Blogs

Fechar
PUBLICIDADE

Giro Sustentável

Enviado por lorenac, 21/03/17 2:32:04 PM

E a história se repete. Ao longo da construção da civilização humana houve discriminação, escravização, intolerância às raças, crenças, pobreza, pessoas enfermas, classes sociais, posições políticas, mulheres, idosos, dentre outras. Essa toada segue até os dias atuais. A exemplo aponta-se a perseguição aos judeus, e mais recentemente aos refugiados haitianos e sírios.

A Organização das Nações Unidas (ONU)[i] inaugura diversas questões relacionadas à dignidade da pessoa, chamando a atenção das grandes potências mundiais em busca do fortalecimento da paz universal. Dentre tantas histórias, o dia 21 de março foi eleito pela ONU para celebrar o ‘Dia Internacional contra a Discriminação Racial’, em memória ao “Massacre de Shaperville”, ocorrido em Joanesburgo, na África do Sul, em 1960, momento em que militares mataram e feriram negros que protestavam contra a ‘Lei do passe’ que lhes impunha limites de circulação dentro da cidade, obrigando-os a andarem com identificações em locais preestabelecidos.

Presente em diversos países, a ONU possui projetos em andamento para melhor alcançar as necessidades de cada um, como o ponto de partida para o desenvolvimento da dignidade do ser humano. Na Agenda 2030, elaborada pela ONU, encontram-se os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em prol da transformação e desenvolvimento mundiais. Dentre eles, o ODS 10 visa “reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles”, iniciando pelo aumento de renda da população mais pobre, promovendo a inclusão social, econômica e política das pessoas, independentemente de “[…] idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra […]”; em favor do desenvolvimento humano equitativo.

Em 1988, a República Federativa do Brasil [ii] ao se declarar Estado Democrático, já em seu Preâmbulo constitucional, afirmou como valor supremo “[…] uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos […].” Ainda, a Carta Constitucional elenca como um dos princípios fundamentais a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF); constitui como um dos objetivos fundamentais da República a promoção “[…] do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, IV, CF); elege como princípio o repúdio ao racismo (art. 4º, VIII, CF); criminaliza a conduta racista como inafiançável e imprescritível (art. 5º, XLII, CF); sem mencionar outras leis que alcançam direitos dos quilombolas, indígenas, crianças, idosos etc.

É notório que em pleno século XXI, para garantir respeito às diferenças humanas, diferentes culturas e a não interferência na vida de outrem, ainda se necessita da criação de Lei!

A unidade da espécie humana, portanto, se deve à noção de fraternidade entre as pessoas. A sociedade comete o erro de ceder a terceiros (Estado) o esforço de aperfeiçoamento da consciência coletiva no desenvolvimento, capacitação e avanço da potencialidade humana.

A palavra de ordem é “inclusão”! Todos são responsáveis pela capacitação de pessoas, seja na comunidade onde se vive, seja na empresa onde trabalha, seja na própria família. E com esse objetivo surgem movimentos como o “Nós Podemos Paraná” [iii], que visa “Articular e mobilizar ações em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em todo o Estado do Paraná”.

Resulta de tudo isso que o homem deve respeitar e dignificar o homem como consequência natural do seu caráter, e não como efeito ou imposição legal.

Referências 

[1] Advogada.

[i] ONU. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Disponível em: <https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/>.

 

[ii] BRASIL. Constituição da República Federativa do. Promulgada em 5 de outubro de 1988.

Disponível em: <https:// www.planalto.gov.br>.

 

[iii] Movimento Nós Podemos Paraná. Disponível em: < https:// www.nospodemosparana.org.br >.

*Artigo escrito por Elaine Fortunato Jarentchuk, advogada e parceira do Movimento Nós Podemos Paraná, articulado pelo SESI PR, parceiro voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por lorenac, 20/03/17 4:28:39 PM

Uma teoria bastante interessante e que tem muita convergência com atual situação pelo qual o Brasil enfrenta:  a “Teoria do Caos”.

Uma das mais conhecidas bases desta teoria, é o chamado “efeito borboleta”, trabalho desenvolvido pelo matemático estadunidense Edward Norton Lorenz, que dizia: “um bater de asas de uma borboleta no Brasil poderia provocar um furacão no Texas”.  Lorenz desenvolveu cálculos da evolução temporal como função de parâmetros variáveis, a fim de compreender os fenômenos meteorológicos.

De forma simplista comparando com a teoria de Lorenz, com os eventos que ocorrem em nossas vidas, trata-se de um processo de histórias acumuladas que cientificamente é denominado de estocástico, ou seja, aquilo que fazemos hoje impactará significativamente em nossa trajetória de vida, influenciando de forma definitiva o nosso futuro.

Retomando a história do Brasil, e fazendo uma analogia com a teoria do caos, podemos inferir que: se o evento “operação Lava Jato”, com marco inicial em 2009, pelas investigações realizadas pelo Ministério Público Federal, que desencadeou  um dos maiores casos de lavagem de dinheiro que o nosso país já enfrentou, e que envolve uma das principais estatais brasileira que é a Petrobrás, não seria possível a identificação de vários envolvidos que estão diretamente ligados com a governabilidade do Brasil.

