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Tubo de Ensaio

Enviado por Marcio Antonio Campos, 27/03/17 9:00:31 AM

Em 2014, fiz dois posts sobre projetos de lei que tentavam implantar o criacionismo no currículo escolar, um deles na Assembleia Legislativa e outro na Câmara dos Deputados. Passados mais de dois anos, é bom ver em que pé estão essas tentativas.

Quando há a mudança de legislatura, como ocorreu de 2014 para 2015, vários projetos são arquivados, dependendo de sua origem ou estágio de tramitação. Foi o que aconteceu com o PL 8099/2014, de autoria de Marco Feliciano (PSC-SP). Mas as regras da Câmara permitem que projetos arquivados sejam desarquivados mediante requerimento, e assim o PL 8099 foi ressuscitado. Nesse meio tempo, surgiu mais um projeto de lei sobre criacionismo nas escolas: o PL 5336/2016, apresentado em maio do ano passado por Jefferson Campos (PSD-SP) e que pedia a inclusão da “Teoria da Criação” no currículo do ensino fundamental e médio.

O deputado Marco Feliciano

O deputado Marco Feliciano é autor de um projeto de lei que implantaria o ensino do criacionismo nas escolas. (Foto: Alexandra Martins/Câmara dos Deputados)

A justificativa de Campos é um pouco mais longa que a de Feliciano, e o texto é diferente, embora tenha trechos copiados, como a referência ao Big Bang. A diferença é que o texto de Campos descarta o argumento da liberdade religiosa e investe mais em um verniz acadêmico, ainda que no fim recorra ao fato de que “a doutrina criacionista é predominante em todo o nosso país”, sem citar nenhuma fonte e provavelmente adotando a mesma confusão de Feliciano, para quem todo cristão seria criacionista.

Acontece que, no trâmite legislativo, projetos de teor semelhante acabam unificados. Assim, o PL 5336/2016 (o de Jefferson Campos) foi apensado ao PL 8099/2014 (o de Feliciano), que por sua vez foi apensado ao PL 309/2011, também de autoria de Marco Feliciano e que trata do ensino religioso nas escolas. Isso solucionaria uma controvérsia presente nesses projetos criacionistas, pois eles não costumam informar se o conteúdo entraria nas disciplinas de Ciências ou de Ensino Religioso. Também esse PL 309 caducou com a mudança de legislatura, e foi ressuscitado em 2015 mediante requerimento. Na Comissão de Educação, teve como relator Pedro Uczai (PT-SC), que entregou seu parecer em outubro de 2015, pela aprovação do PL 309, mas rejeitando as tentativas de introduzir o criacionismo no currículo.

O argumento de Uczai, no entanto, é mais “protocolar/regimental” que de mérito a respeito do criacionismo, citando uma súmula segundo a qual projetos de lei que tratem de conteúdo curricular devem receber parecer negativo dos relatores. “A via adequada é uma indicação ao Poder Executivo, que pode estudar esse tópico pelo seu órgão ministerial”, diz o parecer, ou seja, a porta ao criacionismo pela via legislativa estaria fechada, mas permaneceria aberta via Ministério da Educação. A assessoria do deputado Pedro Uczai, procurada pelo blog, até prometeu, mas não deu retorno.

Lançamento do livro hoje, na PUCPR

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio desde 2010. A editora vinculada à revista lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, uma compilação que reúne boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani ao longo de seis anos. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e haverá um evento de lançamento na PUCPR na noite de hoje, às 19 horas, na FTD Arena Digital, dentro do câmpus da PUCPR. Assim que confirmarmos lançamentos em outras cidades, vocês saberão pelo blog e pelas mídias sociais do Tubo de Ensaio.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 22/03/17 3:33:01 PM

Olha só a oportunidade para “estudantes de pós-graduação, pós-doutorandos e pesquisadores até o quinto ano em uma posição permanente em uma universidade na América Latina”, conforme a definição da convocação: a Pontifícia Universidade Católica do Chile e a Universidade de Oxford, por meio do Centro Ian Ramsey para Ciência e Religião, realizarão, de 20 a 22 de setembro, o workshop “O lugar da pessoa no cosmos”. Serão selecionados 25 candidatos, que terão a chance de interagir com alguns dos grandes nomes do diálogo entre ciência e fé, como William Carroll e Ard Louis. Todas as despesas estarão cobertas.

