Blogs

Fechar
PUBLICIDADE

Tubo de Ensaio

Enviado por Marcio Antonio Campos, 20/01/17 5:39:46 PM

Eu estava devendo este vídeo para vocês faz um bom tempo. Em novembro, a Associação Brasileira Cristãos na Ciência promoveu sua primeira conferência nacional, e trouxe um ótimo elenco de palestrantes. Mas um deles, Alister McGrath, um dos principais nomes do diálogo entre ciência e fé, não podia vir e mandou uma palestra em vídeo. São 45 minutos em que ele trata um pouco de sua trajetória pessoal, começa delimitando um pouco os campos da ciência e da religião (aquela coisa das perguntas a que cada uma responde, meio no estilo dos Magistérios Não Interferentes), mas avança e mostra como pode haver uma interação saudável entre as ciências naturais e a fé (no caso, a fé cristã). Confira:

E em fevereiro tem mais

A ABC2 lança, no próximo mês, o documentário O diálogo entre fé cristã e ciência no Brasil e, para nos deixar com água na boca, soltou esse trailer:

Pequeno merchan

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio, que lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, reunindo boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e provavelmente haverá eventos de lançamento que anunciarei aqui no blog assim que definirmos datas e locais.

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 13/01/17 7:19:58 PM

O Tiago Garros, que é biólogo e também mestre e doutorando em Teologia, acabou de publicar um artigo bem interessante na revista Último Andar, da PUC-SP, sobre as implicações teológicas da descoberta de vida extraterrestre. Não vou resumir o artigo todo aqui, a intenção é que vocês leiam. Mas vou dar uns poucos pitacos.

cena do filme Contato

O filme “Contato”, baseado no livro de Carl Sagan, examina as implicações mais profundas da descoberta da existência de vida extraterrestre inteligente. (Foto: Divulgação)

Garros traz a perspectiva de vários acadêmicos, como Paul Davies, Ted Peters e Christian de Duve quanto à possibilidade de vida extraterrestre e eventuais implicações filosófico-teológicas. E acerta na mosca quando trata da possível reação das vertentes mais fundamentalistas, que leem a Bíblia sob o critério da literalidade absoluta (afinal, a não ser que recebamos a visita dos ETs, não dá para descartar respostas do tipo “mas o texto sagrado não diz nada sobre vida em outros planetas, e isso de ‘vida extraterrestre’ não passa de discurso científico igual ao aquecimento global e a evolução, essas lorotas que cientistas contam”).

Vale a pena também ler as observações de Garros sobre a ideia de que qualquer eventual civilização extraterrestre seria mais elaborada que a nossa, e como isso se tornou quase que uma “religião secular”, especialmente considerando a opinião dos não religiosos sobre o impacto que o contato com ETs teria sobre as religiões existentes.

Vejo que há duas questões principais nesse tópico que valem uma análise. A primeira diz respeito a nosso lugar no cosmos. No início do artigo, Garros usa o termo “abalar”, especialmente ao mencionar que uma descoberta de vida extraterrestre, ainda que no nível microbiano, “pode abalar nossa noção de exclusividade e ‘especialismo’ – já muito abalada ao longo da história por Galileu, Darwin, e outros”. Não sei se “abalar” é o melhor termo. Talvez seja para aqueles literalistas que mencionei mais acima, mas não para o restante das pessoas que têm uma fé mais madura. Eu diria que algo assim melhoraria nossa compreensão do que realmente somos e de nosso lugar no universo. Já sabemos que o que nos diferencia é termos sido criados à imagem e semelhança de Deus. Isso independe da nossa localização física no universo e também da maneira como nossos corpos foram criados. Além do mais, já existem outras teorias, como a do multiverso, que buscam desfazer a ideia que a Terra é especial ou única, e nem por isso os cristãos perdem o sono com essa hipótese. E o que Davies e De Duve afirmam sobre o universo estar “orientado” para a vida é bem semelhante ao que o padre George Coyne escreve sobre o “universo fértil”.

(Arte: Benett)

(Arte: Benett)

O outro desafio, sim, é mais complexo, pois se relaciona com a doutrina da encarnação e da salvação em Jesus Cristo, que é 100% Deus e 100% homem, na definição do Concílio de Calcedônia (que se expressou em termos mais teológicos e menos matemáticos, que fique claro). A argumentação de Christian Weidemann, que Garros traz em seu artigo, no entanto, parte do pressuposto de que eventuais civilizações extraterrestres sejam pecadoras como nós. Eu não estaria tão certo disso. C.S.Lewis, em Perelandra, o segundo volume de sua Trilogia Cósmica, faz seu protagonista travar contato com uma civilização alienígena em um estágio anterior ao do pecado original (se eu contar mais que isso, é spoiler). E, mesmo no caso de civilizações extraterrestres pecadoras, seria realmente necessária uma encarnação e uma redenção para cada uma delas, ou um único evento salvífico, ocorrido num único lugar, poderia ter efeitos por todo o universo? Eu não sei a resposta e acho que já entramos no campo da pura especulação.

