Blogs

Fechar
PUBLICIDADE

Giro Sustentável

Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/07/16 3:28:35 PM
(Foto: Lucas Pontes)

(Foto: Lucas Pontes)

“Serviços Ecossistêmicos” é o termo cada vez mais comum para descrever os benefícios que a natureza proporciona à sociedade, como o controle do clima e o fornecimento de água. Ainda não tão difundidos são os benefícios que a natureza proporciona também para a agricultura.

A proximidade de áreas naturais com áreas rurais pode ser muito positiva para a agricultura. A presença da fauna, como aves e insetos, em lavouras funciona como medida de controle biológico para pragas agrícolas. Um bom exemplo é o controle que as joaninhas exercem sobre pulgões, praga de diversas culturas.

Alguns insetos, como as abelhas, também desempenham papel importante de polinização, ajudando na produção de frutos e grãos. No Paraná, diferentes estudos demonstram que a soja, na presença de polinizadores, pode apresentar incrementos na produção de grãos, que pode chegar a 57%. Já a fauna do solo, composta pelas minhocas, ácaros e cupins, torna o solo agrícola mais fértil.

A oferta de água e o controle da erosão também são benefícios que a proximidade de áreas naturais traz para a agricultura. Tudo isso mostra que a incorporação de elementos da natureza na gestão das paisagens rurais oferece vantagens para a agricultura, em termos de controle de danos e produtividade.

No entanto, em geral, as propriedades rurais não estão preparadas para que os benefícios da natureza sejam aproveitados. Para que haja o aproveitamento dos Serviços Ecossistêmicos é fundamental a aplicação de ações de manejo.

Entre essas ações, é possível citar a restauração das matas ciliares, localizadas ao redor de leitos d’água e que fazem a retenção de sedimentos das lavouras, proporcionando a melhor proteção dos corpos d’água. Outra ação, o manejo de polinizadores, aumenta a produtividade de frutas e grãos. O enriquecimento florestal, que ao melhorar a qualidade de florestas, multiplica o número de animais benéficos para o controle biológico de pragas agrícolas e polinização. O plantio direto, que protege o solo contra erosão e auxilia na formação da camada fértil. E ainda o uso de inoculantes, produtos feitos à base de bactérias fixadoras de nitrogênio benéficas para o desenvolvimento das plantas, o que resulta em maior produtividade e diminuição do uso de fertilizantes químicos.

As ações descritas foram testadas pelo Projeto Parcerias pela Biodiversidade, desenvolvido pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) no município de Paula Freitas (PR), em parceria com as organizações Fauna & Flora International e a Souza Cruz. Depois de quatro anos de trabalho com um grupo de 17 agricultores familiares, os resultados se mostraram positivos não apenas para a conservação das áreas naturais, mas também para a produção agrícola. “Devido a algumas ações, tivemos um aumento de produtividade de 23% em lavouras de milho e 14,5% de feijão e economia de 25% com a redução do uso de adubos químicos. Em outros casos houve um incremento na produção de ponkan após aumentar a população de polinizadores no pomar desse cítrico”, relata o biólogo André Zecchin, da SPVS, que participou do projeto.

Essa perspectiva positiva mostra que a inserção da natureza no manejo da propriedade rural deve ser priorizada não somente por uma questão legal, mas também por beneficiar os negócios. Por isso, é essencial que a sociedade e principalmente as empresas do agronegócio enxerguem a importância do investimento na natureza, tratada na ótica do negócio como um capital natural.

*Artigo escrito pela equipe da ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS, parceira do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 26/07/16 10:47:07 AM
(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

Motores moleculares, nanomateriais como matéria-prima para a fabricação de produtos diversos, robôs nanométricos introduzidos no corpo humano por via oral ou por intravenosa, nanobombas para destruir células de câncer, nanocabos para o transporte de eletricidade, dentre outras aplicações da Nanotecnologia já deixou de ser “ficção científica” e invade de forma intensificada o mundo científico e tecnológico. O mundo real vive uma realidade na qual são imprescindíveis estudos e pesquisas em Nanotecnologia.

A Nanotecnologia pode ser entendida como o conjunto de Tecnologias voltadas para a criação de dispositivos e materiais funcionais utilizados para o controle da matéria em escala nanométrica. Neste sentido a Nanotecnologia se apresenta como a capacidade tecnológica de gerar objetos “físicos” a partir do controle em nível atômico para alocar átomos e moléculas em qualquer local necessário objetivando soluções de correspondentes problemas.

Porém, como a Nanotecnologia encontra-se fortemente associada à filosofia do “fazer mais com menos”, própria dos mercados inovadores, surge, então, inevitavelmente, uma grande preocupação (muito natural diante do desconhecido ou do pouco experimentado) que corresponde à necessidade de se prever os possíveis efeitos da utilização dos nanomateriais sobre o meio ambiente e, principalmente, sobre a saúde humana.

