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Educação e Mídia

Enviado por InstitutoGRPCOM, 29/09/16 9:24:32 AM
(Imagem: Divulgação)

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Adolescentes e jovens de todo o território nacional podem enviar matérias, textos, vídeos e ensaios fotográficos para publicação no portal da Agência Jovem de Notícias [http://www.agenciajovem.org]. Os (as) interessados (as) podem entrar em contato direto com a ONG paulista Viração Educomunicação [http://www.viracao.org], pelo e-mail redacao@viracao.org, ou no caso de alguma necessidade de articulação com o núcleo paranaense da Agência, também pode se comunicar com o coletivo Parafuso Educomunicação [http://parafusoeducom.org].

No Paraná, a Parafuso Educomunicação tem contribuído como “núcleo virajovem” local. No país, os núcleos “virajovens” estão presentes em 20 Estados e também no Distrito Federal. Para entrar em contato com o núcleo paranaense da Agência Jovem Notícias, basta enviar e-mail para parafusoeducom@gmail.com ou mandar mensagem para nossas redes sociais, como o Twitter [http://twitter.com/parafusoeducom], Facebook [https://facebook.com/parafusoeducom] ou formulário de contato do portal [http://parafusoeducom.org/contato].

A Agência Jovem de Notícias é uma iniciativa colaborativa que envolve diversas organizações, movimentos, projetos sociais e escolas no Brasil e no exterior. Seu objetivo principal é ser um espaço virtual para compartilhar notícias produzidas por adolescentes e jovens a partir dos núcleos regionais, Conselhos Jovens da Viração e centros de produção de comunicação popular e juvenil das organizações parceiras.

Vale lembrar que como todo veículo de comunicação, a Agência Jovem possui alguns princípios editoriais que precisam ser levados em conta para que o seu conteúdo seja publicado. Respeito aos direitos humanos, contextualização da informação e relevância do conteúdo são exemplos de alguns aspectos observados. Para tirar suas dúvidas sobre procedimentos de produção de conteúdo, busque informações no “Mão na roda” [https://issuu.com/portfolio_viracao/docs/maonaroda], um manual de redação para a Agência Jovem de Notícias e para a Revista Viração.

Já pensou em produzir um texto com um grupo de amigos da escola e vê-lo publicado na Agência? Não há qualquer tipo de remuneração aos colaboradores voluntários da Agência Jovem de Notícias, por se tratar de um espaço plural e de experimentação aberto a adolescentes e jovens de todo o Brasil.

*Artigo escrito por Diego Henrique da Silva, jornalista e educomunicador do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/09/16 12:02:22 PM
(Foto: Acervo)

(Foto: Acervo)

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente. Não basta ter formação, deve-se ter habilidades e conhecimentos que possibilitem exercer as mais diversas funções – isso é um reflexo do mercado globalizado, empresas virtuais que exigem criatividade, readaptações e redução de custos. Neste cenário, ter contato ainda no ensino médio com conhecimentos, experiências e práticas de algumas profissões preparam o jovem para o primeiro emprego ao mesmo tempo que o auxilia na escolha da formação superior.

Percebe-se que, no geral, os jovens tratam o ensino médio como ultrapassado e desinteressante. Então, é urgente retomar a atração deles nessa etapa de ensino, tanto no aperfeiçoamento do currículo, como também refletir as práticas metodológicas utilizadas. Se os jovens não demonstram interesse em fazer o ensino médio, consequentemente, ficarão desinteressados e desestimulados.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE) no Relatório Síntese de Indicadores Sociais 2015, a taxa de conclusão do ensino médio passou de 45,5% para 60,8% entre 2004 e 2014. Em uma década, milhares de jovens saem dos bancos das escolas com a dúvida sobre qual o melhor caminho e profissão seguir.

Neste cenário inserir a formação profissional durante o ensino médio é uma forma de revertermos o quadro de desinteresse dos jovens ao mesmo tempo em que aproximamos o mercado de trabalho dos futuros profissionais ainda dentro da escola. Algumas áreas possibilitam desenvolver habilidades e experiências que podem ser aplicadas a qualquer profissão, como a administração.