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/01/17 2:36:36 PM

O blog está de volta depois do recesso de Natal e ano novo – é verdade, um recesso que já vinha desde o meio de dezembro, coisa de pai novo aprendendo a reorganizar seu tempo, mas esperamos que em 2017 tudo vá se encaixando aos poucos.

E queria dividir com vocês, no primeiro post do ano, um vídeo publicado no mês passado. Trata-se de uma edição do programa Pátio da Cruz, produzido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dedicada à relação entre ciência e fé. Os convidados são dois conhecidos nossos: Eduardo Cruz e Francisco Borba, ambos professores da universidade paulistana.

O programa tem como pergunta inicial “um cientista pode acreditar em Deus?”, mas os convidados vão discorrer sobre uma infinidade de temas importantes da relação entre ciência e fé, como a contribuição dos religiosos para o desenvolvimento da ciência, o problema do “Deus das lacunas”, que fatores “bloqueiam” a crença em Deus por parte de um cientista, as contribuições que um campo pode oferecer ao outro. Uma boa parte da conversa é dedicada à teoria da evolução e sua compatibilidade com a fé católica (lembrando que o programa é feito por uma instituição católica, e ambos os professores são católicos). Aliás, procurarei saber mais sobre o evento realizado alguns dias antes da gravação do programa, já que o apresentador, padre Vandro Pisaneschi, coordenador do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, diz que o tema da evolução causou polêmica na ocasião.

Francisco Borba, da PUC-SP, lembrou que Deus fez o mundo de forma que a razão humana pudesse compreendê-lo. (Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Gazeta do Povo)

Francisco Borba, da PUC-SP, lembrou que Deus fez o mundo de forma que a razão humana pudesse compreendê-lo. (Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Gazeta do Povo)

Os dois convidados fazem observações muito pertinentes sobre a natureza da relação entre ciência e fé, e destaco a firme convicção de que Deus fez o mundo de forma tão inteligível que pudéssemos chegar à verdade sobre as leis da natureza usando nossa razão. Deus, sendo a suma verdade, não poderia nos enganar fazendo o mundo parecer algo que não é (por exemplo, fazendo parecer ter milhões de anos quando na verdade seria bem mais recente). Convido o leitor do blog a assistir à conversa entre Borba, Cruz e o padre Pisaneschi e tirar dela valiosas lições.

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/12/16 5:05:27 PM

Eu gosto bastante de distopias, embora não tenha lido ou visto tantas assim, e precise reler umas outras (eu era adolescente, por exemplo, quando li Admirável mundo novo). Recentemente, terminei duas: O senhor do mundo, de Robert Hugh Benson (escrito em 1907 e assustadoramente profético), e Um cântico para Leibowitz (Aleph, 2014; 400 páginas), de Walter Miller Jr. E foi só durante sua leitura que percebi que valia uma resenha aqui para o blog. Depois, ainda, descobri que essa obra tem bastante reputação entre os fãs de ficção científica, e até por isso acho curioso ela nunca ter sido adaptada para cinema ou televisão, apenas para o rádio.

monge copista medieval

A distopia de ficção científica “Um cântico para Leibowitz” ressuscita os copistas e lhes dá uma função crucial para o futuro da humanidade. (Imagem: Reprodução)

Antes de se converter ao catolicismo, Miller lutou na Segunda Guerra Mundial, tendo integrado tripulações de bombardeiros e feito parte da polêmica destruição do mosteiro de Monte Cassino, na Itália, o “marco zero” da ordem beneditina, tendo sido fundado pelo próprio São Bento. E Um cântico para Leibowitz se passa justamente em um mosteiro da fictícia Ordem Albertina, localizado no deserto norte-americano, em algum ponto entre o que hoje são os estados de Utah e Colorado. No século 20, uma guerra nuclear e a contaminação posterior (chamadas, no livro, de “Dilúvio de Fogo” e “Precipitação Radioativa”) destruíram praticamente o mundo inteiro. Os sobreviventes, então, revoltados com o que havia acontecido, promoveram a “Simplificação”: o expurgo e perseguição dos cientistas que haviam tornado possível a evolução dos armamentos, que acabou se generalizando para a caça a qualquer intelectual.