Atribuí ao presente artigo o título de “efeito camaleão”, porque é isto que temos presenciado desde que iniciou o caos no Brasil, vejamos: o camaleão tem a capacidade da camuflagem no meio em que habita, onde procura tirar vantagens, o que não é diferente do que diversos envolvidos no esquema “Lava Jato” negando evidências irrefutáveis, e camuflando o que for possível.

Os envolvidos sofrem do que os psicanalistas denominam de “amnésia anterógrada”, que trata de uma contínua renovação do presente sem vínculo com o passado, ficam cultuando eternamente o presente, e vão se adaptando com a situação que se apresenta. Ficam trocando as cores, e esquecem os fatos que lhe são apresentados em relação ao seu passado.

Assim trocaria a palavra crise por caos, advento este perfeitamente necessário a fim de que seja possível reestabelecer a estabilidade nas diversas esferas políticas e econômicas, a guerra entre o bem e o mal.

Na hipótese de que se os eventos desvelados pelo Ministério Público, ficassem camuflados, não teríamos o enfrentamento anticorrupção, e não estaríamos reescrevendo a história do nosso país.

Devemos, portanto, acolher com profunda análise e reflexão o presente momento, para que também possamos utilizar a teoria do caos ao nosso favor, compreender que se faz necessário enfrentarmos com coragem a atual situação que impacta sobremaneira em nossas vidas no futuro.

Pensarmos quais serão as nossas ações para auxiliarmos aqueles que estão imbuídos na busca pela verdade; de que forma vamos agir no momento da escolha dos próximos governantes; se os nossos atos estão mais para camaleão do que para a borboleta, que se transforma de lagarta para algo tão belo e sublime.

Por isto é tão importante estudar, porque o conhecimento nos dá pistas e segurança do que precisamos, a sustentabilidade de uma nação para evitarmos os aproveitadores.

Estamos construindo o legado das futuras gerações, este é um grande momento porque conforme já visto anteriormente as nossas ações presentes serão definitivas para o nosso futuro. É o momento de deixarmos de lado a nossa individualização para colaborarmos coletivamente com o nosso país, para que não surjam novos atores camuflados de camaleões, estes sim deverão ser uma espécie a ser extinta e banida do nosso meio social.

 

*Artigo escrito por Maria Tereza F. Ribeiro, diretora de Recursos Humanos do Grupo UNINTER, que é uma instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.  

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por lorenac, 15/03/17 10:00:51 AM
Foto: (Divulgação)

Foto: (Divulgação)

A Estação Ecológica Campos Naturais de Curitiba Teresa Urban representa a primeira unidade de conservação (UC, área oficialmente protegida) destinada para a proteção dos campos naturais. A Estação está localizada na última área preservada da cidade com esse ecossistema ameaçado de extinção no Brasil e no Paraná – onde ocupa menos de 0,1% do território original. A Prefeitura Municipal de Curitiba assinou, no final do ano passado, o decreto de criação da Estação.

Além de abrigar este remanescente de uma flora campestre tão ameaçada, a Estação reúne partes de Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) e várzeas, abrangendo 270 mil metros quadrados de área conservada. “A área da Estação Ecológica é de uma riqueza natural imensa e está dentro da cidade, tendo sobrevivido quase por milagre à ocupação urbana”, declarou o biólogo Maurício Savi, um dos responsáveis pela criação da unidade de conservação.

Em março de 2012, esta área foi visitada pelo Condomínio da Biodiversidade (ConBio), programa da SPVS que atua em parceria com a Prefeitura de Curitiba desde 2008. Foi encaminhado um relatório técnico com a descrição expedita da área, ressaltando a necessidade de conservação na região. “Muito lixo e entulho são despejados nas proximidades e há riscos de ocupações irregulares, o que tornava urgente medidas para manutenção da biodiversidade local”, declarou a bióloga Betina Bruel, técnica da SPVS que visitou a área onde foi criada a Estação Ecológica, como parte do trabalho da instituição para identificação de remanescentes naturais no município de Curitiba.

O engenheiro florestal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, Sacha Lubow, que fez um estudo específico para encontrar remanescentes de vegetação campestre em Curitiba, também comemora a criação da Estação. “Foram levantadas apenas 10 pequenos remanescentes de campos em Curitiba”. Ele informa, ainda, que o trabalho de conservação no sul de Curitiba está sendo fortalecido com a criação de seis novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal – uma categoria de área protegida de propriedade privada prevista na legislação para garantir a permanência dos ecossistemas. Esta ação irá formar um mosaico de conservação de 300.000 m² com unidades públicas, como a Estação e o Parque do Iguaçu, e privadas.

Os campos naturais

Os campos naturais, tecnicamente chamados de Estepe Gramíneo Lenhosa, integram o bioma Mata Atlântica e ocorrem juntamente à Floresta com Araucária no Paraná. Áreas bem conservadas desse ecossistema apresentam uma riqueza singular, abrigando mais de 500 espécies vegetais. Originalmente os campos cobriam cerca de 40% do território de Curitiba. Hoje, as poucas áreas remanescentes encontram-se, na maioria, degradadas e empobrecidas. A área de criação da Estação Ecológica Campos Naturais de Curitiba Teresa Urban, localizada próxima ao Parque Municipal do Iguaçu e ao zoológico, é a única que apresenta as condições necessárias para uma criação de uma unidade de conservação.