Vista da cidade de Santiago, no Chile

Além das atividades do workshop, escolhidos terão tempo livre para passeios pela capital chilena. (Foto: Victor San Martin/Flickr/Wikimedia Commons)

Ainda segundo os organizadores, “os principais temas do workshop serão os conceitos de cosmos e pessoa, incluindo perspectivas da cosmologia, física, ciência cognitiva, filosofia da mente e da religião, e teologia. Espera-se que os trabalhos aceitos abordem estas questões a partir de uma perspectiva interdisciplinar, incluindo pontos de vista filosóficos, científicos e teológicos sobre o cosmos e a pessoa”. Interessou? Clique aqui para saber exatamente os requisitos para se candidatar, a documentação necessária, todos os prazos e demais informações. Quem for selecionado para o workshop também terá garantida a participação no congresso que encerra o projeto Ciência, Filosofia e Teologia na América Latina, que ocorrerá logo depois do workshop, de 25 a 27 de setembro, também na Pontifícia Universidade Católica do Chile.

(Aviso: A Fundação John Templeton, que ajuda a financiar o projeto Ciência, Filosofia e Teologia na América Latina, e o Centro Ian Ramsey bancaram a viagem e a hospedagem do blogueiro para um workshop em Oxford, em 2013.)

Lançamento do livro dia 27, na PUCPR

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio desde 2010. A editora vinculada à revista lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, uma compilação que reúne boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani ao longo de seis anos. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e haverá um evento de lançamento na PUCPR, no dia 27 de março, uma segunda-feira, às 19 horas, na FTD Arena Digital, dentro do câmpus da PUCPR. Assim que confirmarmos lançamentos em outras cidades, vocês saberão pelo blog e pelas mídias sociais do Tubo de Ensaio.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 20/03/17 5:29:11 PM

Na virada do primeiro para o segundo milênio, um dos maiores matemáticos e astrônomos do Ocidente cristão, se não o maior deles, não estava em uma das escolas que se tornariam os embriões das universidades medievais: estava sentado no trono de São Pedro. O papa Silvestre II, ou Gerberto de Aurillac, é o tema da biografia The abacus and the cross, de Nancy Marie Brown. Após ler o livro, o retrato que temos da época de Gerberto se mostra bem diferente de muitas das lendas que costumamos ouvir sobre a cristandade medieval – uma delas é justamente a de que havia uma firme crença de que o mundo acabaria na passagem do ano 999 para o ano 1000. Na verdade, provavelmente nossa geração ficou mais estressada com o bug do milênio que os medievais com um eventual fim do mundo, até porque nem todos sabiam exatamente em que ano estavam…

Mas, voltando a Gerberto, é inegável que ele chegou aonde chegou por seu brilhantismo intelectual, mas ter conhecido as pessoas certas nas horas certas também ajudou. Monge beneditino em Aurillac, ele se mostrou genial no trivium, formado por gramática, retórica e dialética. Mas não havia em toda a França quem ensinasse sua continuação, o quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). Para sorte de Gerberto, um conde catalão passou pelo mosteiro e, a pedido do abade, levou consigo o jovem monge, que passou a estudar em uma cidade próxima a Barcelona.

Iluminura do Codex Manesse mostra a escola da catedral de Reims

Iluminura do Codex Manesse mostra a escola da catedral de Reims, comandada por Gerberto. (Imagem: Reprodução)

Na época, a Catalunha era uma das fronteiras entre o Ocidente cristão e a Península Ibérica islâmica. Os três anos que Gerberto passou lá moldaram toda a sua vida, pois o intercâmbio cultural e científico era enorme. O monge absorveu tudo o que podia (não se sabe se ele chegou a conhecer a Espanha árabe ou se ficou apenas na Catalunha) e, acompanhando o conde Borrell e o bispo Ato em uma peregrinação a Roma, em 970, impressionou o papa João XIII com seu conhecimento. O pontífice avisou o imperador Oto I, do Sacro Império Romano-Germânico, que havia encontrado a pessoa perfeita para ser tutor do príncipe que se tornaria Oto II. Gerberto trocou a Catalunha pela corte germânica, mas por pouco tempo. Com o casamento do príncipe, Gerberto ficaria sem emprego, mas foi imediatamente recrutado por Adalbero, arcebispo de Reims, então a principal cidade da França. Começou ensinando o quadrivium na escola da catedral, e depois se tornou diretor da escola. Pelas suas mãos passaram futuros bispos, arcebispos, abades, um futuro rei da França e um futuro papa.

Os anos de Gerberto como chefe da escola da catedral de Reims foram os mais produtivos da vida do religioso, e suas realizações científicas estão descritas na segunda parte do livro. Gerberto introduziu no Ocidente cristão os numerais indo-arábicos e o zero, e reintroduziu o ábaco e a esfera armilar (uma espécie de planetário primitivo), instrumentos que construiu; e pode ter feito um astrolábio (não há registros, mas sabe-se que ele conhecia o objeto). Deixou tratados de matemática, normalmente escritos a pedido de alunos e ex-alunos. Construiu órgãos de tubo e armas de cerco. Na base de toda essa produção e paixão pelos números e pelo conhecimento, estava a convicção de que Deus havia feito tudo “com medida, quantidade e peso”, de acordo com o livro bíblico da Sabedoria: conhecer matemática era ter um vislumbre da mente divina.

