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Enviado por Marcio Antonio Campos, 26/02/15 11:37:04 AM

Semana passada terminou o leilão de uma carta de Albert Einstein escrita a um colega físico, professor da Universidade La Sapienza, em Roma. Acabou arrematada por US$ 75 mil; o leiloeiro deve estar feliz, pois o lance inicial era de apenas US$ 5 mil, mas ainda assim é bem menos que os milhões pedidos em uma outra carta de Einstein vendida pouco mais de dois anos atrás.

Albert Einstein em 1921, anos antes de escrever a carta leiloada recentemente.

Albert Einstein em 1921, anos antes de escrever a carta leiloada recentemente. (Foto: Ferdinand Schmutzer)

Escrevendo em italiano (idioma que Einstein conhecia, por ter vivido por um tempo na Itália) a Giovanni Giorgi, Einstein diz compartilhar das críticas feitas por Giorgi aos experimentos de um outro físico, que pretendia demonstrar a existência do éter. “Deus criou o mundo com mais elegância e inteligência”, afirma o alemão (no original, Dio ha creato il mondo con più eleganza e intelligenza). No caso, “mais elegância e inteligência” na comparação com a teoria que Einstein e Giorgi estão criticando.

O próprio site do leiloeiro explica esse trecho: “A discussão sobre Deus como criador também é fascinante. Embora não acreditasse em uma dividade pessoal, Einstein não tinha restrição a falar de Deus em um contexto científico quando discutia interpretações divergentes da física quântica. Em 1929, ele disse que acreditava ‘no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia de tudo o que existe’ e, em 1950, escreveu que ‘se há algo em mim que pode ser chamado de religioso, é a ilimitada admiração pela estrutura do mundo, naquilo que nossa ciência pode revelar’. É essa concepção de Deus que aparece nesta carta, com a ideia de um mundo projetado com ‘inteligência e elegância’ correspondendo a essas noções de harmonia estrutural. Eram essas estruturas harmônicas, as coisas no âmago da criação, que Einstein, como físico, esperava desvendar e descrever em sua busca por conhecimento, criando uma ponte entre o científico e o espiritual”. Uma descrição da espiritualidade peculiar de Einstein pode ser encontrada no livro Galileo goes to jail and other myths about science and religion. É o mito 21, com texto de Matthew Stanley.

Mas e a outra carta, então, na qual Einstein escrevia que “A palavra Deus é, para mim, nada mais que a expressão e o produto de fraquezas humanas“? Bom, existem quase 30 anos de diferença entre uma e outra. É tempo mais que suficiente para alguém mudar de ideia sobre qualquer assunto. Só não me façam como alguém (devia ter guardado o link, mas não me ocorreu na hora) que estava comentando no Facebook o leilão dessa carta em italiano e escreveu, no Facebook, que agora tinha certeza de que a carta de 1954 era uma farsa produzida por neoateus…

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 25/02/15 11:24:39 AM

Poucos lugares no mundo são mais icônicos para as discussões a respeito da vida na Terra que as Ilhas Galápagos, esse arquipélago situado a quase mil quilômetros de distância do Equador, país ao qual pertence. O local foi importantíssimo nas pesquisas de Charles Darwin e que levaram o britânico ao desenvolvimento da teoria da evolução pela seleção natural.

tartaruga em galápagos

“Estou esperando você em Galápagos para o workshop sobre a origem e o conceito de vida!” (Foto: David Adam Kess/Wikimedia Commons)

E é lá que a Universidade de Oxford (por meio do Ian Ramsey Centre for Science and Religion) e a Universidade San Francisco de Quito (por meio do Instituto Galápagos de Artes e Ciências) vão realizar o primeiro workshop do projeto Ciência, Filosofia e Teologia na América Latina, com financiamento da Fundação John Templeton. O evento, com o tema “A origem e o conceito de vida”, ocorrerá de 17 a 21 de agosto deste ano. “Os principais temas do workshop serão a origem e a noção de vida, a vida extraterrestre, diferentes tipos de vida e diferentes perspectivas sobre a definição de vida”, segundo o site do workshop.

Se você é estudante de pós-graduação, pós-doutorando ou pesquisador até o quinto ano em uma posição permanente em uma universidade na América Latina, então está qualificado para ser um dos 28 “jovens acadêmicos” que terão a oportunidade de participar do workshop e interagir com especialistas latino-americanos e europeus no campo da ciência e da religião. Os selecionados receberão uma bolsa para cobrir as despesas de viagem e hospedagem em Galápagos. As inscrições já estão abertas e vão até 30 de abril (para ajudar a lembrar, pense que é o mesmo prazo da entrega da declaração do Imposto de Renda). Mas fique muito atento, especialmente aos itens 3 e 4 da carta de convocação, para não enviar uma inscrição incompleta e perder essa chance. Entre os documentos exigidos estão cartas de recomendação do orientador ou da instituição, currículo e resumo do projeto a ser desenvolvido durante o evento. Tudo em inglês!

