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Giro Sustentável

Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/09/16 3:21:30 PM
(Imagem: Divulgação)

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Embora a forma comum de se armazenar informação seja por meio da palavra escrita impressa, tanto o registro quanto o acesso posterior aos correspondentes conteúdos sempre se mostrou deficitário e oneroso ao longo do tempo na medida em que, principalmente, os volumes são ampliados cada vez mais. Inevitavelmente, então, as correspondentes dificuldades obrigaram o homem a inventar formas mais eficientes para guardar e acessar suas informações.

Assim, a informação passou a ser gravada em mídias de grande capacidade de armazenamento. Surgiram mídias magnéticas, disquetes, CD-R, CD-RW, DVDs graváveis e regraváveis, cartões de memória, pen drives, armazenamento distribuído, compartilhamento de arquivos em redes locais, e-mail, disco virtual, serviços de hospedagem de arquivos, computação nas nuvens, dentre outros dispositivos, para guardar as muitas informações geradas.

Entretanto, algumas das várias outras formas de armazenamento possíveis não estão mais em uso frequente e, muitas delas, simplesmente, deixaram de existir com velocidade tal que sequer foi possível pensar nas maneiras de recuperação posterior. Veja-se, por exemplo, que a maioria dos atuais computadores pessoais disponíveis no mercado não são mais constituídos de suportes para drives de disquetes (sendo que os mesmos sequer chegaram a ser experimentados ou mesmo conhecidos pelos mais novos).

Haverá, então, certamente, o momento no qual as hoje usuais portas USB deixarão de existir nos computadores mais modernos no futuro próximo porque serão substituídos por outras possibilidades da mesma forma natural.

Quanta informação, então, já se perdeu guardada em dispositivos que não mais são utilizados? Quantos conteúdos não estariam armazenados em um floppy-disk esquecido lá em uma caixa guardada por um familiar nosso? Quantos são os antigos formatos de arquivos criados que não mais podem ser acessados devido às versões atualizadas postas em uso para substituir versões menos potentes executáveis no passado?

De outro lado, há de se salientar que são raras as empresas que sobrevivem por várias décadas e muitas das instituições não mais existentes não repassam plenamente, em geral, seus bancos de dados para outras que as assumem, pois nem sempre são substituídas em uma linha de sucessão contínua. Quanto conteúdo digital é perdido ano após ano devido à simples evolução dos computadores, dos sistemas de armazenamento e distribuição de informação, das formas de disseminação e de transmissão, ou das mudanças dos negócios?

A guarda e o acesso adequado da informação armazenada, em qualquer tempo, porém, constitui necessário procedimento sustentável para o desenvolvimento e o progresso.

No sentido contrário ao do raciocínio em foco corremos, então, o risco de deixarmos de existir historicamente por nos tornarmos incapazes de guardar (com as devidas precauções e segurança) nossas informações que já criamos. É possível sermos “apagados” da História e provocaremos um descontínuo no conhecimento, um vazio na sequência do desenvolvimento, que obrigará as próximas gerações a recomeçar e a recomeçar novamente; embora, acrescente-se, a “mãe” História não se canse de nos alertar sempre sobre o correspondente perigo.

Mas, o apagar segue intensificado. Como as modernidades surgem e desaparecem na perspectiva da inovação associada com o mundo das possibilidades próprio das tecnologias em velocidade espantosa e quase imperceptível, não controlável, cada amanhecer é como se fosse uma nova era e a preocupação com o registro e a recuperação da informação gerada continua, porém, não caminhando na mesma estrada da evolução. A História já começou a nos “apagar”. Evidências não faltam.

Se não desenvolvermos procedimentos efetivos para guardar apropriadamente nossas informações em repositórios que permitam a recuperação sempre necessária das informações armazenadas, as gerações futuras encontrarão (certamente) menos possibilidades que a atual. Muito terá que ser descoberto, reinventado e desenvolvido mais uma vez.

Semelhante situação gerará custo material e imaterial muito elevado para as próximas gerações. Todo trabalho presente seria comprometido pelo simples esquecimento. Assim somos chamados a pensar mais categoricamente como preservar continuamente nossas atuais informações para a manutenção da sustentabilidade futura.

*Artigo escrito por Carlos Magno Corrêa Dias, Professor na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Líder (Coordenador) do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC) da UTFPR/CNPq. O Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC) é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

**Quer saber mais sobre cidadania, educação, cultura, responsabilidade social, sustentabilidade e terceiro setor? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom, Twitter: @InstitutoGRPCOM e Instagram: instagram.com/institutogrpcom

Enviado por InstitutoGRPCOM, 26/09/16 3:58:08 PM
(Imagem: Divulgação)

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Há 12 anos, 10 empresas de Curitiba, preocupadas em cumprir a Lei de Cotas, se uniram para criar um projeto social inovador de capacitação de pessoas com deficiência, para sua inclusão no mundo do trabalho. Foi assim que nasceu a Universidade Livre para a Eficiência Humana, a Unilehu, que com seus programas e ações já ajudaram mais de 4 mil pessoas a conseguirem um emprego.