Página do tratado "De Geometria", escrito por Gerberto.

Página do tratado “De Geometria”, um dos diversos livros sobre matemática escritos por Gerberto. (Foto: Reprodução)

Mas a carreira de Gerberto como cientista e professor acabaria dando lugar à intensa politicagem em que se meteu, e que de certa forma o acompanhou até o fim da vida, muitas vezes contra a sua vontade. Em 980, ele já tinha passado pela experiência de ser abade em Bobbio, na Itália, o mosteiro com a maior biblioteca da Europa cristã. Mas Gerberto tinha sido enviado para lá por Oto II para ser um administrador, não um erudito. Tudo correu muito mal, e o monge voltou para Reims e sua escola. Anos depois, ele e o arcebispo Adalbero trabalharam pelos interesses do Sacro Império contra o rei Lotário, da França, motivo pelo qual Gerberto quase foi morto por traição. Com a morte de Lotário, a dupla interferiu na sucessão do trono francês, ajudando Hugo Capeto a encerrar a dinastia carolíngia.

Adalbero morreu em 989, e não escondia de ninguém que queria Gerberto como sucessor. Mas Hugo colocou um filho ilegítimo do rei Lotário no posto (sim, era uma época em que a mistura entre Igreja e Estado corria a todo vapor), dando início a uma disputa feroz em que se questionou até a extensão do poder do papa e na qual Gerberto chegou a ser excomungado. Por isso, ele agarrou a chance de ser tutor e conselheiro do imperador Oto III, que em 996 influenciou a ascensão ao papado de seu primo, que se tornou Gregório V. O novo papa não entregou a sé de Reims a Gerberto, mas o nomeou como arcebispo de Ravenna. Em 999, Gregório morreu e Oto forçou a eleição de Gerberto, que se tornou Silvestre II (lembremos que o sistema atual de conclaves só surgiu quase 200 anos depois).

capa do livro The Abacus and the Cross

(Imagem: Reprodução)

Silvestre II e Oto III compartilhavam da paixão pela ciência e do ideal de um grande império cristão. Juntos, eles seriam como o primeiro papa Silvestre e o imperador Constantino. Mas a realidade foi outra: as tarefas do papado não deram a Gerberto tempo para retomar seus estudos. Ele até conseguiu grandes feitos, trazendo para a Igreja povos na Europa Central, Leste Europeu e Escandinávia, e tentou moralizar o clero. Mas a nobreza romana não gostava nem de ser governada por um imperador estrangeiro, nem que o bispo da cidade não fosse um dos seus – Gregório V teve de lidar com um antipapa promovido pelas famílias romanas. Por isso, em uma de várias revoltas, em 1001, Oto e Silvestre foram postos para correr, refugiando-se em Ravenna. No ano seguinte, Oto morreu tentando reconquistar Roma; Silvestre conseguiu voltar para a sua sé, mas com pouco poder, e morreu em 1003.

A autora conta a história de Gerberto, mas não se limita a ela, fazendo uma série de digressões ao longo do livro: ela explica em detalhes como era o dia a dia de um mosteiro e como se copiavam os livros na época de Gerberto, descreve os avanços científicos-tecnológicos do mundo árabe e como se contava o tempo naquela época, narra desventuras dos imperadores romano-germânicos e a guerra entre carolíngios e capetos, e até conta como um biógrafo de Cristóvão Colombo inventou a lenda de que os cristãos medievais acreditavam que a Terra era plana (talvez o “desvio” que mais se afaste do assunto do livro, mas interessante mesmo assim). Há quem considere que tanta informação adicional distraia o leitor do que mais importa, que é a história de Gerberto; já eu considero que as histórias acrescentam sabor ao livro e ajudam o leitor a se ambientar.

estátua de Silvestre II em Aurillac, na França

Silvestre II ganhou uma estátua em sua homenagem na cidade de Aurillac, onde começou sua vida de monge. (Foto: MOSOT/Wikimedia Commons)

É quando a história de Silvestre II termina que o livro degringola. Menos mal que Nancy Brown reconhece que todas as lendas surgidas em volta de Silvestre II, de que seu conhecimento científico era fruto de um pacto com o demônio (uma “demônia”, para ser mais preciso) e coisas parecidas, não provinham de nenhum preconceito católico contra a ciência, e sim de um ataque pessoal de um cardeal adversário de Gregório VII, pontífice que trabalhou pelo fortalecimento do poder papal. Gregório teria sido educado por discípulos de Gerberto, e foi assim que ele entrou na história. Só com a Reforma, no século 16, é que os protestantes usaram as lendas anti-Silvestre para tentar provar que os católicos eram inimigos da ciência e inventaram histórias para denegrir um grande matemático e astrônomo.