Em qualquer meio de produção sempre existirão impactos ambientais potenciais relacionados com aquilo que se produz. Não será diferente, certamente, no que diz respeito aos rejeitos gerados do emprego dos nanomateriais em produção industrial; isto sem levar em conta a problemática associada com a destinação final dos correspondentes rejeitos.

É exigido, então, saber se os nanomateriais poderão ser tratados devidamente antes de entrar no meio ambiente quando se pensa em sustentabilidade. Mas, antes, porém, é necessário saber como deverão ser pensadas as formas de se transportar os rejeitos de nanomateriais pelos ecossistemas, bem como quais serão os destinos adequados para os correspondentes rejeitos.

Todavia, uma questão mais anterior se apresenta, pois não há, até o momento, certeza se os nanomateriais podem ser tratados de forma sustentável antes de entrar no meio ambiente. As experiências são poucas e o tempo de experimentação ainda não é o devido para perspectivar futuras consequências. Muitos estudos e pesquisas serão solicitados para a formulação de diretrizes ou instituição de normas adequadas.

Veja-se, por exemplo, o caso do Fulereno que pode ser aplicado na produção de fármacos, na conversão de energia, na geração de lubrificantes, na construção de semicondutores, dentre outras aplicações. Como não há atualmente a produção deste nanomaterial em escala industrial, não se sabe quais seriam as consequências quando os rejeitos correspondentes forem liberados no meio ambiente.

Dos estudos já realizados sobre os Fulerenos sabe-se, porém, que os mesmos são absolutamente insolúveis em água e que o interior do mesmo é hidrofóbico, ou seja: repele a água. Assim, a utilização dos Fulerenos sinaliza a possibilidade de os mesmos afetar de forma direta a água do meio ambiente na qual tiverem contato uma vez que poderão formar em água partículas muito maiores em relação aos tamanhos de suas moléculas originais.

De outro lado, a indústria já inicia pesquisas direcionadas para prever os impactos dos nanomaterias não somente no meio ambiente, mas, também, para equacionar quais seriam as consequências sobre a competitividade, perspectivando prejuízos e lucros possíveis. Há entendimento que o advento da Nanotecnologia exigirá uma mudança de patamar da indústria tanto sobre os ganhos que poderão ser ampliados quanto sobre a instituição de novas diretrizes que a mesma deverá definir para a manutenção da responsabilidade social corporativa visando a sustentabilidade interna e externa.

Diante da realidade que se apresenta, inevitavelmente, deverão ser garantidos investimentos, promovida a correspondente estimulação da capacitação profissional, bem como estabelecida legislação adequada para se trilhar os caminhos sinalizados na utilização dos nanomateriais. Neste sentido, é primordial a união de forças entre a Universidade, a Indústria e o Governo. A força da Lei (gerada pelo Governo), o conhecimento científico (construído pela Universidade) e o desenvolvimento de novas tecnologias (promovido pelas Indústrias), em forte simbiose, serão imprescindíveis para se obter um futuro mundo nanométrico sustentável.

*Artigo escrito por Carlos Magno Corrêa Dias, Professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Líder (Coordenador) do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria da UTFPR/CNPq. O Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

 

Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/07/16 10:18:33 AM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Recentemente, com a elaboração dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Organização das Nações Unidas (ONU) repercutiu os reclamos da sociedade mundial, resultantes de longos e aprofundados debates, cujo marco se pode identificar com o “Informe Brundtland” (1983), sobre desenvolvimento e meio ambiente.

Do mesmo modo, contribuiu para a construção conjunta dos ODS, o histórico Relatório da WCED – World Commission on Environment and Developement, em 1987; além de outros significativos Documentos e Declarações Internacionais, sobre alternativas em defesa da sustentabilidade, não só regionalmente, mas no Planeta.

Assim, a sociedade global passou a intensificar pesquisas em prol da harmonia entre desenvolvimento (qualitativo, humano) e crescimento (quantitativo, econômico), procurando incentivar a conciliação entre interesses capitalistas com o bem-estar social (vida, saúde, trabalho, educação, segurança etc) e novos conceitos de sustentabilidade.

A Constituição do Brasil, de 1988, reconheceu no art. 225, que “[…] todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”; como bem de uso comum, tornando-se essencial à sadia qualidade de vida sua preservação para as presentes e futuras gerações, considerados direitos de terceira dimensão, de natureza difusa.

Quando a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) reuniu-se em 2012 e elaborou o Documento Final – O Futuro Que Queremos – foram projetados os pontos principais do compromisso assumido pelos países participantes, consolidados posteriormente, nos ODS (2015).

