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Tubo de Ensaio

Enviado por Marcio Antonio Campos, 14/02/17 9:30:38 AM

Pouco mais de 50 anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II, ainda existe uma forte batalha pela “alma” deste que foi o principal evento da Igreja Católica no século passado. Há, por exemplo, os que veem o concílio como uma ruptura radical com o ensinamento e a prática da Igreja até então; esses se subdividem naqueles que veem essa ruptura como um mal (são os tradicionalistas radicais que, nos casos mais extremos, rejeitam os próprios documentos do concílio e, nos casos muito, muito extremos, aderiram até ao sedevacantismo) e nos que elogiam esse rompimento como a melhor coisa que poderia ter acontecido à Igreja, para que ela se livrasse de seu passado retrógrado e conservador. É a posição, por exemplo, dos “teólogos da libertação” e de gente que critica os papas João Paulo II e Bento XVI como praticamente “traidores” do “espírito do Concílio”.

Sessão do Concílio Vaticano II

Sessão do Vaticano II na Basílica de São Pedro: reforma na continuidade, sem rupturas (para o bem ou para o mal). (Foto: Lothar Wolleh)

Por fim, há os defensores da “hermenêutica da reforma”, como a definiu Bento XVI em 2005. Esse grupo, no qual me incluo, vê o magistério do Vaticano II em continuidade com tudo o que veio antes dele, e não se pode ler ou interpretar o concílio em oposição ao magistério pré-conciliar. Em outra ocasião, o próprio papa explicou que, de imediato, o que vigorou foi a interpretação da “ruptura” (pois o que o mundo viu foi o “Concílio dos meios de comunicação”, que era diferente do “Concílio dos Padres”), e ela ainda é bastante prevalente até hoje. Basta comparar o que o documento Sacrosanctum Concilium, sobre a liturgia, recomendava e o que se faz hoje “em nome da renovação litúrgica pedida pelo Vaticano II” em muitas missas para ver que não tem um boi, mas um rebanho inteiro na linha.

A julgar pelo texto que João Décio Passos e Wagner Lopes Sanchez, coordenadores da coleção Marco Conciliar, da editoria Paulus, escrevem como apresentação no volume Teologia e ciência no Vaticano II, eles parecem estar naquele segundo subgrupo, o da “ruptura boa”. Já o autor do livro, Eduardo Cruz, não entra muito nessa seara. O livro mostra como o Vaticano II abordou a ciência – e não é spoiler nenhum afirmar que os padres conciliares não disseram muita coisa sobre ela em seus documentos: algumas menções na Gaudium et Spes (natural, por se tratar do texto sobre as relações da Igreja com o mundo moderno) e, em menor grau, na Gravissimum Educationis (sobre a educação) e na Apostolicam Actuositatem (sobre o apostolado dos leigos). O autor afirma que, quando se tratava de ciência, a tensão dentro do Vaticano II não era entre bispos “liberais” ou “conservadores” (uma terminologia que, aliás, é aplicada de forma muito errônea a temas católicos), mas entre “otimistas” e “pessimistas” a respeito do impacto da ciência e da técnica no mundo moderno. Compreensível, num mundo pós-bomba atômica e permeado de novas filosofias que prescindiam do divino e de imperativos morais.

Capa do livro Teologia e Ciência no Vaticano IIE, se o “durante” tem pouco a oferecer, Cruz aproveita a oportunidade para mostrar o “antes” e o “depois” do Vaticano II em termos de relação da Igreja com a ciência. E, se o saldo é positivo, principalmente pelo estímulo que o Vaticano e as ordens religiosas deram às pesquisas científicas, nem sempre os papas e a hierarquia católica puderam abraçar com entusiasmo a ciência – não por culpa da própria ciência, mas por causa das ideologias construídas em torno dela. Os iluministas e os revolucionários franceses, que destruíram igrejas e as substituíam por templos dedicados à “Razão”, foram só o começo de um processo em que a Igreja se viu acuada pela “modernidade”, seja no campo do pensamento quanto no político, inclusive com o fim do poder temporal do papado e o fim dos Estados Pontifícios. E, sendo a ciência uma das expressões dessa “modernidade”, tendo seus arautos inclusive profetizado o fim da religião e sua substituição pela razão/ciência, não é de se surpreender que a atividade científica acabasse vista com cautela por parte da hierarquia católica.