(Aviso: A Fundação John Templeton e o Centro Ian Ramsey bancaram a viagem e a hospedagem do blogueiro para um workshop em Oxford, em 2013)

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 11/02/15 11:11:10 AM

A emissora britânica BBC tem um projeto chamado Pop Up, em que um time de jornalistas vai percorrer os Estados Unidos, pulando de cidade em cidade e fazendo reportagens curtas em vídeo. Agora eles estão no Arizona, onde se localiza o Observatório Vaticano, tema da matéria de Matt Danzico. Como o WordPress não permite a incorporação de vídeos da BBC, você tem de clicar aqui para assistir.

O telescópio do Observatório Vaticano no Arizona

O telescópio do Observatório Vaticano no Arizona: padres a serviço da ciência desde o século 16. (Foto: Divulgação/Observatório Vaticano)

Padres no meio do deserto fazendo observações astronômicas? Puxa vida! No começo, o repórter tentou dar uma valorizada na “descoberta”: afinal, nem mesmo um amigo, jornalista especializado em ciência, da revista Popular Science, tinha ouvido falar disso. Na verdade, acho que Danzico acabou fazendo seu amigo pagar um mico. Sério que nem ele, nem colegas que cobrem especificamente a área de astronomia, tinham ouvido falar do Observatório Vaticano? Mesmo depois das inúmeras aparições do irmão Guy Consolmagno na mídia norte-americana?

O vídeo dá uma ideia razoável, considerando a curta duração da reportagem, da história da instituição e do tipo de trabalho que os membros do Observatório realizam. Vários deles são entrevistados e têm a chance de dizer o que estão fazendo. Um dos astrônomos tem inclusive a chance de dizer umas palavrinhas sobre a relação entre ciência e fé, sobre um eventual conflito entre o que diz a Bíblia e o que eles pesquisam no observatório, e cita Nicolau de Cusa, que um século antes de Giordano Bruno já havia levantado a ideia de outros mundos habitados (ele foi nomeado cardeal oito anos depois de publicar a obra em que tratava desse tema).

O que destoou um pouco foi a participação do astrofísico e ateu militante Lawrence Krauss. Ele aparece do nada jogando algumas afirmações genéricas, algumas fruto de puro achismo (como a de que “os melhores cientistas são ateus”), e só entra no tópico quando afirma que o Observatório Vaticano nunca foi uma instituição de ponta (pode não ser verdade agora, mas é uma afirmação questionável quando se considera a época em que ele foi fundado), mas que não faz ciência nonsense, e enquanto os padres não deixarem sua “mitologia” interferir na ciência, ele não se incomoda. Talvez o jornalista quisesse acrescentar algum contraponto e Krauss estava disponível para falar algumas besteiras…

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 29/01/15 5:34:11 PM

Na terça-feira, o físico Charles Townes morreu na Califórnia, aos 99 anos. Seu trabalho abriu as portas para uma série infindável de comodidades modernas. Afinal, sua pesquisa permitiu o surgimento do laser, e foi graças a ela que Townes recebeu o Nobel de Física.

Embora ele seja mundialmente conhecido por essa contribuição, Townes também contribuiu para o diálogo entre ciência e religião, fato ignorado pela maioria dos obituários e brevemente mencionado em outros, como esse do NYT cujo link inicia este post. Em 1966, bem antes de o tema se tornar um tópico de discussão acalorada, ele já havia escrito o artigo “A convergência da ciência e da religião” para a revista Think, publicada pela IBM. Nela, Townes faz uma recapitulação da história recente da ciência, iniciando na época em que se acreditava no seu poder de explicar absolutamente tudo, e mostra diferenças e paralelos entre ciência e fé, ressaltando estes últimos e afirmando que a convergência é “inevitável”.