Nos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – a ideia de sustentabilidade é representada em sua complexa evolução conceitual, abrangendo não apenas aspectos materialmente mensuráveis e tangíveis, mas também valores imateriais dos povos, tais como suas culturas, tradições, formas de viver, comunicar-se, criar e produzir etc, como expressões das valiosas identidades próprias.

Dentre os ODS, o 17 (dezessete) retrata a síntese dos demais, destacando a necessidade da comunidade internacional “fortalecer os mecanismos de implantação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável”, captando a riqueza conceitual de sustentabilidade suprareferida. Os objetivados mecanismos de fortalecimento podem ser corroborados com a transferência de experiências, pela cooperação tecnológica e científica. O intercâmbio de conhecimentos, assistência técnica e docente, além do aporte de recursos materiais e investimentos, também são essenciais à implantação de novas conquistas em desenvolvimento.

A transferência de tecnologia é fundamental se vier acompanhada de capacitação, planificação, gestão e supervisão, conforme prevê o Documento “O Futuro Que Queremos”. A eficiência no uso dos recursos naturais e humanos, mediantes práticas sustentáveis, deve ser acompanhada de garantias nacionais de sua continuidade, resiliência e sustentabilidade.

Quanto à revitalização da parceria global se traduz no chamamento da comunidade internacional para a mútua cooperação no esforço universal, aberto, não discriminatório e equitativo, que estimulará o crescimento econômico em todo o mundo, com transparência, inclusão e multilateralidade.

Por fim, ressalte-se que “parceria global” corresponde aos dois polos da sustentabilidade, que abrange o respeito incondicional aos valores materiais e imateriais da sociedade globalizada (ONU, Agenda 2030).

*Artigo escrito por Maria da Glória Colucci, advogada, mestre em direito, professora titular do Unicuritiba e membro do colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná, articulado pelo SESI PR, parceiro voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 22/07/16 5:35:45 PM
(Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)

(Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)

Considerando a complexidade e a importância da discussão a respeito do fomento dos veículos elétricos e híbridos no Brasil e o reduzido espaço aqui para exposição, propõe-se que a abordagem do assunto seja feita a partir de 3 (três) momentos, sendo esse o primeiro.

Assim, hoje a proposta é apenas refletir a respeito da relação existente entre a alta carga tributária sobre os combustíveis e o desinteresse do Poder Público em incentivar os veículos elétricos.

No Brasil é evidente a falta de políticas públicas para os veículos híbridos e elétricos, seja em relação à ausência de incentivos fiscais, seja quanto à inexistência de infraestrutura de postos de abastecimento de carga rápida.

Observa-se que, salvo raríssimas exceções, o Poder Público é absolutamente insensível à urgente necessidade de incentivar esses veículos, ainda que sejam energeticamente mais eficientes, poluam menos e apresentem custo de manutenção reduzido, considerando a ausência de velas, cabos, água, óleo etc. no motor.

A CPFL Energia (Distribuidora de energia elétrica em SP, RS, PR e MG), por intermédio do Emotive – Programa de Mobilidade Elétrica, realizou estudos dando conta de que o uso dos veículos elétricos traz uma economia de até 84% nos custos com combustível na comparação com automóveis similares à combustão, conforme noticiou recentemente, em seu site, a ABVE – Associação Brasileira de Veículos Elétricos.

Ainda que o Poder Público jogue contra, o que mais anima é saber que hoje no Brasil já está disponível a tecnologia, embora ainda em testes em São Paulo e Rio de Janeiro, por meio da qual é possível abastecer um veículo elétrico em posto de carga rápida, em apenas em 30 minutos, utilizando somente um cartão que debita o custo dos quilowatts consumidos numa conta previamente cadastrada ou num cartão de crédito previamente indicado. E a melhor notícia é que o valor do quilowatt é igual àquele cobrado pela concessionária distribuidora de energia elétrica; isso já é realidade e pode logo chegar também ao Paraná.

Analisando as leis tributárias, percebe-se que o Estado do Paraná não se interessa por incentivar esses veículos, em razão da elevada arrecadação de ICMS incidente sobre os combustíveis, que atinge o percentual de 21% do total da arrecadação de ICMS e financia as despesas estatais.

Assim, fica claro que o único fim da norma tributária feita pelo Estado do Paraná, é a arrecadação. Porém, a Constituição Federal exige que outros interesses e valores também sejam levados em conta no momento da produção da legislação tributária para induzir a sociedade na proteção do meio ambiente.

Poderia se alegar que a tributação do ICMS é elevada justamente para desestimular o veículo movido a combustível fóssil. Entretanto isso não procede, visto que esse argumento somente seria justificável caso o Estado tivesse uma política clara que tributasse demasiadamente os combustíveis, mas ao mesmo tempo garantisse incentivos concretos para o veículo elétrico, como por exemplo, a isenção do IPVA.