Com conceitos fortemente aplicados, a administração está presente na base de qualquer outra profissão, seja na carreira profissional ou na vida particular. A área é tão ampla que pode ser considerada área meio ou fim. Meio, pois está vinculada com as engenharias, saúde, tecnológica, gestão escolar e negócios educacionais, ou seja, a administração permeia todas as áreas do conhecimento e por meio dela identificamos o sucesso de um empreendimento. Ainda pode ser considerada área fim como objeto de estudo das ciências sociais aplicadas, pois administração é um dos cursos com o maior número de alunos matriculados. Indicativo que a área tem procura e existe demanda por profissionais com esta formação.

Em setembro foi comemorado o dia do administrador e o espírito empreendedor desses profissionais é uma forma de despertar o interesse dos alunos e mostrar o mundo de possibilidades que pode se abrir por meio de ações empreendedoras ainda no banco das escolas.

Ainda no ensino médio, é possível estimular os alunos a identificarem pequenas ações que podem ser desenvolvidas e aproveitadas no mundo profissional. Hoje, já é possível encontrar em várias escolas práticas que ajudam na identificação de potenciais empreendedores e que facilitam a criação de empresas Júnior. Mostrar realidades e situações diferentes, incentivar novas ideias e oferecer ferramentas diferentes aos alunos ajudam no incentivo e manutenção da jovialidade e entusiasmo necessários para o desenvolvimento de jovens idealizadores.

A grandeza da área administrativa está em proporcionar base conceitual, experiências e habilidades a qualquer área de formação e estar presente no ensino médio pode auxiliar a escolha da formação superior, profissionalizando o jovem antes da conclusão da educação básica ao mesmo tempo que o habilita ao exercício de diversas funções.

* Artigo escrito por Élcio Miguel Prus, coordenador geral do Ensino Médio Integrado do TECPUC, associado do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 26/09/16 2:18:38 PM
(Imagem: Divulgação)

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Ontem a noite minhas filhas me chamaram para assistir a um filme que estava prestes a começar. Era o documentário da história de Malala Yousafzai, a menina paquistanesa que desafiou a violência dos Talibãs para simplesmente ter o direito de ir a escola e estudar. Como já conhecíamos um pouco da história pelas conversas em casa, ambas queriam muito saber mais. Ótima oportunidade pra um filme em família, como sempre fazemos, mas dessa vez era especial. Afinal tratava-se de uma história marcante. Sabíamos que ali estava um momento único para conhecerem a fundo uma menina que muda o mundo todos os dias. A coragem, força e espírito grandioso de Malala que levantou a voz, não apenas por ela, mas pelo direito de todas as meninas do mundo pela educação, são avassaladores.

Durante quase uma hora e meia de filme, as duas ficaram hipnotizadas e emocionadas, assim como nós, pela trajetória e luta de Malala e sua causa. Pequenos grandes exemplos de mulheres, como de uma menina, que se coloca com grandeza e propósito diante de um mundo machista, violento e preconceituoso, são extremamente valiosos para se expor e discutir em família. Afinal onde estão hoje os líderes altruístas que inspiravam gerações inteiras no passado?

Eles sem dúvida ainda estão por aí, mas com pouco espaço na mídia, na escola e no dia a dia de muitas pessoas. Acredito ser vital expor nossos jovens à história humana de mudança e coragem. São fontes de exemplos reais que nos mostram valores simples e ao mesmo tempo grandiosos. Mas muitas vezes negligenciados por família, escolas e veículos de comunicação. De que é preciso olhar ao redor e pensar no outro, além de nós mesmos. E de que grandes desafios e mudanças acontecem com pequenas atitudes todos os dias.

A história de Malala cativa por sua simplicidade, humildade e força. E, ao final, constata-se que, apesar de provavelmente essa menina ter nascido já destinada a mudar a história do mundo de maneira quase messiânica, percebemos que toda força, coragem e confiança que ela possui, não vêm de religião ou força divina como ela mesma dá a entender. Mas sim de sua própria casa, de sua família. Desde o avô de Malala, um homem eloquente segundo própria descrição do pai, que falava às multidões sobre direitos e importância da sabedoria, do alto de uma pedra. Até seu pai, um homem que abriu uma pequena escola com as próprias mãos quando Malala era muito pequenina, por simplesmente não aceitar submissão, poder e segregação impostas pela velha escola de seu país que não permitia liberdade de pensamento e a presença de meninas.