Alguns dos perseguidos conseguiram refúgio nas igrejas e abadias. Isaac Leibowitz foi um deles; abrigado pelos cistercienses, resolveu tornar-se um deles após ter certeza de que sua esposa tinha morrido na guerra, e depois decidiu fundar uma ordem dedicada a Santo Alberto Magno, padroeiro dos cientistas, cujos monges coletariam e armazenariam o que quer que houvesse sobrado do conhecimento científico e que não tivesse sido destruído na catástrofe nuclear ou na Simplificação. Entre os monges haveria copistas, encarregados de copiar tudo o que fosse encontrado, para que resistisse ao tempo; e memorizadores, que decorariam os conteúdos (pensou em Fahrenheit 451? Eu também) caso o acervo físico do mosteiro, chamado de Memorabilia, caísse nas mãos da turba destruidora (esse acabou sendo o destino do próprio Leibowitz, traído e martirizado). Esse trabalho seria feito ainda que os monges não compreendessem absolutamente nada daquilo que copiassem ou memorizassem; no futuro, confiavam, alguém haveria de encontrar um sentido para todas aquelas informações, e enquanto isso não acontecia caberia a eles a tarefa de preservá-las. O livro tem três partes, separadas por vários séculos. A primeira delas começa cerca de 600 anos depois da guerra e da Simplificação, e mais não digo sobre o enredo para não tirar a graça da leitura.

capa de Um cântico para Leibowitz

O livro costuma aparecer em diversas listas de fãs de ficção científica.

Se a ideia de monges trabalhando para recuperar conhecimento perdido de uma civilização anterior lhe parece bem familiar, é porque o caráter cíclico da história da humanidade é um dos temas importantes do livro. Na breve pesquisa que fiz após terminar a leitura, vi que as resenhas costumam enfatizar, como assunto relevante, as relações entre Igreja e Estado, que de fato aparecem mais na segunda e terceira partes. Mas é a relação entre ciência e fé que permeia boa parte do livro, a começar pelo seu próprio pressuposto, o de que, se no passado a Igreja foi a responsável por preservar o conhecimento filosófico greco-romano, no futuro seria também a Igreja a conservar o conhecimento científico da civilização moderna. Diversos outros temas e situações também estão presentes, como o desdém dos “novos intelectuais” pela fé religiosa, a participação de religiosos entre os pioneiros de uma Revolução Científica, o papel da religião como bússola moral diante de um desenvolvimento científico sem reflexão ética, e a maneira como os historiadores do futuro reconheceriam (ou não, melhor dizendo) a ação da Igreja na preservação do conhecimento, prevista em uma conversa meio profética entre o abade dom Paulo e um velho amigo judeu.

Tudo isso não deixa de ser curioso, se pensarmos que em 1960, quando Um cântico para Leibowitz foi publicado pela primeira vez, o Novo Ateísmo ainda não tinha aparecido para radicalizar o discurso antirreligioso, mas o trabalho de historiadores que resgataram a verdade histórica sobre o papel das religiões no progresso técnico-científico do Ocidente ainda estava em seus primórdios. O paradigma reinante ainda era aquele de Draper e White, com suas mentiras a respeito de uma hostilidade da religião (e, especificamente, da Igreja Católica) à ciência.

Então, se você curte distopias, ficção científica ou quer ler sobre ciência e fé, mas descansando das argumentações profundas ou das análises bíblicas, dê uma chance ao Leibowitz. Um enredo interessante, com humor e mutantes: não tem como dar errado!

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 24/11/16 1:28:40 PM

Se você estava esperando a Black Friday para incrementar sua biblioteca de ciência e fé, já apareceram algumas ofertas por aí.

os seis livros lançados até agora na coleção "Ciência e fé cristã"

A promoção da editora Ultimato, com os seis livros lançados até agora na coleção “Ciência e fé cristã”, é uma das boas ofertas do dia. (Foto: Divulgação)

A Editora Quadrante tem poucos títulos sobre o tema, mas o que há tem bons descontos, como Galileu, de Jorge Pimentel Cintra; Ciência e fé em harmonia, de Felipe Aquino; Filosofia da natureza, de Mariano Artigas; o recomendadíssimo Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, de Thomas Woods; e Luzes e sombras na Igreja, de Alfonso Aguiló (os dois últimos não são especificamente sobre ciência e religião, mas têm capítulos que tratam do tema). Pena que alguns outros títulos, como Ciência e milagres, Deus e os cientistas e Evolucionismo, mito e realidade, estejam esgotados. Aproveite e consulte o catálogo da editora, que é impressionante. Eu recomendo especialmente a coleção sobre história da Igreja Católica escrita por Daniel-Rops.