Essa recapitulação histórica pré-Vaticano II feita por Cruz traz temas instigantes: o grau de autonomia do cientista em relação ao religioso, a tentativa de usar a ciência como apoio à religião ou como “prova” das verdades de fé, o conceito de “ciência boa” e “ciência má”, mas boa parte deste capítulo diz respeito, de forma mais específica, à Teoria da Evolução. O texto trata mais das interpretações de teólogos que do magistério católico propriamente dito, pela simples razão de que os papas, pelo jeito, não viram necessidade de endossar nem criticar a teoria de Darwin: Pio IX, que se dedicou muito ao combate a qualquer tipo de heresia, a ponto de fazer uma “lista de erros”, o Syllabus, não incluiu a evolução entre eles. O marco magisterial em relação à evolução será mesmo a Humani Generis, de Pio XII, escrita em 1950, quase 100 anos depois de A origem das espécies. Mas, curiosamente, Cruz prefere citar o parágrafo 35 do documento, em vez do 36. O autor afirma que “À evolução das espécies é finalmente dado o benefício da dúvida, com uma série de ressalvas”. Eu tenho uma impressão mais benigna que a do autor em relação a Pio XII e à Humani Generis nesse aspecto, pois leio o parágrafo 36 como uma permissão bem ampla para o estudo do evolucionismo, e as únicas ressalvas se referem à origem da alma humana e ao monogenismo/poligenismo, ambas envolvendo questões teológicas, ou seja, fora do escopo da biologia. Se há algum exagero, talvez seja apenas ao pedir que ainda não se dê como irrefutavelmente certo que o corpo humano surgiu de matéria viva preexistente.

O tema da evolução também ocupa boa parte do capítulo sobre o pós-Vaticano II, com a entrada em jogo de atores como os defensores do Design Inteligente, teoria que parece contar com a simpatia de alguns membros da hierarquia católica. Cruz dá a esse trecho o título “Persiste a dificuldade com a evolução biológica”; é mais um caso em que minha avaliação tende a ser mais positiva. Eu vejo a Igreja Católica como bastante bem resolvida em relação a esse assunto; a compatibilidade do catolicismo com a teoria de Darwin já me parece bastante estabelecida e reforçada por pelo menos três papas pós-concílio. E não creio que o magistério papal irá além disso. Não imagino papa algum lançando condenações ao Design Inteligente ou ao criacionismo de Terra jovem, nem proclamando que a evolução é verdadeira, simplesmente porque isso não lhe cabe. Alguma coisa aprendemos com o heliocentrismo, certo?

Pequeno merchan

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio, que lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, reunindo boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e provavelmente haverá eventos de lançamento que anunciarei aqui no blog assim que definirmos datas e locais.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 25/01/17 10:23:27 AM

Que fique claro aqui: sou fã de C.S. Lewis. Li menos livros dele do que deveria ou gostaria, mas tudo que li – Mero cristianismo, Cartas do diabo a seu sobrinho (que li numa edição com um título muito melhor, As cartas do Coisa-Ruim), Os quatro amores (que estou terminando) – era ótimo. Estive duas vezes em Oxford e em ambas fiz questão de fazer um passeio guiado pelos locais frequentados por ele e J.R.R. Tolkien, além de programar pelo menos uma parada para um pint no Eagle and Child, o pub que os Inklings frequentavam.

Mas, apesar de toda a sua genialidade, Lewis não é infalível. No site da BioLogos, Bethany Sollereder, teóloga e pesquisadora da Universidade de Oxford que estuda questões ligadas à evolução, contesta o pensamento de Lewis a respeito da atividade dos animais predadores antes do pecado original. Ela parte de um trecho de O problema do sofrimento, de 1940. Lewis especula por que os animais se devoravam uns aos outros e reconhece que, se antigamente a crença era de que esse comportamento animal começou depois do pecado original cometido pelos primeiros seres humanos, na época de Lewis a ciência já tinha comprovado que os animais já estavam se matando muito antes que o homem surgisse. A solução de Lewis é a de que algum ser poderoso (e mau) havia corrompido os animais bem antes do surgimento dos homens.

felino perseguindo gazela

“Desculpe aí, dona gazela, mas o diabo está me forçando a fazer isso.” (Foto: Divulgação/BBC)

E é aí, segundo Bethany, que os problemas começam. Ela apresenta duas objeções ao raciocínio de Lewis. A primeira é de ordem biológica: a atividade dos predadores não é uma “corrupção”, e sim uma ferramenta essencial para a seleção natural. “Onde quer que predadores coloquem pressão nos ecossistemas, segue-se uma criatividade genética e comportamental” que estimula a evolução, ela afirma.

