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Tubo de Ensaio

Enviado por Marcio Antonio Campos, 25/08/15 10:39:07 AM

Quando Cosmos – a Spacetime Odyssey passou na televisão paga aqui no Brasil, no primeiro semestre de 2014, só consegui ver os primeiros episódios. A versão repaginada da série apresentada por Carl Sagan nos anos 80 e que conquistou milhões de pessoas para a ciência, até onde eu sei, nunca chegou a passar na tevê aberta brasileira, mas a essa altura os episódios legendados já devem estar disponíveis em vários sites. Eu preferi comprar o box pouco depois de seu lançamento nos EUA. No último fim de semana, após uma maratona da série, posso comentar com vocês minhas percepções no que diz respeito à relação entre ciência e fé.

Em primeiro lugar, quem tem interesse em ciência, ainda que mínimo, tem de ver, ponto. A série é incrível, muitíssimo bem feita, os conceitos são didaticamente explicados, enfim, é uma festa para os olhos e para o cérebro. Dito isso, Cosmos é fundamentalmente sobre ciência, sobre o passado, o presente e o futuro do universo, e sobre a história de várias pessoas que nos ajudaram a compreender melhor toda a realidade física que nos rodeia. A religião e sua relação com a ciência aparecem como coadjuvantes, até mesmo figurantes, diria. Talvez alguém pense que a série minimiza o papel da religião na história do desenvolvimento científico; eu prefiro achar que essa questão simplesmente não estava entre os objetivos da série. Quem quiser uma abordagem mais específica sobre o assunto pode ler Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, de Thomas Woods, que virou a série A Igreja, construtora da civilização, no canal católico norte-americano EWTN (alguns episódios foram temas de posts do Tubo).

Neil DeGrasse Tyson em episódio de Cosmos

O astrofísico Neil DeGrasse Tyson conduz o espectador pelo universo, desde o nível atômico até o das supergaláxias. (Foto: Divulgação/Fox)

Tanto a religião é mera coadjuvante em Cosmos que o episódio em que ela tem um papel mais proeminente é justamente o de estreia, que conta a história de Giordano Bruno. Na época da exibição da série na tevê, publiquei um post comentando o caso, então não é o caso de simplesmente repetir o que já está lá. É interessante notar que o segundo episódio, que trata da evolução, dava muita margem para reflexões sobre a relação entre ciência e fé, mas os responsáveis pela série optaram por não entrar de cabeça na polêmica. O apresentador de Cosmos, Neil DeGrasse Tyson, diz apenas que a teoria causou alvoroço por questionar a crença de que tínhamos sido criados separadamente, mas logo deixa a controvérsia de lado para reforçar a “experiência espiritual” de assumirmos nosso parentesco com todos os seres vivos. Sobra um tempinho para uma crítica ao Design Inteligente, mas é só isso.

O criacionismo, no entanto, é mencionado duas vezes, ambas de passagem, ao longo da série. No episódio “A sky full of ghosts” (número 5 no DVD, número 4 na exibição televisiva), Tyson explica que estamos vendo o passado das estrelas e usa o exemplo da Nebulosa do Caranguejo, que está a 6,5 mil anos-luz de nós. Ora, se o universo foi criado há 6 mil anos, como dizem os criacionistas de Terra jovem, como somos capazes de ver estrelas e galáxias que estão muito mais afastados de nós que a Nebulosa do Caranguejo? E o episódio 7 (“The clean room”) começa citando o cálculo de James Ussher e mostra como Clair Patterson conseguiu determinar a idade da Terra a partir da análise de destroços deixados por impactos de meteoros.

Cosmos é um grande desfile de personagens que fizeram a história da ciência, e a religiosidade de alguns deles é mencionada ao longo da série. O caráter profundamente místico de Isaac Newton aparece no episódio 3 (“When knowledge conquered fear”). No mesmo “A sky full of ghosts” ficamos sabendo que John Michell, o primeiro cientista a propor, no século 18, a ideia de buracos negros, também era pastor anglicano. Mas talvez o episódio mais significativo neste quesito seja “The electric boy” (número 9 no DVD, número 10 na televisão), quase todo dominado por Michael Faraday, que nem sempre tem o reconhecimento que merece, apesar de seu trabalho ter sido fundamental para que o mundo seja hoje como ele é. Presbiteriano, Faraday foi um homem profundamente religioso, e o episódio cita esse fato, embora sem dar a ele o peso ideal: para Faraday, havia uma profunda união entre Deus e a natureza, e isso influenciava seu trabalho.