 

*Artigo escrito pela equipe da OSC Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS, parceira do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por lorenac, 13/03/17 3:45:19 PM

David Hume, filósofo inglês do século XVIII, discorreu sobre uma pequena parábola que reflete um dilema sobre cooperação (HUME apud PUTNAM, 1996, p. 173):

Teu milho está maduro hoje; o meu estará amanhã. É vantajoso para nós dois que eu te ajude a colhê-lo hoje e que tu me ajudes amanhã. Não tenho amizade por ti e sei que também não tens por mim. Portanto não farei nenhum esforço em teu favor; e sei que se eu te ajudar, esperando alguma retribuição, certamente me decepcionarei, pois não poderei contar com tua gratidão. Então, deixo de ajudar-te; e tu me pagas na mesma moeda. As estações mudam; e nós dois perdemos nossas colheitas por falta de confiança mútua.

A parábola de Hume demonstra que ambas as partes teriam a ganhar se cooperassem. Na falta de um compromisso mútuo confiável, porém, cada qual prefere desertar. Racionalmente, cada um espera que o outro o abandone, fazendo-o passar por “aquele que foi enganado”. Existe um entendimento de que é irracional cooperar por não haver confiança entre os agentes. Esta postura elimina as ações coletivas, ao subestimar a cooperação voluntária (PUTNAM, 1996).

O contraponto dessa parábola seria a existência da confiança e da reciprocidade, que fortalecem a integração e as expectativas mútuas de que um favor concedido hoje venha a ser retribuído no futuro. Esta visão vai ao encontro aos princípios do cooperativismo e também do conceito de capital social.

As cooperativas seguem princípios cooperativistas que tiveram origem no estatuto de Rochdale (1885), o qual apresentava as ¨regras de ouro¨ para servirem como linhas orientadoras. Buscando manter os princípios atualizados, houve revisões em 1937, 1966 e 1995, em congressos conduzidos pela Aliança Cooperativa Internacional – ACI.   Os princípios, vigentes até hoje, preconizam que as cooperativas devem se orientar por sete diretrizes fundamentais: 1) adesão livre e voluntária; 2) Gestão democrática; 3) Participação econômica; 4) Autonomia e independência; 5) Educação, formação e informação; 6) Intercooperação; e 7) Interesse pela comunidade.

O foco da abordagem de hoje é no princípio intercooperação, que contém que as cooperativas ¨servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais¨.  Um bom exemplo é a utilização das operações e dos serviços bancários das cooperativas financeiras pelas entidades coirmãs, até porque não faria sentido as cooperativas buscarem em entidades bancárias convencionais as soluções que as cooperativas financeiras já oferecem, ou podem oferecer.

Nesse contexto, insere-se o capital social, que foi concebido considerando-se características da organização social, como redes e normas que facilitem benefícios mútuos através de ações coordenadas. Na arena de desenvolvimento local e regional, o capital social  é central para os debates sobre o componente sócio-cultural do processo de desenvolvimento econômico (EVANS, SYRETT, 2007).

O desenvolvimento econômico é cada vez mais abordado pela  perspectiva da sustentabilidade, que funciona como um pacto inter e intrageracional, de  modo que as decisões e práticas de hoje não afetem negativamente as gerações futuras. Pelo conceito do triple bottom line desenvolvido por Elkington (2012), em todas as decisões organizacionais devem ser levados em conta, de forma sistêmica, as dimensões econômica, social e ambiental.

Considerando que a intercooperação induz à prática da solidariedade, que faz parte da concepção mais nobre do cooperativismo, será que a consequente existência do chamado capital social nas relações entre cooperativas poderia gerar o compartilhamento e difusão de práticas de sustentabilidade?

Minha opinião vai ao encontro da abordagem de Groootaert (1997), que discorre que as tentativas de monitorar e avaliar o progresso dos objetivos explícitos do desenvolvimento do capital social desenvolve a consciência de metas coletivas relacionadas com ações econômicas e contribui para a sensibilização de como o capital social é tanto uma entrada como a saída de um processo de desenvolvimento sustentável.

Considerando que as cooperativas devem integrar-se com uma crescente gama de parceiros, buscando novas formas de simbiose que auxiliarão cada parceiro a desempenhar tarefas tradicionais de forma mais eficiente, além de prover uma plataforma a partir da qual poderão alcançar objetivos que não poderiam alcançar sozinhas,  penso que a ênfase na cooperação, confiança e normas de reciprocidade no capital social  pode ser importante para a construção de culturas de associação necessárias para o desenvolvimento de ações voltadas para a sustentabilidade.

Sendo assim, é possível concluir que sexto princípio do cooperativismo, intercooperação, mantém forte aderências com o conceito de capital social. Esses dois  elementos, vistos como complementares, podem configurar-se como indutores no processo de desenvolvimento econômico sustentável, na medida em que enfatizam a confiança e a cooperação, favorecendo o surgimento de culturas de associação e difusão de práticas socialmente justas, ambientalmente corretas e economicamente viáveis.

Referências:

ELKINGTON, J. Sustentabilidade, canibais com garfo e faca. São Paulo: M.Books do Brasil, 2012.

EVANS, M.; SYRETT, S.  Generating Social Capital? The Social Economy and Local Economic Development. European Urban and Regional Studies. V.14, n.5, 2007.