Ao longo do filme fica claro pelas palavras da própria Malala que sua família lhe deu toda confiança para ser o que é. Segundo ela mesma, uma menina normal, com medos e dúvidas, mas com vontade de ajudar pessoas e mudar o mundo. E acima de tudo, apesar da hostilidade de um ambiente que em nada favorecia a sua luta pelo direito de ir a escola, sua família lhe deu a maior das liberdades: a de escolher fazer o que sabia e sentia ser o correto. Não apenas para ela, mas também à todas as meninas do mundo que lutam por direitos e oportunidades.

Pais presentes, que conversam, educam, e estão por perto, apoiando, incentivando, corrigindo e ao mesmo tempo dando asas podem transformar realidades e futuros. “Os maiores exemplos vêm mesmo de casa, de nossa própria família”, diz o pai de Malala. Ditado conhecido, mas talvez pouco praticado hoje em dia em muitos lares. Sempre acreditei nisso e tentamos cultivar esses momentos em casa, com muita conversa, histórias e relação pele com pele. É o caminho que acreditamos para ensiná-las e ao mesmo tempo libertá-las. Terão suas próprias asas para decidirem o que querem.

Ao ouvir a história de Malala e sua família, percebemos o quão simples deveria ser essa relação de família e ao mesmo tempo o quão complexa e crucial pode ter na educação ao longo da vida. Nascida no Vale do Swat, Paquistão, em um ambiente de violência, autoritarismo e segregação, principalmente contra a mulher, Malala ainda fala com muito carinho e saudosismo das ruas de pedras, das suas amigas, dos banhos de rio e de sua casa na cidade natal. E apesar de hoje morar na Inglaterra e viajar o mundo pela sua causa, diz que tem um grande sonho ainda. De pelo menos um dia poder entrar em sua casa novamente. Um único dia e estaria muito feliz. Já seu pai, sonha reencontrar aqueles seus alunos de sua pequena escola, que ele ensinou a subir na cadeira para dizerem o que pensavam. A não se calarem ou aceitarem submissão e imposições.

Ao final, após ter ganho o prêmio Nobel da Paz — 2014 — com seus 16 anos, Malala diz que ficou lisonjeada com o prêmio e muito feliz, mas completou: “O prêmio não é o que me deixa mais feliz, o que me move é saber que estou ajudando tantas meninas e pessoas em todo o mundo, do meu jeito.” E seu velho pai, quando perguntado também sobre o que realmente importava com o prêmio que Malala havia recebido, responde: “O que realmente importa? Mudança. Mudança importa”. Não deixem de ver esse filme juntos, com seus filhos. Professores, não deixem de assisti-lo com seus alunos. Uma avalanche de inspiração, vida e de valores essenciais de família, educação e propósito que valem a crença na humanidade.

*Artigo escrito por Jean Sigel, especialista em Marketing, Comunicação e Inovação, e co-fundador da Escola de Criatividade. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/09/16 11:20:02 AM
(Foto: Acervo Marista)

(Foto: Acervo Marista)

As Matrizes Curriculares que orientam as ações das escolas apontam que, junto à excelência acadêmica, os estudantes devem desenvolver competências tecnológicas, ético-estéticas e políticas. A escola de hoje, portanto, precisa assumir o compromisso com a formação de sujeitos comunicadores, pesquisadores e solidários. Para desenvolver este perfil ao longo da escolaridade, princípios como ética e busca do sentido da vida, solidariedade e cultura da paz, protagonismo e co-responsabilidade, diversidade e multiculturalidade, devem estar presentes nos conteúdos estudados pelas crianças.

Do ponto de vista político, este ano tem sido especial para ensinar às crianças sobre representatividade. Da sessão de votação de impeachment transmitida ao vivo pelas TVs abertas, na qual cada deputado justificou sua posição, às eleições que se aproximam e por meio do horário eleitoral gratuito, que permitem que, teoricamente, tenhamos acesso às propostas dos candidatos, temos elementos de sobra para discutir o tema em sala de aula.

Mas nada melhor do que vivenciar uma situação para entender o seu real significado. Escolher um representante, acompanhar o que ele efetivamente faz, e cobrar ou reconhecer a sua atuação é um exercício que fortalece a democracia e que pode começar bem antes dos 16 anos por meio de projetos como os grêmios estudantis.