Michael Faraday em animação da série Cosmos

Michael Faraday domina quase um episódio inteiro de “Cosmos”: um dos maiores cientistas da história também era um homem profundamente religioso. (Imagem: Divulgação/Fox)

O mesmo episódio ainda nos apresenta James Clerk Maxwell, que traduziu em equações matemáticas aquilo que Faraday (que tinha pouquíssima instrução formal) foi descobrindo usando sua intuição. A religiosidade de Maxwell era tão intensa quanto a de Faraday, mas esse fato não é citado em Cosmos. Assim como Maxwell, há outros casos de cientistas cujas convicções religiosas passam batidas. Até acho que na maioria dos casos não faria mesmo diferença mencioná-las ao longo da série, mas deixo registrado aqui: Cecilia Payne (episódio 8, “Sisters of the Sun”), após ter sido agnóstica, se tornou unitária e chegou a dar aulas em escola dominical; Vera Rubin, personagem do episódio final, é judia, leva a sério sua religião e não vê problemas em compatibilizá-la com a ciência, inclusive integrando a Pontifícia Academia de Ciências; o austro-americano Victor Hess, que aparece no mesmo episódio, era católico e chegou a escrever sobre ciência e fé (veja uma tradução em espanhol aqui), tendo também feito parte da PAC. A ausência notável em Cosmos é a do padre Georges Lemaître, pioneiro do Big Bang e que, no mínimo, deveria ter tanto reconhecimento no que diz respeito à observação da expansão do universo quanto Edwin Hubble (que, na série, leva todo o crédito).

Além dos personagens, alguns outros temas caros ao diálogo entre ciência e fé também aparecem de relance em Cosmos: o papel da ciência como “purificadora” da religião, eliminando a superstição e oferecendo explicações que debilitam a noção de “Deus das lacunas”, aparece nos episódios 3, 6 (“Deeper, deeper, deeper still”) e 11 (“The immortals”). A capacidade do ser humano de reconhecer padrões, o que levou ao reconhecimento de que havia leis naturais regendo o universo (uma noção reforçada pela visão judaico-cristã de que Deus dispôs “tudo com medida, quantidade e peso”), é mencionada nos episódios 3, 6 e 8. E um ou outro podem interpretar o discurso final da série, que fala em “questionar a autoridade” (tema que também aparece em “Hiding in the light”, episódio 4 do DVD e 5 na televisão) como um ataque à religião, mas eu discordo: Tyson critica o fanatismo, não a religião. Tenho quase certeza de que São Roberto Bellarmino teria concordado com o texto.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 24/08/15 10:22:45 AM

Estava revisando os comentários no blog quando deparei com um pedido do meu xará Marcio Monteiro. Em abril deste ano, ele comentou num dos posts do Tubo:

“Recentemente, no programa do Jô Soares, que entrevistava o Pe. Reginaldo, o Jô aproveitou para, ao lhe perguntar, tirar um sarro da igreja, dizendo que o Papa Pio X teria proibido, na época, o famoso médico Louis Pasteur de aplicar vacinas nas pessoas. Ou seja, querendo dizer claramente para o padre que a Igreja em que ele é sacerdote é retrógrada. O padre, por sua vez, contemporizou e não soube dar uma resposta convincente sobre tal tema, talvez por não saber deste fato, historicamente falando. Este fato realmente aconteceu?”

Papas Pio X e Leão XII

No Jô, Pio X (à esquerda) acabou levando a culpa por algo que Leão XII (à direita) teria feito, mas também não fez. Está armada a confusão! (Imagens: Reprodução)

Primeiro, peço desculpas ao Marcio por ter demorado tanto para perceber o seu pedido. Agora, resolvendo a questão: bom, fui procurar a tal entrevista. Ocorreu em novembro de 2012, quando o padre Reginaldo estava lançando Feridas da Alma. Para assistir, basta clicar no link acima. A afirmação do Jô Soares está no minuto 5:38 do vídeo. Após o padre dizer que “a Igreja é sanitarista”, a propósito da remoção da água benta na sua paróquia por causa da epidemia de dengue e do H1N1 (uma medida da qual eu discordo por privar o fiel de um sacramental, mas vá lá), o apresentador retruca: “até certo ponto, porque Pio X, por exemplo, proibiu o uso, proibiu Louis Pasteur de ceder vacina, vacina era um anátema, era um perigo, era um pecado”. O padre Reginaldo deu uma desviada do fato histórico (provavelmente por não saber os detalhes, não o culpo) e falou da importância de colocar as coisas no seu contexto, o que é mesmo correto. Depois o Jô vai soltar mais umas besteiras sobre doutrina da Igreja, faz umas perguntas absolutamente idiotas, mas vamos aos fatos:

São Pio X (cuja festa litúrgica, aliás, foi comemorada na sexta-feira passada) não poderia ter proibido Louis Pasteur de ter aplicado vacinas em hipótese alguma, por um motivo muito simples: Pasteur morreu oito anos antes de Giuseppe Sarto ter sido eleito papa e assumido o nome de Pio X… como o Jô soltou a informação assim, sem fonte nenhuma, considerei outras hipóteses: 1. que outro papa tenha feito essa censura a Louis Pasteur; 2. que Pio X tenha feito essa censura a outros cientistas, mas não Pasteur; 3. a oposição às vacinas tenha vindo de outro papa e sido dirigida a outras pessoas. Quanto aos dois primeiros itens, não encontrei absolutamente nada. Não há controvérsias envolvendo Pio X e vacinação; e Pasteur não encontrou nenhuma resistência papal ao seu trabalho. Sobra a terceira hipótese.

E aí lembrei de uma lenda. Leão XII, papa entre 1823 e 1829, teria, sim, proibido a vacinação contra a varíola nos Estados Pontifícios em termos duríssimos, segundo os quais a varíola era uma punição divina, e por isso quem recorresse à imunização estaria afrontando o próprio Deus. Mas parece que a história não foi bem essa. Tratei desse episódio aqui no Tubo de Ensaio em janeiro de 2011; na época, a acusação vinha do livro de um jesuíta adepto da Teologia da Libertação. O que posso acrescentar ao post original de 2011 é uma informação sobre Georgina Sarah Godkin, a autora do livro de 1880 (uma biografia do rei italiano Vítor Emanuel II) que menciona o episódio da vacinação. Ela pertencia a uma corrente de historiadores britânicos que adotava uma abordagem um tanto determinista e maniqueísta, que opunha as forças do progresso e da razão às do obscurantismo. Leão XII, conservador e autoritário, era um bom alvo segundo esses padrões.

Pelo menos essa não dá para jogar nas costas de Dickson e White…

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 21/08/15 11:17:30 AM
(Imagem: Emily Ruppel / God and Nature Magazine / Reprodução autorizada)

(Imagem: Emily Ruppel / God and Nature Magazine / Reprodução autorizada)

“Em verdade, em verdade vos digo: eu quisera falar sobre grãos de mostarda e o Reino de Deus, mas para evitar que espalhemos informação equivocada sobre se o grão de mostarda é realmente a menor de todas as sementes, começarei com um breve tutorial de Botânica sobre as propriedades físicas de todas as sementes que há em toda a Terra antes de seguir para a parte metafórica desse sermão…”

(o cartum é da Emily Ruppel, originalmente publicado na revista God and Nature, da American Scientific Affiliation, entidade que reúne cristãos que trabalham no campo da ciência. Para quem quiser, a parábola original do grão de mostarda está no capítulo 13 do evangelho de São Mateus, no capítulo 4 do evangelho de São Marcos e no capítulo 13 do evangelho de São Lucas)

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 19/08/15 12:07:11 PM

Mitologia não é coisa do passado: ela está bem viva, e assume novas formas com o passar do tempo. Uma das “mitologias modernas” é a do conflito sangrento entre ciência e religião, e um dos principais “caçadores de mitos” nesse campo é Ronald Numbers, autor de Galileo goes to jail, livro que sempre cito aqui e que pude resenhar para a revista Dicta & Contradicta anos atrás (o texto também está no Tubo).

O historiador Ronald Numbers, autor de Galileo goes to jail

Ronald Numbers tem se dedicado a combater os mais diversos mitos históricos sobre a relação entre ciência e fé. (Foto: Chemical Heritage Foundation/Wikimedia Commons)

Numbers esteve no Brasil em 2012 e, na ocasião, deu uma entrevista de 50 minutos para o pessoal do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, a mesma turma que entrevistou o padre Andrew Pinsent no vídeo que publiquei aqui semanas atrás.