Desde a década de 60 Charles Townes já tratava da integração entre ciência e fé

Desde a década de 60 Charles Townes já tratava da integração entre ciência e fé. (Foto: Elena Zhukova/UC, Berkeley/Divulgação)

Vejam também a entrevista concedida por ele em 2005 ao site da Universidade da Califórnia, Berkeley, na qual ele foi professor por décadas. Nela, o físico trata do diálogo entre ciência e fé, das questões éticas, das limitações da ciência e de outros temas, como o ensino do design inteligente nas escolas. Naquele mesmo ano, Townes ganhou o Prêmio Templeton.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 20/01/15 7:00:59 PM

Nova é uma série de documentários sobre ciência que está no ar desde 1974 na PBS, o canal público norte-americano de televisão. Temos de aplaudir o simples fato de um programa televisivo desse gênero se manter vivo por quatro décadas. Não sei se todos os episódios estão disponíveis em DVD, mas outro dia encontrei à venda na internet um programa exibido em outubro de 2002: é Galileo’s battle for the heavens, baseado no livro A filha de Galileu, da escritora norte-americana Dava Sobel. Comprei o meu na Amazon, mas o próprio site da PBS tem uma transcrição completa do episódio.

capa do DVD de "Galileo's battle for the heavens"

“Galileo’s battle for the heavens” foi originalmente exibido em 2002. (Imagem: Divulgação)

Com duas horas de duração, o programa é um documentário que mescla entrevistas de especialistas (como o jesuíta Guy Consolmagno, a própria Dava Sobel, o astrônomo Owen Gingerich, além de outros historiadores e cientistas) com dramatizações de episódios da vida de Galileu e de sua primeira filha, Virginia Gamba, que depois entrou em um convento e se tornou a irmã Maria Celeste (nome com um duplo sentido um tanto apropriado, ressalta Dava Sobel). Achei um tanto estranho ver Simon Callow, o ator que interpreta Galileu, recitando para a câmera trechos das cartas e outros escritos de seu personagem, mas o que importa mesmo é a descrição da vida do astrônomo, suas teorias e seu processo inquisitorial.

E, nesse quesito, o documentário vai bem. Não digo que vai muuuuuito bem, mas é uma descrição razoavelmente fiel, melhor do que a média do que lemos e vemos sobre Galileu por aí. Os entrevistados, por exemplo, mostram o contrassenso que era, na época de Copérnico e Galileu, dizer que a Terra se movia em altas velocidades pelo espaço, algo totalmente contrário ao senso comum, pois deveríamos “perceber” esse movimento. A personalidade arrogante de Galileu, que lhe rendeu muitos inimigos desnecessariamente, também é mencionada. Os entrevistados deixam claro que Galileu nunca se viu como adversário da Igreja; era um bom católico que desejava manter a Igreja na vanguarda da ciência. E a descrição feita da famosa carta à grã-duquesa Cristina de Toscana, que levou ao processo de 1616, é correta ao mostrar como o texto vai muito além da astronomia para entrar em temas de teologia e interpretação bíblica.

Galileu é interpretado pelo ator britânico Simon Callow.

Galileu é interpretado pelo ator britânico Simon Callow. (Foto: Divulgação)

Mas é justamente aí que aparece uma das lacunas do filme: ele não explica o contexto da Contrarreforma, que reservou exclusivamente ao clero católico o direito de interpretar a Escritura e, se necessário, propor novas interpretações. E foi justamente isso (e não a mera defesa do heliocentrismo) que causou problemas a Galileu. Também percebi exageros na descrição do geocentrismo como dogma católico, e na maneira como tanto a Inquisição quanto Roberto Belarmino foram retratados. O cardeal é descrito como uma pessoa que até teve, no passado, interesse por temas científicos, mas com o tempo foi ficando cada vez mais “bitolado”. Só de passagem é mencionada sua carta a Antonio Foscarini na qual Belarmino revela, sim, uma abertura à possibilidade de reconsiderar a visão geocêntrica se houvesse uma prova irrefutável. Menos mal que o documentário também lembra que Galileu estava errado ao apresentar as marés como essa prova.

Quanto ao processo de 1633, que resultou na condenação de Galileu, o documentário também tem muitos acertos. O primeiro e maior deles é lembrar que a condenação resultou, principalmente, da desobediência de Galileu às ordens recebidas em 1616. O filme mostra como Urbano VIII se mostrou mais aberto à possibilidade de Galileu publicar suas obras, desde que tratasse o heliocentrismo como hipótese, e os especialistas reconhecem que o Diálogo era uma defesa explícita do modelo copernicano, inclusive colocando argumentações de Urbano VIII na boca do personagem Simplício (mas o filme me parece entrar no terreno da especulação ao dizer que o papa nunca chegou realmente a ler o Diálogo, contentando-se com o que ouviu falar a respeito da obra). A parte de contextualização que faltou na descrição dos acontecimentos de 1616 aparece agora, com Dava Sobel explicando as dificuldades pelas quais Urbano VIII passava e que o impediam de ser condescendente com seu antigo amigo astrônomo. Por fim, o documentário termina de uma forma mais tranquila, descrevendo as demais colaborações de Galileu para a ciência, e encerrando com a reabilitação do astrônomo em 1992, pelo papa João Paulo II.