A editora Ultimato, em parceria com a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência, inicia a partir das 15 horas de hoje uma promoção para quem quiser o pacote com os seis livros lançados até agora da coleção “Ciência e fé cristã”. O preço é R$ 250 pelas seis obras e a promoção termina ao meio-dia de sexta-feira.

A loja brasileira da Amazon também está com coisa boa em promoção, como Ciência e religião, a tradução em português do Companion da Universidade de Cambridge, escrito por Peter Harrison; Fundamentos do diálogo entre ciência e religião, de Alister McGrath; Explorando a realidade: o entrelaçamento de ciência e religião, de John Polkinghorne; Ciência e fé, coletânea de cartas de Galileu Galilei (resenhada pelo blog aqui).

O Tubo de Ensaio continuará caçando boas ofertas em português. Se você achar alguma, não deixe de divulgar nos comentários deste post!

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 10/11/16 9:19:02 AM

Vejo, no site Strange Notions, um texto sobre um livro de Stephen Barr publicado em 2003, Modern Physics and Ancient Faith. O autor do texto, Brandon Voigt, mostra que, segundo Barr, não existe exatamente um conflito entre ciência e fé, mas entre ciência e naturalismo, a ideia de que o mundo natural é tudo o que há, e que essa ideia moldou toda a narrativa sobre o universo desde a Revolução Científica até o início do século passado. Mas foi justamente no momento em que essa narrativa naturalista parecia ter finalmente triunfado que começaram a aparecer rachaduras no dique do naturalismo, e Voigt enumera cinco desses momentos decisivos.

o matemático austríaco Kurt Gödel

O Teorema de Gödel é apontado como um desafio à noção materialista segundo a qual a mente humana é mera máquina. (Foto: Reprodução)

Quatro desses momentos são descobertas específicas, como o caso do Big Bang, que desafiou a noção de um universo eterno, conveniente para os naturalistas por (na mente deles) dispensar um criador. Ou, então, a emergência das questões relacionadas ao princípio antrópico e ao “ajuste fino” que permitiu o surgimento da vida na Terra. Ou, ainda, o surgimento da Mecânica Quântica, que desafiou o determinismo absoluto na Física, por sua vez derrubando poderosos argumentos contra a existência do livre arbítrio (não é que a Mecânica Quântica prove o livre arbítrio; o que ela faz é, ao contestar o determinismo, destrói também as alegações deterministas a respeito). Por fim, Voigt lista o Teorema de Gödel, que desafiaria o conceito naturalista da mente humana como mera máquina. Já o último item da lista não seria um momento propriamente dito, mas um processo, que deriva da própria busca pelas leis que regem o mundo natural e da descoberta de que essas leis são parte de um todo muito mais intrincado, o que leva a perguntas muito mais profundas não sobre o comportamento desta ou daquela substância, mas do universo como um todo.

A lista parece interessante, mas às vezes parece tirar conclusões apressadas. Como quando Voigt escreve que “o próprio Big Bang prova a doutrina judaico-cristã da criação”. O padre Georges Lemaître ficaria alarmado ao ler isso, pois ele mesmo teve de dar umas aulinhas de Física ao papa Pio XII quando este, entusiasmado com a teoria do Big Bang, também viu nela a prova de um Deus criador, uma ideia que o papa Francisco repetiria décadas depois. Afinal, como sabemos, o Big Bang não é necessariamente o início do universo, mas deste universo. Pode ter havido outro universo “antes” do nosso (sei que o “antes” aqui é meio complicado, entendam como força de expressão), ou pode haver outros universos simultaneamente ao nosso. Não é o Big Bang que exige um criador, mas o próprio fato de existir algo em vez do nada (o que leva ao “twist #2″ da lista de Voigt).

Isso tudo me lembra que está na minha estante o Where the conflict really lies, do Alvin Plantinga, que parece ser uma análise ainda mais aprofundada desse antagonismo entre religião e a visão naturalista do mundo.

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 04/11/16 8:59:04 PM

Novembro está aí, e com ele o tal “congresso da felicidade” que mistura física quântica com espiritualidade. Em julho já causamos bastante treta com o tema, mas gostaria de trazer mais uma opinião. É a do professor José Motta Filho, engenheiro civil, professor de Física no Colégio Positivo e professor de Cálculo Diferencial e Integral na Universidade Positivo. Em artigo escrito especialmente para o Tubo de Ensaio, ele explica até onde se pode ir de forma honesta nessa tentativa de juntar física quântica e conceitos religiosos.