Não é o que ocorre, o que se confirma quando se observa que a Lei 14.260/2013, que trata do IPVA no Estado do Paraná, em seu artigo 4º, inciso I, alterada pela Lei nº 18.371/2014, determina que a alíquota incidente sobre o veículo elétrico é de 3,5 % (três e meio por cento), enquanto o veículo movido a gás, que polui muito mais, sofre a incidência de alíquota de 1 % (um por cento).

Agindo assim, o Estado descumpre o Texto Constitucional quando vira as costas para o veículo elétrico e acaba por desprezar o direito de todos em ter um meio ambiente ecologicamente equilibrado e preservado para as presentes e futuras gerações.

Acontece que na prática se verifica que os Estados tributam com as maiores alíquotas o ICMS incidente sobre os combustíveis, inclusive atingindo o percentual abusivo de 31%, como é o caso do Estado do Rio de Janeiro, deixando de lado inclusive a aplicação da regra da essencialidade da mercadoria, prevista no art. 155, § 2º, inciso III.

E agrava-se a situação, tornando ainda mais imoral a postura estatal quando se percebe que o modal de transporte brasileiro é eminentemente rodoviário e a Emenda Constitucional n.º 90/2015 alçou o transporte à condição de direito social, ao lado da saúde, educação, trabalho, assistência social, dentre outros, todos integrantes do art. 6º do Texto Constitucional, o que exige uma tributação reduzida para os combustíveis como forma de garantir a todos o acesso ao transporte.

Precisamos de menos tributação e mais proteção, pense nisso.

*Artigo escrito pelo advogado Juliano Lirani, especialista em Direito Tributário pela Unicuritiba e mestrando na UniBrasil, ex-conselheiro do CARF e CCRF do PR, integrante do escritório Marins de Souza Advogados (www.marinsdesouza.adv.br), parceiro e colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 18/07/16 10:56:38 AM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Cada vez mais comum nos depararmos com decisões judiciais que, aplicando o princípio da precaução, privilegiam as alegações em prol do meio ambiente – mesmo que não comprovadas – em detrimento do desenvolvimento econômico, ainda que sustentável.

A menção ao referido princípio, ao que parece, serve para robustecer as decisões, evitando, em muitos dos casos, a reforma por parte do tribunal imediatamente superior, já que a dúvida milita em favor da proteção ambiental, ainda mais em sede de medidas urgentes, como acontece na maioria das vezes.

Evidentemente, não é em todos os casos que as decisões judiciais que aplicam o princípio da precaução estão equivocadas. Em absoluto. O problema é quando há excessos na utilização do princípio, o que, infelizmente, ocorre com frequência rotineira na prática.

O princípio da precaução, como o próprio nome já diz, tem por finalidade precaver a coletividade de circunstâncias desconhecidas, ou seja, está vinculado à incerteza científica (por exemplo: problemas decorrentes da exploração de gás de xisto, de fenômenos naturais, de antenas de transmissão, etc). Desse modo, é absolutamente inaplicável para situações em que, por exemplo, foi realizado licenciamento ambiental (nesse caso, quando muito, aplicar-se-ia o princípio da prevenção).

De outro lado, a sua aplicação não pode ser feita de maneira indiscriminada, mas deve sofrer limites, e somente ser adotado em situações em que realmente exista risco. Quer dizer, além de ser necessária a observância de certos parâmetros, não se justifica sem que haja ao menos um indício de que a atividade possa causar risco de dano.

Em outras palavras, “a simples especulação da possibilidade de danos ambientais não pode paralisar todo um processo licitatório que vem cumprindo com os requisitos legais” (TRF4: AG n. 2006.04.00.037987-8, Rel. Des. Fed. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, decisão de 24/01/2007).

Por conta disso, digna de aplausos a recente decisão do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que analisando uma situação que envolvia a distribuição de energia elétrica e a redução dos campos eletromagnéticos de sua linha de transmissão, flexibilizou a utilização do princípio da precaução, pois, embora admita sua importância, afirmou que “há de ser realizado com extrema prudência, com um controle mínimo, diante das incertezas que reinam no campo científico” (RE n. 627.189).

Exatamente. Não se discute o quão importante é a utilização do princípio da precaução no trato das questões ambientais. Entretanto, não pode ser aplicado como um clichê, tendencioso ao discurso apológico da proteção. Se assim fosse, dificilmente uma atividade viria a ser implantada sem sofrer algum tipo de restrição.

*Artigo escrito por Lucas Dantas Evaristo de Souza, advogado associado à Buzaglo Dantas Advogados, parceiro voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 13/07/16 3:10:44 PM
(Imagem: freepik)

(Imagem: freepik)

Dizer que o trabalho voluntário é gratificante é algo que toda pessoa que pratica com regularidade qualquer ação voluntária já sabe. Agora são as empresas e universidades que passaram a olhar com mais atenção para esse perfil de cidadão.