Apesar dos excelentes resultados, algumas das pessoas que procuravam a instituição para conseguir um trabalho não tinham sucesso. Isso porque se encontravam em situações de incapacidade mais significativas, e não se encaixavam nos métodos tradicionais.

Percebendo isso, em 2015, a Unilehu conheceu a metodologia do Emprego Apoiado (EA), e credenciou-se a ANEA (Associação Nacional do Emprego Apoiado). O principal objetivo do EA é oferecer soluções para a atividade laboral de pessoas com deficiência em situação de incapacidade mais crítica, respeitando e reconhecendo suas escolhas, interesses, pontos fortes e necessidades de apoio.

A ferramenta busca uma atuação personalizada para cada pessoa com deficiência, que, pela intervenção de um técnico de EA, recebe suporte especializado para o desenvolvimento de suas potencialidades e habilidades para o mercado de trabalho competitivo.

A metodologia consiste na preparação da pessoa com deficiência para um posto de trabalho mediante a assistência pessoal de um preparador laboral. Ele tem um papel fundamental nas três fases do processo que são: levantamento do perfil vocacional em conjunto com a família, levando em conta as escolhas, interesses, pontos fortes e necessidades de apoio; a busca por oportunidades de trabalho customizadas; e o acompanhamento pós-colocação.

No entanto, para o emprego apoiado dar certo, é necessário que as empresas estejam dispostas a participar deste processo, que podem dar suporte patrocinando o programa, apadrinhando uma pessoa com deficiência, oferecendo um espaço de treinamento temporário ou ainda, abrindo uma vaga de emprego.

Independente da escolha, o resultado é um só: a quebra de barreiras e paradigmas que ainda impedem a inclusão de dar certo para todas as pessoas com deficiência.

Os resultados são bastante significativos. Temos como exemplo Rudá Castanheira Junior, de 35 anos, e que tem Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Ele foi um dos primeiros participantes do Emprego Apoiado da Unilehu, e que graças a metodologia e ao apoio que recebeu, hoje está trabalhando como assistente de biblioteca na Unicuritiba. Rudá é só alegria. O trabalho deu a ele motivação, melhorou sua autoestima e tem incentivado sua autonomia.

O programa tem duração de um ano, é gratuito para os participantes, e mantido com recursos próprios e com parcerias das empresas interessadas nesta alternativa de inclusão.

Todas as ações realizadas pela Unilehu contribuem para o alcance do ODS 4 – Garantir educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizado ao longo da vida para todos.

*Artigo escrito por Andrea Koppe, presidente da Unilehu, e Yvy Abbade, diretora da Unilehu. A instituição faz parte do Movimento Nós Podemos Paraná, articulado pelo SESI PR, parceiro voluntário do blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/09/16 5:02:59 PM
(Foto: ASID Brasil)

(Foto: ASID Brasil)

Um ano atrás iniciei minha carreira no terceiro setor, dentro da área de marketing. Sem ao menos saber quais seriam meus desafios me vi imersa com um grupo de pessoas apaixonadas pelo que fazem e que diariamente são desafiadas pela área.

Para você entender melhor o tamanho desse desafio, dados de 2015 do IBGE mostram que o terceiro setor movimentou 1,4% do PIB no Brasil, um dado irrelevante perto dos 6% atingidos pelo terceiro setor na maior economia do mundo, a dos Estados Unidos, onde a cultura da filantropia já está enraizada.

Mas você deve ter visto na sua timeline ou naquele site que isso não se aplica a todos os casos, pois existem várias organizações da sociedade civil que vêm crescendo e aumentando seu impacto independente do cenário onde estão inseridas. Então, quem está dizendo a verdade? Bom, ambos.

O terceiro setor é repleto de pessoas que querem fazer o bem e mudar um pouco da nossa realidade, e infelizmente vivemos em uma sociedade que precisa muito de pessoas assim. Nosso sistema de saúde é precário, 75% da população depende do SUS e ainda assim o gasto anual em saúde é de R$222 por habitante, segundo o IBGE, além disso nosso planeta está sendo destruído aos poucos, basta ligar a televisão ou ler um jornal para perceber a nossa política tomada por corrupção e nossas crianças desprotegidas e negligenciadas.