GROOTAERT, C. Social Capital: the Missing Link? Expanding the Measure of Wealth: Indicators of Environmentally Sustainable Development. Washington, DC: The World Bank. 1997.

PUTNAM, R.D.  Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna. Rio de Janeiro: FGV, 1996.

 

*Artigo escrito por Rodrigo Casagrande, Doutor em Administração de Empresas, com Doutorado Sanduíche na Université de Montréal para realização de tese sobre legitimação de práticas de Responsabilidade Social Corporativa. Leciona no MBA da FGV Management as disciplinas de Sustentabilidade Corporativa e Governança Corporativa. Também faz parte da equipe de professores do Mestrado em Governança e Sustentabilidade do ISAE, onde leciona a disciplina Gestão e Governança Corporativa. O ISAE/FGV é uma instituição parceira do Instituto GRPCOM.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

 

Enviado por lorenac, 10/03/17 10:00:49 AM

“Infelizmente a sala já está lotada. Se o senhor quiser voltar daqui a 40min nós iremos realizar uma sessão extra da palestra para atender todos vocês”.

Essa frase foi ouvida por inúmeras pessoas que procuraram o CAV – Centro de Ação Voluntária de Curitiba – nos primeiros dias de palestras em 2017. Surpreendentemente todas as cadeiras foram ocupadas em poucos minutos por homens, mulheres, jovens e idosos e muitos ainda ficaram para fora aguardando as sessões extras que foram realizadas.

Há alguns anos o CAV tem uma procura média de 30 pessoas por palestra, que acontece semanalmente em Curitiba, para quem quer começar um trabalho voluntário. Em 2016 essa média começou a aumentar e neste ano a procura cresceu ainda mais.

Num primeiro olhar nossos corações se enchem de alegria por cada vez mais pessoas estarem dispostas a ajudar o próximo, a olhar para “fora da janela” e doar um pouco de seu tempo e talento para a melhoria da sociedade.

Num segundo momento nos pegamos pensando: o que será que está causando este aumento tão impactante? Será que está relacionado com o aumento do desemprego? Será que as pessoas estão se organizando melhor e tendo mais tempo para dedicar-se ao próximo? Será que a sociedade está exigindo mais das pessoas com relação às suas atuações sociais?

Muitas podem ser as causas, e até acredito que seja a soma de todas elas, mas o que mais me preocupa é quão consciente estamos de como o voluntariado pode ou não ajudar neste contexto e quanto nossas escolhas podem impactar as iniciativas sociais.

Nós do CAV temos a certeza de que o ser voluntário é muito mais uma postura de vida do que fazer um trabalho gratuito para alguém. Ser voluntário é ser movido pela vontade genuína de ajudar e se dedicar para atender as necessidades do “outro” e não somente as nossas. É claro que a motivação inicial para o trabalho voluntário parte de nossas próprias necessidades: necessidade de preencher um tempo, de sentir-se útil, de devolver ao mundo o que recebeu, de colocar seus talentos em prática ou até mesmo de desenvolver novas habilidades e talentos; entretanto depois de identificarmos nossa motivação inicial precisamos colocar o outro em foco, entender o que ele realmente precisa e ser bem sincero e transparente em dizer o que nós realmente podemos dar e por quanto tempo.

Digo isso, pois muitas pessoas começam um trabalho voluntário enquanto estão desempregados, assumem enormes responsabilidades e geram uma grande expectativa nas instituições e em todas as pessoas que estão envolvidas, e, quando em pouco tempo conseguem um emprego, simplesmente desaparecem, causando um impacto totalmente inverso e negativo na instituição em questão. Isto não significa que enquanto estamos desempregados não podemos fazer trabalho voluntário, muito pelo contrário, o voluntariado nestas situações traz ganhos para todos – o indivíduo preenche o tempo com algo transformador enquanto está procurando uma nova colocação profissional, desenvolve novas habilidades, aumenta sua rede de relacionamento e colabora pra a transformação social; a instituição recebe pessoas qualificadas, aumenta o número de voluntários e também sua rede de contatos; e a sociedade tem cada vez mais pessoas ativas, atuantes e ocupadas com a transformação social. A questão é com que consciência e transparência lidamos com as responsabilidades que assumimos neste cenário.

O convite é para as seguintes reflexões: O que realmente me motiva nesta busca pelo trabalho voluntário?  Por quanto tempo estou disposto a me dedicar a este trabalho? Estou sendo sincero comigo mesmo e com todos os envolvidos? As respostas para estas perguntas não precisam ser “bonitas”, precisam ser verdadeiras.  É a partir de relações sinceras, transparentes e verdadeiras que o voluntariado também nos convida a mudar o mundo.

Que venham novas palestras lotadas e com filas de espera, cheias de pessoas conscientes de como suas escolhas e relações realmente impactam na transformação social!

 

*Artigo escrito por Alcione Andrade, voluntária do CAV – Centro de Ação Voluntária de Curitiba, instituição parceira do Instituto GRPCOM.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por lorenac, 08/03/17 10:00:02 AM

Num mundo em que o egoísmo é enaltecido e o “vencer a qualquer custo” é a regra básica dos negócios, algumas empresas estão conseguindo conquistar posições de destaque estimulando a sensibilidade de seus colaboradores para questões que não necessariamente costumam ser o foco das atenções do dia-a-dia das organizações.