A segunda objeção é bíblica. Bethany diz que nenhum trecho da Bíblia sugere uma corrupção demoníaca da criação. No primeiro relato da criação no Gênesis, ao fim de cada dia Deus contempla o que fez e vê que tudo era bom, e assim segue até o momento da criação do homem. Mesmo no trecho da carta de São Paulo aos Romanos segundo o qual a “criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou)” (8, 21), nenhum intérprete bíblico considera que “aquele que a sujeitou” seja o demônio; a maioria vê nessa passagem uma referência ao próprio Deus; alguns entendem que seria Adão, a quem Deus entregou o cuidado da criação. Mas nunca o demônio.

Essa questão da predação antes do pecado original já tinha sido tratada aqui no blog faz muito tempo, lá em 2010. Os meus entrevistados, de três confissões cristãs diferentes, concordavam que o fato de um animal comer outro desde os primórdios da vida na Terra é parte da ordem estabelecida por Deus, não uma “corrupção”. E, de fato, se entendemos a evolução com o processo pelo qual Deus quis que o mundo “fizesse a si mesmo”, nada mais lógico que incluir os mecanismos predatórios como parte desejada desse processo.

Então, com toda a admiração que tenho (e muita gente tem) por Lewis, é como Bethany conclui: essa teoria de Lewis sobre a corrupção da natureza pelo diabo é uma das ideias dele que podemos descartar sem perder a riqueza do pensamento desse grande apologista cristão.

Pequeno merchan

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio, que lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, reunindo boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e provavelmente haverá eventos de lançamento que anunciarei aqui no blog assim que definirmos datas e locais.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 23/01/17 10:21:34 AM

Já faz alguns anos que eu conheço o ótimo trabalho do Alexandre e da Viviane Varela, o casal que toca o site O Catequista. Eles são os mestres da zoeira para tratar de muitos temas ligados à história e doutrina da Igreja Católica, além de desmontar mentiras que vemos o tempo todo por aí na imprensa, que boa parte das vezes cobre muito mal os assuntos católicos. Então, no ano passado eles lançaram As grandes mentiras sobre a Igreja Católica, e mentira sobre a Igreja Católica é o que não falta, então não faltou assunto para eles também, incluindo um que muito nos interessa.

"Então, meu caro, ainda vão dizer por aí que eu sou um mártir da ciência sacaneado pela Igreja Católica, mas é tudo mentira." (Imagem: Reprodução)

“Então, meu caro, ainda vão dizer por aí que eu sou um mártir da ciência sacaneado pela Igreja Católica por dizer que a Terra é redonda, mas é tudo mentira.” (Imagem: Reprodução)

Para nooooooossa alegria, tem um capítulo inteiro sobre a relação entre a Igreja e a ciência. São 25 páginas em que os autores desfazem lendas conhecidas sobre Galileu, Giordano Bruno, a tal proibição de dissecação de corpos, a crença de que a Terra era plana, além de várias informações sobre o papel da Igreja na preservação do conhecimento antigo durante a Idade Média, a fundação e o funcionamento das universidades, a relação da Igreja com a teoria da evolução e o Big Bang, a visão católica sobre a pesquisa com células-tronco, a presença de clérigos entre os pioneiros da ciência em diversos campos…

Capa do livro As grandes mentiras sobre a Igreja Católica

(Imagem: Divulgação)

Como eu disse, mentiras sobre a Igreja Católica não faltam, e aquelas sobre Igreja e ciência são apenas parte do conjunto completo de lorotas (só senti falta de uma referência a John William Draper e Andrew Dickson White, que são os pais de muitas das lendas que o livro se empenha em derrubar); como os autores escreveram um livro, não uma enciclopédia, é muita coisa para pouco espaço, então nem todos os caôs são tratados com aquela profundidade (fora os que nem conseguiram um espacinho, como a lenda do papa que proibiu a vacinação em Roma). Por isso, referências bibliográficas não faltam, para o leitor curioso buscar mais informação sobre aquilo que lhe interessar. Os Varela remetem, por exemplo, a Thomas Woods, Stacy Trasancos, Annibale Fantoli, James Hannam, Edward Grant, Ricardo da Costa, Katharine Park, ou seja, gente que estudou e entende do assunto.