Mudar esse cenário é um trabalho árduo e infelizmente nem todas as OSCs, apesar de sua genuína vontade, conseguem fazer. Isso acontece por inúmeros motivos, instabilidade financeira, falta de apoio, burocracia, falta de conhecimento em gestão e dificuldade em gerenciar projetos.

Em contrapartida, conhecemos casos de organizações que conseguem passar por essas adversidades, aumentar seu impacto e continuar crescendo cada vez mais. Isso geralmente acontece porque elas se sobressaem em alguns pontos chaves que vou explicar melhor em seguida.

As organizações sociais têm um conhecimento profundo sobre seu ramo de atuação, geralmente têm experiência e contato cotidiano com os problemas que tentam resolver. Porém, são poucas as que têm conhecimento e dão a devida importância à gestão. Conseguir visualizar a organização com a perspectiva de um empresário é fundamental para uma visão de longo prazo e manter-se ativa. Além disso, é necessário ter um bom relacionamento na comunidade empreendedora, estar conectado a novas tendências, novos mercados e pessoas influentes.

Os recursos geralmente são escassos e os convênios cheios de burocracias, isso dificulta a estabilidade financeira. Para driblar essas adversidades, as organizações da sociedade civil investem no marketing e formas inovadoras de captar recursos. Ter uma marca bem posicionada não é um luxo que somente grandes empresas podem arcar. Com iniciativas como o Google Grants, programa que beneficia instituições sem fins lucrativos com publicidade gratuita no Google AdWords e outros produtos da Google, as OSCs ganham mais visibilidade e mais impacto.

É necessário, também, conseguir visualizar novas formas de captação de recursos. Em um país onde a doação não é incentivada ou bem vista, atrelada a inúmeros casos de organizações de fachada, é difícil sobreviver do investimento privado. Segundo o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), em uma pesquisa sobre os hábitos de doação, apenas 26% dos entrevistados acham que as entidades sociais são confiáveis. Nesse momento é necessário visualizar qual o melhor modelo de negócios e inovar na sua proposta de valor – isso varia de acordo com a organização, não existe um modelo a ser seguido – que funcione para todos.

Ser empreendedor no terceiro setor, investir em marketing e inovar nas formas de captar recursos é o que a maioria das organizações da sociedade civil de grande impacto e atuação fazem para conseguir destaque na área. Existem, ainda, inúmeros fatores que conduzem ao sucesso, mas acredito que práticas como estas são dignas de ser compartilhadas e mais difundidas entre as organizações, garantindo um ambiente mais propício para a geração de impacto.

*Artigo escrito por Ana Carolina Medeiros, Designer e assistente de marketing na ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças), organização social que trabalha para aprimorar a gestão das instituições filantrópicas para pessoas com deficiência, resultando na abertura de vagas, melhoria da qualidade de atendimento e inclusão no mercado de trabalho. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/09/16 10:35:04 AM
(Foto: Marcelo Elias/Agência de Notícias Gazeta do Povo)

(Foto: Marcelo Elias/Agência de Notícias Gazeta do Povo)

A responsabilidade em matéria ambiental, não é novidade, pode se dar em três esferas distintas (administrativa, penal e civil). É o que comumente se chama de “tríplice responsabilidade ambiental” (art. 225, §3º, da CF/88). Ainda que a origem tenha advindo da doutrina civilista, a teoria da responsabilidade ambiental difere daquela usualmente conhecida e difundida, principalmente a de âmbito civil.

A responsabilidade administrativa e criminal, como já tivemos oportunidade de salientar, é absolutamente pessoal e intransferível, em consonância com o princípio da intranscendência. Em outras palavras, somente é passível de responsabilidade aqueles que efetivamente concorreram pra a prática da infração.

Entretanto, na responsabilidade civil, ainda que não se tenha concorrido para a prática de tal ato, haverá a obrigação da reparação dos danos (conhecida como obrigação “propter rem”). É que nessa vertente a responsabilidade é tida como objetiva e solidária, aplicando-se a teoria do risco integral, que não admite qualquer uma das excludentes (negligência, caso fortuito, força maior, culpa exclusiva de terceiros e etc).

Uma das situações em que mais se evidencia esse tipo de responsabilidade é quando o proprietário de um imóvel é obrigado a reparar o dano cometido por outrem. Nesse caso, a sua responsabilidade se dá tão somente por ser o proprietário do terreno, mesmo não tendo dado causa, o que, com a devida vênia, não se mostra racional, mas acabou se sedimentando no Poder Judiciário.

A razão por isso ter acontecido se deve ao fato de que em muitos dos casos não se tinha como precisar quem seria o responsável pela conduta. Desta feita, no anseio de não deixar o meio ambiente desguardado, era mais fácil (para não dizer cômodo) responsabilizar o proprietário, o antigo dono, quem viu e não fez nada para evitar, etc, pois ao menos assim se teria de quem cobrar o passivo ambiental.