Não se trata de deixar de ter foco nos resultados, mas sim, aglutinar no perfil profissional de seus colaboradores algumas habilidades referentes à responsabilidade socioambiental e também de inter-relacionamento e, desta forma, ter seus quadros profissionais mais adequados às novas exigências do mercado.

Para desenvolver estas habilidades, nenhuma empresa, por menor que seja, deve-se esquivar da oportunidade de adotar práticas de responsabilidade social empresarial (RSE). A RSE consiste em desenvolver de forma ética e responsável suas ações, tanto com a comunidade externa quanto para com seu corpo funcional. Com a ampliação do poder da mídia, das redes sociais e dos movimentos populares, aliado também à incapacidade gerencial de alguns governos, há espaço para às empresas apresentar suas contribuições para um mundo melhor. O benefício desta ação volta-se para a própria organização, uma vez que profissionais que se engajam em práticas de RSE melhoram sua percepção de mundo e, deste modo, calibram melhor o termômetro de suas tomadas de decisão.

Sabendo da importância da responsabilidade social, uma maneira das organizações obterem consciência sobre o que devem fazer é aderir aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

O ODS surge em 2015 como uma atualização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).  Por meio de dezessete objetivos, e sessenta e nove metas, a Organização das Nações Unidas (ONU) estimula governos e organizações da sociedade civil de todo tipo, a programarem ações envolvendo temáticas diversas, tais como: erradicação da pobreza, segurança alimentar e agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, água e saneamento, energia, redução das desigualdades cidades sustentáveis, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres e sociedades pacíficas e o estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento sustentável.

Um dos objetivos das ODS, porém, é inerente a qualquer organização. O objetivo quinto refere-se à alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A Save the Children coloca o Brasil na posição 102 de 144, num estudo que mede as oportunidades de saúde, desenvolvimento, relacionamento e educação para meninas. Essa situação reflete-se quando as mulheres ingressam no mercado de trabalho. Um relatório do Fórum Econômico Mundial afirma que a igualdade de gêneros no Brasil só será possível em 2095. Este estudo aponta ainda que o país está em 124º lugar, entre 142 países, no ranking de igualdade de salários. Entende-se que medidas que visam garantir isonomia de tratamento para homens e mulheres são necessárias. Sabe-se também que geralmente os melhores cargos, que pagam os melhores salários, são conquistados por aqueles melhores preparados. Um dado, porém, aponta para uma melhoria da igualdade entre gêneros

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE, aponta que as mulheres ganham em média 73,7% do salário recebido pelos trabalhadores do sexo masculino, ou seja, vinte e seis por cento a menos. Dados do INEP de 2013 apontam que o percentual médio de ingresso de alunas no ensino superior foi de 55% do total em cursos de graduação presenciais. As mulheres também são a maioria entre os concluintes do ensino superior, pois 60% dos formados são do sexo feminino. Isso demonstra que claramente as mulheres estão buscando mais capacitações e tendo resiliência para concluir seus estudos.

Não há justificativa para esses números da desigualdade de rendas entre homens e mulheres, mas a gênese deles está no modo em que se propiciam as oportunidades. Mas como as organizações podem agir para propiciar a igualdade de gêneros? Muitas organizações já adotam o procedimento de analisar em seus dados quanto a programas de promoção nos diversos níveis hierárquicos e verificam a quantidade de profissionais do sexo masculino e feminino que entraram na corporação em comparação com aqueles que conseguiram alcançar posições mais altas na pirâmide organizacional.  São contas simples, mas que podem demonstrar resultados importantes. Por exemplo, a empresa pode medir a proporção de homens e mulheres que foram promovidos para gerentes nos primeiros cinco anos na empresa. Os dados apontam para um equilíbrio de oportunidades? Se sim, a política da empresa está adequada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, caso contrário, deve-se investigar os motivos que podem apontar para uma segregação.

O amplo espectro de campos de atuação dos ODS pode direcionar a organização a atuar em algo relacionado aos seus negócios. Isso é o que faz, por exemplo, a Reckitt Benckiser, empresa atuante nas áreas de saúde e higiene e que apoia a iniciativa Save the Children, ONG  internacional que possui programas de apoio a redução da mortalidade infantil em diversos países, podemos alinhar todas as ações de RSE da organização com os ODS pensando e direcionando a promover a igualdade de gênero.

As organizações e os homens que as comandam, devem apoiar medidas de redução do desnível de oportunidades entre homens e mulheres, afinal, o desenvolvimento sustentável só será possível com o aumento da igualdade de gênero.

 

 *Artigo escrito por Claudio Marlus Skora, coordenador do curso de Administração do UniBrasil Centro Universitário,  pertencente ao Núcleo de Instituições de Ensino Superior (NIES) do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE). O Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por lorenac, 07/03/17 11:13:33 AM

Está em discussão, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, no Senado Federal, desde o dia 10 de março de 2015, a PEC 00072/2011, que pretende dar nova redação ao art. 225, §1°, inciso III, da Constituição Federal, a fim de determinar que as Unidades de Conservação (UCs) somente sejam criadas mediante lei.

