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Giro Sustentável

Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/08/16 10:00:45 AM
(Foto: Divulgação)

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Há 2 anos e meio trabalho na Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID Brasil) como Analista de Projetos, desenvolvendo ações de assessoria e diagnósticos de gestão para instituições em Curitiba e Região Metropolitana. Lembro que desde que entrei sempre tivemos como objetivo trabalhar em outros estados. Então, no início deste ano o que antes parecia um sonho a longo prazo ficou mais próximo da realidade.

Alguns meses atrás uma nova vaga surgiu para mim na ASID Brasil: Analista de Projetos Externos, ou seja, desenvolvimento de projetos em instituições do Norte do Paraná, interior do Alagoas e São Paulo capital. Além do desafio profissional de conhecer instituições com novas leis, novos serviços e realidades completamente diferentes do habitual, tive também o desafio pessoal de passar aproximadamente 3 semanas de cada mês longe da família e amigos e principalmente da rotina que estava acostumada há mais de 2 anos.

Todas as pessoas que iniciam uma organização do terceiro setor sabem da dificuldade que é apresentar um projeto pela primeira vez ou fazer um evento de divulgação, sem saber qual será a aceitação e o tamanho do público.

Logo que assumi a vaga de projetos externos, passei uma semana visitando organizações em São Paulo. A ideia era conhecer estas instituições e também pessoas que estivessem envolvidas no meio da Pessoa com Deficiência, além de secretarias (Educação, Saúde e Assistência Social) e conselhos municipais. Desta forma, visitei mais de 20 instituições que passaram a conhecer o trabalho da ASID. O objetivo era entender qual seria o mercado que iríamos trabalhar, e também começar a nossa jornada para que as organizações pudessem nos ver como potenciais parceiros.

Realizei uma visita em específico, em uma instituição para deficientes visuais, que merece ser destacada. Após explicar todo o trabalho que será desenvolvido em SP, o Presidente da organização me perguntou “E como vocês farão a seleção de quem vocês irão trabalhar por primeiro? ”, então expliquei que como estávamos com poucos recursos humanos voltados para os projetos externos, começaríamos com aquelas que tivessem maior necessidade para desenvolvimento da gestão e que também demonstrassem grande vontade de trabalhar conosco. E logo em seguida veio a resposta: “E se nós te mandarmos um e-mail por dia, será que vocês escolhem a gente? ”.

Com todo esse processo em São Paulo acontecendo de uma forma tão rápida, e com algumas viagens intercaladas para o Nordeste, posso dizer que foram visitas como a descrita acima, que fizeram com que o receio de assumir a vaga de Projetos Externos tenha sido dominado pelo entusiasmo ao ver a felicidade das organizações ao saberem que iríamos desenvolver nosso trabalho com elas também.

Logo após as visitas veio a primeira parceria, viabilizando o primeiro diagnóstico da gestão de uma instituição para pessoas com deficiência na maior capital brasileira. Em seguida, veio o trabalho com o voluntariado corporativo e o segundo diagnóstico, e quando vimos nosso sonho estava se tornando realidade com uma velocidade incrível. E foi com esse segundo diagnóstico em São Paulo que atingimos o número de 90 organizações impactadas com os serviços da ASID Brasil!

Após esses três projetos iniciados, finalmente abrimos a nossa rede na cidade onde “tudo acontece”, e a partir do dia 25 de agosto, teremos eventos mensais, nos quais é trabalhado um tema de gestão pré-estabelecido e as organizações se encontram para trocar experiências e estreitar os laços, com o objetivo de fortalecer cada vez mais o terceiro setor para a busca de seus direitos e profissionalização da gestão.

Isso me fez pensar sobre a visão da ASID Brasil, construída por toda a equipe: “organizações sociais transformando o mundo”, e que, com certeza, estamos construindo dia após dia um caminho sólido para alcança-la. Desta forma, encerro agradecendo a toda a equipe da ASID, que trabalha em consonância com os nossos valores, neste caso em específico: “trabalhamos por uma causa e por isso temos coragem para empreender e enfrentar novos desafios”, e que faz com que todos os objetivos sejam alcançados.

*Artigo escrito por Bianca Beltrami, graduanda em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná. Atua na área de Projetos há dois anos e meio, tendo trabalhado com mais de 1000 horas em projetos de assessoria na  ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças), ONG que trabalha para aprimorar a gestão das escolas gratuitas de educação especial, resultando na abertura de vagas e melhoria da qualidade de ensino. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 24/08/16 10:35:59 AM
(Foto: SPVS)

(Foto: SPVS)

Uma das formas de perceber se uma área natural ou reserva está bem conservada é observar se espécies da fauna nativa habitam o local. Câmeras instaladas na mata e identificação de pegadas são maneiras de fazer o registro desses animais.