As grandes mentiras sobre a Igreja Católica informa e diverte. Como disse o venerável arcebispo Fulton Sheen na epígrafe do livro, “talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica, mas há milhões de pessoas que odeiam aquilo que erroneamente supõem ser a Igreja Católica”. Assim como há milhões de pessoas que repetem aquilo que erroneamente supõem ser os fatos sobre a relação da Igreja com a ciência. Portanto, longa vida a caçadores de mitos como Thomas Woods, Ronald Numbers e os Varela!

Pequeno merchan

Além de editor e blogueiro na Gazeta do Povo, também sou colunista de ciência e fé na revista católica O Mensageiro de Santo Antônio, que lançou o livro Bíblia e Natureza: os dois livros de Deus – reflexões sobre ciência e fé, reunindo boa parte das colunas escritas por mim e por meus colegas Alexandre Zabot, Daniel Marques e Luan Galani. O livro está disponível na loja on-line do Mensageiro, e provavelmente haverá eventos de lançamento que anunciarei aqui no blog assim que definirmos datas e locais.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 20/01/17 5:39:46 PM

Eu estava devendo este vídeo para vocês faz um bom tempo. Em novembro, a Associação Brasileira Cristãos na Ciência promoveu sua primeira conferência nacional, e trouxe um ótimo elenco de palestrantes. Mas um deles, Alister McGrath, um dos principais nomes do diálogo entre ciência e fé, não podia vir e mandou uma palestra em vídeo. São 45 minutos em que ele trata um pouco de sua trajetória pessoal, começa delimitando um pouco os campos da ciência e da religião (aquela coisa das perguntas a que cada uma responde, meio no estilo dos Magistérios Não Interferentes), mas avança e mostra como pode haver uma interação saudável entre as ciências naturais e a fé (no caso, a fé cristã). Confira:

E em fevereiro tem mais

A ABC2 lança, no próximo mês, o documentário O diálogo entre fé cristã e ciência no Brasil e, para nos deixar com água na boca, soltou esse trailer:

Pequeno merchan

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 13/01/17 7:19:58 PM

O Tiago Garros, que é biólogo e também mestre e doutorando em Teologia, acabou de publicar um artigo bem interessante na revista Último Andar, da PUC-SP, sobre as implicações teológicas da descoberta de vida extraterrestre. Não vou resumir o artigo todo aqui, a intenção é que vocês leiam. Mas vou dar uns poucos pitacos.

cena do filme Contato

O filme “Contato”, baseado no livro de Carl Sagan, examina as implicações mais profundas da descoberta da existência de vida extraterrestre inteligente. (Foto: Divulgação)

Garros traz a perspectiva de vários acadêmicos, como Paul Davies, Ted Peters e Christian de Duve quanto à possibilidade de vida extraterrestre e eventuais implicações filosófico-teológicas. E acerta na mosca quando trata da possível reação das vertentes mais fundamentalistas, que leem a Bíblia sob o critério da literalidade absoluta (afinal, a não ser que recebamos a visita dos ETs, não dá para descartar respostas do tipo “mas o texto sagrado não diz nada sobre vida em outros planetas, e isso de ‘vida extraterrestre’ não passa de discurso científico igual ao aquecimento global e a evolução, essas lorotas que cientistas contam”).

Vale a pena também ler as observações de Garros sobre a ideia de que qualquer eventual civilização extraterrestre seria mais elaborada que a nossa, e como isso se tornou quase que uma “religião secular”, especialmente considerando a opinião dos não religiosos sobre o impacto que o contato com ETs teria sobre as religiões existentes.

Vejo que há duas questões principais nesse tópico que valem uma análise. A primeira diz respeito a nosso lugar no cosmos. No início do artigo, Garros usa o termo “abalar”, especialmente ao mencionar que uma descoberta de vida extraterrestre, ainda que no nível microbiano, “pode abalar nossa noção de exclusividade e ‘especialismo’ – já muito abalada ao longo da história por Galileu, Darwin, e outros”. Não sei se “abalar” é o melhor termo. Talvez seja para aqueles literalistas que mencionei mais acima, mas não para o restante das pessoas que têm uma fé mais madura. Eu diria que algo assim melhoraria nossa compreensão do que realmente somos e de nosso lugar no universo. Já sabemos que o que nos diferencia é termos sido criados à imagem e semelhança de Deus. Isso independe da nossa localização física no universo e também da maneira como nossos corpos foram criados. Além do mais, já existem outras teorias, como a do multiverso, que buscam desfazer a ideia que a Terra é especial ou única, e nem por isso os cristãos perdem o sono com essa hipótese. E o que Davies e De Duve afirmam sobre o universo estar “orientado” para a vida é bem semelhante ao que o padre George Coyne escreve sobre o “universo fértil”.