Este tema vem sendo debatido no Congresso Nacional há anos e a tese é defendida por vários setores, principalmente a Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Trata-se de debate entre o setor produtivo e os ambientalistas de difícil solução, posto que, de um lado, dá maior segurança jurídica, mas, de outro, dificulta a criação de UCs. Ademais, impacta diretamente nas contas do Executivo, tanto Federal como Estaduais e Municipais, pois os obriga a indenizar as terras e benfeitorias ao serem criadas as referidas UCs e o reconhecimento das mesmas como de utilidade pública por meio de Lei – o que, de resto, já deveria ocorrer, ante o disposto no art. 225, da CF/88. Além disso, é de se salientar a lenta tramitação de uma proposta deste teor no Congresso Nacional.

Para atender aos imperativos do desenvolvimento sustentável que propõe conciliar a dimensão ambiental à social e à econômica, é necessário que a criação desses espaços territoriais também seja feita por lei, sujeitando-se ao amplo debate com a sociedade, por meio de processo legislativo e não à vontade única do chefe do Poder Executivo. A atual prerrogativa exclusiva do Executivo tem dado ensejo a distorções e causado problemas e confrontos em vários Estados da Federação.

Houve um crescimento significativo de UCs nas últimas décadas, porém, a maioria delas não possui regularização fundiária, plano de manejo, vigilância adequada e visitação regular, o que facilita a ocupação destas áreas, alterando a finalidade destinada àquele meio.

Deste modo, percebemos que a fragilidade das Unidades de Conservação não se resume aos aspectos naturais, mas também está associada à falta de capacidade dos órgãos de governo a oferecer os instrumentos adequados a seu manejo e proteção.

Precisamos de uma fiscalização mais intensa, implementar planos de manejo e promover a regularização fundiária para que as unidades de conservação atinjam as finalidades para as quais foram criadas.

Um exemplo claro da falta de fiscalização das unidades de conservação é a APA da Serra da Mantiqueira, criada em 1985, na qual faz parte de uma das maiores cadeias montanhosas do sudeste brasileiro que se estende por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e que, apesar de seus 32 anos de criação, até hoje não possui plano de manejo.

Cabe ressaltar que a criação de unidades de conservação cumpre um importante papel para a garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, contudo acarreta profundas transformações na dinâmica socioeconômica de regiões e populações, afetando direitos de propriedade e necessitando de planejamento e de investimentos público e privado.

Isto posto, demonstra-se fundamental que haja mecanismos legais que controlem e orientem a criação de unidades de conservação por meio de Leis, assim como proposto pela Proposta de Emenda à Constituição em questão.

 

*Artigo escrito por Ellen Braun Martins, pós graduada em Direito Processual Civil pelo Complexo Educacional Damásio de Jesus e advogada associada à Buzaglo Dantas Advogados, parceiro voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por lorenac, 03/03/17 3:54:25 PM

 

Foto: (Divulgação ABBA-PS)

Foto: (Divulgação ABBA-PS)

Em seus 15 anos de história, a ABBA Promoção Social vem desenvolvendo projetos de promoção social ao ser humano, buscando proporcionar crescimento pessoal, profissional, familiar e comunitário, com vistas à transformação social.

Tem contribuído com a implementação de políticas públicas ao proporcionar a seus atendidos: informação, defesa de direitos, fortalecimento da função protetiva da família, mobilização e fortalecimento das redes sociais de apoio, mobilização para a cidadania, proporcionando a inclusão social através do empoderamento da comunidade atendida quanto à garantia de direitos, do estímulo ao protagonismo infanto-juvenil e do acesso ao esporte, cultura e meio ambiente.

Dentre os projetos que realiza, tem como menina dos olhos o Ilustrando um Futuro Melhor, que tem como objetivo proporcionar atendimento à comunidade da Vila Verde, localizada no bairro da Cidade Industrial de Curitiba – CIC, um dos bairros mais populosos da capital, região com altos índices de vulnerabilidade social. Por se tratar de uma comunidade proveniente de invasão, enfrenta problemáticas estruturais nos âmbitos de saúde pública, segurança, educação, e trabalho infantil. A partir desta perspectiva, retirar as crianças das ruas e do trabalho infantil é de suma importância para o desenvolvimento da região, tendo em vista que, diminuindo sua permanência nas ruas, estarão mais distantes da exploração, ociosidade e consequente marginalidade. Contudo, a criança retirada do trabalho infantil precisa, além de escola, ter acesso a ações socioeducativas em um espaço de proteção que proporcione desenvolvimento físico, mental, moral e social, em condições de liberdade e de dignidade, tendo acesso à política do Sistema Único de Assistência Social. Vale destacar que a erradicação do trabalho infantil é fundamental para a ruptura do ciclo perverso, hereditário e excludente da pobreza.

O Projeto atende diretamente crianças, adolescentes e suas famílias, e indiretamente a toda a comunidade local, através de atividades socioeducativas, lúdicas, culturais, recreativas, como: formas de expressão, interação, aprendizagem, sociabilidade e proteção social. Busca promover o fortalecimento de vínculos através da convivência social, além de contribuir com a conscientização ambiental, orientar quanto a cuidados pessoais, respeito ao próximo e o despertar de valores éticos e morais, dando oportunidade a cada participante de vislumbrar uma nova perspectiva de vida.