A autora tenta criar uma oposição entre a Idade Média pré-Gerberto, em que ciência e fé eram aliadas, em que os homens da Igreja buscavam o conhecimento – e, apesar de o subtítulo do livro, “O papa que levou a luz da ciência para a Idade das Trevas”, ser uma boa ferramenta de marketing, é desmentido pelo próprio conteúdo da obra –, e uma Idade Média pós-Gerberto, dominada pela superstição e pela intolerância. Vejamos esse trecho: “A Igreja na qual Gerberto cresceu tinha acabado. Clérigos que se opusessem a esse novo tipo de catolicismo, que repudiavam os rituais da veneração das relíquias, o batismo de crianças, a santificação do casamento, a intercessão pelos falecidos, a confissão aos padres e a veneração da cruz (…) eram denunciados como hereges” (p. 238). Ora, todas essas práticas e doutrinas remontam à era dos apóstolos (a única que ainda não tinha se tornado regra universal era a confissão auricular)! Mesmo a noção de que a ciência desaparece da Igreja após a virada do milênio é falsa (o livro cuja leitura interrompi para pegar The abacus and the cross ajuda a demonstrar isso), e historiadores como James Hannam têm trabalhado no tema. A vida de Gerberto é extraordinária por si só; não era preciso rebaixar o que veio depois para ressaltar a fantástica história do papa matemático.

Lançamento do livro dia 27, na PUCPR

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 17/03/17 10:44:21 AM
(imagem: Reprodução)

(imagem: Reprodução)

A exposição “Quem é o Homem do Sudário”, após quase sete anos rodando o Brasil, está voltando a Curitiba. Enquanto em 2010 a mostra foi para o Shopping Palladium, desta vez ficará na PUCPR, entre 6 de abril e 3 de junho.

Ainda estou apurando para ver se há alguma modificação em relação ao que foi trazido a Curitiba sete anos atrás. Mas, ainda que seja a mesma exposição, provavelmente é o que se pode ver de mais completo sobre o Sudário, todas as pesquisas científicas e aspectos históricos que o envolvem, sem precisar ir até Turim e visitar a catedral da cidade (onde o pano está guardado) ou o Museu do Sudário. Em 2006, quando fui a Turim para os Jogos Olímpicos de Inverno naquela cidade, pude ir à catedral, mas não ao museu. Havia vários painéis sobre o Sudário, mostrando o que a ciência já tinha descoberto sobre o pano. Boa parte, se não a totalidade, dessas informações também está na mostra itinerante.

A novidade é que desta vez a PUCPR, por meio do seu Instituto Ciência e Fé, vai promover uma conferência, ou “abertura teológico-científica” da exposição, alguns dias antes do início da mostra propriamente dita. Esse evento ocorrerá no teatro Tuca, também na PUCPR, no dia 31 de março, às 19h30, e terá como convidado especial o italiano Enrico Simonato, secretário do Centro Internacional de Sindonologia e codiretor adjunto do Museu do Sudário de Turim. O evento, chamado “Santo Sudário: uma provocação à inteligência”, também terá a participação de Antonio Luiz Catelan Ferreira, membro da Comissão Teológica Internacional e subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB. As inscrições para participar da conferência já estão abertas, e a PUCPR ainda está oferecendo a oportunidade de trabalhar como voluntário durante a exposição.

“Provocação à inteligência” é uma definição muito boa do Sudário, esse objeto que tem intrigado tanta gente por séculos: por que, depois de tanto tempo, ninguém conseguiu descobrir como exatamente a imagem foi feita? Por que o teste de carbono-14 destoa tanto de todas as outras evidências científicas e históricas a respeito do pano? O fascínio que o Sudário desperta, tanto entre os que defendem sua autenticidade quanto entre os que praticamente escolheram como missão de vida demonstrar que o tecido é uma falsificação, mostra que não há como ficar indiferente a este objeto.

Nesta época de Quaresma, recomendo especialmente aos cristãos a visita à exposição. Ainda que o Sudário fosse falso, coisa na qual não acredito, ele continuaria a ser uma descrição visual poderosíssima dos sofrimentos de Cristo. É muito material para meditar.