O historiador trata de vários mitos em específico, como os de pessoas supostamente perseguidas pelo poder religioso por causa de suas ideias, mas também analisa a relação entre ciência e fé de um modo mais geral. Fala, por exemplo, da tentação de incluir Deus como explicação para o desconhecido; dos extremismos religiosos que são realmente incompatíveis com a ciência, especialmente em relação aos criacionistas, tema de outras pesquisas de Numbers; e de como os fundamentalistas religiosos e os ateus militantes são muito mais parecidos do que eles imaginam. Mais para o fim da entrevista, Numbers ainda conta uma história interessante: seu livro foi recusado por quatro editoras comerciais antes de ser publicado pela Harvard University Press, com enorme sucesso. Confiram:

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 12/08/15 6:14:37 PM

Em abril, a Universidade do Texas em Austin realizou um workshop sobre ciência e religião, com uma pegada maior para o lado da psicologia. Quinze participantes gravaram vídeos curtos (nenhum deles tem mais de 5 minutos), cada um respondendo a uma pergunta. No fim de julho, os vídeos foram para o YouTube.

Pesquisadores falaram sobre contribuições para o diálogo sobre a ciência e fé, sobre como a religiosidade pode mudar com a idade, e se a religião será substituída pela ciência algum dia. (Foto: Bill Davenport/Freeimages.com)

Pesquisadores falaram sobre contribuições para o diálogo sobre a ciência e fé, sobre como a religiosidade pode mudar com a idade, e se a religião será substituída pela ciência algum dia. (Foto: Bill Davenport/Freeimages.com)

Confiram cada um dos vídeos; estão em inglês, e todos têm ativada a possibilidade de legendas, também em inglês:

1. David Buss responde: “Como a psicologia evolutiva pode moldar o diálogo entre ciência e religião?”

2. Art Markman responde: “Como as ciências cognitivas podem moldar o diálogo entre ciência e religião?”

3. Azim Shariff responde: “Como as perspectivas evolutivas sobre a religião podem moldar o diálogo entre ciência e religião?”

4. Konrad Talmont-Kaminski responde: “Como a filosofia pode moldar o diálogo entre ciência e religião”? (pena que ele não está tão bem informado sobre o Sudário de Turim…)

5. Tom Lawson responde: “Por que não há mais cientistas sociais participando da discussão popular sobre ciência e religião?”

6. Kelly James Clark responde: “Por que há tanto antagonismo nos diálogos midiáticos entre crentes e ateus?” (nesse caso eu posso dizer que praticamente adivinhei a resposta, e acho que muitos leitores também vão adivinhar)

7. Will Gervais responde: “Por que as pessoas não confiam em ateus?”

8. Bastiaan Rutjens responde: “Que tipo de visão as pessoas têm em relação aos cientistas?”

9. Paul Harris responde: “Quão parecidos são os processos de aquisição de explicações religiosas e científicas”?

10. Cristine Legare responde: “Como as pessoas conciliam explicações religiosas e científicas?”

11. Tania Lombrozo responde: “As explicações científicas e religiosas são filosoficamente incompatíveis?”

12. Robert McCauley responde: “Por que os cientistas deveriam se importar com religião?”

13. Andrew Shtulman responde: “Qual a melhor forma de criar um público mais bem informado sobre ciência?”

14. Jacqueline Wooley responde: “As pessoas ficam mais ou menos religiosas com o passar dos anos?”

15. Bruce Hood responde: “A ciência poderá, um dia, substituir a religião?”

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/08/15 11:32:24 AM

Mais duas para a agenda: o pessoal do Instituto Faraday está de volta ao Brasil! Desta vez, com um curso em Belo Horizonte, de 9 a 11 de outubro. As inscrições do 2.° Curso Faraday-Kuyper de Ciência, Tecnologia e Religião vão até 3o de setembro, mas quem fizer a inscrição ainda em agosto terá um desconto. As vagas são limitadas. Desta vez, quem virá ao Brasil é Andrew Briggs, da Universidade de Oxford. Eu o conheci em 2013, quando discutimos em Oxford a possibilidade de criar uma associação latino-americana de ciência e religião e Briggs veio nos trazer a experiência da International Society for Science and Religion.