Werner Heisenberg foi um dos pioneiros da mecânica quântica.

Werner Heisenberg foi um dos pioneiros da mecânica quântica. (Foto: Bundesarchiv)

Física quântica, espiritualidade e as pseudociências

José Motta Filho

É complexo e ao mesmo tempo encantador quando refletimos acerca da infinita curiosidade do homem, desde o tempo das cavernas, quando ainda procurava apenas reconhecer e compreender os elementos naturais que o cercavam, até os dias atuais, em que se investe muito tempo, dinheiro e intelecto a fim de desvendar os mistérios escondidos no macrocosmo – com as extraordinárias viagens espaciais, seus equipamentos e tecnologias – e no microcosmo, com o estudo dos eventos subatômicos, saltos energéticos e quantizações.

Quando nos concentramos apenas na esfera microscópica da matéria, vemos gênios notáveis como Max Planck e a sua constante para o cálculo da energia de um fóton, ou como Albert Einstein e sua fantástica explicação do efeito fotoelétrico, e somos inseridos em um novo mundo: a mecânica quântica. Certamente esse novo mundo da Física está repleto de muita investigação sobre a estrutura da matéria, incertezas e causalidade, sendo que esta última acabou proporcionando uma intensa ligação da Física a conceitos de filosofia, neurociência e espiritualidade.

De fato, o estudo das partículas subatômicas nos leva a um paradoxo espaço-temporal, no qual uma mesma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Nesse ponto, somos remetidos a um fator extremamente relevante: a importância do observador desses eventos. Heisenberg nos diz que não podemos obter soluções precisas em níveis microscópicos. Enquanto um átomo não é observado, ele é apenas um feixe de possibilidades, mas, quando é observado, assume a forma vista naquele instante. Dessa maneira, entendemos que a realidade não é um elemento puramente externo, como preconizava a mecânica clássica, mas sim uma construção da mente do próprio sujeito vivo e pensante. Portanto, com base nessas ideias, pode-se entender que o ser humano é o grande protagonista e responsável por aquilo que lhe ocorre.

Diante desse emaranhado interdisciplinar, é possível concluir que há uma intensa e dinâmica interação entre os diversos elementos existentes, tanto em nível de subpartículas atômicas quanto no mundo visível que nos rodeia. E isso tem dado sustentação às questões que envolvem as crenças e a espiritualidade dos seres humanos. Desde o instante em que o homem concluiu que partícula e onda são fenômenos de mesma natureza, também foi possível admitir que matéria e energia são manifestações diferentes da mesma realidade física, podendo converter-se de uma em outra, dadas as condições para que isso ocorra.

Ancorado nessa perspectiva, é admissível que a consciência humana interfira e produza realidade física, a partir de uma fonte implícita e abstrata de energia cuja origem pode ser atribuída a um ser supremo, um ser extradimensional, um Criador. Ciência e religião se complementam nessa extraordinária odisseia que vários físicos modernos imprimem a fim de compreender e descrever as razões da existência humana, da existência de Deus e da não efêmera energia que move e dá vida a todos os seres. É de se esperar que ciência e religião, de mãos dadas, em perfeita harmonia, possam conduzir o homem no grande espetáculo da vida, possam levá-lo a conhecer a si próprio e possam manter viva a incomensurável curiosidade de querer ir além das fronteiras do infinito.

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 01/11/16 6:06:07 PM

A dica veio da página de Facebook Deus e Darwin (não confunda com o blog Darwin e Deus, do Reinaldo José Lopes): um estudo feito no Reino Unido descobriu que uma quantidade nada desprezível de cientistas considera o biólogo e ateu militante Richard Dawkins um problema, pois sua atuação pública leva a incompreensões sobre o real papel da ciência. O incrível é que a pesquisa não tinha nem uma única pergunta sobre Dawkins, mas os entrevistados sentiram aquela necessidade irresistível de deixar clara sua opinião sobre o biólogo mesmo assim.