A questão é: e quando se conhece o verdadeiro responsável pelo dano. Ainda assim o proprietário, que não tem qualquer relação com o ato, deve responder solidariamente? A nosso ver a resposta é não. Isso porque, nesse caso, sendo conhecido e identificado o responsável nada há o que justifique a obrigação recair sobre quem não deu causa (o proprietário da área, por exemplo), pois a finalidade da norma, que é a restauração/recuperação ambiental será cumprida efetivamente por quem deu causa ao prejuízo.

Evidentemente que não se trata de uma questão simples. Ao se aplicar o entendimento dos julgados, o proprietário responderá sendo conhecido, ou não, o verdadeiro causador. O que se pretende demonstrar é que nem sempre a regra deve ser seguida a rigor, devendo-se sopesar as circunstâncias fáticas e a realidade da situação, buscando-se o resultado que mais se aproxime da razoabilidade e proporcionalidade.

*Artigo escrito por Lucas Dantas Evaristo de Souza, advogado associado à Buzaglo Dantas Advogados, parceiro voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/09/16 10:54:50 AM
(Imagem: Divulgação)

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Há cerca de três anos vivenciei um daqueles encontros memoráveis, aqueles que guardamos com carinho e zelo, para que a nossa memória nunca os esconda. Daqueles tão desejados pelos jovens que saem das universidades em busca da construção de uma carreira, de uma trajetória que seja significativa e lhe cause orgulho, afinal de contas, foram horas e mais horas investidas com o objetivo de conquistar uma graduação e uma boa colocação no mercado de trabalho.  Nada mais digno e sensato. No meu caso, a arte do encontro me apresentou uma união audaciosa ao primeiro olhar: organizações não-governamentais e metodologias de mercado trabalhando em conjunto para potencializar o impacto social, ou mais comumente conhecido, como empreendedores sociais.

A riqueza de diversidade e o valor do Terceiro Setor eram totalmente desconhecidos no meu mundo, quais eram as causas, os rostos e dificuldades desse nicho.  Logo de início fui imersa em um programa de capacitação e formação de rede para organizações sociais/ambientais oferecido pelo Instituto Legado, local onde trabalho há mais de dois anos, um descortinar de uma perspectiva de carreira com impacto social aliada a propósito estava ali, sendo presente no meu cotidiano, estava rodeada de bons exemplos, de pessoas que buscaram sair da zona de reclamações para empreender em soluções para velhos problemas sociais.

Escolher o Terceiro Setor como uma carreira profissional exige uma desconstrução diária. Em um primeiro momento é preciso desromantizar aquela visão de senso comum que insiste em repetir “ó, que coisa bonitinha isso que você faz, trabalho social, trabalho voluntário! Mas quem paga o seu salário?”. Diversas vezes ouvi essa frase e meus colegas de profissão também, porém, mais do que bonito, o trabalho social é extremamente necessário para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Geralmente os projetos sociais/ambientais surgem decorrentes de um processo falho do Estado, de uma lacuna negligenciada, em que as principais vítimas são os próprios filhos dessa nação. Concordo em reconhecer a beleza da sociedade civil organizada para preencher essas lacunas, mas o cotidiano desses rostos esquecidos e que nem sempre conseguem ser beneficiários de algum projeto social não é uma situação bonita, mas sim um desafio em busca de solução, um exercício diário de resiliência.

O caminho no Terceiro Setor tem a necessidade de aliar conhecimento à prática. É preciso nutrir a constante vontade de buscar capacitações de alto impacto, de aliar inovação social com a cultura de startups, de ler as diferentes definições de Negócios Sociais sem esquecer do olhar crítico para a realidade. Ou seja, sede de conhecimento é uma ferramenta fundamental, porém é o conhecimento aplicado que gera transformação, e isso é imprescindível. Não podemos ser profissionais amadores, não é justo com os beneficiários de nossos projetos sociais terem produtos ou tempo de baixa qualidade: é fundamental ter excelentes profissionais buscando soluções que tragam resultado e, para isso, o comprometimento e o sonho grande precisam caminhar juntos.