Lançamento do livro dia 27, na PUCPR

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio desde 2010. A editora vinculada à revista lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, uma compilação que reúne boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani ao longo de seis anos. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e haverá um evento de lançamento na PUCPR, no dia 27 de março, uma segunda-feira, às 19 horas, na FTD Arena Digital, dentro do câmpus da PUCPR. Assim que confirmarmos lançamentos em outras cidades, vocês saberão pelo blog e pelas mídias sociais do Tubo de Ensaio.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 14/03/17 4:24:11 PM

A Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2) lançou há poucos dias seu documentário O diálogo entre fé cristã e ciência no Brasil. É um filme curtinho, de meia hora, em que vários especialistas que têm se envolvido nesse diálogo comentam diversos temas, como a interpretação da Escritura, os domínios próprios de cada campo e onde eles se encontram, a tentação de submeter uma coisa à outra, os pressupostos de um diálogo produtivo entre ciência e fé, as raízes históricas dessa relação… assistam:

Não vai ganhar o Oscar de melhor documentário em curta-metragem, mas cumpre o seu papel de marcar terreno nesta área que, em nosso país, já está deixando de engatinhar para começar a caminhar com confiança.

O documentário lembrou a necessidade daquilo que chamamos de "unidade de vida": o cientista cristão o é 24 horas por dia, sete dias por semana, e não cientista de segunda a sexta e cristão no fim de semana. (Foto: trans961/BigStock)

O documentário lembrou a necessidade daquilo que chamamos de “unidade de vida”: o cientista cristão o é 24 horas por dia, sete dias por semana, e não cientista de segunda a sexta e cristão no fim de semana. (Foto: trans961/BigStock)

Pequeno merchan

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 09/03/17 10:36:58 AM

O jornal O Globo, reproduzindo noticiário do Washington Post, conta a história de um neurocientista que, no meio do pós-doutorado em Yale, largou tudo para se tornar padre, matriculando-se em um seminário. E o jornal continua dizendo que Jaime Maldonado-Aviles está longe de ser um caso isolado. Entre os seminaristas, pelo menos em Washington e algumas outras instituições, há cada vez mais “vocações tardias” oriundas do ambiente científico.

Jaime Maldonado-Aviles deixou o pós-doutorado em Yale para entrar no seminário. Outros cientistas estão seguindo o mesmo caminho. (Foto: Linda Davidson/The Washington Post)

Jaime Maldonado-Aviles deixou o pós-doutorado em Yale para entrar no seminário. Outros cientistas estão seguindo o mesmo caminho. (Foto: Linda Davidson/The Washington Post)

Como não poderia deixar de ser, ninguém mostra estar embasbacado ou perplexo com o fato de um cientista não apenas ter fé, mas também abraçar o sacerdócio. “Eles parecem se encaixar muito bem, é tudo que eu posso dizer. Não parece haver uma luta terrível para que eles tragam seus antecedentes científicos aqui. Ninguém lhes pede para abandoná-los”, diz um recrutador de um seminário que só aceita maiores de 30 anos, ou seja, pessoas que provavelmente já tinham uma carreira estabelecida antes de descobrir sua vocação. E não tinha como ser diferente mesmo, apesar do que revistas como Superinteressante ou Galileu continuem tentando colocar na nossa cabeça.

A reportagem não diz se esses seminaristas, uma vez ordenados, abandonarão completamente suas pesquisas para se dedicar exclusivamente ao sacerdócio, ou se darão continuidade ao que faziam antes, talvez por meio da docência. Mas eles parecem conscientes de que seus antecedentes lhes dão um papel especial dentro da Igreja. Maldonado-Aviles “considera sua missão ajudar os católicos a entender os cientistas, e os cientistas a entenderem os católicos”, diz o texto. O Post diz que ele tem mergulhado em temas de bioética (essa parte o Globo cortou da sua versão) para dialogar com outros cientistas.

A história de Maldonado-Aviles me lembra dos padres-cientistas que entrevistei recentemente, do irmão trapista Gabriel e de outros padres e seminaristas que conheço (recentemente, conversando com o padre redentorista Joaquim Parron, ele me contou que um dos seminaristas tinha vindo da Física). Independentemente de seguirem, de algum modo, com sua carreira científica ou de a deixarem totalmente, essas pessoas enriquecem a Igreja com seus conhecimentos. Claro, também os leigos o fazem quando fomentam uma relação saudável entre a ciência e sua fé, mas pessoas que estão em posições de liderança, cujas opiniões são levadas em consideração pelos fiéis, podem fazer um grande bem ou causar um grande estrago. A perspectiva que um padre-cientista (ou “padre ex-cientista”) traz é preciosa; não podemos desperdiçá-la.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 14/02/17 9:30:38 AM

Pouco mais de 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II, ainda existe uma forte batalha pela “alma” deste que foi o principal evento da Igreja Católica no século passado. Há, por exemplo, os que veem o concílio como uma ruptura radical com o ensinamento e a prática da Igreja até então; esses se subdividem naqueles que veem essa ruptura como um mal (são os tradicionalistas radicais que, nos casos mais extremos, rejeitam os próprios documentos do concílio e, nos casos muito, muito extremos, aderiram até ao sedevacantismo) e nos que elogiam esse rompimento como a melhor coisa que poderia ter acontecido à Igreja, para que ela se livrasse de seu passado retrógrado e conservador. É a posição, por exemplo, dos “teólogos da libertação” e de gente que critica os papas João Paulo II e Bento XVI como praticamente “traidores” do “espírito do Concílio”.