Richard Dawkins, cientista e ateu militante

Richard Dawkins atrapalha a ciência ao forçar um antagonismo entre ela e a fé das pessoas, segundo cientistas britânicos. (Foto: Andrew West/British Humanist Association)

A reportagem é do Independent. O assunto da pesquisa era a representação da ciência diante da opinião pública e o modo como a imprensa retrata os cientistas. Dos pouco menos de 1,6 mil pesquisadores britânicos que participaram da sondagem, 137 foram escolhidos para entrevistas mais longas. Desses, 48 mencionaram Dawkins, e 80% deles não foram nada simpáticos ao biólogo. Obviamente, quem é chegado a uma falácia ad hominem vai dizer que 1. o estudo foi financiado pela Fundação John Templeton e 2. entre os cientistas que criticaram Dawkins havia pesquisadores religiosos. Se é o seu caso, só digo que Carl Sagan se envergonha de você. De qualquer modo, mesmo quem não tem religião deixou claro que Dawkins prejudica a ciência por deliberadamente afastar as pessoas religiosas.

Basicamente, é a mesma crítica feita anos atrás por Chris Mooney e Sheril Kirshenbaum em Unscientific America, que resenhei em 2010. O livro mostra como a sociedade norte-americana perdeu aquele entusiasmo pela ciência que atingiu seu auge durante a corrida espacial e teve seu último espasmo com Sagan. Foram quatro as pontes destruídas: com a política, com a imprensa, com o mundo do entretenimento e com a religião. E, nesse último caso, o fato de ateus militantes pretenderem forçar as pessoas a escolher entre a ciência e a fé fez o estrago.

(Aviso 1: A Fundação John Templeton, citada neste post, ajudou a bancar a viagem e a hospedagem do blogueiro para um workshop em Oxford, em 2013.)

(Aviso 2: sim, a frequência dos posts do Tubo de Ensaio está muito errática. É que ainda estou me acostumando a planejar meu tempo, agora que tenho um bebê recém-nascido que enche a casa de alegria, mas também exige muita dedicação.)

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 21/10/16 11:47:06 AM

Que tal dar uma bela incrementada na biblioteca da sua instituição de ensino superior com livros sobre ciência e fé no valor total de US$ 6 mil? É a chance que a Universidade de Oxford (por meio do Centro Ian Ramsey para Ciência e Religião, IRC) e a Fundação John Templeton estão oferecendo a universidades latino-americanas.

Biblioteca do Trinity College, Dublin

Não faria mal acrescentar aí um bocadinho de livros sobre ciência e fé, faria? (Foto: David Iliff/Creative Commons)

A coisa toda é relativamente simples, e as regras estão aqui. É preciso haver apoio institucional, ou seja, não adianta apenas a iniciativa individual de um professor ou aluno: o departamento/instituto/faculdade etc. tem de comprar a briga e deixar isso claro por meio de uma carta de apoio. A lista de livros será definida pelos contemplados, mas o IRC tem um arquivo com mais de 300 sugestões em inglês, espanhol e português. Há restrições: não podem estar na relação, por exemplo, livros sobre criacionismo, Design Inteligente e questões ambientais.

E atenção aos prazos: é preciso manifestar interesse até 20 de novembro, e a proposta completa, com toda a documentação, inclusive cartas de apoio da instituição e da biblioteca da universidade, tem de ser enviada até 15 de dezembro! Mais uma vez: os detalhes estão aqui.

E aí você e eu estamos chorando porque não podemos incrementar as nossas próprias bibliotecas pessoais com US$ 6 mil. Paciência. Mas, como prêmio de consolação, a Editora Ultimato, a mesma que foi responsável pela versão brasileira de O Teste da Fé, está lançando uma coleção espetacular chamada “Ciência e fé cristã”. Tem Alister McGrath, Francis Collins, John Walton e outros grandes nomes do diálogo entre ciência e fé. E a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência lançou uma promoção em parceria com a editora para um desconto de 40% nos livros da série. Você clica aqui, preenche um formulário e recebe o código de desconto para usar na loja da editora. Já quebra um galho, ou não?

(Aviso: A Fundação John Templeton e o Centro Ian Ramsey, citados neste post, bancaram a viagem e a hospedagem do blogueiro para um workshop em Oxford, em 2013.)

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/10/16 9:14:34 AM

No catolicismo, existem coisas que só um padre pode fazer, como celebrar missa e ouvir confissões. São duas ocasiões absolutamente essenciais na vida de um fiel, que tem a obrigação de assistir à missa dominical e de se confessar pelo menos uma vez por ano (se bem que, na verdade, o ideal é se confessar com muito mais frequência). Fora os outros sacramentos que o sacerdote também pode levar aos fiéis, ainda que não sejam exclusividade sua (um diácono pode, por exemplo, batizar ou ser a testemunha da Igreja em um casamento).