 

 

Entendendo a urgente necessidade de profissionalização de seus serviços é que a ABBA|PS optou por participar do Projeto Legado no ano de 2016 e foi surpreendida pela qualidade do conteúdo oferecido. Além de atualizado, é extremamente adequado à realidade das organizações sociais, seja para aquelas que estão dando seus primeiros passos ou aquelas que já estão há muito tempo na estrada. Um dos principais aprendizados foi o entendimento de que juntos somos mais fortes. Percebemos que o trabalho em rede fortalece todas as partes envolvidas, que se complementam, e juntas atingem de maneira mais efetiva as necessidades daqueles a quem se propõe apoiar.

Neste sentido, a ABBA|PS tem fortalecido suas relações com outras organizações da sociedade civil, com o Poder Público, Empresas e Pessoas que, admitam ou não, fazem parte do mesmo Universo. Estamos todos interligados e não há como fugir desta realidade. Diante disso há duas escolhas a se fazer: tentar inutilmente se afastar de todas as problemáticas sociais, tentando ignorar sua existência, mas sendo inevitavelmente atingidos por elas em algum momento da vida, ou, se dispor a fazer parte de uma rede de pessoas e organizações dispostas a transformar a sociedade. Como? Uma pessoa de cada vez.

Junte-se a nós e descubra que você também pode ser um agente transformador de vidas!

 

*Alessandra Vidmontas, é Coordenadora de Projetos da ABBA-PS, organização social capacitada pelo Projeto Legado 2016, de iniciativa do Instituto Legado de Empreendedorismo Social. O Instituto Legado é parceiro do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por lorenac, 01/03/17 10:00:09 AM
Foto: (Gazeta do povo)

Foto: (Gazeta do povo)

A estabilidade no emprego da gestante, até 5 meses após o parto, é direito garantido pelo art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal. A aplicação da estabilidade às gestantes contratadas pelas regras gerais da CLT é assunto que não traz maiores dúvidas ou discussões. Todavia, sua aplicação às gestantes participantes dos Programas de Aprendizagem é matéria merecedora de muita atenção.

Isso porque, a Aprendizagem não é apenas um contrato de trabalho comum, mas um contrato especial que tem como principal função a formação teórica e prática do jovem ou adolescente de 14 a 24 anos e das pessoas com deficiência. Por isso, suas regras são específicas e especiais, gerando a aplicação de direitos e deveres de forma diferenciada dos contratos tradicionais de trabalho.

Dentre as condições especiais, além do limite de idade, o contrato pode ter duração máxima de 2 anos e é desenvolvido em duas etapas obrigatórias: a teórica em uma instituição de formação especializada e a prática na empresa.

Diante de tais especificidades, a aplicação da estabilidade à gestante no contrato de aprendizagem sempre gerou grandes dúvidas, tanto que o próprio Ministério do Trabalho vem mudando seu entendimento conforme o posicionamento do Poder Judiciário.

A Nota Técnica nº 70/2013, emitida pelo Ministério do Trabalho, entendeu à época que a estabilidade não era aplicável aos contratos de aprendizagem, justificando ser um contrato especial e assim não ser possível. Portanto, mudou de entendimento por meio da Nota Técnica nº 79/2015, quando, ao aplicar as recentes decisões do Superior Tribunal do Trabalho, justificou ser aplicável a estabilidade em razão de ser um direito fundamental e superior a qualquer regra formal trabalhista.

O problema foi que a Nota Técnica nº 79/2015 deixou de explicitar como deveria ocorrer o reconhecimento da estabilidade e quais os procedimentos necessários para sua fruição, já que a legislação da aprendizagem traz diversos limites e especificidades que são contraditórios ao reconhecimento da estabilidade.

Diante da dificuldade de as empresas e instituições especializadas aplicarem a estabilidade sem desconfigurar o Programa de Aprendizagem, no fim de 2016 o Ministério do Trabalho proferiu a Nota Técnica nº 295/2016/DEFIT/SIT/TEM, a qual traz maiores detalhes sobre a compatibilidade da estabilidade com os contratos de aprendizagem.

A referida Nota Técnica fundamenta que a estabilidade da gestante é direito fundamental e supremo a qualquer regra formal de contratação. Por isso, se alguma norma deve ser flexibilizada, será a CLT e não a Constituição Federal.

Apoiado em tais fundamentos, a Nota Técnica define as seguintes providências:

“1. Na hipótese do fim da estabilidade ocorrer na vigência do contrato, ao final da licença, o prazo voltará a correr pelo tempo que ainda lhe resta;

2. Na hipótese do prazo inicialmente pactuado para o término do contrato ter sido alcançado durante a gestação ou licença maternidade, o mesmo deverá ser prorrogado até o final da estabilidade, ainda que seja ultrapassado o prazo bienal ou a idade máxima de 24 anos.”

As providências sugeridas pela Nota Técnica são razoáveis, pois garantem o direito à estabilidade com o respeito ao Programa de Aprendizagem.

Algumas dúvidas na aplicação continuam, como por exemplo, em caso de término do curso teórico, a carga horária será reduzida ou convertida em hora prática? Se reduzida, por ser o contrato definido por valor hora, haveria redução do valor recebido pela Aprendiz?

