a regularidade no processo de preparação, o sistematiza, diminui a ansiedade e potencializa a possibilidade de bons resultados.

*Artigo escrito por Matheus Kaiser, integrante do Núcleo Psicopedagógico do Colégio Marista de Brasília. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/04/16 3:19:27 PM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

Frequentemente visitamos instituições de ensino que acreditam realizar programas de combate à violência sistemática. Entretanto, as formas que vivemos nossos valores são a expressão do meio ambiente. Portanto, está claro que até o presente momento, as medidas que foram tomadas pelas instituições de ensino são, no mínimo, inócuas. O crescente aumento de casos de violência presencial e virtual nos mostram a total ausência de conhecimento sobre o que se tem na palma da mão: smartphones, crime e poder.

Mal-usado, este pequeno pedaço de plástico, metal e tecnologia embutida em aplicativos nos permite violar, no mínimo, dez artigos do Código Penal. E a conta aumenta ao se acrescentar dispositivos previstos no Código Civil, na Lei de propriedade industrial, a Lei autoral, a Lei do Software e, agora, sobretudo, a Lei do Bullying.

Embora as medidas preventivas estejam claramente dispostas na lei nº 13.185/2015, temos constantemente lidado com um processo de negação dos administradores escolares. Uma parte deles acredita que cyberbullying é uma lenda. Para a outra, a lei “não vai pegar”.

É importante esclarecer que ainda existem responsáveis por gestões das escolas empenhados na prevenção e combate à violência sistemática. Acreditam que precisam aprender mais. Estudar mais. Ouvir mais. E agir de forma assertiva e contundente, dentro dos ditames da lei. Quando o diretor ou coordenador pedagógico assume que desconhece o tema, os paradigmas e valores podem ser acrescidos dentro do currículo escolar, e a transformação do ambiente escolar é notória e fantástica, a partir da mudança de uma única pessoa.

O programa de prevenção e combate ao bullying em uma escola, necessariamente, deverá conter de forma expressa e taxativa todos os objetivos impostos pela lei 13.185/05, sendo eles: Prevenir e combater a prática do bullying  em toda a sociedade; capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema; implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; fornecer assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores; integrar os meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo; promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua.

E não basta apenas implementar o programa na instituição de ensino. Todos os atos realizados pelos professores e coordenadores necessitam estar provados e registrados nos órgãos competentes. Quando a lei nomeou os requisitos dos programas de prevenção ao bullying, optou pela inclusão de numerus clausus (elencadas em número reduzido, constituem figuras de tipo fixo, predeterminados por lei). Portanto, não cabe ao administrador escolar inovar ou tentar “adaptar” o texto da lei. Os nove requisitos deverão ser cumpridos e a negligencia do cumprimento acarretará a responsabilidade civil e administrativa das instituições de ensino.

A transformação do ambiente escolar parte da figura do gestor escolar – ele é o responsável pela implantação do Programa de combate à violência sistemática. Gestor não é aquele que possui o título, o cargo, o nome dentro de uma estrutura corporativa. Gestor escolar é a pessoa apta a promover a implementação de valores com a mudança da sua própria conduta. Uma única pessoa pode mudar o curso da Humanidade – tanto para o mal (Adolf Hitler, Joseph Stalin, Gênghis Khan por exemplo), como para o bem (Sidarta Gautama, Jesus Cristo, Maomé, Moisés – por exemplo). É preciso entender o tempo em que vivemos, o local onde estamos e a legislação da qual estamos (ou queremos ser) submetidos. Caso único onde uma andorinha é capaz de fazer o verão.

* Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita é advogada socia do SLM Advogados, e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/04/16 3:50:02 PM
(Foto: Evaristo SA / AFP)

(Foto: Evaristo SA / AFP)

A população do Brasil e especialmente de Brasília levou um susto quando no último final de semana começaram a circular pelas redes sociais e veículos de comunicação online a foto daquilo que já está sendo chamado “Muro do Impeachment”, uma divisória de tapumes metálicos de 2 metros de altura que ficará erguida até o dia 17 de abril – quando termina a votação do impeachment na Câmara -, separando os manifestantes contra e a favor da destituição da presidente Dilma Roussef.