Enfim, como eu disse, está acima da média, e está ok para quem procura um produto audiovisual sobre o tema. Mas o que eu sigo recomendando mesmo é o livro de Annibale Fantoli Galileu: pelo copernicanismo e pela Igreja, que inclusive aborda muitos aspectos ignorados pelo documentário da PBS, como a existência de outros modelos planetários na época de Copérnico e Galileu.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 16/01/15 4:23:18 PM

A entrevista que o papa Francisco deu no avião, entre o Sri Lanka e as Filipinas, durante a viagem que ainda está em curso, repercutiu no mundo inteiro principalmente por suas palavras em relação ao atentado contra a Charlie Hebdo e à liberdade de expressão. E nem poderia ser diferente. Mas a primeira pergunta feita ao pontífice durante o voo foi sobre outro tema: a questão ambiental. Jerry O’Connell, da revista America (suponho que seja a publicação jesuíta), lembrou que nas Filipinas o papa visitaria a região atingida pelo tufão Haiyan (também chamado Yolanda) e encontraria sobreviventes da tragédia, e perguntou sobre a participação humana no aquecimento global e sobre a prometida encíclica a respeito de temas ambientais.

O papa Francisco durante entrevista no avião que o levou do Sri Lanka às Filipinas

O papa Francisco durante entrevista no avião que o levou do Sri Lanka às Filipinas: encíclica terá influência dos textos do patriarca ortodoxo Bartolomeu. (Foto: Stefano Rellandini/Reuters)

O Vaticano ainda não providenciou traduções oficiais em outros idiomas da entrevista. Temos a versão em italiano, e nela ficam evidentes algumas coisas. Para Francisco, sim, a maior responsabilidade nas mudanças climáticas é do homem (ele usa uma expressão em italiano, prendere a schiaffi, que é empregada em um contexto de agressão). O pontífice cita o caso do desmatamento na Amazônia, um problema de cuja importância ele não tinha tomado consciência até o encontro dos bispos latino-americanos em Aparecida (SP), em 2007; critica as monoculturas que exaurem a terra; e elogia o patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, chamado por muitos de “patriarca verde” justamente por sua preocupação ambiental. Francisco diz que está lendo muitas coisas dele para compor sua encíclica.

E, falando do texto, explica que o cardeal Peter Turkson (ganês que preside o Pontifício Conselho Justiça e Paz) e sua equipe prepararam uma versão inicial, em cima da qual o próprio Francisco trabalhou para a segunda versão. Ele e alguns teólogos voltaram ao texto e chegaram a uma terceira versão, enviada à Congregação para a Doutrina da Fé, para a Secretaria de Estado e para o teólogo da Casa Pontifícia (o dominicano polonês Wojciech Giertych) para revisão, sugestões e correções. Francisco já recebeu as respostas (“algumas delas bem extensas”, disse), e vai tirar uma semana em março para finalizar o texto, e só quando as traduções estiverem prontas a encíclica pode ser divulgada, o que, pela estimativa do papa, deve ocorrer entre junho e julho. O papa não quer que a publicação demore muito mais porque pretende que o texto seja lido e absorvido com calma antes da COP21/MOP11, evento da ONU previsto para ocorrer em Paris no fim do ano; aliás, Francisco encerrou suas observações sobre o tema mostrando sua decepção com os pífios resultados da COP20/MOP10, encerrada no Peru em dezembro.

Um dia antes da entrevista do papa Francisco no avião, entidades católicas de vários países anunciaram o lançamento do Movimento Global Católico do Clima, grupo que pretende conscientizar os católicos sobre a importância da preservação do meio ambiente. Vale a pena ler a declaração.