No Colégio Marista Santa Maria, a prática da escolha do representante começa cedo, por meio do grêmio infantil, voltado às crianças de 9 a 10 anos. A iniciativa, cujo símbolo de liderança é um avental representando “estar a serviço”, acontece desde o ano de 2008 e tem por finalidade discutir interesses e questões que afetam diretamente o cotidiano das crianças do Ensino Fundamental. Estimula o protagonismo por meio da negociação, da construção coletiva de soluções para os problemas discutidos, tendo como princípio o respeito aos diferentes pontos de vista e assim contribui com a missão   “de formar cidadãos humanos, éticos, justos e solidários para a transformação da sociedade”.

Durante a condução do processo eleitoral do grêmio, as crianças são orientadas a observar nos candidatos a sua postura. Gentileza, pontualidade, capacidade de ouvir e respeitar a escolha dos outros são alguns dos comportamentos ensinados algumas atitudes valorizadas.

Os pais também são orientados a conversar com os filhos sobre política, expor suas ideias sem usar palavras ofensivas, mostrando seu ponto de vista sem usar expressões que denigram a integridade das pessoas em questão e, essencialmente, valorizando o respeito às diferenças e a não violência.

Com atitudes como estas, acreditamos que família e escola caminharão juntas na formação de futuros representantes da sociedade, que terão seus comportamentos e ações baseadas na ética e na solidariedade, valorizando o bem comum e lutando por ele.

*Artigo escrito por Antoniella Polinari Cavassin, coordenadora psicopedagógica do Colégio Marista Santa Maria, do Grupo Marista. O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/09/16 10:21:16 AM
(Foto: Divulgação/SESI Internacional)

(Foto: Divulgação/SESI Internacional)

Uma pesquisa publicada em meados de 2015 pelo jornal britânico The Independent revelou que 76% dos mil alunos entrevistados acham que as escolas focam no bom desempenho nas avaliações e não no mercado de trabalho. Nenhuma pesquisa semelhante feita com alunos brasileiros, mas não é difícil concluir que o resultado seria similar.

Mas, afinal, o que seria preparar os alunos, que muitas vezes nem sabem o que querem de sua vida profissional, para o mercado de trabalho? Não se trata, é claro, de antecipar uma decisão tão importante, e sim de ajudar a desenvolver aptidões comuns e valorizadas em todas as profissões. E para isso, o trabalho em equipe é um aliado e tanto.

As relações interpessoais são as primeiras que levam vantagem. Trabalhando em grupo, os estudantes aprendem desde cedo a se relacionar, a defender suas ideias e a negociar – quem não viu um cenário corporativo aqui? São estimulados também a administrar o tempo e a tomar decisões, tudo isso levando em conta as particularidades e talentos individuais. O trabalho em equipe é capaz de desenvolver líderes e identificar habilidades que precisam de atenção em um mundo no qual a colaboração é a palavra de ordem.

As possibilidades do trabalho em grupo são enormes justamente pela união das tantas personalidades. Enquanto em uma atividade individual o repertório é único, em uma equipe os pontos de vista e modos de pensar são tão plurais quanto o número de participantes. Quando construímos em conjunto, a troca de vivências, experiências e conhecimentos acaba tornando o aprendizado muito mais rico e interessante.

É notável também – e igualmente importante – que, além do desenvolvimento de características indispensáveis para o mercado de trabalho atual, o trabalho em equipe forma pessoas melhores, mais humanas. Em grupo, elas têm a oportunidade de pôr em prática a empatia e aprendem a respeitar as diferenças, tornando-se cidadãos mais tolerantes. Além disso, desenvolvem a capacidade de resolver conflitos – habilidade essencial nos dias atuais.

Para que se tire o melhor proveito do trabalho em equipe, o educador deve estar atento e atuar como um gestor de talentos, sabendo formar equipes plurais, com diferentes vocações, para que cada estudante possa se destacar, sendo o protagonista de seu próprio aprendizado. Dessa forma, há mais chances de os alunos crescerem mais confiantes e preparados para fazer diferença no mercado de trabalho e na vida em sociedade.

*Artigo escrito por Lilian Luitz, psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente de educação do SESI Paraná. O SESI colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/09/16 11:47:33 AM
(Foto: Prefeitura de Pato Branco/Divulgação)

(Foto: Prefeitura de Pato Branco/Divulgação)

Os primeiros anos de vida de uma criança necessitam de cuidados e educação de qualidade, que lhe proporcionem bem-estar para a edificação das bases do seu desenvolvimento e aprendizagem. Isso impacta significativamente em suas habilidades cognitivas, sociais, motoras, emocionais e influenciará o processo de alfabetização. A qualidade nesses cuidados amplia o desenvolvimento das habilidades de aprendizagem da criança e previne a exclusão social e econômica.