As oportunidades de trabalho voluntários são incontáveis. Há opções de trabalho que vão desde a recreação com crianças até pessoas que se reúnem para construir casas para aquelas que não possuem. Independentemente da atividade, todas têm algo em comum: modificam de modo positivo o mundo. E o mais incrível é que ao ajudar uma outra pessoa o voluntário também é beneficiado.

Aqueles que realizam trabalho voluntário aprendem a serem mais proativos, a serem mais flexíveis, a trabalhar com realidades diferentes. O impacto que esse tipo de atividade faz dentro de cada pessoa é difícil de ser mensurado, entretanto, já chama a atenção de empresas e universidades.

Segundo a Deloitte, em pesquisa realizada no ano de 2013 nos EUA, para 81% de executivos responsáveis pelos departamentos de recursos humanos a atuação como voluntário é levada em conta na hora da seleção no momento da contratação. Realizar trabalho voluntário pode contar pontos no processo de seleção e ser fundamental na conquista da vaga de emprego.

Ainda, em universidades no mundo, principalmente nos Estados Unidos, as atividades extracurriculares são analisadas na hora da escolha de um candidato, principalmente se postulante de um bolsa de ensino. Para estas instituições não basta ser um bom estudante, elas buscam um ambiente acadêmico formado por boas pessoas.

As experiências e as vivências com outras pessoas enriquecem, sem sobra de dúvidas, a vida de todos os envolvidos. Dessa forma o trabalho voluntário se apresenta como uma relação de ganha-ganha, na qual cidadãos e também as instituições são beneficiadas e ainda podem contar pontos no processo de seleção.

*Diógenes Justechechen é voluntário do CAV – Centro de Ação Voluntária de Curitiba, instituição parceira do Instituto GRPCOM.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 11/07/16 12:05:52 PM
(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

A construção civil é um dos maiores consumidores de recursos naturais, sendo responsável por entre 15 e 50 % do consumo dos recursos naturais extraídos, desde água e madeiras até calcário e minerais. Dentre estes recursos, o consumo de agregados naturais (areias e pedras britadas) é responsável por parcelas que variam entre 1 e 8 toneladas/habitante.ano, dependendo da região do planeta e grau de riqueza do respectivo país.

No Brasil, o consumo de agregados naturais somente na produção de concretos e argamassas é de 220 milhões de toneladas/ano, sendo que algumas destas matérias primas tradicionais, usadas na construção civil, tem reservas mapeadas escassas. Para tal, diversos autores discutem o uso de fibras de Polietileno Tereftalato (PET) em substituição aos agregados miúdo (mais especificamente – areia), devido a sua configuração granulométrica.

Estas pesquisas divergem desde as quantidades utilizadas em substituição ao agregado miúdo até as diferentes propriedades físicas apresentadas em seus respectivos testes. Os teores variam entre 0,5% até 30% de adição em relação ao cimento e a areia, e são ligadas a diferentes benefícios.  Exemplos disso foi a melhora no desempenho térmico; redução da densidade (e por consequência, do peso específico); aumentos da tenacidade e da ductilidade.

Como toda nova técnica e tecnologia, aspectos negativos também precisam ser estudados. Com o uso das fibras de PET, os pesquisadores perceberam queda nas resistências do concreto conforme aumentava-se as quantidades; redução da trabalhabilidade e dos módulos de elasticidade dos respectivos concretos e diminuição da resistência à tração – o que parece contraditório, e necessita de uma melhor investigação, uma vez que é um material muito mais “plástico” se comparado à areia.

É de consenso comum entre os autores que existem vantagens no uso das fibras de PET na confecção de concretos para a construção civil, partindo do aumento da resistência à compressão ou até mesmo a simples destinação de um material poluente em um composto inerte.

Porém, um entrave que precisa de apoio é a disseminação da coleta seletiva. De acordo com os dados de recicladores da Região Metropolitana de Curitiba, a quantidade de PET recolhida para reciclagem ainda é baixa. Segundo Produtores e Recicladores de Embalagens Plásticas, de Almirante Tamandaré/PR, se forem duplicadas as coletas, ainda haveria capacidade ociosa das instalações de reciclagem dos mesmos.

Outra dificuldade é o alto custo deste material. O “flake” de PET, incolor, tem valor de mercado superior a R$2,00 por Kg, além de que ainda é encontrado em quantidade insuficiente para o consumo local, concorrendo com o custo de aproximadamente R$0,05 por Kg de areia, ou seja, uma diferença de 40 vezes no custo (por Kg) entre os materiais.