Sessão do Concílio Vaticano II

Sessão do Vaticano II na Basílica de São Pedro: reforma na continuidade, sem rupturas (para o bem ou para o mal). (Foto: Lothar Wolleh)

Por fim, há os defensores da “hermenêutica da reforma”, como a definiu Bento XVI em 2005. Esse grupo, no qual me incluo, vê o magistério do Vaticano II em continuidade com tudo o que veio antes dele, e não se pode ler ou interpretar o concílio em oposição ao magistério pré-conciliar. Em outra ocasião, o próprio papa explicou que, de imediato, o que vigorou foi a interpretação da “ruptura” (pois o que o mundo viu foi o “Concílio dos meios de comunicação”, que era diferente do “Concílio dos Padres”), e ela ainda é bastante prevalente até hoje. Basta comparar o que o documento Sacrosanctum Concilium, sobre a liturgia, recomendava e o que se faz hoje “em nome da renovação litúrgica pedida pelo Vaticano II” em muitas missas para ver que não tem um boi, mas um rebanho inteiro na linha.

A julgar pelo texto que João Décio Passos e Wagner Lopes Sanchez, coordenadores da coleção Marco Conciliar, da editoria Paulus, escrevem como apresentação no volume Teologia e ciência no Vaticano II, eles parecem estar naquele segundo subgrupo, o da “ruptura boa”. Já o autor do livro, Eduardo Cruz, não entra muito nessa seara. O livro mostra como o Vaticano II abordou a ciência – e não é spoiler nenhum afirmar que os padres conciliares não disseram muita coisa sobre ela em seus documentos: algumas menções na Gaudium et Spes (natural, por se tratar do texto sobre as relações da Igreja com o mundo moderno) e, em menor grau, na Gravissimum Educationis (sobre a educação) e na Apostolicam Actuositatem (sobre o apostolado dos leigos). O autor afirma que, quando se tratava de ciência, a tensão dentro do Vaticano II não era entre bispos “liberais” ou “conservadores” (uma terminologia que, aliás, é aplicada de forma muito errônea a temas católicos), mas entre “otimistas” e “pessimistas” a respeito do impacto da ciência e da técnica no mundo moderno. Compreensível, num mundo pós-bomba atômica e permeado de novas filosofias que prescindiam do divino e de imperativos morais.

Capa do livro Teologia e Ciência no Vaticano IIE, se o “durante” tem pouco a oferecer, Cruz aproveita a oportunidade para mostrar o “antes” e o “depois” do Vaticano II em termos de relação da Igreja com a ciência. E, se o saldo é positivo, principalmente pelo estímulo que o Vaticano e as ordens religiosas deram às pesquisas científicas, nem sempre os papas e a hierarquia católica puderam abraçar com entusiasmo a ciência – não por culpa da própria ciência, mas por causa das ideologias construídas em torno dela. Os iluministas e os revolucionários franceses, que destruíram igrejas e as substituíam por templos dedicados à “Razão”, foram só o começo de um processo em que a Igreja se viu acuada pela “modernidade”, seja no campo do pensamento quanto no político, inclusive com o fim do poder temporal do papado e o fim dos Estados Pontifícios. E, sendo a ciência uma das expressões dessa “modernidade”, tendo seus arautos inclusive profetizado o fim da religião e sua substituição pela razão/ciência, não é de se surpreender que a atividade científica acabasse vista com cautela por parte da hierarquia católica.

Essa recapitulação histórica pré-Vaticano II feita por Cruz traz temas instigantes: o grau de autonomia do cientista em relação ao religioso, a tentativa de usar a ciência como apoio à religião ou como “prova” das verdades de fé, o conceito de “ciência boa” e “ciência má”, mas boa parte deste capítulo diz respeito, de forma mais específica, à Teoria da Evolução. O texto trata mais das interpretações de teólogos que do magistério católico propriamente dito, pela simples razão de que os papas, pelo jeito, não viram necessidade de endossar nem criticar a teoria de Darwin: Pio IX, que se dedicou muito ao combate a qualquer tipo de heresia, a ponto de fazer uma “lista de erros”, o Syllabus, não incluiu a evolução entre eles. O marco magisterial em relação à evolução será mesmo a Humani Generis, de Pio XII, escrita em 1950, quase 100 anos depois de A origem das espécies. Mas, curiosamente, Cruz prefere citar o parágrafo 35 do documento, em vez do 36. O autor afirma que “À evolução das espécies é finalmente dado o benefício da dúvida, com uma série de ressalvas”. Eu tenho uma impressão mais benigna que a do autor em relação a Pio XII e à Humani Generis nesse aspecto, pois leio o parágrafo 36 como uma permissão bem ampla para o estudo do evolucionismo, e as únicas ressalvas se referem à origem da alma humana e ao monogenismo/poligenismo, ambas envolvendo questões teológicas, ou seja, fora do escopo da biologia. Se há algum exagero, talvez seja apenas ao pedir que ainda não se dê como irrefutavelmente certo que o corpo humano surgiu de matéria viva preexistente.