Algo que aprendi no cotidiano, visitando mais de 40 organizações e procurando entender a razão de existir de cada uma delas, é que é essencial desenvolver uma aptidão em praticar a escuta ativa, sem julgamentos e preconceitos. Ouvindo o outro em toda a sua inteireza, prestando muita atenção em cada detalhe e no tom da conversa. O essencial é invisível aos olhos, mas não pode ser inaudível aos ouvidos de um gestor social.  Dentro do processo seletivo do Projeto Legado, nosso programa de capacitações com aporte financeiro, visitamos todas as organizações com as quais vamos trabalhar naquele determinado ano, passamos pelo menos três horas conversando. Esse momento é mágico, é ali que verdadeiramente começa um trabalho em conjunto, ombro a ombro, por cerca de 12 meses. Os relatos são comoventes, inspiradores e belos, mas carregam em muitos casos uma triste realidade. Relembrando, organizações sociais surgem por alguma negligência e isso não é bonito, mas a luta por soluções torna o Terceiro Setor de uma beleza singular.

Desde o dia que fui apresentada ao empreendedorismo social, senti-me altamente privilegiada. Sonho em que todo o jovem universitário possa investir tempo em descobrir qual é o seu real propósito nesse mundo e qual é a melhor forma de investir o tempo que nos foi dado. Sempre digo para os meus colegas, é impossível querer algo que você não sabe que existe, por isso a importância de investigar, de conhecer pessoas, causas, autores dos mais diversos possíveis, de ouvir os outros, de reconhecer problemas e buscar soluções. Inspire-se!

*Artigo escrito por Beatriz Groxco, Internacionalista e Pós-graduanda em Gestão de Políticas, Projetos e Programas Sociais, multiplicadora da Fundação Estudar e gestora do Projeto Legado, do Instituto Legado de Empreendedorismo Social. O Instituto Legado é parceiro do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/09/16 10:42:09 AM
(Imagem: Divulgação)

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O Centro de Ação Voluntária de Curitiba, através do Projeto Sou Cidadão, busca despertar e reforçar nos adolescentes uma visão mais crítica frente aos acontecimentos em nosso país. Somos apartidários, porém não apolíticos e, portanto, estamos sempre atentos aos acontecimentos para poder levar essa reflexão às nossas oficinas. É interessante notar que a versão 2016/2017 do projeto traz temas que vem sendo destaque nos meios de comunicação. Os mais de 50 adolescentes atendidos apenas no primeiro semestre deste ano puderam acompanhar um processo de Impeachment com mais entendimento quanto ao papel de cada personagem envolvido. Da mesma forma ao voltarmos os olhos para o processo da Lava Jato e os escândalos de corrupção, fomos confrontados em nossos encontros semanais com a pequena corrupção que atinge o cidadão comum e que não pode passar despercebido. Não fugindo deste assunto, recentemente o juiz federal Sérgio Moro, responsável por esses processos na primeira instância, esteve na Câmara dos Deputados defendendo o projeto de lei 4850/16 que nasceu a partir do texto “10 medidas contra a corrupção” apresentado pelo Ministério Público Federal cujo material divulgado na internet foi utilizado como base para a sensibilização dos adolescentes de colégios públicos de Curitiba. É sempre prazeroso perceber que eles, a partir da experiência que tiveram na oficina, puderam concluir que a corrupção se combate dia a dia e que é algo possível, mas não obrigatório ou inevitável, ou seja, cada pessoa decide compactuar com ela ou não.

Outro tema que ganhou certo destaque nos jornais foi o projeto de lei do senador José Agripino que busca incluir o tema do empreendedorismo no currículo da educação básica. Segundo ele, nem todos os brasileiros precisam ser empreendedores, mas é importante que todos conheçam o tema e tenham experimentado empreender, ainda que apenas na teoria. Nosso projeto contempla o empreendedorismo em sua modalidade social e, além de sensibilizar os adolescentes e levá-los a conhecer iniciativas vigentes na capital do Paraná, buscamos dar a eles a oportunidade de empreender, isto é, planejar, viabilizar e efetivamente realizar uma ação de impacto social na comunidade. Como resultado, já tivemos o surgimento de dois projetos de horta comunitária dentro de escolas estaduais na regional Boa Vista.

Por fim, nossas oficinas que tratam do tema das eleições são muito pertinentes ao momento atual. Nelas conversamos sobre a função de cada cargo político, a força das coligações partidárias, o impacto do voto nulo e branco na contagem de eleições majoritárias e proporcionais, além de falar sobre o papel do cidadão em todo o processo, não somente votando, mas também trabalhando nas eleições como convocados ou voluntários. Como conclusão, fazemos uma votação nada simbólica, pois os candidatos a representantes do grupo apresentam suas propostas, fazem suas campanhas e são eleitos para, em seguida, realmente decidirem questões que atingem cada integrante do grupo, fazendo prevalecer assim a democracia representativa, um dos temas também abordados em nossas conversas. Eis aqui um pouco de nossa metodologia: apresentação de temas relevantes e a possibilidade de vivenciá-los dentro do próprio grupo, nossa “mini sociedade”.