Apesar de benéfico quanto às propriedades físicas, o custo-benefício da utilização desta tecnologia não será viável sem apoio ou intervenção governamental, seja na área de educação, (com campanhas educacionais focadas na separação de resíduos para reciclagem, aumentando assim a oferta), investimentos em estrutura de coleta seletiva ou em benefícios fiscais junto aos construtores e empresas que utilizarem deste material para fins de preservação do nosso planeta.

*Artigo escrito pelo coordenador do curso de Engenharia Civil Renato Braga Coelho Neto e pelo professor Alejandro Salazar Guerra; revisão da professora Karime Smaka B. Rodrigues, todos da UNICURITIBA, pertencente ao Núcleo de Instituições de Ensino Superior (NIES) do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE). O Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 07/07/16 3:25:35 PM
(Imagem: freepik)

(Imagem: freepik)

A expressão empreendedorismo foi cunhada na década de 40 pelo austríaco Joseph Schumpeter no contexto do apogeu do neoliberalismo. No seu sentido original, a ideia-força de empreendedorismo está relacionada com a teoria da destruição criadora, do mesmo Schumpeter, que representa a capacidade que todo empreendedor deve ter de se reinventar e, muitas vezes, destruir para criar crescimento econômico. Novos produtos destroem os antigos, novas ideias destroem as velhas. É a inovação vista como a arte da destruição.

Mas se buscarmos por conceitos de empreendedorismo, seja nos dicionários ou nos teóricos, descobriremos, com certo espanto, que o sentido original dessa palavra é absolutamente desprovido de sentido ético: representa a capacidade de ser criativo, remover obstáculos, de perseverar, de ambicionar.

Mas tudo isso para que? Não há uma só linha nessa teoria que proponha claramente qualquer objetivo ético do empreendedorismo. Isso significa que o empreendedorismo pode perfeitamente ser do bem ou do mal.

É do mal o empreendedorismo que despreza a necessidade de ser sustentável, tanto do ponto de vista social como ambiental – ou socioambiental. É aquele que a partir do desprezo por pessoas e de vidas – da massa trabalhadora – saca o seu lucro, mesmo que o faça dentro das regras, ou abusando delas. Esse é aquele que solapa recursos naturais ou humilha recursos humanos, ou as duas coisas, para obter seus resultados.

Também é empreendedorismo do mal aquele protagonizado pelos empresários que ultimamente têm frequentado as celas da Lava Jato. Estes empreendem valendo-se das mais nefastas práticas da corrupção ativa e passiva e fazem do suborno seu “core business”, a alma de seu empreendimento.

Também são empreendedores do mal aqueles envolvidos na operação Zelotes, comprando benesses fiscais em órgãos administrativos e também aquela enorme quantidade de empresários sonegadores que figuram na operação Publicano, no Paraná, flagrados em repugnante conluio com fiscais fazendários. Todos ativos empreendedores do mal que destroem a concorrência e o Estado a um só tempo.

Por esses exemplos se vê que ideia de empreendedorismo já está velha e precisa ser destruída. O conceito de empreendedorismo precisa ser qualificado, adjetivado, impregnado dos conceitos éticos da contemporaneidade.

De fato, Schumpeter construiu esse conceito sob a égide de uma teoria econômica aética, sob a inspiração de um ser humanoide que foi recortado em sua riqueza sensorial para ser convertido em mero “homo economicus”, preocupado exclusivamente com a maximização de seus benefícios, uma espécie de Frankenstein da economia clássica. Um mitológico ser empreendedor da década de 40 que não recebeu o os genes da sustentabilidade e da solidariedade.

Essa neutralidade de valores estava escorada pela proposta de uma economia mecanicista, matematizada, formalizada e aética. Esse padrão de pensamento, no entanto, foi fortemente questionado a partir da década de 80, com os preciosos estudos sobre ética e economia de Amartya Sen.

Por isso, precisa ser destruído, como previu seu criador. Uma ideia velha que precisa ser substituída por uma ideia nova: o empreendedor do bem, capaz de realizar suas aspirações de crescimento econômico sem desprezar as necessidades sociais, ambientais e os valores éticos da vida em sociedade. Ao contrário do empreendedor aético de Schumpeter e dos empreendedores do mal da Lava Jato e outras lavagens, o empreendedor do bem tem consciência ética de seu papel na sociedade, utiliza sua capacidade criadora, sua perseverança e ambição para obter os melhores resultados não apenas para si mesmo, mas para o meio ambiente, para as pessoas, para a sociedade. Citem-se, como exemplo, o crescente grupo das chamadas “B Corps” ou Sistema B, que certifica empresas que demonstram boas práticas sociais e ambientais.

Outra vertente do empreendedorismo do bem é o empreendedorismo social. Esse conceito desenvolveu-se nas últimas duas décadas, a partir de autores como Greg Dee, David Bornstein e também pelo instigante exemplo do banqueiro social Mohamad Yunus.