De acordo com um estudo feito pelo prêmio Nobel de economia, James Heckman, cada dólar investido na educação infantil rende sete vezes mais ao longo do tempo. Isso é comprovado especialmente nos casos em que as crianças provêm de meios desfavorecidos. Vários outros estudos enfatizam resultados semelhantes.

A Comissão da União Europeia declara que a qualidade dos cuidados e da educação na primeira infância é a base para a aprendizagem ao longo da vida e um investimento sustentável para uma sociedade. Isso reduz o risco de abandono escolar futuro e se não for feito com qualidade tem prejuízos que não podem ser reparados ou ganhos mais tarde por meio da educação.

Conforme comprovam estudos do PISA, Programa Internacional de Avaliação de Alunos, esses cuidados com a educação infantil trazem resultados de aprendizagem positivos em alunos de 15 anos de idade. Um dos efeitos positivos desse investimento na qualidade da educação infantil é a redução da desigualdade e da discriminação entre as diferentes classes sociais.

O investimento na educação infantil deveria ser a parte mais importante de um programa educacional, pois tem um impacto e um benefício para toda a vida do indivíduo. Isso se deve ao fato que as bases para a aprendizagem, para a confiança, para a formação de relacionamentos, entre outras competências, são formadas nos primeiros sete anos de vida. Criar uma fundação estável na primeira infância impacta em adultos melhores, capazes, produtivos e valiosos, que poderão “pagar seus dividendos” para as gerações futuras.

Toda criança tem o direito a uma educação infantil sistematicamente planejada, a um professor bem preparado, a um ambiente enriquecedor e diversificado para brincar, que oportunizarão seu desenvolvimento. Essa é uma forma eficiente de prevenir a vitimização, a exclusão e as desigualdades sociais. A educação infantil é um direito de toda criança e sua qualidade está diretamente relacionada às possibilidades de uma boa vida.

* Artigo escrito por Annukka Lyttinen, professora finlandesa, mestre em Educação e colaboradora da equipe de coordenação da Pós-graduação em Educação Transformadora da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve programas de educação integral transformadora para adolescentes, professores e famílias. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação & Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 15/09/16 11:52:28 AM
(Imagem: Divulgação)

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Infelizmente, ninguém costuma ler os termos e condições de uso de sites e aplicativos, fato público e notório. No entanto, são esses documentos (mal redigidos e traduzidos de forma idiossincrática – https://www.whatsapp.com/legal/?l=pt_br#terms-of-service) que definem o que os seus aplicativos favoritos e serviços têm direito a fazer com os dados e informações fornecidos pelos usuários. O novo termo de uso informa sobre a junção com o Facebook ocorrida em 2014. O que muitas pessoas não sabem é que o Facebook, em processos judiciais, gastava recursos argumentativos hercúleos para provar que não possuía nenhuma relação com o WhatsApp Inc.; em meados de 2015, afirmava que a negociação sequer havia sido concluída, argumentos que, infelizmente, foram abraçados por muitos juízes de primeiro grau. Agora, as inverdades contadas em juízo vêm à tona com o novo termo de uso.

Com a nova política, o aplicativo não restringe a coleta de dados dos usuários, visto que o tópico “Informações que o WhatsApp não coleta”, foi suprimido. O novo termo de uso também altera a idade mínima dos usuários. Antes, o WhatsApp recomendava que apenas maiores de 16 anos utilizassem a sua ferramenta; o atual termo de uso reduziu a idade mínima para 13 anos, nos termos da legislação norte americana, of course.

Em outra parte do termo de uso está escrito que: “Você concorda em defender, indenizar e isentar as Partes do WhatsApp de toda a responsabilidade e de todos os danos, prejuízos e despesas de qualquer natureza (inclusive custas judiciais e honorários advocatícios justificados) (…). ”

Alguns Tribunais brasileiros promovem intimações judiciais via WhatsApp, motivo pelo qual, obviamente, esses tribunais estão de acordo com os termos de uso da empresa. Ora, se por obra e acaso do destino, o serviço trouxer danos ou prejuízos às partes, serventuários da justiça, juízes, desembargadores ou mesmo ao próprio Tribunal, irão esses defender, indenizar e isentar as Partes do WhatsApp de toda a responsabilidade, custas judiciais e honorários advocatícios, bem como cooperar com o WhatsApp na defesa ou transação em qualquer ação judicial? O novo termo trará consequências inimagináveis; para escapar de tal cláusula, precisaria o Tribunal ser equiparado à figura hipossuficiente do consumidor (fato absurdo e impossível) ou clamar pela concepção social do contrato, que tem como pressuposto a necessidade de proteção do equilíbrio entre os interesses legítimos de ambos os contratantes.