Seguindo essa premissa, o projeto de pesquisa e conservação de grandes mamíferos no Corredor Serra do Mar do estado do Paraná e sul de São Paulo identificou, através de armadilhas fotográficas, a presença de grandes mamíferos ameaçados de extinção em áreas de preservação.

As imagens mostram, entre outras espécies, um puma (Puma concolor), uma anta (Tapirus terrestris) e um queixada (Tayassu pecari) em seu habitat natural. Um dos motivos para este último, também conhecido como porco-do-mato, estar ameaçado vem do fato de ser muito visado para a caça. Pesando cerca de 35 quilos, ele se alimenta de frutas, sementes, raízes e folhas, além de pequenos animais, como minhocas, sapos, cobras e ovos de aves.

Já a anta, o maior mamífero terrestre da América do Sul, pode chegar a pesar 300 quilos. Também é uma espécie que pode desaparecer em áreas alteradas ou que sofrem pressão de caça. Herbívora, a anta tem hábitos solitários e costuma ser vista à noite. Ela é muito importante no meio natural, assim como o queixada, pois atua como dispersora de sementes, ou seja, ajuda na regeneração e manutenção da floresta.

Segunda maior espécie de felídeo do Brasil, perdendo apenas para onça-pintada (Panthera onca), o porte do puma chama a atenção. Rápidos e grandes, os pumas chegam a 2,30 metros de comprimento, pesam cerca de 50 quilos e habitam uma variedade de ambientes. Grandes felinos são importantes por serem predadores de topo da cadeia alimentar controlando as populações de suas presas, como tatus, catetos, capivaras e outros.

Os vídeos são um passo importante na primeira fase do projeto, que pretende fazer um levantamento da ocupação atual de grandes mamíferos na região da Serra do Mar. “Pretendemos promover o engajamento das áreas protegidas, da comunidade local e dos centros de pesquisa nas ações de monitoramento, pesquisa e conservação da biodiversidade em um dos maiores remanescentes contínuos de Floresta Atlântica do Brasil”, explica o biólogo coordenador do projeto e pesquisador da vida selvagem, Roberto Fusco Costa. “Ainda esperamos fazer o registro da onça-pintada, que está em situação crítica de extinção na Floresta Atlântica”, completa ele.

Ao identificar os locais onde os mamíferos ameaçados de extinção sobrevivem nessa região, a pesquisa poderá definir áreas prioritárias para conservação. Além disso, será elaborado um plano de ação para o monitoramento integrado das espécies que permita avaliar a efetividade de conservação do Corredor Serra do Mar. O projeto está vinculado à Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) em parceria com o Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC) e conta com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

*Artigo escrito pela equipe da ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS, parceira do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 22/08/16 9:46:16 AM
(Foto: Divulgação)

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No ano de 1967 a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) instituíram o Dia Mundial da Alfabetização o qual, comemorado em 8 de setembro, tem como principal objetivo fomentar a alfabetização como um dos elementos fundamentais do desenvolvimento de qualquer nação soberana.

A data, desde então, como todo ano, é celebrada (efetivamente e com a devida intensidade e satisfação) apenas em países privilegiados que souberam reconhecer que promover e garantir a alfabetização de seu povo é cumprir um dever e, ao mesmo tempo, salvaguardar um direito.

Identificar e decifrar códigos escritos é uma das principais funções da alfabetização; sendo, entretanto, antes de quaisquer outras prerrogativas, o ler e o escrever um importante subsídio para a manutenção da sustentabilidade e garantia do desenvolvimento de uma nação em todos os sentidos.

Mas, para muitos habitantes do mundo não se tem assegurado o direito fundamental de saber ler e escrever. Na atualidade, em plena era da informação, existe um número muito grande de indivíduos não alfabetizados em suas línguas natais. Semelhante situação tem levado os correspondentes países a um nível de progresso menor ou, em muitas das vezes, forçando aquelas nações ao subdesenvolvimento real e à miséria destruidora.

No mundo no qual impera a informação, com tantas maneiras de se difundir o conhecimento, não saber ler e escrever assemelha-se a retirar do indivíduo potencialidades necessárias para sobreviver. Inviabilizar a alfabetização de alguém é, em sentido estrito, favorecer um crime “hediondo” anulando a pessoa analfabeta.

Segundo a UNESCO, o analfabetismo apresenta duas formas a considerar; o analfabetismo absoluto e o analfabetismo funcional. No primeiro caso são reunidas as pessoas que jamais puderam ir para a escola ou que não permaneceram nela por mais de um ano. Já uma pessoa é considerada funcionalmente analfabeta quando demonstra a incapacidade de compreender textos simples. O analfabeto funcional mesmo sendo capacitado a decodificar minimamente frases ou textos curtos e reconhecer os números, não desenvolve a habilidade de interpretação de textos quaisquer plenos e de fazer operações matemáticas. Cabe acrescentar que é considerado analfabeto funcional, também, todo indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos.