A reportagem de David Gibson sobre o lançamento desse grupo ainda afirma que alguns católicos (tratados pela imprensa como “conservadores”) não estão aprovando toda essa ênfase ambiental do papa. Há quem ache que isso não é tema para um pontífice tratar, ou que há temas mais prioritários. Há uma preocupação legítima com um possível uso político-ideológico do texto da futura encíclica. E já há quem diga que o documento pode ser simplesmente ignorado. Claro que esses argumentos são rebatidos, e muitas vezes por outros católicos classificados como “conservadores”. É evidente que afirmações sobre o aquecimento global ser ou não majoritariamente antropogênico são opiniões do papa (e ele não as está baseando em achismo, mas em fontes importantes) que um católico pode até questionar. Mas os preceitos morais ligados ao cuidado com a criação são, sim, obrigatórios para um fiel. De qualquer maneira, há muita falação e o texto nem apareceu ainda. Um pouco de paciência não faz mal.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 07/01/15 11:47:05 AM

O blog volta do seu recesso de fim de ano comentando um texto bem interessante publicado sábado passado na Salon. O escritor/ativista/colunista Paul Rosenberg descreve o trabalho de Jeremy England, um professor do MIT que está usando as leis da termodinâmica para explicar (aqui resumindo muito rapidamente; sugiro ler o artigo) como o surgimento da vida na Terra não teria sido acidental, mas quase que necessário, dadas as circunstâncias adequadas para tal.

Uma visão artística sobre a Terra primitiva, ainda sendo bombardeada por asteroides

Uma visão artística sobre a Terra primitiva, ainda sendo bombardeada por asteroides. Segundo Jeremy England, do MIT, as condições encontradas na Terra tornariam o surgimento da vida inevitável, e não apenas um mero acidente. (Imagem: Nasa’s Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab)

A coisa fica ainda mais interessante porque especialmente a Segunda Lei da Termodinâmica é um argumento usado por criacionistas de Terra jovem para combater a teoria da evolução. Rosenberg explica por que essa argumentação é equivocada, embora as consequências do trabalho de England, se ele estiver certo, vão muito além de ser uma simples refutação de argumentos criacionistas. Seria algo revolucionário.

No seu texto, Rosenberg começa tratando do ódio dos criacionistas a Charles Darwin, e inclusive faz as ressalvas corretas: ele afirma que, embora a explicação de Darwin não exija uma ação divina para a variedade da vida na Terra, o naturalista britânico também não excluiu Deus, o que muitos criacionistas parecem incapazes de entender, diz o autor. Logo em seguida, diz que Darwin também não tinha nada a dizer sobre como a vida surgiu, “o que ainda deixa um bom espaço para Deus”, e acrescenta: para quem gosta de pensar assim. Esse trechinho final indica de quem estamos falando: dos seguidores do “Deus das lacunas”, aquela divindade evocada unicamente como explicação daquilo que a ciência não explica. De fato, para quem adere ao Deus das lacunas, uma comprovação de que a vida na Terra surgiu por processos puramente naturais seria devastadora. Mas, para quem compreende Deus não como um preenchedor de lacunas, mas como um ser pessoal, cuja relação com o universo é a de sustentá-lo com Sua vontade, um Deus que é encontrado naquilo que se conhece sobre o mundo, e não sobre aquilo que se ignora, o trabalho de England teria um efeito contrário: ficaríamos ainda mais maravilhados com a genialidade da obra divina.

E é assim que chegamos ao título do texto de Rosenberg (que não sei dizer se é sugestão do próprio autor ou se foi decisão do editor da Salon): “Deus nas cordas: a brilhante nova ciência que deixa aterrorizados os criacionistas e a direita cristã”. Não é Deus que está nas cordas; quem está nas cordas é a caricatura da divindade, o Deus das lacunas. Talvez seja uma distinção elaborada demais para caber num título…

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 19/12/14 9:02:58 PM

Lembram da íntegra do projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Artagão Júnior? Foi o tema de alguns dos mais recentes posts do blog. Pois então: comparem a íntegra do projeto que tramita na Alep com esse outro, apresentado em 14 de novembro, pelo deputado federal Marco Feliciano, desta vez na Câmara dos Deputados.

deputado Marco Feliciano

O deputado Marco Feliciano apresentou um projeto de lei sobre criacionismo nas escolas quase igual ao apresentado na Alep pelo deputado estadual Artagão Junior. (Foto: Alexandra Martins/Câmara dos Deputados)

Quase igualzinho, não é? O projeto que está em Brasília corrige alguns errinhos que estão no texto da Alep, como a referência ao “Big Ban”, mas o texto da justificativa é exatamente o mesmo, tirando essas correções. O problema é o “quase”. Pois o projeto de Artagão Júnior diz, no artigo 1.º, que o criacionismo faria parte “da grade curricular na Rede Pública Estadual de Ensino”. Já o de Feliciano quer impor o criacionismo a todas as escolas do país: seu artigo 1.º prevê seu ensino “nas Redes Públicas e Privadas de Ensino”. O que, além das questões que eu já citei quando tratei do projeto estadual, levanta outros problemas novos, como diz o Leandro Beguoci no Gizmodo. Escolas confessionais de religiões não cristãs teriam de ensinar o criacionismo bíblico? Pois a justificativa do projeto se apoia justamente nas “convicções cristãs” da sociedade, não trata de criacionismos não bíblicos.