Lagoa da Pampulha e igreja de São Francisco de Assis

Lagoa da Pampulha e igreja de São Francisco de Assis, destaques de Belo Horizonte, sede do curso Faraday-Kuyper de 2015. (Foto: Marcelo Rosa/Divulgação/Belotur)

E o Guilherme de Carvalho, que está envolvido na organização e será um dos palestrantes do curso de BH, também estará no primeiro Encontro Ibero-Americano de Ciência e Religião, na Cidade do México, que ocorre de 30 de setembro a 2 de outubro (antes, portanto, do curso Faraday). Pelo que entendi até o momento, não se trata de uma sequência, ou expansão, dos Congressos Latino-Americanos de Ciência e Religião que vinham acontecendo nos últimos anos: os organizadores são diferentes, embora algumas pessoas que conheci nos eventos de 2011 e 2013 também estejam envolvidos com o encontro do mês que vem. O prazo para submeter apresentações ou projetos já acabou, mas as inscrições para assistir ao evento ainda estão abertas e variam de US$ 30 (para estudantes que não precisarão de hospedagem) a US$ 125 (para não estudantes que desejem incluir hospedagem e um dia de passeio pela Cidade do México).

(Aviso: o Instituto Faraday, citado neste post, deu ao blogueiro uma bolsa para participar de um curso na Universidade de Cambridge, em 2011)

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 31/07/15 7:30:13 PM

A comunidade astronômica ficou animada com a descoberta do Kepler 452b, um planeta com características semelhantes às da Terra, especialmente no sentido de reunir algumas das condições para a existência de alguma forma de vida. Aparentemente, alguns veículos de imprensa resolveram procurar o Vaticano para falar a respeito. E, nesse caso, o caminho certo é procurar os jesuítas do Observatório Vaticano, especialmente seu diretor, o padre José Funes, ou o irmão Guy Consolmagno (que geralmente fala mais à mídia de língua inglesa).

Concepção artística do Kepler 452b

Concepção artística do Kepler 452b: jornalistas foram atrás da opinião “do Vaticano” sobre vida extraterrestre, mais uma vez. (Imagem: Nasa Ames/JPL-Caltech/T. Pyle)

Ao Tg2000, jornal televisivo italiano, Funes afirmou não acreditar que encontraremos vida “em ato”. “É possível que encontremos planetas que reúnam as condições nas quais se possa desenvolver vida, planetas onde talvez esteja em curso um processo de desenvolvimento de vida. Mais que isso não podemos dizer, o único caso de um planeta que abriga vida é o nosso”. À agência France Presse, Funes explicou um pouco mais, embora pareça se contradizer em relação ao que disse na televisão italiana: nas palavras do diretor do Observatório, pode até ser que haja vida, e vida inteligente, mas jamais saberemos, por causa das grandes distâncias que nos separam de Kepler 452b.

O que realmente me incomoda nessa última reportagem não são as declarações de Funes, mas o título “Vaticano diz…”, como se houvesse alguma autoridade doutrinal nas palavras do diretor do Observatório Vaticano. Essa é a avaliação dele como especialista científico, não carrega nenhum peso moral ou de doutrina. Suspeito que tenha sido coisa da AFP, que já cometeu erros muito piores na cobertura da Igreja Católica; surpreende-me é que a Rádio Vaticana tenha usado esse palavreado.

É claro que, quando vão atrás do Vaticano para algo assim, o que os jornalistas realmente querem saber é se existe alguma implicação teológica caso um dia encontremos vida (especialmente vida inteligente) fora do nosso planeta. A esse respeito, Ruth Bancewicz publicou recentemente em seu blog um texto sobre a palestra de David Wilkinson no curso de verão do Instituto Faraday deste ano, em Cambridge. Wilkinson listou vários teólogos cristãos e suas visões sobre o tema, que passam por aspectos como a onipotência divina e o papel especial do homem na criação. O site do Faraday não tem o vídeo da palestra deste ano, mas no curso do ano passado ele falou sobre o mesmo tema. Não há link direto: para ver ou ouvir, clique aqui e ou vá até a página 54, ou digite “Wilkinson” na ferramenta de busca.

Além disso, em 2009, quando escrevi no blog sobre o multiverso, também tratei um pouco das possíveis implicações teológicas da existência de vida fora da Terra. E o Alexandre Zabot, que é da área, também tem um ótimo texto sobre vida fora da Terra cuja leitura eu recomendo muito.