Segundo levantamentos oficiais cerca de 11% da população mundial é constituída de analfabetos; sendo estimado que 75% deste total de analfabetos estão concentrados na Índia, China, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, Etiópia, Egito, Brasil, Indonésia e na República Democrática do Congo. Nesta lista a Índia é o país com maior número de analfabetos do mundo e as mulheres representam, aproximadamente, dois terços de todos os analfabetos adultos do mundo.

No Brasil é estimada a existência de 14 (quatorze) milhões de cidadãos que podem ser classificados como analfabetos absolutos, tendo-se, também, uma população de quase 36 (trinta e seis) milhões de analfabetos funcionais. Assim, de cada quatro brasileiros um é analfabeto (absoluto ou funcional).

Vê-se, então, que o direito básico da alfabetização não é garantido nem no Brasil e tão pouco no mundo. Garantir que todo cidadão saiba ler e escrever é um dever das nações desenvolvidas e soberanas. No sentido de se adquirir plena sustentabilidade é exigido, então, urgentemente, um conjunto de medidas governamentais e a união de esforços dos distintos setores da sociedade para se instituir uma Política de Estado para que não mais existam analfabetos no mundo.

Ao assumir o compromisso com a Agenda 2030 da ONU para o alcance dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) o mundo civilizado declara trabalhar para se atingir a meta 4.6 do ODS 4 a qual estabelece que até 2030 deve-se garantir que todos os jovens e uma substancial proporção dos adultos, homens e mulheres, estejam alfabetizados e tenham adquirido o conhecimento básico de matemática.

Dar ao ser humano a possibilidade de ler e escrever é um direito internacional. Garantir que todo cidadão saiba ler e escrever é um dever das nações desenvolvidas que pretendam o progresso e a sustentabilidade em seus países.

Mais que uma prioridade educacional a alfabetização é uma condição primeira de vida em um mundo desenvolvido. É direito do indivíduo e como tal deve ser tratado independentemente de quaisquer ideologias ou políticas. Sejam reunidos esforços, então, para se garantir que todo ser humano possa ler e escrever em sua língua natal plenamente, pois a alfabetização é a chave que abre as portas de todos os conhecimentos e que possibilitará atingir a sustentabilidade.

*Artigo escrito por Carlos Magno Corrêa Dias, professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Câmpus Curitiba e membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná, articulado pelo SESI PR, parceiro voluntário do blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 17/08/16 2:57:57 PM
(Imagem: freepik)

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Não é surpresa para ninguém: entra crise, sai crise, e o déficit da previdência continua sendo culpa das filantrópicas. Pelo menos é no que os órgãos de arrecadação parecem acreditar piamente!

Neste novo capítulo do requentado assunto do rombo na previdência, mais uma vez uma das propostas para a solução do problema é a caça às filantrópicas, que geram uma “perda de arrecadação” em 2016 na ordem de R$ 11 bilhões, que representa 7% do déficit da previdência para este ano (fonte: Jornal do Comércio, 03/08/2016). Esta solução mágica, no entanto, esquece de levar em consideração alguns elementos que “parecem” importantes.

Em primeiro lugar, deixa de considerar que não existe qualquer “perda de arrecadação” em razão da atuação das filantrópicas. Para colocar os pingos nos “is”: as entidades beneficentes de assistência social (comumente chamadas de filantrópicas) fazem jus a um direito constitucional que proíbe a União Federal de instituir contribuições para a seguridade social sobre as suas atividades. Para quem duvidar disso, basta ler o artigo 195, § 7º, da Constituição Federal (sugiro leitura atenta aos responsáveis pela reforma da Previdência). Ora, se a Constituição proíbe a criação destas contribuições sobre as atividades destas instituições, é impossível haver a incidência e, consequentemente, é impossível haver a sua arrecadação. Logo, se não é possível arrecadar estas contribuições por previsão constitucional, não existe “perda de arrecadação”. O que existe, de fato, é um direito constitucional destas instituições de não sofrerem a incidências das contribuições para a seguridade social. Repita-se: um direito constitucional!

E por que existe esta previsão constitucional? É fácil responder: em razão da importância da atuação das entidades beneficentes de assistência social. Mas é mais fácil ainda de explicar em números, que não podem ser desconsiderados pelos arquitetos da reforma da previdência.