Mas, voltando a essas semelhanças que não são mera coincidência: é comum que certos lobbies usem assessoria jurídica para redigir projetos de lei que possam ser apresentados em várias casas legislativas; depois, é só encontrar um parlamentar disposto a colocá-lo em tramitação. Nunca me debrucei muito sobre a legitimidade desse expediente, embora, à primeira vista, não me pareça imoral. A pergunta que fica nesse caso é: quem está por trás desse projeto sobre o criacionismo nas escolas? Ou Feliciano resolveu copiar o projeto paranaense?

Já faz algumas semanas que enviei à assessoria de imprensa de Marco Feliciano as mesmas perguntas que fiz ao deputado estadual Artagão Junior (sobre em que disciplina o criacionismo seria ensinado, que tipo de criacionismo figuraria no currículo, qual a idade do universo na opinião do parlamentar etc.), e mais algumas, como uma referente à origem do texto do projeto (um terceiro redigiu o projeto apresentado por Feliciano e Artagão? Ou Feliciano viu o projeto paranaense, gostou e copiou, fazendo uma revisão na justificativa e acrescentando a rede particular?) e outra sobre sua aplicação em escolas confessionais de religiões não cristãs. Não houve retorno, mesmo eu tendo lembrado a assessoria algumas vezes, nesse meio tempo, de que estava esperando essas respostas. Como até agora só tive o silêncio, aqui vai o post. Se a assessoria ainda quiser responder, o blog estará à disposição para atualizar o texto.

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 18/12/14 12:05:33 PM

Dezembro é época de retrospectivas e, enquanto todo mundo vai lembrar da reeleição da Dilma e dos 7 a 1 para a Alemanha, temos coisas melhores para recordar por aqui. Uma delas foi a inédita realização de um Curso Faraday no Brasil. São Paulo recebeu o evento (e, se não houve curso em Curitiba, pelo menos tivemos a Hilary Marlow dando palestra na PUCPR). Rogério Fernandes da Silva, que é professor na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro e mestrando em Ciências da Religião na PUC-SP, esteve lá e escreveu um artigo para o Tubo contando um pouco das suas percepções sobre o evento.

Percepções do Curso Faraday-Kuyper

Rogério Fernandes da Silva

Entre 9 e 12 de outubro, participei do curso promovido pelo Faraday Institute for Science and Religion e pela Associação Kuyper de Estudos Transdisciplinares, na cidade de são Paulo. Minha ida ao curso Faraday-Kupper foi uma jornada, ainda mais porque tive de fazer uma apresentação na Universidade Federal de Juiz de Fora na mesma semana. Entretanto, ao chegar a São Paulo as coisas se acomodaram. O curso, que teve o tema “ciência, tecnologia e religião”, havia passado por percalços motivados pela incompreensão da academia brasileira: originalmente previsto para ocorrer na USP, teve de ser transferido para a Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo em cima da hora. Essa incompreensão foi motivada pelo preconceito laicista de alguns, para quem qualquer menção ao religioso na universidade seria um ataque ao Estado laico. Contudo, a transferência de local não afetou a qualidade do curso.

Hilary Marlow no curso Faraday-Kuyper, em São Paulo.

Hilary Marlow no curso Faraday-Kuyper, em São Paulo. (Foto: Gustavo Assi)

O curso foi administrado por Gustavo de Assi e Guilherme de Carvalho, contando com uma equipe de voluntários e professores brasileiros e do Faraday. Foram quatro dias de intensa formação e interação com participantes. Nomes de peso do estavam presentes, como Denis Alexander, diretor emérito do Faraday Institute. No primeiro dia foram entregues a programação e um caderno universitário para notas; nele constavam artigos que davam subsídios para o estudo sobre as relações entre ciência e religião. Não é possível detalhar todos os debates e palestras aqui, mas foram todas de alto nível para uma plateia eclética, visto que nem todos eram do meio universitário. Mesmo sendo um evento promovido por uma entidade inglesa, com perfil ecumênico, chamou-me a atenção o fato de que aparentemente eu era o único católico no grupo dos que assistiam.