Por isso, ainda mais nesses tempos em que há cada vez menos padres, o fato de um sacerdote dividir seu tempo entre o cuidado pastoral e outras atividades deixa muitos fiéis alarmados. Padre-cantor, padre-palestrante… e padre-cientista também, por que não? Outro dia desses, um bom amigo, católico fiel e também cientista, por ocasião da ordenação de um padre que era químico, mas que dali em diante se dedicaria somente ao sacerdócio, veio comentar comigo que achava muito complicada a situação em que o clérigo mantém “jornada dupla” (na verdade, o termo que ele usou foi “lamentável”). O tempo que um padre passa no laboratório pesquisando, ou na universidade dando aula, é tempo subtraído às coisas que só um sacerdote pode fazer. É uma confissão que ele deixa de ouvir, é uma direção espiritual que ele deixa de dar, é uma missa que ele poderia estar celebrando em algum lugar carente de padres… leigos podem fazer shows, podem dar palestras, podem fazer pesquisa, podem atuar em veículos de comunicação, podem fazer trabalho administrativo, mas não podem substituir os padres naquilo que só um clérigo ordenado é capaz de fazer.

Georges Lemaitre, professor da Universidade Católica de Louvain

Da série “coisas que Georges Lemaître nunca disse”: “Eu podia estar rezando missa, eu podia estar ouvindo confissão, mas estou aqui dando aula para vocês”. (Foto: Reprodução/YouTube)

Eu consigo compreender a força desse argumento. Talvez no passado as coisas fossem diferentes. Era uma época em que a proporção entre padres e fiéis era diferente, havia mais sacerdotes e isso podia “liberar” alguns deles para a pesquisa científica, suponho. Sem falar no papel que a Igreja Católica sempre teve na educação; os leigos só tomaram a dianteira nesse campo há pouco tempo, até porque só recentemente se compreendeu melhor o seu papel na Igreja, e antes disso o corpo docente das escolas e faculdades católicas era majoritariamente (quando não exclusivamente) formado por padres. Se voltarmos ainda mais no tempo, a mentalidade clerical era até mais forte, sendo quase que necessário ser ordenado para se ter acesso (ou pelo menos para ter acesso mais fácil) a alguns ambientes, incluindo o da ciência nascente.

Mas e hoje? Para entender um pouco como os padres-cientistas modernos justificam essa “dupla carreira”, conversei por e-mail com dois deles, colegas na mesma faculdade católica, a Seton Hall University. Joseph Laracy é professor no Departamento de Matemática e Ciências da Computação, e sua carreira pré-ordenação inclui trabalhos no MIT e pesquisas com apoio da Nasa. Gerald Buonopane é uma vocação tardia; ordenou-se aos 52 anos, e antes disso obteve um Ph.D. em Ciência dos Alimentos, foi professor universitário na área e trabalhou com regulação de alimentos tanto no setor privado quanto na Food and Drug Administration, mal comparando uma espécie de Anvisa norte-americana. Hoje ele é membro do Departamento de Química e Bioquímica da Seton Hall University.

Ambos celebram missa diária. O padre Laracy também vai a paróquias da Arquidiocese de Newark (em cujo território está localizada a Seton Hall) todos os fins de semana, enquanto o padre Buonopane reza missas diariamente ou na universidade, ou em alguma das duas paróquias que atende. Todo sábado ele celebra em um convento da ordem fundada por Santa Teresa de Calcutá, e quinzenalmente vai a um outro convento celebrar missa para as religiosas enfermas. O padre Laracy também ouve confissões, realiza casamentos e batizados de acordo com a demanda. “Eu estou muito feliz com a maneira como divido meu tempo”, conta. Buonopane foi um pouco mais específico ao falar de sua rotina: disse que estima gastar 20 horas por semana com o atendimento pastoral, e 50 a 60 horas por semana ministrando ou preparando aulas, escrevendo artigos científicos, participando de eventos, enfim, com o lado “científico” da coisa. “Às vezes eu gostaria de passar mais tempo nas atividades próprias do sacerdócio, mas de modo geral estou bem satisfeito com o equilíbrio que tenho entre os dois tipos de tarefas”, afirma.

Uma figura importante em ambos os casos foi a do arcebispo John Joseph Myers. “Tanto ele quanto outros padres da arquidiocese sempre me encorajaram em minha pesquisa científica”, diz o padre Laracy. O padre Buonopane, logo após a sua ordenação, dedicou-se ao trabalho pastoral, mas cinco anos depois começou a sentir o desejo de voltar a lecionar, principalmente no campo da ciência. Ele soube que Myers estava interessado em enviar mais padres à Seton Hall e pleiteou a transferência, decidida pelo arcebispo em 2011.