Quem irá resolver essa insana controvérsia? O novo termo explica com clareza singular: “um juiz estadual na Califórnia do Norte ou um juiz estadual localizado no condado de San Mateo, Califórnia, e concorda em se submeter à jurisdição de tais juízes no ajuizamento de qualquer ação envolvendo a Controvérsia.”

Nas ações judiciais, insistentemente, o Facebook afirma que não possui domicílio no Brasil, portanto, já que o Código de Defesa do Consumidor foi ridicularizado pelo termo de uso do WhatsApp, vamos aproveitar a oportunidade para jogar na cesta de lixo o artigo 12 da Lei de Introdução ao Código Civil – É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação – e vamos todos nos submeter ao entendimento do juiz do condado de San Mateo. Bye, bye!

*Artigo escrito por Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada sócia do SLM Advogados, membro da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP e idealizadora do Programa Proteja-se dos prejuízos do Cyberbullying. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 01/09/16 4:50:36 PM
(Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo)

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Há quem ainda duvida, mas os dias estão demonstrando que a verdade é esta e não tem mais volta: a letra cursiva esta morrendo. Olhamos para ela e vemos seus últimos suspiros e, que bom, poder ver o velho morrendo para que o novo possa surgir. Como diria a poeta: tudo se transformando, para desaparecer. Assim é.

Não podemos creditar a morte da letra cursiva somente ao fato de que as tecnologias vieram pra ficar e aceleraram a morte da escrita. Na verdade, temos sim que dar por parte dessa morte eminente à tecnologia, mas não podemos creditar a ela unicamente o desaparecimento. O que está acontecendo de fato é que, por muitos e muitos anos a letra cursiva no Brasil foi e ainda é, tanto para alunos e sobretudo para alguns professores, moeda de segregação, ou seja, ou se sabia fazê-la ou não se prestava para a atividade cognitiva. Triste.

Acontece que, aos poucos, esta falácia foi se apresentando e com o empoderamento dos alunos no Brasil (alunos avaliando professores, cobrando novas didáticas da escola, querendo conteúdos mais pertinentes, ocupação de escolas, organizações estudantis, cotas e outros) os alunos foram se apossando dos papéis de atores também do processo e esse empoderamento acabou por mostrar que esta questão de letra cursiva é completamente contrária ao discurso inclusivo que percorre o Brasil, por exemplo.

Inclusão e letra cursiva são duas palavras que jamais caminhariam juntas. Assim, percebeu-se logo que ao falar em inclusão, teríamos que automaticamente excluir a obrigatoriedade de várias práticas escolares, incluindo aí a exigência besta e cega de letra cursiva. Daqui a pouco chegaremos à avaliação, presença na escola entre outras. Aguardem.

O outro argumento que eu rechaço aqui é de que a letra cursiva melhora ou aprimora a cognição. Mentira. No Japão, por exemplo, não existe a letra cursiva e até onde sabemos os alunos de lá não sofrem por falta dela. Há outros países no mundo também excluindo está exigência por estarem descobrindo que ela não pertence mais a uma escola deste tempo.

Por último, temos que lembrar aqui que a letra cursiva não é capaz de sozinha desenvolver as competências motoras ou coordenações motoras finas, pelo contrário, ela apenas cobraria das crianças mais uma habilidade inócua e o não “atingimento” dessa levaria mais uma vez a criança à exclusão.

O cuidado que devemos tomar agora enquanto vemos os últimos suspiros da letra cursiva nas escolas de alfabetização é dar outra função aos professores, pois aqueles que só viam ou veem na prática de alfabetização fazer a criança desenhar, a qualquer custo, a letra cursiva, agora podem descobrir um novo conflito e é aí que mora o problema: o professor descobrir mais uma vez que ele pode ficar sem função social.