O tema da evolução também ocupa boa parte do capítulo sobre o pós-Vaticano II, com a entrada em jogo de atores como os defensores do Design Inteligente, teoria que parece contar com a simpatia de alguns membros da hierarquia católica. Cruz dá a esse trecho o título “Persiste a dificuldade com a evolução biológica”; é mais um caso em que minha avaliação tende a ser mais positiva. Eu vejo a Igreja Católica como bastante bem resolvida em relação a esse assunto; a compatibilidade do catolicismo com a teoria de Darwin já me parece bastante estabelecida e reforçada por pelo menos três papas pós-concílio. E não creio que o magistério papal irá além disso. Não imagino papa algum lançando condenações ao Design Inteligente ou ao criacionismo de Terra jovem, nem proclamando que a evolução é verdadeira, simplesmente porque isso não lhe cabe. Alguma coisa aprendemos com o heliocentrismo, certo?

Pequeno merchan

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio desde 2010. A editora vinculada à revista lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, uma compilação que reúne boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani ao longo de seis anos. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e provavelmente haverá eventos de lançamento que anunciarei aqui no blog, assim que definirmos datas e locais.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 25/01/17 10:23:27 AM

Que fique claro aqui: sou fã de C.S. Lewis. Li menos livros dele do que deveria ou gostaria, mas tudo que li – Mero cristianismo, Cartas do diabo a seu sobrinho (que li numa edição com um título muito melhor, As cartas do Coisa-Ruim), Os quatro amores (que estou terminando) – era ótimo. Estive duas vezes em Oxford e em ambas fiz questão de fazer um passeio guiado pelos locais frequentados por ele e J.R.R. Tolkien, além de programar pelo menos uma parada para um pint no Eagle and Child, o pub que os Inklings frequentavam.

Mas, apesar de toda a sua genialidade, Lewis não é infalível. No site da BioLogos, Bethany Sollereder, teóloga e pesquisadora da Universidade de Oxford que estuda questões ligadas à evolução, contesta o pensamento de Lewis a respeito da atividade dos animais predadores antes do pecado original. Ela parte de um trecho de O problema do sofrimento, de 1940. Lewis especula por que os animais se devoravam uns aos outros e reconhece que, se antigamente a crença era de que esse comportamento animal começou depois do pecado original cometido pelos primeiros seres humanos, na época de Lewis a ciência já tinha comprovado que os animais já estavam se matando muito antes que o homem surgisse. A solução de Lewis é a de que algum ser poderoso (e mau) havia corrompido os animais bem antes do surgimento dos homens.

felino perseguindo gazela

“Desculpe aí, dona gazela, mas o diabo está me forçando a fazer isso.” (Foto: Divulgação/BBC)

E é aí, segundo Bethany, que os problemas começam. Ela apresenta duas objeções ao raciocínio de Lewis. A primeira é de ordem biológica: a atividade dos predadores não é uma “corrupção”, e sim uma ferramenta essencial para a seleção natural. “Onde quer que predadores coloquem pressão nos ecossistemas, segue-se uma criatividade genética e comportamental” que estimula a evolução, ela afirma.

A segunda objeção é bíblica. Bethany diz que nenhum trecho da Bíblia sugere uma corrupção demoníaca da criação. No primeiro relato da criação no Gênesis, ao fim de cada dia Deus contempla o que fez e vê que tudo era bom, e assim segue até o momento da criação do homem. Mesmo no trecho da carta de São Paulo aos Romanos segundo o qual a “criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou)” (8, 21), nenhum intérprete bíblico considera que “aquele que a sujeitou” seja o demônio; a maioria vê nessa passagem uma referência ao próprio Deus; alguns entendem que seria Adão, a quem Deus entregou o cuidado da criação. Mas nunca o demônio.

Essa questão da predação antes do pecado original já tinha sido tratada aqui no blog faz muito tempo, lá em 2010. Os meus entrevistados, de três confissões cristãs diferentes, concordavam que o fato de um animal comer outro desde os primórdios da vida na Terra é parte da ordem estabelecida por Deus, não uma “corrupção”. E, de fato, se entendemos a evolução com o processo pelo qual Deus quis que o mundo “fizesse a si mesmo”, nada mais lógico que incluir os mecanismos predatórios como parte desejada desse processo.

