Curitiba ganha fábrica de burrata pelas mãos de ex-deputada italiana

A brasiliense Renata Bueno, primeira deputada ítalo-brasileira eleita para representar os italianos que vivem na América do Sul no Parlamento Italiano, desde cedo seguiu os passos do pai, o deputado federal paranaense Rubens Bueno (PPS). Formada em Direito, especializou-se na Itália. Em 2008, foi eleita vereadora em Curitiba. No final de 2012, como já participava da política italiana como militante do Partido Democrático, foi convidada a concorrer às eleições ao parlamento daquele país. Em fevereiro de 2013 elegeu-se com mais de 20 mil votos, tornando-se a primeira brasileira nata com dupla cidadania a ter um mandato na Itália. Nas eleições deste ano, não conseguiu renovar o mandato. Com a pausa na política, decidiu empreender no Brasil junto com o marido, o italiano Angelo Martiriggiano. Ambos estão abrindo a Mozzarellart, um misto de empório e fábrica de burrata e de queijos artesanais com tecnologia italiana, no Juvevê. Mas ela não descarta voltar a se dedicar à política na Itália, onde pretende viver em definitivo. Renata conversou com a coluna na última terça-feira em meio às obras.

Como surgiu a ideia de abrir a Mozzarellart?

A ideia surgiu porque o Angelo, meu marido, junto com o irmão dele e outros sócios, abriram esse tipo de negócio em Praga e funcionou super bem desde o começo. Na época, 2014/2015, já estava começando essa moda aqui no Brasil também. Então a gente pensou que poderia ser um grande negócio para o Brasil e a ideia era termos uma empresa aqui para, no meu caso, ter uma atividade econômica fora da vida pública.

Qual é o conceito do negócio?

É trazer para o Brasil um pedaço da verdadeira Itália. Eu fui deputada lá, sou apaixonada pela cultura italiana, casei com um italiano, que é da Puglia, onde nasceu a tradição desse tipo de produto. Então a gente quis trazer para cá uma coisa legítima, como é feita realmente na Itália. Trouxemos tudo, desde os equipamentos, toda a criação do negócio, o projeto da fabricação, que é totalmente italiano. O leite é transformado por especialistas italianos justamente para manter o padrão artesanal dos produtos como são feitos na Itália.

Você trocou a política pelo empreendedorismo ou pretende voltar a disputar eleições?

Trocar, acho que não (risos). Acho que o empreendedorismo era algo que faltava na minha vida. Sou advogada, tenho doutorado na Universidade de Roma, mas ainda não tinha tido uma atividade privada, somente experiências públicas, o que eu gosto muito. A política é a minha grande paixão, mas o empreendedorismo era uma experiência que eu gostaria de ter e estou muito feliz.

É um bom momento para investir no Brasil?

O momento de investir no Brasil a gente nuca sabe se é o ideal até porque eu nunca fiz parte desse mundo privado. A gente está trabalhando nesse projeto há três anos, passamos por muita burocracia pra poder chegar até aqui, então isso já desanima muito e com certeza já desanimou muitos brasileiros. Isso é triste num país que tem tanto para crescer. Eu acho que o Brasil tem se relacionado muito bem com o mundo sob este ponto de vista. Acho que, independentemente do negócio e do investimento, o momento quem faz somos nós e é claro que se o país vai bem todos nós vamos bem, a economia vai bem e o comércio também.

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