(Arte: Benett)

(Arte: Benett)

O outro desafio, sim, é mais complexo, pois se relaciona com a doutrina da encarnação e da salvação em Jesus Cristo, que é 100% Deus e 100% homem, na definição do Concílio de Calcedônia (que se expressou em termos mais teológicos e menos matemáticos, que fique claro). A argumentação de Christian Weidemann, que Garros traz em seu artigo, no entanto, parte do pressuposto de que eventuais civilizações extraterrestres sejam pecadoras como nós. Eu não estaria tão certo disso. C.S.Lewis, em Perelandra, o segundo volume de sua Trilogia Cósmica, faz seu protagonista travar contato com uma civilização alienígena em um estágio anterior ao do pecado original (se eu contar mais que isso, é spoiler). E, mesmo no caso de civilizações extraterrestres pecadoras, seria realmente necessária uma encarnação e uma redenção para cada uma delas, ou um único evento salvífico, ocorrido num único lugar, poderia ter efeitos por todo o universo? Eu não sei a resposta e acho que já entramos no campo da pura especulação.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/01/17 2:36:36 PM

O blog está de volta depois do recesso de Natal e ano novo – é verdade, um recesso que já vinha desde o meio de dezembro, coisa de pai novo aprendendo a reorganizar seu tempo, mas esperamos que em 2017 tudo vá se encaixando aos poucos.

E queria dividir com vocês, no primeiro post do ano, um vídeo publicado no mês passado. Trata-se de uma edição do programa Pátio da Cruz, produzido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dedicada à relação entre ciência e fé. Os convidados são dois conhecidos nossos: Eduardo Cruz e Francisco Borba, ambos professores da universidade paulistana.

O programa tem como pergunta inicial “um cientista pode acreditar em Deus?”, mas os convidados vão discorrer sobre uma infinidade de temas importantes da relação entre ciência e fé, como a contribuição dos religiosos para o desenvolvimento da ciência, o problema do “Deus das lacunas”, que fatores “bloqueiam” a crença em Deus por parte de um cientista, as contribuições que um campo pode oferecer ao outro. Uma boa parte da conversa é dedicada à teoria da evolução e sua compatibilidade com a fé católica (lembrando que o programa é feito por uma instituição católica, e ambos os professores são católicos). Aliás, procurarei saber mais sobre o evento realizado alguns dias antes da gravação do programa, já que o apresentador, padre Vandro Pisaneschi, coordenador do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, diz que o tema da evolução causou polêmica na ocasião.

Francisco Borba, da PUC-SP, lembrou que Deus fez o mundo de forma que a razão humana pudesse compreendê-lo. (Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Gazeta do Povo)

Francisco Borba, da PUC-SP, lembrou que Deus fez o mundo de forma que a razão humana pudesse compreendê-lo. (Foto: Rodolfo Buhrer/Arquivo Gazeta do Povo)

Os dois convidados fazem observações muito pertinentes sobre a natureza da relação entre ciência e fé, e destaco a firme convicção de que Deus fez o mundo de forma tão inteligível que pudéssemos chegar à verdade sobre as leis da natureza usando nossa razão. Deus, sendo a suma verdade, não poderia nos enganar fazendo o mundo parecer algo que não é (por exemplo, fazendo parecer ter milhões de anos quando na verdade seria bem mais recente). Convido o leitor do blog a assistir à conversa entre Borba, Cruz e o padre Pisaneschi e tirar dela valiosas lições.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/12/16 5:05:27 PM

Eu gosto bastante de distopias, embora não tenha lido ou visto tantas assim, e precise reler umas outras (eu era adolescente, por exemplo, quando li Admirável mundo novo). Recentemente, terminei duas: O senhor do mundo, de Robert Hugh Benson (escrito em 1907 e assustadoramente profético), e Um cântico para Leibowitz (Aleph, 2014; 400 páginas), de Walter Miller Jr. E foi só durante sua leitura que percebi que valia uma resenha aqui para o blog. Depois, ainda, descobri que essa obra tem bastante reputação entre os fãs de ficção científica, e até por isso acho curioso ela nunca ter sido adaptada para cinema ou televisão, apenas para o rádio.

monge copista medieval

A distopia de ficção científica “Um cântico para Leibowitz” ressuscita os copistas e lhes dá uma função crucial para o futuro da humanidade. (Imagem: Reprodução)