Estes são apenas 3 exemplos de temas abordados, discutidos e trabalhados com os adolescentes e que podem ser apontados como bem atuais e relevantes para a vida do cidadão. Essa é nossa forma de contribuir para formar uma geração mais bem preparada e pronta a observar, avaliar e posicionar-se frente aos desafios sociais, pois acreditamos que só o conhecimento nos liberta e a liberdade é a única forma de possibilitar escolhas mais conscientes e adequadas.

*Artigo escrito por Ronaldo Eugênio Barboza, psicólogo, professor, empreendedor digital e gestor de projetos no CAV – Centro de Ação Voluntária de Curitiba, instituição parceira do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/09/16 3:45:05 PM
(Foto: Radamés Manosso, via Visual Hunt)

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Inspiradas no tema internacional proposto pela UNESCO/2016, “Entendimento Global”, recentemente vivenciamos experiências com escolas de diferentes municípios, que qualificaram um trabalho com importantes aprendizados, exemplos de cidadania e garantia de sustentabilidade às ações pedagógicas desenvolvidas.

De um lado, uma escola fundada há 50 anos que é chancelada pela UNESCO desde 2012 na modalidade de Educação Especial e que promove o conhecimento nas dimensões: ética, estética, política, cultural, cognitiva, afetiva e cidadã na cidade de Curitiba; e do outro lado uma escola em Pomerode, situada na região do Vale Europeu em Santa Catarina, que preserva traços culturais herdados dos colonizadores vindos, em sua maioria, da Pomerânia, região do norte da Alemanha: conhecer, trocar experiências e informações voltadas ao entendimento global, sustentabilidade, respeito à diversidade e cultura da paz.

A proposta de intercâmbio entre as escolas mostrou que o aprendizado para a sustentabilidade começa em tenra idade. O trabalho com foco em temas voltados à sustentabilidade foi realizado por meio de visita ‘in loco’. Os trabalhos apresentados pela escola catarinense foram livres, diversificados e retratados através da música, dança, artes cênicas, artes plásticas, costumes, hábitos alimentares e atitudes de uma comunidade que mantém viva a cultura europeia e que imprime sua marca em cada ação.

O intercâmbio entre municípios, estados e países pode parecer simples, porém de uma importância sublime quando analisamos os processos vivenciados pelos alunos, suas famílias e professores.  Processos como esse devem servir de inspiração para novas iniciativas no mundo escolar, pois envolvem a construção do conhecimento nas dimensões já citadas e a produção de saberes pelo exercício da troca e das capacidades observadas.

Como resultado, destaque à construção de novos valores, atitudes e discursos. Uma nova semente foi lançada e sua essência traz a construção de um mundo melhor e fundamentalmente mais feliz e sustentável.

*Artigo escrito por Ana Maria Lima Zem e Silvânia S. Zeschotko, representantes da Escola Nilza Tartuce no Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE). O Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/09/16 10:06:26 AM
(Imagem: freepik)

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Congestionamentos, lentidão, acidentes, poluição, motoristas impacientes e longas horas ao volante. Infelizmente, este é o cotidiano de quem precisa enfrentar o tráfego das grandes cidades. Neste cenário, ficar um dia sem carro pode nos levar a inúmeras reflexões.

Criado na França em 1997, o Dia Mundial Sem Carro hoje é comemorado em mais de 2 mil cidades em todo o país. O objetivo do movimento é fazer com que as pessoas revejam sua dependência em relação ao automóvel e experimentem formas alternativas de mobilidade. E opções não faltam: bicicleta, skate, patinete, transporte público.

O movimento em prol da diminuição do uso de carros aumenta a cada ano. Pensar em mobilidade nas cidades deveria ser sinônimo de pensar no coletivo, mas o que vemos é o contrário – cada cidadão no seu carro, preocupado apenas com si mesmo, sem perceber que a questão precisa ser repensada – e de forma sustentável. Afinal, o que está em jogo é o futuro do nosso planeta.

Além da carona solidária, que já existe há algum tempo, temos hoje o serviço do Uber, que promove o compartilhamento de carros. Será que esta nova economia do compartilhar traz uma reflexão para um mundo mais sustentável? O que mais podemos fazer para contribuir com esta questão? Nas escolas, estamos ajudando a formar cidadãos mais conscientes?

A solução para este problema só depende de nós. Você abriria mão do seu conforto e da sua individualidade para andar de metrô, ônibus ou qualquer outro transporte coletivo? Precisamos parar de pensar no “eu” para pensar no “nós”. Só assim para garantir nosso futuro.

Então, neste dia 22 de setembro, te convido a deixar o carro na garagem e abrir a cabeça para o uso de novas formas de transporte. Fazer deste dia um dia de reflexão é fundamental. Pratique este ato de cidadania.