*Artigo escrito por Geraldo Peçanha de Almeida, Doutor em Letras/Literatura pela UFSC, autor de mais de 50 livros, participou do Projeto de Avaliação em Leitura em Moçambique, uma parceria entre a Alemanha e o país africano. O profissional é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/08/16 10:37:40 AM
(Foto: Jhully Brunhera dos Santos)

(Foto: Jhully Brunhera dos Santos)

Quando digo que trabalho com Educomunicação, inevitavelmente vem a pergunta “E o que é isso?”. As respostas variam, mas geralmente giram em torno do “usar a comunicação para ensinar e aprender sobre direitos humanos, participação social, cidadania…” e por aí vai.

Para os que gostam de um pouco de história, a Educomunicação começou a aparecer em textos e documentos na década de 1980. Na América Latina, teve seu surgimento associado principalmente a projetos de instituições religiosas, organizações não governamentais e movimentos sociais, além de ter sido objeto de estudo no campo acadêmico (como na pesquisa Perfil do Educomunicador, do Núcleo de Comunicação e Educação da USP, feita no fim dos anos 1990).

Em termos conceituais, a Educom visa o planejamento e a implementação do que o teórico Ismar Soares chama de “ecossistemas comunicativos abertos e criativos”, que possibilitem a expressão e troca de ideias entre diferentes membros da comunidade (seja ela a escola, a família, o bairro etc.). Em linhas gerais, toda a iniciativa em educomunicação busca incentivar o diálogo, a colaboração e se baseia no entendimento de que todos podem ensinar e ser ensinados, dentro e fora da escola. E a comunicação aparece como principal engrenagem para o aprendizado de todos, já que sem ela não há compartilhamento nem construção coletiva dos saberes.

Hoje reconhecida enquanto política pública na cidade de São Paulo (por meio da Lei municipal nº 13.941/2004), a Educom carrega diversas possibilidades de interação com temas como o direito humano à comunicação (noção que engloba o direito à liberdade de expressão, o direito de acesso à informação e, de maneira mais abrangente, a representatividade de grupos historicamente excluídos e discriminados na produção de comunicação), democracia participativa, meio ambiente e (de novo) por aí vai. Mas para não ficar só no mundo abstrato das ideias, que venham os exemplos práticos:

Educom é montar uma rádio comunitária na escola que seja pensada por estudantes e professores em conjunto. É sugerir que adolescentes saiam pelo bairro à procura de figuras conhecidas, as entrevistem e depois escrevam um relato dessa experiência (liberdade poética também é importante aqui). É fazer uma saída fotográfica para o centro histórico da cidade, ter uma aula de História lá e depois selecionar as melhores fotos e publicar no jornalzinho da escola. É trazer os vídeos e programas favoritos da gurizada para debater… qualquer tema e ainda de quebra instigar críticas ao modelo e linha argumentativa apresentados no produto audiovisual. É sair do modelo de educação verticalizado (no qual o professor é visto como único detentor da palavra, enquanto os demais se limitam a escutar e fazer anotações) para construir e (melhor ainda) desconstruir noções coletivas do que é socialmente aceitável ou não.

*Artigo escrito por Paula Nishizima, jornalista e educomunicadora do coletivo Parafuso Educomunicação. O Parafuso Educom é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 23/08/16 12:03:34 PM
(Foto: Daniel Caron)

(Foto: Daniel Caron)

É inegável que o advento da internet modificou substancialmente os fundamentos da sociedade contemporânea. A alta velocidade na transmissão de informações, a troca simultânea de mensagens e as redes pulverizadas de intercomunicação e de contatos circundados em todo Planeta transformaram-nos no que se costuma chamar de “sociedade da informação”. A sociedade cuja base está justamente na facilidade do acesso rápido e instantâneo à notícia.

A internet, nesse sentido, surge como uma plataforma de emancipação da própria cidadania das pessoas e do (re)conhecimento sobre a importância que a sociedade civil organizada tem em um sentido limitador do poder dominante, ao mesmo tempo em que permite igualar as fontes de obtenção de conhecimento, sem discriminação – aliás, é tanto por isso que alguns regimes políticos autoritários teimam em manter a sociedade afastada da rede.

Portanto, e o que isso tem de ruim? A geração que cresceu no ambiente da internet vive e se relaciona em uma velocidade em aceleração constante. A mesma rapidez que permite ampliar os rumos do intercâmbio de informações torna-as desatualizadas em um piscar de olhos. A notícia é velha e obsoleta do dia para a noite. As pessoas consomem a informação como um produto da sociedade e do espaço em que vivem, deixando de observar a necessidade de reflexão e de degustação da essência do produto para transformá-lo em conhecimento.