O empreendedorismo social é qualificado pelo seu objetivo de solucionar problemas sociais e ambientais. É um movimento cultural contemporâneo que não apenas requalifica e atualiza ideias anteriores sobre filantropia ou assistência social, como também funde conceitos próprios de gestão empresarial a propósitos sociais e ambientais.

Há, de fato, uma numerosa variedade de denominações que podem estar abrangidas por este modo de ver os empreendimentos, como a inovação social, o negócio social (social business), as startups do bem, a organização híbrida, o setor 2,5 (dois e meio), o negócio de impacto, a economia criativa e outras.

O empreendedorismo do bem é uma poderosa ideia-força, ideia nova impregnada de valores sociais, capaz de destruir velhas ideias, como previu Schumpeter.

*James Marins é advogado, professor universitário, idealizador, fundador e presidente do Instituto Legado de Empreendedorismo Social. O Instituto Legado é parceiro do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 06/07/16 4:18:57 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

As áreas educacionais e intelectuais estão se tornando perigosamente insustentáveis em uma das suas mais importantes finalidades, a produção e manutenção de conhecimento. Se entendermos sustentabilidade como a capacidade de um sistema produzir mais recursos do que consome, ou pelo menos os recursos que consome, vivemos um tempo em que o número de ideias criadas é cada vez mais reduzido face ao número de ideias “consumidas”.

Em termos absolutos nunca se produziu tanto conhecimento quanto em nossos dias, quando as informações circulam na velocidade da luz, mas, dada a imensa massa crítica existente (incluindo todas as pessoas com acesso à educação em qualquer nível), a quantidade relativa é pífia.

O que se entende como produção intelectual não passa, às vezes, de processo “copia e cola”, aplicado a trabalhos escolares, tarefas profissionais, e até mesmo dissertações de mestrado. O preocupante disso, além da óbvia ilegalidade do plágio, é que os textos copiados geralmente não são entendidos ou processados, talvez sequer lidos com atenção.

A população mundial conta-se em bilhões, porém a quantidade de pessoas que realmente está gerando ideias novas está em torno de poucos milhões, e isso causa um débito criativo que pode comprometer o “DNA” do pensamento da humanidade.

A falta de diversidade de genes, ideias, ideologias, pensamentos, pessoas, tende a produzir fragilidade. É conhecido o drama por que passam os guepardos, que em certa época foram praticamente dizimados, reduzindo-se a poucas dezenas de indivíduos, a consanguinidade resultante enfraqueceu suas defesas e esses felinos estão hoje ameaçados de extinção por doenças genéticas.

A “consanguinidade intelectual”, em que apenas ideias vinculadas a algumas matrizes ideológicas ou tecnicistas “selecionadas” circulam, alimentando-se e realimentando-se de si mesmas, com quase nenhuma inovação real e muitas reapresentações em novas roupagens, é uma realidade perturbadora que ameaça o próprio conceito de Universidade: universalidade do saber, vinculada ao ensino, à pesquisa e à extensão. Um dos importantes suportes deste tripé, a pesquisa, sofre do mal terrível do dirigismo, raramente se pesquisa para descobrir algo novo, e sim para provar princípios já determinados ou encobrir conclusões que os contrariem.  

O potencial criativo da humanidade é praticamente inesgotável, em poucos milênios nos trouxe das cavernas às cidades, à informática, ao espaço sideral; e infelizmente pode nos levar à destruição se um número relativamente pequeno de indivíduos pensantes for produtor de conhecimento para todos os demais, acarretando o risco do pensamento único, da verdade única, do mundo em que a maioria da população será de meros consumidores de recursos, produtos e ideias. Até que não existam recursos, produtos e ideias suficientes, o que parece já ter começado a acontecer.

A esperança reside na educação, é nas escolas que o nó criativo pode ser desatado ou não será em lugar algum, cabe aos educadores ouvir seus alunos, dar-lhes estímulos para pensar, motivá-los sempre. Mas, considerando as habilidades de aprendizagem, há basicamente três tipos de alunos: o infradotado, o que se convencionou denominar “normal”, e o superdotado.

As escolas, com algumas honrosas exceções, têm fracassado em lidar com todos eles. Por falta de recursos materiais ou pedagógicos, além de restrito número de profissionais especializados na área, instruem pouco os infradotados, meramente os incluindo no convívio social, sem possibilitar que atinjam o melhor de seu potencial; dão aos “normais” um tratamento protocolar que exige deles repetição e memorização, com pequeno significado para seu real desenvolvimento; e os superdotados permanecem em um limbo educacional, muitas vezes sem sequer distingui-los dos hiperativos.