Antes de se converter ao catolicismo, Miller lutou na Segunda Guerra Mundial, tendo integrado tripulações de bombardeiros e feito parte da polêmica destruição do mosteiro de Monte Cassino, na Itália, o “marco zero” da ordem beneditina, tendo sido fundado pelo próprio São Bento. E Um cântico para Leibowitz se passa justamente em um mosteiro da fictícia Ordem Albertina, localizado no deserto norte-americano, em algum ponto entre o que hoje são os estados de Utah e Colorado. No século 20, uma guerra nuclear e a contaminação posterior (chamadas, no livro, de “Dilúvio de Fogo” e “Precipitação Radioativa”) destruíram praticamente o mundo inteiro. Os sobreviventes, então, revoltados com o que havia acontecido, promoveram a “Simplificação”: o expurgo e perseguição dos cientistas que haviam tornado possível a evolução dos armamentos, que acabou se generalizando para a caça a qualquer intelectual.

Alguns dos perseguidos conseguiram refúgio nas igrejas e abadias. Isaac Leibowitz foi um deles; abrigado pelos cistercienses, resolveu tornar-se um deles após ter certeza de que sua esposa tinha morrido na guerra, e depois decidiu fundar uma ordem dedicada a Santo Alberto Magno, padroeiro dos cientistas, cujos monges coletariam e armazenariam o que quer que houvesse sobrado do conhecimento científico e que não tivesse sido destruído na catástrofe nuclear ou na Simplificação. Entre os monges haveria copistas, encarregados de copiar tudo o que fosse encontrado, para que resistisse ao tempo; e memorizadores, que decorariam os conteúdos (pensou em Fahrenheit 451? Eu também) caso o acervo físico do mosteiro, chamado de Memorabilia, caísse nas mãos da turba destruidora (esse acabou sendo o destino do próprio Leibowitz, traído e martirizado). Esse trabalho seria feito ainda que os monges não compreendessem absolutamente nada daquilo que copiassem ou memorizassem; no futuro, confiavam, alguém haveria de encontrar um sentido para todas aquelas informações, e enquanto isso não acontecia caberia a eles a tarefa de preservá-las. O livro tem três partes, separadas por vários séculos. A primeira delas começa cerca de 600 anos depois da guerra e da Simplificação, e mais não digo sobre o enredo para não tirar a graça da leitura.

capa de Um cântico para Leibowitz

O livro costuma aparecer em diversas listas de fãs de ficção científica.

Se a ideia de monges trabalhando para recuperar conhecimento perdido de uma civilização anterior lhe parece bem familiar, é porque o caráter cíclico da história da humanidade é um dos temas importantes do livro. Na breve pesquisa que fiz após terminar a leitura, vi que as resenhas costumam enfatizar, como assunto relevante, as relações entre Igreja e Estado, que de fato aparecem mais na segunda e terceira partes. Mas é a relação entre ciência e fé que permeia boa parte do livro, a começar pelo seu próprio pressuposto, o de que, se no passado a Igreja foi a responsável por preservar o conhecimento filosófico greco-romano, no futuro seria também a Igreja a conservar o conhecimento científico da civilização moderna. Diversos outros temas e situações também estão presentes, como o desdém dos “novos intelectuais” pela fé religiosa, a participação de religiosos entre os pioneiros de uma Revolução Científica, o papel da religião como bússola moral diante de um desenvolvimento científico sem reflexão ética, e a maneira como os historiadores do futuro reconheceriam (ou não, melhor dizendo) a ação da Igreja na preservação do conhecimento, prevista em uma conversa meio profética entre o abade dom Paulo e um velho amigo judeu.

Tudo isso não deixa de ser curioso, se pensarmos que em 1960, quando Um cântico para Leibowitz foi publicado pela primeira vez, o Novo Ateísmo ainda não tinha aparecido para radicalizar o discurso antirreligioso, mas o trabalho de historiadores que resgataram a verdade histórica sobre o papel das religiões no progresso técnico-científico do Ocidente ainda estava em seus primórdios. O paradigma reinante ainda era aquele de Draper e White, com suas mentiras a respeito de uma hostilidade da religião (e, especificamente, da Igreja Católica) à ciência.

Então, se você curte distopias, ficção científica ou quer ler sobre ciência e fé, mas descansando das argumentações profundas ou das análises bíblicas, dê uma chance ao Leibowitz. Um enredo interessante, com humor e mutantes: não tem como dar errado!