Pesquisa recente realizada pelo FONIF – Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (“A contrapartida do setor filantrópico para o Brasil”, disponível em http://www.fonif.org.br/publicacoes/pesquisa/) aponta que 53% dos atendimentos realizados pelo SUS no Brasil são feitos por instituições filantrópicas de saúde; 31,9% dos alunos matriculados em instituições filantrópicas de educação são bolsistas; 62,7% das vagas gratuitas na assistência social são ofertadas por instituições filantrópicas assistenciais; em 968 municípios brasileiros o único hospital disponível é privado e filantrópico.

A mesma pesquisa aponta que em 2014, segundo dados oficiais, a Previdência arrecadou R$ 374 bilhões, e a imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social representaria R$ 10 bilhões. E continua: “como contrapartida, este setor aportou valores tangíveis (empregados diretos, indiretos, materiais, estruturas etc.) e intangíveis (qualidade, conhecimento, desenvolvimento etc.) e devolveu à população (de quem ‘teoricamente’ tirou os R$ 10 bilhões) mais do que R$ 60 bilhões, ou seja, mais do que seis vezes o que deixou de pagar legalmente”.

Os números são bastante convincentes da importância da atuação das instituições filantrópicas nas áreas de saúde, educação e assistência social, sem as quais, definitivamente, os problemas que acompanhamos diariamente nos noticiários seriam bem piores.

Parecem argumentos suficientes para que a nova onda da reforma da Previdência não se fundamente em novo aviltamento ao direito constitucional à imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social, que carregam nas costas, no cumprimento de sua missão institucional, boa parte do atendimento à nossa população.

*Artigo escrito pelo advogado Leandro Marins de Souza, Doutor em Direito do Estado pela USP, Ex-Presidente da Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB/PR (2011-2015), sócio do escritório Marins de Souza Advogados (www.marinsdesouza.adv.br), parceiro e colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/08/16 11:23:41 AM
(Imagem: Divulgação)

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Combater as causas de um problema da sociedade é parte fundamental da atuação de qualquer organização voltada a causas sociais e ambientais que visa prolongar seu impacto no tempo. Por vezes, compelidos pelo senso de urgência, os trabalhos são focados apenas nos efeitos gerados pelo problema, sem explorar profundamente os motivos que o geram. Dessa maneira, ao combater os efeitos, mas não também as causas, os problemas tornam a surgir.

Uma boa ilustração desse fenômeno é a metáfora do “rio acima”. Imagine que está passeando na beira de um rio em uma comunidade quando vê uma pessoa se afogando. A sua reação é simples e objetiva: você ajuda essa pessoa a sair da água a resgatando do perigo imediato. Após o resgate, conversando com a pessoa, descobre que os afogamentos são comuns ali, pois muitos não sabem nadar. Você resolve ajudar e se voluntaria a dar aulas de natação na escola da comunidade. Mas ainda assim outras pessoas continuam a se afogar. Como proceder então? Os afogamentos são muito frequentes e não é possível resgatar a todos. Depois de alguma reflexão, resolve caminhar rio acima e observa que por vários quilômetros não há uma ponte sequer unindo suas duas margens. Ali está a causa real do problema.

O resgate da pessoa que está se afogando é um ato de ajuda humanitária focado na necessidade imediata em situação de crise. Já as aulas de natação são ações voltadas ao desenvolvimento de longo prazo em que capacitamos as pessoas para lidar com as situações difíceis, que constituem os efeitos do problema. Por último, observar a falta da ponte e cobrar das autoridades a sua construção é buscar atuar na causa do problema. E aí começa o trabalho de advocacy.

Assim como na metáfora, muitas vezes as causas reais de um problema social só podem ser resolvidas por uma ação estruturada que modifique profundamente as raízes dessas causas. Nessas situações, as organizações precisam mobilizar mecanismos que permitam uma transformação consistente da realidade, e que podem envolver desde aspectos normativos (como uma lei) a aspectos culturais (como costumes de uma determinada região). Essa ação estruturada consiste no advocacy, termo que ainda não recebeu uma boa tradução no português, mas que pode ser entendido como “incidência em políticas públicas”.

Em linhas gerais, o advocacy é um processo organizado, com um objetivo e plano de ações bem definidos que incide nas políticas públicas, seja na criação e alteração destas ou até mesmo na prevenção de eventuais mudanças que poderiam ser contrárias ao interesse público.

Não se faz advocacy do dia para a noite. E nem se faz sozinho. Dentre as ações planejadas necessárias, deve-se pensar em formas de conscientizar a população a fim de mobilizar a opinião pública a respeito da causa defendida, assim como buscar formar coalizões de interessados na causa. Em seguida, realiza-se o contato direto com os tomadores de decisão para informá-los e influenciá-los, sendo esta interação definida como “lobby”. Perceba assim que esta interação com o poder público, tipicamente a etapa mais evidente do advocacy, é apenas um instrumento para levar interesses da sociedade ao conhecimento dos tomadores de decisão. E como qualquer outro instrumento não é bom ou ruim em si, dependendo do como e por que é utilizado.