Uma bela canção popular diz: “vamos precisar de toda gente, um mais um é sempre mais que dois”; o mundo precisa de todas as ideias, de toda a diversidade que possa produzir. Apenas a soma de conhecimentos, o embate de pontos de vista, a discussão aberta, pode fortalecer a “genética” das ideias, criando inovação com imunidade às doenças do totalitarismo, dos preconceitos, do racismo, do sexismo.

*Artigo escrito por Wanda Camargo, professora do Centro Universitário UniBrasil, que é uma instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.  

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/07/16 5:09:50 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Dentro do terceiro setor podemos encontrar uma série de características: pessoas engajadas, sonhos grandes e vontade de mudar um contexto social que necessita de ajuda. Ao mesmo tempo que as pessoas que lideram os projetos são extremamente corajosas, bem-intencionadas e muitas vezes envolvidas diretamente com a causa que atuam, encontramos alguns estereótipos como baixo conhecimento em gestão, desorganização e esforço mal direcionado. Por muitas vezes, estes esforços e investimentos aplicados são desperdiçados em função da falta de conhecimento sobre assuntos de gestão.

Um dos motivos que causam esta carência de conhecimento é o distanciamento do terceiro setor (organizações sociais) em relação ao segundo (empresas de mercado), ou seja, não há uma troca de experiências entre setor social e empresarial, para que se desenvolvam de forma conjunta. Este afastamento impede que as instituições filantrópicas olhem para o setor privado com a intenção de gerar soluções para o mercado, ou até mesmo, a aderir às boas práticas realizadas por empresas. Portanto, uma solução para este problema é fomentar e incentivar oportunidades e o interesse das instituições em se relacionar com as empresas de forma benéfica para todos os envolvidos, ou seja, promover ganho para todos os envolvidos nos processos de geração de impacto social.

Existem algumas iniciativas que acreditam piamente no potencial de organizações sociais e como podem mudar o cenário do Brasil, e que o melhor caminho para desenvolver esse potencial é a comunicação entre os dois setores. Por exemplo a Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID Brasil), que trabalha em prol da pessoa com deficiência por meio de consultoria em gestão e projetos de voluntariado nas escolas e centros de atendimento para o público em questão, de forma gratuita.

Um exemplo destas práticas que unem os dois setores é o projeto Mentoria, da ASID Brasil. Foi entendendo o grande movimento no mercado atual com processos de mentoring que a ASID ligou mentores do setor privado a aprendizes do setor social. O principal objetivo do projeto é alavancar o desenvolvimento da gestão dessas escolas através do processo de mentoring envolvendo profissionais capacitados em assuntos fundamentais para a gestão financeira, recursos humanos, liderança, etc., e diretores e diretoras das instituições que precisam de ajuda para solucionar estes problemas. Portanto, estes profissionais conseguem reter conhecimento de ponta em um curto período de tempo, gerando resposta rápida a seus principais problemas e aumentando qualidade de atendimento e impacto. Ao passo em que ao mesmo tempo, os mentores tem a oportunidade de aplicar seu conhecimento em um contexto totalmente novo, repleto de peculiaridades, desenvolvendo competências que aplicarão no seu dia a dia lidando com clientes, competências como trabalho em equipe, empatia, liderança e muitas outras. Os responsáveis por estas escolas conseguem entender quais são as vantagens de organizar e profissionalizar sua gestão, e os voluntários desenvolvem empatia em relação à importância do setor social em nosso país, contribuindo ativamente para a sociedade por meio de um processo de aprendizado ativo.

Algumas das grandes vantagens de projetos como este são o impacto gerado na ONG, a mudança de comportamento e do mindset das diretoras e diretores, além dos mentores que se desenvolvem em ritmo acelerado, compreendendo melhor as dificuldades e oportunidades de um setor pouco conhecido no Brasil, enquanto reafirmam seus conhecimentos em gestão, superando desafios junto com a instituição. Se em um momento encontramos baixo conhecimento em administração e pouca profissionalização, hoje percebemos um movimento cada vez mais presente pelo alcance da excelência dentro do setor social. Projetos como o Mentoria tornarão comportamentos como estes cada vez mais comuns, e um terceiro setor cada vez mais profissional, promissor e gerando cada vez mais impacto.

*Artigo escrito por Estevão Siqueira, graduando em Publicidade e Propaganda pela Uninter. Atua na área de Gestão de Voluntariado há um ano e meio, sendo responsável pela mobilização e orientação de 590 voluntários em 10 projetos da ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças), ONG que trabalha para aprimorar a gestão das escolas gratuitas de educação especial, resultando na abertura de vagas e melhoria da qualidade de ensino. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

 **Quer saber mais sobre cidadania, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Páginas12345... 82»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Buscar no blog
Acompanhe a Gazeta do Povo nas redes sociais