Destaco a palestra de Hilary Marlow, que, ao pesquisar sobre darwinismo no Brasil no fim do século 19 e início do século 20, não descobriu fontes sobre o conflito entre religião e ciência nessa época (Ver, entretanto: DOMINGUES, Heloisa Maria Bertol (org.). A recepção do darwinismo no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003). Isso pode ser explicado devido à preocupação dos cientistas brasileiros que, na época, estava mais ligada a questões raciais do que religiosas, motivada pela concepção da construção da nação brasileira via critérios raciais. Os cientistas acreditavam que o país seria inviável no longo prazo devido à forte presença africana na sociedade. Contudo, não é que o conflito estivesse ausente naquela época, visto que o positivismo, ferrenho opositor da religião, era muito presente nas nossas elites políticas e intelectuais e gerava um tipo de embate que se fazia na forma de laicismo. Vale ressaltar que a laicidade brasileira nasceu sob um banho de sangue dos mais miseráveis da população brasileira, vide o Contestado e a revolta de Canudos.

Enfim, que o curso do Faraday possa avançar ainda mais dentro das mentalidades acadêmicas brasileiras; apesar de não acreditar que a tese de conflito seja a predominante na universidade, a indiferença parece ser a tônica predominante em nossas terras. Também parece que o laicismo, e não a laicidade, seja o pensamento majoritário. Esse laicismo e essa indiferença não ajudam em nada, e permitem que a tese de conflito seja vitoriosa no senso comum.

(Aviso: o Instituto Faraday, citado neste post, deu ao blogueiro uma bolsa para participar de um curso na Universidade de Cambridge, em 2011)

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Enviado por Marcio Antonio Campos, 05/12/14 10:11:55 AM

Nesses dias em que falamos tanto do “tripé macroeconômico”, o blog quer propor a discussão sobre um outro tripé, aquele no qual se assenta a civilização ocidental. Mas, na verdade, a esse tripé se juntou uma quarta perna, e é isso que Joathas Soares Bello trata nesse artigo escrito para o blog. O autor, graduado em Filosofia pela Uerj, mestre em Filosofia pela PUC-Rio e doutor em Filosofia pela Universidad de Navarra (Espanha), é professor da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, do Instituto Filosófico e Teológico São José do Seminário Arquidiocesano de Niterói e da Faetec-RJ. Ele tem se dedicado, principalmente, ao estudo da filosofia da religião e ao aprofundamento e divulgação do pensamento do filósofo espanhol Xavier Zubiri, que soube unir, na sua obra, uma perspectiva profundamente metafísica ao conhecimento das ciências contemporâneas.

Os quatro pilares

Joathas Soares Bello

“O monoteísmo criacionista judaico-cristão e sua vitória sobre a religião e a metafísica do mundo antigo foi, sem dúvida, a primeira possibilidade fundamental para libertar a pesquisa sistemática da natureza. Significou libertar a natureza para a ciência de uma ordem de grandeza que talvez ultrapasse tudo o que, até hoje, já aconteceu no Ocidente. O Deus espiritual de vontade e de trabalho, o Criador, que não foi conhecido por nenhum grego e nenhum romano, por nenhum Platão e nenhum Aristóteles, foi (…) a maior santificação da ideia do trabalho e do domínio sobre as coisas infra-humanas; e, ao mesmo tempo, operou a maior desanimação, mortificação, distanciamento e racionalização da natureza que jamais ocorreu em relação às culturas asiáticas e à Antiguidade” (Max Scheler).

É um lugar comum, entre vários autores cristãos, a afirmação de que as três maiores obras do espírito humano são a filosofia grega, o direito romano e a religião judaico-cristã (descontando, aqui, o fato de que não se a considera uma obra exclusivamente humana). O filósofo espanhol contemporâneo Xavier Zubiri, no entanto, considera que a ciência moderna, que começou com Copérnico, Kepler e Galileu, também merece figurar entre as maiores obras do engenho humano. Os autores cristãos consideram que a filosofia grega e o direito romano foram providencialmente dispostos por Deus para preparar os caminhos dos pagãos à recepção da mensagem universal do cristianismo; isso foi feito através de conceitos filosóficos e jurídicos, especialmente o de “pessoa”, presente tanto entre os gregos como entre os romanos, mas que adquiriu uma profundidade e relevância muito maiores na doutrina e prática cristãs.