Elaborar uma campanha de advocacy exige a coleta detalhada de evidências que servirão para orientar a mobilização dos atores pertinentes e formadores de opinião e na definição de um plano de ações. Além disto, é importante também investir no constante monitoramento por meio de metas e indicadores que servem para avaliação do andamento do processo e para alimentar um fluxo contínuo de aprendizado. Entretanto, apesar de poder parecer complexo e até mesmo “inatingível”, realizar transformações por meio do advocacy é completamente possível, seja para um cidadão, uma comunidade ou uma organização. Basta planejar adequadamente cada uma das etapas e realizá-las, passo-a-passo, estando aberto às mudanças, oportunidades e dificuldades que surgirão durante o processo.

Atualmente temos em Curitiba diversas organizações e universidades com expertise para auxiliar nesse processo. Um exemplo é a iniciativa Sua Curitiba (http://institutolegado.org/sua-curitiba/), que visa orientar cidadãos e organizações a elaborarem suas propostas de advocacy. Como qualquer instrumento, o advocacy pode ser usado para diferentes objetivos e intenções, mas indubitavelmente ele constitui uma ferramenta significativa de transformação social.

*Artigo escrito por Paulo Cruz Filho, gerente executivo do Instituto Legado de Empreendedorismo Social e Liza Valença Ramos, mestre em Políticas Públicas. O Instituto Legado é parceiro do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 15/08/16 10:30:20 AM
(Imagem: freepik)

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O Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, abriu o Fórum Economia Limpa, realizado no dia 20 de junho deste ano, informando que o governo irá propor um projeto de lei para acelerar o licenciamento ambiental.

Segundo o Ministro, o novo projeto buscará desburocratizar e dar mais agilidade ao processo de licenciamento, sem, contudo, flexibilizar o processo ou deixar de exigir as condicionantes atualmente previstas.

Não há dúvida de que o licenciamento ambiental no Brasil se apresenta hoje como um processo complexo e, por muitas vezes, tortuoso. Precisamos, assim, incentivar alterações normativas positivas.

Contudo, algumas mudanças absurdas que vêm sendo propostas (como a PEC 65/12) somente aumentam a resistência à mudança. Por isso os projetos de lei que buscam desburocratizar o licenciamento ambiental não devem ser elaborados de maneira açodada, sem qualquer reflexão acerca das suas possíveis consequências.

Segundo o Ministro, a nova proposta foi elaborada pela recém-empossada presidente do IBAMA, Suely Araújo, após diversos estudos e reuniões com o Ministério da Agricultura e o Ministério Público, entre outras organizações. Uma das principais novidades que o novo projeto deverá apresentar se refere à adequação dos prazos do licenciamento, mudança essa que, segundo José Sarney Filho, trará maior eficiência ao processo de licenciamento.

A proposta, se bem elaborada, deverá ser muito bem recebida, especialmente em um momento em que a polêmica PEC 65/12 busca aprovação. Reiteramos, todavia, que a simplificação dos licenciamentos não passa necessariamente pela supressão de etapas essenciais à proteção do meio ambiente, tampouco pelo simplismo exagerado.

*Artigo escrito por Guilherme Berger Schmitt, mestre em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e advogado associado à Buzaglo Dantas Advogados, parceiro voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 11/08/16 4:46:48 PM
(Foto: Divulgação)

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Você pode salvar o mundo. E você não precisa se mudar para um país distante para ajudar pessoas que sofrem com a fome ou com a guerra. Você não precisa trabalhar em um abrigo que acolhe os moradores de rua de sua cidade ou plantar uma floresta inteira.

Você não precisa doar o seu salário e nem deixar de ir ao cinema no final de semana porque tem alguém, em algum lugar, que não tem esse dinheiro nem para comprar comida.

Você pode salvar o mundo aí mesmo, onde você está agora, lendo este texto.

Porque o mundo não precisa apenas de grandes gestos. O mundo não precisa de super-heróis com poderes sobre-humanos, dispostos a dedicar uma vida inteira a combater o mal.

O mundo precisa de nós – gente como eu e você – e de nossos pequenos, mas significativos, gestos.

O mundo precisa que você dê bom dia à atendente na panificadora. Que você segure a porta do elevador para aquele cara que trabalha no mesmo prédio. Que você ajude o colega de trabalho que está com dificuldades e deixe o celular de lado para escutar aquele amigo que precisa desabafar hoje.