(Aviso: o Instituto Faraday, citado neste post, deu ao blogueiro uma bolsa para participar de um curso na Universidade de Cambridge, em 2011)

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 31/07/15 4:43:50 PM

Marquem na agenda: em 12 de agosto, às 20 horas, no Studium Theologicum de Curitiba, o pesquisador Evaristo Eduardo de Miranda, doutor em Ecologia, coordenador do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite) da Embrapa e diretor do Instituto Ciência e Fé, dará uma palestra sobre a Laudato Si’, a encíclica ambiental do papa Francisco. O evento é promovido pelo instituto, que está comemorando 20 anos em 2015, e pelo Studium.

papa Francisco em missa no Paraguai

O papa Francisco, na “Laudato Si'”, trata da questão ambiental e afirma que sua raiz está na crise moral. (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)

Miranda, que foi consultor na Rio-92 e já lecionou na USP, publicou, no Estadão de 25 de julho, um artigo sobre a encíclica. Não sei se a palestra seguirá pela mesma linha, mas o texto serve de aperitivo.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 30/07/15 11:27:28 AM

Mais uma oportunidade lançada pelo projeto Ciência, Filosofia e Teologia na América Latina, espécie de “continuação” do projeto Ciência e Religião na América Latina, ambos do Ian Ramsey Centre for Science and Religion da Universidade de Oxford. Agora são quatro bolsas de até US$ 30 mil e outras seis bolsas de US$ 15 mil para indivíduos ou grupos de pesquisadores de instituições latino-americanas de ensino superior, interessados em projetos interdisciplinares envolvendo praticamente qualquer tema dentro do amplo guarda-chuva “Perspectivas sobre a vida, as pessoas e o cosmos”. Elenco aqui apenas algumas das possibilidades, tiradas do próprio site do projeto: A matéria tem uma propensão à vida? O cérebro, a mente e a pessoa humana: as pessoas são seus cérebros? O conceito de livre arbítrio seria redundante sob o conhecimento dos experimentos do tipo Libet e outros trabalhos contemporâneos da neurociência? Dentre os possíveis significados do termo “criação” por um Deus pessoal, qual, se algum, é o mais apropriado para entender as origens do cosmos hoje? Vejam a lista completa de temas e um link com mais informações.

Santiago, no Chile, receberá o congresso de ciência e religião em 2017.

Os responsáveis pelos projetos contemplados com bolsas apresentarão os resultados em um congresso que será realizado em Santiago, no Chile, em 2017. (Foto: Victor San Martin/Flickr/Wikimedia Commons)

Agora, atenção para os prazos! Um deles está praticamente no fim: é preciso enviar uma carta de intenções até amanhã, com algumas informações. Os projetos precisam ser enviados até 30 de setembro. Depois disso, haverá uma seleção; o resultado sai em novembro deste ano e a pesquisa propriamente dita será feita de fevereiro de 2016 a junho de 2017, quando todos os projetos deverão estar prontos. O pesquisador, ou um dos integrantes do grupo, ainda receberá ajuda para participar de um congresso em Santiago, no Chile, em julho de 2017.

(Aviso: A Fundação John Templeton, que ajuda a financiar o projeto Ciência, Filosofia e Teologia na América Latina, e o Centro Ian Ramsey bancaram a viagem e a hospedagem do blogueiro para um workshop em Oxford, em 2013.)

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 23/07/15 11:06:29 AM

A Quaerentibus, revista on-line latino-americana de ciência e religião, lançou número novo. É a quinta edição deste que é um feliz resultado do projeto Ciência e Religião na América Latina, da Universidade de Oxford.

Capa da Quaerentibus 5

A “Quaerentibus” 5 abre com um artigo de um grupo de pesquisadores brasileiros. (Imagem: Reprodução)

O número 5, em versão PDF, pode ser lido ou baixado aqui, e neste outro link você pode consultar todas as edições anteriores da Quaerentibus.

Este novo número abre com um artigo de um grupo de pesquisadores brasileiros, que tem entre seus integrantes o Heslley Machado Silva, que conheci no workshop em Oxford, em 2013, e até já colaborou para o Tubo de Ensaio com um artigo. O grupo pegou algumas das questões do relatório britânico Rescuing Darwin e as aplicou no Brasil, acrescentando outras perguntas de elaboração própria. O artigo se dedica a analisar as respostas a uma das questões: diante da frase que descreve o criacionismo de Terra jovem, os entrevistados tinham que escolher uma resposta que variava desde o “certamente verdadeiro” até o “certamente falso” passando pelo “provavelmente falso”, “provavelmente verdadeiro” e pelo “não sei”. Foram feitos recortes por escolaridade e afiliação religiosa. Não vou estragar a surpresa, leiam os artigos vocês mesmos e descubram. Os pesquisadores ainda fazem diversas reflexões muito pertinentes sobre o ensino da evolução nas escolas, partindo principalmente dos resultados da pesquisa entre os entrevistados de maior escolaridade.

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