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 24/11/16 1:28:40 PM

Se você estava esperando a Black Friday para incrementar sua biblioteca de ciência e fé, já apareceram algumas ofertas por aí.

os seis livros lançados até agora na coleção "Ciência e fé cristã"

A promoção da editora Ultimato, com os seis livros lançados até agora na coleção “Ciência e fé cristã”, é uma das boas ofertas do dia. (Foto: Divulgação)

A Editora Quadrante tem poucos títulos sobre o tema, mas o que há tem bons descontos, como Galileu, de Jorge Pimentel Cintra; Ciência e fé em harmonia, de Felipe Aquino; Filosofia da natureza, de Mariano Artigas; o recomendadíssimo Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, de Thomas Woods; e Luzes e sombras na Igreja, de Alfonso Aguiló (os dois últimos não são especificamente sobre ciência e religião, mas têm capítulos que tratam do tema). Pena que alguns outros títulos, como Ciência e milagres, Deus e os cientistas e Evolucionismo, mito e realidade, estejam esgotados. Aproveite e consulte o catálogo da editora, que é impressionante. Eu recomendo especialmente a coleção sobre história da Igreja Católica escrita por Daniel-Rops.

A editora Ultimato, em parceria com a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência, inicia a partir das 15 horas de hoje uma promoção para quem quiser o pacote com os seis livros lançados até agora da coleção “Ciência e fé cristã”. O preço é R$ 250 pelas seis obras e a promoção termina ao meio-dia de sexta-feira.

A loja brasileira da Amazon também está com coisa boa em promoção, como Ciência e religião, a tradução em português do Companion da Universidade de Cambridge, escrito por Peter Harrison; Fundamentos do diálogo entre ciência e religião, de Alister McGrath; Explorando a realidade: o entrelaçamento de ciência e religião, de John Polkinghorne; Ciência e fé, coletânea de cartas de Galileu Galilei (resenhada pelo blog aqui).

O Tubo de Ensaio continuará caçando boas ofertas em português. Se você achar alguma, não deixe de divulgar nos comentários deste post!

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 10/11/16 9:19:02 AM

Vejo, no site Strange Notions, um texto sobre um livro de Stephen Barr publicado em 2003, Modern Physics and Ancient Faith. O autor do texto, Brandon Voigt, mostra que, segundo Barr, não existe exatamente um conflito entre ciência e fé, mas entre ciência e naturalismo, a ideia de que o mundo natural é tudo o que há, e que essa ideia moldou toda a narrativa sobre o universo desde a Revolução Científica até o início do século passado. Mas foi justamente no momento em que essa narrativa naturalista parecia ter finalmente triunfado que começaram a aparecer rachaduras no dique do naturalismo, e Voigt enumera cinco desses momentos decisivos.

o matemático austríaco Kurt Gödel

O Teorema de Gödel é apontado como um desafio à noção materialista segundo a qual a mente humana é mera máquina. (Foto: Reprodução)

Quatro desses momentos são descobertas específicas, como o caso do Big Bang, que desafiou a noção de um universo eterno, conveniente para os naturalistas por (na mente deles) dispensar um criador. Ou, então, a emergência das questões relacionadas ao princípio antrópico e ao “ajuste fino” que permitiu o surgimento da vida na Terra. Ou, ainda, o surgimento da Mecânica Quântica, que desafiou o determinismo absoluto na Física, por sua vez derrubando poderosos argumentos contra a existência do livre arbítrio (não é que a Mecânica Quântica prove o livre arbítrio; o que ela faz é, ao contestar o determinismo, destrói também as alegações deterministas a respeito). Por fim, Voigt lista o Teorema de Gödel, que desafiaria o conceito naturalista da mente humana como mera máquina. Já o último item da lista não seria um momento propriamente dito, mas um processo, que deriva da própria busca pelas leis que regem o mundo natural e da descoberta de que essas leis são parte de um todo muito mais intrincado, o que leva a perguntas muito mais profundas não sobre o comportamento desta ou daquela substância, mas do universo como um todo.

A lista parece interessante, mas às vezes parece tirar conclusões apressadas. Como quando Voigt escreve que “o próprio Big Bang prova a doutrina judaico-cristã da criação”. O padre Georges Lemaître ficaria alarmado ao ler isso, pois ele mesmo teve de dar umas aulinhas de Física ao papa Pio XII quando este, entusiasmado com a teoria do Big Bang, também viu nela a prova de um Deus criador, uma ideia que o papa Francisco repetiria décadas depois. Afinal, como sabemos, o Big Bang não é necessariamente o início do universo, mas deste universo. Pode ter havido outro universo “antes” do nosso (sei que o “antes” aqui é meio complicado, entendam como força de expressão), ou pode haver outros universos simultaneamente ao nosso. Não é o Big Bang que exige um criador, mas o próprio fato de existir algo em vez do nada (o que leva ao “twist #2″ da lista de Voigt).