O “Muro do Impeachment” teve ainda a “curiosidade” ou ironia de ter sido erguido por presidiários e se estende do Congresso Nacional à Rodoviária de Brasília, numa extensão média de 1km. À direita do Congresso ficam os manifestantes pró-impeachment e, do lado esquerdo, aqueles contra.

É fácil cair na armadilha de pensar que o muro reflete apenas o que já está acontecendo atualmente na sociedade brasileira com a polarização extrema entre os (aparentemente) dois lados mais óbvios dessa história: “coxinhas” e “petralhas”.

Mas se aprofundarmos um pouquinho nossas reflexões podemos dizer que esse foi apenas um muro que se tornou aparente, que tomou forma e, por ter saído da invisibilidade, chocou. Porém, quantos muros existem ao nosso redor, e que são invisíveis porque assim conseguimos conviver melhor com nossa hipocrisia? Quantos muros e paredes não levantamos nós próprios para evitar o confronto com o “outro – sujeito” diferente de nós? Quantas muralhas de metros e metros de altura cegam algumas pessoas que não enxergam – nem querem enxergar – a realidade de outras tantas sem qualquer tipo de garantia de direitos? Quantos muros não erguemos nós para não sairmos de nossa posição confortável e aprender a respeitar outros pontos de vista, outras classes sociais, outros credos, outras sexualidades?

Os muros, muralhas, paredes que já construímos e estão aí, invisíveis, fazem parte da nossa sociedade desde que o mundo é mundo. Mas enquanto estão invisíveis estamos todos “protegidos” pelo anonimato, afinal, quem é preconceituoso, racista, xenófobo, misógino, intolerante com as minorias? Não, não somos nós. São sempre os outros.

Quando um desses muros sai da invisibilidade e nos esfrega na cara a incapacidade que temos de dialogar, de respeitarmos as diferenças entre nós, de compreendermos o que é uma Democracia e nos revela o quão bárbaro ainda somos, a ponto de precisar de uma parede que nos separe, vale a pena refletir profundamente sobre quem somos e como podemos evoluir. Vale a pena pensar nos outros muros ainda invisíveis que temos ao nosso redor e como quebrá-los de vez.

O muro mais famoso do mundo, Muro de Berlim, caiu em 1989, mas ainda existem pelo menos cinco muros que escancaram para o mundo nossa pouca evolução enquanto espécie humana. São muros que dividem, segregam, incitam à vergonha, ao ódio, ao medo: Muro da Cisjordânia, que teve sua construção iniciada em 2002, e separa Israel do território palestino da Cisjordânia. É conhecido pelos críticos da ocupação israelense como “Muro da Vergonha”; Muro que separa os territórios espanhóis de Celta e Melilla do Marrocos e foi construído quando da entrada da Espanha na União Europeia; Muro que separa os Estados Unidos do México e localiza-se entre as cidades de El Paso e Ciudad Juarez e San Diego e Tijuana, revelando a política anti-imigração norte-americana; Muro de Evros, que separa a Grécia da Turquia e foi construído em 2012 nas margens do rio Evros; Muro que divide a Coréia do Norte da Coréia do Sul, com 250 quilômetros de extensão.

Que muro você ainda tem dentro de você? Não está na hora de começar a quebrar essa parede?

*Cristiane Parente de Sá Barreto é Jornalista, Educomunicadora, Sócia-Fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), Doutoranda em Comunicação e Pesquisadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade – CECS da Universidade do Minho, Bolsista da CAPES, Mestre em Educação pela UnB e em Mídia e Educação pela Universidad Autónoma de Barcelona. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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