O mundo precisa que você pense duas vezes antes de postar aquele comentário porque sentiu raiva do comentário anterior.

O mundo precisa que você – quando tiver um tempinho – dedique algumas horas a ouvir as histórias dos idosos que moram naquele asilo da sua cidade. Que você talvez possa doar aqueles R$ 50 que sobraram no mês passado para uma instituição que abrigue aqueles cães de rua que você não pode abrigar.

Ou quem sabe que você aproveite suas habilidades com editores de imagem para ajudar a fazer algumas artes para uma ONG. Ajude a organizar a contabilidade daquela instituição que atende as crianças carentes do seu bairro.

O mundo precisa que você esqueça essa ideia doida de ser um mártir. Precisa, urgentemente, que você passe a viver consciente de que cada atitude que você toma no dia a dia é importante.

O mundo precisa que você olhe para fora. E que, antes de tomar qualquer decisão, se pergunte: que impacto o que eu estou prestes a fazer terá na minha vida, na vida das pessoas que amo, de todas as pessoas?

O mundo precisa que você se lembre que somos muitos – e que é a soma dos nossos pequenos gestos que vai salvar o mundo.

Faça cada um deles valer a pena!

*Mariana Ohde é jornalista voluntária do CAV – Centro de Ação Voluntária de Curitiba, instituição parceira do Instituto GRPCOM.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/08/16 10:18:35 AM
(Imagem: IGRPCOM)

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O Instituto GRPCOM lança no dia 10 de agosto seu novo programa voltado para o fortalecimento do terceiro setor, o “Impulso”. O lançamento será das 14h às 16h, nas instalações da RPC, uma das empresas que fazem parte do GRPCOM, grupo ao qual o Instituto pertence. Como as vagas são limitadas, haverá transmissão ao vivo para todo o estado pela página oficial do IGRPCOM no Facebook: www.facebook.com/institutogrpcom.

No Brasil, o terceiro setor é composto por 323 mil organizações da sociedade civil (OSC), sendo que no Paraná são mais de 24 mil. Em sua maioria, essas OSCs carecem de apoio para o desenvolvimento de suas atividades, uma vez que a prestação de serviços à comunidade deve zelar pela qualidade e eficiência. “É inegável a contribuição do terceiro setor no desenvolvimento das políticas públicas, na empregabilidade e no alcance do bem comum. O Impulso vai potencializar essas oportunidades”, conta a superintendente do IGRPCOM, Ana Gabriela Simões Borges.

O programa foi formatado para literalmente impulsionar mudanças significativas na gestão das OSCs do Paraná. Para isso, pretende promover conexões e novos vínculos entre pessoas e instituições, por meio do seu site que terá um cadastro constantemente atualizado das entidades. Também busca sensibilizar pessoas de diferentes segmentos da sociedade, estimulando ações voluntárias, seja apoiando os projetos, seja divulgando possibilidades de atuação voluntária.

Além disso, o Impulso traz uma ferramenta de diagnóstico gratuita que estará disponível no site para que as OSCs possam se auto avaliar. Ao responder dez blocos de perguntas, nas áreas de gestão e comunicação, a ferramenta dá um panorama da estrutura de gestão e comunicação da organização dentro de uma plataforma virtual. “Esse processo servirá para nortear possíveis ofertas do programa às OSC, além de contribuir para que cada instituição saiba o que precisa priorizar”, conta Ana Gabriela.

A entidade poderá escolher capacitações presenciais e em EAD, no formato de palestras (2h), oficinas (4h a 8h) e cursos (mais de um dia) oferecidas pelo Instituto junto com as instituições parceiras sobre as principais deficiências do setor, de acordo com os relatórios obtidos no diagnóstico.

Confirme sua presença no lançamento do Impulso: www.facebook.com/events/1217573414972368.

Sobre o Instituto GRPCOM

O Instituto GRPCOM é o braço social do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), o maior grupo de comunicação do Paraná, e realiza a gestão de todas as ações, projetos e programas sociais dos veículos de comunicação do GRPCOM, atuando nas áreas de Educação e 3º Setor. Também fazem parte do GRPCOM a RPC, afiliada à Globo no Paraná, os jornais diários Gazeta do Povo e Tribuna, as rádios 98FM e Mundo Livre FM (Curitiba e Maringá) e a unidade móvel de alta definição HDView.

*Artigo escrito pelo Instituto GRPCOM.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 08/08/16 10:39:24 AM
(Imagem: Divulgação)

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Com foco em ciências foram realizadas, em 2015, as avaliações de mais uma edição do PISA (Programme for International Student Assessment) da OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development), programa que constitui uma iniciativa internacional de avaliação comparada aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos, a qual se supõe os estudantes tenham concluído a escolaridade básica obrigatória na maioria dos países.

