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Ele alega “difamação”

Juiz bebe vinho no gargalo em sessão virtual e é afastado do TJ-MG

O juiz Milton Salles (Foto: Imagem gerada com Gemini / Reprodução + Juarez Rodrigues / TJMG)

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O juiz Milton Salles aparece em imagens de uma audiência virtual tomando vinho direto do gargalo durante uma sessão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Ele foi afastado do cargo após a repercussão do caso nesta terça-feira (11). Em vídeo, alegou sofrer “difamação”.

Ainda segundo nota do TJ-MG, o magistrado atua no 2º grau da Vara de Família da corte mineira, e os processos sob sua responsabilidade serão redistribuídos. O tribunal também informou que a Corregedoria-Geral de Justiça realizará uma “apuração rigorosa” dos fatos. Não há detalhes sobre o tema que estava sendo julgado no momento em que o magistrado foi flagrado bebendo e acendendo um cigarro com um maçarico.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Salles disparou contra autoridades como o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além de integrantes de outros tribunais federais e locais:

“Meu nome é Milton Livio Salles, tenho 36 anos de magistratura e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim. Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre de Moraes, são todos uns corruptos. Falo isso com conhecimento de causa. Olha, estou cansado, muito cansado”, desabafou.

Ele ainda desafiou quem quisesse “bater de frente com ele” a ocupar um espaço público para debate, sugerindo como local o Jornal Nacional, da TV Globo.

Filho de desembargador, juiz já condenou "maníaco dos dentistas"

Milton é filho do desembargador aposentado Tibagy Salles de Oliveira, que presidiu o extinto Tribunal de Alçada de Minas Gerais. O órgão funcionava como instância recursal para matérias específicas e teve suas competências posteriormente incorporadas ao TJ-MG.

Em 2010, Milton condenou o "maníaco dos dentistas" a 82 anos de prisão pelos crimes de roubo e estupro contra oito mulheres em Belo Horizonte. Em 2022, condenou o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Wellington Magalhães, a 31 anos e 6 meses por lavagem de dinheiro, obstrução à Justiça e falsidade documental.

No ano seguinte, classificou o pastor Moisés Barbosa Ferreira Costa como "astuto e perigoso" ao torná-lo réu pela acusação de estupro de vulnerável. O religioso, de 34 anos, coordenava o Fórum de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes de Minas Gerais (Fevcamg).

"Não pode ser outra a conclusão no caso em apreço (manutenção da prisão preventiva), notadamente quando existe a notícia de que o acusado é pessoa astuta e perigosa. Disso também decorre a convicção de que o acusado possivelmente intentará contra a integridade física de outras vítimas, tudo no afã de satisfazer sua lascívia", escreveu na decisão.

Mais recentemente, em 2024, o magistrado absolveu um homem de 42 anos acusado de perseguir e ameaçar a jornalista Mônica Fonseca, apresentadora da Record TV Minas. A decisão reconheceu a inimputabilidade do réu por doença mental, determinando sua internação em hospital de custódia pelo período mínimo de dois anos.

A Gazeta do Povo entrou em contato com as assessorias do STJ, do STF e do TJ-MG, além dos gabinetes do ministro Alexandre de Moraes e dos magistrados citados. O espaço permanece aberto para manifestação.

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