As histórias do maestro paranaense Waltel Branco, que colocou Djavan no horário nobre da Globo

As histórias do maestro paranaense Waltel Branco, que colocou Djavan no horário nobre da Globo O maestro e compositor paranaense Waltel Branco. Foto: Gilson Camargo/produzida por Alvaro Collaço.

A notícia da morte do maestro paranaense Waltel Branco, ocorrida em 28 de novembro, mas só divulgada pela família em 13 de dezembro, causou impacto no meio musical de Curitiba. Nascido em Paranaguá em 22 de novembro de 1929, Waltel consagrou-se como arranjador, violonista e compositor. Em Curitiba, residiu em duas ocasiões: da infância ao início dos anos 1950, quando foi morar em Cuba; e de 1993, a convite da então presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Alice Ruiz, até 2017. Neste tempo tornou-se o principal símbolo da música popular na cidade, tão importante a ponto de ter se tornado Doutor Honoris Causa pela UFPR, como lembra o produtor musical e amigo Alvaro Collaço, que há dez anos realiza a série Solo Música, na Caixa Cultural, em Curitiba. Aqui gravou três discos e teve músicas gravadas por muita gente, como Cláudio Menandro, Mário da Silva, Rogéria Holtz, Orquestra à Base de Cordas, Orquestra Harmônicas de Curitiba, Ezequiel Piaz, João Egashira, André Prodóssimo e Fabrício Mattos, entre outros. Teve um disco muito bonito em sua homenagem, com participação de 23 violonistas, e um livro de partituras com obras para violão, ambos produzidos por Collaço.

O produtor esclarece que não é verdade que Waltel tenha escrito o tema do filme A Pantera cor de rosa, que todos atribuem a ele. Waltel era da equipe de Henry Mancini, autor da famosa trilha. Diz ainda que foi o arranjador de Retirantes, de Dorival Caymmi, o que, segundo Collaço, significa que foi Waltel quem colocou na música o lerê lerê, do tema da A Escrava Isaura. Também são arranjos dele Bastidores (Cantei, cantei), com Cauby Peixoto, Faz parte do meu show, de Cazuza, e Azul da cor do mar, de Tim Maia, entre tantas colaborações, além de trabalhar como maestro e arranjador de João Gilberto. Aliás, ele foi um dos principais orquestradores da Bossa Nova e do Soul brasileiro. Era apaixonado por Bach, Mozart, Pixinguinha, Andrés Segóvia e pela música cubana. Outra curiosidade do maestro paranaense, segundo Alvaro Collaço: foi Waltel quem deu a primeira chance a Djavan, contratando-o como cantor para novelas da TV Globo, da qual foi diretor musical por duas décadas. “Sem Waltel, a história de Djavan seria outra”, diz ele. “Era um gênio afável e por décadas esteve à disposição para um bom bate-papo nos principais cafés do centro da cidade”, acrescenta.

 

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