*Artigo escrito por Esther Cristina Pereira, psicopedagoga, diretora da Escola Atuação e vice-presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/09/16 6:00:39 PM
(Imagem: freepik)

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Vivemos uma triste porém verdadeira realidade: o Brasil não tem muitos líderes da causa da sustentabilidade. No sentido daqueles que se apresentam mesmo como protagonistas (do grego “proto” = o primeiro, principal; e “agon” = lutador, guerreiro). Apesar de o nosso país ser a grande potência megadiversa do planeta e muito embora a causa do todo seja maior que o interesse individual das partes. Contrariamente à outras nações em processo de consolidação de níveis mais avançados de maturidade na busca por longevidade em suas perspectivas atuais e futuras, os chamados think-tankers, permanecemos deitados eternamente em berço esplêndido, devendo esse legado. E as próximas gerações, sem ter como nos cobrar, vão pagar caro por isso.

Porque organizações ainda pensam de maneira linear, porém a própria vida é não-linear, demandando uma compreensão mais sistêmica e de aplicação da sustentabilidade pela grande maioria das organizações. Temos muito o que evoluir.

Todo processo de amadurecimento requer disposição em atravessar para o outro lado ainda não alcançado; crescer para além; galgar um degrau mais elevado de evolução. Contudo, empresas que comprovam práticas sustentáveis na gestão valorizam mais em Bolsa; no comparativo de 10 anos (de 2005 a julho de 2015), o Índice ISE BMF&Bovespa valorizou 131,92% enquanto o IBOVESPA valorizou meros 104,31%. Aportar em empresas que protagonizam sustentabilidade é um grande negócio – até financeiramente falando.

Portanto, sustentabilidade de fato e de verdade tem a ver com protagonismo no des_envolvimento do mindset, isto é, tirar o envolvimento; o invólucro de proteção; a zona de conforto do velho modelo mental – não importando a sua linha do tempo a partir da decisão de uma tomada de consciência maior. Melhor, antes; contudo, antes tarde do que nunca. Não basta tirar a pessoa da favela; é preciso tirar a favela da pessoa. 

Clemente Nóbrega, em seu brilhante artigo “Por que o Brasil é Ruim de Inovação?”, sugere os seguintes norteadores: meritocracia no sentido de “pensocracia”: quem pensa (tem a iniciativa e a “acabativa”), manda; reciprocidade; confiança (estamos em 70o. lugar no mundo no ranking de inovação do Insead, em grande parte por também ser lanterninha no quesito ‘Confiança nas relações’); regra da lei (quando  seguida por todos, é boa para todos); e o forte senso de justiça feita ao punir responsáveis – e vem daí o combate à impunidade e à toda forma de corrupção. Esse conjunto é chamado de Tecnologia Social.

Premiar o esforço do executivo em performar metas de  desempenho e não simplesmente o resultado atingido, para quem se comprometesse em realizar quantitativos mensuráveis de sustentabilidade em suas práticas de negócio, levando-o a repensar qual a melhor forma de converter Ativos Intangíveis (como é o caso da sustentabilidade nas rotinas e procedimentos-padrão validados) em Ativos Tangíveis (como o EBITDA e ROI) seria uma forma tangível de alavancar protagonismo.

Nesse momento, veremos surgir uma nova geração de protagonistas disposta a liderar temas sustentáveis, fazendo diferença por uma só razão: sobrevivência. Sua própria, no mercado; da organização que representa, à frente dos concorrentes numa arena competitiva acirrada; e ambos liderando a governança do planeta, em que todos habitamos. 

O grande líder é aquele que deixa outros líderes formados, como sendo o seu grande legado inspiracional; sua contribuição pessoal para a humanidade. Sucesso sem sucessores, é fracasso. Em outros países é possível perceber a atuação mais consistente e coerente de líderes protagonistas da sustentabilidade, como o Jochen Zeitz do B Team, ex-CEO da Puma e o Bob Willard, ex-presidente da IBM, que demonstra financeiramente em seus livros que é mais vantajoso para a empresa ser sustentável, comprovando por A mais B através de 7 Indicadores de Desempenho (KPIs Key Performance Indicators) financeiros que é possível sim fazer a conversão de ativos intangíveis em tangíveis. Até porque já existe atualmente uma normativa contábil brasileira para isso que possibilita o enquadramento quantitativo de práticas sustentáveis: é a NBC T 19.8 (2009). Só permanece cego quem não quer ver.

Vale lembrar, como tributo e fechamento, uma frase do sempre inspirador zeronauta Ray Anderson: “Unless somebody leads, nobody will.” que, numa tradução livre, seria: “A menos que alguém lidere, ninguém liderará”. Parafraseando, poderíamos até dizer que quando os bons não ocupam os espaços, os maus ocupam; porque espaço é espaço e não fica vazio de jeito nenhum. Já viu esse filme antes, na política ou na tela da vida real?