Isso tudo me lembra que está na minha estante o Where the conflict really lies, do Alvin Plantinga, que parece ser uma análise ainda mais aprofundada desse antagonismo entre religião e a visão naturalista do mundo.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 04/11/16 8:59:04 PM

Novembro está aí, e com ele o tal “congresso da felicidade” que mistura física quântica com espiritualidade. Em julho já causamos bastante treta com o tema, mas gostaria de trazer mais uma opinião. É a do professor José Motta Filho, engenheiro civil, professor de Física no Colégio Positivo e professor de Cálculo Diferencial e Integral na Universidade Positivo. Em artigo escrito especialmente para o Tubo de Ensaio, ele explica até onde se pode ir de forma honesta nessa tentativa de juntar física quântica e conceitos religiosos.

Werner Heisenberg foi um dos pioneiros da mecânica quântica.

Werner Heisenberg foi um dos pioneiros da mecânica quântica. (Foto: Bundesarchiv)

Física quântica, espiritualidade e as pseudociências

José Motta Filho

É complexo e ao mesmo tempo encantador quando refletimos acerca da infinita curiosidade do homem, desde o tempo das cavernas, quando ainda procurava apenas reconhecer e compreender os elementos naturais que o cercavam, até os dias atuais, em que se investe muito tempo, dinheiro e intelecto a fim de desvendar os mistérios escondidos no macrocosmo – com as extraordinárias viagens espaciais, seus equipamentos e tecnologias – e no microcosmo, com o estudo dos eventos subatômicos, saltos energéticos e quantizações.

Quando nos concentramos apenas na esfera microscópica da matéria, vemos gênios notáveis como Max Planck e a sua constante para o cálculo da energia de um fóton, ou como Albert Einstein e sua fantástica explicação do efeito fotoelétrico, e somos inseridos em um novo mundo: a mecânica quântica. Certamente esse novo mundo da Física está repleto de muita investigação sobre a estrutura da matéria, incertezas e causalidade, sendo que esta última acabou proporcionando uma intensa ligação da Física a conceitos de filosofia, neurociência e espiritualidade.

De fato, o estudo das partículas subatômicas nos leva a um paradoxo espaço-temporal, no qual uma mesma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Nesse ponto, somos remetidos a um fator extremamente relevante: a importância do observador desses eventos. Heisenberg nos diz que não podemos obter soluções precisas em níveis microscópicos. Enquanto um átomo não é observado, ele é apenas um feixe de possibilidades, mas, quando é observado, assume a forma vista naquele instante. Dessa maneira, entendemos que a realidade não é um elemento puramente externo, como preconizava a mecânica clássica, mas sim uma construção da mente do próprio sujeito vivo e pensante. Portanto, com base nessas ideias, pode-se entender que o ser humano é o grande protagonista e responsável por aquilo que lhe ocorre.

Diante desse emaranhado interdisciplinar, é possível concluir que há uma intensa e dinâmica interação entre os diversos elementos existentes, tanto em nível de subpartículas atômicas quanto no mundo visível que nos rodeia. E isso tem dado sustentação às questões que envolvem as crenças e a espiritualidade dos seres humanos. Desde o instante em que o homem concluiu que partícula e onda são fenômenos de mesma natureza, também foi possível admitir que matéria e energia são manifestações diferentes da mesma realidade física, podendo converter-se de uma em outra, dadas as condições para que isso ocorra.

Ancorado nessa perspectiva, é admissível que a consciência humana interfira e produza realidade física, a partir de uma fonte implícita e abstrata de energia cuja origem pode ser atribuída a um ser supremo, um ser extradimensional, um Criador. Ciência e religião se complementam nessa extraordinária odisseia que vários físicos modernos imprimem a fim de compreender e descrever as razões da existência humana, da existência de Deus e da não efêmera energia que move e dá vida a todos os seres. É de se esperar que ciência e religião, de mãos dadas, em perfeita harmonia, possam conduzir o homem no grande espetáculo da vida, possam levá-lo a conhecer a si próprio e possam manter viva a incomensurável curiosidade de querer ir além das fronteiras do infinito.

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