Para fazer frente ao processo de aceleração, a informação é ofertada em migalhas e de forma superficial porque, logo em seguida, outra virá a substituí-la. Não se consegue debater, refletir, pensar, compreender, decifrar o que está por trás. Se houver profundidade, perde-se a próxima; se houver leitura mais densa de conteúdo, o tempo passa apressado.

A facilidade de acesso e a instantaneidade da procura, juntamente com a rápida obsolescência das coisas que nos conformam e com a baixa densidade de observação das pessoas, torna a sociedade irreflexiva e transforma a informação em mero produto de consumo rápido e voraz – e o conhecimento em uma simples e superficial capa da verdade inatingível. A essência é irrelevante já que a sociedade prefere conhecer a casca. E as pessoas, que são criadoras e criaturas desse novo modelo, mostram na rede apenas o seu epitélio, a mera pelugem do que verdadeiramente são, porque não conhecem a si próprios ou têm medo de conhecer-se.

E o que isso tem a ver com o ato de plagiar? Muito, a nosso ver. O plágio é uma espécie de externalidade negativa do advento da internet; é o efeito lateral indesejado oriundo de um sistema em rede criado para impulsionar a comunicação e a troca instantânea de conteúdo, mas que muitas vezes é utilizado como mecanismo de indevida cópia e colagem de dados, textos e informações das mais variadas, sem a efetiva preocupação com a citação da fonte ou com a certificação de validade do conteúdo. Essa agilidade no acesso à informação célere e superficial acaba retirando das pessoas o sabor da pesquisa porque pesquisar é complicado e dá trabalho.

A pesquisa necessita investigar a essência. A pesquisa demanda um caminho extenso e às vezes cansativo, um processo constante de imersão de conteúdo a partir da retirada da redoma que protege o núcleo do conhecimento. O plágio é justamente o desapego pelo caminho e a obsessão pela linha de chegada.

Esquece-se, porém, que quando o percurso é difícil e intrincado o alcance do resultado esperado o torna mais saboroso. Por outro lado, quando o caminho é facilitado por inúmeros instrumentos de obtenção do resultado, o ato de percorrê-lo parece que se esvazia. E a pesquisa nada mais é do que o caminho, árduo, difícil e complexo para realização do proveito final almejado e se sobrepõe à ideia de apenas cumprir uma formalidade (para não dizer um obstáculo – como a veem alguns alunos) necessária à obtenção do resultado verdadeiramente desejado: o grau de bacharel, especialista ou seja lá o que for.

Nesse sentido, a vida acadêmica deve ser transformada. A universidade deve ser observada como uma janela para ampliação de horizontes, evitando que se a enxergue como um simples e necessário passo para a vida profissional e a entrada no mercado de trabalho. O espaço universitário é, assim, local de reflexão científica no qual o trabalho acadêmico de conclusão de curso deve revelar-se como um verdadeiro fechamento de ciclo, elevado a ser importante por si mesmo e pelos benefícios que a pesquisa nele condensada pode gerar, para si e para outros – e não como um espinhoso obstáculo à obtenção do diploma.

É preciso ter em mente que a sociedade somente se desenvolve positivamente a partir da construção conjunta e compartilhada do conhecimento – o conhecimento como fim em si mesmo e não como mero instrumento para persecução de outras vantagens (diploma, ascensão social, aumento de salário ou qualquer outra forma de ganho material direto ou indireto). O conhecimento, portanto, não é mera ferramenta de trabalho ou de obtenção de melhoria de vida social; aliás, o conhecimento só é verdadeiramente um instrumento (meio) quando utilizado para a construção de mais e novas competências hábeis a implicar o desenvolvimento de todos os cidadãos; de resto, do ponto de vista individual, é um fim em si mesmo, uma forma de ascensão interna e pessoal.

* Artigo escrito por Antonio Augusto Cruz Porto, mestre em Direito Econômico e Socioambiental/PUCPR, advogado e professor da Universidade Tuiuti do Paraná-UTP, e Cibele Merlin Torres, mestre em Direitos Fundamentais e Democracia/Unibrasil, advogada e gerente do Núcleo de Concursos da PUCPR, associados do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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