O padre Joseph Laracy passou pelo MIT e teve pesquisas apoiadas pela Nasa antes de se ordenar sacerdote

O padre Joseph Laracy passou pelo MIT e teve pesquisas apoiadas pela Nasa antes de se ordenar sacerdote. (Foto: Ashley Wilson/Seton Hall University)

Laracy responde ao argumento de que a ciência e outras atividades deveriam ser deixadas aos leigos para que os padres possam se dedicar apenas ao que só eles podem fazer alegando que isso é ter uma “visão muito funcional” do sacerdócio. “As pessoas pensam ‘o que é que só o sacerdote faz?’, mas é preciso ter uma perspectiva ontológica. O padre é um discípulo que se configura a Cristo pela graça do sacramento da Ordem e que tem o privilégio de agir in persona Christi. Muitos padres estão envolvidos em tempo integral com o cuidado pastoral, mas o ministério sacerdotal nunca se manteve limitado a isso, sempre cobriu todos os aspectos da ação humana”, explica. “Eu sou padre 24 horas por dia. Na sala de aula ou no altar, estou fazendo o trabalho de Deus. Estou servindo os filhos de Deus. Só com minha presença na Seton Hall eu espero tornar mais evidente a presença de Deus aos outros. Claro que precisamos de bons padres nas paróquias, mas também precisamos de sacerdotes do mundo acadêmico para fortalecer ou renovar a fé dos jovens”, acrescenta Buonopane.

As inspirações de ambos são os grandes padres-cientistas do passado, como Gregor Mendel e Georges Lemaître, mas Laracy e Buonopane acreditam que os padres-cientistas de hoje ainda têm muito a oferecer. “Eles explicam mais sobre o mundo, transformam o desconhecido em conhecido. Conhecer melhor a realidade pela perspectiva das várias ciências nos permite compreender melhor a nossa fé e, assim, podemos ser melhores evangelizadores. Temos de seguir aprendendo todo dia; lembre-se da parábola de Jesus sobre colocar vinho novo em odres velhos. É assim hoje: nessa época de avanços tecnológicos,precisamos fazer o melhor possível para nos manter atualizados”, diz Buonopane. Para Laracy, o grande legado de um padre-cientista hoje é poder dar testemunho do relacionamento íntimo entre fé e razão na tradição intelectual católica, especialmente nesses tempos em que esse aspecto se tornou quase esquecido.

O que os padres Laracy e Buonopane me disseram ajudou a entender a situação pela perspectiva deles, embora eu ainda tenha sérias dúvidas sobre a conveniência de um padre usar boa parte de seu tempo em atividades alheias ao seu ministério pastoral. Talvez os católicos de Newark tenham sorte de haver padres suficientes lá para não ficarem desassistidos mesmo com o trabalho universitário dos sacerdotes-professores da Seton Hall. No fim, a coisa parece ser melhor decidida na base do “caso a caso”. A cientista Stacy Trasancos, autora de Particles of faith, diz que não há uma resposta única à pergunta “padres deveriam também ser cientistas (ou cantores, ou palestrantes)?”. “É uma decisão que não pode ser tomada por outras pessoas, mas pelo padre e seus superiores. Juntos, eles determinam como melhor servir os fiéis. É como perguntar se uma determinada mãe deveria trabalhar fora de casa. Assim como de maneira geral é melhor para as mães estarem em casa com seus filhos, em certas circunstâncias também pode ser bom para uma mãe ter um trabalho externo. É uma decisão que ela toma junto com o marido, considerando o que é melhor para os filhos e a família. A virtude da prudência exige um olhar realista para cada situação, antecipando problemas e prevendo possíveis soluções, estando preparados para ajustes com o passar do tempo”, ela diz, evocando o exemplo do padre Stanley Jaki, um grande nome do diálogo entre ciência e fé. “Ele cumpriu seus deveres de sacerdote e dedicou-se intensamente à pesquisa de um modo que poucas pessoas conseguiriam imitar. Ele tinha um talento e nos deixou um presente por meio de suas publicações. Não era um padre que passou seu tempo em uma paróquia, mas serviu a Igreja e os fiéis oferecendo seu conhecimento. Hoje sou mãe e passo o tempo todo em casa, mas me beneficio do trabalho do padre Jaki e o comunico a outros. Eu não poderia ter feito o que ele fez, e ele não poderia fazer o que eu faço. Somos diferentes, mas estamos conectados, em comunhão”, conclui.

——

Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!

Páginas12345... 63»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Buscar no blog
Acompanhe a Gazeta do Povo nas redes sociais