Entretanto, o conhecimento do mundo material não era tão valorizado na cultura clássica. Na realidade, os antigos tinham uma dupla atitude perante o mundo: por um lado, uma inspiração gnóstica conduzia ao desprezo da corporeidade e da temporalidade, entendidos como “queda” da eternidade; por outro lado, uma tendência panteísta levava a uma divinização da natureza, entendida como algo “sagrado”, “encantado”. Tanto a falta de consideração de uns quanto o excesso de reverência de outros impediam o surgimento do saber científico, e foi precisamente o cristianismo, com sua apreciação positiva da realidade material, dotada de bondade ontológica (“e Deus viu que tudo era bom”), porém criada e não divina (“no princípio Deus criou o céu e a terra”), e posta pelo seu Artífice aos cuidados da pessoa humana (que deve “guardá-la” e “nomeá-la”), que abriu caminho para o que viria a ser a ciência matematizante e experimental que tem seus primórdios na Escola de Oxford, no século 13, com Roberto Grosseteste e Roger Bacon, e começa a alcançar sua maturidade com Copérnico, no século 16.

Roberto Grosseteste e Roger Bacon estão entre os pensadores que abriram espaço para a ciência moderna.

Roberto Grosseteste e Roger Bacon estão entre os pensadores que abriram espaço para a ciência moderna. (Imagem: Reprodução)

Mas por que a ciência, como a conhecemos hoje, demorou tanto para surgir em solo cristão, uma vez que tinha um terreno propício? Foram duas as sínteses principais entre o pensamento grego e o cristão (que é um pensamento religioso e que, portanto, precisa do auxílio do pensamento racional para expressar suas intuições sobre a realidade natural): o pensamento cristão platonizante, cujo principal expoente foi Agostinho, e o pensamento cristão aristotelizante, cujo principal representante foi Tomás de Aquino. O platonismo tinha o instrumento (a matemática herdada do pitagorismo) para medir as realidades materiais, mas sua preocupação era mística; o aristotelismo tinha o interesse pela natureza, mas seu instrumento era uma filosofia qualitativa, em que a “física” (filosofia da natureza) na verdade era uma ontologia do movimento. Foi só quando o interesse aristotélico se casou com o instrumento platônico que a ciência pôde nascer. E isso se deu no fim da Idade Média, com o abandono da metafísica das essências universais por parte de Guilherme de Ockham, e a assunção de que o conceito era mero “nome” (“homem”) que congregava realidades similares (“Sócrates” e “Platão”) de essências individuais que não podem ser determinadas. Assim, na física nominalista, o termo se torna um símbolo da realidade, e não mais uma expressão da essência qualitativa ou formal. Está aberto o caminho para a matematização do conhecimento da natureza.

A ciência, contudo, não substitui o papel da filosofia, do direito e da religião, como costuma-se pensar. O filósofo alemão Immanuel Kant dizia que são quatro as questões que norteiam a vida humana: 1) Que posso eu saber? 2) Que devo eu fazer? 3) Que me é permitido esperar? 4) Quem é o homem? Aqui não me interessam as respostas de sua filosofia pessoal, mas a constatação de que tais perguntas realmente podem orientar a existência. Comecemos pela última: a ciência, em virtude de seu método, fica aquém do caráter pessoal, espiritual, do ser humano: temas como o da espiritualidade da inteligência ou o do significado do amor, por exemplo, só podem ser estudados pela filosofia, cuja evidência não se restringe ao que pode ser matematizado e experimentado. O que podemos esperar é uma questão que nos abre à dimensão religiosa da existência, ou seja, que nos remete ao sentido da vida e da morte, e à possibilidade de que o horizonte último da realidade se nos revele. O que eu devo fazer é uma questão que abre minha personalidade individual às demais pessoas, e me faz considerar meus direitos e deveres na sociedade, isto é, entramos na esfera do jurídico. Finalmente, à ciência cabe responder o que eu posso saber do mundo natural.

immanuel kant

As questões levantadas por Immanuel Kant ajudam a entender o papel da ciência, da filosofia e da religião. (Imagem: Reprodução)

Assim, podemos resumir estes quatro pilares de nossa existência ocidental da seguinte forma: a ciência se refere ao mundo natural; o direito, ao mundo social; a filosofia, ao mundo pessoal; e a religião, ao sentido ou fundamento último, que sói ser chamado Deus. Toda a estrutura do real fica contemplada nessa esquematização, com o que vemos que não é casual o desenvolvimento desses pilares. A verdade é que quatro bases não nos garantem o equilíbrio das três primeiras (que formam necessariamente um só plano; aqui jogo com a geometria), mas a possibilidade do desequilíbrio (por exemplo, o positivismo cientificista que nega a filosofia e a religião) é compensada pela beleza e, por que não, utilidade da grandiosa ciência moderna!

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