Enfim, infelizmente a Nota Técnica do Ministério do Trabalho não esclarece todas as dúvidas, permanecendo lacunas que geram certa insegurança jurídica às empresas, instituições e ainda, causam consequências sociais muito danosas às jovens e adolescentes. Mas de qualquer forma, mesmo sendo apenas uma nota orientativa, é um primeiro passo para solucionar a questão e orientar o debate.

 

*Artigo escrito pelo advogado Felipe Olivari do Carmo, sócio da Marins de Souza Advogados (www.marinsdesouza.com.br), atuante na área de Direito Empresarial e Terceiro Setor, parceiro e colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por lorenac, 27/02/17 11:00:11 AM
Foto: (Divulgação)

Foto: (Divulgação)

A relação entre o homem, meio ambiente e desenvolvimento tem provocado o surgimento e a manutenção da ocorrência das doenças vetoriais, em destaque a dengue, chikungunya, zika e recentemente a febre amarela silvestre. O ser humano, ao longo de sua existência, tem promovido inúmeras modificações no ambiente em que vive, com a finalidade de atender as suas necessidades.

Com a Revolução Industrial, consumo exacerbado, e o aumento na expectativa de vida, essas necessidades foram crescentes e demandaram mais recursos naturais. A mudança climática e a degradação ambiental tem sido bastante significativa, especialmente após a implantação dos processos produtivos em larga escala. Os meios de produção sem dúvida trouxeram grandes benefícios à nossa estadia neste planeta, porém promoveram grandes impactos ambientais como a contaminação dos solos, do ar e da água. Ter computadores com maior capacidade de armazenamento, automóveis mais potentes, maior disponibilidade de alimentos exigiu uma quantidade de recursos naturais que o planeta não estava preparado para fornecer em um período de tempo tão reduzido.

Entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS encontra-se caminhos na busca do equilíbrio entre homem, meio ambiente e desenvolvimento socioeconômico. A demanda crescente por recursos naturais resultou intensas modificações, principalmente a remoção de coberturas vegetais de extensas áreas. A destruição de habitats aliada ao descarte inadequado de resíduos (entulhos, plásticos, pneus, vasos…), muito comum nos grandes centros, criou as condições propícias para a intensa proliferação dos vetores, em especial o Aedes Aegypti, diariamente vinculados nos meios de comunicação associados ao aumento de casos de mortes e de nascimento de crianças com microcefalia.

Mosquitos e outros vetores, antes em equilíbrio no ambiente, agora se disseminam nas grandes cidades trazendo consigo diversos problemas que poderiam ser minimizados se os cuidados com o meio ambiente fossem levados em consideração pela humanidade. Rompemos o equilíbrio natural e agora enfrentamos as consequências disso, especialmente no que diz respeito à saúde pública. Surge a pergunta, de quem é a culpa pelo mosquito? Os governantes municipais têm que assumir essa responsabilidade.

A transferência da culpa da multiplicação do mosquito à sociedade deve ser combatida. A solução está na implantação de políticas públicas que integrem a urbanização, a limpeza urbana, política habitacional de interesse social, na educação e saúde. Nessas medidas encontra-se a saída para conter o avanço da epidemia das doenças vetoriais (dengue, chikungunya e zika). O planejamento urbano integrado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 3, ODS11, ODS13 e ODS 15) é o caminho à ser seguido na garantia de uma vida com saúde e meio ambiente saudável sem deixar ninguém para trás.

O combate às doenças vetoriais deve buscar a sinergia entre as ações para a saúde das pessoas, protegendo o planeta, assegurando a prosperidade, em sociedades pacíficas, justas e inclusivas, em parceria, mobilizando todos os meios necessários para seu sucesso. É importante destacar a necessidade do cumprimento da legislação ambiental no tocante ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos o PNRS, em uma ação compartilhada entre poder público, as empresas, o terceiro setor e o cidadão. De nada adianta campanhas de sensibilização quanto a problemática apresentada se não houver a participação efetiva dos entes envolvidos neste processo.

Outro fator importante de ser analisado, em se tratando de cenários socioambientais, no caso saúde/doença, é a ação antrópica, do homem sobre o meio ambiente. A degradação ambiental, a urbanização em áreas antes que não eram destinadas a construção civil, e a forma como o plano diretor das cidades vem avançando sobre a área rural e de vegetação comprometem a estabilidade do ecossistema, desregulando as populações entre predadores e consumidores e consequentemente atraindo para os grandes centros determinadas patologias.

Devemos buscar ações que tenham, efeito multiplicador, levando em consideração as características locais e respeitando a regionalidade e as diferentes características dos ecossistemas locais e de forma não menos importante colocando a mão na massa, limpando o jardim das nossas casas, do nosso entorno, da nossa rua principalmente em épocas de chuva e de calor intenso.

 

*Artigo escrito por Drª Ivana Maria Saes Busato, doutora em odontologia, Coordenadora do curso de CST Gestão em Saúde Pública , Augusto Lima da Silveira, mestre em ciência e tecnologia ambiental, coordenador de cursos de Pós-Graduação na área ambiental e Dr. Rodrigo Berté, doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente, e Humanidades , todos do  Centro Universitário Internacional UNINTER, pertencente ao Núcleo de Instituições de Ensino Superior (NIES) do   Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE), que é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Páginas12345... 90»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Buscar no blog
Acompanhe a Gazeta do Povo nas redes sociais