*Artigo escrito por Cleuton Rodrigues Carrijo, professor de MBA em escolas de negócios e de Sustentabilidade Empresarial na FAE Business School; palestrante; consultor em gestão estratégica sistêmica, criador da Matriz de Materialidade Sistêmica Kainos; presidente do Conselho da start-up Nanorganic; e conselheiro do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE), vem dedicando-se nos últimos anos à mentoria de executivos e quipes de alta performance. O Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE é colaborador voluntário do blog Giro Sustentável.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 02/09/16 3:01:09 PM
(Foto: Free Images)

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Há muito tempo as mulheres têm brigado por seu espaço na sociedade. Principalmente ao que diz respeito aos seus direitos e seu espaço no mercado de trabalho. Ocorreu um aumento considerável no número de mulheres nas empresas, porém seus salários ainda são inferiores, quando os comparado ao público masculino.

Um levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial revelou que em 2015, o Brasil caiu nove posições no ranking de equidade de gênero: em 2013, o país ocupava a 62ª posição, e hoje encontra-se no 71º lugar. Segundo o Fórum, se mantidas as tendências atuais, a equidade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho no mundo só será plenamente alcançada em 2095.

Lançados em 2015, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, contam com diversos propósitos que precisam ser exercidos pela sociedade como um todo. O ODS 5, busca alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. A criadora do “Carreira de Mulher”, grupo que busca o aperfeiçoamento e auxílio de mulheres, Sandra Choma, fala sobre o espaço da mulher e como a ascensão delas no mercado de trabalho pode crescer cada vez mais. Confira a entrevista abaixo.

Perspectiva – Muitas empresas já contam com um número superior de mulheres, porém não em posição de destaque, o que falta para isso acontecer?

Sandra – É uma mudança cultural que depende também das mulheres. Primeiro precisamos escolher cursos de graduação ou especialização que permitam uma formação na área de exatas. Isso se faz necessário porque para atuar na alta gestão de uma empresa é necessário saber também lidar com informações numéricas, balanços, projeções etc. Segundo é necessário que as mulheres se apresentem como candidatas às posições de liderança, existe um problema na confiança das mulheres, elas somente candidatam-se às posições quando possuem 100% das qualificações, sendo que os homens arriscam mais, mesmo não tendo todos os requisitos eles candidatam-se às posições de liderança.

Perspectiva – As mulheres têm sido empreendedoras e ganharam um certo destaque no mercado. O que fez com que elas “saíssem” do casulo e começassem a empreender?

Sandra – As mulheres estão buscando empreender porque a atuação informal oferece mais flexibilidade para também cuidar das crianças. Outra razão é a desilusão com o crescimento dentro do ambiente empresarial.

Perspectiva –  Os EUA podem ter sua primeira presidente mulher. Quão isso é importante para o empoderamento feminino?

Sandra – Isso é fundamental porque uma mulher no poder costuma priorizar questões relacionadas ao universo feminino, considerando que seria a presidente do Estados Unidos que possui uma influência mundial, seria ainda melhor. No caso ter tido uma presidente mulher fez com que várias questões femininas fossem priorizadas no Brasil.

Perspectiva  –  Quais as vantagens de ter uma mulher encabeçando um projeto?

Sandra – Inteligência emocional é um fator chave de sucesso no gerenciamento de projetos, as mulheres costumam lidar melhor com as emoções e, portanto, costuma ter uma maior inteligência emocional. Um fator importante no gerenciamento de projetos é o gerenciamento do stakeholders, e para gerenciá-los é necessário inteligência emocional.

Perspectiva – Quais dicas você deixaria para as mulheres que querem se destacar em suas carreiras?

Sandra – Arrisque-se, busque posições de liderança. Claro que ter uma base de competências, principalmente de gestão empresarial é fundamental, isso é empregabilidade. Outro ponto para o desenvolvimento da carreira da mulher, é o networking e nesse ponto as mulheres deixam muito a desejar, busque ampliar sua rede de relacionamento profissional. Não deixe de trabalhar questões pessoais como, a gestão do seu tempo, frente aos vários papéis que assume, as questões psicológicas para que seus pensamentos não te impeçam de crescer, ou seja, autoconhecimento pessoal e profissional é fundamental para destacar-se na sua carreira e ser feliz.

*Artigo escrito pela equipe do ISAE/FGV, publicado também na 40ª Edição da Revista Perspectiva. O ISAE/FGV é uma instituição parceira do Instituto GRPCOM.

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