O PISA (em português, Programa de Avaliação Internacional de Estudantes) tem por objetivo medir o conhecimento e a habilidade dos estudantes segundo três dimensões (Leitura, Matemática e Ciências) para produzir indicadores que permitam a discussão sobre a qualidade da educação, de forma a possibilitar a instauração de políticas de melhoria constante do ensino básico, necessário para a formação adequada dos jovens cidadãos do mundo contemporâneo.

Aplicado de três em três anos, a partir de 2000, o PISA, em cada edição, prioriza uma dentre as três dimensões. Em 2000, o foco foi em Leitura; em 2003, Matemática foi priorizada; e em 2006, foi a vez de Ciências. O PISA 2009 dá início a um novo ciclo e, novamente, passa a priorizar a Leitura. Na edição de 2012, Matemática foi o foco.

Os resultados do PISA 2015 ainda não foram divulgados em sua plenitude, mas para o Brasil não haverá novidade alguma, pois como o país não desenvolveu procedimentos para alterar a sua realidade educacional continuará a disputar as últimas posições como o fez, aliás, em todas as edições anteriores.

Na edição 2012 do PISA, o Brasil obteve em Matemática 391 pontos (a média mundial foi de 494 pontos), em Leitura 410 pontos (a média mundial foi de 496 pontos) e em Ciências 405 pontos (a média mundial foi 501 pontos). As correspondentes médias colocaram o Brasil na quinquagésima oitava posição em Matemática, na quinquagésima quinta posição em Leitura e na quinquagésima nona posição em Ciências (dentre os sessenta e cinco países classificados).

Semelhantes resultados estabelecem que os estudantes brasileiros em Leitura não são capazes de deduzir informações do texto, não conseguem perceber relações entre as partes do texto e não conseguem compreender nuances da linguagem; em Ciências são capazes de aplicar o pouco que sabem apenas a limitadas situações do cotidiano e não conseguem apresentar explicações científicas mesmo que as mesmas estejam explícitas nas evidências; e, em Matemática não conseguem interpretar situações que exigem apenas deduções diretas da informação dada e não são capazes de entender percentuais, frações ou gráficos.

A educação no Brasil é preocupante e de forma alguma sustentável. Além de estar longe de ser um razoável exemplo em educação, o Brasil continua ocupando as últimas posições no PISA, tem um número pífio de estudantes considerados top-performers (alunos de ponta), tem estudantes com limitada capacidade de solucionar problemas práticos de suas vidas, continuando a fracassar tanto em Leitura quanto em Ciências, mantendo, em consequência, nestes dois últimos quesitos, as piores posições.

De outro lado, é notável, entretanto, a estranha percepção que a “maioria” tem de não possuir responsabilidade alguma sobre os resultados absurdos referenciados. O problema facilmente perde o foco, o tempo passa, o esquecimento toma conta e mais três anos serão contabilizados até que, de repente, surgem os novos resultados assustadores sem que um trabalho sério e intensificado tenha sido desenvolvido previamente para a modificação do quadro que se impôs.

Mas, os resultados do Brasil no PISA não comprometem apenas o futuro de nossos jovens, pois geram, também, consequências em muitos outros desenvolvimentos tais como, por exemplo, o não atingir, plenamente, os ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) dado que o segundo objetivo dos ODM estabelecia alcançar a “Educação Básica de qualidade para todos”.

Mas, os ODM fazem parte da história. Agora o foco é a Agenda 2030 quando são objetivados atingir os ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável). Com os ODS o Brasil tem, então, a possibilidade de reverter sua posição nas próximas edições do PISA se entender a necessidade de uma educação efetiva para os jovens da nação.

Todavia, se não houver uma mudança drástica nas políticas educacionais no Brasil, o país, novamente, não atingirá plenamente os ODS, pois que o quarto dentre os ODS estabelece “assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

Desta vez, porém, o não atingir os ODS promoverá consequências ainda mais graves dado que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 concentra na educação o essencial para o sucesso de todos os demais ODS, além de ter a educação incluída em objetivos relacionados com a saúde, o crescimento e o emprego, o consumo sustentável e a produção, bem como com a mudança climática.

*Artigo escrito por Carlos Magno Corrêa Dias, professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e coordenador do Núcleo de Instituições de Ensino Superior (NIES) do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE). O Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 03/08/16 10:59:34 AM
(Foto: Divulgação)

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A escola possui uma importância singular para a sociedade, não só pelo seu papel de ensinar e educar as gerações futuras, formando cidadãos, mas também por servir de centro de pesquisa para os mais diversos estudos, pois ela é palco de dinâmicas trocas de capital intelectual (disciplinas diferentes interagindo em projetos, formação de professores e dia a dia com as crianças e adolescentes). Portanto, é nesse espaço único de intercâmbio, onde todos são educadores – professores e técnico-administrativos – que o que é ensinado também deve ser praticado, e a prevenção de acidentes segue o princípio, pois são as nossas crianças que serão os trabalhadores de amanhã.