Então, com toda a admiração que tenho (e muita gente tem) por Lewis, é como Bethany conclui: essa teoria de Lewis sobre a corrupção da natureza pelo diabo é uma das ideias dele que podemos descartar sem perder a riqueza do pensamento desse grande apologista cristão.

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Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio desde 2010. A editora vinculada à revista lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, uma compilação que reúne boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani ao longo de seis anos. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e provavelmente haverá eventos de lançamento que anunciarei aqui no blog, assim que definirmos datas e locais.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 23/01/17 10:21:34 AM

Já faz alguns anos que eu conheço o ótimo trabalho do Alexandre e da Viviane Varela, o casal que toca o site O Catequista. Eles são os mestres da zoeira para tratar de muitos temas ligados à história e doutrina da Igreja Católica, além de desmontar mentiras que vemos o tempo todo por aí na imprensa, que boa parte das vezes cobre muito mal os assuntos católicos. Então, no ano passado eles lançaram As grandes mentiras sobre a Igreja Católica, e mentira sobre a Igreja Católica é o que não falta, então não faltou assunto para eles também, incluindo um que muito nos interessa.

"Então, meu caro, ainda vão dizer por aí que eu sou um mártir da ciência sacaneado pela Igreja Católica, mas é tudo mentira." (Imagem: Reprodução)

“Então, meu caro, ainda vão dizer por aí que eu sou um mártir da ciência sacaneado pela Igreja Católica por dizer que a Terra é redonda, mas é tudo mentira.” (Imagem: Reprodução)

Para nooooooossa alegria, tem um capítulo inteiro sobre a relação entre a Igreja e a ciência. São 25 páginas em que os autores desfazem lendas conhecidas sobre Galileu, Giordano Bruno, a tal proibição de dissecação de corpos, a crença de que a Terra era plana, além de várias informações sobre o papel da Igreja na preservação do conhecimento antigo durante a Idade Média, a fundação e o funcionamento das universidades, a relação da Igreja com a teoria da evolução e o Big Bang, a visão católica sobre a pesquisa com células-tronco, a presença de clérigos entre os pioneiros da ciência em diversos campos…

Capa do livro As grandes mentiras sobre a Igreja Católica

(Imagem: Divulgação)

Como eu disse, mentiras sobre a Igreja Católica não faltam, e aquelas sobre Igreja e ciência são apenas parte do conjunto completo de lorotas (só senti falta de uma referência a John William Draper e Andrew Dickson White, que são os pais de muitas das lendas que o livro se empenha em derrubar); como os autores escreveram um livro, não uma enciclopédia, é muita coisa para pouco espaço, então nem todos os caôs são tratados com aquela profundidade (fora os que nem conseguiram um espacinho, como a lenda do papa que proibiu a vacinação em Roma). Por isso, referências bibliográficas não faltam, para o leitor curioso buscar mais informação sobre aquilo que lhe interessar. Os Varela remetem, por exemplo, a Thomas Woods, Stacy Trasancos, Annibale Fantoli, James Hannam, Edward Grant, Ricardo da Costa, Katharine Park, ou seja, gente que estudou e entende do assunto.

As grandes mentiras sobre a Igreja Católica informa e diverte. Como disse o venerável arcebispo Fulton Sheen na epígrafe do livro, “talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica, mas há milhões de pessoas que odeiam aquilo que erroneamente supõem ser a Igreja Católica”. Assim como há milhões de pessoas que repetem aquilo que erroneamente supõem ser os fatos sobre a relação da Igreja com a ciência. Portanto, longa vida a caçadores de mitos como Thomas Woods, Ronald Numbers e os Varela!

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 20/01/17 5:39:46 PM

Eu estava devendo este vídeo para vocês faz um bom tempo. Em novembro, a Associação Brasileira Cristãos na Ciência promoveu sua primeira conferência nacional, e trouxe um ótimo elenco de palestrantes. Mas um deles, Alister McGrath, um dos principais nomes do diálogo entre ciência e fé, não podia vir e mandou uma palestra em vídeo. São 45 minutos em que ele trata um pouco de sua trajetória pessoal, começa delimitando um pouco os campos da ciência e da religião (aquela coisa das perguntas a que cada uma responde, meio no estilo dos Magistérios Não Interferentes), mas avança e mostra como pode haver uma interação saudável entre as ciências naturais e a fé (no caso, a fé cristã). Confira:

E em fevereiro tem mais

A ABC2 lança, no próximo mês, o documentário O diálogo entre fé cristã e ciência no Brasil e, para nos deixar com água na boca, soltou esse trailer:

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