Mas como aplicar esse princípio no ambiente escolar? Seriam três vertentes básicas e de igual importância da prevenção de acidentes em instituições de ensino. A primeira envolveria o trabalho de conscientização com os alunos; a segunda, políticas de prevenção de acidentes de trabalho com os profissionais das instituições de ensino, e por último, com a mesma importância, o próprio ambiente físico de ensino e trabalho. Neste primeiro momento, abordarei somente a primeira.

Segundo o livro da editora Publifolha “Crianças e Adolescentes Seguros – Guia Completo para a Prevenção de Acidentes e Violências” (São Paulo, 2005), coordenado pelos médicos pediatras Dra. Renata Waksman; Dra. Regina Gikas e Dr. Wilson Maciel, “a cada ano, os traumas físicos vitimam cerca de duzentas mil crianças e adolescentes brasileiros com incapacitações físicas para o resto da vida”. Muitos acidentes ocorrem em casa, espaço que consideramos o local mais seguro do mundo. Porém, também há os que ocorrem no ambiente escolar.

Nós, pais, devemos mostrar a nossos filhos os perigos e os riscos existentes em casa, como forma de educação. Isto também deve ser aplicado na escola, onde os educadores (e neste caso devemos considerar todas as pessoas que trabalham em uma instituição de ensino – independente do grau de escolaridade) devem fazer o mesmo com os alunos, através de explanações, aulas ou até mesmo com exemplos práticos. Imagine um exemplo negativo: um aluno andando pelo corredor e passa em frente a uma sala de aula, onde um professor (ou outra categoria de profissional) esteja pendurando enfeites. Este, em cima de uma cadeira ou mesa. Provavelmente, o aluno não se surpreenderá, achará aquilo normal – uma solução, e poderá fazê-lo também amanhã ou depois, ou até mesmo quando for adulto, trabalhando em uma empresa. As crianças e adolescentes observam tudo o que acontece, o que está ao seu redor: se os funcionários estão usando Equipamentos de Proteção Individual – EPIs, agindo com segurança, fumando etc. Portanto, ao “exercer e fazer exercer segurança” ou simplesmente não fazer, professores e funcionários darão exemplos de atitudes a serem tomadas.

Algumas maneiras para que possamos introduzir o tema nas escolas é a realização de palestras (principalmente envolvendo Bombeiros, Médicos, Policiais e profissionais de Segurança do Trabalho); atividades como a elaboração pelos próprios alunos, de cartazes sobre riscos domésticos e os riscos de acidentes de trabalho de seus pais (no dia a dia nas empresas); a formação de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA mirim; a participação de simulados de abandono de área – plano de evacuação; elaboração de cartilhas; aplicação de “multinhas” aos pais que não agem com segurança e muitas outras atividades.

É interessante salientar a Lei Federal nº 12.645 de 16 de maio de 2012, que instituiu a data de 10 de outubro como o Dia Nacional da Segurança e Saúde nas Escolas. Seria uma data interessante para a realização de algumas destas atividades!

Estas ações de prevenção na escola poderão em breve ter um grande reforço, pois o Brasil ratificou a convenção 155 da Organização Internacional do Trabalho, que dispõe sobre a Segurança e Saúde dos Trabalhadores e o Meio Ambiente de Trabalho, que em seu artigo 14 cita que “medidas deverão ser adotadas no sentido de promover, de maneira conforme à prática e às condições nacionais, a inclusão das questões de segurança, higiene e meio ambiente de trabalho em todos os níveis de ensino e de treinamento, incluídos aqueles do ensino superior técnico, médico e profissional, com o objetivo de satisfazer as necessidades de treinamento de todos os trabalhadores”. (http://www.oitbrasil.org.br/node/504). Agora é ver para crer.

Tenho esperança de que a escola, com seu dinamismo, ousadia e alegria, poderá influenciar diretamente o comportamento dentro dos lares (no aspecto de prevenção de acidentes), conscientizando o tema nas famílias e, principalmente, dos nossos futuros trabalhadores.

Sobre as outras duas vertentes, em breve continuarei.

*Artigo escrito por Luiz Mauricio Wendel Prado, mestre em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente, professor de Segurança do Trabalho e técnico da área, autor de trabalhos apresentados sobre o tema no Brasil e no exterior, e associado ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.  

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